Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem

Título original: Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit
Título (Brasil):
Realização: Steve Box, Nick Park
Longa-metragem de animação
Vozes (originais): Peter Sallis, Ralph Fiennes, Helena Bonham-Carter, Peter Kay, Nicholas Smith, Liz Smith, John Thomson, Geraldine McEwan
Grã-Bretanha, 2005
Estreia: 27 de Outubro de 2005


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
Reina a "mania do vegetal" no bairro de Wallace e Gromit e os nossos dois empreendedores amigos controlam a situação com a sua engenhoca de controle humanizado de pestes - vulgo coelhos - a "Anti-Peste". No entanto, e a poucos dias do Concurso Anual de Vegetais, surge uma misteriosa criatura devoradora de cenouras, couves, beringelas e afins, que inicia um impiedoso ataque aos sagrados legumes...

Sem hesitar, a organizadora do evento, a Marquesa Florinda de Belaflor - Flor para os mais chegados... - delega na "“Anti-Peste" a responsabilidade de capturar esta criatura e assim salvar o concurso!

Wallace, o mais famoso dos amantes de queijo, e Gromit, o seu sempre leal parceiro canino: depois de três curtas-metragens - «Dia de Folga» (1989), «As Calças Erradas» (1993), «Wallace & Gromit: A Close Shave» (1995) (todas nomeadas para o Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação, tendo as duas últimas sido premiadas)-, Nick Park torna o duo mais conhecido dos estúdios da Aardman protagonistas de uma longa-metragem. Park já fora co-realizador de «A Fuga das Galinhas».

****

Nos estúdios da Aardman, as personagens são bonecos de plasticina. Todo o trabalho - personagens, cenários, guarda-roupa - é artesanal, sendo aplicada a técnica "stop motion", isto é, a mínima alteração da pose de cada dos bonecos é filmada 24 vezes para se obter um segundo de movimento em filme.


Eurico de Barros
O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 27 de Outubro de 2005.

Invasão

Só há uma coisa quase tão lenta como a Justiça portuguesa: a rodagem de «Wallace e Gromit: A Maldição do Coelhomem», de Nick Park e Steve Box, primeira longa-metragem da dupla de plasticina criada por aquele. Esta produção de animação de volumes fotograma a fotograma demorou cinco anos a filmar. "Fazer um filme destes com 85 minutos de duração é como construir a Grande Muralha da China com fósforos", disse Box.

Quer a Aardman Animations, produtora britânica do filme, associada à americana DreamWorks, quer o realizador Nick Park, o "pai" de Wallace, o inventor excêntrico maluco por bolachas e queijo, e de Gromit, o seu fidelíssimo, inteligentíssimo e pacientíssimo cão, só fizeram uma concessão à animação high tech neste filme, deixando que se utilizassem - muito discretamente - efeitos de computador em duas ou três cenas.

De resto, foi tudo feito como é tradicional na Aardman e nas fitas de Nick Park. Ou seja, com a paciência de chinês exigida por um filme no qual cada movimento e cada expressão de cada personagem tem que ser minuciosamente moldada à mão ou com uma espátula de madeira para não danificar a plasticina e depois filmado imagem a imagem. Não admira que um bom dia de trabalho se traduza na rodagem de 10 segundos de película.

Todo esta demora e toda esta paciência valeram inteiramente a pena. «Wallace e Gromit A Maldição do Coelhomem», que se estreia em Portugal, é um triunfo. Porque Wallace e Gromit fizeram magnificamente a transição dos filmes de 30 minutos para um de 85, porque cada imagem é uma fonte de deleite visual e de contágio humorístico, e porque Nick Park e Steve Box conseguiram realizar o primeiro filme de terror vegetariano. Com efeito, o consumo de carne, com o consequente derrame de sangue, seria absolutamente impensável no plácido mundo habitado por Wallace e Gromit.

«Wallace e Gromit A Maldição do Coelhomem» encontra os nossos heróis convertidos em pequenos empresários, associados na firma Anti-Peste, especializada no "extermínio humano" de coelhos (ou seja, capturam-nos sem sequer os magoar graças a uma das delirantes invenções de Wallace e mantêm-nos confortavelmente presos e bem alimentados).

