| |
|
|
|
Por Água Abaixo
Título original: Flushed Away
Título (Brasil): Por Água Abaixo
Realização: David Bowers, Sam Fell
Longa-metragem de animação
Vozes (versão original): Hugh Jackman, Kate Winslet, Ian McKellan, Andy Serkis, Bill Nighy, Jean Reno, Shane Richie
Grã-Bretanha/Estados Unidos, 2006
Estreia: 30 de Novembro de 2006
|

 |
João Lopes | Média dos Espectadores |
 |  |
|
| |
|
|
|
 |
|
|
Roddy é, decididamente, um rato de alta-roda, que vive uma vida de animal de estimação mimado num apartamento chique em Kensington, equipado com dois hamsters-mordomos, Gilbert e Sullivan.
No entanto, quando um vulgar rato de esgoto chamado Sid sai em jorro do lavatório, congratulando-se por ter ganho o jackpot, Roddy concebe mil e um esquemas elaborados para se libertar da peste, nomeadamente atraindo-o ao jacuzzi.
Sid pode ser um saloio ignorante, mas não é parvo, e deste modo é Roddy quem dá consigo despejado pelo cano abaixo para o reboliço dos esgotos de Ratopolis...
*****
* Hugh Jackman, Kate Winslet e Ian McKellan no CINEMA2000. |
 |
João Lopes
|
|
| Há um movimento em ziguezague na evolução da animação (digital ou não, não é essa a questão): por vezes, a crescente sofisticação técnica não é acompanhada de um verdadeiro labor de concepção de personagens e construção de situações. Este «Flushed Away» é a prova acabada disso mesmo, para mais construindo-se a partir de uma troca de identidade (social) escassa para sustentar o fulgor desejado da aventura. O divertido impacto do "teledisco das lesmas" que circula pelo YouTube é sintomático das virtudes e, sobretudo, dos limites, do empreendimento: uma colecção de caricaturas simpáticas a que falta o fòlego próprio de uma longa-metragem. |
 |
Mariana |
|
| Um dos meus filmes preferidos do genero. |
 |
almeida_rita@sapo.pt |
|
FLUSHED AWAY
de David Bowers e Sam Fell
Ronny St. James (Hugh Jackman) é um rato doméstico e mimado que vive no bairro de Kensington, em Londres, e que vê o seu reino invadido por um rato de esgoto, Sid (Shane Ritchie). Na tentativa de se ver livre de Sid, Ronny acaba por ser lançado para o mundo cruel dos esgotos. Aí ele vai cruzar o seu caminho com a voluntariosa Rita (Kate Winslet), que tem contas a ajustar com o poderoso The Toad (Ian McKellen) e os seus capangas, Spike (Andy Serkis) e Whitey (Bill Nighy).
Esta co-produção da americana DreamWorks Animation, donde saíram, por exemplo, “Shrek” ou “Madagascar”, e da inglesa Aardman Features, responsável pelos geniais Wallace & Gromit, está longe da mestria das suas referenciadas produções, sobretudo em termos de história, mas ainda assim consegue arrancar-nos umas fortes gargalhadas e deslumbrar-nos do ponto de vista técnico.
A grande quantidade de água existente em “Flushed Away” exigiu uma presença mais forte dos gráficos computorizados, em detrimento do barro e do stop motion da Aardman, cujo trabalho foi também prejudicado pelo incêndio ocorrido nos seus estúdios em 2005. A colaboração das duas empresas, que tinha trazido até nós “Chicken Run” (2000) e “Wallace and Gromit: The Curse of the Were-Rabbit” (2005), foi terminada após a finalização de “Flushed Away” devido a divergências criativas.
Fazendo lembrar um pouco o “Toy Story”, “Flushed Away” apresenta uma profunda atenção ao detalhe, com soluções criativas e técnicas bastante bem conseguidas. Tirando o melhor partido de estranhos personagens (os secundários, sobretudo) e de situações mirabolantes, mais do que chamar a atenção para o choque de classes, este filme aproveita para evidenciar as (cómicas) diferenças entre as culturas anglo-saxónica e francesa (representada por Le Frog e a voz de Jean Reno).
Uma última palavra para a banda sonora, que em filmes de animação assume um papel especialmente determinante. “Flushed Away” começa com "Dancing With Myself” na voz de Billy Idol e termina com "What`s New Pussycat?” por Tom Jones. Pelo meio estão as mais recentes "Bohemian Like You” dos The Dandy Warhols e a fabulosa "Are You Gonna Be My Girl?” de Jet. Mas o ponto alto são, definitivamente, os interlúdios musicais de um surreal grupo de lesmas.
O Natal é quase tão deprimente quanto o Verão em termos de estreias. E bastante mais deprimente que o Verão em termos de temperatura. Numa época em que os afectos são medidos em euros e o ser humano se transforma num animal de consumo, prefiro fugir da realidade. E os esgotos londrinos de “Flushed Away” são bem mais atraentes que a disparatada e revoltantemente dispendiosa árvore de Natal da Praça do Comércio.
