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Cartas de Iwo Jima
Título original: Letters from Iwo Jima
Título (Brasil):
Realização: Clint Eastwood
Intérpretes: Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Shido Nakamura, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Yuki Matsuzaki, Hiroshi Watanabe, Takumi Bando, Nobumasa Sakagami, Takashi Yamaguchi, Nae Yuuki
Estados Unidos, 2006
Estreia: 15 de Fevereiro de 2007
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Média dos Espectadores |
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Há sessenta e um anos, os exércitos americano e japonês defrontaram-se em Iwo Jima. Algumas décadas depois, várias centenas de cartas são desenterradas do local. As cartas dão um rosto e uma voz aos homens que ali combateram, bem como ao extraordinário general que os comandou.
Os soldados japoneses foram enviados para Iwo Jima cientes de que era altamente improvável que de lá regressassem. Com poucos meios de defesa ao seu alcance para além de uma vontade indómita e das rochas vulcânicas da ilha, as tácticas inovadoras do General Tadamichi Kuribayashi transformaram aquilo que se esperava ser uma derrota rápida e sangrenta num combate heróico e engenhoso que durou quase 40 dias.
Em Iwo Jima morreram quase 7.000 soldados americanos e mais de 20.000 soldados japoneses. As areias negras ainda estão manchadas pelo seu sangue, mas o seu sacrifício, o seu esforço, a sua coragem e a sua compaixão vivem nas cartas que escreveram para casa.
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* «Flags of Our Fathers: As Bandeiras dos Nossos Pais», Clint Eastwood e Ken Watanabe no CINEMA2000.
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Nomeações para os Oscars (4)
* MELHOR FILME, Clint Eastwood, Steven Spielberg e Robert Lorenz
* MELHOR REALIZAÇÃO, Clint Eastwood
* MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL, Iris Yamashita e Paul Haggis
* MELHOR MONTAGEM DE SOM, Alan Robert Murray e Bub Asman |
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ant.almeida@gmail.com |
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| Se é para falar dos heróis de que ninguém fala, aqui está um filme cheio deles e de ambos os lados da barricada. Como já nos provou,Clint Eastwood, além de ser ou bom actor é um óptimo realizador. |
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Ricardo Lourenço |
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O LADO JAPONÊS
Enquanto "As Bandeiras dos Nossos Pais" partia da imagem em que cinco "marines" erguem a bandeira dos EUA no Monte Suribachi, "As Cartas de Iwo Jima" mergulha no lado dos soldados japoneses. Décadas depois da batalha, são desenterradas no local várias centenas de cartas que revelam facetas desconhecidas dos soldados que aí perderam a vida. Cartas que dão um rosto aos heróis de Iwo Jima e ao seu extraordinário general.
Junho de 1944. Os soldados japoneses foram enviados para Iwo Jima, considerada a última linha de defesa do país, cientes de que era altamente improvável que de lá regressassem. Estre eles encontravam-se Saigo (Kazunari Ninomiya), um padeiro que só quer sobreviver para conhecer a sua filha recém-nascida; Baron Nishi (Tsuyoshi Ihara), um campeão Olímpico de hipismo conhecido em todo o mundo pela sua arte e pela sua honra; Shimizu (Ryo Kase), um jovem ex-agente da Polícia Militar, cujo idealismo ainda não foi posto à prova pela guerra; e o Tenente Ito (Shidou Nakamura), um militar rígido, que certamente preferiria o suicídio à rendição.A defesa é organizada pelo General Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe), cujas viajens pela América lhe revelaram a natureza vã da guerra, mas também lhe deram a visão estratégica necessária para enfrentar a vasta armada americana que se aproxima pelo Pacífico. Ao contrário dos outros comandantes Kuribayashi moderniza o modo de agir, alterando a estratégia que era usada. Ele supervisiona a construção de uma fortaleza subterrânea, feita de túneis que davam para as suas tropas a estratégia ideal contra as forças americanas, que começam a desembarcar na ilha em 19 de fevereiro de 1945. Com poucos meios e poucos soldados, mas uma vontade indómita de vencer, o general tira partido das particularidades da ilha e consegue transformar aquilo que se previa como uma derrota rápida num combate heróico. Em Iwo Jima morreram quase sete mil soldados americanos e mais de 20 mil japoneses.
Clint Eastwood (vencedor de Oscares da Academia pelos seus filmes "Imperdoável" e "Million Dollar Baby" e novamente nomeado por este filme) conta-nos a história até agora desconhecida dos soldados japoneses e do seu General que há 61 anos se defenderam da invasão dos exércitos americanos na ilha de Iwo Jima.
Na tentativa de revelar um acontecimento que continua a ter um forte impacto sobre ambas as culturas, Clint Eastwood foi perseguido pela ideia de que fazer apenas um filme - "As Bandeiras dos Nossos Pais" - seria apenas contar metade da história. Com este projecto inovador, Clint Eastwood procura dar a conhecer a Guerra do Pacífico, não como um confronto de exércitos, mas como um choque de culturas.
Contando histórias diferentes, segundo perspectivas diferentes e com uma linguagem diferente, "Cartas de Iwo Jima" e "As Bandeiras dos Nossos Pais" são o tributo de Eastwood a todos os que perderam a vida dos dois lados do conflito, propondo uma nova forma de analisar profundamente um acontecimento que tanto afectou a história dos dois países.
"Cartas de Iwo Jima", falado em japonês, será das duas a melhor, pela intensidade com que as personagens vivem a história, e em especial por um desempenho fabuloso de Ken Watanabe no papel do General Kuribayashi. Esta obra vibra mais também porque acompanha a guerra e a vivência dos soldados japoneses apoiado nas missivas que revelam o sacrifício, o esforço, a coragem e a compaixão destes homens que se defenderam heroicamente do exército americano.
Clint Eastwood, um dos maiores realizadores da actualidade, faz mais um grande filme, a ser visto e meditado sobre alguns de muitos heróis anónimos
Ricardo Lourenço |
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www.grandesplanos.blogspot.com |
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O segundo filme de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima. Desta vez abordando o lado derrotado do conflito, o japonês. Letters From Iwo Jima, é um filme de guerra, mas mais que isso, é um filme sobre a derrota. Os soldados nipónicos, pressentem logo de início que aquela, será uma batalha perdida à partida, mas o seu código de honra e a sua dedicação à mãe pátria impele-os a ficar e enfrentar a morte.
Este prenúncio de morte, está omnipresente na primeira parte, revelando-se com toda a sua crueza na segunda metade do filme. É de louvar a opção de Eastwood, de mergulhar fundo na mentalidade que está por detrás de seres humanos que preferem a morte à desonrra da derrota. E é de seres humanos que o filme de Eastwood se trata. Um pouco à maneira do superior The Thin Red Line, aqui, o realizador mostra o lado do homem por detrás do soldado, recorrendo a flashbacks particularmente eficazes, que criam a empatia necessária com os personagens.
