Guerra dos Mundos

Título original: War of the Worlds
Realização: Steven Spielberg
Intérpretes: Tom Cruise, Dakota Fanning, Tim Robbins, Miranda Otto, Rick Gonzalez
EUA, 2005
Estreia: 7 de Julho de 2005


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
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CINEMA2000


Eurico de Barros
O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 7 de Julho de 2005

A família na frente

Invasores extraterrestres? Quais invasores extraterrestres? Ah, referem-se àqueles tripods calmeirões que lançam raios desintegradores e que aparecem, em «Guerra dos Mundos», nos intervalos de Steven Spielberg filmar o podão Tom Cruise a fazer de pai divorciado irresponsável a tentar proteger o filho e a filha que não lhe ligam nem o respeitam, e apontar a câmara para a pequena Dakota Fanning a berrar os sete berrados, que até se vê que ainda não fez a operação às amígdalas? Esses invasores extraterrestres?

Se «Guerra dos Mundos» é um filme de ficção científica, eu sou verde, tenho uma antena a sair da cabeça e ando de disco voador. Steven Spielberg devia ter chamado ao filme «Guerra da Família», tanto é o tempo que gasta a escarafunchar o drama familiar no meio da tragédia interplanetária, tal é o espaço que dá aos estados de alma da personagem de Tom Cruise e da sua insofrível dupla de crias em pleno estado de catástrofe global. Há alturas de «Guerra dos Mundos» em que apetece berrar para o ecrã tira a família da frente, que não consigo ver a invasão!

Desengane-se quem pensava que «Guerra dos Mundos» ia ser uma adaptação ao cinema com um mínimo de fidelidade e respeito à obra-prima de Wells, mesmo que necessariamente modernizada e americanizada. O filme não passa de uma deturpação e uma banalização de um dos textos-chave da literatura de ficção científica - já não há menção a marcianos e a razão da derrota dos invasores fica mal explicada para quem não conhece a história - no qual Spielberg enxertou a taquicárdica telenovela do pai Ferrier (Cruise) e dos seus filhos.

Isto é tanto mais irritante porque nalguns dos seus (raros) grandes momentos, «Guerra dos Mundos» deixa entrever o filme que poderia ter sido, se Spielberg e os argumentistas tivessem seguido a letra do livro de H.G. Wells, e mantido a ideia do protagonista/narrador que assiste a todo o horror sem ter que se estar a preocupar a todo o pé de passada com dois fedelhos mimados. E não há um raio desintegrador que os parta!


João Lopes
John Ford filmou, talvez, os derradeiros épicos de uma América reconciliada com a sua história, revendo-se ainda no carácter redentor do seu próprio imaginário familiar — mesmo se é verdade que, no final da carreira, o próprio Ford começou a dar mostras de um incontornável desencanto, quer em relação aos heróis («O Homem que Matou Liberty Valance», 1962), quer em relação ao tratamento político e narrativo das personagens dos índios («O Grande Combate», 1964).

Steven Spielberg é o seu mais directo herdeiro. Ele filma muitas das crises modernas do imaginário made in USA, seja para reenfrentar as suas memórias mais traumáticas («Amistad», 1997), seja para explorar os seus labirintos identitários («Apanha-me se Puderes», 2002). Ao mesmo tempo, Spielberg é um permanente e obsessivo cronista do espaço familiar e dos seus muitos impasses práticos e simbólicos — a começar pela sempre deficitária aliança pai/mãe que muitos dos seus filmes reflectem (reflectindo também, de forma directa ou implícita, alguns aspectos da sua própria biografia).

