O Tigre e a Neve

Título original: La Tigre e la Neve
Realização: Roberto Benigni
Intérpretes: Roberto Benigni, Jean Reno, Nicoletta Braschi, Tom Waits, Emilia Fox, Noah Margetts, Gianfranco Varetto, Steven Beckingham
Itália, 2005
Estreia: 30 de Março de 2006


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
2003. A guerra no Iraque torna-se cada vez mais ameaçadora. Em Roma, Attilio (Roberto Benigni) poeta, está apaixonado por Vittoria (Nicoletta Braschi) e todas as noites sonha com o casamento de ambos. Mas Vittoria não mostra interesse por ele e perde a paciência perante os esforços de sedução deste poeta teimoso e irracionalmente apaixonado.

Um dia, Attilio recebe uma chamada de um grande poeta iraquiano (Jean Reno), cuja biografia Vittoria está a escrever em Bagdad: Vittoria foi vítima de um dos primeiros bombardeamentos anglo-americanos na cidade e está moribunda no hospital. Animado pelo seu amor louco e a fim de salvar a sua amada, Attilio parte para o Iraque...


João Lopes
Provavelmente o melhor filme de Roberto Benigni. Que é como quem diz, aquele em que se encontra um melhor equilíbrio entre as três componentes fundamentais do seu cinema:
— a dimensão burlesca do seu estilo de representação;
— a nostalgia romântica do seu universo;
— a vocação simbólica (e de fábula política) das suas histórias.


jorgefelicio2@hotmail.com
Para todos aqueles que há muito perderam a sensibiliade para as coisas simples da vida eis que alguém teima em despertar esse velhos " receios" , Magnifico sem mais palavras e para quem não compreendeu -- lamento.


ricardosarmento69@hotmail.com
Foi um dos melhores,se não o melhor filme que já vi! É um filme actual, que mostra o que é o amor verdadeiro, faz-nos fazer figuras tão absurdas que nunca pensavamos que alguém fizesse; falar para uma pessoa acaamada inconsciente, denuma maneira como se ela estivesse a prestar atenção, ou então se estava a ser tratada nos melhores hospitais com tudo o que faz falta.Ele ultrapassa todas as barreiras passa quase pela morte faz coisas impossíveis andar de bicicleta no desrto passar pelas tropas. Pode ser um "bocado" fantasia, mas é essa fantasia que torna os filmes de Benigni uns filmes de grande qualidade argumento realização produção.
Parabéns Benigni!!!


margo_channing@hotmail.com
Este último filme de Roberto Benigni é simplesmente delicioso!
"O Tigre e a Neve", além de proporcionar umas boas gargalhadas (a cena dos americanos em Bagdad é fenomenal), conta uma história de amor lindíssima cujo apogeu só se percebe no fim do filme.

Vale a pena ver um filme assim e sentirmo-nos tocados com a mestria de Benigni ao conseguir mostar o estado do mundo através da comédia, e o amor incondicional mesmo depois da rejeição.

Eva


João Pedro Jorge
A cada novo filme que entrega, Benigni parece querer dizer ao mundo que esgotou de vez a sua criatividade no memorável A Vida é Bela: nesta sua nova película não há sinais da sincera e comovente emoção que percorria aquela obra, nem sequer há um aproveitamento eficaz da sua persona clownesca (que saudades de O Monstro!), há apenas um Benigni-abutre a voar sobre os restos do seu cinema, em pleno acto de autofagia. Mais do que cansativo e repetitivo para o espectador, é sobretudo doloroso ver um autor talentoso a perder o controlo do seu método – o segmento iraquiano do filme é, nesse sentido, inexplicavelmente desprovido de fluência narrativa e cómica, para além de nunca acertar no enquadramento político da história. Havia aqui material para uma inspirada revisão do tema do amor em tempo de guerra, mas a inspiração é, de momento, algo que Benigni ainda não soube reencontrar.

João Pedro Jorge
Claquete – O Cinema, cena a cena.


