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Espelho Mágico
Realização: Manoel de Oliveira
Intérpretes: Ricardo Trêpa, Leonor Silveira, Marisa Paredes, Lima Duarte, Michel Piccoli, Luís Miguel Cintra, Duarte de Almeida, Isabel Ruth, Glória de Matos, Leonor Baldaque, José Wallenstein, Diogo Dória
Portugal, 2005
Estreia: 9 de Março de 2006
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João Lopes | Média dos Espectadores |
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| Luciano, saído da prisão, foi levado pelo seu irmão, Flórido, a casa de Alfreda, uma senhora rica, para a servir. Admirou-se quando Alfreda lhe disse que o seu maior desejo era o de ter a aparição de Nossa Senhora. Agora vinha aquela abastada proprietária com as suas pretensões sublimes. Não lhe bastava ter um Aston Martin e um Jaguar na garagem e dez vestidos por estação? Tudo era culpa do professor Heschel. Ou fosse do que fosse... Ir além da promessa é a heresia. Alfreda disse que não descansava enquanto não visse Maria e lhe fizesse umas perguntas. Filipe Quinta, o Falsário, diz ter uma solução. Entretanto, Bahia, seu marido, ouvia música... |
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João Lopes
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Fiel a si próprio, Manoel de Oliveira reinveste os domínios do sagrado com uma verve — e um gosto experimental — que faz pensar no emblemático «O Passado e o Presente» (1972). Dito de outro modo: esta é uma comédia insólita sobre a procura do absoluto e a nitidez da morte. A reter, em particular, a espantosa meia hora final, com a sereníssima agonia da personagem de Alfreda (Leonor Silveira).
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rdgmartins@hotmail.com |
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Muito se fala da Virgem Maria neste novo filme de Manoel de Oliveira. Talvez seja mesmo este o seu principal defeito, em primeiro lugar, a temática religiosa, tema caro ao realizador; em segundo, essa mesma religião filmada na “upper class” portuguesa, com os todos os tiques do costume; por outras palavras, vai ser um Oliveira anti-público português, e em dose dupla.
Sejamos frontais. Para se gostar de Oliveira (ele tem filmes fantásticos, confesso), tem que se que se ultrapassar os seguintes obstáculos:
- Câmara fixa e raros movimentos de câmara
- Composição pictórica de elementos pouco mexidos
- Discurso teatral e verbalização algo desligada da realidade
- Actores que falam inglês ou francês, e são respondidos em português
Para lá disto, claro que há possibilidades de ainda haver grande cinema. Mas não é toda a gente que está para levar uma dose assim, conheço alguns que adoram cinema dito “difícil”, mas que não conseguem atinar com Oliveira, porque o consideram demasiado pomposo e intelectual, fatalmente verbal e demonstrativo, e não podemos culpá-los. Houve momentos que me pareceram ser uma caricatura do que as pessoas pensam ser Oliveira, será que o mestre está a perder o ritmo?
Com prelúdio fulgurante com Leonor Silveira e o seu espelho, ao som de “Concerto Macabre” de Saint-Saens, o filme vai perdendo o interesse, parece que lhe falta um centro lógico condutor. Qualidades não faltam, o trabalho sobre os cenários e os actores é extraordinário; tiro o meu chapéu a Ricardo Trêpa, que está absolutamente fantástico como Luciano; e Leonor Silveira, como Dona Alfreda, a aristocrata ansiosa por uma visão da Nossa Senhora, é genial com aquele rosto esfíngico, ela é absolutamente do outro mundo. Quando os dois aparecem no ecrã, o filme ganha vida, parece que estão prestes a agarrar-nos pelos colarinhos.
Com Marisa Paredes, Lima Duarte, Diogo Dória, João Bénard da Costa, Michel Piccoli, Isabel Ruth, e ainda Glória de Matos, que dá alguns momentos de genuíno humor, perto do final, como a enfermeira estilo Renoir.
Só para fãs hard-core de Oliveira.
Ricardo Daniel Guerreiro Martins
http://violenciaepaixao.blogspot.com/
12-03-2005 |
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