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Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto
Título original: Pirates of the Caribbean: Dead Man`s Chest
Título (Brasil): Piratas do Caribe: O Baú da Morte
Realização: Gore Verbinski
Intérpretes: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Bill Nighy, Stellan Skarsgård, Jack Davenport, Kevin McNally, Naomie Harris, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, David Bailie, Martin Klebba
Estados Unidos, 2006
Estreia: 20 de Julho de 2006
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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Eurico de Barros
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O texto seguinte foi publicado no suplemente 6ª do jornal Diário de Notícias de 21 de Julho de 2006.
Capitão, tem uma lula na cara
O que é que o pirata tem? Tem um jeito estranho de andar, tem uma maneira cómica de fugir, tem uma maneira patusca de se exprimir, tem um estilo esquisito de jogar à espada, tem dreadlocks de música rasca e não tem jeitinho nenhum para ser herói. Pode ser, mas Johnny Depp transformou o capitão Jack Sparrow no pirata mais popular do cinema, ao compô-lo, em «Piratas das Caraíbas: A Maldição do Pérola Negra» como uma mistura de anti-Errol Flynn, de versão flibusteira de Keith Richards e de figura de pantomina, ajudando decisivamente ao êxito tão descomunal como inesperado do filme de Gore Verbinski, também ele um compósito: parte fita de piratas "à antiga", parte gozo slapstick ao género, parte filme fantástico.
Pela lógica industrial de Hollywood, tinha de haver uma continuação (que será uma trilogia), e ela tinha que ser maior e mais espectacular do que o original. Meu dito, meu feito. «Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto» não mexe na receita do primeiro filme, duplica a parada do aparato, dá mais que fazer ao vacilante Jack Sparrow e carrega na carga fantástica, pondo em cena não só o sobrenatural capitão Davy Jones, que tem uma lula em vez de cara, mais a sua tripulaçao, uma mariscada humana e zombie, como também o mítico Kraken, um mostrengo cefalópode. «O Cofre do Homem Morto» é menos aerodinâmico e um bocadinho mais complicado do que «A Maldição do Pérola Negra», mas nem por isso deixa de ser o melhor porto cinematográfico do Verão na categoria blockbuster. |
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João Lopes
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| Perdida a dimensão caricatural do primeiro episódio da série (desta vez, a personagem de Johnny Depp tem muito menos peso), "Piratas das Caraíbas" transforma-se em mais uma franchise a passar para o domínio da pura repetição de "atracções", como num circo luxuoso, mas sem imaginação... Chega a ser penoso observar como a invenção (?) do "polvo gigante" se transforma numa gadget de recurso que o filme repete, repete e repete, tentando disfarçar a ausência de genuínas ideias de espectáculo. Saudades de Errol Flynn, da sua elegância e da sabedoria narrativa dos seus filmes... |
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InesSilvaSoares@sapo.pt |
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eu acho que os críticos de hoje em dia já não são o que eram. Aos Piratas das Caraíbas - O Cofre do Homem Morto disseram que tinha várias voltas desnecessárias... muito pelo contrário! essas voltas são meios seguros para divertir o público.
E os críticos, esses, deviam ser espectadores em vez de ir ver o filme só para fazer críticas positivas ou negativas. Se os críticos vissem os filmes do ponto de vista do espectador... Ah, como o mundo seria perfeito!
O meu comentário aqui não é criticar os críticos, mas criticar o filme. Acho que é um óptimo filme, com muito humor e aventura, e com mais acção que o primeiro. Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley e Jack Davenport estiveram no seu melhor neste filme.
Muito obrigado, Inês Soares |
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O comentário imediatamente a seguir, de Cátia Santos, contém pormenores sobre o fim deste filme.
CINEMA2000 |
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catiasantos609@hotmail.com |
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Eu sou muito sincera... se há coisa que detes-to nas Triologias cinematográficas é que, o mais próvavel, e que ao sair da sala de cinema fico tremendamente desiludida com o final.
No primeiro filme, Piratas das Caraíbas e a Maldição do Pérola Negra, o fim foi... satisfatório... mas no segundo filme eu sai da sala com vontade de apertar o pescoço do Gore Verbinski (o realizador)... o filme acabar assim, depois do cativante capitão Jack Sparrow ter sido engolido pelo polvo gigante!
Á parte disso, este segundo filme foi na minha humilde opinião mais rico em momentos de "acção espetacular" e comédia louca (aquela parte em que resgatam o Jack Sparrow dos canibais está 5 estrelas... ).