Mas se Wallace e Gromit estão mais do que preparados para apanhar os coelhinhos que poderão ameaçar os legumes que vão concorrer ao Festival Anual de Legumes Gigantes da terra, o mesmo já não se pode dizer do monstruoso e insaciável coelho que de repente se manifesta na região.

Ainda por cima, Wallace está embeiçado pela bondosa (e algo tonta) aristocrata local, Lady Tottington (voz de Helena Bonham Carter), tão amiga de frutas e legumes que até os utiliza como inspiração para o vestuário do dia-a-dia. E tem como temível rival o snobe Victor Quartermaine (voz de Ralph Fiennes, senhor de uma poupa que faz a de Elvis Presley parecer uma manifestação de insuficiência capilar, e cuja ideia de "extermínio humano" de coelhos significa desfechar-lhes a caçadeira em cima).

Além da credibilidade instantânea do seu amável mundo em miniatura, da extraordinária fluidez visual da animação ( na razão inversa do tempo que demorou a concretizar tecnicamente), do slapstick desenfreado, da destreza sintética e expressiva na caracterização das personagens (reparem que Gromit não tem boca e a personagem concentra toda a sua expressividade nos olhos e nas sobrancelhas), e do elo emocional que elas estabelecem de imediato com o espectador, «Wallace e Gromit A Maldição do Coelhomem» tem ainda várias outras maravilhas a oferecer.

Nomeadamente, o espectáculo da nostalgia levemente satírica de uma Inglaterra rural que desapareceu com os anos 60, mas onde Wallace e Gromit habitam para todo o sempre, e que, como já acontecia nas curtas, é detalhadamente recriada em seu redor, desde o Austin A34 da dupla até aos vários objectos e marcas. Bem como um humor cândido e espirituoso, semelhante ao das comédias dos Estúdios Ealing, temperado com atrevimentos de segundos sentidos a namorar Benny Hill ou a série Com Jeito Vai... (e que se perderão na versão dobrada em português).

Finalmente, Nick Park e Steve Box quiseram que o filme funcionasse também como um pastiche brincalhão e saudoso do cinema de terror de tempos mais inocentes, abraçando desde «King Kong» até aos lúgubres filmes da Hammer. E não é que funciona esfuziantemente, mesmo que em vez de um macaco gigante o monstro seja um coelho mutante king size que engole legumes à velocidade do som, uiva como um lobisomem vegetariano e trepa por canos de casas rurais apalaçadas em vez de janelas de arranha-ceús?

Não há a menor dúvida Nick Park é o deus da animação imagem a imagem em plasticina, Wallace e Gromit são os seus pândegos profetas, e eu o mais fanático e feliz dos devotos.


João Lopes
Um desenvolvimento feliz: para os que poderiam pensar que o universo de Wallace & Gromit não saberia sustentar a passagem para a longa-metragem, aí está a contra-prova. Que é como quem diz: um filme que sabe fazer valer o essencial da dupla — a aliança bizarra entre um inventor não muito atento e um cão ainda mais genial que o dono —, enquadrando-a agora num dispositivo de fábula muito mais desenvolvido e sofisticado (e, como é óbvio, com outro labor de argumento).

Além do mais, a integração de alguns elementos digitais de animação é «invisível»: em vez de «exibir» os seus recursos, os desenhos animados da Aardman sabem servir-se da variedade de meios à disposição sem alienar o essencial do seu universo, isto é, a riqueza material (e humana) dos seus admiráveis bonequinhos de plasticina.


jcadilhe@netbaco.pt
Wallace & Gromit in the Curse of The Were-Rabbit – Steve Box e Nick Park

É um filme de animação divertidíssimo. Para além das referência a momentos muito marcantes da história do cinema (como o “King Kong” ou “An American Werewolf in London”) apresenta momentos de grande animação, energia e virtuosismo técnico.

Numa altura em que as novas tecnologias despertam novos meios de produção de animações, Box e Park remetem-se para as tradicionais e “quase artesanais” formas de representação. A plasticina é o meio utilizado, que a meu ver, para além de potenciar a plasticidade e a riqueza formal do material, revela uma outra coisa que mais nenhuma forma de animação consegue: a marca do homem, a impressão digital, a relação entre o criador e a criação. É sem dúvida fantástico, podermos perceber as impressões digitais nos bonecos e nas suas movimentações. O calor humano, a capacidade e o engenho técnico (e até poético) para fazer uma belíssima história.

