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O Fiel Jardineiro
Título original: The Constant Gardener
Título (Brasil):
Realização: Fernando Meirelles
Intérpretes: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Danny Huston, Pete Postlethwaite, Gerard McSorley, Hubert Koundé
Grã-Bretanha/Alemanha, 2005
Estreia: 3 de Novembro de 2005
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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Numa zona remota do norte do Quénia, a brilhante e fervorosa activista Tessa Quayle (Rachel Weisz) é encontrada brutalmente assassinada. O seu companheiro de viagem, um médico local, desapareceu. Tudo indica tratar-se de um crime passional.
Os membros do Alto Comissariado Britânico em Nairobi partem do princípio que o seu colega Justin Quayle (Ralph Fiennes), o marido de Tessa, pacato diplomata sem ambições, deixará o assunto ao cuidado deles. Não podiam estar mais enganados...
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Nomeações para os Oscars (4)
* MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA, Rachel Weisz
* MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO, Jeffrey Caine (a partir do romance de John Le Carré)
* MELHOR MONTAGEM, Claire Simpson
* MELHOR BANDA SONORA, Alberto Iglesias
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João Lopes
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Um filme de rara actualidade: política, pelo modo como dá a ver as feridas de África na sua íntima relação com a dinâmica civilizacional do chamado mundo ocidental; formal, pela requintada combinação entre a narrativa romanesca e os índices documentais.
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Este texto foi publicado no «Diário de Notícias» (3 Nov.), com o título `A África dos europeus`.
É muito provável que «O Fiel Jardineiro» venha a estar em boa posição nas nomeações para os próximos Oscars. E ainda mais provável é que, por isso (mas também antes disso), algum jornalismo mais precipitado o refira como um filme americano. Daí que valha a pena lembrar que se trata de uma produção com a chancela da Grã-Bretanha e da Alemanha e assinatura de Fernando Meirelles, o realizador brasileiro de «Cidade de Deus».
A questão das raízes da produção está longe de ser secundária, uma vez que estamos perante um objecto de sensibilidade genuinamente europeia. Desde logo por causa do romance de John Le Carré que o filme adapta e pelo modo como nele se renova uma visão céptica dos meios diplomáticos: este é um drama político que se desencadeia no Quénia, colocando em cena um par constituído por uma activista (Rachel Weisz) e pelo seu marido (Ralph Fiennes), um diplomata de carreira. Mas a Europa emerge também, paradoxalmente, através da presença vibrante do continente africano: Meirelles filma a vida (e a morte) de África como um labirinto de contradições que nos recolocam face às grandes opções políticas do chamado mundo ocidental e, em particular, da Europa.
Surpreendentemente, isso é conseguido através de um estilo que integra, com grande contenção, algumas componentes documentais. «O Fiel Jardineiro» é, assim, um filme que possui uma urgência factual muito para além dos estereótipos políticos dos telejornais, ao mesmo tempo que preserva uma delicada dimensão romanesca, quase romântica. Coisas raras nos dias que vivemos. |
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Fábio Amaral |
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| Fui ver este filme ao cinema numa "espécie" de visita de estudo da disciplina de Filosofia. Devo dizer que o filme é lindo, mas revoltante. |
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ana claudia valerio |
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Um excelente filme que aborda as desigualdades deste mundo. Os países do Norte preocupados com a produção indutrial e o crescimento económico e os países do Sul que não conseguem contornar os obstáculos ao seu desenvolvimento (analfabetismo, guerras, corrupção, etc). Um excelente filme para abordar o tema 5 do programa de Geografia do 3º ciclo.
Ana Cláudia Valério |
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Pedro Antunes |
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| O Filme é Maravilhoso fala de conspiração, uma linda história de Amor, um desempenho de um grande ACTOR Ralph Fiennes, uma linda Banda Sonora |
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IJGP |
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“O Fiel Jardineiro” (2005), de Fernando Meirelles, com Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Danny Houston, Bill Nighy e Hubert Koundé, etc.
Depois do mega – sucesso internacional de “Cidade de Deus”, o filme anterior de Meirelles, que é uma denúncia real das favelas que proliferam no nosso país irmão, este realizador brasileiro volta à carga, com o seu primeiro filme inglês, onde denuncia casos preocupantes, estendendo-se, agora, ao continente africano. É lá, que, desumanamente, milhares de pessoas são tratadas como cobaias, experimentando medicamentos, que depois são usados no mundo ocidental. À conta destes testes, estes milhares de pessoas morrem, devido aos efeitos secundários dos medicamentos, sendo depois alterada a sua composição para que haja risco nulo na utilização no interior do mundo rico. É contra esta injustiça, que Tess (a sexy Weisz) se opõe, lutando e manifestando-se contra as indústrias farmacêuticas que fazem estas acções. A sua luta acaba mal, quando é encontrada morta no seu automóvel em terreno de bandidos. Chocado com esta morte, o diplomata Justin (Fiennes) acaba o trabalho da sua falecida mulher tentando deslindar todos os segredos da teia, onde a sua mulher, e onde ele, acaba por se envolver. Filme baseado na obra de Le Carré, conhecido por este tipo de tramas, “O Fiel Jardineiro” ganha pontos, principalmente, no campo da realização, com a excelente montagem e edição de Meirelles, praticamente igual ao seu anterior filme, que faz com que a acção não aborreça o espectador, sendo um filme fluido. O elenco está fantástico, com uma justiçada Weisz, que ganhou o Óscar graças ao papel de uma mulher cujo filme vai revelando a sua verdadeira faceta, e um injustiçado Fiennes, que nem uma nomeação teve pela interpretação do contido Justin, fiel à sua mulher, e jardineiro nas horas vagas. O elenco secundário está, igualmente convincente. Outro aspecto positivo da película é o equilíbrio de géneros, com a junção do romance imortal, com a teia de conspirações, que tornam o filme um pouco policial. É um filme bom, com uma importante mensagem sobre as injustiças cometidas no paupérrimo continente do mundo, África, com uma verosímil descrição dos locais, pessoas e cultura.
+: realização.
-: história parada em certas (poucas) alturas.
PONTOS: 18.4 (0-20).
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Fantástico, pelas cenas, pelas paisagens, peo realismo e desmpenho beilhante dos actores.
Um filme com uma temática actual, urgente e envolvente que abala consciências e desperta os sentidos!
Além do tema abordar um tema actual e polémico é também uma comovente história de amor, abnegação e fidelidade.
Lindoooooooooooo
Susana |
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somdasletras@mail.telepac.pt |
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JARDINS PROIBIDOS.
Numa das cenas mais comoventes do filme, Tim Donohue pede a Justin Quayle para desistir de vingar a morte de Tessa, sua mulher, e para regressar a casa, ao que Justin responde: “Tessa é a minha casa”.