Nesta perspectiva, «Guerra dos Mundos» talvez possa começar por se definir como o simétrico de «E.T.» (1982). Não tanto pela questão ficcional mais óbvia — a invasão dos extraterrestres, benigna no primeiro caso, bélica no segundo —, mas mais pela estrutura incompleta da respectiva dinâmica familiar: «E.T.» decorria na ausência do pai, com a mãe (a extraordinária e muito esquecida Dee Wallace) a assumir as despesas simbólicas da liderança familiar; «Guerra dos Mundos» começa com a saída de cena da mãe (Miranda Otto), para dar lugar a um pai (Tom Cruise, comovente de vulnerabilidade) que vai viver a invasão dos marcianos também como um teste terrível à sua capacidade de relação com os filhos — ele um rapaz em plena apoteose da adolescência (Justin Chatwin, brilhante), ela uma criança fascinante e «demasiado» adulta (Dakota Fanning, genial como sempre).

Daí que o filme, embora convocando todas as referências de género (ficção científica) que havia para convocar, acabe por ser uma tragédia genuinamente familiar. Em última instância, trata-se de voltar a perguntar duas coisas básicas:
1. — que filhos são os filhos de hoje?
2. — que relações os pais constroem com os filhos?

A epopeia americana é, por isso, uma saga universal — com a beleza da verdade que é possível enfrentar, com a dor própria do que não se sabe.

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Este texto foi publicado na edição de 7 de Julho de 2005 do «Diário de Notícias», com o título "O pai errante".

E se os extraterrestres nunca chegassem? Em boa verdade, face a «Guerra dos Mundos», apetece dizer que o mal que eles vêm fazer ao nosso querido planeta não passa da explicitação do caos que já estava instalado.
Falo do plano simbólico, como é óbvio. Não me parece possível lidar com naves e alienígenas como se estivéssemos a avaliar a verdade liofilizada de uma série «histórica» do serviço público de televisão. Aqui, a história já não é racionalizável. Todas as referências seguras se desvaneceram: estamos perante o espectáculo da decomposição dos tradicionais laços familiares e também da segurança que, simbolicamente ou não, eles emprestavam à nossa vulnerável condição.
Em boa verdade, Steven Spielberg nunca filmou outra coisa. Aquilo que liga os cidadãos em pânico de «Tubarão» (1975) ao homem apátrida de «Terminal de Aeroporto» (2004), passando pela criança de «O Império do Sol» (1987) ou os judeus de «A Lista de Schindler» (1993), é a tragédia comum de uma família que não vai ser refeita. Nunca mais.
No princípio de «Guerra dos Mundos», essa certeza é tão evidente que se impõe como uma espécie de castigo antecipado para tudo o que se possa seguir. Face aos filhos (Dakota Fanning e Justin Chatwin), o pai (Tom Cruise) emerge como uma personagem duplamente errante: porque a sua condição paterna está intimamente ligada ao erro e ao pecado; porque os acontecimentos o vão obrigar a uma trajectória errática, à procura de um lugar original (o lar, a nação) cada vez mais distante da sua pureza original.
A universalidade de Spielberg não vem, por isso, da estranheza (mais ou menos tipificada) dos seres de outros planetas. Essa universalidade começa sempre no mais primitivo factor afectivo: pais ou filhos, somos todos órfãos simbólicos que queremos ser amados. Quando já nem os extraterrestres nos valem, as personagens tentam virar-se umas para as outras? É essa fraqueza humana que os torna sublimes.

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Até que ponto existem pais e filhos no cinema de Spielberg? Ou melhor: que faz com que, nos seus filmes, a condição de pai se desvaneça na odisseia dos filhos (ou o contrário)?

O caso de «Guerra dos Mundos» é tanto mais estimulante quanto tudo se passa como se a própria aliança pais/filhos estivesse implicitamente posta em causa, porventura incapaz de se renovar face ao extremismo dos acontecimentos circundantes. É por isso, creio, que a personagem de Harlan Ogilvy (Tim Robbins), o «caçador» delirante de extraterrestres, tem uma tão grande importância simbólica: ele é, de uma só vez, um pai perdido que já não tem comunidade para gerir e um filho errante que se enquistou numa solidão sem alternativa. Curiosamente, e certamente não por acaso, é a personagem para a qual Spielberg e o seu argumentista David Koepp conservaram o nome que tem no livro de H. G. Wells.

