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The Departed: Entre Inimigos
Título original: The Departed
Título (Brasil): Os Infiltrados
Realização: Martin Scorsese
Intérpretes: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Ray Winstone, Vera Farmiga, Alec Baldwin, Anthony Anderson, James Badge Dale
Estados Unidos, 2006
Estreia: 9 de Novembro de 2006
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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Colin Sullivan, inteligente e ambicioso, parece estar em ascenção meteórica na Unidade Especial de Investigação do departamento da polícia de Massachusetts, cujo alvo principal é o poderoso chefe da máfia irlandesa Frank Costello. Por seu lado, Billy Costigan é um recém-graduado da Academia da Polícia que conhece bem as leis das ruas, mas que perde o seu distintivo por causa do seu violento temperamento e acaba por regressar às duras ruas do sul de Boston, onde é recrutado para o grupo de Costello. Mas nenhum deles é o que parece ser: Sullivan é na verdade um homem da confiança de Costello, enquanto Costigan está a trabalhar como agente infiltrado. Vivendo existências paralelas e trabalhando com objectivos opostos, envolvem-se num perigoso jogo de gato e rato.
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* Versão americana do filme de Hong Kong «Infiltrados».
* Trilogia «Infernal Affairs», Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson e Mark Wahlberg no CINEMA2000.
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Nomeações para os Oscars (5)
* MELHOR FILME, Graham King
* MELHOR REALIZAÇÃO, Martin Scorsese
* MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO, Mark Wahlberg
* MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO, William Monahan
* MELHOR MONTAGEM, Thelma Schoonmaker |
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João Lopes
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Publicado originalmente no "6ª" do Diário de Notícias de 10 de Novembro de 2006.
A tragédia dos filhos
É mesmo verdade: o cinema existe!!! Pelo menos é essa gratificante constatação que nos traz, desde logo, um filme como «The Departed» – entre nós chamado «Entre Inimigos» –, o mais recente trabalho de realização de Martin Scorsese.
Não que eu pretenda favorecer esse discurso catastrofista e ressentido segundo o qual o cinema há muito “acabou”, nada mais restando que uma arte abastardada, vendida aos desígnios do dinheiro, do mercado e da fama efémera. Em boa verdade, o cinema sempre foi uma indústria e quem chega aos filmes à espera de uma “pureza” alheada de todas as convulsões económicas corre o risco de passar ao lado do objecto que julga descobrir. Com mais ou menos digital, nas salas, no DVD ou em qualquer suporte que o futuro (próximo) nos queira oferecer, o cinema aí está como coisa viva, plural, contraditória – como sempre foi, aliás. E, no entanto, mesmo acreditando, como eu acredito, que o cinema contemporâneo mantém uma vitalidade contagiante, não há dúvida que há um assombramento que o limita e, todos os dias, fere. Chamemos-lhe: o triunfo do marketing sobre os próprios filmes.
Tento explicar-me. O marketing é algo de decisivo na vida pública do cinema – e também, certamente, no lançamento de um filme como «Entre Inimigos». Não pretendo, nem de longe nem de perto, demonizar a existência de estratégias devidamente pensadas e inteligentes para fazer chegar os filmes aos espectadores potenciais.
O problema é outro: hoje em dia, as avalanchas promocionais e o triunfo de um poderoso imaginário televisivo – construído a partir de um profundo menosprezo pelo cinema – fazem com que, à partida, os filmes (quase) só se distingam pelo volume de publicidade que, mal ou bem, os sustenta. A cinefilia clássica morreu e, com o seu desvanecimento, triunfou uma cultura da “imagem” sustentada por um consumo acelerado que, obviamente, desvaloriza os valores mais primitivos – e também mais genuínos – do facto cinema. A saber: a complexidade anti-naturalista da imagem, a função não redundante do som, enfim, a infinita multiplicidade das relações possíveis entre imagens e sons. Ora, justamente, «Entre Inimigos» é um filme feito a partir de uma paixão exacerbada e, por assim dizer, militante por essa riqueza ancestral – e esplendorosamente moderna – do cinema e dos filmes. Trata-se de ver e ouvir para além das evidências instituídas, na certeza de que um tremor dos olhos ou a espessura gutural de uma palavra podem transportar o prenúncio de uma tragédia.
Podemos recordar (e é inevitável que o façamos) que Scorsese tem como inspiração um filme de Hong Kong – «Internal Affairs» (2000), de Wai Keung Lau e Siu Fai Mak –, dele conservando o motor central da acção: o confronto entre dois polícias infiltrados, um numa rede criminosa, o outro mantendo o seu trabalho normal mas, de facto, servindo essa mesma rede. Mais ainda: torna-se inevitável destacar o facto de, desta vez, o cineasta de «Mean Streets» (1973) e «Goodfellas» (1990) não ter filmado nos cenários da sua Nova Iorque, transferindo a acção para Boston. Mas nada disso nos permite aceder à singularidade de um filme como «Entre Inimigos» e à sua atenção obsessiva ao factor humano.
Pensemos apenas na sequência em que o polícia infiltrado, Billy Costigan (Leonardo DiCaprio), e o polícia corrupto, Collin Sullivan (Matt Damon), estão finalmente frente a frente. Ou será caso para dizer: na mesma onda de comunicação? Isto porque o brilhante argumento de «Entre Inimigos», assinado por William Monahan, coloca Billy e Collin na perturbante situação de cada um deles poder aceder à voz do outro, via telemóvel, mas sem que nenhum conheça a respectiva identidade. Na sua fabulosa contenção, o momento é eminentemente trágico: ambos sabem que se confrontam através de uma máscara, ao mesmo tempo que o seu diálogo só pode estar imbuído de uma verdade radical, incontornável e, no limite, fatal.
O pólo que, por assim dizer, une e separa as personagens de Billy e Collin é Frank Costello (Jack Nicholson, tal como os outros actores trabalhando sobre as componentes da sua persona cinematográfica, mas para a decompor e reinventar). Chefe de uma rede de crime e corrupção, Frank impõe-se como uma terrível figura paterna que, por assim dizer, exerce a mais transparente crueldade sobre os seus filhos reais ou simbólicos – cada um deles está só, irremediavelmente só, e apenas poderá repetir a solidão do pai (simbólico ou não, tanto faz) e todas as formas de violência que a envolvem e, de alguma maneira, preservam.
Amante da América e, por isso mesmo, retratista tenaz das suas contradições – do desejo, da carne e do sangue dessas contradições –, Scorsese relança, aqui, o drama de uma identidade feita de brutais clivagens de poder entre os machos dominantes. É uma genealogia de poder que remete sempre para a herança multifacetada de todos os antepassados que protagonizaram a mesma pulsão de vida e a mesma intimidade com a morte. O filme chama-se «The Departed» (à letra: “Os Defuntos”) porque, em última análise, é isso que todos são: actores vivos da sua morte anunciada. Nesta perspectiva, o título português, Entre Inimigos, vicia por completo a problemática do filme porque, de facto, tudo se passa entre iguais.
Daí a estranha fusão de luz e negrume que distingue Madolyn, a psicoterapeuta interpretada por Vera Farmiga, duplamente envolvida com Billy e Collin, e desde já uma das mais fascinantes figuras femininas de toda a obra de Scorsese, a par de Ellen Burstyn («Alice Já Não Mora Aqui», 1974), Michelle Pfeiffer («A Idade da Inocência», 1993) ou Sharon Stone («Casino», 1995). Ela é, afinal, a imagem frágil, mas essencial, de uma quietude materna que todos esqueceram ou violaram – contemplando os homens que se destroem, «The Departed» é também um filme subtilmente feminino.
