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Candy
Título original: Candy
Realização: Neil Armfield
Intérpretes: Heath Ledger, Abbie Cornish, Geoffrey Rush, Tony Martin, Noni Hazlehurst, David Argue, Paul Blackwell, Tom Budge, Jason Chan, Nathaniel Dean, Tara Morice
Austrália, 2005
Estreia: 27 de Julho de 2006
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João Lopes | Média dos Espectadores |
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Candy (Abbie Cornish), uma jovem artista, e Dan (Heath Ledger), um poeta, estão profundamente apaixonados. O amor entre os dois é tão forte que nada os poderá separar. Consumidores de heroína, vêem na droga uma extensão do estado de espírito que ambos partilham; uma extensão do amor.
Mas à medida que Dan e Candy se isolam do mundo e se alienam da realidade, a dependência da droga aumenta também. Casados e sem dinheiro, o mundo dos dois sucumbe a uma espiral de desespero e auto-destruição.
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* Baseado no best-seller de Luke Davies.
* Heath Ledger, Abbie Cornish e Geoffrey Rush no CINEMA2000. |
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João Lopes
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| Eis um caso paradoxal de abordagem de um episódio extremo de consumo de drogas: por um lado, o filme vive de uma fixação obsessiva nos seus protagonistas, nessa medida tirando o melhor partido da vibração dos actores principais, Abbie Cornish e Heath Ledger (ela sempre melhor que ele); por outro lado, há na dramaturgia do filme um determinismo pesado que faz com que tudo pareça depender da "confirmação" de factos que, em boa verdade, estão anunciados desde as primeiras cenas. Um destaque: o excelente trabalho de iluminação que sustenta a direcção de fotografia de Garry Philips. |
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Miguel Lopes |
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aquela imagem inicial, onde tudo parece puder existir dentro daquela centrifugadora humana, não me sai da cabeça.
sem dúvida, do melhor cinema contemporâneo que tive oportunidade de assistir até hoje. todos os pormenores são fascinantes, todos os pequenos passos dos actores nos parecem tão reais que até arrepiam.
um grande destaque para a direcção de fotografia, e uma salva de palmas para a realização desta pequena pérola cinematográfica. |
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Once upon a time there was Candy e Dan |
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| "Candy" a contradição de algo tão doce e a intensidade das drogas, no qual uma precisa da outra. O amor é tudo...é lindo e verdadeiro mas seus desesperos vão ao extremo testando eles mesmo. O filme mostra até onde o ser humano é capaz de chegar para apreciar suas necessidades. As atuações são dignas das situações em que vemos a votande de viver com um amor. Apenas isso,apenas um sentimento. Infelizmente este se depara com uma decadência triste, mas se pensarmos bem "a única alternativa" para fugir daquele mundo. Drogas. São elas que amenisam seus dias, que mesmo assim não deixam de serem lindos e amorosos. O filme é doce e não precisa de cenas com grandes mensagens de amor pois apenas no olhar e sorrisos com a musica de “Song to the Siren” é possivel transmitir o principal:amor Não há o que julgar apenas a realidade. Esta podia não existir. |
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Aurea Gontijo |
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| Candy é um relato poético,sincero e pertubador sobre os efeitos da mortal droga heroína.Se a proposta do filme é alertar os usuários e não-usuários cumpriu o seu intento.Destaque para as atuações brilhantes dos protagonistas.A cena final foi sublime. |
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Robson Prybecz |
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| Um filme belíssimo, atuações excepcionais de Ledger e Cornish. |
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gonn1000@hotmail.com |
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(MAIS UMA) VIAGEM AO MUNDO DA DROGA
Do cinema australiano não há grande tradição de estreias em salas portuguesas, mas ocasionalmente vão chegando alguns exemplos dessas paragens. É o caso de "Candy", de Neil Armfield, drama que segue o percurso autodestrutivo de um jovem casal toxicodependente, testemunhando a passagem de uma fase de experimentação e hedonismo para uma dolorosa situação de fragilidade física e emocional.
História de amor atormentada pelas consequências do vício, o filme evita, felizmente, um posicionamento moralista, que poderia delimitar um argumento centrado na dependência das drogas, mas tal não invalida que não seja prejudicado por outros elementos.