A crueldade da guerra, não escolhe lados, e na visão justa de Eastwood, não há lugar para maniqueísmo primários. Tanto os japoneses como os americanos, têm elementos nas suas fileiras que são capazes da maior das desumanidades (o oficial japaonês que ordena o suícidio dos seus homens, e os americanos que assassinam os prisioneiros de guerra). Mas a justiça da camara de Eastwood, revela também um lado humano tocante. Particularmente na figura do general magistralmente interpretado por Ken Watanabe, ou na figura do jovem padeiro que prometeu regressar, custe o que custar, para a sua mulher e o seu filho por nascer. Estes personagens, demonstram de forma trágica a barbárie da guerra, e da loucura que esta prossupõe.
Além da mão segura de Eastwood, ou das excelentes interpretações do elenco, é de destacar a fotografia de Tom Stern, que com as suas imagens esbatidas e praticamente vazias de côr, dão o tom sombrio e fúnebre, perfeitamente adequado à trágica história que contam.
Um filme que obriga a reflectir sobre a natureza e a crueldade da guerra.
Luís A. |
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Filipe Fragal |
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Um optimo filme !
No entanto é demasiado demorado em muitos aspectos, faz-nos por vezes ``ficar com sono``!
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carlos |
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| È um bom filme, mas não achei nada de mais. Só o facto de não ser o lado americano, o retratado no filme, já vale a oportunidade para ver. |
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Diogo Trindade |
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| O argumento tem óptimas potencialidades graças a um conjunto de situações humanas vividas pelos soldados nipónicos no contexto sangrento da Segunda Guerra Mundial. O que falha é o exagero no discurso, acompanhado pelos flash-backs atípicos acessórios. O filme acaba por se tornar aborrecido. |
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Pedro Ramalhete |
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| Este lado niponico da historia que Eastwood nos conta sobre Iwo Jima tem muito que lhe diga. No desenrolar da fita somos confrontados com a exposição dos sentimenos humanos ao máximo. Visualmente excepcional e narrado de forma inigualavel. Protagonizado teatralmente por actores cuja a experiência é pouca ou nenhuma e dirigido por um sobrio e inspirado Clint Eastwood. Peca pela musica deveras irritante |
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Ricardo F. |
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Não há heroísmo em nenhuma guerra. Nem nunca haverá. Nem bons nem maus.
Há homens contra homens que combatem, muitas vezes, por causas desconhecidas. Tudo é imperfeito. Como colocar no cinema a perfeição do sentimento de um homem numa situação de guerra?
O cobarde, que alguém disse ser Saigo, era apenas um jovem com alguma perspectiva de futuro, com uma mulher bonita e que julgava vir a ser pai em breve. Há cobardia nisto? Em querer, apenas, não morrer esventrado por uma guerra que ele não compreende?
Parece-me claro que todos eles têm mães, tem filhos, tem futuros, tem uma vida que muitos deles querem preservar acima de tudo. É um filme que dá a perspectiva, uma nova perspectiva sobre o lado da outra barricada. Não é um filme anti-americano como me parece estar nas entrelinhas de muitos comentários.
Há bons filmes sobre a guerra. “Platoon”, “Nascido para matar”, “Barreira invisível” e até mesmo o “Resgate do soldado Ryan” entre outros. Todos com pontos de vista diferente. Mas este faz a diferença. É o ponto de vista do inimigo. Demonstrando que mesmo no inimigo não há maus nem bons. Existem, sim, homens também eles com sentimentos, com frustrações, com duvidas, com desejos. Cada homem com cada história.
Em todas as guerras há atrocidades. A própria guerra é uma atrocidade.
Este filme é isso mesmo. Um forma de mostrar que mesmo na outra trincheira também consideram a guerra como uma atrocidade.
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José Miguel Oliveira |
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Já ouvi alguém dizer que, provavelmente, o cinema estará a morrer.
Não direi tanto “morrer”, porque as produções continuarão, novos filmes surgirão, novos realizadores e novos actores florescerão.
É uma inevitabilidade, tão inevitável como as salas continuarem abertas, apesar de cada vez haverem mais a fecharem, de as pipocas continuarem a serem vendidas, de as opiniões sobre os filmes existirem.
Tudo isso é inelutável. Não se pode fugir a esse desígnio.
Mas, passando por cima do espaço e do tempo que crivam essa ideia, se virmos o cinema como um meio de valores, então, podemos dizer que, no limite, esta arte está a mudar.
O limite é esse, como vêem.
Como estabelecer o seu antónimo?
Dizendo, tão somente, que esse meio de valores que referi acima está em progresso e em consonância com o tempo e o espaço que o definem
O tempo é os dias de hoje. Como são esses valores, no que às imagens se referem actualmente (e é isso que nos interessa discutir aqui)?
Já sabemos. Com a proliferação intensa das mesmas que circulam por toda a parte. Logo, não é muito difícil adivinhar que o espaço, por isso, em vez de antigamente ser uma sala escura, é, hoje, “todo o lado”.
Qual é o busílis, então, no meio disto tudo?
É o de esperarmos (eu esperava) que um cineasta de índole clássico, como é Clint Eastwood, surja, devido a esse classicismo, como um dos últimos guardiões do poder nocivo que as imagens poderão ter.
Para que nos entendamos, não estou a dizer que as imagens, pela sua existência, sejam, por automaticamente “mostrarem”, demoníacas, no que se refere a um pudor que, na actualidade, é cada vez menor.
Digo, apenas, que um cineasta clássico sabe e percebe que o grande mérito para a feitura de uma imagem é exactamente a ideia da mesma e não o seu índole supostamente “realista” (quantas dissertações já não houve sobre o que é ou não uma imagem “realista”, num tempo em que a comparação entre vagas como o neo-realismo e o “Big Brother” são absolutamente ineficazes?).
Ou, explicando melhor, uma imagem é tanto ou mais poderosa quanto a sua capacidade de sugestão e não de uma pueril impressão, que hoje é cada vez maior porque maiores são as quantidades de planos que se nos deparam.
Ser um guardião, neste caso, é alguém que controla o fluxo, o conteúdo e a quantidade das imagens. Alguém que coloca uma ordem e um sentido.
Isso foi o que os clássicos nos ensinaram. Sobretudo os clássicos americanos.
Logo, talvez seja prematuro dizer que o cinema, como conceito global e não plural, esteja a morrer, de facto.
Mas o cinema americano, o cinema “simbólico” por excelência, esse, porventura, até estará.
Porquê?
Porque o pudor que os clássicos colocavam nas suas imagens só tinha razão de ser, porque a lenda era mesmo superior ao facto, porque os heróis, mesmo que anacrónicos, lutavam até ao fim, porque a derrota não fazia parte da sua cabeça, mesmo que, depois de terem alcançado uma espécie de salvação pírrica, se desvanecessem suavemente nas entranhas de um deserto, ou num cavalo, ou num pôr do sol...
Clint Eastwood, o “último dos clássicos” talvez não mereça essa designação, neste filme.
“Cartas de Iwo Jima” não é uma obra sobre a guerra. É uma obra sobre a derrota que é logo estabelecida nos seus planos iniciais.
