GRETA GARBO: 100 anos

18 de Setembro de 1905 — nascia, em Estocolmo, Greta Lovisa Gustaffson que viria a transformar-se numa nas maiores estrelas de toda a história do cinema: Greta Garbo. Passado um século, o seu nome persiste, a sua lenda é indestrutível.


 
 
 
   
 
 
GRETA GARBO, de seu nome verdadeiro Greta Lovisa Gustaffson, nasceu há precisamente 100 anos, em Estocolmo. Através de filmes como «A Lenda de Gösta Berling» (1924), de Mauritz Stiller, «Ana Cristina» (1930), de Clarence Brown, e «A Dama das Camélias» (1937), de George Cukor, transformou-se numa das maiores estrelas do cinema — a sua sedução e mistério ainda hoje persistem.

Consta que, um dia, falando da sua vida privada, Greta Garbo terá dito: «A história da minha vida é sobre entradas pelas traseiras, portas laterais, elevadores secretos e outros meios para entrar e sair de lugares de modo a que as pessoas não me incomodem.» Se esta afirmação algumas vez foi proferida ou se pertence à lenda, eis o que, em última instância, não apaga a sua verdade simbólica — Garbo foi, de facto, alguém que, artisticamente,viveu sob as luzes mitológicas do cinema, transformando-se numa das mais puras encarnações do romantismo cinéfilo; depois, a sua existência acabou por se transfigurar na história de uma mulher desencantada que, muito cedo, se retirou da ribalta onde era, de facto, uma rainha.

Foi em 1941, logo após a conclusão de «A Mulher de Duas Caras», sob a direcção de George Cukor: contra todas as expectativas, Garbo declarou que se ia afastar do cinema. E assim foi, vindo a falecer em 1990 sem nunca voltar a participar num filme. Mais do que isso: passou a levar uma existência distante de tudo o que fossem rituais sociais, "escondida" da imprensa e definitivamente distante dos circuitos de Hollywood e da indústria cinematográfica, em geral.

Apesar disso — ou também por causa disso — Garbo permanece no imaginário colectivo como uma das mais radiosas emanações do conceito de estrela e do poder encantatório do cinema. No dia em que ela faria 100 anos, são esses valores que voltamos a celebrar.

18-9-2005

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* Algumas hipóteses de conhecer Greta Garbo através da Internet:

Wikipedia

The Ultimate Star

Divas - The Site

Starpulse

A Tribute to Greta Garbo


João Lopes  
As duas faces de Garbo

Este texto foi publicado no “Diário de Notícias” (18 Set. 2005).

A história de Greta Garbo pode condensar-se em algumas alíneas mais ou menos conhecidas: sueca, Greta Lovisa Gustafsson, nasce em Estocolmo a 18 de Setembro de 1905, faz hoje um século; de família pobre, trabalha numa loja de moda, acabando por se tornar modelo (de chapéus!); na sequência de alguns filmes publicitários, estuda arte dramática e conhece Mauritz Stiller que lhe oferece o nome (Garbo) e também o seu primeiro papel importante no cinema, em «A Lenda de Gösta Berling» (1924); depois de «A Rua Sem Sol» (1925), sob a direcção G. W. Pabst, vai para os EUA: contratada por Louis B. Mayer, patrão da MGM, torna-se uma estrela fulgurante do cinema mudo, através de filmes como «A Tentadora» (1926), iniciado por Stiller e concluído por Fred Niblo, ou «O Demónio e a Carne» (1927), de Clarence Brown; apesar do cepticismo da indústria, resiste à passagem para o sonoro e, com «Ana Cristina» (1930), outra vez dirigida por Brown, a publicidade proclama “Garbo talks!”; heroína romântica e trágica, lenda viva da sétima arte, protagoniza uma década de apoteose artística e comercial; em 1941, filma «A Mulher de Duas Caras», sob a direcção de George Cukor, e… abandona o cinema.

Que faz com que a mulher mais famosa do mundo decida, aos 36 anos, retirar-se de Hollywood e de tudo o que a “fábrica de sonhos” nela, e através dela, tinha construído? É certo que esse filme derradeiro, genial melodrama de ambiguidades, esteve longe de conseguir um sucesso semelhante à maior parte dos anteriores. Aliás, Garbo terá visto na perversidade da sua personagem (uma mulher que se duplica numa “gémea” para recuperar o marido) uma maldade para minar o seu próprio estatuto. Ironicamente, «A Mulher de Duas Caras» suscitou a indignação da Liga Nacional da Decência…

Fosse como fosse, Garbo afastou-se, tendo alguns admitido que, com o fim da guerra, ela regressasse: parecia ser uma retirada para encontrar um novo registo dramático. O certo é que nunca mais filmou, transformando-se numa eremita raramente fotografada. Faleceu em Nova Iorque, a 15 de Abril de 1990.