Embora não julgue as suas personagens nem apresente respostas fáceis ou tendenciosas aos seus dilemas, "Candy" perde o rumo ao assentar num argumento pouco ambicioso, sem surpresas, que apenas revisita territórios já muitas vezes percorridos noutras películas sobre o mesmo tema.
O ritmo, não raras vezes arrastado, também faz com que estas duas horas ofereçam níveis de entusiasmo irregulares, assim como algumas sequências vincadas por um dispensável histerismo, com uma gestão dramática de gosto duvidoso (nomeadamente em certas cenas com a família da co-protagonista).
Contudo, "Candy" não deixa de ser uma experiência possuidora de alguns méritos, com destaque para a direcção de actores, onde constam Heath Ledger (competente, a seguir as boas pistas deixadas em "O Segredo de Brokeback Mountain") e Abbie Cornish (a actriz do belíssimo e também australiano "Salto Mortal", mais uma vez espontânea e luminosa), que compõem o par principal, ou Geoffrey Rush, num pequeno mas relevante papel.
A realização de Neil Armfield revela-se inspirada a espaços, como na sequência inicial, no parque de diversões, ou nos momentos mais agonizantes vividos pelo casal, e a união entre a imagem e a música (a cargo de nomes como Tim Buckley, Amon Tobin ou Soul Coughing) proporciona episódios com atmosferas envolventes e palpáveis, num intrigante misto de realismo e onirismo (por vezes próximas das de "Salto Mortal", ainda que não tão conseguidas).
Dificilmente acrescentando algo a uma temática já sobre-explorada, tanto no cinema ou noutros domínios, "Candy" não arrebata mas é uma proposta aceitável, que vale sobretudo pela descoberta de um realizador que poderá fazer melhor no futuro e pelo acompanhamento de dois jovens actores em ascensão. Não é muito, mas também não desmerece alguma atenção.
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com |
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almeida_rita@sapo.pt |
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CANDY
de Neil Armfeld
Candy (Abbie Cornish) e Dan (Heath Ledger) entram numa centrifugadora humana num parque de diversões. A lei natural da gravidade é desafiada ao som de “Song to the Siren” na voz de Paula Arundell e percebemos que a sua paixão está, também ela, liberta de leis. Responsabilidades e consequências não entram na equação da jovem pintora e do poeta. Candy e Dan estão viciados um no outro, e estão também viciados em heroína. Quando a droga e o dinheiro começam a escassear dá-se início a uma espiral descontrolada, porque ela é a razão dos seus dias.
“Candy”, baseado no livro de 1997 de Luke Davies, co-argumentista, é uma história crua e brutal sobre o efeito devastador das drogas. Desde os estados idílicos assustadoramente sedutores (um deles musicado com “Sugar Man”, de Sixto Rodriguez) até à auto-destruição, passando pela dor da desintoxicação e pelo sofrimento impotente da família.
Mas “Candy” é também uma viagem de amor. Candy e Dan mantêm-se juntos através de todos os obstáculos, desde a invencibilidade até à completa fragilidade. Os pais de Candy acompanham, impotentes, a desintegração do futuro da sua filha, a mãe (Noni Hazlehurst) oscilanndo entre o receio e a crítica, o pai (Tony Martin) calando a dor. Todos eles passam pelo “Céu”, pela “Terra” e pelo “Inferno” (as três partes em que o filme se divide) através de difíceis escolhas.
Neil Armfeld não doura a pílula nem lança julgamentos e num filme triste, perturbante e até repugnante, consegue a proeza de acordar em nós um profundo carinho por todas estas personagens desesperadas. Seria fácil desprezar Dan pela sua influência em Candy, mas Ledger, mostrando mais uma vez a sua versatilidade, evoca a compaixão que votamos às almas perdidas. Abbie Cornish, pelo seu lado, revela enorme entrega e honestidade na sua Candy. A química entre os dois é igualmente poderosa. Geoffrey Rush merece uma referência equivalente, como Caspar, um professor universitário de química, uma figura paternal para Dan e seu mentor no hedonismo das drogas.