Uma das primeiras coisas que faço, quando estou a ver um filme é identificar o herói. Aqui, como quase todos, pensei que fosse Kuribayashi, o general japonês.
Mas o que o filme nos mostra, ao longo do seu percurso, é o seu desvanecimento, enquanto que Saigo, o cobarde, torna-se no verdadeiro centro das atenções até ao final.
Podemos, claro, dizer que Saigo é mesmo o herói. Merece esse epíteto, porque é o único que cumpre o seu objectivo. Ir ter com a mulher e a filha.
Mas, neste momento, sentimos que o facto está mesmo a sobrepor-se à lenda e a lenda em si, a personagem de Watanabe, não tem mais lugar neste ou em outro mundo, ideia anacrónica, concedo, porque é um reflexo de uma descrição histórica, detalhada e verdadeira, que mata a sua condição de um herói que nos possa remeter para o “classicismo” tão apregoado do seu realizador.
Isso é mau? Isso é bom?
Bom, depende das opiniões, mas, de facto o classicismo como o conhecemos está, se estiver como todos dizem, nas mãos de Eastwood e de poucos mais, a definhar aos poucos, sem grande hipótese que o salve, porque o próprio mundo em si não necessita, pelos vistos, nem de heróis nem de um conjunto de valores diferentes daqueles que existem actualmente.
“Cartas de Iwo Jima” é, portanto, um filme que está mais bem identificado com o mundo “Big Brother” em que vivemos do que com um suposto anacronismo de ideais.
O cobarde, Saigo, neste caso é cada vez mais interessante, porque é o coitadinho aos olhos das pessoas. Aquele que sofre. Aquele que quer voltar para casa. Aquele que não acredita em nada. Mas também aquele que não constrói.
Kuribayashi, ao invés, é uma personagem "elevante", com resquícios de algum dos “dignos” de antigamente. Tem sentido de honra e nobreza. Acredita no trabalho e na construção de um suporte de símbolos que o suportem.
Mas, neste filme, o seu mundo é contido, para não dizer limitado. Watanabe constrói uma personagem ao qual a dimensão de espaço já não lhe diz nada. Não é um homem que se fixe numa grande dimensão, nem parece sentir-se confortável com isso.
O que é curioso e contraditório é que Clint gosta de focar o ponto de vista deste homem de uma forma terrena e, portanto, estando tão longe do local onde céu e terra se tocam, esbatida na sua limitação. São raros os contra-campos para os grandes espaços à frente dele, porque, simplesmente, esta é uma “caracter” que já não os controla como as figuras de antigamente.
Nessa simplicidade de meios, nessa secura, Clint é bastante devedor de um cinema eficaz, mas essa eficácia quer explanar um ponto de vista diferente, actual, moderno, dizendo que, como todos os “Big Brother” o forte tem de cair, porque é demasiadamente limitado, na sua fortaleza, perante o fraco que, por ser mais mundano, é infinitamente mais interessante.
Existe, nesta implosão por dentro, uma constatação tão evidente como a de que este é um épico derrotado à partida e morto à chegada, porque o mundo não está feito para épicos ou loas.
As próprias cartas que os soldados vão escrevendo, ou que vamos ouvindo, ou que vamos vendo, em sucessivos “flashbacks”, sugerem uma ideia de um “confessionário” onde elas nos explicam como chegaram ali.
De facto, hoje em dia, as personagens tem de explicar tudo muito bem aos espectadores, sobre pena de eles se desinteressarem delas. Não existe algo que se chama “contenção”, não existe um “basta” narrativo, ou uma noção, para nós, que elas têm um mundo que nós não acedemos por completo.
Se o épico também é feito de “little people” que se tornam “big”, como é que essas pessoas podem ser grandes quando ao lerem as cartas estão, mais do que descreverem todo o seu passado, a enterrarem-se nele e a não verem portas para o futuro?
Há um movimento que perpassa em muito cinema actual que nos diz que os erros estão a contaminar os heróis, que estes têm cada vez mais falhas, que são, por isso, cada vez mais humanos, numa arte, curiosamente, cada vez menos devedora de um humanismo que se perde em pixels, belíssimos, mas falsos.
Não terei problemas com isso. Concordo com a mudança, desde que haja sempre alguém que, não tendo de interferir com ela, não me faça esquecer o que havia antes.
Mas é, no mínimo, estranho que tenha de ser Clint Eastwood a aderir a este movimento.
Poder-se-á dizer, daqui a uns anos, que ele estabeleceu uma ponte para um futuro com os seus filmes. Não concordarei muito com isso. Para mim, ele faz parte de um cinema bastante actual, bastante frio, porque frias são as nossas referências actuais.
Sim, concordo com a sua secura. Sim, concordo com os seus fechos fundidos. Sim, concordo com o tempo que ele dá às personagens para que sejam... personagens. Concordo com essas coisas todas que, no cinema actual, são, por si só, “estranhas” o suficiente para dizermos “já ninguém filma assim”.
Pois não, mas esses meios de trabalho que Clint usa estão ao serviço de um conjunto de valores tão modernos, que este espectador não pode deixar de mostrar a sua tristeza por o “últimos dos clássicos” confirmar que... já não existem clássicos.
Até porque esses clássicos eram descritos com poucos planos, por vezes fixos, por vezes de conjunto, sem aquela ideia, descritiva até à náusea, de campos-contra campos que, sim, os americanos podem ter inventado, mas que os seus mestres só utilizavam quando existia um verdadeiro sentido para.
Em Clint, o que não é surpreendente, ele usa e abusa da imagem e do seu reverso, foca os rostos com uma obsessão tal que, de facto, todo o simbolismo de um plano geral é perdido pela rispidez de um plano aproximado que proclama, não com subtileza, toda uma noção de realismo.
Pode-se falar, mais uma vez, de um classicismo que deseje a modernidade, mas pode-se também falar das limitações de alguém que parece só saber “quase” filmar dessa maneira.
De facto, Eastwood não consegue, aqui pelo menos, estabelecer no espectador o desejo de tentar decifrar qual o próximo "shot", pela sua novidade. São quase todos iguais e são quase todos... fáceis.
Claro, pode-se falar de um “despache” típico de alguém que descende, se calhar até mais do que o período de ouro de Hollywood, do cinema de série B.
Mas não sendo um olhar limitado, porque transporta um bom argumento (Eastwood tem tido bons “scripts”, verdade seja dita...), não é um olhar transcendente e que nos incuta a noção, como antigamente, que um plano pode mesmo mudar a nossa forma de ver o mundo.
Neste caso, não pode.
As suas imagens são como os seus heróis. Cada vez menos interessantes, apanágio de um mundo que, pelos vistos, se não tem a capacidade real de se “emancipar”, pouca vontade de criar também possui.
Eastwood não é o último dos clássicos. É o “clássico” que o mundo de hoje têm.
