THE WILD BLUE YONDER

Título original: The Wild Blue Yonder
Realização: Werner Herzog
Intérpretes: Brad Dourif, Donald Williams, Ellen Baker, Franklin Chang-Diaz, Shannon Lucid, Michael McCulley, Roger Diehl, Ted Sweetser, Martin Lo
Alemanha/Grã-Bretanha/França, 2005
* IndieLisboa2006: Observatório

Críticas de: Gonçalo Sá e Sérgio Dias Branco

 
Média dos
Espectadores
   
 
 
O filme começa com uma hipótese: um grupo de astronautas em missão espacial é impedido de regressar à Terra. O planeta tornou-se inabitável (as razões não são explicadas) e a tripulação é obrigada a descobrir um local no espaço para aterrar. Entretanto, na Terra, um extraterrestre proveniente de um planeta que submergiu na água, revela estar a viver no nosso planeta há vários anos (a trabalhar ao serviço da CIA), e explica que descobrir um outro planeta habitável no espaço é uma missão talhada para o fracasso. Agora imaginem tudo isto ancorado em imagens dolorosamente belas. «The Wild Blue Yonder», uma fantasia de ficção científica e um gesto lírico do alemão Werner Herzog, conta ainda com uma partitura assinada pelo violoncelista de jazz holandês Ernst Reijseger que acompanha algumas das mais belas sequências deste filme, com os astronautas como bailarinos de uma coreografia celestial.


SÉRGIO DIAS BRANCO (Cinema2000)  
Uma fantasia de ficção científica que como outros filmes de Herzog dilui a fronteira entre documentário e ficção. Utilizando material de arquivo e depoimentos de um lúcido extraterrestre (Brad Dourif), The Wild Blue Yonder narra a viagem de exploração humana dum planeta longínquo, casa do alienígena. A dado momento, Dourif condensa a história da humanidade nalgumas guerras e nomes do espectáctulo. É uma obra divertida que não cede ao peso da seriedade. Mais à frente, o Dr. Martin Lo olha com espanto para a cãmara depois de ter discorrido sobre intrincadas teorias matemáticas sobre o cosmos e... espirra. O filme consegue equilibrar um tom cómico com outro cada vez mais sublime, revelado através do uso da música de Ernst Reijseger. Perto do fim, as paisagens subaquáticas são exaltadas como se fossem territórios do desconhecido. O final demonstra bem que esta bizarra fantasia lida com um tema muito presente na filmografia de Herzog: a força gigante e antiga da natureza, e nós perante o seu gigantismo e antiguidade. Nos créditos finais, o cineasta agradece à NASA pela sua poesia. Aqui fica o meu reconhecimento pela de Herzog.


GONÇALO SÁ
Há várias décadas, um grupo de extraterrestres oriundos de um planeta submerso chegou à Terra mas, devido às sua fisionomia ser idêntica à dos humanos e de não constituírem uma ameaça para estes, encontraram aqui um novo lar, passando despercebidos junto da maioria dos terráqueos.
No entanto, até mesmo a Terra parece já estar a tornar-se um planeta em risco, colocando em causa a sobrevivência dos seus habitantes, o que leva uma equipa de astronautas a partir para o espaço à descoberta de um novo local habitável.

Este é o mote de «The Wild Blue Yonder», uma invulgar mistura de falso documentário e ficção científica proposta por Werner Herzog, o realizador alemão que por cá gerou algum interesse devido a «Grizzly Man», de 2005 (que também tentava alargar o espectro do cinema documental).

Intrigante e inclassificável, o filme é narrado por um dos extraterrestres, que após uma chegada pouco auspiciosa à Terra se encontra a trabalhar para a CIA e orienta o espectador durante esta estranha experiência.

Combinando entrevistas, episódios do quotidiano dos astronautas, imagens de arquivo e sequências debaixo de água, «The Wild Blue Yonder» vale sobretudo pela originalidade desta fusão e não tanto – e infelizmente - pelos resultados que daí decorrem.

Há momentos com um inteligente sentido de humor - quase todos centrados no extraterrestre loser e resignado que conduz a acção -, assim como pontuais sequências impressionantes captadas no fundo do oceano, com um impacto visual a que é difícil resistir, contudo estas situações são fugazes momentos de interesse de um filme que não consegue conciliar uma pretensiosa vertente clever com cenas de um suposto teor poético e reflexivo.

A banda-sonora criada pelo violoncelista de jazz Ernst Reijseger torna-se repetitiva, e a narrativa, ultrapassado o factor-surpresa inicial, desenvolve-se com um ritmo sonolento e preguiçoso, tornando «The Wild Blue Yonder» num exercício auto-indulgente, com tanto de ousado como de falhado.

GONÇALO SÁ
http://gonn1000.blogspot.com

(enviado CINEMA2000 ao IndieLisboa 2006)