Cruel

Título original: Ondskan
Realização: Mikael Håfström
Intérpretes: Andreas Wilson, Henrik Lundström, Gustaf Skarsgård, Jesper Salén, Linda Gyllenberg
Suécia, 2003
Estreia: 14 de Julho de 2005


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
Estocolmo, anos 50. A vida de Erik, um jovem de 16 anos, está manchada de violência e conflitos. Quando é expulso da escola, é enviado para um colégio interno como uma última oportunidade para se libertar do seu círculo vicioso e continuar os estudos. Mas o colégio é tudo menos um refúgio – aqui, o mal está sistematizado sob a forma da opressão imposta aos estudantes mais novos pelo mais velhos. Conseguirá Erik manter a dignidade sem ser arrastado na espiral de violência que está a ameaçar o seu futuro?

«Cruel» viria a ser nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Galardoado ainda pela Academia de Cinema da Suécia com os prémios de Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Produção Artística, o filme baseia-se no bestseller autobiográfico do escritor e jornalista Jan Guillou.


João Lopes
Uma revelação, em pleno «caos» da distribuição/exibição do Verão do nosso descontentamento: um filme frágil e desamparado, chegado ao mercado com um ano e meio de atraso (em relação à sua nomeação para o Oscar de melhor filme estrangeiro) e lutando contra alguns dos estereótipos mais correntes sobre a «juventude» e a «violência». Dito de outro modo: um retrato íntimo de um colégio interno, na Suécia dos anos 50, feito com a austeridade de um realismo honesto, contrário ao «naturalismo» simplista da televisão, à procura da verdade de cada ser.

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Pedro Domingues
muito bom!!!

Um bom rebelde


livrariacarvalho400@yahoo.com.br  
O que particularmente me impressionou neste filme foi o fato do protagonista se revoltar, porém não ao ponto de dar as costas para aquele colégio, e negar tudo que ele representava em termos de opressão, barbarie e injustiça.

O nadador se submete às piores humilhações e castigos, para não romper com a regra maior - de se ver definitivamente fora da instituição - algo que coloca a trama em uma perspectiva diferente de outros filmes escolares estrangeiros:

Porque no filme suéco a rebeldia do protagonista não é contra todo o sistema ( como nos filmes americanos : contestar o sistema hierarquisado e a autoridade constituida é o que mais importa ), e sim contra parte dele, na parte que á abusivo.

assim a vilania é mais estigmatizada quando se trata de mostrar o arianismo nazista, do professor de biologia, do que referente a revolta contra os privilégios da nobreza e classe social ( ricos e pobres ), reinante nas relações dos alunos.

De qualquer maneira o que garante um incômodo permanente no filme é o sadismo dos mais fortes, ou dos que estão em posição acima.

Curioso também que, mesmo os professores mais bem intencionados, e "cabeças ", acabam por se revelar alienados do que verdadeiramente acontece.

Nisso vai a veradeira "Raiz do Mal" que dá nome ao filme no Brasil, expressão adequada já que o cerne do problema está nas coisas que não se vêem às claras, embora se ouça os boatos.

Aqui portanto a perversidade - a maldade reinante - quanto maior ao se constatar que só a tempera hercúlea - de alguém ainda mais forte e determinado, como é o nadador - possa romper o círculo vicioso.

Romper ao custo do sacrifício maior - ser expulso - isso para que um lema da escola - união de todos no denominador comum da obediência ao cumprimento das regras - ocorre ao preço de que se feche os olhos para abusos variados.

Se não fosse o vademecum forense que o nadador ganhou em nome de uma boa amizade, e a intervenção de um advogado amigo, saída justa não haveria.

Na casa da própria mãe as raizes do mal igualmente se vêem presentes, porque o enteado aceita a regra de ser surrado (e pelo padrasto, o que é pior ), mostrando que a ma´xima - de que se deva obdecer incondicionalmente os superiores e mais velhos - é valor familiar, cultural e institucional dos então suecos ( e como mudaram depois, nas décadas de 60 e 70 ).

Quanto ao mais ....

O ritmo do filme e o nivel de tensões é atordoante, assim como será atordoante que o mesmo apego a lei e à norma venha ao final oferecer a saída moral para todos, resolvidos assim todos os conflitos.

Uma história passada décadas atrás, mas atual quando vemos entre nós brasileiros o caso da menor de idade mantida na prisão no Estado do Pará, presa em meio a vinte homens.

Nesta barbárie tupiniquin, juíza, delegada, corregedora (mulheres portanto), se colocam como cúmplices de tal bestialidade, em nome do mesmo cuumprimento incondicional das regras (a menor furtou um bem de pequeno valor e por isso deveria pagar, a qualquer custo). Idem o Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, filme que hipnotizou a todos nós brasileiros, com seus métodos de treinar a obdiência cega aos superiores e suas ordens: este um patamar de excelência militar e qualidade moral.

