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Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do...
Título: Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão
Título original: Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan
Título (Brasil):
Realização: Larry Charles
Intérpretes: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Pamela Anderson
Estados Unidos, 2006
Estreia: 30 de Novembro de 2006
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João Lopes | Média dos Espectadores |
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Nomeações para os Oscars (1)
* MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO, Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham, Dan Mazer, Todd Phillips
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* Borat e Sacha Baron Cohen no CINEMA2000. |
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João Lopes
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Provavelmente, o cinema está a morrer. Em boa verdade, a história dos últimos 40 anos — a partir do momento em que a televisão se torna um fortíssimo poder social — não nos ensina outra coisa: tudo o que fez a identidade técnica, formal, cultural e económica do cinema se decompôs com mais ou menos aparato e, obviamente, de forma sempre contraditória (afinal de contas, há grandes cineastas — Godard, Sokurov, Haneke... — que trabalham a partir de um radical luto cinematográfico).
Provavelmente, «Borat» já não é cinema. E faltam-nos os instrumentos cognitivos para dizer o que é. Porque, de facto, se o virmos a partir do território específico do cinema, «Borat» não passa de um menoríssimo acidente. Que é como quem diz: uma colagem arbitrária de sketches que usam e abusam do dispositivo grosseiro dos apanhados televisivos (aliás, como a imprensa americana tem noticiado, dando origem a vários protestos — e também alguns processos em tribunal — de pessoas que foram utilizadas sem estarem devidamente informadas sobre as condições em que estavam a ser recolhidas as suas imagens).
A meu ver, não vale a pena transformar «Borat» em alvo de nenhuma polémica gratuita, como tantas (de raiz televisiva) que são fabricadas para, em boa verdade, nada se discutir, muito menos pensar. Mesmo no plano estrito da comédia, a indigência formal do filme é absoluta: qualquer sketche do mais primitivo slapstick possui um timing, uma alegria e um sentido de espectáculo que, aqui, estão dramaticamente ausentes.
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O texto que se segue foi publicado na revista «6ª» (Diário de Notícias, 1 Dez. 2006), com o título `A ética dos "apanhados"`.
Chegou «Borat». Ou, mais precisamente: «Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão». Podemos dizer que se trata das aventuras de «Borat» Sagdiyev, um repórter fictício do Cazaquistão que corresponde a uma personagem do show da televisão britânica liderado por “Ali G”, por sua vez uma espécie de alter ego do actor Sacha Baron Cohen.
Não há muito a dizer sobre «Borat», a não ser que é péssimo cinema. O seu sentido de humor tem a subtileza de dez manadas de elefantes à solta num hipermercado de cristais. A sua parca imaginação baseia-se na proliferação de frases mais ou menos obscenas, ditas a partir da suposta candura da personagem central. Enfim, alguns dos temas dominantes – do antisemitismo à subjugação das mulheres, passando pelas regras sociais de etiqueta – são tratados ao nível da anedota mais vulgar e, em boa verdade, estão esgotados nos dois minutos do trailer: os pouco mais de 80 minutos que dura o filme não passam da repetição incessante e monótona da mesma falta de imaginação. No plano especificamente cinematográfico, a simples construção dos gags – em termos de estrutura, timing e punch line – revela uma indigência criativa como há muito se não via: mesmo em dia pouco inspirado, qualquer sketch feito por Herman José, há mais de vinte anos, no Tal Canal, é mais elaborado que o “modernismo” espalhafatoso do universo de «Borat».
Pausa. Volto atrás, releio esta frase: “No plano especificamente cinematográfico”... E compreendo que, apesar de me estar a referir ao que é suposto ser a matéria (específica, justamente) do trabalho de um crítico de cinema, estou a criar uma potencial armadilha. Porquê? Por duas razões fundamentais: primeiro, porque «Borat» vem acompanhado de uma imensa agitação mediática que parece “obrigar” qualquer discurso jornalístico a demitir-se das suas funções, submetendo-se a essa avalancha onde coexistem factos e anedotas, brincadeiras e coisas sérias; depois, porque um velho e tenaz preconceito manda dizer que os “críticos” não gostam de... comédias!!!
Sobre tal preconceito, não há muito a dizer, a não ser que nem a comédia nem qualquer outro género cinematográfico se pode avaliar em bloco: apesar de tudo, alguma diferença existe entre a genialidade de Jerry Lewis e a indigência de «Borat»... Em todo o caso, a agitação mediática em torno de «Borat» justifica alguma pedagógica atenção.