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Pedro Emanuel Cabeleira |
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| Quando Billy Costigan arruma os seus pertences na mala, e toda a montagem desta cena é feita com um ritmo frenético, passando assim de um plano de pormenor para outro de uma maneira ágil, apercebemo-nos que temos uma cena tipica de Martin Scorcese. Inicialmente temos um Frank Costello que se passeia pelo bairro, fazendo lembrar a imponencia que Scorecese valoriza nos chefes mafiosos, fazendo relembrar um pouco The Goodfellas. Temos quase como uma sedução em que Costello "compra" o jovem Collin para o mundo do crime. A partir daqui toda a inteligência do filme começa a surgir. E sim, admito que The Departed é um filme inteligente, e tem um ritmo acelerado, um ritmo bastante frenético que está intimamente ligado aos novos filmes de Scorcese. Temos dois homens, ambos estão a tirar o curso de policia, e ambos conseguem conclui-lo com sucesso. Ambos acabarão por pôr as suas máscaras, um está ligado aos criminosos que a policia investiga, este tem como objectivo infiltar-se na policia, reciprocamente o outro homem, trabalha para a Policia, mas tem que se inflitrar no grupo de criminosos que esta investiga. Ambo se começam a investigar um ao outro, e começa aqui um jogo de gato e rato, em que tanta são o rato como o gato assumindo assim os dois papéis. O filme metaforiza isto com a banda sonora que passa como plano de fundo, temos o Tango. Costuma-se dizer que para dançar o Tango são precisos dois, e The Departed é como uma dança, uma dança entre estas duas personagens, e uma dança entre a policia e os criminosos, ambos se tentam fintar e conduzem-se um ao outro ao mesmo tempo, aparecendo assim invisiveis, nunca se revelando. Ambos representam os papéis opostos mas vão se tornando tão semelhantes, chegando a namorar a mesma mulher. À medida que se vai aproximando do final o filme vai se tornando cada vez mais intenso, e prova algo. Apercebemo-nos de que o ser humano é capaz de tomar posições que não lhe agradam e consegue cumpri-las. Ambos os personagens vão traindo todos aqueles que os envolvem, e conseguem assumir este risco. Um bom filme de Scorcese, que tem com The Departed um bom trabalho, mas no entanto não o seu melhor, um filme mais inteligente, mais empolgante, mas menos artistico e consequentemente menos belo. |
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jorge araújo |
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| Um argumento excelente; personagens brilhantemente construídas, mergulhadas no vazio moral, mprecipitando-se para um beco sem saída; e excelente cinematografia. Um naipe de fantásticos actores. |
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Ângela Silva |
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FANTÁSTICO!
E não nos mostra um final feliz. Mas, não é a vida assim? |
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mjorgegomes@portugalmail.pt |
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Apesar de não ser um dos melhores trabalhos de Scorsese, «Entre Inimigos» é, indiscutivelmente, um excelente filme. À semelhança do que já conseguira com «O Cabo do Medo», o realizador consegue uma película algo superior à original. Porém, essa superioridade atinge-se aqui não tanto por mérito do realizador mas sobretudo pelo excelente argumento e pelas prestações de alguns actores (DiCaprio e Sheen destacam-se dos restantes). Infelizmente, não encontramos em «The Departed» os planos frenéticos e a montagem vertiginosa do já citado «Cape Fear» ou «Taxi Driver», mas a crueza das imagens e o toque subtil do realizador elevam-no, sem dúvida, à categoria de um dos melhores do ano, talvez o segundo (é deveras controverso mas a minha fixação por «Hard Candy» não se apagará tão cedo).
«Entre Inimigos» vale não só pelo fantástico argumento mas pela interpretação maior de DiCaprio (a assumir-se, cada vez mais, como um dos melhores da sua geração). O actor brilha na maioria das cenas, conseguindo, por vezes, ofuscar Nicholson, aliás uma das grandes desilusões do filme numa interpretação mediana e pouco inspirada, muitíssimo distante das excelentes prestações de «Shining» ou «Batman», por exemplo. O restante elenco também satisfaz mas não brilha, exceptuando os já referidos.
Com um dos melhores finais dos últimos anos (os últimos vinte minutos são um exemplo maior da arte de fazer cinema), e apesar de ser um «remake», o filme não deixa, apesar de algumas vicissitudes, de ser surpreendente e original. Faço votos para que este seja o ano de Scorsese, mas quando vemos Day Lewis perder o Oscar por «Gangs de Nova Iorque», podemos esperar tudo da Academia. |
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jose15111@gmail.com |
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Rebuscado e inverosímel. Scorsese já teve melhores dias. De positivo, a interpretação do DiCaprio. Jack Nicholson, o "careteiro" do costume.
Mas talvez lá ganhem uns "Óscarezitos"...
José Luís |
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Até à data o melhor filme do ano! Scorsese e Di Caprio no seu melhor! Um Grande Filme!
André B. |
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ruimiguelcd@hotmail.com |
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The Departed-entre inimigos e um filme sobre Boston,uma das mais interessantes cidades norte-americanas,um grande centro educacional e cultural na America, mas tambem um pequeno melting pot cultural por vezes em estado de ebuliçao como acontecia nos anos 70, epoca em que este filme arranca,e um filme sobre a policia e o submundo do crime organizado,e sobretudo um filme sobre o confronto de dois homens afundados neste submundo.
Se os Gato Fedorento dizem que o seu programa e uma especie de magazine,eu diria que The Departed e uma especie de remake de Infernal Affairs.A ideia base e a mesma,mas o tratamento visual e sensibilidade sao diferentes.Eu considero The Departed um filme superior,muito por culpa do inspirado argumento de William Monahan,e sobretudo da magistral realizaçao de Martin Scorsese.O mestre oferece um tratamento visual notavel a obra e saca grandes intrepertaçoes ao seu elenco,sobretudo a Leonardo Di Caprio e Mark Wahlberg que tem as melhores performances das suas carreiras,Jack Nicholson,estrondoso e Vera Farmiga.Fica a destoar um pouco a intrepertaçao de Matt Damon,mas talvez seja culpa das caracteristicas do proprio personagem (frio e cinico).
Apesar deste nao ser o melhor filme de Scorsese (Taxi Driver,O Touro Enraivecido,O Rei Da Comedia,lembram-se?),devera ser o filme que consagrara Martin Scorsese com o Oscar de melhor realizador(tenho duvidas quanto a melhor filme);premio justo? Com certeza!!! Bem mais justo do que se tivesse ganho a dois anos atras com o Aviador.The Departed nao e uma obra-prima mas e um grande filme! |
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Não se esqueçam de assinar os comentários.
Obrigado.
CINEMA2000 |
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sara_riobom@hotmail.com |
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o que dizer? já escarafuncharam muito o filme, nao o vou fazer mais.
apenas isto: é cruel e emotivo, sarcástico e doloroso. e imperdivel... |
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rtoliveira75@gmail.com |
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O que dizer deste novo filme de Martin Scorsese? Obra-prima com O grande...!
Um dos melhores filmes do realizador, sem querer dizer que os seus últimos filmes não são bons. Não, muito pelo contrário.
Mas este "The Departed" é magnífico! A todos os níveis: soberba realização, argumento brilhante, interpretações inesquecíveis (Jack Nicholson claro; DiCaprio cada vez melhor; e Mark Whalberg), montagem fabulosa...
Claro que é do consenso geral (penso eu) que Scorsese é um dos melhores realizadores de sempre, e por isso espero que seja desta que lhe atribuam o Óscar (há muito merecido!), assim como ao filme. Nicholson pode levar mais um óscar pra casa e DiCaprio podia levar o primeiro, pelo excelente desempenho e grande maturidade que demonstra neste filme.