Dizer mais alguma coisa torna-se excessivo. A história fala por si própria…


the_everl@hotmail.com
Por aqui, não partilhamos do entusiasmo que a primeira longa-metragem de animação sobre a dupla Wallace e Gromit está a suscitar. Claro que ficamos contentes por ver animação tradicional, neste caso as figuras de plasticina e a técnica “stop and motion”, a tentar manter-se firme como forma de expressão. Mas isso só não faz o filme.

“Wallace and Gromit in the Curse of the Were-Rabbit” tem os seus méritos: aquela “britishness” encarnada pelas três personagens humanas, mas principalmente exposta nas situações que elas vivem (o concurso, o protocolo…); a já referida técnica visual, muito bem conseguida; mas, acima de tudo, Gromit, excelente personagem que a dupla de realizadores manobra na perfeição – aquele franzir ultrapassa as mais claras das palavras.

Por isto tudo “Wallace and Gromit...” vale a pena ver. Mas não parece ser a obra-prima aclamada. As referências que parecem suscitar interesse de muita gente não impressionam. A questão da “britishness” também não aguenta o filme todo. O próprio argumento acaba por se tornar aborrecido de seguir apesar de, aqui e ali, surgirem umas ideias visuais que logo nos acordam. Aliás, é só isso que gostamos de ver durante todo o filme – a plasticina (feita Gromit de preferência).

A ver

Em complemento foi exibido The Madagascar Penguins in a Christmas Caper, de Gary Trousdale.

É preciso reflectir o porquê da realização e, mais ainda, no porquê da distribuição desta curta-metragem em grande escala. Estes pinguins eram o que “Madagascar” (2005), de Eric Darnell e Tom McGrath, que não era um filme por aí além, tinha de melhor. É justo pensar que isto foi um teste para se saber se valerá a pena uma longa-metragem só com estes pinguins. A estratégia é aceitável, a execução não.

Em onze minutos não há nada de novo. Um dos pinguins desapareceu e os outros vão à sua procura o que acaba por ser uma salvação. Os obstáculos? Um pouco a cidade e muito uma velha rabugenta que comprou o pinguim desaparecido para o seu cão muito fofinho que quando ela vira costas é uma fera (cliché).

Não há muita graça a passar pelo filme e apesar dos pinguins serem engraçados não chega para esta curta-metragem deixar de ser dispensável. Será que os produtores tiraram as dúvidas?

Dispensável

Daniel Pereira
08-11-05
www.escrevercinema.blogspot.com


pmcferreroms@yahoo.com
Verdadeiro manual de como fazer animação com plasticina, "Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit" é um dos mais divertidos e imaginativos filmes do ano.

Das beiças escarlate de milady, à dentuça de fora daqueles coelhinhos mariolas; das engenhosas soluções inventadas por Wallace para ajudar à preguiça do seu dia a dia, até às inventivas piscadelas de olho a filmes como "King Kong" ou "Malucos das Máquinas Voadoras", por exemplo, passando pela crítica humorística ao "English establishment" (o festival de legumes, os "bobies", os párocos, etc.), este é um filme que merece a pena ver, custe o que custar (versão original, claro).

Viva a passagem da dupla Wallace & Gromit das curtas para as longas-metragens. E que continuem por muitos e bons anos.

Paulo Ferrero
Cine-Australopitecus


jtrb79@hotmail.com
Se o cinema fosse apenas divertimento e escapismo, então teríamos em Park e na "sua" Aardman uma garantia de inteligência à prova de bala. Esta primeira longa de Wallace e Grommit não trai em nada o espírito de burlesco delirante das prodigiosas curtas, aumentando ainda mais a profusão de ideias sui-generis por minuto, para além de desta vez sermos presenteados com personagens tão pitorescas quanto a singular dupla. E é mais uma prova de que seja com plasticina, lápis ou pixels, o essencial está na imaginação e na sua capacidade de uso para criar deslumbramentos. É isso que se pede.