De que é feita essa agitação? De um curioso, e muito sintomático, esvaziamento de responsabilidades. De facto, a partir do momento em que começou a promoção de «Borat», o actor Sacha Baron Cohen pura e simplesmente desapareceu de circulação: todos os seus números mediáticos (sobretudo televisivos, como é óbvio) são feitos assumindo a própria figura de “«Borat»”, assim demonstrando que a personagem não sustenta a sua própria desmontagem enquanto efeito de representação.
E que efeito é esse? É, sintomaticamente, um efeito televisivo. Ou seja: o repórter “«Borat»” funciona, no essencial, como um criador de “apanhados”. Assim, em muitas situações, o filme (dirigido por Larry Charles) foi rodado a partir do mesmo dispositivo desonesto dessa “diversão” televisiva: alguém é colocado numa situação mais ou menos absurda, resultando o “apanhado” do registo do desconforto e do mal-estar, por vezes do claro sofrimento, do inadvertido protagonista. Dharma Arthur, por exemplo.
Dharma Arthur: este nome não tem surgido muitas vezes nas notícias sobre «Borat», mas pode ajudar-nos a compreender o que está em jogo. Acontece que uma das sequências do filme decorre num estúdio do canal de televisão WAPT, na cidade de Jackson (Mississipi). Na sua personagem fictícia (quer dizer, não revelada) de repórter vindo do Cazaquistão, «Borat» espalha a confusão, com diversas alusões sexuais e escatológicas, por fim beijando o incrédulo apresentador das notícias. Dharma Arthur era a produtora da WAPT responsável pela emissão. Sublinho: era – Dharma perdeu o emprego por causa da encenação de Sacha Baron Cohen. São dela estas declarações à Newsweek: “Por causa dele («Borat»), o meu patrão perdeu a confiança nas minhas capacidades e começou a suspeitar de tudo o que eu fazia. Caí em depressão e, antes mesmo de recuperar, o meu contrato foi rescindido. Levei três meses a conseguir outro emprego e, agora, tenho dívidas de milhares de dólares e estou a lutar para não ter de hipotecar a minha casa.”
Além de Dharma Arthur, há outras pessoas expostas em «Borat» que colocaram a produção do filme em tribunal. Como é sabido, o próprio governo do Cazaquistão começou por reagir muito mal às alusões do filme, mas parece ter considerado que tais alusões acabam por corresponder a uma perversa “promoção” – paradoxos da diplomacia...
Repare-se: não se trata de julgar «Borat» a partir destes factos (o filme seria sempre o mesmo objecto medíocre, mesmo que passasse no mais completo anonimato comercial). Como é óbvio, também não se pretende, nem de longe nem de perto, colocar em “tribunal popular” quem o distribui ou exibe. O que tudo isto revela é que o fenómeno “«Borat»” tem muito pouco, ou mesmo nada, a ver com o cinema-cinema. Estamos apenas perante uma extensão das mais rasteiros truques de televisão, agora triunfantes como “linguagem corrente” e devidamente sustentadas por uma barragem promocional feita em nome de duas bandeiras da cultura televisiva dominante: a ligeireza e a irresponsabilidade. Tudo é pitoresco, logo tudo é inconsequente – eis a ética grosseira desta visão rudimentar do mundo e das imagens.
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* Texto publicado no blog sound+vision. |
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Manuel Fernandez |
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Ruim.
Tentativa de humor sem talento. Como a personagem não tem graça, apela para o uso da ridicularização alheia. Qualquer um pode fazê-lo. Também não vi nada de cinema. |
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Ângela Silva |
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| Não aprendi nada! |
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Dou 5 estrelas a cena de pancadaria no hotel com o seu companheiro.
Do mais hilariante que já vi!
Sandra Santos |
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carlosvila28@gmail.com |
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Quem classifica este fime com uma cruz, não sabe o que é um filme de entretenimento, com este filme conseguimos duas coisas:
1º - Rir;
2º - Conhecer a mentalidade americana.
E na minha humilde opinião este filme consegue estes objectivos.
Carlos Vila |
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Paulo |
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O que fazer com Sacha Baron Cohen?
Os que não apreciam o estilo, não lhe ficam completamente indiferentes como querem fazer passar a ideia.
