Estranhos

Título original: Unknown
Título (Brasil):
Realização: Simon Brand
Intérpretes: Jim Caviezel, Greg Kinnear, Joe Pantoliano, Barry Pepper, Jeremy Sisto, Bridget Moynahan, Peter Stormare
Estados Unidos, 2006
Estreia: 16 de Novembro de 2006


Média dos
Espectadores
   
 
Num remoto armazém, cinco homens acordam e vêem-se completamente sem memória. É claro que algo de traumático lhes aconteceu: um encontra-se amarrado a um poste, outro tem a cara esmurrada, um outro está algemado a um cano, e os dois últimos estão visivelmente perturbados.

Nenhum deles se lembra quem é nem o porquê de estar ali fechado. Mas rapidamente se vêem forçados a descobrir quem é bom e quem é mau para se manterem vivos.

*****

* Jim Caviezel, Greg Kinnear, Joe Pantoliano, Barry Pepper, Bridget Moynahan e Peter Stormare no CINEMA2000.


LovelyRita6@ibest.com.br
O filme é confuso, mas prende a atenção. Muita coisa escapa. Tem que ser visto mais de uma vez. Além disso, a presença de Jim Caviezel, com sua atuação sempre tão intensa, é capaz de preencher os espaços em branco. E se o filme não tem um final gratificante, vale só por vê-lo.


almeida_rita@sapo.pt
UNKNOWN
de Simon Brand


Um homem com um blusão de ganga (Jim Caviezel, “The Passion of the Christ”) acorda no meio de um armazém, fazendo um tremendo esforço para se situar. No mesmo armazém estão mais quatro homens inconscientes: um sentado e amarrado numa cadeira (Joe Pantoliano, “The Sopranos”), outro desmaiado numa passagem superior (Barry Pepper, “The Three Burials of Melquiades Estrada”), um outro algemado e sangrando de um tiro (Jeremy Sisto, “Six Feet Under”), e outro ainda jazendo no chão com o nariz partido (Greg Kinnear, “Little Miss Sunshine”). Cambaleante o homem de blusão de ganga procura uma saída. Ao passar por uma casa de banho lava a cara, olha-se ao espelho e pergunta-se: “Who the fuck are you?”.

Nenhum destes homens sabe como chegou até ali ou sequer a sua vida antes disso. Este parece ser o efeito de um gás que se terá libertado de uma botija. Após encontrarem um jornal onde a notícia de um rapto identifica dois homens, todos assumem estar envolvidos no caso. A questão é que nenhum sabe se pertence ao grupo de raptores ou raptados. Entre eles desenvolvem-se, simultaneamente, relações de suspeita, conflito e de aliança, baseadas no instinto e que visam apenas a defesa de interesses próprios. Um telefonema dos restantes raptores coloca um tempo limitado na sua possibilidade de fuga.

Paralelamente, Eliza (uma fraca Bridget Moynahan, “I, Robot”), a mulher de um dos raptados, paga um resgate. Mas a tentativa da polícia apanhar os raptores através do dinheiro falha, apenas se conseguindo a identificação de um dos criminosos (Peter Stormare, “The Brothers Grimm”).

Porque a personagem de Jim Caviezel é aquela com quem temos primeiramente contacto, há a tendência para o colocarmos quase automaticamente no papel de herói. É por ele que torcemos. Mas o realizador estreante Simon Brand (que faz também um cameo como médico das urgências), com o forte argumento de Matthew Waynee, cozinha uma receita que mistura habilmente “Reservoir Dogs”, “Cube”, “Saw”, e até “Memento”. À medida que cada um deles vai tendo flashes do seu passado, somos obrigados a reformular todas as nossas percepções. Até ao final.

“Unknown” é um filme intenso, que capitaliza num espaço exíguo para estimular a tensão psicológica e que vive de fortes diálogos (cheios de testosterona) e da poderosa contracena de Jim Caviezel e Greg Kinnear.

Mas na base das disputas entre estes homens está uma questão que cada um se vê obrigado a resolver individualmente: se são bons ou maus, e sendo maus se essa é uma índole à qual não podem fugir ou se podem mudar. E este parece ser o momento para se definirem. Como animal social, e começando do zero, será que o Homem é intrinsecamente bom?


RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/


luisdiogo@portugalmail.com
Primeiro estranha-se, depois... entranha-se.

Eis um filme que tem passado um pouco ao lado do circuito comercial em Portugal. Embora estreado apenas na quinta-feira passada, a verdade é que ainda aqui não há nenhum post sobre o filme. Muito disso se deve seguramente ao facto de terem estreado 8 filmes esta semana.

Nos EUA o filme também estreou apenas em duas salas com resultados medíocres.

Este filme, produzido pelos irmão Westein (ex-miramax) tem algumas das marcas de alguns dos filmes independentes que eles têm produzido: filme independente de argumento, com vários twists (que alguns já tem associado por exemplo a Reservoir Dogs). Terá faltado ao filme um realizador que lhe desse outra dimensão, coisa que Simon Brand - que aqui se estreia - não conseguiu.

E é pena, porque este filme tinha de facto potencial. É claramente um filme de argumento e, nesse campo, está bem construido. É um filme cheio de twists e no qual estamos sempre a tentar perceber o que está a acontecer, ou o que irá acontecer.

Os actores, habituais secundários, - com excepção talvez de Jim Caviezel - compõem personagens que talvez não tenham muita expessura dramática, mas a verdade é que o argumento (eles não se lembram de quem são) impediria logo à partida muita profundidade nesse campo.

A situação de 5 personagens acordarem sem memória, sabendo que entre eles haverá 2 reféns e 3 bandidos, e tentando perceber de que lado estão, é criativa, até pelas questões que coloca. Ou seja, será que a pessoa que age com bondade, será o vilão? Nesse caso, como é que alguém com "bom coração" se teria convertido num vilão?

Infelizmente a realização está algo próxima do filme para video-clube. Não tão má assim, diga-se. Eu diria que é apenas eficaz.

O filme não é para um grande público (pois infelizmente muita gente sente-se desconfortável a ver filmes onde não sabe muito bem o que está de facto a acontecer, como é que vai acabar, quem são os bons e os maus, em quem confiar). Mas para um público cinéfilo (como o que vem a este site) que goste de filmes do Tarantino, que goste do Memento e outros filmes de argumento, este filme será seguramente uma surpresa bastante agradável. Poderá não ser um dos melhores filmes do ano, mas tomara muitos desses entretar tanto como este consegue fazer).

* As 3 estrelas, desta vez, vão para o prazer que o filme me deu a ver, e não para a qualidade do filme em si, que estaria apenas nas duas estrelas.

Luís Diogo


     
 

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