The Constant Gardener/ O Fiel Jardineiro é uma brilhante adaptação cinematográfica de uma poderosa história de amor, escrita pelo britânico best-seller John Le Carré, em que África surge-nos como pano de fundo em todo o seu esplendor e miséria, pintada com as cores vivas do alquimista Fernando Meirelles, um dos mais interessantes e promissores realizadores da actualidade.
Em The Constant Gardener, Meirelles filma, num estilo fragmentado e impressionista, a grande miséria terceiro-mundista ao apontar o olhar sobre a realidade perpetuada pelo primeiro mundo: a hipocrisia e corrupção moral da diplomacia Europeia ao serviço dos superiores interesses económicos da indústria farmacêutica. As vítimas são as centenas de mulheres Quenianas, que servem de cobaias às experimentações de um novo medicamento que pretende combater a tuberculose.
No entanto, e apesar da sua estrutura de thriller político, The Constant Gardener é, acima de tudo uma comovente história de amor e entrega. O estilo cinematográfico de Meirelles (que fascinou o mundo com o sublime Cidade de Deus) estabelece a matriz narrativa com o seu modus operandi muito característico. Numa realização nervosa, com constantes mudanças de planos e cortes temporais, Meirelles coloca como pano de fundo a relação frágil mas perene de um diplomata britânico (Justin Quayle/Ralph Fiennes) e duma activista dos direitos humanos (Tessa /Rachel Weiszt).
O filme começa por nos apresentar o encontro sexual quase fortuito destas duas pessoas, tão diferentes como complementares.
Num momento,assistimos ao enlace dos dois corpos cúmplices que se tacteiam terna e desajeitadamente, e no momento seguinte (numa das muitas clivagens temporais de Meirelles) Justin Quayle encontra-se junto ao cadáver mutilado de Tessa, numa morgue improvisada de um decrépito hospital do Quénia.
Justin(numa das melhores interpretações de Ralph Fiennes) tenta aplacar a dor (e remorso) do seu colega Sandy Woodrow, mantendo-se impenetrável. À medida que o filme se vai desenrolando apercebemo-nos que Justin não conhecia em pleno a mulher que ama. Os acontecimentos trágicos e a natureza das suas devoções não o permitiram. Mas a busca incessante de um sentido para a sua vida, os remorsos e as dúvidas sobre a propalada infidelidade da mulher, encaminham-no para um mundo de descoberta, onde ao encontrar o verdadeiro Jardim de Tessa, encontra também certas verdades que não devem ser desenterradas.
Fernando Meirelles pode-se definir como um realizador que busca sentidos, de uma forma simultaneamente visceral (estilo visual com que filma) e narrativa (regeneração das sua personagens). Em “A Cidade de Deus”, Meirelles filmou o percurso telúrico de “Buscapé”(Alexandre Rodrigues), um jovem errante que, criado no labirinto hiper-violento de um dos bairros de favela do Rio de Janeiro, acaba por encontrar uma saída.
Em The Constant Gardener, o percurso de Justin Quayle torna-se mais complexo. A sua função diplomática emana da sua natureza plácida e concomitante. Muito pouco do que a apaixonada Tessa faz é do conhecimento de Justin. A devoção de Tessa às pessoas concorre com a paixão que Justin tem pelas suas plantas. No fundo, Justin está sozinho, entregue ao seu jardim.
E disso nos apercebemos logo na abertura quando Tessa, acompanhada pelo Dr. Arnold Bluhm, se despede de Justin no aeroporto a caminho do Quénia (essa será a última vez que se encontram). A imagem do casal missionário vai-se dissipando, restando apenas em primeiro plano a silhueta em contra-luz de Justin Quayle. Nesse preciso momento Quayle pressentirá, tal como nós, que está sozinho. E que a sua luta vai ser a sua redenção.
The Constant Gardener é de facto uma história de Amor. Mas o grande mérito de Fernando Meirelles está em tornar a adaptação de Le Carré num sibilante grito do Terceiro Mundo. A casa de Tessa é África, o jardim de Justin é a justiça, a denúncia do mundo infame da corrupção corporativa e da exploração galopante que o mundo civilizado inflige sistematicamente às milhares de crianças e mulheres que, como Wanza Kiluhu, são envenenadas a troco de lucros prodigiosos.
Esse é sim, o olhar fulgurante do Fiel Jardineiro de Fernando Meirelles. Um olhar por todas as Wanzas Kiluhus que nascem e morrem todos os dias nos jardins proibidos de um Mundo que tardamos em compreender e aceitar.
Luís Pedro Martins
2006.04.18
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fjteixeira@iol.pt |
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O Fiel Jardineiro é um filme soberbo. Fotografia deslumbrante, sentimento à flor da pele, interpretações explosivas (Rachel) e contidas mas poderosas (Ralph). Interessante do início até ao fim, dá-nos mais uma big picture da exploração dos poderosos sobre os oprimidos - neste caso o povo africano. O realizador da Cidade de Deus está em forma, recomenda-se vivamente. Não foram sem querer os oito minutos de aplausos em pé quando o seu anterior filme fez o the end nos ecrãs em Cannes. Aquele público e aquela crítica estava a confirmar algo. Algo de bom para o espectador - um realizador que consegue equilibrar a balança dos experts e o coração do comum dos telespectadores merece sempre um valente aplauso. Não deixem de ver o Fiel Jardineiro. Para mim foi o melhor filme do ano.
Francisco Teixeira |
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Não se esqueçam de assinar os comentários.
Obrigado.
CINEMA2000 |
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alguemsemmascara@hotmail.com |
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| ainda não tive oportunidade de ver o filme, mas anotei-o como primeira prioridade nas minhas próximas horas destinadas ao lazer. A arte cinéfila é isto: transportar-nos ao sonho mesmo que esteja manchado de crueldade. Por nossa culpa. |
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jm_cable_xf@hotmail.com |
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"The Constant Gardener" é uma epopeia constante de sentimentos, que nos transporta do além para a realidade cruel do mundo em pouco mais de duas horas.Sente-se uma tremanda energia vinda do grande actor principal Ralph Fiennes e uma boa adaptação da actriz Rachel Weisz aos bons filmes.O Filme é vasto em cenas tremendamente capazes de nos submergir em algo de outro mundo.O argumento é simplesmente genial, sendo que o final do filme é arrepiantemente magnifico.Contudo, este filme possui um aspecto negativo, a meu ver , a fraca realização, visto que camaras em constante movimento não se adequavam ao genero do filme.Porém o filme é perfeito na sua capacidade dramática, e o argumento é simplesmente tentador.
Sem dúvida um dos grandes filmes do ano, com um final, volto a repetir, simplesmente deslumbrante.De referenciar o excelente desempenho do grande Ralph Fiennes.
