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Samaritana
Título original: Samaria / Samaritan Girl
Realização: Kim Ki-duk
Intérpretes: Kwak Ji-Min, Seo Min-Jung, Lee Uhl, Kwon Hyun-Min, Oh Young
Coreia do Sul, 2004
Estreia: 22 de Junho de 2006
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Média dos Espectadores |
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Yeo-Jin é uma jovem adolescente que ainda vive com o seu pai, viúvo. A sua melhor amiga, Jae-Young, é prostituta. Yeo-Jin ajuda-a marcando os encontros com os clientes e vigiando a policia. Juntas mantêm o sonho de juntar dinheiro e fugir para a Europa. Mas um dia Yeo-Jin comete uma distracção fatal e Jae-Young é apanhada pela policia, resultando daí um acidente com trágicas consequências.
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* Kim Ki-duk no CINEMA2000. |
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almeida_rita@sapo.pt |
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SAMARIA
de Kim Ki-Duk
“Samaria” foi filmado entre “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera” (2003) e “Ferro 3” (2004)), duas obras-primas do realizador sul-coreano Kim Ki-duk.
Duas adolescentes Yeo-jin (Kwak Ji-min) e Jae-yeong (Seo Min-jeong) estão a juntar dinheiro para irem para a Europa. Enquanto Jae-yeong se prostitui com homens mais velhos que conhece na Internet, Yeo-jin faz a gestão da agenda de Jae-yeong e do dinheiro, além de vigiar a aproximação de polícia perto do motel onde Jae-yeong tem os seus encontros. Jae-yeong vê-se como uma moderna incarnação de Vasumitra, uma lendária prostituta que converteu homens ao budismo através do sexo. Yeo-jin fica chocada com o divertimento de Jae-yeong nestes encontros, e impede-a de voltar a perguntar aos clientes o que eles fazem na vida ou qualquer outra conversa que a aproxime deles e, consequentemente, que a afaste dela num misto de vergonha, culpa e ciúme.
A tragédia destas duas vidas paira, inevitável e irreversível, em cada cena, mas, no intuito de fazer desta mais uma bela experiência cinematográfica, prefiro não contar mais. Mas o Urso de Prata de Melhor Realizador no 54º Festival Internacional de Cinema de Berlim parece-me bastante merecido.
Kim Ki-duk impõe um ritmo quase sufocante nas revelações, nos sofrimentos e nas angústias de vidas que se rompem sem misericórdia. Neste drama está também envolvido o pai de Yeo-jin (Lee Eol), um detective da polícia viúvo, angustiado pela impotência para proteger a própria filha.
Kim Ki-duk não mostra a prostituição infantil de um ponto de vista dogmático ou racional. É na vertente emocional que Kim Ki-duk nos abre os olhos a este grave problema social. “Samaria” é sobre a procura da redenção, da busca de um perdão dentro de nós mesmos, da cura espiritual, do sexo como fonte de felicidade e da incessante luta por emendar erros e impor a justiça onde ela falha. “Samaria” divide-se em três partes: "Vasumitra," "Samaria," e "Sonata." Cada parte reflecte o ponto de vista de uma personagem: Jae-yeong, Yeo-jin e Yeong-ki, o pai de Yeo-jin, respectivamente, a primeira vivendo num mundo onde tudo é bom, a segunda numa dura realidade e o terceiro perdido num limbo de incompreensão.
Como os outros filmes de Kim Ki-duk, também “Samaria” é um poema cheio de metáforas. A pedra une em si todas contradições: é ela que recebe a queda, é arma, barreira, libertação e túmulo. Os banhos públicos onde as duas jovens se lavam, o duche onde Yeong-ki se refugia, o ar fresco do campo são os veículos de limpeza, mais espiritual que física.
Kim Ki-duk aborda o bem e mal com a sua inerente fusão, sem julgar, de uma forma crua e sem compromissos, mas também emocional e comovente. As cores do Outono dão o tom melancólico, o surrealismo dos sonhos reflecte o espírito torturado de personagens complexas, consistentes e credíveis (em três excelentes interpretações). Só Kim Ki-duk consegue dar tamanha beleza, e até inocência, a uma história negra sobre os efeitos adversos do desejo humano.
RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/ |
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pmcferreroms@yahoo.com |
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Ele há boas acções que nem lembram ao diabo, e a amizade é uma coisa linda, mas (como diz um dos homens objecto de ajuste de contas) ... A história não podia ser mais própria do cinema contemplativo, mas ao mesmo tempo provocador e violento, de Kim Ki-duk. Depois do interessantíssimo «Ferro 3», o coreano volta a insistir, como «Samaria» na terra de desolação que para ele é a sua Seul, onde, por detrás da beleza que são os bosques orientais no Outono, há adolescentes que não hesitam em vender o corpo como forma de viajarem até à Europa, até às histórias que os pais lhe contam.
Depois, o drama acontece e a amiga mais-que-tudo resolve salvar a alma da amiga, e o drama vai-se acentuando até que o seu pai lhe dá uma lição de vida, nesse momento sublime que é ver-se a protagonista a aprender a guiar, nas bermas de um riacho, por entre poças e lama: está apta para o mundo. Um filme bem ao jeito do seu realizador, cujo c.v. não deslustra.
Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus |
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