A verdade que ninguém, no final de contas, pode negar é esta: o fim abrupto e insoso do segundo filme abre o nosso apetite para o terceiro, que espero sinmceramente estrear brevemente...
Cátia Santos |
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Mmonica_mateus25666@sapo.pt |
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Antes de mais nada quero dizer que este deve ser o filme mais engraçado de 2006. Não se compara em nada com outros filmes comicos. é o melhor filme de comédia, acção e aventura deste ano. Bastante melhor que o 1º, e o 3º deve ser melhor ainda. Grandes efeitos especiais, banda sonora, realização e com um elenco espectacular, com Johnny Depp no seu melhor. Orlando Bloom e Keira Kinghtley estão bestiais neste filme. Fico a espera do 3º com muita ansiedade de dar umas boas risadas.
Mónica Mateus |
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CINEMA2000 |
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fredericoguedes@portugalmail.pt |
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´"Não há duas sem três!"- diz o povo.
Neste caso deveriamos ter sido poupados à 2ª quanto mais termos que aguardar pela 3ª para ... confirmarmos que a maioria das sequelas são mesmo do piorio. Excepçaõ feita a alguns clássicos, é evidente.
Até o Johnny Depp vai ao fundo e ele era das únicas coisas boas do 1º.
Nesta sequela ou será prequela da sequela 3 apeteceu-me sair a meio, facto que já não me acontecia há muuuuiiitos anos. |
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embora o primeiro filme tenha sido melhor, não acho que este tinha sido assim tão mau. É claro que a grande diferença de um para o outro é que já não existe aquela supresa da personagem do Johnny Depp,Jack Sparrow.
Mas é um optimo filme de entretimento.
Laura caçoeiro |
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samuelesteves@sapo.pt |
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Piratas ou Matrix?
Como sabemos a obra «Piratas das Caraibas - A Maldição do Pérola Negra» deixou a fasquia bem alta, dando a Johnny Deep o reconhecimento do público e crítica, mas para mim já era um enorme actor.
Nesta sequela o papel Jack Sparrow já não tem o peso que catapultou o filme ao sucesso, dando protagonismo a Orlando Bloom, a meu ver logo aí peqou.
O argumento enrrola, enrrola, enrrola e não chega a lado nenhum, há cenas que bem podiam ser cortadas e em uma hora e meia chegava para chegar ao fim que teve.
Eu digo Matrix ou Piratas devido ao parentesco em que coincidem, o primeiro um enorme sucesso e grande argumento e as sequelas deixam a desejar. Tudo isto se vai passar com os Piratas, que já no argumento tem tópicos de Matrix.
Resumindo, estamos a ver outro fenómeno Made in Matrix para passar a Made in Piratas
Samuel |
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almeida_rita@sapo.pt |
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PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MAN`S CHEST
de Gore Verbinski
“Pirates of the Caribbean: Dead Man`s Chest” começa onde “Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl” (2003) tinha ficado. Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) são presos por terem ajudado Jack Sparrow (Johnny Depp) a escapar da sua execução. Cutler Beckett (Tom Hollander), um caçador de piratas ao serviço da Companhia Inglesa das Índias Orientais, propõe a Turner salvar a sua vida e a da sua amada, se conseguir encontrar Sparrow e trocar um persão oficial pela bússola mágica de Sparrow. Mas Sparrow tem problemas mais graves, nomeadamente, a sua longa dívida com o lendário Davy Jones (Bill Nighy), o capitão do navio fantasma The Flying Dutchman. Os três heróis são conseguirão salvar-se se encontrarem a chave do baú que contém o coração de Davy Jones.
O excêntrico pirata Jack Sparrow é uma das mais deliciosas personagens provenientes da Disney (“Pirates of the Caribbean” é inspirado numa atracção do seu parque temático). O seu charme, a sua ambiguidade sexual, a sua moral volátil, o seu egoísmo congénito e o talento transbordante e entrega sem reservas de Johnny Depp continuam a fazer valer a pena esta aventura.
Neste caso, adicione-se ainda o belíssimo design de produção de Rick Heinrichs, o maior tempo de antena da deliciosa dupla de Pintel (Lee Arenberg) e Ragetti (Mackenzie Crook), e Bill Nighy como o vilão Davy Jones, e um rol de inúmeras superstições.