João Fernandes |
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the_everl@hotmail.com |
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É um bom filme, sim senhor, mas parece-me que tem sido sobrevalorizado. Isto porque o estilo nervoso de Fernando Meirelles não encontra, muitas vezes, em “O Fiel Jardineiro”, contexto para se enquadrar. É claro que funciona muito bem nas cenas “quentes” de Nairobi, mas não funciona (mesmo nada), nas cenas de Berlim e Londres, mas principalmente não funciona nas cenas íntimas entre as personagens de Ralph Fiennes e Rachel Weisz.
É, de facto, o relacionamento entre as duas personagens o grande motor do filme – principalmente, a redenção que Fiennes procura, sentindo-se culpado por não ter amado a sua falecida de forma suficiente. Esta é a parte mais interessante do filme que tem na vertente mais “thriller” – o filme é adaptado de um romance de John le Carré – o seu calcanhar de Aquiles. Mas fazendo as contas no fim, o saldo é positivo.
A não perder
Daniel Pereira
www.escrevercinema.blogspot.com
07-01-06 |
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jcadilhe@netcabo.pt |
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The Constant Gardener – Fernando Meirelles
Está patente, tal como em “Cidade de Deus”, a denúncia da corrupção e dos temas sociais. Ainda que desta vez seja sobre uma base já consolidada, de John Le Carré, Meirelles através de alguns “flashbacks” faz a apresentação da história e a contextualização da mesma. É uma forma interessante de cativar o envolvimento do espectador. Ao longo de duas horas, a temática policial/ investigação ocupará a nossa atenção.
Na verdade, depois da morte brutal de Tessa (Rachel Weisz) em África, o seu marido, um diplomata pacato amante da jardinagem, Justin Quayle (Ralph Fiennes) vê-se no dever de mergulhar definitivamente no mundo da sua mulher, que, ao que tudo indica, pouco conhecia. Este casal é marcado por um antagonismo claro: Tessa é sinónimo de irreverência, de vontade revolucionária, de ajuda aos mais carenciadas, do desvendar da verdade no meio da obscuridade e Quayle, um diplomata marcado pelo conservadorismo, pela tranquilidade e por alguma falta de ambição política e social.
A morte de Tessa está relacionada com o seu crescente envolvimento na investigação da corrupção das grandes indústrias farmacêuticas e das suas aplicações directas em humanos, tratados como cobaias. O meio para o fazer é Africa. Meirelles apresenta poeticamente o contraste da miséria do terceiro (doença, fome, analfabetismo, etc..) com o sorriso sempre presente nos rostos dos miúdos, com as cores vibrantes e alegres, com a sensibilidade das peças e artigos manufacturadas (veja-se o “espanta espíritos”). Tessa sente-se em casa. Com o desenrolar da investigação é Quayle que se vê, ou revê, no papel de perseguido e absorvido num mundo obscuro e cruel, onde a verdade parece ser inatingível. O fim é bem conseguido: oculta-se a evidência.
O aspecto que incomodou mais neste filme, e que de alguma maneira põe em causa a coerência de Tessa, foi ambiguidade na sua caracterização. Assim, há uma manifesta preocupação em fazer cenas de alguma sensualidade e erotismo, se quiserem, e de retratar a maternidade pelas várias cenas que expõem o corpo nu e a gravidez de Tessa. É uma forma de romantizar e “puxar” ainda mais pela história de amor, sensível mas trágica. Acontece que são momentos que em vez de se afirmarem com convicção na tal caracterização da personagem, parecem mais clichés desligados e desconexos de toda a história e contrariam a imagem de liberdade, irreverência e emancipação de Tessa. São momentos que de facto têm mais a ver com a necessidade (quase obrigatória) de falar a toda a força de uma relação amorosa do que, propriamente, um contributo interessante ao filme. |
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amouta@sapo.pt |
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Este filme constituiu uma brilhante adaptação livre da obra de le Carré, a cujo espírito foi fiel, e do qual ele próprio disse "The best thing about it is it`s not the movie of the book, it`s the movie, period".
A história segue as linhas gerais do livro, começando e terminando nos mesmos pontos (a morte de Tessa e a morte de Justin), apesar do realizador ter ensaiado diversas versões de ambos. Os três elementos essenciais do livro (a exploração da África por multinacionais farmacêuticas, o amor entre dois seres iguais mas diferentes, e as estruturas do poder) são no filme apenas assumidos em parte, uma vez que Meirelles fez brilhar uma dimensão Africana muito mais evidente e reduziu ao mínimo essencial o papel das estruturas europeias de poder.
As duas traves mestras do argumento são, assim, o amor e a rapina. É possível, ao longo do filme, encontrar uma oscilação no ênfase dado alternadamente a uma ou a outra.
Quanto à estrutura do filme, é muito bem construída e conseguida, sendo de destacar a narração, o papel da sequência da morte de Tessa, que surge duas vezes, a diferenciação de cores predominantes entre locais e personagens, etc.
O papel das multinacionais poderia ter sido abordado da perspectiva de outras indústrias (o próprio le Carré estudou a possibilidade) mas ficou a farmacêutica devido à plena actualidade da mesma. Refira-se que este ano estreou outro filme com momentos brilhantes, "O Senhor da Guerra", com Nicholas Cage, que aborda precisamente a intervenção em África da indústria de armamentos.
As farmacêuticas estão actualmente a seguir um percurso de crescimento e globalização, e certamente teremos no futuro mais reflexos da sua actividade concorrencial.
É curioso constatar que o realizador deste filme era para ter sido o que fez o novo "Harry Potter", mas quiz a Providência que fosse o brasileiro Meirelles a fazê-lo. Ainda bem.
A realização é brilhante, e o papel da equipa de imagem e da montagem são muitíssimo bons, tendo o trabalho decorrido duma forma extremamente flexível, com margem importante de improviso e de intervenção pessoal (Ralph Fiennes fez ele mesmo algumas das captações de imagem!).
Quanto ao trabalho dos actores principais, o mínimo a dizer é que é sublime. Raramente dois actores questionam e interiorizam desta forma os seus personagens, que apesar de ficcionadfos adquirem uma dimensão humana exemplar.
O próprio le Carré (o primeiro a ver o filme após ter sido completado) disse de Fiennes: "It`s pretty rare with a movie where you suddenly, just for a moment, feel you`re putting your hand on somebody`s heart, and I had that feeling... I really couldn`t put a cigarette paper between my imagining of the Ralph Fiennes part, Justin, and the way Ralph played it."
