Frágeis

Título original: Fragile
Realização: Jaume Balagueró
Intérpretes: Calista Flockhart, Richard Roxburgh, Elena Anaya, Gemma Jones, Yasmin Murphy, Colin McFarlane, Susie Trayling, Daniel Ortiz
Espanha, 2005
Estreia: 9 de Março de 2006


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Espectadores
   
 
 
Após mais de um século em funcionamento, o hospital pediátrico de Mercy Falls vai fechar para sempre. No entanto, o processo está a demorar mais que o esperado - um acidente de comboio deixa os hospitais locais sem camas, tornando necessário adiar a mudança.

Mas a situação complica-se: quase não resta pessoal e a maioria das instalações foram desmanteladas. Amy (Calista Flockhart), uma jovem enfermeira, é enviada de Londres para ajudar. Mas Amy rapidamente detecta algo que assombra este lugar... As crianças estão nervosas. E têm medo. De algo intangível e invisível...


João Pedro Jorge
À terceira longa-metragem, o realizador catalão que prometeu dar novo fôlego ao cinema de horror espanhol mostra-se cada vez mais… frágil. Tudo o que era espontâneo e genuinamente aterrorizador em Los Sin Nombre e denotava sinais de ruir em Darkness acaba por desabar neste Fragile, que nunca consegue emocionar, criar personagens sólidas ou explorar verdadeiramente toda a tensão que o espaço físico, um portentoso hospital assombrado, oferece. Para além disso, o argumento não tem qualquer identidade, colando resquícios de The Haunting, Shining e aproximando-se demasiado das premissas do Dark Water original. A espaços, a prestação esforçada do elenco internacional encabeçado por Calista Flockhart (aqui claramente deslocada do seu meio) e o virtuosismo de Balagueró com a câmara (o realizador visualiza de modo irrepreensível o seu “monstro”) faz querer acreditar em algo mais, mas este prato, de tantas vezes que foi servido, necessita de uma reformulação urgente e de novos temperos cinematográficos.

João Pedro Jorge
Claquete – O Cinema, cena a cena.



almeida_rita@sapo.pt
FRÁGEIS
de Jaume Balagueró


O hospital de crianças de Mercy Falls, na Ilha de Wight (Reino Unido) está prestes a ser encerrado. Mas devido a um grande acidente que motiva a falta de camas disponíveis, algumas crianças ainda se encontram em Mercy Falls aguardando a transferência. Entretanto, uma das crianças aparece com a perna partida sem se perceber como, ao mesmo tempo que Maggie (Yasmin Murphy), uma outra criança, afirma que a culpa é de Charlotte, uma menina mecânica que supostamente vive no 2º andar (fechado há cerca de 40 anos) e que mais ninguém acredita existir. Amy (Calista Flockhart), uma enfermeira americana, vem de Londres designada para o turno da noite e estabelece uma forte empatia com Maggie. A imaterial presença de Charlotte vai-se fazendo notar cada vez mais e com maior agressividade, e Amy assume a tarefa de proteger estas crianças.

A premissa da casa assombrada é velha, e Balagueró não traz nada de novo com esta história. A personagem de Amy é fracamente trabalhada, o contexto dos seus demónios passados é incompreensível e a representação de Calista Flockhart (eternamente marcada pela personagem Ally McBeal) falha nas partes mais emocionais, sendo incapaz de motivar particular simpatia. O mesmo não acontecendo com Yasmin Murphy no papel de Maggie, que está fantástica.

Balagueró faz um uso subtil do fantasma, mostrando-o pouco, mas fazendo a sua presença sentir-se em cada instante. Infelizmente, em muitos momentos optou por um uso excessivo dos efeitos sonoros e do volume, que substituíram o efeito perturbante que deveria ser da cena. O final lamechas também não ajudou, retirando o efeito agridoce dos últimos minutos de filme e que deveria ter permanecido.

Apesar disso, o filme tem suficientes twists e momentos assustadores que compensam o fraco argumento (de Balagueró e Jordi Galcerán, autor da peça “El Método”). Tem tudo a ver com o ambiente, a atmosfera de perigo e desassossego, soturna e mórbida, quase sempre nocturna e deprimente, e cheia de chuva, cinzentos e sombras na fotografia de Xavi Giménez. A música de Roque Baños ajuda consideravelmente na criação da opressão que precede os sustos. Para mim o assunto “ossos” é particularmente sensível, causando-me um certo desconforto físico (até o simples estalar dos dedos das mãos já me arrepia), o que permitiu ampliar estes efeitos e tornar a viagem de terror um pouco mais gratificante.

A terceira estrela é porque me fez tapar a cara, várias vezes. E pela beleza quase irritante de Elena Anaya.


RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/


pmcferreroms@yahoo.com
«Fragile» é mesmo isso: um filme frágil, cuja estrutura se quebra ao primeiro embate, totalmente «déjà vu» e previsível, e completamente desinteressante (há mesmo momentos involuntariamente cómicos como, por ex. o facto de todos os meninos internados terem um ar perfeitamente saudável).

Balagueró deixou de lado os resquicíos das seitas terrivelmente demoníacas de «Los Sin Nombre», para se deixar levar pelo «copy paste» de macaquinhos no sótão, neste caso, no 2º andar de um hospital pediátrico em vias de fechar... Fraquito.

Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus



     
 

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