Apesar de tudo isso, a história desta sequela é consideravelmente mais fraca que a do primeiro filme e, intermitentemente divertido, acaba por tornar-se demasiado longo (150 min.), sobretudo nas sequências do barco fantasma com a assustadora tripulação de zombies de feições e corpos fundidos com seres marinhos como polvos e corais e que, longe de essencial para o enredo, se parece mais a um mostruário técnico.
À semelhança do coração instável de Jack Sparrow, “Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest” não consegue decidir-se para onde quer ir, para prejuízo das diversas linhas de narrativa, como é o caso da relação de Will Turner com o seu pai, `Bootstrap` Bill Turner (Stellan Skarsgård).
“Pirates of the Caribbean: Dead Man`s Chest” termina exactamente onde começará “Pirates of the Caribbean: At World`s End” (2007). Mas, nem que seja apenas para ver uma vez mais Johnny Depp a divertir-se desta maneira, contem comigo.
RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/
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CINEMA2000 |
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syrus_19@hotmail.com |
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| poderia ser melhor .mas johnny depp com grande papel novamente ,sempre em grande destaque .esperamos pelo 3 . |
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CINEMA2000 |
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dt.tavares@yahoo.com |
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| Jonnhy Depp tem aqui um dos seus melhores personagens, Jack neste filme transformou-se num enigma, o pacto com Davey Jones, o aparecimento do pai de will Turner, mas o deiquilibrio do início podia ter deitado tudo a perder, mas a narrativa estava bem preparada e, infelizmente previsivel, no fundo um bom filme mas muito à conta de Depp. |
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pedromsandré@clix.pt |
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Sequela à altura do primeiro, este "Pirata das Caraíbas" cumpre perfeitamente a sua principal função que é entreter.
Com um aumento de comicidade na personagem de Johnny Depp e uma banda sonora mais poderosa, foi criado um filme mais envolvente que o primeiro, embora com argumento menos bem estruturado.
Um filme adequado ao espírito de férias.
Pedro André
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mariabita@hotmail.com |
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Não é fácil fazer uma triologia.A temática usada nem sempre é a melhor nem a mais fácil para tal, no entanto este segundo "Piratas" segue a linha do primeiro - Puro entertenimento.Embora com mais efeitos especiais (o que é natural, pois a evolução cinematográfica assim o permite)não deixa de nos levar novamente para um mundo de fantasia, onde a irrealidade dos personagens nos permite o envolvimento ao fantástico do que o filme nos transmite.
A história desta sequela pode não ser tão rica como a do primeiro mas o crescimento dos personagens é bem visivel, mostrando-nos um Jonny Deep mais estravagante e excentrico, que nos deixa completamente presos á interpretação brilhante e tão pessoal e um Orlando Bloom mais maduro e seguro do seu persomagem, Tendo evoluido significamente neste segundo filme.
Gostei pois permitiu-me a umas horitas de puro entertenimento e boa disposição desde o primeiro ao ultímo momento.Vamos esperar pelo terceiro e encontraremo-nos novamente.Até lá...bons filmes.
C.G.D. |
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jmiguelcine@hotmail.com |
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Há quem diga, e esta discussão não é nova, que o cinema narrativo está a acabar. Há quem diga que todas as histórias já foram contadas. Há também quem diga que, por isso, os filmes que vemos hoje não serão mais do que simulacros de outros filmes, de outras histórias. Como eu sou relativamente novo, sei que, mesmo que viva até aos 100 anos, nunca vou ver todos os filmes que se fizeram em todo o mundo. Sei, no entanto, que ainda gosto de ver películas que, desde o primeiro plano, já sei como vão acabar. A questão não é, muitas vezes, a previsibilidade da narrativa. O foco importante é, no meio desse “embrulho”, existirem personagens interessantes ou não.
Este “Piratas”, infelizmente, só me fez recordar que, às vezes, parece que o cinema narrativo de hoje, é apenas um deposito para efeitos especiais e para umas quantas piadas. Acreditem, nem este filme, nem o primeiro, mudaram a história do cinema, mas ambos, também, não nos fizeram, ou fazem neste caso, crer que a narrativa, que é uma nobre arte, estar-se-á a aprimorar. Porquê? “No caracters”.