Os que o veneram, vivem em constante alarido por causa dele! Ora porque vêem o filme vezes sem conta, ou porque utilizam no seu dia-a-dia as expressões pitorescas que Borat diz e rediz no filme. É um fartote de Borat a toda a hora!
Eu não me incluo nem nos primeiros, nem nos segundos. Pertenço ao grupo dos que gostaram e se riram muita à conta do filme, mas que não andam com o Borat aos ombros.
Não sendo original e/ou único no género humorístico, consegue uma coisa extraordinária: põe o dedo nas feridas do país mais poderoso do mundo e consegue rir-se deles e com eles. É humor e esse, meus caros detractores de Borat, não deve nada a ninguém.
Paulo Jacinto
http://totodacabeca.blogspot.com/
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lady_garfield@sapo.pt |
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so este fim de semana tive oportunidade de ver esta atrocidade cinematográfica. de fugir..
LG |
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FB |
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esperava mais.
Leva 1* estrela pelo que mostra da mentalidade americana e dos preconceitos que traz ao de cima
mesmo assim, esperava mais |
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seremot@gmail.com |
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Acho que discordo de todos até agora.
Posso dizer claramente que gostei do filme, acho inovador no panorama da comédia, arriscado, inteligente e consegue ir para além da mera gargalhada. O carácter inovador que lhe reconheço é o que o torna, possivelmente, num produto "não cinema" - e não vejo isso de uma forma claramente negativa. Da mesma forma como considero o Blair Witch Project um produto diferente e também "não cinema", embora esteja nas salas. São produtos hibrídos que surgem das televisões ou das salas de estar de cada um, que triunfam umas vezes apenas porque suscitam curiosidade nas massas, outras porque juntam também uma dose de qualidade e inteligência, ou espontaneidade - Borat leva isto ao extremo. Não acredito que o cinema deixe de existir, longe disso... mas acho provável que vão surgindo, de tempos em tempos, produtos destes no cinema - não faria sentido aparecerem todos os anos, por exemplo.
Consigo perceber as razões porque muitos críticos de cinema reputados e pessoas em geral não gostaram do filme e do conceito mas, pessoalmente, consigo ver-lhe méritos de gargalhada e inovação.
João Tomé |
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ZED |
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| O filme, na minha modesta opinião, não vale a pena, humor non sense só mesmo pra quem delira com o estilo... As 3 estrelas vão só mesmo pela capacidade de, por vezes até de maneira (quase) inteligente, se conseguir mostrar os americanos como o são na realidade: uns verdadeiros tristes! Não consigo mesmo perceber é a nomeação para os Golden Globes, mas isso agora... |
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Vítor Sousa |
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É curioso se eu tenho algo a apontar de ofensivo contra Borat, não serão os estereótipos criados acerca do Cazaquistão, uma vez que isso faz parte de um certo cinismo e sofisticação do filme, mas sim o facto de o cidadão anónimo se ver, involuntariamente, envolvido nos seus gags.
Sacha Baron Cohen foi agredido recentemente por um desconhecido que abordou na rua, enquanto "vestia" a sua famosa personagem.
Estas pessoas são cidadãos anónimos que não são actores e não podem escolher as películas em que entram.
Por exemplo, eu não tenho interesse nenhum em ser famoso e dispenso perfeitamente os meus 5,10 ou 15 minutos de fama. Espero que nenhum actor português "armado" em Borat me aborde na rua com as câmaras à minha frente. Isto também se aplica aos "apanhados" da televisão portuguesa e outros reality show aonde filma inclusive o interior das habitações dos visados.
A minha opinião é simples: a nossa liberdade acaba aonde começa a dos outros.
Isto não quer dizer que Borat seja um filme mau, porque até tem alguma criatividade e inteligência. O filme é simplesmente abusivo para o cidadão anónimo acima citado. |
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pauloford@netcabo.pt |
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| para quen julga que vai rir do principio ao fim este nao e o filme indicado mas e comedia verdadeira e tambem chacota politica aos usa e o retratamento das desigualdades mesmo no pais mais poderoso do mundo. |
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lalves78@yahoo.com |
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Filme com alguns momentos inspirados ( Borat cantando o hino do Cazaquistão perante uma plateia estupefacta) , mas que no geral é muito, mas muito mau. De fugir
http://www.grandesplanos.blogspot.com
Luís Alves
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Diogo Torres |
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É notório o facto do declíneo do cinema.
Ultimamente só se tem assistido a filmes razoaveis a roçarem o mau.