E, se calhar, com razão. |
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joaomiguelpereira@hotmail.com |
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O filme é bom, mas não deixei de ficar um pouco desiludido. Acho meritório que, sendo Eastwood americano, olhe para os japoneses como pessoas e não como bestas, mesmo depois do que se passou na segunda guerra mundial. Por outro lado, achei que o filme tinha pouco ritmo e que, para além de dizer que os japoneses também têm sentimentos, o filme não continha outra mensagem relevante ou um momento de maior intensidade. Aprecio a personagem interpretada por Watanabe, que dá tudo o que sabe e pode para aguentar a ilha e evitar a derrota e, apesar de rodeado por invejosos e incompetentes, mantém a sua determinação sem abdicar do que acha correcto. De resto, penso que os soldados japoneses que aparecem no filme estão calmos demais; quem sabendo que vai morrer não perde a paciência ou, pelo menos, mostra mais nervosismo? Nunca estive na guerra, mas se até quando se está a perder um jogo de futebol as pessoas ficam nervosas, quanto mais quando perdem uma guerra e vêem a morte à sua frente.
João Pereira |
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claudiarodriguesfr@gmail.com |
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Fiquei desiludida com o filme. Fui com muitas expectativas, justamente devido às críticas que lia e... nem sei que dizer. Mau filme, não é, mas também não posso dizer que me tenha arrebatado.
O Million Dollar Baby, sim, adorei esse filme. Como pano de fundo, há uma filosofia que muito me agrada, quase reflexo da nossa condição humana: a luta no desespero.
Mas aprecio muito Clint Eastwood como realizador e aguardo, evidentemente, mais filmes. |
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almeida_rita@sapo.pt |
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LETTERS FROM IWO JIMA
de Clint Eastwood
No seguimento de “Flags Of Our Fathers” surge “Letters From Iwo Jima”, a segunda parte do díptico de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima.
Um grupo de soldados japoneses prepara-se para o ataque americano à ilha cavando trincheiras no meio da praia da ilha de Iwo Jima. Sabendo que esse será o primeiro lugar a ser arrastado no ataque americano, o seu novo líder ordena que se façam túneis na montanha, onde terão uma melhor posição para combater o inimigo e proteger a ilha e, consequentemente, o Japão. Após a batalha de Saipan, os contingentes da Marinha Imperial e Força Aérea japonesas cancelam quaisquer reforços para a ilha. Em desvantagem numérica, sem comida e água, assolados pela desinteria, a morte destes homens torna-se uma realidade iminente.
Olhando pelo lado japonês, Clint Eastwood humaniza o inimigo americano através de três personagens: o general a cargo da defesa da ilha, Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe); um ex-padeiro convocado para a guerra, Saigo (Kazunari Ninomiya); e um ex-atleta olímpico, o Tenente Baron Nishi (Tsuyoshi Ihara). São sobretudo as cartas dos dois primeiros às suas mulheres que dão nome ao filme. Embora estas missivas não sejam o motor da narrativa são essenciais para a caracterização destas personagens.
“Letters from Iwo Jima” é um filme mais forte que “Flags of our Fathers”, e é aquele que dá ao conjunto o seu peso devido (evidenciando as poucas diferenças que existem entre os homens que se enfrentam numa guerra). Da mesma forma que os japoneses mal aparecem em “Flags of our Fathers”, a presença dos americanos neste filme é também reduzida. Mas enquanto o primeiro lidava sobretudo com os efeitos (e custos) do pós-guerra, o segundo debruça-se mais profundamente sobre a realidade da guerra, a tragédia de morrer sem um motivo válido, a reacção perante a inevitabilidade (“O que vou fazer depois de morreres?”, pergunta a mulher de Saigo quando ele é recrutado) e o conceito de honra (onde entra o ritual suicídio).
O argumento de Iris Yamashita e Paul Haggis baseia-se na correspondência do real General Kuribayashi, publicada postumamente, um homem cuja anterior experiência na América lhe truxe uma visão do mundo que chocava com a propaganda imperialista do seu país. O erguer da bandeira no Monte Suribachi pelos americanos, a imagem que serve de ponto de partida para o filme anterior, é aqui visto do outro lado da História.
A escuridão da fotografia de Tom Stern, entre os cinzentos e os castanhos, constrói o ambiente de tragédia e resignação. Os rasgos de cor surgem fora da guerra, ou então no fogo das explosões e muito marcadamente no sol vermelho da bandeira japonesa.
Clint Eastwood revela uma segurança desarmante na realização. As ferozes imagens de batalha são brilhantemente filmadas, com a mesma intensidade da compaixão que revela perante as emoções. Sem actos heróicos, “Letters From Iwo Jima” é um filme silenciosamente corajoso e comovente.
RITA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/
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ac28@sapo.pt |
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Saí da sala com os tímpanos a doer, tantos foram os disparos (espingardas, canhões, obuses, granadas, pistolas) e berros de sargentos!
Insiste-se muito em que o filme retrata também o lado japonês da batalha, mas é algum critério de avaliação?
O filme não me convenceu minimamente. |
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rjlneves@sapo.pt |
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Clint Eastwood consegue criar duas obras primas. “Flags of Our Fathers” e “Letters From Iwo Jima” são um marco na longa carreira deste realizador e na história da 7º Arte. É impressionante como consegue criar duas obras desta dimensão. Um dos melhores do ano.
Ricardo Neves
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P/ Francisco Teixeira,
Esse espaço já está disponível no "DEBATE".
Obrigado. Volte sempre.
Cinema2000 |
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fjteixeira@iol.pt |
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Já aqui deixei a minha crítica sobre este filme.
Gostava de deixar uma sugestão ao Cinema 2000: porque não criar um espaço de crítica especial... aos Óscares 2007? E para o ano repetir com os de 2008?
Assim poderíamos desabafar as mágoas sobre os Óscares que consideramos merecidos, os filmes injustiçados, os Óscares não merecidos, etc...
Obrigado
Francisco Teixeira
fjteixeira@iol.pt |
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ZED |
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| Pra quem viu Flags Of Our Fathers e gostou, este será sem dúvida um filme a não perder e até diria mesmo superior. Pra quem n gostou de FOOF, nem é adpeto deste tipo de filmes só aconselho a fugir mesmo. Na minha modesta opinião o filme é de certa forma bom... ou tenta ser bom... fico sem perceber, mas o certo é q n me convence, e diria mesmo "SECA"... espero sinceramente q n ganhe o oscar de melhor filme, pois nem de longe foi o melhor filme do ano. |
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Carlos Ferro |
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Não é fácil descrever Letters From Iwo Jima. A complexidade e profundidade dos temas abordados não nos deixa ficar indiferentes a este filme impressionante. Letters From Iwo Jima é já considerado por muitos como a última grande obra-prima do cinema americano, embora seja totalmente falado em japonês. Filmado na linha dos grandes clássicos de guerra este é um filme profundamente humanista e intimista, no sentido em que nos mostra um lado da guerra que geralmente é ocultado, o dos vencidos. Partindo da premissa que o levou a realizar Flags Of Our Fathers, Clint Eastwood retorna às areias das praias da Ilha de Iwo Jima para retratar uma das mais importantes e decisivas batalhas da II Guerra Mundial. Após terminar as filmagens de Flags Of Our Fathers, Eastwood, sensibilizado por cartas de familiares de soldados japoneses que insistiram que ele deveria retratar também o lado japonês do que foi o inferno de Iwo Jima, resolveu reaproveitar algumas das filmagens que tinham ficado esquecidas na sala de montagem de Flags Of Our Fathers, e com a ajuda de Paul Haggis e Iris Yamashita, e com um elenco totalmente japonês procurou recontar a história de uma perspectiva totalmente diferente. O resultado é surpreendente. Nasceu um filme mais cru, mais duro, menos adocicado que o seu "irmão" mais velho. Em consequência, a linha narrativa é bastante mais fluida, menos carregada de flashbacks, que aqui são utilizados apenas como forma de descompressão do cenário de guerra. As suas personagens são agora figuras de corpo inteiro e bem delineadas. São humanas e não meros soldados e peões numa batalha sem sentido.