É curioso e, porventura, certas pessoas irão realçar isso, se é que já não o fizeram: este filme tem um “plot” um bocadinho mais complexo que o do primeiro “Piratas”. Mas a sua transposição para o écran, através da realização é desarmante. Verbinski faz uma coisa que é tão simples, mas tão boçal como isto: filma as cenas de uma forma tão igual, sempre com grandes planos ou com planos de peito, que, percebemos, afogam o espaço do qual nós nunca temos informação. Porquê? Aqui, é que a porca torce o rabo. Parece que ele, ao filmar, sobretudo, a face dos actores, está a preocupar-se com as personagens. Certo? Errado. Elas apenas debitam informação relativa ao avanço da narrativa, o que, vistas bem as coisas, até é normal. O problema é o “apenas”. Eu explico: essa informação não pode servir “apenas” para fazer desenrolar o “plot”. As próprias personagens tem de se desmarcar, desenvolver, caracterizar, em suma, também através daquilo que dizem. Aqui, nesse sentido, nunca somos confrontados com nenhum tipo de emoção, nem nenhum tipo de empatia com os humanos. Parece que eles estão ao serviço de uma máquina pesada que almeja episódios com índios totós, seres com lulas em vez de caras, polvos gigantes, e blá-blá-blá. E os grandes planos, para que servem?
“Flasback”- Griffith, que os inventou, deve estar a dar voltas na tumba, ao ver como eles são utilizados nos dias de hoje. No seu tempo, o grande plano foi uma criação que permitiu ao cinema, de uma vez por todas, afastar-se dos conceitos do teatro e dos planos de conjunto, à boca de cena, enquanto os actores, vistos como se estivéssemos a assistir a uma peça teatral gritavam, menos esta, porque o cinema era mudo, e esbracejavam, mais esta, porque o cinema era... mudo. Também permitiu a noção de que a câmara, abandonando a posição central costumeira, finalmente se permitisse a esboçar ângulos a três quartos, porque, evidentemente, o actor ao não poder olhar para a câmara teria de olhar para o lado, o que fazia com que os técnicos, ao manusearem o tripé, pudessem começar a escolher cantos e não centros. Para além disto tudo, o grande plano foi uma criação que permitiu que o espectador percebesse o que a personagem sentia, no seu âmago, através do olhar. Esta escala de câmara, isso nota-se a léguas, teve a sua razão de ser, exactamente porque o cinema era silencioso. Isto é: “se não falas, olhas.” E, claro, era um “device” extremamente narrativo. Conta-se, vendo-se a pessoa e o seu rosto.
“Flashforward”- Como é que Verbinski utiliza o grande plano? Utiliza-o sempre na óptica das “talking heads”. As personagens falam e falam e falam. apenas debitando “set ups” para o “plot”. Nada mais. Porque é que, então, observando o vazio que por aqui gravita, o realizador utiliza tanto este registo de imagens? Não sei, vou divagar, mas se calhar, pelos mesmos motivos que fazem com que os realizadores de televisão utilizem este esquema, como sistema de rodagem. Se calhar, querem dar ao espectador o culto pelo actor, como os brasileiros fazem nas suas novelas ou, porque sendo mesmo uma “novela”, temos sempre a tendência para achar que, sendo as personagens o mais importante, focamo-nos nelas. O problema é o vazio de sentimentos ou a aridez de complexidade. Para quê estarmos perto delas, se aquilo que nos expressam é zero? Bom, talvez porque, e vê-se isso em debates televisivos, a noção de proximidade nos seja mais aprazível e tranquila do que o afastamento. Aquilo que os interlocutores debatem até pode ser fraco, mas estando “perto” do espectador podemos concentrarmo-nos na gravata daquele, no penteado daquela, no suor do outro e marimbarmo-nos para a discussão. Por isso, e porventura, hoje em dia, apenas olhamos e não observamos. Quando não vemos o imediato, sentimo-nos perdidos. Pronto, Verbinski faz isso. Dá-nos o ser humano. Olhamos para ele. O que não quer dizer que ele tenha algo de “diferente” para nos convidar a estabelecer uma relação.