Tiago Ribeiro 03/11/2005


fabiocoelho86@hotmail.com
O melhor filme do ano até agora, e também o melhor de Nick Park até à data, já a contar com as três curtas metragens anteriores com Wallace e Gomir e com a sua primeira longa-metragem "A Fuga Das Galinhas".

Eu cá acho que "Wallace & Gromit:
A Maldição do Coelhomem" é daqueles filmes que é praticamente impossivel não gostar, é quase impossivel não simpatizar com aquelas duas carismáticas personagens de plasticina. O filme é brilhante em todos os aspectos, desde a caracterização dos personagens até aos cenários coloridos, tudo minuciosamente elaborado. Entertenimento perfeito para toda a familia.

Fábio Coelho


mendes.fr@gmail.com
O longo voo da Fénix da animação

O Universo de “Wallace & Gromit” teve o seu Big Bang em três curtas-metragens de Nick Park e companhia, todas nomeadas para Oscares e duas recebendo o respectivo galardão (“The Wrong Trousers” e “A Close Shave”). Posteriormente, foi gerada uma série de TV para o Reino Unido e após cinco anos de atarefada produção, surge a sua longa-metragem, “Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit”.

Wallace é o aluado inventor viciado em queijo, Gromit (na linha de Brain, o cão do Inspector Gadget), é o leal e silencioso companheiro de Wallace, sempre disposto a desenrascá-lo de alguma encrenca. Gromit é uma obra-mestra da animação em particular e da comédia em geral. A diligência dos animadores para gerar intrincadas emoções numa face canina de plasticina, merece todas as alvíssaras do meio cinematográfico. O expressivo e meticuloso trabalho empregue nas gesticulações é inaudito. Em “The Curse of the Were-Rabbit”, Wallace e Gromit dirigem a Anti-Pesto, uma empresa responsável pela segurança das hortas de uma cidade obcecada por jardinagem e são chamados a intervir, quando uma enorme ameaça devoradora de vegetais paira sobre o burgo, aterrorizando os aspirantes ao prémio final da Competição Anual de Vegetais Gigantes.

Em 2000, “Chicken Run” havia sido inspirado em “The Great Escape” de John Sturges, com “The Curse of the Were-Rabbit” Park diverte-se homenageando uma amálgama de clássicos filmes de monstros (“The Wolf Man”, “Frankenstein”). Não são como as meras pândegas regurgitadas por outros filmes do género, tratam-se de paródias apropriadas. Existe uma deliciosa referência musical ao fabuloso “Watership Down” de Martin Rosen, mas o mais evidente e peculiar tributo remonta a “King Kong” (1933), tendo em conta que ambos utilizaram idêntico processo de animação e afinal de contas, Kong é o Santo Padroeiro da Animação Stop-Motion.

O tom, apesar de mais sombrio que a usual animação americana, ajusta-se perfeitamente a um visionamento familiar. É uma animação pouco infantil, mas existem delícias para miúdos e excentricidades para graúdos. O facto da Lady Campanula Tottington se assemelhar a uma cenoura, com o seu cabelo laranja disposto numa configuração impossível, é uma das inúmeras piadas visuais. O filme brilha intensamente mantendo-se fiel às suas origens, graças ao fabuloso departamento de animação. A Aardman Animation não aceita a morte da animação tradicional. São delicados na animação Stop-Motion, injectando carinho na modelação das suas amadas figuras. A dedicação e enternecimento pelas suas criações são tais, que impressões digitais foram deliberadamente abandonadas nas personagens. É a distinta assinatura de Park e da sua Aardman Animation. Existem determinadas cenas que recorrem ao CGI, mas a sua utilização é estratégica.

“The Curse of the Were-Rabbit” lida com espasmos arcanos, entusiasmantes sequências de acção e gags inspirados. Acima de tudo, os criadores mantiveram a inteligência e sensibilidade fomentada nas peripécias predecessoras de “Wallace & Gromit”. São 85 minutos aureolados, com personagens animadas bem superiores a inúmeros actores de carne e osso. Como filme de aventuras, a parte final reserva uma esplendorosa sequência de acção, onde lobrigamos que não se trata “apenas” de uma brilhante animação, mas também de uma magnífica realização. Park bem pode aguardar uma nova nomeação para os Oscares, o que não deixa de ser bastante impressionante, tendo em conta que praticamente todos os seus trabalhos fazem parte das corridas para a obtenção da estatueta dourada. Aguardemos que o recente incêndio que assolou a Aardman Animation, não esmoreça o brilhante trabalho que sempre desenvolveram e qual Fénix da Animação, renasçam literalmente das cinzas e continuem a transportar e dignificar o enorme peso da animação tradicional. “The Curse of the Were-Rabbit” é tão divertido que não necessitarão de dizer «cheese», para um sorriso se estampar no vosso rosto.
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Francisco Mendes
http://pasmosfiltrados.blogspot.com