Contando com duas personangens centrais, colocadas em locais distintos da hierarquia militar, a abrangência do que se passa no campo de batalha ganha assim bastante mais relevo. Se por um lado assistimos ao medo e angústia que sente um soldado que é empurrado para uma terra distante, longe da família e de uma filha que nunca conheceu para lutar por uma causa com que não se identifica, por outro lado, também nos são mostradas as incertezas e dúvidas de um comandante que sem apoios, sem tropas e isolado vive ao lutar por uma causa perdida. Eastwood mostra-nos assim, de forma dura o que foi para aqueles soldados viver meses a fio dentro de túneis escavados com as suas mãos e que se iriam tornar em última análise nas suas próprias sepulturas. A angústia do compasso de espera de quem aguarda por um ataque iminente naqueles pequenos espaços claustrofóbicos é transmitida da forma mais credível e obviamente a questão da honra, caracteristica marcante do povo japonês, é levantada e devidamente explorada. O sacrificio e a devoção à Pátria e ao Imperador levam os soldados japoneses a cometer actos considerados impensáveis pelos padrões e mentalidades ocidentais. Mas é nesta diferença e choque civilizacional que reside a riqueza deste filme; sabermos que por entre as diferenças de raça, culturas e locais existem pessoas e que os mesmos sentimentos de medo, angustia, dor, amor, companheirismo, amizade e sacrificio são partilhados por ambos os lados de uma guerra sem sentido.
A crueza dos tons de cinzento da excelente fotografia de Tom Stern transporta-nos através do tempo para as areias da Ilha do Enxofre, um pedaço de terra maldito e amaldiçoado, seco, doente e estéril, uma terra fantasma onde mais de 20.000 soldados perderam a vida em poucos meses. No final de Letters From Iwo Jima, por entre um pôr-do-sol enevoado e com as as ondas a massacrarem eternamente aquelas areias, sentimos que também uma parte da nossa alma se perdeu naquela praia.
O melhor: Toda a envolvência crua do filme e a mensagem humanista que retrata. Uma lição de honra e sacríficio a recordar.
O pior: Essencialmente nada. Não existem filmes perfeitos, mas este é um filme que pela sua importância não merece que os seus poucos e pequenos defeitos sejam realçados.
Carlos Ferro
www.almostfamous.blog-city.com |
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Nowhere_Man@goowy.com |
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Honra na Derrota
“Letters from Iwo Jima” encerra o dupleto que Clint Eastwood dedicou à Batalha de Iwo Jima. Primeiro o lado americano, dos vencedores, do heroísmo. Agora o lado japonês, os derrotados, a honra. O primeiro um melodrama com laivos de superprodução, agora um filme de “arte e ensaio”. Em ambos, um olhar humano e humanista sobre o Homem em tempo de guerra, a bravura, os medos, a sobrevivência.
Ao longo do filme assistimos à estratégia do General Tadamichi Kuribayashi (fabuloso Ken Watanabe – o cinema japonês já tem o seu novo Toshiro Mifune) para defrontar as tropas americanas. Kuribayashi é mostrado como um homem duro, disciplinado e disciplinador, mas sem nunca perder respeito pelos seus homens nem questionar as ordens superiores (não vê vergonha na rendição nem a necessidade de suicídio no caso de derrota). O seu ajudante de campo é o Barão Nishi e juntos procuram encontrar “lógica” e soluções para os eventos que vão enfrentar. Como símbolo do nosso olhar está o soldado Saigo (comovente Kazunari Ninomiya – actor muito promissor), jovem padeiro arrancado da sua vida familiar. Todos irão enfrentar o dilema entre lutar pelo seu país e morrer por ele. Quando os mantimentos e munições se esgotam e o inimigo se aproxima, todos procurarão encontrar o seu lugar – lutar até à morte, suicidar-se, ou entregar-se honradamente ao inimigo, consciente do dever cumprido.
Não se pode dizer que “Letters from Iwo Jima” é melhor ou inferior a “Flags of Our Fathers”. É diferente, focas temas diferentes e a própria encenação é diferente. Eastwood dá-nos uma visão nada simplista dos japoneses (eles não são os “maus da fita”), mostra os seus dilemas e receios (todos querem servir honradamente o país, mas questionam se vale a pena morrer por ele) e ilustra alguns dos valores mais conservadores (em caso de derrota, os japoneses não deveriam render-se, mas suicidar-se). O tom é austero, duro e violento (são mostradas atrocidades cometidas por ambos os lados e tem uma sequência de um suicídio colectivo que irá chocar muita gente). Todo o filme é falado em Japonês e filmado num belíssimo e rigoroso preto-e-branco, parecendo mais um clássico do cinema japonês.
Eastwood faz um olhar muito humano sobre aqueles que foram derrotados. Mas também humaniza aqueles que tantas vezes foram vistos como os “maus”. O filme mostra que não tem que haver vergonha na derrota nem na rendição e questiona o quanto é horrível o sacrifício humano (através do suicídio) só porque se foi derrotado e porque assim mandam as “regras” do país que se defende. É também tributo aqueles que tombaram naquela ilha e que regressaram, de ambos os lados. Um tributo à paz. Um tributo ao Homem e ao seu humanismo mesmo quando está em situações brutais como a guerra. Mas também um esclarecimento a todos aqueles que cresceram com a ideia do “inimigo amarelo” e assim descobrirem que também eles são Homens e enfrentam os mesmos receios e são capazes dos mesmos feitos heróicos, mudando só a causa porque se movem.
É notável como um Homem como Eastwood consegue, a meio dos seus 70 anos, criar duas obras desta envergadura. Independentemente dos prémios que ganhou (já ganhou alguns) e que ganhará (tem boas hipóteses de sair vitorioso na noite dos Oscars), estes dois títulos são já um marco na carreira deste realizador e na história do Cinema.
Um dos melhores de 2007.
Site Oficial - http://iwojimathemovie.warnerbros.com
Alex Aranda |
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dontspam@mymail.com |
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Pessoamente acho o filme a atirar para o fraco. Esperava algo mais ou algo diferente. Trata-se de um filme maniqueista, que apresenta várias histórias de soldados japoneses, mas não desenvolvendo cada uma das personagens como deveria.