Começo, aos poucos, a perceber César Monteiro que tinha um exasperante desprezo pelo grande plano. Não é que João de Deus, como personagem, não tivesse um certo carisma, mas filmado sempre ao longe parecia-se possuído de uma grandiosidade que nos interessava, mesmo que estivesse a fazer as coisas mais porcas que se pode fazer. Ou como os nosso instintos mais primários podem ser grandiosos, porque vistos à distância. Talvez o futuro da narrativa arquétipal cinematográfica tenha mesmo de passar, através da sua expressão visual, pelo uso, cada vez maior, da abertura de espaço que sirva um pseudo- propósito de utilizar, quiçá, o “Scope”, porque, hoje em dia são muitos poucos aqueles que sabem utilizar grandes planos, sabendo exactamente que eles deverão ter um ritmo próprio, juntamente com outras escalas que se poderão juntar, na sala de montagem. Aliás, falando do “Widescreen” deste filme, só podemos abismarmo-nos por nunca Verbinski o utilizar plenamente. Uma das coisas que pensei, antes de entrar no cinema, foi: “bem, ao menos que se veja mar, praia e florestas em grande.” Isso, só lá para o fim é que aparece um bocadinho, permitindo que o filme respire depois do afunilamento de caras mal filmadas e efeitos especiais de grandes volumes, tentando o realizador passar a ideia que o plano, como objecto de trabalho, apenas existe para sustentar o peso de um conteúdo digital.
Não se pense que, para mim, “Piratas das Caraíbas” seja a pior coisa que o cinema alguma vez fez. Não se pense que é por filmes como este, que desemboco um certo desencanto, natural, de alguém que mais do que não gostar de uma determinada obra, arranja justificações para esse desencanto com movimentos periféricos. Julgo, tão somente, que produtos como este, por se inserirem numa coisa tão em voga nos tempos actuais como são as trilogias, obedecem, primeiro, a padrões de produção, e, só depois, a padrões de narrativa. Compreendo que ao ser a segunda parte de um trilogia, tenha de se debitar informação para o terceiro e final episódio. Mas recordo-me, sempre, de “Império Contra Ataca”, para referir que é possível explanar “plot” e, mais importante que isso, personagens, quando estamos no segundo acto de uma narrativa de três. Sendo o segundo tomo a coisa mais importante num drama, confesso a minha desilusão por este filme não se aguentar nesse sentido. E, no outro sentido, o de cinema puro, desilude ainda mais. Esperemos que a terceira parte seja, quanto muito, um pouco mais festiva e mais despretensiosa. Se Verbinski visse os filmes de Michael Curtiz, com Errol Flyin, também ajudaria, porque se Curtiz era considerado um tarefeiro, com toda a depreciação inerente desse termo, não sei porque Gore, aos olhos de certas pessoas, também o é. Por enquanto, ainda nem a esse patamar de respeito chegou. Por exemplo, William Petersen, que é um cineasta desigual, já almejou esse conceito, do qual “Poseidon”, o “blockbuster” mal amado deste verão, é mais uma prova. “Poseidon” é mais básico, não tem tanto “plot”, não tem Johnny Depp, mas é filmado mil vezes melhor que este mastodonte. E quando se filma bem, quando se percebe minimamente o que são escalas de planos, pode-se não se ser nenhum Shakespeare que mesmo assim, como Griffith fazia, ainda temos a noção que os filmes contam-se pelo especificidade de um plano em si e não das obesidades informativas, que muitos ainda confundem com narrativa dramática.
José Miguel Oliveira
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www.jornalinside.com |
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"PIRATAS DAS CARAÍBAS: O COFRE DO HOMEM MORTO"
p/ Paulo Figueiredo
Nota Inside: 13/20
Inevitável sequela do 20º filme mais rentável de sempre, este "Piratas das Caraíbas: Cofre do Homem Morto"
assume-se como um dos mais importantes desta temporada. Para o efeito, os estúdios Disney foram novamente buscar
Gore Verbinski (autor do primeiro filme) de forma a conseguir um êxito seguro.
Assumidamente esta sequela é um esforço em dar mais acção, mais personagens e claro mais efeitos especiais, agora que o orçamento se tornou de certeza monstruoso como um Kraken!
As personagens de Davy Jones e os seus monstros são uma mais valia, mas o cansaço evidenciado pelos principais protagonistas (Depp, Bloom e Knightley) mostram que deveriam ter demorado um pouco mais até encarnar de novo os seus respectivos heróis.
E depois há a tal terrífica lula gigante...que mostra de forma exemplar de como uma excelente ideia se pode tornar num escape para um filme sem ideias de narrativa bem construídas e cujo argumento parece escrito em cima do joelho.
É lamentavel que o dito monstro se torne a solução para becos sem saída, em que por culpa própria, o argumentista vai caíndo.
Também lamentável é a sequência da praia em que Sparrow, Turner e o Comodoro se envolvem numa luta no mínimo patética e inconsequente que só serve para queimar mais alguns minutos de fita.
