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Crianças Invisíveis
Título original: All the Invisible Children
Realização: Mehdu Charef, Emir Kusturica, Spike Lee, Kátia Lund, Jordan Scott e Ridley Scott, Stefano Veneruso, John Woo
Intérpretes: Adama Bila, Elysee Rouamba, Uros Milovanović, Dragan Zurovac, Hannah Hodson, Rosie Perez, Andre Royo, Vera Fernandes, Francisco Anawake de Freitas, David Thewlis, Kelly MacDonald, Jack Thompson, Daniele Vicorito, Emanuele Vicorito, Zicun Zhao, Ruyi Qi, Bin Wang
França/Itália, 2005
Estreia: 1 de Junho de 2006
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João Lopes | Média dos Espectadores |
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«Crianças Invisíveis», é uma colectânea de sete curtas-metragens, dirigida por cineastas de prestígio internacional, que narram, através da sua perspectiva pessoal, histórias únicas sobre as condições de vida das crianças na região do mundo de que são originários.
* «Tanza», de Mehdu Charef, com Adama Bila e Elysee Rouamba, retira o seu nome do herói do filme, um rapaz de 12 anos que se alista num exército de lutadores pela liberdade;
* «Blue Gypsy», de Emir Kusturica, com Uros Milovanović e Dragan Zurovac, conta a história de um jovem cigano prestes a sair de um reformatório;
* «Jesus Children of America», de Spike Lee, com Hannah Hodson, Rosie Perez e Andre Royo, conta a luta de uma adolescente de Brooklyn que descobre ser a filha seropositiva de um casal de toxicodependentes;
* «Bilu & João», de Kátia Lund, com Vera Fernandes e Francisco Anawake de Freitas, retrata um dia na vida de duas crianças com espírito de iniciativa, nas ruas de São Paulo;
* «Jonathan», co-dirigido por Jordan Scott e Ridley Scott a partir de um argumento do primeiro, com David Thewlis, Kelly MacDonald e Jack Thompson, descreve a vida de um repórter fotográfico, cuja desesperada necessidade de escapar ao seu tormento pessoal o permite regressar à sua infância;
* «Ciro», de Stefano Veneruso, com Daniele Vicorito e Emanuele Vicorito, é a história de um jovem a viver entre o crime e as brincadeiras próprias da sua idade, nos bairros pobres de Nápoles;
* «Song Song & Little Cat», de John Woo, com Zicun Zhao, Ruyi Qi e Bin Wang, segue o laço muito especial entre um órfão sem dinheiro e uma jovem rica mas perturbada.
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* Filme feito para beneficiar a UNICEF e o Programa Mundial de Alimentação, tem como tema a vivência das crianças desde o Burkina Faso à Cina, desde as favelas do Brasil a Brooklyn nos Estados Unidos, passando pela Europa. Os realizadores doaram o seu trabalho e tiveram total liberdade artística. A canção dos créditos finais, "Teach me again", é interpretada por Elisa e Tina Turner.
* Emir Kusturica, Spike Lee, Ridley Scott, John Woo, David Thewlis e Kelly MacDonald no CINEMA2000. |
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João Lopes
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Estreado no Dia Mundial da Criança, este é um belo exemplo de retorno ao modelo (frequente nos anos 60) do "filme-por-episódios": através de sete histórias autónomas, trata-se de dar conta de situações várias de exploração e marginalização das crianças — gerado em Itália, pela RAI, o projecto teve o apoio da UNICEF e outras entidades que, internacionalmente, combatem a discriminação e a pobreza.