Julgo ser possível encontrar no livro muito mais acerca da relação entre Justin e Tessa, que estão juntos há cerca de quatro anos quando Tessa morre, lapso temporal que nunca é referido no filme, e a raiz essencial do seu profundo amor mútuo apesar das diferenças é claramente "explicada". Tessa e Justin estão empenhados num casamento entre iguais, que coloca em causa a ordem social em que se movem. Justin é definido como "pacato", mas a sua quietude não é a de um fraco. Tessa, a advogada (e não jornalista como já vi escrito), crê como Justin na regeneração do sistema. Não é por acaso que na filmagem íntima reproduzida no filme ela refere a paixão de Justin pela erradicação das ervas daninhas, que é também a sua.
Como é claro desde a cena em que se encontram na conferência (ao afastarem-se, de costas, Justin vai dizendo "You`re absolutely right..."), e posteriormente, Justin e Tessa partilham uma visão comum da essência do mundo. Ralph Fiennes explica numa entrevista:
"Yes, there`s a buzz between these two people. They`re kind of different, but she likes him for his gentleness and his kindness, and he`s attracted to her for her outspokenness and her idealism. Then, the film jumps forward and we learn that there`s been some tension in their relationship... something that`s just not right. And then she`s murdered, so he has all the guilt that anyone might have, of not probably having had very good communication with a loved one and they`re suddenly gone. So he falls in love with her again- he revisits her in a more profound way after she`s dead." There is a sad irony in what transpires. "Tessa, for all her idealism and anger, ends up getting herself killed. She is courageous, but it`s Justin- quiet, tenacious, the gardener- who actually exposes what`s going on."
Ou, nas palavras de Rachel Weizs, "Tessa`s relationship with Justin is like a rock she holds onto. He`s got stability and integrity and constancy. She says to him, `I feel safe with you.` They express things that the other lacks."
A aproximação, ou melhor, o mergulho de Justin no mundo de Tessa, vai determinar um crescimento, um enobrecimento do personagem como se se fundisse naquilo que era a essência do que tinham em comum. Como o refere César Charlone (o homem da imagem) "Everything in Justin`s diplomatic world is told in green hues. With Tessa, red comes into his life. In the end, Justin is portrayed more in red, because he has entered Tessa`s world and left behind the green world."
Na viagem para Loki e no final, os monólogos comoventes com Tessa confirmam essa união, esse regresso ao lar, ao outro.
No entanto, o filme tem uma mensagem, como diz Fiennes:
"I would like audiences to leave the theatre thinking about the rest of the world. Most cinema is narcissistic. This one is different. It`s wonderful to believe that perhaps after seeing this film, viewers might be provoked into being informed."
Desculpem a extensão deste texto. Mas não deixem de ver, reflectir e sobretudo sentir este filme.
Augusto Mouta
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gonn1000@hotmail.com |
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CRIME, DISSE ELA
Uma das grandes surpresas cinematográficas de 2003, “Cidade de Deus” assinalou uma a soberba e memorável estreia na realização do brasileiro Fernando Meirelles, que se tornou automaticamente num nome incontornável entre os novos cineastas mundiais.
Dinâmico, cru, emotivo e efervescente, o filme aguçou a curiosidade em relação a projectos seguintes do realizador, por isso a sua segunda obra, “O Fiel Jardineiro” (The Constant Gardener), torna-se assim numa película especialmente decisiva na determinação do estatuto e respeitabilidade do seu autor.
Felizmente, e mesmo não sendo tão vibrante como o seu antecessor, o novo trabalho de Meirelles confirma-o como um autor interessante e com algo de relevante a dizer, sabendo dosear estilo e substância e aliando o entretenimento à reflexão (que nunca é sugerida de forma forçada).
“O Fiel Jardineiro” não é propriamente a película que se esperaria de Fernando Meirelles, uma vez que se trata de uma co-produção britânica e alemã, conta com actores mediáticos (Ralph Fiennes e Rachel Weisz) e baseia-se num romance de John Le Carré, oferecendo uma intrigante mistura de drama intimista, thriller político e road movie.
Não está, à partida, muito próximo de “Cidade de Deus” - foi feito com meios mais limitados, recorrendo a um elenco maioritariamente amador -, mas por detrás da capa de “filme de prestígio” (já há quem o considere um dos incontornáveis na próxima edição dos Óscares) a espontaneidade e ousadia temática e formal da primeira obra do realizador brasileiro acabam ainda por se repetir.
Um olhar sobre o continente africano e o seu papel num cenário mundial actual cada vez mais marcado pela globalização, “O Fiel Jardineiro” centra-se no relacionamento entre Justin, um diplomata sério e recatado (e jardineiro nas horas vagas), e a sua esposa Tessa, uma jornalista cujo forte idealismo e activismo lhe geram alguns problemas, conduzindo ao seu abrupto assassínio.
Mesclando linhas temporais distintas, o filme foca, por um lado, o início e dia-a-dia da relação do par protagonista e, por outro, a tentativa de resolução do mistério da morte de Tessa por parte de Justin.
Pelo meio, há ainda uma perspectiva quase documental sobre as contrariedades da subsistência em países do terceiro mundo, em particular sobre o Nairobi, local onde decorre grande parte da acção (contrastando com os ambientes urbanos de Londres, a outra cidade-chave do filme), assim como uma crítica a aspectos algo dúbios dos métodos da indústria farmacêutica.
Ora mergulhando no abismo emocional de Justin, que redescobre Tessa após a morte desta, ora gerando um retrato do tecido social do Quénia, a película surpreende ao proporcionar momentos de uma inesperada introspecção, como aqueles que envolvem a bela história de amor que aqui de (des)constrói.
Ralph Fiennes e Rachel Weisz compõem duas personagens envolventes e complexas, tornando-se num par romântico algo atípico, dada a divergência de pontos de vista, mas que possuem, afinal, mais elementos em comum – como Justin descobre - do que se julgaria inicialmente.
Fiennes, contido e meticuloso, prova porque é que é um dos grandes actores de hoje, e Weisz encanta e comove ao afastar-se de alguns papéis anteriores que não faziam jus ao seu (agora) notório talento interpretativo.
Apostando aqui num ritmo mais apaziguado do que em “Cidade de Deus”, Meirelles não deixa, no entanto, de esculpir cenas com bastante energia, pois a carga dramática do filme é absorvente e a realização continua inventiva, recorrendo a enquadramentos bem conseguidos e a uma montagem fluida.
Os tons crus e realistas mantêm-se, e certas sequências filmadas nos bairros de Nairobi aproximam-se da aspereza, texturas e explosão de cores das atmosferas das favelas brasileiras, excepcionalmente trabalhadas na primeira obra do cineasta e confirmando-o como um criativo esteta.
Mesmo não sendo uma obra-prima, “O Fiel Jardineiro” é um título maduro e relevante, que consegue apresentar uma postura humanista e crítica sem enveredar pelo choradinho fácil e oportunista nem reduzir as suas personagens a meros joguetes sem substância que apenas servem uma causa.