A não perder, de maneira alguma...!
Rui Oliveira |
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samuelesteves@sapo.pt |
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Bem UF! Que filme!
Eu sou fanático de Scorsese, tenho muitos filmes dele em casaé o meu realizador preferido e este quero te-lo e já estou mortinho de o ver novamente.
Parece que em Portugal ser um bom filme é ter 101% de rigorosiadde, enfim.
Parece que não é desta que Scorsese vai ganhar o seu Osacr mas nomeado de certesa, o Oscar deve ir novamente para Eastwood, que injustiça ele ser o maior perdedor da História dos Oscares já que provou ser dos melhores realizadores de sempre (não sou só eu que o digo).
Scorsese volta ás raízes da Máfia, logo o que melhor se lhe dá, trazendo uma história soberba com um final fantástico, muitos criticaram o final mas acabou como devia de ser, e qye final. Todo o elenco esteve fantástico, destaque para DiCaprio está a crescer como actor, Matt Damon soberbo, Nicholson não precisa apresentações e o que mais gostei Mark Wahlberg fantástico.
É um dos melhores filmes de Scorsese, sem dúvida, a classe com que dirige toda a trama é de tirar o chapéu, o Humor Negro que coloca no filme é de louvar, só senti a falta de Robert DeNiro mas enfim!
Para concluir, o melhor do ano com todos os ingredientes, não o melhor de Scorsese, Touro Enraivecido e Táxi Driver continuam a ser os melhores, mas um filme a juntar aos 5 melhores dele, só faltando mesmo o Oscar que ele tanto procura e sem saber poque razão não lho dão, será por ser Comunista!
Saim |
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José |
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| Sem dúvida um filme muito bom em todos os aspectos... apenas um bocadito demorado. Recomendo. |
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josemmorgado@gmail.com |
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Poderoso, muito poderoso....
Este filme , ao contrario de muitos outros, nao tem floreados. É genuino e realista.
A meu ver pode ser premeado em varios aspectos: Argumento, representaçao e realizaçao.
O Argumento ´absolutamente fabuloso pois torna o filme muitissimo emocionante. O facto de os dois infiltrados falarem um com o outro com a "mascara" posta e a tençao do final sao rasgos de genialidade. A tençao que ambos vivem de um lado e do outro e como cada um quer encontrar o outro esta muito bem conseguido.
Jack Nicholson é Jack N..... Este homem é um genio e um dos melhores actores de sempre. Neste filme reflete a complexidade da sua personagem na perfeiçao , mais uma vez Jack esta de parabens. MATT DAMON ,depois daqueles filmes a meu ver sofriveis em que era um agente que depois se tinha esquecido de tudo (nao me lembro do nome), esta bastante bem. Nao é dos melhore que ha mas tambem nao é mau. Di Caprio , que ja tinha estado 5 estrelas em O Aviador, volta a estar bastante bem no corpo de uma personagem tambem complexa (como quase todas as do filme).
Martin Scorsese é Martin Scorsese e isso quer dizer um excelente realizador. Mais uma vez de parabens.
Jose Morgado
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lalves78@yahoo.com |
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Gangs de Boston
Regresso muito aguardado ao tema de sempre do cinema de Scorsese: A máfia , ou o desespero moral a que as suas personagens são obrigadas a abraçar uma vez que a sociedade (e por vezes eles próprios) rejeita e aliena-os devido à sua especificidade cultural e sociológica. Foi assim em Mean Streets, foi assim em Taxi Driver, foi assim em Raging Bull, foi assim em Goodfellas, foi assim em Casino e é assim em The Departed. Exemplo dessa ideia é a fortíssima cena em que um magnífico Leonardo Di Caprio, é confrontado com a falta de futuro na força policial onde se formou, a não ser que se torne um bufo/rato/infiltrado. Essa cena quanto a mim, revela mais que 30 cenas de exposição juntas, porque de uma acentada só, é revelada a complexa personalidade do personagem de Di Caprio e todas as motivações que o impelem a aceitar uma missão no mínimo suicida.
Os actores, estão todos excelentes, com destaque para o já referido Di Caprio, o aterrorizante Jack Nicholson, o imoral Matt Damon, o escatológico Mark Whalberg, ou mesmo a luminosa Vera Farmiga.
Falar da excelente montagem de Thelma Schoonmaker ( colaboradora essencial de Scorsese desde o inesquecível Raging Bull) , é praticamente uma redundância, mas obrigatório mesmo assim. Porque o ritmo diabólico que é impregnado na narrativa deve muitíssimo às excelentes cargas de energia que os cortes precisos e bastante reveladores que a magnífica dupla Scorsese/Schoonmaker aplica de forma sublime.
Agora um pequeno aparte, não sou daqueles que esconjuram Gangs Of New York, ou o Aviador. Quanto a mim, apesar de claras falhas, Gangs, foi claramente um filme com uma mensagem fortíssima e uma carga visual visceral (e não esquecer o estrondoso Billy the Butcher). Já em relação ao Aviador, apesar de ter ficado bastante desiludido num primeiro visionamento (coisa que não me aconteceu com os Gangs), o filme ganhou quanto a mim muitíssimo numa segunda leitura, uma vez que apesar do seu classicismo formal, a personagem do torturado Howard Hughes é quanto a mim uma das mais fortes de todos os filmes de Scorsese, fazendo lembrar recorrentemente essa figura trágica maior do universo Scorsesiano, o igualmente assombrado (e assombroso) Jake La Motta (do monstro De Niro).
Espero que me perdoem esta divagação pelos ultímos trabalhos do mestre Marty, mas creio que The Departed, é um magnífico filme. Excelente argumento, visceral, implacável, duro, comovente… mas … mas… falta qualquer coisa. Talvez falte uma sequência final como a magnífica paranóia de Ray Liotta na sequência final de GoodFellas, ou uma espiral auto destrutiva como a de Nicholas Cage em Bringing Out the Dead.
Talvez falte aquela pincelada de génio a que o Scorsese nos habituou. Mas seja como for Scorsese é dos geniais turcos dos anos 70, aquele que se mantém irredutível à sua crença e ela é o CINEMA.
Quanto a Oscars, se temos os filmes, para quê os Oscars? Scorsese não precisa deles para ser o maior realizador do mundo (e para mim já o é há 28 anos).
Luís Alves
http://www.freewebs.com/scorsesept/
http://www.grandesplanos.blogspot.com/
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O comentário imediatamente a seguir contém spoilers sobre este filme.
CINEMA2000 |
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pmcferreroms@yahoo.com |
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Em «The Departed», mais do que saber até que ponto Scorsese consegue suplantar, ou não; com toda a sua paleta de competências (câmara, montagem, olho clínico, sentido de ritmo, direcção de actores, capacidade de inovar, etc.) o hong-konguiano «Internal Affairs» (não consegue! mas, também, seria essa mesmo a ideia?), é ver até que ponto um actor é o próprio filme: Jack Nicholson. A resposta é óbvia e imediata: os minutos, poucos, em que Jack não aparece em frente da câmara, são como a dor de um viciado, quando lhe falta o vício, são nada. Nicholson está sublime, esmaga tudo e todos, como sempre, aliás. Custou a Scorsese ter um filme com ele como actor, foi longa a espera, mas valeu a pena.