Este exemplo é um deles, embora se destaque pela sua originalidade.
Na verdade, Borat é um filme para estados de espírito específicos. Se o virmos sob um aspecto positivo, conseguiremos tirar proveito dos bons momentos de humor que o filme nos oferece. Caso contrário, passará a constar na nossa lista mental de filmes a evitar.
É um filme forte, no sentido de abalar com alguns estereótipos da cultura actual e é por isso que devemos tomar o filme como uma paródia ao domínio sublime dos EUA sobre o Mundo.
Há cenas que eram dispensáveis, nomeadamente a briga entre Borat e o seu companheiro que alterou pro completo o ambiente do filme (que até aí não era dos mais favoráveis).
É de fazer distinção ao actor Sasha Baron Cohen quase camaleónico.
Um filme diferente.
...Mas não recomendo.
2/10 |
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almeida_rita@sapo.pt |
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BORAT
de Larry Charles
Borat Sagdiyev é uma das personagens criadas pelo actor inglês Sacha Baron Cohen para o seu programa televisivo “The Ali G Show”, é um jornalista do Casaquistão, prestes a ser enviado aos Estados Unidos pelo seu governo para aprender sobre a cultura americana e poder regressar com ideias para modernizar o seu país. O seu documentário começa na sua terra natal, onde Borat apresenta a sua família, incluindo a sua irmã, que ocupa o 4º lugar da melhor prostituta do seu país, e os seus vizinhos, incluindo o violador da aldeia (confesso que esta me mandou de imediato para o universo Pythonesco).
Aos colocar-se em contextos reais, Sacha Baron Cohen, encontra um meio aparentemente superficial para fazer um profundo comentário social, sobre a América e sobre a sociedade ocidental em geral. Borat reúne em si todas as características menos politicamente correctas: é sexista, racista, homofóbico e anti-semita, a combinação menos comercial possível. O mais interessante é ver como, na sua interacção com a realidade americana, essas mesmas características, normalmente camufladas de todos, vêm ao de cima nos momentos mais inesperados, bastando para isso encontrar quem partilhe de uma mesma - odiosa - opinião. Incómodo, ordinário, ofensivo, insolente, subversivo e completamente louco, Borat consegue despertar nos outros um lado surpreendente, onde residem muitos dos medos e falhas de uma América que vive no limite do que é e aquilo que quer mostrar ser.
Mesmo a sua paixão desenfreada por Pamela Anderson é representativa dos valores erguidos pela América como padrão, neste caso não de comportamento mas de imagem. Os Estados Unidos continuam, infelizmente para grande parte do mundo, a ser uma medida daquilo que se deve almejar.
O empenho de Baron Cohen é tão grande e tão profundo, que todo o filme parece, de facto, um documentário (ainda que não se perceba, quando o seu agente Azamat Bagatov (Ken Davitian) o abandona, quem fica por trás da câmara a filmá-lo). Desde os que lhe viram as costas, aos que o insultam ou agridem, até aos que aguentam até ao limite da sua paciência, ele responde a todas as situações como se fosse o próprio Borat. As aparições públicas do actor são repetidamente feitas sob as suas múltiplas máscaras, é por isso previsível que haja um período de convivência extensíssimo com estas personalidades.
Mas “Borat” peca por ser muito inconsistente. Feito à base de momentos, a sua linha condutora mantém-se fragilmente no campo de um road movie, mas impelido por uma fraca motivação. As potencialidades sarcásticas desta personagem são enormes, mas as situações puramente ridículas e sem propósito também abundam. Entre a sagacidade de uma observação e a vacuidade de outra, abre-se um enorme abismo.
Pegar num país real como o Casaquistão facilita a credibilidade da personagem como enviado estrangeiro, mas prejudica gravemente a imagem que passa desse mesmo país. Por isso, é necessária alguma flexibilidade mental para aceitá-la como soma dos estereótipos mais ridículos projectados sobre as sociedades dos países do leste europeu, e evitar comparações com a realidade.
Nem tonto nem genial, “Borat” levanta alguns temas que podem prolongar-se em noites de boa conversa.
RITA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/ |
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Não se esqueçam de assinar os comentários.
Obrigado.
CINEMA2000 |
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ricardo_duarte82@msn.com |
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Será isto cinema, ou será que a 7ª arte está a morrer.
De facto Borat é muito mau, aqui conseguimos perceber o poder dos media no que à publicidade e divulgação de um filme diz respeito.