O que evidencia este "Piratas das Caraíbas..." é sem dúvida a capacidade inequívoca de entreter. Não obstante as longas 2h33 minutos de filme, o equilibrio e alternância entre cenas mais lentas e frenéticas está muito bem conseguido. Sem o protagonismo do primeiro filme está também Johnny Depp e o seu Jack Sparrow, que apesar de tal já referido aparente cansaço ou falta de inspiração, sobrepõe-se às pobres representações dos seus pares mesmo assim.
Um sucesso de bilheteiras é talvez a melhor forma de adjectivar esta aventura que fará estrear em 2007 a terceira parte e pelos vistos também não será a última, quer pelo sucesso seguro que transmite quer pelo espólio franchise que ainda não estará totalmente explorado. Um belo negócio para a Disney, portanto...
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foliveira65@sapo.pt |
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Desinteressante e uma desilusão; se compararmos com o primeiro, não um grande filme, mas um grande divertimento; este “O Cofre do Homem Morto”, segunda parte da trilogia “Os Piratas das Caraíbas”, as aventuras de Jack Sparrow e companheiros nos mares das Caraíbas.
Nada fazia prever um filme tão fraco, mas a verdade é que desde o argumento que não pega, às acrobacias dos personagens, muito exageradas e pouco credíveis, ao facto de deslocarem o papel de mau da fita do grupo de piratas amaldiçoados para um monstro gigante ridículo, tudo é medíocre. Que nem é ultrapassado por várias vezes nos lembramos dos clássicos filmes de piratas dos anos 40 e 50, ou dos mais recentes Indiana Jones. A homenagem só é importante quando é boa.
E depois o que fazia a grande diferença em “A Maldição do Pérola Negra”, o brilhante desempenho de Johnny Depp no papel de Jack Sparrow, o mais imoral e caricatural pirata de sempre, não é conseguido, nem de longe, neste segundo filme. Fica-se apenas por um série de caretas e maneirismos sem a mínima graça.
O regresso de uma das personagens mais interessantes do primeiro filme, no final deste segundo, faz-nos esperar que o terceiro, já filmado, seja pelo menos um tão bom divertimento como o primeiro. Vamos a ver.
Fernando Oliveira
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CINEMA2000 |
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joaogabrielazevedo@hotmail.com |
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Pirata das Caraíbas 2, grande filme mesmo, é claro q ajuda imenso a fabulosa interpretação de johnny depp.
Actor que não pára de mostrar o seu imenso valor.
Que venha o 3. |
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tshogoki@gmail.com |
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Aceitavel, o que gostei mais do filme foi o facto de mal o filme começa e ate acabar a musica esta sempre presente. O que não gostei tanto foi assim da historia arrancada e de algumas actuações mediocres...
Mas prontos mais um filme "normal" nos dias de hoje. Tudo começa por ser um blockbuster para depois passar a um filme banal.
Tiago Vieira Gonçalves |
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fernando.coelho@estgoh.ipc.pt |
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| Para mim a grande desilusão deste ano. Esperei três anos por esta sequela e o que é que encontrei? Efeitos especiais, mais efeitos, mais efeitos... Argumento.. ZERO!!! Jack Sparrow deixa de ser um pirata genial de quem todos gostámos no 1º filme, para ser um perfeito idiota neste. A cena em que ele volta para o seu barco Pérola Negra quando este está a ser atacado pelo polvo gigante é completamente ridicula. Penso que Deep desta vez não teve liberdade criativa pois foi obrigado a repetir vezes e vezes sem conta os maneirismos já vistos no 1º filme. Para mim foram 200 milhões atirados ao lixo. Com muito menos, um argumento minimamente decente e uma outra abordagem à personagem de Jack Sparrow voltariamos a ter um outro grande filme de piratas. Agora percebo o porquê do sucesso nos EUA, duvido que o mesmo suceda na Europa. |
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gonch145@hotmail.com |
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Um excelente blockbuster, que consegue aquilo que poucos blockbuster conseguem hoje em dia: divertir o espectador.
Esta sequela tem uma história mais complicada que o primeiro filme, mais (excelentes) efeitos visuais, e mais gags. Perdeu-se a novidade do primeiro filme, mas ganhou-se o aumento do factor entretenimento, que neste filme está presente do principio ao fim.