No mais, o filme é um daqueles exercícios de estilo, curtos, duros e secos, com que Marty nos brinda de tempos a tempos, entre os seus devaneios mais encorpados, quando resolve pincelar outros géneros com o seu talento de artífice inspirado. E é no filme de gangsters que o autor de «Cape Fear» se sente bem, como peixe na água. Desta vez, contudo, o produto final não é vintage (aliás, nem se chega a perceber porque foi buscar Scorsese o nome de um famosíssimo gangster do período mais fértil da Máfia norte-americana, Frank Costello, que viu morrer Anastassia e Genovese, por exemplo, e que morreu na reforma dourada, há relativamente pouco tempo ... para figura central desta adaptação americana de um sucesso oriental. Terá sido o nome? terá sido um herói-vilão do seu tempo?), e está mesmo alguns furos abaixo da bitola do realizador (sobretudo por falhas evidentes a nível da história - o envelope que teima em não ir para o lixo; o volte-face de Damon contra Nicholson; a não denúncia do camarada de armas contra Di Caprio; um não desconfiado Martin Sheen na sequência do Metro, etc.), o que quer dizer acima da maior parte da dos outros...
Há momentos bons, sublimes, até, como a matança defronte ao prédio abandonado, por exemplo, em que a fotografia de Ballhaus, a montagem de Shoonmaker e a precisão cirúrgica de Scorsese fazem com que pareça fácil uma sequência deveras difícil de compilar, grau a grau de frisson, aproximando-nos do clímax, passo a passo. E há aqueles planos iniciais em que vemos a silhueta negra de Nicholson, atravessar-se-nos à frente, de um lado ao outro da tela, várias vezes, puxando pela palavra e narrando o estado de coisas, em voz off. E, depois, há os outros actores, uns mais (Di Caprio e Mark Wahlberg) e outros menos (Baldwin e Damon), e, sobretudo, uma actriz, Vera Farmiga, que irá fazer carreira.
Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus |
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Paulo Costa |
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Podem, e devem, discutir-se as razões que levam a indústria de Hollywood a produzir, ano após ano, uma infindável quantidade de remakes que, habitualmente, não só não acrescentam nada de novo aos filmes originais como, regra geral, lhes são claramente inferiores. Seja como for, a ideia de que refazer um filme é um desperdício de meios e mérito artístico, parece-me claramente descabida. No caso de Martin Scorsese, este já em 1991 havia realizado uma nova versão de Cabo do Medo, e fê-lo muitíssimo bem, construindo a partir de uma versão anterior, um filme recheado de grandes momentos. Da mesma forma que digo que (I Can’t Get No) Satisfaction, dos Rolling Stones é fabulosa, a interpretação dos Devo do mesmo tema é igualmente genial. Portanto, à partida, esse tipo de preconceitos nem sequer deveriam ser considerados.
O que há, isso sim, são os bons e os maus filmes e, como todos sabemos, Scorsese não seria capaz de fazer um mau filme nem que a sua vida dependesse disso mesmo. E, sem rodeios, pode desde já despachar-se o seguinte: The Departed é um excelente filme, um dos melhores do ano, e é com prazer que constato que está a tornar-se num caso sério entre o público e, quem sabe, a introduzir Martin Scorsese a uma nova geração de jovens cinéfilos tal como, por exemplo, GoodFellas fez comigo. Aqui, podemos assistir a uma parada empolgante de talento e virtuosismo no controlo da câmara, capaz de elevar o material a um nível muito acima da média. A isto ainda se junta uma superior e implacável (como sempre) direcção de actores e um argumento muitíssimo inspirado por parte de William Monahan, que consegue dar a volta à ideia do filme original e transportá-la para um novo contexto, fazendo com que a história pareça sempre ter pertencido às ruas de Boston, e partido daquelas personagens. Dito de outro modo, é um argumento que vive perfeitamente sozinho, sem precisar de ser comparado ao original.
Quem viu Infernal Affairs, conhecerá a base da história: um polícia infiltrado no sub-mundo da máfia e um mafioso nos meandros da polícia, que ao mesmo tempo têm de descobrir a identidade um do outro como também... descobrir-se a si mesmos. E é uma delícia atentar a este último factor, no qual o filme mais aposta em termos dramáticos: o da questão da identidade – não é, obviamente, à toa que o filme tem como uma das personagens centrais, uma psicóloga. O argumento é construído de forma a enfatizar o paralelismo entre os protagonistas – Leonardo DiCaprio e Matt Damon – e os seus percursos, de tal forma que, mesmo sabendo à partida que há um “bom” e um “mau”, essa linha é constantemente cruzada de tal forma que, se nem as próprias personagens conseguem saber ao certo de que lado estão, imagine-se o espectador, completamente absorvido em todas essas dúvidas... Outro assunto ao qual o argumento dá particular relevância é ao da figura paterna, constantemente mencionada ao longo de todo o filme, e é dessa relação com os pais que se estabelece o núcleo das personalidades do duo protagonista. Jack Nicholson é Frank, um mafioso irlandês de personalidade e métodos explosivos, cedo se torna uma figura paterna de Colin (Damon) e, de uma maneira um pouco mais complexa, de Billy (Leonardo DiCaprio), que no entanto tem em Oliver (Martin Sheen) a figura em quem mais confia até porque, de certa forma, tal como um pai verdadeiro, é das poucas pessoas que nos conhecem verdadeiramente – daí a força com que esta relação me atingiu, uma vez que Oliver é uma de apenas duas pessoas que ainda conhecem a sua verdadeira identidade, anterior à infiltração no gang. Matt Damon e Leonardo DiCaprio são absolutamente fabulosos na forma como lidam com a complexidade das respectivas personagens, e Jack Nicholson mantém a presença grandiosa de sempre. Mas é injusto fazer destaques, uma vez que esta é das melhores performances colectivas por parte de um elenco em muito tempo.
Vera Farmiga, a tal psicóloga Madolyn com quem ambas as personagens se cruzam, empresta uma elegância e uma variante feminina que acaba por nos ajudar a revelar um pouco mais sobre os homens por trás da suas figuras duras. Ainda falta falar de Mark Wahlberg (que tem as melhores falas e entrega-as sempre na perfeição), Alec Baldwin ou Ray Winstone, que completam o naipe de personagens muito típicas do meio – homens durões, sempre com uma resposta na ponta da língua e prontos para a acção. São estes elementos que, falando a mesma língua das ruas que o realizador, ajudam a tornar The Departed numa das obras ao mesmo tempo mais divertidas e compensatórias do ano: temos estilo, temos conteúdo, temos acção muito violenta, balas estridentes (como só se costuma ver no cinema de Michael Mann), drama, grandes interpretações, música minuciosamente usada (Gimme Shelter de novo entre a galeria, desta vez com grande destaque), Thelma Schoonmaker a montar, Michael Ballhaus a fotografar e um dos maiores realizadores de sempre ao leme. Peço desculpa aos incondicionais do filme original (que não é nada mau), mas este remake deixa-o a milhas de distância. São duas horas e meia que passam à velocidade de uma bala.
http://www.cinept.blogspot.com |
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migueldomingues111@hotmail.com |
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i) Comece-se por afirmar: em momento algum põe The Departed em causa o PSSEC (Processo de Secularização de Scorsese Em Curso). Mas, dentro dos filmes já secularizados, é sem dúvida um dos melhores, projéctil voraz coberto de estilhaços laminados.
ii) Falar de Scorsese, do ponto de vista formal, é falar sobretudo de dois componentes estilísticos: a montagem avassaladora e a flexibilidade dos movimentos de câmara. Com a primeira, Scorsese corta e dilacera; com a segunda, edifica. O cinema de Scorsese é, então, um curioso oximoro.