O suceeso de Borat não passa disso mesmo, de uma grande mediatizção feita em torno do filme, de resto é o que está à vista, do ponto de vista cinematográfico este filme é 0.
Os apanhados até estão bem conseguidos, as situações até são cómicas, a crítica não está má, apesar de por vezes ultrapassar o ofensivo, em suma, este «Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão» até daria uma boas série de apanhados a passar em qualquer horario nobre, mas fazer disto um frande filme... Francamente não havia necessidade. |
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jtrb79@hotmail.com |
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Esquecendo por momentos a putativa noção de que Borat "não é cinema", e concentrando-se apenas no que o filme é e tem para dar, a conclusão final é de que Borat não cumpre na plenitude as expectaivas sobre si criadas e que os minutos passados no "Cazaquistão" ainda mais reforçam. O problema aqui talvez seja excesso de coerência: na ânsia de derrubar todos os tabus, de pegar fogo ao politicamente correcto, de chocar o mais possível uma mente cristã, Sasha Baron Cohen renunciou a uma espécie de Stop, nem que fosse temporário, na javardice que inunda a tela de fio a pavio. Borat começa a perder o gás mal este desembarca nos US. of A, e se os choques civilizacionais entre o primeiro e o terceiro mundo ainda suscitam alguns bons momentos de puro veneno cómico, à medida que o filme entra pelo interior do país, mais concretamente nesse espaço sulista tão fascinante quanto reaccionário, essa relação civilizacional esbate-se, dando tudo lugar a um aproveitamento( inteligente, em abono da verdade) da estupidez e conservadorismos boçais de uma parte do povo dos US. of A. Assiste-se, assim, a uma certa previsibilidade do discurso, e a partir de determinado momento vamos ficando com a sensação de que o melhor já aconteceu, que a comédia insultuosa reina non-stop. Debilidade por debilidade, prefiro um Tom Green ou um Jackass, que embora despidos da agenda política de Borat, conseguem ser um bocadinho menos lógicos e programáticos que o anterior. Bem mais brilhante a campanha de marketing do que o próprio objecto fílmico.
Tiago Ribeiro
www.miletalfilmes.blogspot.com |
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pmcferreroms@yahoo.com |
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«Borat, Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan» é a maior pedrada no charco do cinema politicamente correcto de que há registo na minha memória. De uma assentada, Sacha Baron Cohen (de ascendência judaica, portanto), escalpeliza e arrasa com os preconceitos rácicos, sexuais e demais. Comprova o paradoxo da sociedade norte-americana, que de tão permeável e polida, é ainda mais bárbara do que a Cazaqui (e nem sequer é subliminar essa perversidade em Borat). Compreendo a reacção anti- orat pelos excessos verbais e físicos, obscenos e primariamente mentecaptos, que não são para o comum dos estômagos. Não a compreendo se pretende definir Borat como «não cinema», e exemplo da morte anunciada da 7ª Arte, já que isso daria «pano para mangas», já que exemplos de colagens de «sketches» do modelo televisivo é coisa que não falta por aí, pasme-se, desde os primórdios da TV. Por sua vez, lembremo-nos que um écran negro com narração «off» foi já considerado como cinema de fino quilate ... coisa que colide com a própria de cinema como cenas animadas ou em movimento!
Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus |
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sombprov@hotmail.com |
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É engraçado ver que a única coisa que parece importar é a classificação da "peça" como cinema ou não.
Já ninguém quer saber do entretenimento. E é por isso que o cinema está a morrer, caro João Lopes. Não que eu acredite que está a morrer, mas por que quem o pensa, se calhar, já não lhe acha piada.
Saudações cordiais,
Vasco Gonçalves |
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dvcm76@gmail.com |
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Revelo desde já que considero Sasha Baron Cohen um comediante genial. Lembro-me de uma sua participação como “Ali G” no talkshow do veterano Michael Parkinson que me fez, literalmente, chorar a rir.
Por sua vez, a série televisiva que protagonizou (Ali G) provocava em mim sentimentos contraditórios. Se, por um lado, o inegável talento de S. B. Cohen conseguia fabricar momentos de incontida hilaridade, por outro, a baixa resistência que tenho a situações embaraçosas levava-me frequentemente a mudar de canal no segundo imediato a questões/comentários de natureza escandalosa ou irredimivelmente absurda colocadas por Ali G (ou Borat) aos seus entrevistados, com o fito de ser poupado às suas reacções de desconcerto e incredulidade. De facto, nunca fui adepto do sistema de “apanhados”, preferindo que as “vítimas” se encontrem preparadas de antemão (como foi o caso de Parkinson). Desta forma, são atenuados os efeitos surpresa/engano da representação cómica, emergindo o poder do talento puro como fonte principal do riso.