Se é para mostrar que os soldados japoneses também sofriam com a guerra, é melhor irem ver "A Barreira Invisível", se é para mostrar o outro lado do conflito, então vão ver o inesquecível "Tora Tora Tora".
Este filme sofre das mesmas limitações de Mystic River, filmados ambos num falso preto e branco (na realidade um cinzento azulado que mal deixa espaço a outras cores), moralidade ambígua e algum desrespeito pela História.
Embora de um ponto de vista técnico, Clint Eastwood seja um realizador competente nunca ví um filme dele que realmente me tenha satisfeito. Há sempre algo que falta. Acho que deveria escolher melhor os argumentos com que trabalha e alguns movimentos de camera começam a ser muito repetidos entre os seus filmes (tal como Mel Gibson, que sofre do mesmo mal).
É melhor que o vómito que Hollywood regularmente lança cá para fora (Hellboys, Demolidores, etc), mas não chega a satisfazer. Foi uma refeição que me deixou com fome.
Paulo Pereira |
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foliveira65@sapo.pt |
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....(reagem da mesma maneira ao horror da guerra e à perspectiva da guerra.)... deve-se ler: à perspectiva da morte.
Fernando Oliveira |
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pmcferreroms@yahoo.com |
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O que «era» em «Flags of Our Fathers» de Spielberg, «é» agora de Samuel Fuller em «Letters from Iwo Jima». Essa é a grande conclusão que se pode tirar deste filme de guerra claustrofóbico, subterrâneo, mesmo, passado numa ilha, ou melhor, em buracos de uma ilha (meia-vulcânica meia-rochedo) que havia de mudar a história da 2ª Guerra Mundial ... aliás, este mesmo filme de Eastwood (melhor dizendo, esta 2ª parte do díptico dedicado ao episódio Iwo Jima) fica na história do cinema como pertencente ao lote do que melhor se filmou sobre aquele teatro de guerra, ombreando agora com filmes como «Tora, Tora, Tora» (de R.Fleisher) ou «Hell in the Pacific» (de Boorman). Neste filme, Clint, em vez de dar o protagonismo às sequências bélicas ou ao facilitismo dos bastidores «back home», resolve tomar conta do assunto pelo prisma do autor de «Baionetas Caladas» (1951), dando-nos um impressionante testemunho do dia-a-dia do soldado isolado, esquecido, irremediavelmente perdido à espera da inevitabilidade ... e fá-lo-no chegar de forma directa, através de cartas escritas pelos próprios soldados do Sol Nascente, cartas enterradas, porque nunca enviadas.
É certo que é curioso ver-se a tentativa argumentativa, vã, de fazer crer ao espectador que apenas os japoneses bafejados pelo contacto em tempos com a civilização norte-americana - o General Kuribayashi (um fabuloso Ken Watanabe; como sempre, aliás) e o Tenente-Coronel medalhado nas Olimpíadas de L.A. -, só esses conseguem ter o discernimento necessário para, não só gizarem um plano de defesa mais moderno e eficaz, como para separarem disciplina rigorosa e honra de crueldade contraproducente, e lealdade e dever pela pátria, de obstinação bacoca. «Letters from Iwo Jima» tem uma impressionante carga dramática, não tanto pelo sangue, suor e lágrimas das suas duas horas e meia, mas pelo discurso directo do que vamos vendo, sabendo que se muito daquilo é ficção, outro tanto será realidade. Nesse sentido, os fãs de Spielberg preferirão «Flags of Our Fathers», os de Fuller, «Letters from Iwo Jima». Seja como for, eis uma justa e comovente homenagem ao Japão!
Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus |
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gonn1000@hotmail.com |
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SONHOS VENCIDOS
Segunda metade do díptico que começou com "As Bandeiras dos Nossos Pais", "Cartas de Iwo Jima" (Letters from Iwo Jima) centra-se na batalha travada entre americanos e japoneses durante a Segunda Guerra Mundial pela disputa de Iwo Jima, ilha do Pacífico, e debruça-se sobre a perpectiva dos soldados nipónicos sobre o conflito.
Ainda mais contido e lacónico do que o título anteriormente estreado, "Cartas de Iwo Jima" baseia-se nas cartas trocadas entre os militares japoneses em missão na ilha e as suas famílias que os esperavam no país-natal, oferecendo um interessante e envolvente testemunho do quotidiano da guerra e do sentimento de perda que já se sentia muito antes do momento da derrota.
Vincado por um heroísmo magoado e desencantado, este é um retrato inevitavelmente trágico das contradições humanas e dos absurdos da guerra, elaborado sem desrespeitar qualquer dos lados do conflito. Um dos momentos mais fortes do filme é mesmo quando alguns dos soldados japoneses se apercebem que partilham, afinal, mais semelhanças do que diferenças com os seus antagonistas, ainda que isso não coloque em causa o sentido da missão de que estão incumbidos.
Assente numa narrativa mais linear do que "As Bandeiras dos Nossos Pais", "Cartas de Iwo Jima" possui, à semelhança deste, uma impressionante energia cromática, com uma fotografia de tons turvos e esbatidos onde predominam camadas de cinzentos, dotando o filme de uma singular dimensão visual.
Também nas sequências de combate há paralelismos, tendo em conta a carga crua e seca com que Eastwood as filma, consolidando um realismo asfixiante que ecoa em toda a película. Fulcral para essa carga realista é a opção pelo idioma japonês, uma decisão arriscada, uma vez que esta se trata de uma obra americana, mas plenamente justificada, tornando a acção ainda mais verosímil.
No entanto, apesar de alguns momentos sublimes, "Cartas de Iwo Jima" não chega a impor-se como a notável experiência cinematográfica que se apregoa em alguns círculos e que certas sequências sugerem. É certo que se trata de um filme rigoroso, complexo e denso, mas também excessivamente longo e cuja acção não é imune a alguma redundância, contendo mesmo cenas desnecessárias e cansativas.
Apoiado num estilo demasiado contemplativo, nem sempre é capaz de gerar a tensão dramática que a história pede e acaba por se tornar arrastado a espaços, ainda que a direcção de actores (em particular Ken Watanabe e Kazunari Ninomiya) e a realização de Eastwood só mereçam elogios. Um título a descobrir, em todo o caso, ainda que longe do clássico a que poderia ascender.
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com/ |
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foliveira65@sapo.pt |
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Estas duas abordagens (este “Cartas de Iwo Jima” e o anterior “As bandeiras dos nossos pais”) de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima são também um objecto panfletário: passam a mensagem que os homens, independentemente dos lados, reagem da mesma maneira ao horror da guerra e à perspectiva da guerra. Moralismo aparte é um projecto único na História do cinema e a demonstração de que Eastwood é o maior fazedor de filmes nos dias de hoje e um nome incontornável nessa História. “Cartas de Iwo Jima” é um filme extraordinário.