iii) Lembro-me de ter lido, aqui há uns tempos, que a repetição dos autores, algo caluniada por parte da crítica, era no fundo normal, porque resultante do mergulho do cineasta em si mesmo. Se The Departed é muito, muito melhor do que, por exemplo, Gangs of New York (2002), é porque o mergulho é de muito maior fôlego. Arriscando uma análise semiótica imperfeita, é o regresso à boa forma na estrutura narrativa em triângulo que caracteriza Raging Bull (1980), Goodfellas (1990) e Casino (1995). Nesta estrutura, há uma linha ascendente de vértice inferior esquerdo ao vértice superior, e uma linha descendente do vértice superior ao vértice inferior direito. A base, ligação entre os dois pontos baixos (ligação entre entre os dois pontos mnais baixos, início e fim, do percurso das personagens), é onde se encontra o significado. The Departed é exímio na aplicação desta estrutura.
iv) O ítalo-americano, católico exacerbado, é, ao mesmo tempo, cada vez mais desesperado. A religiosidade de Scorsese está cada vez mais próxima de um fatalismo onde o mergulho nas trevas, mais do que uma inevitabilidade, é desejável como escapatória. Procuram-se as trevas porque a espera é o pior. É, por assim dizer, uma visão anti-pascaliana: a austeridade de nada serve, mais vale aceitar a punição. E quando ela chega, é sangrenta, rápida e dolorosa.
v) Este será um filme de que nos lembraremos quando pensarmos nos tristes dias da Administração Bush. Exemplo: Alec Baldwin (nunca pensei que fosse tão bom actor), rindo como uma doninha, a dizer que adora a forma como o Patriot Act lhe facilitou a vida. Nesse aspecto, nota-se que o cineasta respeita muito mais aquele (Frank Costello, criação genial e demente de Jack Nicholson, figura nietschziana sem rei nem Deus) que cumpre a americanidade sem precisar de fatos Armani: tira o que quer, quando quer e como quer. Porque sabe que, na selvajaria da Pátria da Liberdade, nunca ninguém lhe dará nada. Desagregação moral? Nos dias que correm chama-se-lhe competitividade...
vi) Ao ver The Departed – e peço desculpa antecipada pela falta de classe da imagem – lembrei-me das alheiras de Mirandela. Como as boas alheiras de Mirandela, este é filme muito bom, na medida em que foi feito com restos muito bons.
Miguel Domingues
(www.jeudemassacre.blogspot.com) |
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catferreira_7@hotmail.com |
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simplesmente fantástico! grande lição de realização do SENHOR Martin Scorcese. a interpretação de Nicholson é de facto brilhante, mas tenho d destacar a extraordinária actuação de leonardo dicaprio. agora pergunto-me: para qd o óscar?!!
atrevo-m a dizer k este é possivelmente o filme do ano...
este filme merece os óscares!
ana ferreira |
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Pedimos a vossa atenção para a necessidade de colocar um aviso quando, nos vossos comentários, reflectem sobre pormenores fundamentais deste (ou qualquer outro) filme.
Obrigado.
O comentário imediatamente a seguir contém spoilers sobre este filme.
CINEMA2000 |
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jafbrito@netcabo.pt |
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"não há livros maus ou livros bons - há livros bem escritos e livros mal escritos".Mutatis mutandis a frase de Wilde serve para Scorcese:é realmente um filme bem feito.Mesmo surpreendente quanto à sucessão de mortes no final,sublinhado o sangue e o "pathos" operático pela música de Donizetti, na Lucia.Quanto aos actores,de salientar a master-class dada por Nicholson em que o exagero premeditado da sua personagem ilumina tudo e todos,fazendo jus ao método de Stanislavsky,desenvolvido por Adler e Strasberg.Um filme de um grande realizador a não perder.
José Brito |
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O comentário imediatamente a seguir contém spoilers sobre este filme.
CINEMA2000 |
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tiago.barra@gmail.com |
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O testemunho da vida quotidiana americana está em «Entre Inimigos» onde o extraordinário Billy (Leonardo di Caprio) é um agente da policia que se intromete na obscura máfia enfrentando uma vida dupla. Toda a situação coloca-nos perante um jogo de nervos mental, uma esquizofrenia que nem o Valium consegue sustentar. Costello (sensacional Jack Nicholson) é o senhor feudal a quem os "nobres" proprietários devem uma tax, já Sullivan (agradável Matt Damon) é a "ratazana" - o verdadeiro vilão - infiltrado no grupo dos bons da fita (a policia de Massachussets)- é neste triângulo trivial de personagens que se desenrolam os longos 149 minutos de acção com direito a orquestra Rock - os Rolling Stones com "Gimne Shelter" ou a balada "confortably numb" dos Pink Floyd na versão dada por Van Morisson (e que momento de cinema!). Destarte, traz à colacção a musa inspiradora dos nossos infiltrados - Madolyn (uma surpreendente Vera Farmiga até agora desconhecida do grande público). Este é um fantástico remake de "Mou gaan dou" - realizado por Wai keung Lau desconhecido criador da pérola oriental que constitui o script. Depois de "Gangs of New York" e "The Aviator", desta vez Scorsese não se esforçou para obter a estatueta, foi mais incisivo - tentou fazer cinema e isso provavelmente custar-lhe-à o Óscar.Porquê? porque o filme não traz alivio, bastará atentar na crua morte de Billy, tal género não convencerá Hollywood. Na analogia com Goodfellas: mais acção, um gangsters movie não tão rebuscado do ponto-de-vista do conceito de máfia, mas melhor montagem nos diálogos, menos comercial, mais cinema... O fascínio da carreira de Scorsese, tal como dos seus filmes, é o de uma parábola do próprio cinema depois da Época de Ouro. Scorsese surgiu demasiado tarde para pertencer aos grandes movimentos europeus do neo-realismo italiano ou à nouvelle vague francesa, e muito menos ao sistema de estúdios americano, o qual tinha criado os seus próprios heróis. Mas teve sorte em ter feito parte da primeira geração americana de estudantes de cinema, que foram tão inspirados pelo que estudaram como pelo que estava a acontecer à sua volta. O Problema é que ao contrário dos contemporâneos europeus - e heróis como Bertolucci, para Scorsese há a eterna miragem de Hollywood... e isso nota-se, em cada um dos seus filmes. Seja como for, este é um filme para ver e rever ao contrário dos dois filmes anteriores com que Marty nos brindou.
O Riff electrizante dos créditos finais ao som de "Departed Tango"(Howard Shore) com a ratazana no topo da varanda, o símbolo do vazio deixado pelo desencontro social entre os personagens defuntos, mereceria um Óscar (isto, se o "cinema de autor" fosse considerado cinema).
P.s. Ficará por explicar aos mais expeditos a presença de Madolyn no funeral de Billy, sobretudo após um segmento de filme em que não há já qualquer relacionamento com Sullivam e nem sequer se vislumbra que ela tenha aberto o envelope que recebeu de Billy.
Tiago.
http://wwwdogville.blogspot.com
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GANGS DE BOSTON
Nos seus dois filmes anteriores, "Gangs de Nova Iorque" e "O Aviador", Martin Scorsese ofereceu grandes produções de época, luxuosamente embrulhadas por um apuro técnico irrepreensível e apenas ao alcance de alguns que foi, no entanto, desperdiçado por debilidades na construção da narrativa e das personagens. Não deixavam de possuir algumas sequências memoráveis, mas como um todo o balanço qualitativo era irregular e faltava-lhes o nervo e a densidade pelos quais o cineasta se notabilizou ao longo dos anos.
"The Departed: Entre Inimigos" assinala o regresso aos ambientes urbanos e claustrofóbicos que definiram o percurso inicial do realizador, propondo um misto de thriller e drama ancorado em dois polícias, que têm em comum o facto de serem agentes infiltrados.