RITA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/
|
 |
Nowhere_Man@goowy.com |
|
Pela Vida Acima
2006 está a ser um ano muito “animado”. “Ice Age 2”, “Cars”, “Over the Hedge”, “Monster House”, “The Ant Bully”, “Hoodwinked”, “Curious George” (ainda inédito; porquê?) encarregaram-se de evitar que caíssemos no tédio – ainda faltam “Happy Feet” (estreia esta quinta-feira, está desde que estreou e há 3 semanas como número 1 nos USA; impediu que “Casino Royale” fosse o número 1 e juntos encabeçam o box-office americano nas últimas 3 semanas) e “Arthur and the Minomoys” (estreia na próxima semana o “bombom” de Luc Besson, com o qual o realizador se pretende despedir do cinema).
Este “Flushed Away” vem da imaginação da Aardman (“Chicken Run”, “Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit”, a série “Creature Comforts” e diversas curtas-metragens de animação que angariaram um enorme culto e prestígio ao estúdio), o que já seria suficiente motivo de expectativa. Mas este novo filme traz a novidade do estúdio se estrear na animação digital.
Pela negativa, traz o facto já confirmado de ser a última (é a terceira, mas estavam planeadas cinco) colaboração entre a Aardman e a Dreamworks. Apesar dos posters dizerem que o filme é dos criadores de “Shrek” e “Madagascar”, o mais correcto seria dizer que é dos autores de “Chicken Run” e “Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit” (alguns posters por aí já têm a correcção de dizer que é dos autores de “Shrek” e “Wallace & Gromit”). Esta “gafe” é bem reveladora dos motivos que justificaram a separação. Pelos vistos, a Dreamworks quis exercer demasiada presença e pressão na componente criativa dos trabalhos do estúdio britânico. Algumas “comichões” já se tinham feito sentir em “Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit” mas parece que em “Flushed Away” “a tampa saltou” aos britânicos. Resta esperar que alguma major decida fazer uma parceria com os “meninos da plasticina”. Poderá ser difícil (quase todas as majors já têm uma divisão de animação – Warner e Columbia/Sony Pictures –, outros têm parcerias - a Fox está associada aos Blue Sky Studios –, outros têm autonomia - a Disney que também é dona da Pixar), mas o prestígio do estúdio pode ajudar. Senão, lá vão eles de volta às curtas-metragens.
Mas vamos todos esperar e desejar pelo melhor e que tal como o protagonista de “Flushed Away” saia de uma situação aparentemente complicada e no final descubra uma nova vida.
Roddy (um Hugh Jackman – que regressa ao género em “Happy Feet” – very british) é um ratinho que vive numa mansão de uma zona de luxo de Londres. Com os donos em férias, Roddy tem acesso a toda uma série de luxos que muitos humanos invejariam. “Irrompendo” pelo cano da banca da cozinha, surge o insolente Sidney “Sid to my mates” (divertidíssimo Shane Richie) que logo se apropria da casa e envia Roddy… “por água abaixo”. Roddy vai parar a uma mini-Londres subterrânea, adaptada para todas as criaturas que já foram “por água abaixo”, onde se vê envolvido numa disputa entre Rita (adorável Kate Winslet) e um Sapo (mauzão Sir Ian McKellen). Simultaneamente, Roddy vai descobrir-se, “partir o verniz” da sua vida luxuosa e conhecer uma nova vida e criaturas, que ainda que vivendo “lá em baixo” e sem luxo, podem proporcionar-lhe luxos maiores – a amizade e o amor.
É a estreia da Aardman na animação digital (como apoio dos estúdios PDI – “Shrek” e “Shrek 2”) e pelo aspecto, pode-se dizer para a Pixar se por à cautela. E não é o passo atrás que se possa pensar (ou que alguns apregoam). A história, os personagens, o humor é tudo puro Aardman. O computador é só uma ferramenta para o estúdio fazer aquilo que (muito bem) sabe. Os personagens são animados por computador, mas têm todo o aspecto de “made in” plasticina. O carisma e simpatia que irradiam é tremenda, os secundários brilham e dão espessura à história e aos protagonistas (no fundo, à boa maneira do cinema mais clássico), os gags são fenomenais (desde a citação a “produtos” Aardman, até à selecção de futebol inglesa, passando por 007 e a Rainha), muita cinefilia, as cenas de acção são prodigiosas (como já se tinha visto em “Chicken Run” e “Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit”, revelam o quanto os autores apreciam as sagas “Indiana Jones” e “Back to the Future”, mostrando ao cinema contemporâneo como elaborar boas cenas de acção) e o ritmo nunca decai (ao fim de meia-dúzia de minutos já Roddy “foi pelo cano”).
Como é regra (por vezes), um filme de animação mas com a sua mensagem. Sobre o luxo, a solidão, amizade. Tudo de forma subtil, à consciência de cada um, pois o objectivo é divertir e animar.
Deixemo-nos portanto levar pela vida e pela animação… acima.
Alex Aranda |
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
|
|
|