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Este texto foi publicado na edição de 23 de Julho de 2005 do «Diário de Notícias», com o título "Uma actriz é uma actriz é uma actriz".

Em Guerra dos Mundos, Steven Spielberg não tem a habitual figura materna capaz de centralizar, simbolicamente, a própria história que se narra. Aliás, fiel ao dispositivo do romance de H. G. Wells, o filme segue a deambulação do seu protagonista masculino, Ray Ferrier (Tom Cruise), numa viagem que é, de uma só vez, um ensaio sobre o medo e uma renovada interrogação das raízes afectivas do espaço familiar. Mais do que isso: a mulher de Ray (Miranda Otto) aparece no princípio do filme, menos para afirmar a sua autoridade simbólica e mais para se definir como a personagem que vai estar ausente.
No coração dessa ausência materna, emerge a filha de Ray: Rachel. É ela que anseia por um esboço de ordem numa família marcada pela errância do pai e, em particular, pelo desentendimento deste com o filho mais velho, Robbie (Justin Chatwin). A imensa vulnerabilidade de Rachel coincide com uma vontade de equilíbrio que, logo no início, leva mesmo o pai a perguntar-lhe se ela agora também o trata como se fosse mãe dele.
São ambivalências familiares que sempre estiveram no cerne das ficções de Spielberg, desde as mais esquecidas, como The Sugarland Express/Asfalto Quente (1974), até às mais «ligeiras» como Parque Jurássico (1993). E é um discreto milagre cinematográfico que tais convulsões encontrem a sua comovente materialização humana nessa pequena grande actriz que é Dakota Fanning.
Já conhecíamos o seu talento desde I Am Sam (2001), de Jessie Nelson, onde contracenava com Sean Penn. Além do mais, Dakota Fanning tem a seu favor o facto de não encaixar em nenhum dos clichés, pitorescos ou paternalistas, com que todos os dias vemos as crianças representadas em ficção (veja-se o que acontece nas telenovelas). Nascida em 1994, ela vai ter, certamente, as dificuldades decorrentes da mudança de idade que se aproxima. Seja como for, para já, possui esse dom que define uma actriz: entregar-se à câmara, sem se submeter ao seu poder.

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vikisita
vou ser muito sincera acho que por vezes os filmes de accao muito melhores do que os de comedia...Gostei muito deste filme , ate porque sou uma grande apreciadora do Tom Cruise...


   
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Cinema2000


glass@mail.pt
Eu acho que as pessoas retiram dos filmes mais do que aquilo que o próprio realizador quis oferecer. Acho muito bem fazerem comentários e expressarem as suas opiniões mas tb considero que os pseudo criticos tentam dizer coisas que não existem. As opiniões são subjectivas. O realizador quis fazer algo e só ele sabe o que quis dizer quando fez isto ou aquilo. Depois de ver diversas entrevistas com vários realizadores, muitos deles disseram algo como isto" Ai sim? acho isso? eu quis mostrar isso? Não sabia"...


rui_esperanca@hotmail.com
Guerra dos Mundos
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“War of the Worlds” de Steven Spielberg com Tom Cruise, Dakota Fanning, Tim Robbins e Miranda Otto

