O Rei

Título original: The King
Realização: James Marsh
Intérpretes: Gael García Bernal, William Hurt, Laura Harring, Pell James, Paul Dano
Estados Unidos/Grã-Bretanha, 2005
Estreia: 22 de Junho de 2006


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
Elvis Valderez procura o seu pai, um homem que apenas ouviu falar pela sua mãe mexicana, falecida entretanto. Mas este tem agora a sua própria família e não quer ter nada a ver com Elvis, que é uma lembrança desconfortável do seu próprio passado instável e um segredo bem guardado dos seus filhos e paroquianos. Rejeitado, Elvis resolve deixar esta família feliz em paz. No entanto, Elvis não consegue tirar da cabeça a imagem de Malerie, a sua meia-irmã, e não consegue deixar de ser seu amigo. A relação rapidamente desenvolve para algo romântico...

*****

* Gael García Bernal, William Hurt e Laura Harring no CINEMA2000.


João Lopes
Atenção a este nome: James Marsch. É um documentarista, de origem britânica, e tem tratado temas tão inesperados quanto os hábitos alimentares de Elvis Presley («The Burger & The King: The Life & Cuisine of Elvis Presley», 1996). Está em Cannes com a sua primeira longa-metragem de ficção. Chama-se «The King», é uma produção americana e tem Gael Garcia Bernal e William Hurt nos papéis principais. Acima de tudo, Marsch consegue expor a complexidade pulsional de uma realidade interior, e não apenas no sentido geográfico, em que é determinante o peso de valores religiosos ultra-conservadores — um filme inesperado, com alguns momentos perturbantes, sobre os temas da pureza e do pecado, da culpa e da redenção.

(Cannes 2005)


bebeto_maya
O que vi em O Rei foi a monstruosidade de seu protagonista, falso como Iago em Otelo, ele vai as vias de fato: Mata para ocupar o lugar, mata para se livrar e no final pede perdão. A dicotomia de um personagem que não consegue seduzir por ser um frio assassino, inda que muitas vezes sentimental. Alguns progressistas viram extremismo religioso e o "tabu do incesto". Uma mípoia moderninha, de certo que essa dicotomia é o âmago do filme.


jtrb79@hotmail.com
"O Rei" é um daqueles filmes que poderia exemplificar um dos pontos do debate aqui lançado pelo Cinema2000: estreado sem grande promoção, provavelmente não ficará mais do que uma, duas semanas nas telas portuguesas. Pena será se assim for, pois este filme de Marsh, não sendo nenhum espanto de monta, constitui um pequeno oásis de qualidade no meio de tanta bugiganga estival que anda e andará por aí. Um cuidado extremo na direcção de actores, uma atenciosa dedicação aos cenários naturais, e o levantamento de questões pertinentes sobre o presente e o passado, o extremismo religioso, o tabu do incesto, a inocência perdida. Uma "americana" esventrada por dentro, tal como o soberbo "A History of Violence". Merece uma justa visão.

Tiago Ribeiro 28/06/2006


     
 

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