| |
|
|
|
MIRRORMASK
Título original: MirrorMask
Realização: Dave McKean
Intérpretes: Stephanie Leonidas, Jason Barry, Rob Brydon, Gina McKee
Estados Unidos/Grã-Bretanha, 2005
* IndieLisboa2006: Observatório
Críticas de: Gonçalo Sá e Sérgio Dias Branco
|
|
Média dos Espectadores |
 |
|
| |
|
|
|
|
 |
|
|
Desde 1986 que Dave McKean e Neil Gaiman trabalham como dupla nas suas novelas gráficas, trabalho pelo qual são sobejamente conhecidos e premiados, mas esta é a primeira vez que se reúnem em cinema. McKean tomou as rédeas à realização e, juntamente com Gaiman, atirou-se também ao argumento. O resultado é «MirrorMask», uma fantasia que combina animação e imagens reais, e já por diversas vezes comparada a «O Feiticeiro de Oz» e «Alice no País das Maravilhas». «MirrorMask» é a história de Helena, uma rapariga de quinze anos, que decide largar a sua vida no circo e ver o mundo «real». Mas, quando dá por si, já embarcou numa estranha viagem às Dark Lands, habitada por gigantes, PássarosMacaco e perigosas esfinges. Para fugir das Dark Lands, Helena terá que alcançar a MirrorMask.
|
 |
Sérgio Dias Branco |
|
Como todas as colaborações entre Neil Gaiman e Dave McKean em livro, «MirrorMask» é visualmente prodigioso. As figuras e os cenários do mundo onde a protagonista vai parar têm uma dimensão genuinamente circense, isto é, não se trata apenas dum produto de enorme imaginação, mas da criação dum imaginário. Não por acaso, a história começa e termina no circo.
As janelas desenhadas entre os dois mundos é um exemplo de um boa ideia. Mas o papel duplo dos actores, por exemplo, tinha a potencialidade de reflectir uma relação dramática e simbólica entre os dois universos e foi desperdiçada. Tal como é definido no filme, o outro lado do espelho é só um outro lugar sonhado por uma rapariga com problemas muito reais — a saúde da mãe.
Há um deslumbre dos autores pelas possibilidades abertas pelos efeitos digitais. O carácter solto do argumento parece dever-se apenas à necessidade de que as personagens passeiem de espaço em espaço, desvendando-os.
[24-04-2006]
A-V |
 |
GONÇALO SÁ |
|
ESPELHO PARTIDO
Neil Gaiman e Dave McKean tornaram-se, desde os anos 80, numa das duplas mais influentes e criativas da banda-desenhada norte-americana, alargando os limites do formato e apostando numa linguagem própria, experimental e facilmente identificável. «Mirrormask», a primeira longa-metragem criada pelo duo (escrita por ambos e realizada por McKean) suscitava, por isso, alguma expectativa, pois se o filme fosse tão inventivo como os livros seria um título a não perder.
Infelizmente, o que a película proporciona é um amargo travo de desilusão, uma vez que fica muito aquém do que se esperaria dos nomes que nela estão envolvidos.
A temática recorrente nas novelas gráficas do duo mantém-se – as interligações entre o real e o onírico, o crescimento, a inadaptação e a diferença -, assim como um estilo visual algures entre o gótico e o surrealista que facilmente se atribui a McKean, mas estes elementos são trabalhados de forma tão superficial e formatada que dificilmente honram os pergaminhos dos seus autores.
Apoiando-se num argumento anémico e vulgar, «Mirrormask» é ainda mais prejudicado por apostar numa narrativa esquemática e linear, e os poucos momentos de alguma surpresa devem-se apenas a curiosas sequências visuais, que ilustram a realidade estranha e intrigante onde decorre a maior parte do filme.
Contudo, mesmo a nível visual o resultado é irregular, uma vez que a combinação entre animação e acção real já não é propriamente uma novidade e aqui acusa, não raras vezes, um óbvio artificialismo.
Menos misterioso e absorvente do que se exigiria a algo gerado pela dupla Gaiman/McKean, «Mirrormask» torna-se ainda mais frágil devido às suas personagens de papelão, autómatos sem intensidade que se limitam a seguir as etapas do argumento rotineiro. O filme nunca consegue implementar uma aura de tensão ou perigo palpáveis, oferecendo uma história infanto-juvenil com uma série de aborrecidas reviravoltas e enigmas, sem qualquer vibração emocional.
Vendo bem, as aventuras cinematográficas de Harry Potter, apesar de se assumirem como um claro produto industrial, acabam por nem estar muito distantes, e até têm mais doses de entusiasmo, valor lúdico e zonas de sombra do que este insípido «Mirrormask».
GONÇALO SÁ
http://gonn1000.blogspot.com
(enviado CINEMA2000 ao IndieLisboa 2006) |
|
|
| |
|
|
| |
|
|
|