Tem uma história incrivelmente emocional? Não. Tem actores que fazem um excelente trabalho? Não (Johny Depp, está competente, mas não inova. Keira Knightley e Orlando Bloom são mais adeereços do que personagens... mas ainda assim, têm um romance minimamente interessante). Será um dos melhores filmes do ano? Não (o melhor filme será, provavelmente, The Fountain).
Mas é um filme que põe um sorriso na cara do espectador, é é sem dúvida o melhor blockbuster que Hollywood lançou até agora.
Entretenimento na sua mais pura forma.
Gonçalo Trindade
cinefolia.blogs.sapo.pt |
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Eu gostei de ver. Continua um filme engraçado que nos faz passar um bom bocado na sala de cinema.
Embora não suprere o primeiro também não disilude.Johnny Depp continua fantástico como o capitão Jack Sparrow, sem dúvida uma das personagens mais comicas de sempre na história do cinema.
Laura Caçoeiro |
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CINEMA2000 |
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gpedrofonseca@hotmail.com |
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O grande filme de verão, sem dúvida. Interpretação, mais uma vez, brilhante de Johnny Depp, que cada vez mais se afirma como um dos melhores actores do planeta, não só pela sua versatilidade, mas também pela extrema qualidade em todos os papéis que representa. Keira Knightley tem também uma actuação de grande qualidade. Pelo contrário, Orlando Bloom, continua a desiludir. Em termos de história este filme fica muito aquém do primeiro. Além disso, está demasiado longo e algumas cenas tornam-se cansativas. Uma palavra para a banda sonora que está magnifica.
Nota: 16
Pedro Fonseca
http://pedrof.blogspot.com |
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chip@netcabo.pt |
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Este filme é um bom filme de entretenimento mas existe um excesso de personagens secundárias e de narrativas paralelas que são exploradas e que nada acrescentam ao filme. Verbinski e muitos dos realizadores de hoje em dia (incluindo Peter Jackson) esquecem-me de uma coisa chamada economia narrativa. Cenas que poderiam ser resumidas a algumas imagens são prolongadas sem qualquer acrescento à narrativa ou mesmo ao bom funcionamento de uma cena de acção. É giro e saliento a fuga da aldeia dos indígenas e a luta de espadas no moinho em andamento que me parecem ser bons momentos de cinema. Mas a história deveria ser mais linear, na minha opinião: A chave que abre um cofre e que salva a rapariga que quer salvar o rapaz que está num sítio apontado por uma bússula...humm. Muito complicado. KSS, que é como quem diz: keep it stupid simple.
André |
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raquelvieiraa@hotmail,com |
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É o filme do Verão!
A nível técnico está mesmo muito bom, uma caracterização fantástica, fotografia e cenários lindos, e uns SFX excelentes!
Quanto à representação...Its all about Jack! Grande Johnny Depp. Para mim, tem a personagem mais adorável do cinema..e sabe ainda melhor, quando sabemos que todos aqueles tiques e expressoes, provem do actor, e não de algo pedido pela produção!
Quanto à história, não tão boa como o primeiro, mas não deixa de surpreender talvez pela acção e mitologia envolvida...
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joanapadua@hotmail.com |
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O filme do verão! Jack Sparrow voltou e com ele todas as aventuras dos piratas de que já tinhamos saudades! O filme está bom e o tempo passa a navegar a velocidade de cruzeiro! Só pena que a história não tenha acabado, mas sim interrompida, repetindo a ideia de Matrix... Não havia necessidade!!!!!
JPG |
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pmcferreroms@yahoo.com |
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«Dead Man`s Chest» é, acima de tudo, uma boa distracção, feita de cinema de aventuras, para todas as idades, e que se vê de uma penada, sem se ter a noção do tempo. E só não é extraordinária porque fica muito aquém do filme de que é sequela, ou seja da «Maldição do Pérola Negra». Não só fica aquém como se tornou mais espalhafatosa: à dimensão terrífica dos piratas fantasmagóricos e da própria fotografia, carga omnipresente no primeiro filme, Verbinski deu agora mais pêso à luz e ao humor, sendo que de fantasmas terríveis se passou a moluscos exuberantes (Bill Nighy está soberbo como Davey Jones).