Tiago Costa
Nova e bem intencionada incursão de Roberto Benigni pelo campo da comédia burlesca em cenário de guerra, desta feita no Iraque, O Tigre e a Neve é uma mimetização desastrada do formato que tão bem resultou no belíssimo La Vita é Bella. O fortíssimo sopro da desinspiração cinematográfica varreu do filme todas as potenciais boas ideias de humor político que a história poderia proporcionar, excepção feita a uma ou outra cena mais conseguida nos primeiros minutos. Os gags pensados (?) por Benigni consistem sobretudo em sessões one man show de saltinhos e gritos protagonizadas por si próprio, num tom de histrionismo de expressões faciais forçadas e poder de cordas vocais que desafiam os nervos dos espectadores mais benevolentes. Há algumas situações de pretensa sátira política, mas mesmo aí tudo se caracteriza pelo mesmo facilitismo de piada boçal, sem réstea de originalidade ou imaginação, tornada pior pelo desempenho nulo de timing de um actor que já viu muito melhores dias (e que bem ia ele no filme de 97!). A história de amor roça o sentimentalismo piroso, em sequências de encenação rudimentar, e a componente mais dramática de mensagem política pseudo-significativa é transmitida com a subtileza e inteligência de um martelo pneumático. Consiste num diálogo que inclui uns versos poéticos entoados em forma de discurso político e que, dado o contexto (ou a falta dele), resulta muito pouco credível. Embora se reconheçam aqui alguns (poucos) méritos que o elevam acima do tenebroso Pinóquio, O Tigre e a Neve é mais um passo de Benigni na direcção do suicídio comercial e artístico.

Tiago Costa (tiago_costa13@hotmail.com)
Claquete – O Cinema, cena a cena.


almeida_rita@sapo.pt
LA TIGRE E LA NEVE
de Roberto Benigni


A poesia e a guerra. O amor e a morte. O riso e a lágrima. A fantasia e a realidade. A beleza e o horror. Depois de um morno “Pinocchio” (2002), Roberto Benigni volta a aproximar-se à magistralidade de “La Vita à Bella” (1997) com uma fábula desarmante e comovente, onde se confundem todas as emoções, e onde a pureza humana surge como remédio para uma sociedade moralmente contaminada.

“La Tigre e la Neve” conta a história de Atillio di Giovanni (Benigni), um poeta e professor universitário, divorciado e pai de duas filhas. Todas as noites Attilio imagina - a la Fellini - o casamento com a mulher dos seus sonhos. No meio dos convidados estão Jorge Luis Borges e Marguerite Yourcenar, entre outros; ao piano: Tom Waits.

Numa conferência de imprensa dada por Fouad (Jean Reno), um poeta iraquiano amigo de Atillio que vive em Paris, Attilio vê Vittoria (Nicoletta Braschi), a mesma mulher do sonho, e também a mulher por quem Attilio está perdidamente apaixonado e que persegue por todo o lado na tentativa de a convencer do seu amor. Os seus esforços recebem a dissuasora resposta de que Vittoria cederá apenas quanto nevar sobre um tigre. Vittoria está a escrever a biografia de Fouad, e quando este decide regressar a Bagdad, Vittoria vai com ele. Attilio não demora muito a ir atrás de Vittoria, mas desta feita por motivos mais graves que o capricho.

Attilio parte numa viagem atribulada para salvar o seu amor. Mas Vittoria é aqui apenas o símbolo/veículo de um sentimento que reside, essencialmente, no fundo de cada um de nós, e que deverá justificar os maiores riscos: a capacidade de amar. Uma consciência que, no mundo actual, atolado em guerras e conflitos mesquinhos, parece faltar.

“La Tigre e la Neve” apresenta claramente uma estrutura clássica em três actos, e, apesar do fio condutor, fragmenta-se em sketches, uns mais eficazes que outros, e talvez essa falta de homogeneidade seja a maior falha deste filme. De resto, a mestria de Benigni na comédia de equívocos (o ponto alto sendo o fabuloso “Il Mostro”, 1994), o lirismo dos diálogos e os subtis detalhes. Entre estes, saliento o momento em que Attilio é atingido pela bandeira da paz, num contraponto aos que justificam a guerra como meio de alcançar o seu oposto; e a invocação de Alá através de um Padre Nosso, porque afinal a fé vale por ela mesma, tal como o amor, e não pelo deus-objecto.

O filme é Benigni, em todas as cenas. Nicoletta Braschi, esposa e musa de Benigni e recorrente protagonista dos seus filmes, e, à semelhança de “Pinocchio”, também produtora, tem aqui a oportunidade rara de o confrontar. Numa participação mais do que especial, Waits, que conhece Benigni pelo menos desde 1986, quando contracenaram em “Down by Law” (1986), de Jim Jarmusch, canta “You Can Never Hold Back Spring”, uma belíssima canção composta com Kathleen Brennan propositadamente para este filme. O resto da música é assinada por Nicola Piovane, que recebeu o Oscar por “La Vita è Bella”.