Um, Billy Costigan, está no início da carreira e o seu passado obscuro torna-o na escolha perfeita para se infiltrar num gang da máfia irlandesa de Boston. O outro, Colin Sullivan, distinguiu-se pelo seu percurso bem-sucedido na Unidade Especial de Investigação mas esconde um perigoso segredo dos seus colegas, uma vez que integrou a polícia para reportar ao líder do mesmo gang as principais estratégias desta.
Parte jogo do gato-e-do-rato, desenvolvendo uma intrincada teia de ligações e perseguições, parte mergulho nos dilemas e medos existenciais dos dois protagonistas, que se debatem com as contradições das suas identidades, o filme é um exercício de estilo bem oleado, sabendo como conduzir uma narrativa intrigante sustentada por personagens complexas.
Remake do primeiro capítulo de "Infiltrados" (Infernal Affairs), a trilogia policial criada pela dupla de Hong Kong Andrew Lau e Alan Mak, "The Departed: Entre Inimigos" recupera de facto alguns dos elementos essenciais da acção dessa película mas deixa bem visível a mudança de realizador.
Aproximando-se das atmosferas de outros títulos de Scorsese como "Tudo Bons Rapazes", o filme não deixa de efectuar, de forma mais ou menos directa, um olhar sobre a América, como já é habitual na filmografia do cineasta, em particular sobre a miscenização de culturas, aspecto determinante para a construção da personagem de Billy Costigan.
O realizador volta a apresentar aqui uma obra vincada pela elegância formal, com uma inatacável solidez na montagem, capaz de imprimir um ritmo que, ao contrário do dos dois filmes anteriores, nunca acusa as duas horas e meia de duração. A banda-sonora a cargo de Howard Shore, discreta e cativante, é apropriada aos ambientes do filme, modelados em parte pela fotografia de Michael Ballhaus, investindo essencialmente em tons castanhos-alaranjados, em tudo contrastantes com os azuis metálicos de "Infiltrados".
"The Departed: Entre Inimigos" conta com uma tensão bem gerida e, para além do realizador, há que reconhecer o mérito dos actores, quase todos nomes de peso, tanto os principais como os secundários.
Dos protagonistas, Matt Damon dá mais uma prova de talento numa interpretação segura, mas é Leonardo DiCaprio o que mais surpreende no desempenho de Billy Costigan, através do qual o actor oferece um sóbrio retrato da solidão e inadaptação, numa personagem em fuga e quase sem portos de abrigo, a mais interessante, comovente e complexa do filme. Jack Nicholson proporciona mais uma lição de interpretação (uma das melhores dos últimos tempos), conciliando um sentido de humor (negro) e um peculiar calculismo no papel do chefe do gang e a menos mediática Vera Farmiga confirma a boa impressão deixada em "Medo de Morte", no início deste ano.
Scorsese edifica aqui uma obra estimulante e acima da média mas que, infelizmente, não chega a atingir o estatuto de imprescindível devido às opções tomadas na construção da personagem de Matt Damon. Embora servido por um bom desempenho, Colin Sullivan não contém a ambiguidade nem a inquietação da sua personagem análoga de "Infiltrados", movendo-se sempre em nome de interesses pessoais e nunca questionando a sua conduta. As preocupações que advêm do seu cargo de "toupeira" giram somente em torno da sua sobrevivência e prosperidade, e teria sido mais interessante se a personagem colocasse a sua moral em causa, tornando a película menos maniqueísta e reforçando as semelhanças dos dois protagonistas.
Pior é o final que o filme lhe reserva em virtude dessa postura, mais convencional e menos desafiante do que o do filme de Andrew Lau e Alan Mak. É pena que um filme com um desenvolvimento tão inteligente e minuciosamente arquitectado termine de uma forma pouco corajosa, mas "The Departed: Entre Inimigos" sobrevive bem a esse desequilíbrio e funciona tanto como um entretenimento de topo como enquanto uma experiência cinematográfica de méritos inegáveis, ou não fosse o melhor Scorsese em muitos anos.
Gonçalo Sá
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Jtrb79@hotmail.com |
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Como grande fã de Scorsese( Raging Bull é o melhor filme de sempre!), fiquei com um travo amargo a desilusão com Gangs of New York e The Aviator, obras onde se pressentia mais peso de estúdio do que peso de Scorsese( e o próprio já falou sobre isso nas entrevistas). Não que fossem bodegas, mas eram filmes de um classicismo( atrever-me-ia a dizer academismo, se não fosse crime associá-lo a Martin) que nunca esteve presente nas grandes obras do realizador, e muito raramente se sentia um sopro de martírio nas personagens principais que é apanágio de um Jake La Motta, Travis Bickle, ou de um Jesus Cristo. Este The Departed é um alívio, pois confirma que o Homem ainda é dos melhores quando o deixam trabalhar em sossego e com um argumento que respira Scorsese a cada página. Está lá tudo: montagem assombrosa( obrigado, Telma), banda sonora a acompanhar o desastre, crescendo de tensão até atingir a incredulidade, e dois homens a contas com a sua consciência, sabendo que não há fuga possível ao engenho que aceitaram. Há quanto tempo não se via um Scorsese assim, tão visceral, tão castigador para as suas personagens? Desde Casino, seguramente, esse muitas vezes injustamente catalogado Goodfellas de segunda. Verdadeiro carrosel de emoções, The Departed é um Scorsese vintage, notável peça de relojoaria dramática.
Tiago Ribeiro
http://miletalfilmes.blogspot.com/ |
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paulo_bananas@hotmail.com |
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Luís Diogo,
Tal como você, também não achei que o filme fosse uma obra-prima, mas há que reconhecer a sua qualidade objectiva. Basta verificar a recepção que teve nos EUA e no também no resto do mundo, pela crítica profissional. Afinal, eles percebem mais disto do que nós. É uma pena quando não atingimos o verdadeiro valor de um filme, mas não devemos confundir a nossa opinião pessoal com a qualidade objectiva de determinado filme.
Acontece-me muito com clássicos. Acho alguns grandes secas, mas afinal são clássicos da história do cinema, e é preciso reconhecer o seu valor enquanto obras-primas que preduraram até agora e vão predurar para sempre. Quem somos nós para andar aqui a colar rótulos a filmes com esta importância? E, segundo me parece, o Departed tornar-se-á também um clássico, visto anda muita gente a achar dos melhores do Scorsese. Um clássico como Raging Bull ou Goodfellas. Infelismente, não consegui gostar muito deste Departed. Mas pode ser que com alguns revisionamentos me aperceba do verdadeiro valor do filme.
Cumprimentos,
Paulo Oliveira Bananas |
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O comentário imediatamente a seguir contém spoilers sobre este filme.
CINEMA2000 |
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luisdiogo@portugalmail.com |
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A ver, sem esperar obra-prima.
Não sou apreciador dos filmes do Scorcese. Violência a mais, profundidade a menos. Não que discuta que o homem saiba filmar e, sobretudo, dirigir actores.
Mas gostei deste filme. Não que o ache uma obra-prima, nem seguer um Muito Bom filme. É apenas um bom filme. Seguramente um dos 20 melhores do ano, porque até nem é difícil, mas nada mais. Os actores estão bem, embora nenhum personagem seja memorável. Só a de Nicholson se aproxiumaria se ele não fosse algo cabotino. A realização de Scorcese tambéem não está nada de assombroso. Não me lembro de um único plano em que ficasse estonteado. A montagem, essa sim está muito boa, mas aí o mérito é mais da Editora do que do próprio Scorcese.
Há algumas cenas mal resolvidas, como aquela em que o chefe da polícia cai morto frente ao Di Caprio. O Scorcese nunca nos mostra o plano do ponto de vista dos Gansters porque sabe que teria ali um grave problema. Mas há outras coisas mal resolvidas, como o desaparecemineto durante longos períodos do personagem interpretado pelo Mark Wahlberg e aquele envelope que aparece ali e que, num caso daqueles, nunca aquele polícia andaria com aquele envelope dentro da esquadra, de um lado para o outro.
