MICHEL SERRAULT (1928-2007)

O prolífico actor (mais de 135 filmes) ganhou aclamação internacional com «A Gaiola das Malucas», um dos maiores sucessos europeus do cinema nos anos 70.

 
 
 
   
 
Faleceu MICHEL SERRAULT, um dos nomes maiores do cinema francês. Tinha 79 anos.

O actor francês Michel Serrault faleceu este domingo após longa doença na sua casa na Normandia. Nascido em Brunoy, uma pequena cidade a sul de Paris, em 24 de Janeiro de 1928, cresceu no seio de uma família católica e chegou a entrar no seminário na sua adolescência, que abandonou por amor ao teatro.

De facto, se a sua carreira cinematográfica começou em 1954 e no ano seguinte teve um papel secundário no clássico «Les Diaboliques/As Diábólicas», de Henri-Georges Clouzot, durante muito tempo foi em cima dos palcos que conheceu os maiores sucessos. Aí começou a sua carreira em 1948, antes de entrar no mundo do cabaret parisiense, e encontrou Jean Poiret, com quem desenvolveu um número que se tornou um sucesso em algumas das maiores salas da cidade. Muitos anos mais tarde, Poiret escreveria a peça «La Cage aux folles» com Serrault no papel de Albin Mougeotte, o emocional e histérico homossexual que é a estrela principal no cabaret que explora com Renato Baldi e vê tudo a complicar-se quando se preparam para receber o filho de Renato, prestes a casar, e que traz os ultra-conservadores pais da noiva para os conhecer. O filme posterior, de 1978, foi um dos maiores sucessos a nível internacional do cinema francês (em Portugal chamou-se «A Gaiola das Malucas»), foi nomeado para três Oscars e valeu ao actor o seu primeiro César, o reconhecimento máximo em França. Deu origem a duas sequelas, em 1980 e 1985.

Embora provavelmente mais conhecido pelo seu trabalho em comédia, a sua carreira ao longo de 135 filmes, onde trabalhou com as maiores figuras da realização e interpretação, conheceu outros desafios, que o tornariam um dos tesouros nacionais da cinematografia francesa. A personagem de um advogado suspeito de assassinar duas crianças no filme «Garde a Vue», de Claude Miller (1981), e que é interrogado durante horas pelo inspector Gallien (Lino Ventura), valeu-lhe o segundo César. O terceiro seria por «Nelly & Monsieur Arnaud», de Claude Sautet, em 1995, onde era um retirado homem de negócios que contrata Emmanuelle Béart para escrever as suas memórias. Seria nomeado mais cinco vezes.

Na última fase da sua carreira, um dos seus grandes papéis foi também um dos maiores escândalos: em «Assassino(s)», de Mathieu Kassovitz, ele era o velho assassino que está a morrer e que escolhe um jovem (Kassovitz) para lhe ensinar o ofício. O seu último filme foi «Pars vite et reviens tard/Sob o Signo da Morte» (fotografia dos bastidores no centro desta página, em que Serrault tem ao seu lado o realizador Régis Wargnier e o actor José Garcia), cuja estreia foi adiada a semana passada em Portugal.

Um homem profundamente religioso, teve duas filhas, Caroline, falecida num acidente de automóvel em 1977, e Nathalie Serrault, que também é actriz. Deixa duas autobiografias: "Vous avez dit Serrault?" e "Les pieds dans le plat!".

30-07-2007