Noutras mãos, este material poderia ter originado um filme óbvio e panfletário, mas Fernando Meirelles soube abordá-lo com subtileza e engenho. Não chega a ser um murro no estômago tão devastador como “Cidade de Deus”, mas ainda tem atributos muito recomendáveis.
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com |
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luissephiroth@clix.pt |
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O amor entre um diplomata Britânico ( Ralph Fiennes ) e uma voluntária/activista ( Rachel Weisz ) conduz-nos a uma viagem ao inferno da África actual, palco dos mais horrendos crimes da humanidade, arena onde se defrontam e cumprimentam os mais nojentos vícios capitalistas.
É impossível ficar indiferente a esta obra-prima do mestre Fernando Meirelles.
Desta vez, não nos oferece o cocktail explosivo e ritmado de "A Cidade de Deus". Opta antes por uma abordagem crua e agreste, embora sempre realista, mas despida de qualquer humor ou amenização ambiental que não a beleza natural de África.
O trabalho de realização e montagem é mais uma vez soberbo.
Estamos na presença de um potencial novo-Scorsese, perdoem-me a comparação fácil.
O ritmo alucinado de Meirelles é uma festa para os sentidos, bombardeando-nos com pormenores à velocidade de uma rajada bem orquestrada, destinada a pintar com extrema nitidez e intensidade o quotidiano confuso mas vivo dos bairros Quenianos.
O trabalho dos actores é fantástico.
A câmara enamorou-se completamente de Rachel Weisz.
De facto, este é um daqueles desempenhos brilhantes, fruto de um amor profissional entre actriz e realizador, uma cumplicidade frutuosa que gera admiração no espectador.
Meirelles filma Weisz, não como uma superstar mumificada em maquilhagem, mas como mulher, fêmea, progenitora, amante.
É ofuscante a beleza que Rachel Weisz empresta a algumas cenas, com todo o brilho das suas pequenas rugas e imperfeições faciais a evidenciar ainda mais o rico interior da sua personagem.
Ralph Fiennes é um monstro no grande ecrã!
As palavras não farão justiça ao melhor desempenho, até à data, deste actor brilhante,
Cada olhar, toda e qualquer palavra, a complexidade dos seus gestos elevam este trabalho ao melhor que tenho visto nos últimos anos.
Enquanto a Rachel Weisz foi amada por uma câmara apaixonada pela sua simplicidade e beleza, Ralph Fiennes enche as cenas com trabalho evidente, transcendendo os limites do ecrã e obrigando-nos a curvar perante ele, respeitosamente homenageando uma prestação imaculada, poderosa, sublime.
Até agora, o grande filme do ano.
Um retrato cabal da realidade horrenda que a raça humana permite acontecer a quem está longe da vista.
Uma visão do sofrimento que milhões de pessoas passam diariamente para subsidiar o nosso estilo de vida Ocidental/Norte, egoísticamente preocupados com o preço dos dvds e se o FCP roubou ou foi roubado na última jornada.
Mas para além das importantíssimas e fundamentais questões políticas, económicas e sociais presentes neste manifesto, existe um grande filme, a razão pela qual o cinema é uma arte, criadora de emoções.
Luis Costa |
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gaze_08@hotmail.com |
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Peço desculpa pela impertinência, mas preciso de desabafar com alguém que tenha visto este filme de deixar qualquer um de queixo caído. Li a crítica do Expresso de 19 de Novembro de 2005 a este filme e não conseguigo ficar calada, pois revolta-me. Para além das críticas sem fundamento a muitos outros filmes, ao ler a crítica deste filme, escrita pr Francisco Ferreira, constatei que o crítico não viu o filme. Reza assim o texto: "(...) Um médico britânico no Quénia é acusado da morte da mulher, uma activista brutalmente assassinada (...)". Vamos esclarecer as coisas: o personagem interpretado por Ralph Fiennes não era médico, mas sim diplomata, nem foi acusado de matar a mulher. Qualquer português que não viu o filme e lê as críticas julga acaba por ser iludido por uma história que não corresponde à verdade. E, o mais grave, é que o crítico atribui duas estrelas ao filme, ou seja, viu-o. Mas deve ter adormecido no princípio...
Sophia |
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marta.veloso@netcabo.pt |
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Inspirado num romance de John le Carré, The Constant Gardener segue as regras do thriller mas não se fica por aí. É um filme onde o maior dos sentimentos da humanidade, o amor em todas as suas formas, se confronta com o pior de todos os sentimentos, a ganância.
Em The Constant Gardener o habitual confronto entre o Ocidente e a URSS transforma-se numa luta desigual entre os opressores ricos do hemisfério norte e os pobres do hemisfério sul, subjugados pelos desígnios do poder e do dinheiro. Num filme em que nenhuma das instituições representadas sai bem vista, a principal visada é a indústria farmacêutica, que detém nas suas mãos o poder para curar milhões, mas para quem o poder económico e o prestígio internacional vêm primeiro que a obrigação moral de salvar vidas humanas.
Para além da crítica política, o novo filme de Fernando Meirelles tem nas interpretações um dos seus pontos mais fortes. Ralph Fiennes, no seu registo habitualmente contido, assenta perfeitamente no papel do diplomata Justin Quayle, consumido pelo amor e pelo remorso, sentimentos que o levam a uma busca desesperada mas sempre comedida, uma característica desse modo de vida que é a englishness, de que Ralph Fiennes será quase o exemplar perfeito.
Quanto a Rachel Weisz, tem neste papel de activista dos direitos humanos o maior desempenho da sua carreira. Com o seu aspecto exótico para os standards britânicos, Weisz encarna brilhantemente o papel da jovem Tessa Quayle, uma mulher irreverente e de ideias fixas com um grande sentido de justiça humanitária. Justin e Tessa são duas pessoas totalmente opostas, mas unidas por um amor tão grande quanto improvável e que nem sempre é assim tão óbvio. É nas poucas cenas em que aparecem juntos que tanto Fiennes como Weisz põem em evidência o grande amor que os une, mas deixando sempre no ar a dúvida, principalmente no caso da personagem de Weisz, sobre a intensidade e mesmo a verdade desse amor.
Referência ainda para as interpretações de Danny Huston e de Bill Nighy, duas personagens algo sombrias que representam a frieza e a falta de escrúpulos do poder, em clara oposição à personagem de Rachel Weisz.
The Constant Gardener confirma o génio de Fernando Meirelles que depois do sucesso de Cidade de Deus, consegue uma estreia auspiciosa no cinema falado em inglês. Através de uma excelente fotografia de César Charlone que consegue captar não só as mais belas paisagens do continente africano como a crua realidade da pobreza nas aldeias africanas, onde as doenças se propagam com uma velocidade vertiginosa e os meios para as combater são escassos e ineficazes, Meirelles obriga o espectador a reflectir, pois este é daqueles filmes que não sai facilmente do pensamento e que nos faz sentir pequenos pela nossa incapacidade, ou antes, falta de iniciativa para agir. É perturbante pensar que enquanto assistimos do nosso pedestal privilegiado que é o Ocidente, milhões de pessoas morrem todos os dias por falta de bens que deveriam ser tidos como adquiridos.