Por fim, está aí para se pensar que enquanto em " Raízes do Mal " o papel do advogado é a do salvador da civilidade - aquele que conhece o que é a lei e a mostra e declara - nesse Brasil de hoje o advogado em muitos casos é a garantia da impunidade e o desvirtuador maior da lei ( principalmente se for para garantir vantagens injustas e impunidade dos ricos e poderosos ).

Para mim o filme tocou acima de tudo afetivamente, porque o tema - " amizade-afeto " - me fez lembrar de pessoa que, a troco de nada, só por defender o que achava certo, se mostrou minha amiga quando eu ja estava expulso de um fórum de debates fechado na internet. Expulso porque no dia da morte de minha mãe criei um clone ( que pelas regras gera expulsão ) no dia que minha mãe morreu, isso para falar anonimamente sobre a saudade e dor desta perda.

O filme acabou, o natal de 2007 será daqui a duas semanas, e eu ainda não cheguei à conclusão se o nadador aguentou tudo que aguentou, por amor à mãe - já que ela se sacrificou para que ele pudesse ter o melhor estudo e futuro - ou se aguentou tudo aquilo por respeito a uma regra maior.

O nadador foi o rebelde mais certinho, que já vi em filmes do gênero, no seu ideal de correção, ao mesmo tempo que foi dos mais contestadores e radicais quando se tratava de protestar contra a injustiça e eo erro.

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Roberto Santos de Carvalho
Advogado em São Paulo





catarina
muito bom


kadu_miranda@yahoo.com.br
Um filme que prende sua atenção até o "fim das letrinhas". Andreas Wilson atua brilhantemente, junto de todo o elenco jovem e talentoso.
Como a Teresa aqui, recomendo!


gonn1000@hotmail.com
CLUBE DE COMBATE

Nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2004, “Cruel” (Ondskan) é a segunda longa-metragem de Mikael Håfström e propõe um amargurado olhar sobre os códigos sociais, a violência e o crescimento.

Centrado em Erik Ponti, um jovem sueco de 16 anos que é enviado para um colégio interno por mau comportamento, o filme segue a sua jornada no novo local de estudo e residência, expondo as suas tentativas de não voltar a entrar no ciclo de violência que fez com que fosse repreendido anteriormente.

Embora consiga forjar alguns laços de confiança nesse novo meio – nomeadamente com o ponderado colega de quarto e com uma jovem e bela empregada -, Erik assume uma postura directa e frontal que cedo lhe garante uma série de antagonistas, sobretudo grande parte dos estudantes mais velhos que manipulam a rede de relações internas através da cultura da violência, originando um sistema baseado no medo e na repressão.

Deparando-se com a sua última oportunidade para continuar os estudos, Erik fica cada vez mais relutante quanto à atitude a adoptar. Por um lado, voltar a desiludir a sua mãe é algo que pretende evitar, por outro, considera inaceitável submeter-se às penosas e humilhantes ordens e caprichos dos colegas mais velhos, que o encaram como um alvo de chacota. Recusando tornar-se mais uma vítima de punições infundadas e abusivas, o jovem reage e coloca em causa o sistema que envolve os colegas, mas logo descobre que o preço a pagar pode ser demasiado elevado.

“Cruel” desenrola-se durante os anos 50, num período onde o impacto do nazismo ainda se encontrava bem presente, mas a sua perspectiva sobre as redes de disseminação de abusos físicos e/ou psicológicos em certas formas de organização social continua bem actual, e Håfström consegue criar um apropriado retrato cru, seco e realista que torna o filme numa poderosa experiência cinematográfica.

Complexo e verosímil, “Cruel” é um filme simultaneamente duro e comovente, que consegue despoletar um forte impacto emocional sem recorrer a rodriguinhos melodramáticos ou vícios de um típico “filme-choque” (embora contenha momentos tensos e claustrofóbicos, estes nunca se tornam exagerados ou gratuitos).

Grande parte da credibilidade das situações é gerada pela brilhante direcção de actores, uma vez que o elenco, apesar de maioritariamente jovem, é bastante seguro. Andreas Wilson, no papel de protagonista, é especialmente notável num desempenho capaz de espressar as convulsões internas de um adolescente incapaz de responder a uma realidade contraditória. Combinando austeridade e fragilidade, Wilson assinala uma muito promissora prestação e é um dos maiores trunfos do filme.

Para além do protagonista, “Cruel” impõe-se como um filme portentoso devido à realização simples e despojada de Håfström, certeira para uma história destes contornos, e ao coeso trabalho de argumento, que foge a simplismos e moralismos (ainda que perca algum fôlego nas cenas finais, não compromete o filme).

Pertinente e genuíno, “Cruel” é uma obra adulta e sensível que oferece um atento olhar sobre o lado mais desencantado e doloroso da juventude, constituíndo um dos títulos que, apesar de chegar a salas nacionais com algum atraso, ainda vem a tempo de integrar o núcleo dos filmes obrigatórios de 2005.

Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com
http://cine7.blogspot.com


blakbraga@hotmail.com
Excelente filme, prende a atenção dos espectadores do princípio ao fim para uma problemática muito interessante que retrata a injustiça dos mais velhos para com os mais novos num colégio interno sueco. Representação sem igual e elenco de jovens actores excepcionais!
João Braga
www.okqueseco.blogspot.com


   
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CINEMA2000


zemanelnordico@yahoo.com
Cruel é baseado no romance sueco "Ondskan" (A maldade). É naturalmente uma redução em relação ao livro, mas que reflecte uma boa parte do conteúdo e da mensagem do livro. Quando eu li o livro, não pude deixar de o relacionar com o facto de eu ter sido educado num colégio interno em Portugal antes de me ter radicado na Suécia. De facto encontrei muitos paralelos superficiais, mas também uma diferença na profundidade: a maldade dominante na base do relacionamento entre alunos mais velhos e alunos mais novos, em contraste com as minhas vivêcias de colégio interno no Portugal dos anos 50, dominadas por uma dureza superficial mas caldeadas por uma mentalidade amigável no fundo. Penso que a atmosfera criada por Jan Guillou (que de facto andou num colégio idêntico) reflecte a própria mentalidade sueca de individualismo e de culto do mais forte.


   
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CINEMA2000


pedromsandre@clix.pt
Um bom filme com um retrato cruel de um colégio interno onde a antiguidade dos alunos comanda o dia a dia do mesmo.A força interior de alguém com uma vida familiar complicada mas com a noção de que o mal não se resolve agindo da mesma forma.Aguentar até poder...
Boas interpretações e argumento eficaz.


paulojrpires@hotmail.com
este filme penso que é como a vida mesmo ou seja muito cruel mas é o que temso no nosso dia a dia. estes jovens actores que sao principiantes mostram-nos como parece ser facil a arte da interpretaçao mas nao é isso mas sim que sao todos exelentes actores . filmes como este vale bem a pena ir ao cinema . bem hajam


deranged@iol.pt
“Ondskan”, de Mikael Håfström

“Ondskan” (aka “Evil” ou "Cruel") é baseado no bestseller autobiográfico do escritor/jornalista Jan Guillou.
Erik (Andreas Wilson) é um adolescente que usa os punhos na escola e em casa é espancado pelo seu padrasto. Quando é expulso da escola, sua mãe envia-o para um colégio interno. Nesta sádica instituição de correcção, Erik é agredido pelos estudantes mais velhos. Conseguirá Erik conservar a dignidade sem ser absorvido num vórtice de violência?

O filme sueco nomeado em 2004 para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (perdendo a estatueta para "Les Invasions Barbares" de Denys Arcand) apresenta o estudo de um carismático adolescente vítima de violência física e mental, que controla os seus impulsos violentos com resistência e submissão à dor. Andreas Wilson (modelo convertido em actor) executa um eficaz e penetrante retrato. Ele sustenta um fogo invisível e infernal.

“Ondskan” é uma espécie de “Dead Poets Society” sem o apaixonado e inspirador professor, “Fight Club” vai à escola e “Good Will Hunting” com doses extra de sangue. A instituição correccional evoca o clássico “House of Whipcord” de Pete Walker.

“Ondskan” é um filme brutal, mas também contém lacunas. Existe algum exagero na dramatização de certas cenas, certos dilemas são resolvidos com excessiva simplicidade. Håfström transfere a audiência para uma zona de negrume, mas também fornece a lanterna para os espectadores se desembaraçarem. O final é previsível, mas o filme é bem executado e é um inteligente olhar sobre a natureza da violência e suas repercussões.

Existem melhores filmes do género, mas este drama confidente alberga uma exuberância fresca e singela. É realista, perturbador e revelador.
É uma batalha metafórica contra a opressão fascista na Suécia de 1950. O profundo estudo de personalidade faz desta película uma obra poderosíssima, sustentada pela forma como Håfström retrata notavelmente a sociedade sueca de 50. A época (evocada inclusivamente através dos álbuns jazz de Charlie Parker) representa o pós-nazismo e a película revela as profundas tensões de uma sociedade cujas reminiscências nazis não foram completamente dissolvidas. Neste período histórico as expressões de individualismo eram suprimidas.

O realizador e o actor principal prometem imenso e este filme estreia em Portugal ano e meio após o seu lançamento. Numa altura do ano pautada pelas super-produções de filmes-pipoca sem substância, este prestigiante filme representa uma lufada de ar fresco. O que seria realmente cruel era continuarem a manter as plateias nacionais desactualizadas em relação a obras deste calibre.
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Francisco Mendes
pasmosfiltrados.blogspot.com


tpsantos@sapo.pt
Espetacular.
Um filme que é uma lição de vida e nos mostra de modo claro que nós somos o que a sociedade quer que nós sejamos.
Grandes interpretações de um grupo de jovens actores.
Recomendo
Teresa Santos


     
 

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