Pela positiva salienta-se a maturidade do filme (não tenta ser para adolescentes, como infelismente acontece com muitos), o facto de o filme não mostrar certas coisas que seriam óbvias. Por exemplo nunca sabemos como é que o personagem do Di Caprio sabe que o do Matt Damon é o namorado da rapariga, mas obviamente ele acabaria por saber de uma forma ou de outra. Ou também não nos explicam como é que aquele personagem aparece ali na cena final, mas é algo que é óbvio se pensarmos numa cena anterior do filme que não tem seguimento. Ou seja, o filme não perde muito tempo em exmplicações banais o que é de salutar. Outra virtude é a violência não ser gratuita como por vezes acontece nos filmes de Scorcese.
Resumindo: Um bom filme, a ver por quase toda a gente, sem esperar grande mensagem ou profundidade (que não a tem, mas também não tem que ter) e que tem como principal virtude o estar quase sempre a acontecer algo, ou seja, não é nem por sombras um filme "de seca", como por vezes alguns filmes de Scorcese eram (O Casino, por exemplo). É seguramente por isso - o elevado ritmo do filme - que este é o maior sucesso comercial deste senhor.
Luís Diogo |
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Obrigado.
CINEMA2000 |
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linda.rocha@netcabo.pt |
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| Fui ver este filme hoje, e adorei! Dos melhores do ano, sem dúvida. Muito bem interpretado, por todos os actores, e ao contrário de outros foristas, eu gostei da música. E quanto ao final, penso que não havia outro mais apropriado. |
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foliveira65@sapo.pt |
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É-me indiferente se um filme é uma encomenda ou uma obra de autor, se é um blockbuster ou foi feito com meia dúzia de euros, se é destinado a um público adolescente ou a um público mais exigente. Um filme é um filme, ou gosto ou não gosto. Este “The Departed” parece que é uma encomenda, feito para um público adulto e deve ter tido custos elevados. E eu gosto.
Um filme pode ser formalmente perfeito (e este é), mas o que torna um filme num grande filme é a conjugação entre a forma e o que contêm. E o que este contêm é absolutamente notável: uma ideia de argumento extraordinária; grandes desempenhos de Jack Nicholson (sempre em delicioso exagero), Leonardo DiCaprio e Matt Damon, mas também Vera Farmiga; a vertiginosa montagem de Thelma Schoonmaker, ver as cenas de tiroteio; o (e estou a citar alguém) estremecimento moral que atravessa toda a história e acompanha todas as personagens, tudo isto conjugado com a inteligente e perfeita direcção de Scorsese (em “O Aviador” também o era, mas, lá está, o resto não ajudava; em “Gangs of New York”, outro exemplo, tudo junto fez uma obra-prima) fazem deste um muito bom filme.
Este filme é um remake de “Internal affairs”, filme muito sobrevalorizado de 2002, que eu vi, penso que em 2003, portanto há apenas três anos. Obviamente que de todos os imensos espectadores que este “The Departed” já teve em todo o mundo, muito poucos viram o original. Mas eu vi, e isso é um problema. Todo o atordoamento em que este filme me podia deixar é atenuado por conhecer a história e o seu desfecho. Perceber que é um enorme filme não ultrapassa isto. Por isso apenas quatro estrelas.
Fernando Oliveira
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frantfsilva@sapo.pt |
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Caro Dinis Mota:
Respeito a sua opinião face ao filme, mas alguma vez o fumo dos cigarros dita quem é o bom ou mau da fita? Quem fuma é mau e quem não fuma é bom? Esse estereótipo é absurdo e é isso sim, como lhe chamou, uma "promoção" para não-fumar, mas cada um é livre e não deve ser julgado por fumar ou não. E não vejo de que forma isso permite a partida catalogar personagens num filme. Dessa forma os primeiros 007 da saga são péssimos e desprezíveis pois o grande sean Connery fuma, e os novos são óptimos pois Brosnan não fuma... Não entendo aonde quer chegar.
Julgo ter uma possivel explicação para a sua questão: "Também me surpreendeu desagradavelmente uma tirada da personagem de DiCaprio, completamente deslocada e fora de contexto, manifestando o seu prazer pelo facto de não haver gatos em casa"...
Di Caprio é um "rato", por isso tem medo de "gatos". A isto chama-se representação icónica ou simbologia fílmica, que Scorsese tão bem sabe trabalhar.
Cumprimentos e saudações cinéfilas,
Francisco Toscano Silva |
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dvcm76@gmail.com |
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Como se sabe, The Departed é um remake de um filme de Hong-Kong, estreado em 2002, com o título de Infernal Affairs. Dado que já tinha visto este último (que considerei mediano), tinha esperança que Scorcese tivesse apenas utilizado o seu ponto de partida para contar uma história diferente. Infelizmente para mim, a narrativa de The Departed não se afasta significativamente da sua fonte, conservando (compreensivelmente, diga-se) todas as suas surpresas e cenas de maior impacto.
Desta forma, sendo-me retirado o prazer de descobrir e de ser surpreendido, é-me difícil
avaliar/criticar The Departed segundo os mesmos parâmetros que uso para filmes cujo enredo desconheço. Ainda assim, e tentando expurgar da minha análise a referida ausência do factor surpresa, parece-me que a réplica se situa uns furos abaixo da matriz original.
Começando pelas personagens, interpretadas por uma autêntica parada de estrelas masculinas de Hollywood, é notório o fraco desenvolvimento da maioria delas, com a relativa excepção do duo de protagonistas e do seu comum interesse amoroso.
Jack Nicholson, como se esperava, mantém inalterada a sua insuportável histrionia, sendo impossível encará-lo como alguém diferente dele próprio. Mark Wahlberg tem um papel ingrato como arquétipo do polícia duro mas leal, dado que apenas lhe é dada a oportunidade de debitar tiradas carregadas de impropérios, supostamente com alguma piada, mas que soam terrivelmente forçadas. Alec Baldwin, com pouco tempo de ecrã, é desaproveitado.
Destaco, pela positiva, Matt Damon que, na pele do polícia cínico e corrupto, surge como a personagem mais autêntica e credível, bem secundado pelo sempre seguro e fiável Martin Sheen em notável contraponto ao exagerado Nicholson.
Quanto a DiCaprio, assegura um desempenho razoável, sendo traído, na minha opinião, pelo seu aspecto demasiado juvenil e de bom rapaz, relativamente ao qual, porém, não tem culpa para já não falar em razões de queixa.
Relativamente à condução de Scorcese, pareceu-me indistinta, sem quaisquer marcas de autor de que me tivesse apercebido. A filmagem apresenta os cortes e solavancos inerentes à narrativa enérgica e convoluta de que é servidora e pretere o brilho da imagem a favor de matizes mais sujos e adequados à ilustração do sub-mundo do crime da cidade de Boston. Nada de particularmente entusiasmante e nada que já não se tenha visto, múltiplas vezes, em filmes de temática semelhante.
Num aparte, aconselho vivamente a quem goste de ler ficção policial servida por uma qualidade de escrita magistral, os livros passados em Boston e traduzidos pela Gótica do norte-americano descendente de irlandeses Dennis Lehane A drink before de war e o espectacular Darkness, take my hand.
Como notas finais, refiro que a música irlandesa que acompanha o filme se encarregou de me arranhar os tímpanos de forma impiedosa e que seria dispensável o cliché que confere ao protagonista vilão a condição de sexualmente impotente.