Um possível candidato aos Oscars nas categorias principais, nomeadamente melhor filme, melhor fotografia, melhor argumento adaptado e melhor actor e actriz.
Marta Veloso
www.matine.blogspot.com
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miguelfbs@yahoo.com |
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Um bom filme que filma o que pensamos ser uma das realidades de Africa, e faz-nos repensar a nossa decepção como Portugueses.
Se cada um ajudar uma pessoa o Mundo será diferente...
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almeida_rita@sapo.pt |
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THE CONSTANT GARDENER
de Fernando Meirelles
Da favela brasileira para a africana, da Cidade de Deus (Rio de Janeiro) para Kibera (Nairobi), da “Cidade de Deus” (2002) para “The Constant Gardener”, Fernando Meirelles mantém a sua preocupação social, e tem aqui a sua vingança pessoal pela forma como os Estados Unidos estão a tentar impedir a produção brasileira de medicamentos genéricos.
Baseado no livro homónimo de John le Carré, “The Constant Gardener” é um thriller político, uma história de amor e uma denúncia às abusivas técnicas de experimentação das corporações farmacêuticas em África.
Justin Quayle (Ralph Fiennes) é um fechado e charmoso diplomata inglês sediado em África. É também ele o jardineiro do título, como referência ao seu hobby. A sua mulher, Tessa (Rachel Weisz) é o seu oposto, uma impetuosa, apaixonada e determinada activista social, pela qual qualquer um seria levado a apaixonar-se.
Inabalável na sua missão de desvendar os métodos pouco éticos de investigação farmacêutica praticados à custa dos desvalidos cidadãos quenianos, Tessa acaba por se tornar num alvo a abater para qualquer empresa farmacêutica com segredos para proteger.
Paralelamente a esta intriga, Meirelles leva-nos ao romance de ambos, à intensidade que servirá de força motivadora para que Justin possa completar o trabalho de Tessa, entrando mesmo em conflito com alguns dos seus colegas do Alto Comissariado Britânico, incluindo o seu amigo Sandy Woodrow (Danny Huston) e o obscuro Sir Bernard Pellegrin (Bill Nighy).
O par romântico surpreende, mas convence. A doçura de Fiennes e a força de Weisz complementam-se. Fiennes está exemplar como um Justin hesitante e desapontado pela sua própria incapacidade de agir, angustiado por ter de competir com todas as paixões que movem a sua mulher; e Weisz é uma presença luminosa, mesmo grávida de 9 meses e transpirada (ainda que dada a forma como lida com o mundo, seja pouco credível que a sua personagem de Weisz tenha apenas 24 anos).
Meirelles manipula como ninguém a estrutura não linear, mantendo a sensação de ameaça ao longo de todo o filme e deixando o espectador saber apenas o mesmo que o protagonista.
Com igual deslumbre Meirelles mostra-nos paisagens avassaladoras, momentos íntimos, e agrupamentos de gente. Sem véus de camuflagem, com o suor e as duras cores da realidade, mostra-nos os horrores da pobreza, de quem só têm direito a medicamentos para se tratarem se aceitarem servir de cobaias para medicamentos ainda em estudo. Do outro lado, é a ganância, a sede do lucro e o desejo secreto de que uma epidemia aumente o capital dos accionistas.
As ruas africanas cheias de vida, estão também cheias de morte.
E porque nem todo o mundo ocidental é indiferente aos problemas dos países mais pobres, aqui ficam 2 links:
http://www.makepovertyhistory.org/
http://www.oxfam.org./
RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/ |
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Obrigado.
CINEMA2000 |
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| Magnífico. Aconselho a qualquer ocidental desinformado e céptico que ainda acredita que os políticos estão cá para nos ajudar, que as companhias têm coração e que nós não nos devemos preocupar com os outros seres humanos... |
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mabsinto@aeiou.pt |
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«Some very nasty things can be found under rocks, especially in foreign gardens»
Após um retrato cruel das favelas brasileiras em "A Cidade de Deus", Fernando Meirelles assume com pulso firme uma adaptação da obra literária "The Constant Gardener" de John Le Carré, numa produção conjunta entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, na qual é retratada uma África viva, mas completamente decaadente a poucos passos da morte.
Em pleno coração do Quénia, Tessa Quayle uma corajosa activista é encontrada morta, após ter sido violada e mutilada, assim como a equipa que a acompanhava. Este é o ponto de partida para uma viagem de (auto) descoberta por parte de Justin Quayle, representante do Alto Comissariado Britânico e marido de Tessa. Tessa e Justin, são um casal de oposto, enquanto ela é corajosa e interventiva, Justin é um pacato e recatado diplomata. A sua relação é plena de amor, mas as ultimas descobertas de Tessa levam-na a viver em segredo, e é desses segredos que Justin irá viver após a morte de Tessa. Justin procura descobrir o porquê de tanto secretismo e acaba por descobrir uma mulher que nunca conhecera.
Um dos pontos fortes do novo filme de Meirelles é a constante renovação narrativa, temática e consequentemente sociológica. É de facil percepção que nos envontramos perante um filme com duas partes distintas (ou talvez não tão destintas), embora inseparaveis, a primeira das quais retrata a relação amorosa do casal, recorrendo a analepses, pois desde o início é nos dado o desfecho de algo. Desfecho esse que não o do filme, mas sim da relação de Justin e Tessa, o que leva desde logo ao final deste assunto e ao início de algo totalmente oposto (?) ou talvez nem tanto.
A segunda parte é claramente um thriller com contornos políticos, embora seja muito redutor reduzir a segunda parte a um mero thriller, é mais uma viagem de descoberta, quer de um amor, uma mulher misteriosa que amava e não conhecia, quer seja pela descoberta de um continente Africano vivo, mas explorado e poucos passos da morte, em cores de inferno.
Mas ao contrário do que se poderia pensar, “O Fiel Jardineiro” é bem mais cruel que “A Cidade de Deus”, apesar de menos explicito, existe uma carga dramática, embora mais contido é mais preciso e directo, e acima de tudo é uma visão pura, documental em que Meirelles mantem a imparcialidade, filmando uma África que está aos olhos de todos nós, mas que por muitas razões não vemos. Daí o facto de atras ter referido que as duas partes, embora diferentes na sua forma no seu conteudo, o amor prevalece em Justin, seja o amor pela descoberta e pela realização do trabalho inacabado da sua amada, seja pela completa descoberta da abalada África e das pessoas que nela sobrevivem, que levam Justin , a modificar a sua visão e a amar cada uma daquela pessoas. E será o mais interessante a tirar da obra de Meirelles, se não se pode amar (ajudar) toda aquela gente, pelo menos uma delas.
