Primer

Título original: Primer
Título (Brasil):
Realização: Shane Carruth
Intérpretes: Shane Carruth, David Sullivan, Casey Gooden, Anand Upadhyaya, Carrie Crawford, Jay Butler
EUA, 2004
Estreia: 19 de Janeiro de 2006


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
Nos subúrbios industrializados e cheios de casas pré-fabricadas de uma qualquer cidade contemporânea, dois jovens engenheiros, Abe e Aaron, fazem parte de um pequeno grupo de homens que durante o dia trabalham para uma grande empresa enquanto se dedicam, nos tempos livres, a fazer experiências numa garagem.

Enquanto trabalham no seu último projecto, um aparelho que reduz a massa aparente de qualquer objecto bloqueando a força da gravidade, descobrem acidentalmente que o mesmo tem capacidades totalmente inesperadas. O seu primeiro desafio é decidir se devem aproveitar esta oportunidade única. O segundo será enfrentar as consequências.

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«Primer» marca a estreia de um jovem realizador. Shane Carruth, 31 anos, ex-engenheiro que aprendeu cinema sozinho durante três anos, concebeu, escreveu, realizou, montou e fez a banda-sonora do filme, e interpreta também um dos papéis principais. Na edição de 2004 do Festival de Sundance, recebeu o Grande Prémio do Júri e o prémio Alfred P. Sloan Foundation para filmes relacionados com ciência e tecnologia.


João Lopes
Um curioso exercício formal sobre o poder científico e a invenção de um espaço alternativo de saber e percepção — na tradição narrativa e abstracta de «O Último Ano em Marienbad» (1961), de Alain Resnais, este é um filme sobre o mundo como ilusão, a meio caminho entre a evidência factual e o delírio fantástico.


Paulo Costa
É impossível evitar a sensação de que Primer tenta bastante seguir o mesmo caminho que Darren Aronofsky seguiu no seu filme de estreia, Pi, em 1998. Com um orçamento bastante reduzido, filmado praticamente sem meios mas com muita vontade (presume-se), ambos foram bastante aclamados no meio do cinema independente, tendo vencido dois dos mais importantes prémios no Festival de Sundance. As semelhanças não se ficam por aqui, sendo que ambos são filmes de ficção científica, sobre personagens que se vêm prestes a revolucionar o mundo com uma descoberta científica, mas depressa descobrem o peso que as suas descobertas acarretam. No entanto, uma diferença grande separa os dois filmes: Carruth não é Aronofsky e aquilo que Primer tem em termos de potencial, acaba por não ter a melhor das concretizações.

E sem dúvida que é triste acabar por se dizer mal de um filme do qual até não se desgostou por completo, mas por muito que isso custe, Primer está longe de ser um filme perfeito. E podemos até começar pelas coisas boas: o filme, apesar da escassez de meios, está muitíssimo bem filmado, com um estilo muito crú, mas bastante próximo da acção, de câmara ao ombro, sempre atento a cada movimento dos seus personagens. Os actores, apesar de não profissionais, estão bastante bem, e perfeitamente credíveis, sendo que aí também não há grandes erros a apontar. E acima de tudo, a premissa envolvendo viagens no tempo e universos temporais paralelos, tinha todas as condições para ter resultado. Mas aqui entra o grande defeito do filme, que peca por completo quando se trata de encontrar uma história ou um fio condutor onde estes elementos possam convergir da melhor maneira. Assim, temos apenas um emaranhado de ideias, sem qualquer organização coerente, que deixam o espectador completamente perdido, já que nem todos temos um doutoramento em matemáticas ou em engenharia ou física quantica. Pode e deve louvar-se a ideia e a coragem do actor/argumentista/produtor/realizador ao arriscar fazer um filme capaz de se movimentar completamente à margem do resto da indústria cinematográfica, surgindo como um completo OVNI. Mas, tal como acontece com este filme, ainda estamos muito longe de entender a vida extra-terrestre, o que não quer dizer que não possamos, mesmo assim, achar o tema fascinante.

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andre_sarmento_batista@msn.com
‘Primer’ marca a estreia de um jovem cineasta - Shane Carruth, de 31 anos e ex-engenheiro que aprendeu cinema sozinho durante três anos, concebeu, escreveu, realizou, montou e ainda fez a banda-sonora do filme, e também interpreta um dos papéis principais da história. Na edição de 2004 do Festival de Sundance, recebeu o Grande Prémio do Júri e o prémio Alfred P. Sloan Foundation para filmes relacionados com ciência e tecnologia. Carruth, desde cedo nutriu uma grande paixão pela literatura, é um auto-didacta de cinema e montagem, e teve a proeza de juntar 7000 dólares para escrever, realizar, protagonizar e montar ‘Primer’, o grande vencedor do festival de Sundance de 2004, e o filme fantástico que muitos aficionados do género o apelidaram de ‘salvador’ do género - à imagem do que sucedeu há uns anos atrás com a excelente obra ‘Pi’, do então desconhecido Darren Aranofsky. Rodado em 16mm, ‘Primer’ conta-nos a história de dois cientistas que se reúnem nos seus tempos livres na busca de reduzir massa corporal através de gravidade.

Ambos acabam por descobrir o segredo para viajar no tempo mas, descobrem acidentalmente que o mesmo tem capacidades totalmente inesperadas. O seu primeiro desafio é decidir se devem aproveitar esta oportunidade única, e o segundo será o de enfrentar as consequências. Se sempre se deseja o que não se pode ter, o que quereríamos se pudéssemos ter o que quisessemos ? É esta a premissa do filme. E que premissa ! Inteligente e complexo, este filme foi aclamado pelaa critica americana, e foi uma das grandes descobertas dos últimos anos do festival de cinema Fantasporto. Um filme de ficção científica que, primeiro que tudo, apoia-se numa ideia forte e depois parte para os efeitos especiais (será que existem ?). ‘Primer’ pode muito bem ter as suas fraquezas e pontos mais baixos, mas são quase 80 minutos de puro gozo e adrenalina, que muito me emocionaram. Uma muito boa primeira obra (e o novo argumento que Carruth está a escrever conta a história de um romance entre um oceanógrafo-prodígio e a filha de um comerciante de mercadorias do Índico) !

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