Partindo de um princípio igual ao filme anterior, as memórias escritas e contadas dos que lá combateram, o realizador faz reflectir o seu classicismo (o respirar próprio do cinema clássico americano numa abordagem moderna das histórias contadas), num filme que surpreendentemente é inteiramente “japonês”.
Contado de forma diferente do primeiro filme; neste a história é contada quase apenas na ilha e durante a preparação da, e na própria batalha; a grande diferença está na perspectiva dos que combatem dos dois lados: pese embora os medos e as dúvidas sejam mostrados como similares em ambos os lados, as expectativas são totalmente opostas. Os americanos combatiam esperando a vitória, os japoneses sentem a inevitabilidade da derrota, e consequentemente da morte em combate ou pelo suicídio. Essa desesperança (magistralmente contada pela argumentista Iris Yamashita) é mostrada por Eastwood e pela fotografia de Tom Stern, em tons tristes, onde praticamente não há cores vivas (nem o sangue), e áridas como a ilha.
“As bandeiras dos nossos pais” tinham o problema maior na falta de empatia com os personagens principais; neste filme isso não acontece. O filme concentra-se em duas personagens muito diferentes. O general Kuribayashi (Ken Wanatabe), homem justo e com uma visão ocidentalizada da guerra, diferente da dos seus oficiais subordinados; e em Saigo (Kazunari Nimoniya), homem simples, padeiro antes da guerra, angustiado por poder não voltar a ver a esposa e a filha que nasceu e que não conhece, que quer por isso sobreviver à batalha, e que pela sua inocência é deixado para trás, pelo general, na suicida investida final (é ele que esconde as cartas que o general escreveu à esposa, e nas quais se baseia o argumento do filme). São acompanhados por meia dúzia de personagens memoráveis na sua humanidade (qualidades e defeitos).
Resumindo, superior a “As bandeiras dos nossos pais”, “Cartas de Iwo Jima” é mais uma das muitas obras-primas que Clint Eastwood nos tem dado nos últimos vinte anos.
Fernando Oliveira
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filip3.saraiva@hotmail.com |
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Mais um grande filme de Clint Eastwood, arrasando agora o mito do herói japonês e da glória militar. É o maior filme anti-guerra que conheço e, com They Were Expendable de John Ford e Apocalypse Now Redux de Coppola, o melhor filme de guerra alguma vez feito. São espantosas as cenas de Watanabe nos Estados Unidos, mostrando como Eastwood passou de cowboy deseperado a humanista convicto.
Em relação aos Oscares, embora goste de alguns dos outros, é de longe o melhor, ficando para entender como não nomearam os 2actores principais. É quase certo que não ganhará qualquer Oscar mas isso pouco importa.
A recepção do público não tem sido a que o filme merece mas parafraseando outra pessoa que aqui já comentou, consola-me saber que quem não gosta deste filme deu 5 estrelas ao Babel. Cada um fique com o acha melhor (afinal, não digo que alguém tenha que estar errado). |
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fjteixeira@iol.pt |
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Um filme maior. De grande densidade dramática, interpretações fabulosas (onde está a nomeação para um Óscar de Ken Watanabe??), fotografia completamente adequada ao momento retratado. Confesso que a primeira metade do filme é algo aborrecida, mas serve para contextualizar o inexplicável - um grupo limitado de homens votados ao seu destino de morte... Aquela que vem segura e só não se sabe se será hoje ou amanhã. Mas vem. E não estará ninguém para ajudar a travar a sua lâmina afiada.
Às pessoas do filme raramente é dado um raio de esperança. Reparei mesmo que muitas das mortes do filme são levadas a cabo nas grutas: um enorme caixão em forma de concavidades na terra. Como os ratos e as toupeiras, a história de homens a quem não é, desde cedo, permitido sonhar.
E quando o filme, numa segunda fase, descamba para a crueza, Clint Eastwood está lá para dar o seu melhor. Com calma e sem pressas, para que nos certifiquemos da tragédia.
Não tira, na minha opinião, as hipóteses de Babel ser o melhor filme do ano. Mas este é também um filme de profundidade e grandeza admiráveis.
Francisco Teixeira
fjteixeira@ol.pt |
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Cinema2000 |
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jose15111@gmail.com |
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As palavras que melhor descrevem o que sentí ao ver estas "Cartas...", foram as que um soldado Japonês proferiu a determinada altura - " estou farto disto " -. Ora nem mais, pensei eu. Mais um filme falhado do "super" Clint. Um chorrilho de lugares comuns, um pretensiosismo que até dói. Como consolo, saber que há quem achou Babel um filme a evitar, e a este dá "5 estrelas".
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sara_riobom@hotmail.com |
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eu não percebo o que as pessoas encontram de tão transcendente neste filme. a única coisa que encontrei de realmente fabuloso foi a densidade das personagens, e nisso tenho de dar a mão à palmatória- existem ali pessoas reais, umas inteligentes, outras estúpidas; uns que se suicidam pelo seu código de honra e outros que fazem tudo para sobreviver, nem que isso implique o sacrificio do pensamento comum; há quem se atire para a frente e os que fogem para os lados.
de resto ficou-me um travo na boca de melodrama previsível (e eu não tinha conhecimentos nenhuns sobre o momento histórico retratado), que, de resto, já senti antes com Million Dollar Baby. que me perdoem os "clint eastwoodianos", mas este filme deu-me sono! |
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carlospereira001@hotmail.com |
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O desenterrar das cartas escritas em Iwo Jima marca o recuperar de um passado e a lembrança de uma guerra. São os desabafos dos que estão no seu interior e os incentivos dos que esperam lá fora. As memórias sobem à superfície numa das cenas mais belas do cinema contemporâneo, e os soldados japoneses são expostos à luz de um filme que apresenta o seu lado mais humano. É certo que essa humanização coexiste com a frieza de um povo que, como uma das personagens do filme afirma, apenas tem uma vantagem face aos americanos: são mais disciplinados e não deixam as emoções interferirem com a guerra, com os seus objectivos.
Os soldados de “Cartas de Iwo Jima” não têm medo de se sacrificar pela colectividade ou pela nação. Porquê? Porque já estão mortos há muito tempo. Ali não existem almas, só corpos que se escondem do inimigo e que vagueiam entre a realidade e o sonho. Mas o que os torna humanos então? Muito provavelmente o medo e a coragem, que são consequências de um bem maior: a esperança num possível mas pouco provável regresso.
Só o facto de mostrar o lado japonês durante a Segunda Guerra Mundial já é motivo de mérito, mas “Cartas de Iwo Jima” não contraria apenas a ideia do “heroísmo unicamente americano” como demonstra a universalidade da valentia e do sacrifício humanos. Com efeito, observamos corpos que esperam por uma morte certa, sendo que se destacam o General Kuribayashi e o soldado Saigo, que conhecem efectivamente a diferença entre a morte por honra, por dignidade, e a morte obtusa e ilógica por desistência.