A ansiosa e perpicaz visão de Meirelles, é completa pela dupla de interpretes, Ralph Fiennes e Rachel Weisz, cada um deles marcando as diferenças que os destinguem e que mais tarde os aproximaram... deslobrante acaba por ser a fabulosa contenção e evolução de Ralph Fiennes, assim como o secretismo e audácia de Rachel Weisz.
Em “O Fiel Jardineiro” existe uma forte carga reflectiva, mas que acaba por se conjugar na perfeição com o cinema enquanto entretenimento, o ritmo e a linguagem que parece ser uma clara marca de Fernando Meirelles, aliado a uma obra literária de Le Carré, com paisagens fotografadas de forma impressionante por César Charlone e ainda com uma Banda Sonora plena de ritmos tribais de Alberto Iglesias, transformam “O Fiel Jardineiro” numa obra cinematográfica única num género aparentemente adormecido, que poderá ser reconhecida na noite mais brilhante de Hollywood.
“O Fiel Jardineiro” é um thriller político, mas antes de mais é um apelo social... URGENTE.
Manuel Barros
http://rollcamera.blogspot.com
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pmcferreroms@yahoo.com |
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Hoje estou completamente de acordo com a análise prévia de João Lopes: «The Constant Gardner» é um filme extremamente actual, política e formalmente. E na exacta medida de cada palavra que o crítico escreve.
Por isso vou cingir-me ao resto... sendo que no resto vai ser difícil dizer também algo de diferente:
Trata-se de um filme profundamente europeu (a que não é estranha a fusão Europa-África-América que o Brasil de Meirelles representa), não só por via da co-produção, como, e para além disso, dos valores, dos preconceitos, das atitudes endémicas que todos nós, enquanto europeus, comportamos quando nos relacionamos com África.
Dito isto, para dizer que talvez seja este o melhor filme que resulta de adaptações de Le Carré (cujo grau de adaptação pelos argumentistas me abstenho de comentar, dado que nunca li Le Carré - dizem-me que tem laivos a mais de «O Espião Perfeito», mas não faço ideia...). Enquanto filme, este «The Constant Gardner» está claramente acima de outros filmes de espionagem baseados no escritor-espião, destronando assim o lugar que pertencia ao filme de Ritt.
O filme tem um belo argumento, verosímil e perfeitamente contemporâneo; tem uma fotografia e uma montagem notáveis, e possibilita um verdadeiro papelão a Ralph Fiennes (fiz as pazes com ele!). Quanto à presença de Rachel Weisz, ela é poderosíssima, ao mesmo tempo tão magnética e tão frágil.
Paulo Ferrero
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Francisco Mendes |
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As ervas daninhas que infestam certos jardins proibidos
O realizador Fernando Meirelles efectua novamente milagres visuais que repercutem com sentimento e emprega uma face humana no sofisticado romance de John le Carré. O escritor iluminou em 2001, as intrigas de um mundo gerido pela ganância de corporações e governos comprometidos, com o seu livro “The Constant Gardener”. Meirelles injecta o seu quinhão de energia, iluminando a adaptação com ressonância emocional e tensões temáticas.
Justin Quayle (Ralph Fiennes) é um pacato diplomata inglês que viaja para o Quénia com a sua esposa Tessa (Rachel Weisz). Num local remoto deste território, Tessa é brutalmente assassinada e o seu companheiro de viagem, um activista local, desaparece. Tudo indica tratar-se de um crime passional e o Alto Comissariado Britânico em Nairobi assume que o seu colega Justin deixará a resolução do mistério ao seu encargo. Mas perseguido pelo remorso, Justin surpreende tudo e todos embarcando numa odisseia pessoal para desvendar e expor a verdade, que o conduzirá a uma funesta intriga.
Meirelles semeia uma extensão de vilões ao longo do filme, cada um possuidor de uma sinistra natureza e representado os pilares do mal que ele deseja expor. Mas “The Constant Gardener” é a história do amor entre um homem e um fantasma, na qual Ralph Fiennes e Rachel Weisz perpetuam um bailado primorosa. Weisz é vertiginosa no seu papel mais rico até ao momento e Fiennes desempenha o seu relutante herói num crescendo idêntico a uma tormenta refreada, explodindo em ondas de raiva à medida que a passividade deixa de ser uma opção. É com o despertar da personagem de Fiennes que o filme transcende a sua premissa política.
“The Constant Gardener” ostenta apreensão e desconforto pelas actividades pós-coloniais em África. Meirelles oferta um brilhante filme que demonstra de forma caustica as infames explorações realizadas nos países do Terceiro Mundo, bem como medita na natureza da confiança. Captura de forma perfeita as políticas caóticas contemporâneas e demonstra como, mesmo no canto mais deteriorado do planeta, alguns seres encontram algo para explorar. É um thriller que foge aos chavões do género e deixa a audiência reflectindo sobre qual o seu real conhecimento do mundo que a rodeia, bem como das pessoas que amamos.
Em “Cidade de Deus”, Fernando Meirelles filmava imaculadamente as favelas do rio, em “The Constant Gardener” filma a pobreza dos bairros pobres de Nairobi. Ele apresenta uma África, alheia aos cartazes das agências de Turismo sobre o Quénia. Meirelles estampa o seu cunho na obra de le Carré e a fotografia de César Charlone irradia imagens de profunda destituição, perscrutando a nossa confortável distância relativamente à degradação do bairro de Kibera.
“The Constant Gardener” é uma portentosa obra lírica, com uma exímia banda sonora de Alberto Iglesias, uma fotografia impressionista de César Charlone e interpretações topo de gama. Fernando Meirelles assevera a sua tremenda virtuosidade como realizador. O seu estilo de filmagem guerrilha, captura a urgência hipnótica da ficção de le Carré com um sublime sentido de espaço e cor. A sua dinâmica propulsiva abona uma urgência orgânica ímpar. Meirelles arrancou as convencionais ervas daninhas dos filmes do género e plantou mais uma Obra ornamental no seu Jardim contemplativo.
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Francisco Mendes (Mendes.fr@gmail.com)
http://pasmosfiltrados.blogspot.com/
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Tiago Costa |
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O sucesso crítico e financeiro surpreendente que o sobrevalorizado Cidade de Deus obteve, abriu as portas de Hollywood ao brasileiro Fernando Meirelles, e O Fiel Jardineiro é a primeira produção norte-americana da sua autoria. Embora o estilo de realização hiper-estilizado anárquico que utilizou no projecto anterior tenha dado lugar a uma abordagem mais clássica e controlada, a verdade é que o seu novo filme é ainda menos conseguido no plano narrativo, com a agravante de fazer uma retrato profundamente insípido e básico sobre a complicada situação de miséria extrema africana e a falta de ética das grandes farmacêuticas. A história de amor em que é alicerçada toda esta componente de denúncia política não tem a mais ínfima grama de intensidade, devendo-se isto à incapacidade de Meirelles e Jeffrey Caine (argumentista) em construir convenientemente as personagens principais. Estas não têm tempo ou espaço para que de facto qualquer dimensão romântica possa brotar das imagens, para que a relação entre Ralph Fiennes e Rachel Weisz produza alguma faísca.