“La Tigre e la Neve” é um filme sobre palavras, e a importância de escolher as certas. De nunca nos esquecermos de dizer adeus a quem amamos (e, por sinal, não esquecer também de dizer que os amamos), porque de cada vez pode ser para sempre.

Um filme belo sobre o amor, não aquele que é imutável mas aquele que é inelutável.


RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/


marta.veloso@netcabo.pt
Quase dez anos após o fantástico La Vita è Bella, Roberto Benigni regressa com La Tigre e la Neve, uma tragicomédia de contornos algo semelhantes aos do sucesso de 1997 e em que o génio de Benigni, ofuscado nos últimos anos, volta finalmente a brilhar.

Deixando para trás o Holocausto, Benigni pega num conflito extremamente actual, a segunda Guerra do Golfo, e na cidade de Bagdad completamente destruída para criar o palco desta história sobre amor inconsequente a que só ele parece saber dar vida.

Benigni é Attilio de Geovanni, um professor de poesia que parte para o Iraque em plena ocupação americana quando recebe a notícia de que a mulher que ama (Nicoletta Braschi) está a morrer num hospital de Bagdad após ter sido vítima de um atentado à bomba. Sem medicamentos no hospital e com a Cruz Vermelha impedida de chegar a cidade, as hipóteses de sobrevivência são quase nulas, mas as certezas científicas não são suficientes para Attilio, que tudo fará para a recuperação da sua amada. Tal como Guido de La Vita è Bella, Attilio é um optimista, a única réstia de esperança numa cidade destruída física e moralmente pela guerra. É ele que faz de uma tragédia inevitável uma comédia quase surrealista, em que o milagre do amor tem, de facto, lugar.

Excessivamente romântico, sem dúvida, mas Benigni nunca quis enganar ninguém e sempre assumiu este seu lado optimista e crente inveterado no amor. Não é pois um filme para os mais cínicos, mas para aqueles que estão dispostos a aceitar o humor sensível de Benigni. Sem ser tão brilhante como La Vita è Bella, e com algumas falhas de argumento, é sem dúvida um bom regresso para Benigni, que conta ainda com a participação especial de Tom Waits que interpreta ao vivo uma belíssima canção, “You Can Never Hold Back Spring”. Só por isto já valeria a pena.

Marta Veloso
www.matine.blogspot.com
www.paranoidandroid1982.blogspot.com


jtrb79@hotmail.com
Burlesco com a guerra do Iraque já existia com os sound bytes de Bush e dos seus comparsas, não era necessário o Benigni "fazer-nos rir" com aquela tristeza. O problema do realizador italiano é só um: não consegue ter o mínimo de graça. Ele até tem boas ideias de comédia surreal, de contrastes entre o décor e a sua persona, mas o seu estilo hiperbólico, maníaco e de verbo fácil destrói qualquer possibilidade de cumplicidade com o seu projecto. "O Tigre e a Neve". A meio da projecção, já o cansaço, de tanta electricidade humana, tomou conta do pobre espectador, e a partir daí é um arrastar até ao genérico final.

Tiago Ribeiro 03/04/2006


Filipa Lopes
Como apreciadora incondicional da belíssima obra-prima A Vida é Bela, fiquei desagradavelmente surpreendida com o novo filme de Benigni. O Tigre e a Neve terá ideias, até poderia ser simpático, mas o argumento é quase inexistente, rodando sempre a mesma coisa, dita de maneiras diferentes, com a máscara de poesia. A personagem de Benigni vive apaixonada pela sua musa, fazendo os impossíveis para a salvar quando esta corre risco de vida. O problema é que os maneirismos de Benigni se tornam insuportáveis ao fim de pouco tempo. Principalmente quando, devido à falta de conteúdo, o filme tem que viver muito à custa das interpretações. A melhor é de Nicoletta Braschi, sem ser sequer deslumbrante. O início e o final do filme salvam-no da. O que nunca seria, dada a magnífica música de Tom Waits You can never hold back Spring; que se vai sempre ouvindo durante o filme...

Filipa Lopes
Claquete – O Cinema, cena a cena.


     
 

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