Refiro também que considero que conseguir conceber uma boa longa-metragem humorística seja um empreendimento muito difícil, dado que existe a expectativa por parte do espectador de que toda e qualquer cena ou linha de diálogo das personagens se revista do carácter cómico que permita a explosão da gargalhada que se encontra engatilhada. Esta expectativa obriga à manutenção de um ritmo imparável para que não haja quebras que possibilitem ao espectador escapar-se do universo de irrisão em que mergulhou. Assim, para conseguir este objectivo, parece-me que o enredo deste tipo de filmes deva ser pouco mais do que vestigial, funcionado como um ténue fio condutor através do qual se vão acumulando os sketches cómicos. Creio que a existência de um enredo propriamente dito actua em detrimento do impacto do filme cómico (veja-se o exemplo de “Bean”, protagonizado pelo talentoso Rowan Atkinson que, na minha opinião, não é mais de que uma penosa idiotice do princípio ao fim). Quanto a “Borat”, dado o seu carácter pseudo-documental, os seus autores não se preocuparam em inventar um enredo com preocupações de consistência, o que me pareceu acertado.
Entrando na análise de “Borat” e sendo este um filme cómico feito em tom documental, creio que para avaliá-lo seja necessário responder a duas questões:
1) Diverte?
2) Informa?
Começando pela última, considero que mesmo não tendo eu ilusões de vir a colher aprofundadas “cultural learnings” sobre os E.U.A., confesso que esperava um maior investimento no retrato cultural dos norte-americanos tradicionalistas e conservadores que habitam no sul do país e que votam esmagadoramente no Partido Republicano. Todavia, a opção parece ter sido, talvez devido ao primarismo da personagem Borat, por uma abordagem (excessivamente, a meu ver) superficial e caricatural. Na minha opinião, há apenas duas cenas que conseguem transmitir com eficácia a face mais inquietante dos E.U.A. A primeira é uma diatribe absolutamente estarrecedora, não só pelo seu conteúdo repugnante como pela sua naturalidade e convicção, proferida por um organizador de “rodeos”. Creio que raras vezes terão meros 20 segundos de discurso contido tanto racismo e homofobia como o deste energúmeno. A segunda decorre durante uma celebração religiosa praticada por uma denominação evangélica no estado do Mississipi. O genuíno fervor religioso emanado por alguns dos celebrantes, à beira do choro extático, deixou este agnóstico estupefacto. O folclore e a charlatanice pedem meças às denominações de origem brasileira que proliferam no nosso pais.
Relativamente à primeira e principal questão, devo dizer que “Borat” me divertiu bastante menos do que estava à espera. Considero o início do filme, retratando Cazaquistão, o seu melhor segmento, tendo tanto de politicamente incorrecto como, presumivelmente, de infundado. De entre os episódios passados em território norte-americano destaco a feroz batalha travada, em pêlo, entre Borat e o seu ursino companheiro de viagem Azamat, a qual começa no quarto de hotel, prossegue por corredores e elevadores do mesmo e culmina gloriosamente junto de um púlpito onde alguém importante se prepara para discursar para uma audiência selecta. Este delirante exemplo de comédia física é demonstrativo da imensa coragem de S.B.Cohen e da sua total entrega à personagem. Agradou-me especialmente na medida em que a humilhação é quase toda auto-infligida, não causando significativo embaraço a terceiros.
Existem outros momentos a que achei piada, dos quais destaco o da loja de antiguidades, o do albergue de beira de estrada gerido por um idoso casal de judeus e o do ritual de noivado à moda Cazaque a que é submetida Pamela Anderson.
Todavia, no cômputo geral, a impressão que me ficou sobre “Borat” foi de fragilidade e inconsequência. Embora aplauda S.B. Cohen pelo seu talento, destemor e engenho, parece-me que “Borat” está longe de ser bom cinema.
Dinis Mota
P.S.
Para uma opinião diferente da minha, por ser entusiasta dos méritos do filme e incomparavelmente melhor escrita e argumentada, recomendo a crítica de Dustin Putman no seu espectacular site themovieboy.com
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Um dos melhores filmes do ano.