Fernando Meirelles parece sempre mais interessando no constante vai e vem de "flashbacks", na pontual estilização das imagens e na componente política despida de densidade, do que nas personagens que supostamente deveriam liderar a história e constituir o suporte humano narrativo que poderia conferir alguma dessa tal densidade à análise política e retrato social que se tentou fazer. À personagem de Rachel Weisz nunca é garantida uma verdadeira presença de dimensão consistente, surgindo antes como um ideal político ambulante, como um conjunto de frases feitas de esquerda e acções solidárias de activista política que servem apenas para fazer o contraponto em relação aos maus deste mundo, os mafiosos tipificados das farmacêuticas.
Ora, o esquematismo de todo este bem intencionado empreendimento cinematográfico, sem complexidade humana nos protagonistas ou secundários (é comparar ao magnífico The Insider e compreender as diferenças), faz com que a trama política se revele de um desinteresse a toda a prova, e completamente manca de carga emocional - o enredo de denúncia política filmado em registo de thriller é feito de todos os pontos narrativos mais previsíveis, sem que haja esboço de suspense ou reviravoltas surpreendentes que o tentem redimir. Fernando Meirelles nunca consegue transmitir a tão necessária sensação de obsessão na personagem de Ralph Fiennes pela mulher partiu, por isso nunca transcende a narrativa thrillesca "by the numbers". E, também por isso, isto é tudo um grande desperdício de bons actores.
Tiago Costa (tiago_costa13@hotmail.com)
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jomisilva@netcabo.pt |
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Porque o amor é aquilo que mais vale a pena e salvar uma pessoa é salvar o mundo inteiro, vale muito a pena ver «O Fiel Jardineiro».
Narrativa que imbrica a história de amor entre Justin (magnífico Ralph Fiennes, de uma contenção à prova de bala) e Tessa (bela e ambígua Rachel Weisz) com a intriga global composta pela promiscuidade entre a indústria farmacêutica e a diplomacia britânica, este é um feliz exemplo do casamento entre a diversão e a reflexão. E há duas coisas particularmente comoventes neste filme. A primeira é a forma como dá a ver as vidas com diferentes preços: África surge como um continente maldito permanentemente colonizado (transformando-se a antiga colonização política numa neo-colonização económica). Uma vida no Quénia vale muito pouco e poucos se importam com isso (eles são tantos que, se não os podemos ajudar a todos, mais vale não ajudarmos nenhum…). A segunda é a maneira como Justin vai acabar por completar o trabalho da sua mulher na ausência dela. É nessa viagem também de auto-descoberta que, vendo as coisas com os próprios olhos, Justin percebe melhor a mulher e acaba por partilhar o seu ponto de vista. É, no fundo, através da reconstituição da vida (algo secreta) dela que ele acaba por sublimar o amor entre os dois.
Trata-se de um importante relato global dos nossos iníquos tempos que se torna particularmente emotivo por não existir fora das convulsões particulares de cada ser humano. Que isto resulte da adaptação de uma obra de John Le Carré por parte de um cineasta brasileiro como Fernando Meirelles é, no mínimo, surpreendente. E que bela banda-sonora de Alberto Iglesias.
Jorge Silva
avidanaoeumsonho.blogspot.com
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CINEMA2000 |
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Belo filme que conta não só com uma ótima direção do Fernando Meirelles, como com grandes e cativantes atuações de Ralph Fiennes e Rachel Weisz.
Pena que nada é perfeito... o filme peca por sua narrativa arrastada. Apesar de conter cenas memoráveis e falas impertinentes, o filme a certo ponto perde o fôlego e causa alguns bocejos, mas com certeza é um ótimo filme, um pouco aquém da minha expectativa devido a tudo que foi dito sobre ele, mas não deixa de ser um filme indispensável.
No balanço final, vale muito a pena. Triste, mas necessário.
Eduardo Santos |
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b.p.v@iname.com |
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Ultimamente os filmes têm-me trabalhado com mais intensidade, isto é, têm instalado alguma coisa em mim que me modifica. Daí que pense muito sobre eles, daí que os recomende - talvez para saber se é apenas uma sensibilidade individual ou se todos sentem esta reacção perante o mesmo objecto, se é a qualidade do próprio objecto que se impõe neturalmente.
"O Fiel Jardineiro" é um dos filmes que mais me agradou este ano. Há uma intriga política (que traz uma retórica) mas há uma história de amor muito pacífica e cândida (que inicialmente parece indiferente e vulgar) com personagens doces mas abissais - e isso não é tão usual que não seja notícia. Há, essencialmente, uma intimidade no silêncio: a relação frágil de dois que são diferentes, que se admiram nessa diferença, tudo isso filmado sem nenhum pudor que estabeleça limites prévios, que "invada" essa forma de intimidade que se pode ver.
Talvez esteja a minimizar a intriga conspiratória mas, como conspiração, parece-me que o filme não traz novidades extraordinárias; a felicidade maior do filme é aquilo que nele há de morte e o modo como a morte é uma coisa que acontece hoje. Mas a morte que afecta Justin não é uma morte incapacitante, pelo contrário, é uma morte que o capacita, uma morte que dá valor: todos os símbolos adquirem o seu valor pelo seu fim. A morte de Tessa é a morte de Justin mas é também uma morte que não pode acontecer sem que a vida se realize: e uma relação (de uma intensidade transcendental mas plácida, algo me fascina) que una desta maneira vida e morte já é uma relação com um fulgor novo. |
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duarteoliveira@hotmail.com |
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"The Constant Gardener" de Fernando Meirelles
Segunda longa-metragem do brazileiro Fernando Meirelles, adaptando um romance de John Le Carré, e deste modo espicaçando uma verve política e de conspiração que normalmente rodeiam os seus livros. Mas é uma versão a dois timbres - uma apaixonante e agonizante história de amor com o típico zigue-zague de um thriller de encomenda. E a primeira remessa funciona melhor que a segunda, sendo a desfragmentação temporal do filme culpável de alguns problemas de ritmo e excessiva difusão da narrativa. Mas está sempre bem interpretado e bem filmado, com energia e lucidez, que espelham uma África viva, mas também ela condenada.
Duarte Oliveira
http://panteonesco.blog-city.com
http://www.cinestesia.com |
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