No resto tudo na mesma, apesar da história ser mais fraca do que a do filme inicial; e, mais uma vez, com o foco das atenções a centrar-se, impreterivelmente, em Jack Sparrow, interpretado de forma genial por um inspiradíssimo Johnny Depp, que de uma assentada corporiza todo um século de piratarias e flibusteirices, de Fairbanks a Flynn, passando por Robert Newton (talvez o melhor pirata de todos...), De Cordoba ou Mathau: galã, espadachim, truculento, viril, patibular, efeminado e trapalhão. As melhores sequências do filme são a dos preparativos para o festim dos canibais, e o duelo interminável na roda da nora. A melhor cena é a do beijo entre Lizzie e Jack, que ofusca todas as cenas entre aquela e Will.
Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus |
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JORGE PINTO |
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Piratas em Loop…
Com o sucesso de «Piratas das Caraíbas: A Maldição do Pérola Negra» em 2003, a Disney e Jerry Bruckheimer não perderam tempo nem esforços para desenvolver mais aventuras com o genial capitão Jack Sparrow (Johnny Depp). Em 2007, desembarca nas salas «Pirates of the Caribbean: At World`s End», o terceiro e último filme desta trilogia.
A urgência de produzir sequelas a partir dos filmes de grande sucesso, aliadas ao fenómeno do franchising no cinema, a meu ver, serão responsáveis pela ausência de originalidade no segundo filme dos «Piratas». Neste capítulo, tudo parece formatado e pouco espontâneo, e o desejo de querer fazer mais nem sempre significa melhor. É indiscutível a grandiosidade desta produção, em que os efeitos e as sequências de acção são entrelaçados com bastante humor na maioria das vezes com Sparrow a fazer piratarias. Todo este pacote de entretenimento não vai desapontar todos aqueles que anseiam apenas o regresso da diversão ao revisitarem os piratas no grande ecrã: «Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto» é cinema espectáculo.
Neste filme, a grande falha reside na falta de química entre os personagens, que no primeiro proporcionava consistência a todo o enredo, e foi um dos motivos que fez surpreender o público e a crítica. No filme de 2006, apesar de existir um espectáculo visual a decorrer perante os nossos sentidos, paira a sensação que estes piratas andam propositadamente à deriva, acabando por navegar em águas já antes navegadas, repetindo a fórmula do primeiro filme.
Não há grandes reparos a fazer à realização de Gore Verbinski. Não compromete o filme a nível de realização e utiliza todos os meios disponíveis para criar quase duas horas e meia de diversão. O custo desta produção é rentabilizado com o prazer que este filme vai dar a todos que o visionarem. Existe uma grande atenção para todos os pormenores no filme: o guarda-roupa, os cenários, o trabalho de fotografia (característica cada vez mais distinta na realização de Verbinski), e a assimilação dos CGI (imagens computorizadas) com a imagem real. O melhor exemplo deste último factor é o vilão de «O Cofre do Homem Morto» um personagem interpretado por Bill Nighy, que se não faz esquecer o anterior vilão Geoffrey Rush, está extremamente bem caracterizado e comanda uma tripulação de piratas muito sui generis.
Infelizmente, não vai existir a cereja em cima do bolo, como ocorreu no primeiro filme. O personagem Jack Sparrow, personificado no grande ecrã por Johnny Depp, e que em 2003 se revelou com este papel como um candidato aos Óscares, surge agora aos bocejos durante o filme. Nem sempre é um pirata genial, mas mesmo assim continua a ser o mais engraçado de todos os intervenientes; Orlando Bloom continua a não convencer sem as orelhas postiças de elfo; e Keira Knightley continua a crescer no cinema e neste filme merecidamente tem um papel mais extenso.
Apesar do atropelo aos personagens na procura de apresentar obra feita, «O Cofre do Homem Morto» acaba por reembolsar com mérito próprio a sua factura bem cara. Aliás, pela altura da estreia nacional, o filme já derrubou alguns recordes de bilheteira nos Estados Unidos. Interessa ressalvar a tendência para as “novas” trilogias: após um primeiro filme de grande sucesso, são produzidas sequelas que mais parecem um episódio dividido em duas partes, casos de «Matrix», «Star Wars I a III» e «Piratas das Caraíbas», do que realmente três filmes que formam uma grande trilogia («O Senhor dos Anéis» ou «Star Wars IV a VI»). Daí que fique uma certeza: o blockbuster deste Verão sacrifica a originalidade face ao entretenimento para agradar ao público mais generalista. Por cá, ficaremos a aguardar, agora com menos ansiedade, pelo terceiro filme de «Piratas das Caraíbas», na esperança que este dê outro contexto a «Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto».
3.5 em 5
Jorge Pinto |
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