Manifesto, ainda, o meu desprazer pessoal face ao facto das personagens mais positivas serem fumadores e dos maus da fita não o serem. Considero a promoção do acto de fumar absolutamente indecente, já que este priva os não fumadores do seu direito mais básico que é o de poderem respirar livremente sem que sejam invadidos pelo fedor tóxico e repugnante dos cigarros.
Também me surpreendeu desagradavelmente uma tirada da personagem de DiCaprio, completamente deslocada e fora de contexto, manifestando o seu prazer pelo facto de não haver gatos em casa (não entendo como é possível antipatizar com gatos, mas isso já é uma preferência pessoal…).
Desejo ao Sr “Pró-fumo e anti-gatos” Scorcese a continuação de um percurso isento de Óscares.
Dinis Mota
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eduardonsbr@yahoo.com |
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Simplesmente o melhor filme de Scorsese em sabe-se lá quanto tempo! Não que os últimos filmes dele sejam ruins, mas sem dúvida esse filme traz de volta um vigor meio que perdido em sua recente filmografia. Direção impecável, assim como sua montagem, edição, fotografia... e o que falar do elenco! Todos estão simplesmente ótimos! Jack Nicholson nem precisa de comentários! Eu particularmente gosto do Leonardo DiCaprio como ator, pois ele já havia demonstrado seu talento em seu últimos filmes, mas nesse filme em especial ele está sensacional! Assim também posso descrever dois atores os quais não sou muito fã: Matt Damon e Mark Wahlberg. Simplesmente nunca os vi atuando tão bem! Já mudei minha opinião sobre eles... Quanto aos outros, destaco Vera Farmiga (bela surpresa) e os sempre confiáveis Martin Sheen e Alec Baldwin. Enfim um filmaço imperdível para quem realmente gosta de cinema e estava sem esperança que Hollywood pudesse fazer novamente filmes deste nível.
Eduardo Santos |
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frantfsilva@sapo.pt |
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THE DEPARTED - Entre Inimigos
Scorsese regressou às suas origens e brinda-nos uma vez mais com a sua genialidade, é um prazer vê-lo de volta e sobretudo em tão boa forma. Este seu novo filme é, a meu ver, o novo GOODFELLAS, arrisco alias a dizer que é melhor.
Jack Nicholson comprova uma vez mais que é um dos melhores actores do mundo, Di Caprio está cada vez mais maduro e Matt Damon encontra-se em excelente forma. Este trio sobre o qual se centra a intriga tem tanta ou mais força que o trio de GOODFELLAS (De niro, Pesci e Liotta),e com secundários de luxo como Martin Sheen, Mark Walberg e Alec Baldwin o baralho está completo para um jogo de parada alta.
A história é rica e bem contada, o ritmo de evolução da narrativa é perfeito, bem como a grande banda sonora, que nos arrastam para o mundo dos infiltrados, esses "defundos" que lutam por um objectivo recorrendo ao mais selvagem que em si existe, seja do lado da lei ou do lado dos "bad guys". Certo é que há muito tempo não se via um filme de máfia com esta qualidade.
Repleto de referências ao próprio cinema, Scorsese encontra aqui uma forma de homenagear a sétima arte e sobretudo de se homenagear a si mesmo, rei deste género dramático de cinema.
Extraordinariamente bem elaborado, com interpretações notáveis, argumento de ferro, representação icónica brilhante e realização estupenda, este THE DEPARTED é possivelmente um dos melhores filmes de Martin Scorsese, especialmente dos últimos 20 anos.
Obrigatório.
Francisco Toscano Silva |
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rjlneves@sapo.pt |
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" The Departed: Entre Inimigos " de Martin Scorsese
Um filme que nos coloca em constante sobressalto e com uma imensa curiosidade sobre o destino das suas personagens só pode ser especial e, simplesmente bom. O novo filme de Martin Scorsese tem tudo para figurar na história do cinema ao juntar uma história ambígua e brilhante a um elenco de actores magnânimos.
Ricardo Neves
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sombprov@hotmail.com |
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É com prazer sarcástico que leio os comentários acerca do final. Sim, porque as meninas da carochinha ainda gostam de finais felizes, que terminam quase sempre uma história aparentemente real de forma estupidamente irreal. O final deste filme em particular é perfeito. É exactamente aquilo que tinha maior probabilidade de acontecer se fosse uma história verídica.
De resto, interpretações excelentes, com DiCaprio a revelar-se cada vez menos uma cara laroca que faz filmes e mais um verdadeiro actor com cara bonita. Jack Nicholson, como sempre, sensacional. Realização fenomenal, como outra coisa não seria de esperar; afinal, sempre foi Scorsese. Se não é desta que leva o Óscar... é porque os pseudo-intelectuais da Academia (cujos clones circulam por estes lados...) são um bando de parvos. E se forem parvos, abaixo os Óscares!
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VG |
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celia-maria-santos@hotmail.com |
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Mais uma vez venho comentar este filme, uma vez que vejo péssimos comentários à cerca do final deste filme. Eu devo dizer que o final não podia ser melhor, dado que os finais felizes já estão "um pouco ultrapassados". E temos que olhar para a realidade. Esta sim, é a realidade.
Célia Santos |
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celia-maria-santos@hotmail.com |
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Fui ver a estreia deste filme na quinta-feira e, mais uma vez, temos nas salas de cinema, um grande filme do realizador Martin Scorsese. Vale a pena ir ver este filme.
Célia Santos |
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fjteixeira@iol.pt |
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Um filme puramente delicioso de seguir. As jogadas de gato e rato mais deliciosas do ano, ao nível de cinema. É ver para crer. Realização soberba, humor negro q.b. e suspense na medida certa.
O que mais pode dar o cinema?
4,5 em 5.
Francisco Teixeira |
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gpedrofonseca@hotmail.com |
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Bom filme. Começando pelos actores, não há nenhum que consiga realçar, pois foram todos excepcionais. Realização igualmente de grande qualidade por parte de Martin Scorsese. Argumento elaborado e interessante. Pena é, realmente, o final do filme. Deixou muito a desejar. Tendo em conta toda a obra de arte que foi o filme, merecia, sem dúvida, um final à altura, que na realidade não teve. É pena.
Nota: 14
Pedro Fonseca
http://pedrof.blogspot.com |
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joanapadua@hotmail.com |
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Fui ontem ver o filme com alguma curiosidade, confesso. Pelas críticas que tinha lido, pelas imagens (sempre sugestivas, aliás).
E, após o visionamento, que dizer?
Que gostei, claro! É um filme, interessante, com vários twists, com boas interpretações (Jack Nicholson brilhante como sempre!). Muita violência...
Tudo num bom ritmo, boa música e bons momentos conseguidos.
No entanto, e apesar das boas críticas, não posso deixar de comentar negativamente o final! Mas afinal o que foi aquilo? Esconderam-nos (do público) alguma coisa? Fiquei com essa sensação.....
Mesmo assim, a ver...
Joana
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CINEMA2000 |
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i30438@hotmail.com |
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| Um bom filme no geral, um mau filme do Scorcese em particular. Até à data, é o melhor filme produzido pela indústria americana. |
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CINEMA2000 |
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jbizas@gmail.com |
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| Só com Martin Scorsese e estes actores o remake de um grande filme podia dar um GRANDE filme |
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tshogoki@gmail.com |
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Vi o filme é bom, mas acho que se gerou a volta dela demasiado alarido, até porque acho que o rotulo que lhe puseram de ser o melhor filme de Martin Scorsese é um exagero.
Mark Wahlberg na minha opinião foi o melhor durante o filme, Jack Nicholson também esteve bem.
Tiago Vieira Gonçalves |
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