O novo filme de Clint Eastwood é uma verdadeira obra-prima, e é o melhor filme de guerra desde “Nascido Para Matar”, de Kubrick, “Apocalipse Now”, de Coppola, e “A Barreira Invisível” de Malick. E, a meu ver, consegue mesmo superá-los. Com uma fotografia arrebatadora, uma banda sonora sublime, efeitos sonoros deslumbrantes e uma realização de uma mestria e beleza extremas, “Cartas de Iwo Jima” é um vencedor. E é também mais um ponto a favor dos que defendem Clint Eastwood como um dos maiores cineastas vivos.
Carlos Pereira
http://the-other-side-of-donnie-darko.blogspot.com/ |
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etrusca@gmail.com |
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Iwo Jima. O tema da batalha pode remeter-nos para “Flags of Our Fathers” mas os dois filmes são diferentes. O primeiro filme a estrear cá versava a condenação a um heroísmo não-escolhido que se destrói as vidas dos que protagonizaram uma fotografia. “Letters From Iwo Jima” é um filme de guerra sobre a estupidez da guerra.
Simples, tão simples nas suas linhas e nas suas histórias. Mas Clint Eastwood tudo envolve numa penumbra ilustrativa de um estado emocional. A morte já não está só perto, torna-se inevitável para os japoneses que ainda resistem na ilha.
As noções de dignidade, honra e patriotismo são habilmente retratadas por Eastwood na dimensão que sempre deveriam ter: não a de valores abstractos e irredutíveis mas a de criações e experiências humanas, com todas as dicotomias que concentramos em nós. Medo, coragem, lealdade, desconfiança, saudade, desespero, bondade, crueldade, vida, morte.
Para nós espectadores que crescemos com uma educação à ocidental, prolífica em exemplos de Segunda Guerra Mundial ficcionais ou não em que apenas se vê os Aliados como um bloco de “bons” contra o “eixo do mal”, é de louvar a justeza de um cineasta americano em mostrar a humanidade do adversário. Nada melhor para o ilustrar que a cena que em um soldado japonês conclui para outro após ouvir a leitura da carta da mãe de um soldado americano o quanto as palavras eram iguais às da sua própria mãe. Adversários aqui serão os americanos tanto como é a pressão de uma derrota e da morte que se espera. A luta pela terra negra de Iwo Jima, a luta pela vitória numa guerra, confunde-se com as memórias de um passado de padeiro, a ternura de um cão de família ou os relatos lá de casa sobre episódios com os vizinhos. O anseio de glória e a morte aparentemente honrada pelo suicídio confundem-se com a busca desesperada por uma gota de água e pela segurança da rendição que significaria a vida.
O general Kuribayashi (magnífico Ken Watanabe), que estudou nos Estados Unidos e evoca os tempos que passou com os seus amigos americanos, é provavelmente a personagem mais imaculada de todo o filme. Imbuída de uma aura majestosa, este homem justo e competente aceita até ao fim a sua missão de servir o imperador. Não procura a morte mas sabe aceitá-la com a serenidade de alguém que nunca pôs em causa as suas convicções mas compreende as fracturas dilacerantes de um conflito.
“Letters From Iwo Jima” é tão mais extraordinário quanto nos vamos apercebendo da sua dimensão de exposição das cruezas da guerra com um olhar de desencanto perante tanto absurdo. Eastwood respeita as causas e as pessoas mas sabe bem articular tudo isso com a explanação da amargura e da injustiça em que radicam as experiências bélicas. Situações em que se perdem razões e sentidos e em que se perde também o coração humano.
Desenterram-se epístolas do chão da História e sentem-se tumultos interiores de seres distantes e próximos de nós. Em Iwo Jima todos sentimos. É a beleza crua, a simplicidade esmagadora, a escuridão iluminada do cinema de Clint Eastwood. Uma obra-prima.
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Julio Kret |
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Palavras que melhor o descrevem: prometedor, revelador, cansativo e decepcionante
No seu segundo e derradeiro filme sobre um dos conflitos mais sangrentos da Segunda Guerra, Clint Eastwood mostra o lado japonês da batalha de Iwo Jima, depois de ter mostrado o lado americano numa espécie de "making off" ou de "bastidores" do k realmente se passou com o seu anterior e pouco conseguido filme «Flags of Our Fathers».
Neste filme, a carga dramática é explosivamente superior, mas na minha opinião tal nao confere ao filme nem de longe o estatuto com que o querem condecorar.
Ken Watanabe está num registo assombroso como o general japonês Tadamichi Kuribayashi, que dirige a companhia de soldados japoneses em Iwo Jima, e Kazunari Ninomiya nao está menos bem enquanto Saigo.
Infelizmente, e apesar de até ser um bom filme de guerra com grandes interpretações dos dois protagonistas, «Letters from Iwo Jima» visto depois de «Flags of Our Fathers» nao surge nem como o filme chave do díptico nem por sombras como a obra prima que suplanta o primeiro e que iria "desculpar" provavelmente o filme anterior.
É um filme que nao tendo uma duração assim tao longa quanto isso se arrasta no drama japonês de forma excessiva e no final fiquei com a sensação de que todo akele drama podia ter sido mais realçado, nao por culpa dos actores que como disse estão excelentes mas por culpa do realizador que mais uma vez e como já tinha acontecido com o «Flags» parece k nao se apercebe quando está a ser "chato" e quando a narrativa está a cair num marasmo.
«Letters from Iwo Jima» é assim na minha opiniao o segundo filme falhado de Eastwood este ano (e com alguma pena minha pois gosto bastante de Clint Eastwood enquanto realizador, é um dos melhores do mundo).
Não acho que vá ganhar nem merece ganhar o oscar de Melhor Filme este ano, pois quando comparado com os concorrentes e sobretudo com «Babel» e mesmo com o pequeno mas enorme «Little Miss Sunshine» fica bastante distante, nao é por ser um fã de Eastwood o que me impede de classificar os seus filmes com imparcialidade.
Ainda assim nota positiva, muito mercê das excelentes interpretações sobretudo do impressionante Ken Watanabe, sempre em grande mas aqui mais que nunca.
Nota: «Letters from Iwo Jima» tem umas exageradas quatro nomeações para os óscares e falha aquelas que a meu ver mais merecia, Melhor Actor Principal (Watanabe) e Melhor Actor Secundário(?) (Ninomiya)
5/10
bons filmes
Júlio Kret |
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diogomovies@netcabo.pt |
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Um filme marcante e empolgante que faz uma visão profunda da consciência humana.
Éste é, sem duvída, um dos filmes mais dramáticos de Eastwood.
Clint, ao realizar este filme, confrontou-se com a sua própria quebra à indiferença relativamente à intensa temática abordada nalonga metragem, e, na minha opinião, foi uma forma de se tornar mais sensível e humilde.
O argumento tem uma força vital e apura ainda mais as reacções do público, o que, a meu ver, sob o ponto de vista cinematográfico, é fabuloso.
Para terminar, não deixo de sublinhar este toque sublime e especial que é "Cartas de Iwo Jima".
*****para"Cartas de Iwo Jima"
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