A negação – constante – do impulso para o prazer destrutivo, resistir à sedução dos antigos demónios, a verdadeira redenção em “Candy” é recuperar o amor. Neste caso, o amor-próprio.
E o ciclo fecha-se, quebrado, com “Song to the Siren”, no original arrepiante de Tim Buckley.
RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/
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marta.veloso@netcabo.pt |
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Com a crescente influência dos actores australianos em Hollywood, o cinema australiano (e neozelandês) tem beneficiado de uma maior visibilidade a nível mundial. E pelo que se tem visto, existe um claro interesse no cinema deste país pelo realismo social. Candy é disso exemplo.
Dan (Heath Ledger), um poeta, apaixona-se por Candy (Abbie Cornish), uma estudante de arte, a quem acaba por arrastar para o mundo da heroína. A necessidade que têm um do outro é tão grande como a que têm da droga, e aquilo que ao princípio era genuína felicidade e amor incondicional transforma-se a pouco e pouco numa espiral de violência psicológica, autodestruição e desespero.
Como todos os filmes que já trataram do problema da droga, Candy tem os clichés do costume e até uma história algo banal. Mas apesar da medianidade, há algo no filme de Neil Armfield que toca o espectador. Talvez seja a sensibilidade das personagens ou a semelhança com a vida real, mas é difícil não sentir nada ao ver este filme.
As personagens são, de facto, o que mais se destaca neste filme. Heath Ledger mostra-se como o grande actor que é e prova que Brokeback Mountain não é um acidente de percurso. Mas quem realmente se destaca é Abbie Cornish, uma jovem actriz australiana de quem muito já se tinha falado em Sommersault e que aqui revela todo o seu talento. Ledger e Cornish são responsáveis pelos momentos mais marcantes e emotivos do filme, deixando que as suas personagens cresçam com o filme e tornando a interpretação cada vez mais intensa.
Aos momentos de grande intensidade dramática, Neil Armfield soube juntar uma brilhante banda sonora que, tal como as personagens, vai perdendo a ingenuidade do inicio do até atingir o desespero e a inquietação à medida que se aproxima do fim.
Divertido por momentos, dramático quase sempre, mas sempre real, Candy é daqueles filmes que, sem nunca chegar a ser brilhante, nos marca, sem que o consigamos tirar da cabeça durante vários dias.
Marta Veloso
www.matine.blogspot.com
www.movie-stuff.blogspot.com |
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JORGE PINTO |
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«Candy» é um registo de 2006, proveniente da Austrália, e comprova a força do seu cinema. Uma produção que é de corpo e alma um produto da terra dos cangurus, desde a sua fonte de inspiração, proveniente do livro Candy (1997) de Luke Davies, passando pela realização de Neil Armfield, que é um premiado encenador teatral na Austrália, até aos actores de primeira linha, Geoffrey Rush (Casper), que está igual a si mesmo, e Heath Ledger (Dan), que regressa ao cinema australiano após inúmeras produções em Hollywood, incluindo o sucesso de «O Segredo de Brokeback Mountain». Num papel central, Abbie Cornish, a jovem que arrecadou em 2004, merecidamente, vários prémios da industria australiana pelo seu papel no filme «Salto Mortal» (disponível em DVD em Portugal), e que volta a imprimir uma grande performance no papel de Candy, a principal protagonista do filme.
Esta harmonia na produção made in Austrália produz um «Candy» delicioso. É certo que a sua narrativa não contém surpresas. Trata-se de uma história repetida, recorrente em outros registos. Mas também não é menos verdade que é um mimo visionar a força de interpretação deste elenco; a realização, por vezes obsessiva, foca as fortes dependências/vícios do amor e da droga que provocam a combustão desta relação. Armfield capta tudo, incluindo as zonas cinzentas na vida deste casal toxicodependente (Candy e Dan). Encontra-se espaço neste romance, feito de momentos altos e baixos, para algum humor; estes momentos são bolsas de ar que permitem alguma descontracção para as sequências mais fortes que surgem logo de seguida. O ritmo é incessante e quem se deixa absorver por esta espiral descendente nem se apercebe que duas horas passaram a correr. Um óptimo exercício de cinema, uma verdadeira história de amor para um filme honesto.
3.5 em 5
Jorge Pinto |
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