paulofigueiredo69@hotmail.com
Este já era o melhor filme de animação antes de saír para os cinemas.
Mas não só é o melhor filme de animação do ano como provavelmente a melhor comédia.
Ok, o argumento é cliché (animação com argumento para adultos) mas tudo se perdoa quando o filme é tão bom!


dueloaosol@gmail.com
Não atinge a perfeição das curtas-metragens, mas está lá perto. A não perder!

HM
www.dueloaosol.blogspot.com


marta.veloso@netcabo.pt
Wallace & Gromit têm já uma longa história de vida, com uma já bem extensa lista de prémios, incluindo dois Oscars para melhor curta-metragem. Mas numa altura em que mais do que nunca se fala no fim da animação tradicional, o que faz desta dupla um verdadeiro caso de sucesso? Sem dúvida que muito amor e dedicação, pois só isso pode explicar que os seus criadores tenham dado três anos do seu tempo a criar os 85 minutos que dura a primeira longa-metragem com estes dois protagonistas.

A história é divertida q.b., com alguns gags hilariantes e as já indispensáveis piscadelas de olhos a clássicos do cinema, como King Kong ou o Exorcista, e capaz de entreter tanto crianças como adultos. Mas a história até acaba por ter um papel secundário neste filme. O que o torna especial é mesmo a (im)perfeição de personagens e cenários, todos cuidadosamente preparados até ao último pormenor, sem que nada fosse deixado ao acaso. É enternecedor olhar para cada cenário e pensar nas horas de dedicação necessárias para filmar uma única cena. Quanto às dedadas nos bonecos de plasticina, são já marca registada da Aardman, que faz questão de deixar a marca dos seus animadores nas personagens, acabando com o mito de que para ser bom tem que ser perfeito. É, aliás, nas subtis imperfeições dos bonecos de plasticina que reside a magia associada a esta empresa, criadora de outro clássico deste tipo de animação, Chicken Run, uma magia que se deve ao humanismo por detrás de cada cena. Ao contrário do que sucede com a animação por computador, aqui, consciente ou inconscientemente, estamos sempre cientes da existência de mão humana por detrás do que vemos, e é bom que isso não se perca nunca, afinal o cinema é uma arte, e como todas as artes precisa de algo que só o homem possui, o sentimento.

Sem querer desvalorizar a animação por computador, a qual bastante prezo e que já nos deu pérolas do cinema como Shrek ou Finding Nemo, é importante que haja espaço também para projectos mais pequenos como este, que contam com a paciência e o amor inesgotáveis dos seus criadores para que possam ver a luz do dia. Wallace & Gromit in the Curse of the Were-Rabbit é ao mesmo tempo um filme nostálgico, ao relembrar os bons velhos tempos da animação tradicional, e um filme a pensar no futuro, pois demonstra que enquanto houver pessoas como as que trabalham na Aardman ainda há esperança para a animação tradicional.

Marta Veloso
www.matine.blogspot.com


duarteoliveira@hotmail.com
"Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit" de Steve Box e Nick Park

Projecto de animação que faz da sua proeza técnica - metodologia stop-motion com plasticina - a razão para a sua inventiva premissa e para o surreal burlesco que alimenta as suas personagens principais. De Resto, os gags vão aparecendo naturalmente, com uma certa fleuma britânica, e com uma originalidade e frescura bastante aprazível. Mas, na curta duração do filme, fica notória uma certa incapacidade de ir mais além, mesmo que o timbre alcançado, seja só por si suficiente e bastante recomendável.

Duarte Oliveira
http://panteonesco.blog-city.com
http://www.cinestesia.com




     
 

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