Um dos poucos a fotografar Garbo depois da sua retirada foi Cecil Beaton, cenógrafo de génio a quem se deve, por exemplo, a concepção visual e o guarda-roupa de «My Fair Lady» (1964), outra referência clássica de George Cukor. Mas as imagens de Beaton (poucas e fascinantes) nada “revelam”: são poses serenas, discretamente distantes, de uma mulher madura que acede à sua imagem como quem assume uma máscara sem culpa.

Provavelmente, o “segredo” de Garbo está menos nas subtilezas mais ou menos inacessíveis da sua biografia e mais na singularidade conceptual de um cinema que, em boa verdade, já há muito não existe. Era um cinema de estúdio (adequadamente chamado studio system) e, mais do que isso, era um cinema capaz de fabricar o suporte mitológico das suas próprias estrelas. Hoje, vivemos sob o jugo simbólico da televisão, quer dizer, marcados por uma visão do mundo que banaliza a crueldade e não possui qualquer paixão pelo sagrado. Garbo, pelo contrário, existiu como uma figura tocada pela transcendência: “Esfinge”, “Divina” e “Mulher Fantasma” foram alguns dos cognomes com que os seus contemporâneos a incensaram.

Agora, Garbo entrou na galeria das memórias coleccionáveis. No DVD, por exemplo, a Warner acaba de colocar nos mercados internacionais uma caixa com dez dos seus títulos, incluindo os obrigatórios «A Rainha Cristina» (1933), de Ruben Mamoulian, «Ana Karenina» (1935), de Clarence Brown, «A Dama das Camélias» (1937), de George Cukor, e, claro, esse genial “desvio” cómico que é Ninotchka (1939), de Ernst Lubitsch. Consumimo-la como mensageira de um tempo perdido cuja magia, desgraçadamente, já nem encontra lugar na imaginação de muitos espectadores contemporâneos.

Talvez seja essa, afinal, a mais genuína e perene duplicidade de Greta Garbo: a de ter adquirido um lugar definitivo no nosso património de filmes, imagens e lendas, ao mesmo tempo que estamos a começar a esquecer as razões que lhe conferiram o direito a esse lugar. Numa das suas imagens mais violentamente simbólicas, em «Grande Hotel» (1932), de Edmund Goulding, Garbo é uma personagem de inacessível majestade, presa ao silêncio de um telefone: dir-se-ia que todos a abandonámos, antes mesmo de ela dispensar a futilidade festiva das nossas ilusões. Afinal de contas, esse era o filme em que ela proclamava o seu desejo de solidão: “I want to be alone.” Será que ainda sabemos respeitar a sua mágoa?

J.L.


Karl Gustaf  
Para mim, Garbo foi a maior atriz que o cinema já viu e que jamais verá novamente.


Isabel Cunha  
O filme em Greta Garbo lava a cara com neve todos os dias é: Rainha Cristina.
Garbo será sempre e para sempre, a maior referência da minha vida.


nrs315@superig.com.br  
Divino. Terá o Autor omitido, intencionalmente, o mistério real de seu isolamento?


neneiaribeiro@yahoo.com.br  
Quero saber,qual o nome do filme que Greta Garbo lava o rosto na neve que está na sacada de seu quarto, todas as manhãs...


lucasnjohn@hotmail.com  
aDMIRO ESSA mULHER, Greta Garbo.... hoje situada em um retrato no meu quarto,. admiro todas suas formas de se manifestar para a vida...

obrigado ao carinho e atenção de todos


esmeraldateixeira@oi.com.br  
amo de paixão a beleza e talento da atriz greta garbo, que sempre será um ícone para mim... só lamento que, infelizmente, não consigo encontrar em minha cidade nenhum filme dela. Adoro todos, principalmente o romântico "rainha cristina". Gostaria de saber onde posso adquirir seus filmes ou, pelo menos alguns deles. Se alguém souber, entre em contato por favor... eu suplico!!!


nrs315@superig.com.br  
36 anos, naquela época, era velhice que, para aqueles que tiveram estrelato, feios ou bonitos, é fábrica de monstros, digo-o de cadeira. Generoso o Autor, omitindo outras versões para o isolamento da musa eterna.


pauloramon@hotmail.com  
Soberba a cronica sobre Greta Garbo!
Parabens ao autor!


     
 

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