A diversidade dos resultados suscita inevitáveis escolhas subjectivas. Por mim, destacaria o espantoso episódio dirigido por Spike Lee: um retrato de uma família — pai/mãe/filha — marcada pela seropositividade que a filha herdou dos pais, num contexto novaiorquino em que as formas de discriminação racial adquirem os mais insidiosos contornos no quotidiano. |
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AR |
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| Do melhor que tenho visto!!! |
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jtrb79@hotmail.com |
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Obras destas terão sempre os seus méritos a nível dos valores da beneficiência, mas se mudarmos a agulha para o cinema, a conversa já é outra. Também não se esperaria outra coisa, diga-se, e por entre irrelevâncias várias( os episódios de Kusturica, em piloto automático, o da família Scott), destacam-se os de Spike Lee e o de John Woo, este a reabilitar-se das suas aventuras infelizes mais recentes. Dois episódios diferentes entre sim, o primeiro mais negro e perturbador, o segundo uma história simples, sentimental e comovente. Lee e Woo são os que estão mais perto de introduzir uma gravitas cinematográfica num painel mais interessado apenas na questão da "mensagem". Além da questão da ajuda económica, também é por eles que "Crianças Invisíveis" merece uma visita.
Tiago Ribeiro 04/06/2006 |
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joaotome@hotmail.com |
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Sete mundos de crianças
por João Tomé
Crianças sozinhas, que vivem com aquilo que a sociedade à sua volta lhes deu, neste caso, azares, problemas e independência, é este o assunto das sete curtas-metragens realizadas por sete cineastas. Entre o drama das injustiças e desesperos e a esperança, há momentos duros mas outros que fazem sorrir. Com armas ou bonecas na mão, a roubar ou a enganar, crianças são crianças, embora algumas tenham de crescer depressa demais e nem sempre nos melhores meios. A ideia, que partiu da produtora italiana Chiara Tilesi, é brilhante, ainda mais enquadrada no Dia Mundial da Criança, que se comemora hoje. Os cineastas foram convidados a dar a sua perspectiva pessoal, e dos respectivos países sobre crianças invisíveis, aquelas cujas vidas passam ao lado de adultos e meios de comunicação em geral. Com o leque de realizadores de locais do planeta tão distintos, o resultado é tão rico de diversidade quanto emocionante e atractivo.
Os 7 mundos
Somos convidados, primeiro, a viajar a África para ver a história de Tanza, que dá o nome à curta de Mehdi Charef (da Algéria). O jovem negro de 12 anos que viu a família morrer está num grupo de jovens lutadores pela liberdade que, empunhando armas, vivem numa indiferença com a morte. O bósnio Emir Kusturica traz-nos, da sua terra natal, Blue Gypsy, onde um jovem cigano que vive num animado centro de detenção juvenil tem sentimentos ambíguos na hora da libertação com medo de um pai violento e que o obriga a roubar. Jesus Children of America é o filme de Spike Lee, sobre uma adolescente mestiça de Brooklyn que descobre ser filha seropositiva de um casal de toxicodependentes – a prova de que as crianças podem ser cruéis umas para as outras. A realizadora brasileira Katia Lund mostra Bilú e João, os nomes de duas crianças empreendedoras a viver numa favela que tentam ganhar algum dinheiro reunindo metais e o cartão para vender num depósito. O famoso inglês Ridley Scott juntou-se à irmã Jordan para falar de Jonathan, um repórter fotográfico cuja necessidade escapar ao tormento das guerras o levam a regressar à infância. Stefano Venerusso é um italiano que trabalhou com Mel Gibson em A Paixão de Cristo e Scorcese em Gangues de Nova Iorque e traz Ciro, sobre um jovem a viver entre o crime (roubo) e as brincadeiras próprias da idade nos bairros pobres de Nápoles. Por fim, o chinês John Woo (Missão Impossível II) mostra a história de Song Song & Little Cat, um laço peculiar e tocante que se cria entre uma órfã sem dinheiro e uma criança da mesma idade rica mas perturbada. A viagem termina por aqui mas facilmente fica na cabeça de todos os que o viram. Infelizmente estreia, para já, apenas no UCI, em Lisboa, já que a distribuidora Vitória Filmes apenas quis fazer uma cópia.
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