Nunca ri tanto a ver um filme.
Foram 4 euros muito bem gastos.
Daniel Alvares |
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cinemanotebook@gmail.com |
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"Borat: Aprender Cultura da América Para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão” é estúpido? Sim. É um filme na verdadeira essência do termo? Não. Se é das obras mais hilariantes da última década? Definitivamente sim. De trazer as lágrimas aos olhos. E a meu ver, a uma boa comédia não deve ser pedido mais do que isso: eficácia de riso. Num mercado saturado de comédias leves e politicamente correctas (Will Farrell, Adam Sandler, Ben Stiller, Owen Wilson e por aí adiante...), em que tudo é mais do mesmo, “Borat” mistifica a criação de uma nova fronteira: a do absurdo inteligente.
Moralmente incorrecto, irresponsável tanto religiosa como etnicamente, Borat Sagdiyev (o inglês Sacha Baron Cohen, também conhecido pela sua personagem Ali G) é um repórter cazeque enviado para terras do tio Sam, com o objectivo de documentar para a televisão do Cazaquistão o “maior” país do mundo. Mas acaba por se apaixonar por C.J, das Marés Vivas e a focar a sua viagem nesse mítico símbolo americano que é Pamela Anderson. Básico (muito devido ao choque de culturas) mas hilariante, simpático mas cruel, fictício mas a demonstrar a triste realidade (vejamos o cowboy de rodeo a falar sobre estrangeiros), Borat transforma o que antes era vergonhoso e extremo falar e brincar em saudável e natural. Sem medos.
E porque é que “Borat” é tão eficaz a fazer rir? Porque a própria realidade é o melhor suporte para qualquer comédia. Por mais falso e exagerado que o humor seja, é baseado em pessoas reais, em preconceitos naturais, em provocações existentes. Ao contrário do que muitos podem pensar, quem é “gozado” são os americanos e não tanto os habitantes do Cazaquistão. Estes são apenas esteriótipados, correcta ou incorrectamente, através da figura de Borat. Personagem falsa, logo não tão grave como as reais barbaridades que vemos acontecer na “terra dos sonhos”.
Em suma, “Borat” é um falso documentário, por vezes repugnante e ofensivo, mas que faz rir do princípio ao fim. Faz rir porque é ingenuamente real e não tem preocupações com nada nem com ninguém. Uma comédia de embaraço para ser visto com os amigos. Mas não, não é só para rir. Em muitas cenas, é para pensar também. Pensar como é que o ser humano, por mais informado que seja, em tantos lados, pode ser tão simplório e ignorante.
Miguel Reis
http://cinemanotebook.blogspot.com |
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Miguel Ferreira |
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| Este Sacha Baron Cohen é um anarca que tem a mania que é esperto. O que o Cazaquistão e a Roménia em vez de criticarem deviam era ter colocado sites na net com o download do filme em alta qualidade para que ninguém precisasse comprar o filme. E aí gostava de ver a cara do Cohen para ver se também acha piada quando é ele o humilhado. |
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rtoliveira75@gmail.com |
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Não entendo porque é que, para algumas pessoas, este filme em particular não pode ser considerado cinema? De vez em quando sabe bem não nos levarmos tão a sério...
No meu caso, que me considero um cinéfilo e verdadeiro amante do cinema, diverti-me imenso e soltei genuínas gargalhadas com as situações criadas e vividas pelo personagem Borat, muito bem interpretado por Sacha Baron Cohen.
Há todos os anos muitos outros filmes supostamente cómicos (sobretudo americanos) que não conseguem passar da mediocridade a nível de argumento e gags, porque não inovam.
Pelo menos aqui, os responsáveis do filme tiveram uma ideia interessante, de o transformar numa `suposta` reportagem de um repórter de um país para tanta gente pouco conhecido, como o Cazaquistão.
O resultado é indiscutivelmente hilariante, pelo contraste entre os pseudo-costumes desse país, com os costumes e modo de vida americano e, claro, pela reacção das pessoas envolvidas (americanos) a comentários e acções do protagonista, alguns deles verdadeiramente incríveis e ultrajantes...
Quem gostar de humor negro (110% politicamente incorrecto!), do mais corrosivo e satírico possível, com situações que nunca imaginaríamos ver no quotidiano (bem enquadrado, já que se trata de um pseudo-documentário), muitas vezes roçando o ultrajante e até o escatológico, deve ir ver este filme porque se vai divertir certamente.
