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Chupa no Dedo
Título original: Thumbsucker
Realização: Mike Mills
Intérpretes: Lou Taylor Pucci, Tilda Swinton, Vincent D`Onofrio, Keanu Reeves, Benjamin Bratt, Vince Vaughn
Estados Unidos, 2005
Estreia: 26 de Janeiro de 2006
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João Lopes | Média dos Espectadores |
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Justin Cobb é um adolescente de dezassete anos que ainda chucha no dedo, mas essa atitude esconde um problema maior. Lutando para encontrar a sua própria identidade e independência ele procura um rumo para a sua vida.
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Festival de Berlim 2005, Urso de Prata Melhor Actor (Lou Taylor Pucci), Festival de Sundance 2005, Prémio Especial do Júri (Lou Taylor Pucci).
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* «Chupa no Dedo» no IndieLisboa. |
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João Lopes
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| Viciado no seu polegar, o jovem protagonista (Lou Taylor Pucci) entra num delírio capaz de questionar o seu lugar familiar, escolar e social. Produzido e interpretado por Tilda Swinton (na personagem da mãe), o filme de Mike Mills é uma bela e insólita parábola sobre a passagem à idade adulta. (Nota publicada no «Diário de Notícias») |
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gonn1000@hotmail.com |
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O BOM REBELDE
Alvo de consideráveis elogios em alguns festivais internacionais por onde passou – como o de Berlim ou o de Cannes, que premiaram o actor principal, Lou Taylor Pucci -, “Chupa no Dedo” (Thumbsucker), a primeira longa-metragem de Mike Mills, realizador com experiência na área dos videoclips, tornou-se num dos maiores hypes do cinema independente americano recente, pelo que a sua estreia se aguardava com algum interesse.
Nos últimos anos, “Uma Pequena Vingança”, de Jacob Aaron Estes, ou “Donnie Darko”, de Richard Kelly, destacaram-se como brilhantes primeiras-obras indie que exibiam já grande maturidade e personalidade, mas “Chupa no Dedo”, apesar de uma certa onda de aclamação crítica, não está, infelizmente, à altura desses exemplos, o que não implica que seja uma película sem interesse.
O filme parte de uma premissa curiosa, focando um jovem de dezassete anos que tem desde a infância o vício de chuchar no polegar, hábito frequentemente repreendido pelos pais e ridicularizado pelo irmão mais novo.
Tímido, recatado e inseguro, Justin decide então resolver essa questão de vez e abandonar essa prática, e aos poucos vai (re)descobrindo a confiança em si próprio, adquirindo maior pragmatismo e evidenciando uma até então escondida capacidade de expressão, que se torna bastante útil em debates escolares.
Ainda que assente num ponto de partida algo invulgar, o argumento de “Chupa no Dedo” desenvolve-se depois de forma que, se não chega a ser descaradamente convencional, está pelo menos bastante próxima de muitas obras do cinema alternativo norte-americano, apostando no mesmo tipo de personagens, situações, ambientes e conflitos. Isso não chega para fazer deste um mau filme, longe disso, mas também não lhe permite que passe de um trabalho modesto e correcto que poderia ter ido bem mais longe.
Mike Mills acerta quase sempre, sem no entanto surpreender. A abordagem da solidão, adolescência, identidade, frustração, união familiar e, em última instância, das dificuldades e contingências das relações humanas, é feita com sobriedade e sentido de observação suficientes, mas sem rasgos. É tudo demasiado polido, e embora existam algumas zonas de sombra a complexidade emocional das personagens é só parcialmente explorada.
“Chupa no Dedo” é uma dramedy mediana, tem bons momentos de humor e de drama mas sem sempre bem conciliados, sofrendo ainda de um ritmo irregular e de uma narrativa pouco arriscada.
Felizmente, os actores são quase todos convincentes e elevam um pouco o material a que estão sujeitos, desde uma intrigante Tilda Swinton a um amargurado e vulnerável Vincent D’Onofrio, passando ainda por um surpreendente Vince Vaughn. Lou Taylor Pucci, no papel principal, não destoa, apesar do seu desempenho e personagem se assemelharem muito aos dos protagonistas de “Quase Famosos”, de Cameron Crowe, ou de “Conta-me Histórias”, de Todd Solondz. Já Keanu Reeves, não obstante o esforço, compõe um dentista zen sem grande chama.
O tom sereno e contemplativo de grande parte do filme quase faz esquecer que Mills provém de domínios dos videoclips, pois não se encontram aqui truques visuais especialmente arrojados, no entanto saúda-se o bom gosto na escolha da banda-sonora, com canções dos Polyphonic Spree e Elliott Smith.
“Chupa no Dedo”, mesmo desequilibrado e não trazendo nada de novo ao cinema indie – pelo contrário, há por aqui excessivos paralelismos com obras de Terry Zwigoff, Burr Steers ou Gus Van Sant (da fase menos ousada), entre outros -, é uma opção a considerar para quem quiser conhecer (mais) uma boa história de outcasts, losers e inadaptados. Tem, portanto, o suficiente para tornar Mills num realizador a merecer alguma atenção, e quem sabe se o seu próximo filme não será, de facto, brilhante…
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com |
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pmcferreroms@yahoo.com |
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De facto «Thumbsucker» é uma parábola sobre a passagem à idade adulta, ou seja, sobre a adolescência, aquele estado porque todo a criatura racional passa e de onde muitos nunca chegam a sair.
Mas não sei se é por culpa da interpretação e do polegar de Lou Taylor Pucci, ou se por culpa daqueles seus pais tão irritantemente complicados, a verdade é que achei que o realizador transformou uma ideia engraçada e originial numa chatice em três actos, e em que apetece dar um abanão a toda aquela família, tão monocórdica como inerte.
Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus |
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Lapso: a nota é 2,não 3.
Tiago Ribeiro 30/01/2006 |
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jtrb79@hotmail.com |
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"Thumbsucker" é um indie como quase todos os indies: personagens a fingirem-se idiossincráticas, humor pretensamente acutilante, tudo encaixado num argumento que se quer fazer diferente. Formalmente, é discreto, sem nada que nos chame verdadeiramente a atenção. As personagens secundárias cumprem os mínimos, e não parece ser aqui que Keanu Reeves irá ganhar uma respeitabilidade de verdadeiro actor. Enfim, mais um objecto bem sobrevalorizado nos EUA, via Sundance, como se bastasse esta palavra para se criarem demasiadas expectativas. Não é um mau filme, longe disso, é só mais um dos inúmeros exemplares do "vê-se e esquece-se".
Tiago Ribeiro 30/01/2006
http://thenightofthehunter.blogspot.com/ |
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almeida_rita@sapo.pt |
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THUMBSUCKER
de Mike Mills
A adaptação do livro ‘Thumbsucker’ de Walter Kim é a estreia na realização de Mike Mills, realizador de vídeos musicais e anúncios, e da mesma escola de Spike Jonze e Sofia Coppola. A ver por este exemplo, o seu potencial não ficará atrás.
Justin Cobb (Pucci), 17 anos é um adolescente deslocado (como todos) que apenas encontra conforto para as grandes inseguranças e ansiedades da sua vida no seu polegar, chupando-o em busca de conforto e concentração. Hábito que o pai dele, a quem Justin trata pelo seu nome próprio Mike (D`Onofrio), encara com relutância (pela vergonha e pelas contas do dentista). A mãe, Audrey (Swinton, também produtora), adopta uma atitude mais compreensiva.
Mas enquanto Justin luta por definir a sua identidade, um e outro têm as suas próprias questões para combater. Mike vive com o desapontamento de uma carreira desportiva perdida, uma frustração que se manifesta nas suas fracas capacidades de comunicação e em cada conversa falhada com o filho. Audrey, em pleno desmoronamento, está obcecada com a estrela de cinema Matt Schramm (Bratt), e aproveita o seu trabalho de enfermeira para se aproximar de Schramm numa clínica de desintoxicação.
Uma abordagem curiosa deste argumento, também de Mills, é que a angústia não é aqui monopólio dos adolescentes. Ser pai também não é fácil e as respostas não estão escritas em nenhum manual.
Além dos seus pais, uma série de adultos bem-intencionados tenta ajudá-lo a superar este comportamento “infantil”: desde o seu dentista ‘new-age’ e pseudo-psicólogo (Reeves) hipnotiza-o ao director do grupo de debate (Vaughn), que sugere o uso de Ritalin, a droga que as escolas americanas promovem para combater o Défice de Atenção e Hiperactividade. E até a estrela Matt Schramm lhe ensina inesperadamente umas quantas verdades. A medicação surte efeito: Justin excede todas as expectativas. A medicação reduz o gesto automático de chupar no dedo, mas começa igualmente a alterar a sua personalidade.
Começam então as experiências com drogas e com o sexo. Mas nenhuma delas lhe dá a sensação de preenchimento que ele acha que devia sentir. É finalmente o seu irmão mais novo, Joel (Offerle), que acaba por confrontá-lo com a realidade e o ajuda a perceber que todos têm as suas ansiedades e falhas e, em última instância, é isso que torna as pessoas interessantes. Chupar no dedo torna-se uma metáfora do que nos faz diferentes, e que isso não é necessariamente mau.
“Thumbsucker” não é um filme sobre como as pessoas se relacionam umas com as outras, mas como se relacionam entre si. É um filme cheio de angústia, melancólico, introspectivo, mas imensamente divertido e inteligente. Realista na fragilidade das relações, mostra o adolescente como um ser humano racional, e não uma caricatura.
A representação de Pucci (que debutou em “Personal Velocity” (2002), de Rebecca Miller) é de extrema naturalidade e credibilidade, o que lhe valeu um prémio em Sundance. A manter debaixo de olho. De salientar igualmente Vincent D’Onofrio, exímio na sua contenção. E, para cúmulo, até Bratt e Reeves têm participações interessantes.
“Thumbsucker” é um filme sólido, que faz lembrar um pouco “Igby Goes Down” (2002), de Burr Steers, onde as situações exageradas nunca deixam de ser credíveis. No entanto, apesar de falar deles, os espectadores deste filme não serão maioritariamente adolescentes e os que o forem ver terão, certamente, uma surpresa.
Todos buscamos forma de lidar com as tensões e ansiedades. E possivelmente, muitos do problemas de Justin terminariam se ele apenas aceitasse o seu impulso em vez de o combater. Por vezes queremos tanto explicar a razão por que somos (sentimos) diferentes, que chegamos a acreditar que há algo de errado em nós. Mas o caminho mais simples talvez seja apenas aceitar a nossa humanidade.
RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/ |
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nininha7@yahoo.com.br |
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Este filme é uma mistura de emoções que sao sentidas em simultaneo... No mesmo momento pensa-se que todas as atitutes são erradas como se sente que tudo aquilo faz sentido! Põe-se em questão tudo aquilo que vivemos.. Afinal vale a pena arriscar e experimentar, em vez de deixar o tempo passar e nada ter vivido!
Um filme diferente..., na minha opiniao, só para quem tem uma mente um pouco mais aberta..
Agradeço ao cinema2000 por me ter proporcionado assitir a esta ante-estreia..
Aline |
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