Quem não gostar deste tipo de humor, não vale a pena sequer entrar na sala, pois arrisca-se a ficar chocado e desconfortável com muitas situações, ou a ficar incomodado com a gargalhada descontrolada do espectador ao lado...
Rui Oliveira |
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josemanuel.lopes@gmail.com |
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Não entendo o alarido à volta deste filme (será que isto é cinema?), terei sido o unico a sair da ante-estreia no São Jorge, sem ter dado uma uníca gargalhada?
Será este o caminho que a Sétima arte nos reserva?
Eu acho que não, porque no meu ver «Borat» não é, nem nunca será cinema.
Uma questão pertinente, este filme teve cerca de 10 ante-estreias (na grande Lisboa), e a mesma distribuidora mal promoveu o filme "Colisão" que acabou por ser premiado com o óscar de melhor filme, será que com esta promoção estão à espera de ganhar o óscar "especial" de melhor comédia???
assim vai a promoção da 7ª Arte em Portugal...
José Lopes |
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gpedrofonseca@hotmail.com |
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Filme genial. Sacha Baron Cohen genial. Este suposto documentário, todo ele com imagem algo turva, sem tratamento, para dar ênfase à falta de recursos e ao atraso, em especial, do Cazaquistão, está hilariante. Desde a apresentação por parte de Borat do meio em que vive, até ao seu comportamento e peripécias em solo americano. Mas o objectivo não é só fazer rir. Está também sempre presente uma certa crítica social aos Estados Unidos e a algumas das suas leis e costumes. Mas claro que tudo isto só é hilariante por estar à frente das câmeras Sacha Baron Cohen. Esteve brilhante.
Nota: 17
Pedro Fonseca
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JORGE PINTO |
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Após a sua estreia mundial no festival de cinema de Toronto, «Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão» tem sido alvo de todas as atenções dos media, desde a imprensa de cinema até às redacções de política internacional. Este personagem fictício (Borat), que é bastante credível para aqueles que não conhecem o génio cómico de Sasha Baron Cohen, o autor/actor que interpreta o popular repórter do Cazaquistão, tem causado mal-estar nos meios políticos desta ex-república da União Soviética. O embaraço advém do ridículo das situações criadas por este personagem dum Cazaquistão feito a sua medida.
Foi através do seu programa na televisão britânica («The Ali G Show») que Cohen estreou o personagem. O repórter ficcional desenvolvia reportagens divertidas, baseadas no paradoxo de costumes, criando autênticos gags humorísticos que não necessitavam de guião. Na sua estreia cinematográfica, «Borat» utiliza a mesma técnica, mas com diferentes intervenientes, tomando de assalto os Estados Unidos. Neste percurso costa a costa, continua a assistir-se ao confronto entre o ficcional (o repórter) e o real (os entrevistados): o repórter exibe os pseudo-costumes do Cazaquistão (desprezo pelas mulheres, medo dos ciganos, anti-semitismo) face ao cidadão americano. O resultado é surpreendente: encontra-se no filme posições dos americanos que são em tudo similares às de Borat, o que é curioso e, é claro, hilariante. À excepção de Borat, os aldeões e o seu produtor, os outros participantes (os americanos) foram "apanhados": as intervenções das pessoas reais que aparecem pensando estar a participar num documentário revelam aspectos da sua verdadeira personalidade.
O filme não utiliza nenhuma fórmula revolucionária de fazer humor. A técnica de colocar pessoas reais face a situações inesperadas sempre provocou o riso no espectador. Aliás, Cohen usou-a em «Ali G», que foi uma desilusão porque o personagem não se conseguiu impôr fora do quadro televisivo. Agora, a passagem dos gags televisivos para uma longa-metragem funcionou, pois o realizador e o autor conseguiram, através da abordagem da criação de um documentário sobre os costumes do povo americano e a colagem de um "vídeo jornal" do repórter Borat, garantir a credibilidade necessária para fazer o filme funcionar dentro e fora do ecrã para muitos espectadores.
A genialidade de «Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão» passa pelo argumento, mas também pela forma como Sasha Baron Cohen o construiu com escassos recursos. O objectivo está ganho: para o espectador as gargalhadas proliferam com fartura e compensam o ingresso no mundo louco de Borat.
Jorge Pinto |
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