Há uns anos Spielberg exclamava que nunca iria fazer um filme sobre extraterrestres malignos… mas entretanto aqui estou eu comentando este muito aguardado “Guerra dos Mundos”, um filme que talvez por ser baseado numa obra literária antiquíssima, conta a história de uma invasão de extraterrestres malignos como se imagina à séculos, os carros e relógios parados, tempestade e outros elementos fazem parte do que se acreditava ser uma invasão até que a lógica disse “Não”, mesmo que a obra seja antiga, as mínimas alterações poderiam ter sido feitas para evitar sobrecarregar sempre o mesmo cliché no que preocupa a teorias de extraterrestres.
Há muito que dizer sobre este filme, mas antes de tudo, apesar da maioria do argumento não ser tão bom, dou os parabéns pelo fantástico final, pois aí fica claro que este filme vai muito além de um ataque extraterrestre à moda antiga, é uma análise ao instinto mais primitivo do ser humano, como a popular frase “sobrevivência do mais forte”, aqui está muito claro o que o homem faria por sobreviver mas mais importante, como não foi preciso muito tempo para vencer os invasores, porquê… é melhor não dizer…
Mas nesta muito bem conseguida obra, é também analisada a relação pai-filho (Tom Cruise-Justin Chatwin), aliás,que tipo de filho era aquele? Será que Speilberg tenta também criticar a relação que os pais têm hoje em dia com seus filhos? Não sei, talvez, dentro da imaginação de Speilberg, provavelmente! Pois acredito que um dos poucos pontos fracos deste filme será a tragédia, desorganização e falta de definição de personagens que governa naquela família.
Com a sempre adorável menina-prodígio Dakota Fanning, Tim Robbins (cuja personagem representa o que uma invasão poderia fazer à sanidade do homem) e Miranda Otto, este filme aparenta ter um bom elenco (excepto Tom Cruise, que na minha opinião, fracassou no seu papel), e incríveis efeitos especiais, o que mais poderá ter falhado em Guerra dos Mundos? Rigorosamente nada!
As virtudes deste filme que honra a ficção científica são suficientemente boas para compensar os defeitos algo espalhados pela produção… Afirmo com determinação que este filme é um dos grandes primeiros sucessos do séc. XXI.


gonn1000@hotmail.com
QUERIDA, ESCONDI OS MIÚDOS

Um dos filmes mais aguardados de 2005, “Guerra dos Mundos” (War of the Worlds) é a adaptação cinematográfica do emblemático e influente livro homónimo de H.G. Wells, uma das obras literárias que mais contribuiu para criar os arquétipos de uma já paradigmática vertente da ficção científica: o contacto entre a raça humana e seres alienígenas.

Curiosamente, essa nova perspectiva sobre a obra de Wells foi elaborada por um nome que criou já marcantes títulos cinematográficos que se inserem dentro desse género, Steven Spielberg, por isso estavam reunidos, à partida, os condimentos certos para o filme resultar.

Ora, se não chega a ser uma obra-prima, “Guerra dos Mundos” é, ainda assim, uma das mais estimulantes propostas de ficção científica do novo milénio, revelando um realizador que, apesar de irregular, possui um inegável savoir-faire e sabe como fazer um blockbuster que, embora recorra aos obrigatórios efeitos especiais (fenomenais, diga-se) e contenha múltiplas cenas de acção acelerada, não se limita a seguir os automatismos que orientam muitos tarefeiros dos dias de hoje e que apenas se preocupam em gastar as maiores quantias em explosões megalómanas, desconsiderando tudo o resto.

É certo que a temática das invasões extraterrestres está longe de ser algo novo, e mesmo que Wells tenha sido um percursor uma adaptação da sua obra corria o risco de trazer um sabor a requentado. Spielberg, porém, consegue que o filme não seja um déjà vu e proporciona um intrigante olhar sobre o contacto com o outro, a relação com o medo, a insegurança, o apocalipse e, claro, a família, referência indispensável nos seus trabalhos.

Colocando o espectador como testemunha das peripécias de um pai divorciado e dos seus dois filhos (uma criança e um adolescente) que, para além da sua problemática relação, são obrigados a reagir às repentinas investidas de letais invasores, “Guerra dos Mundos” interliga domínios do drama e da ficção científica, temperados com vitais doses de acção e terror.
Esta mistura, se por um lado revela que a película tenta fazer com que as personagens não sejam meras figuras que percorrem uma série de etapas – algo que debilita muitos blockbusters -, também leva a que os dilemas gerados pelos laços familiares dos protagonistas nem sempre sejam desenvolvidos da forma mais conseguida, uma vez que, apesar dos esforços, as personagens não chegam a ser tão tridimensionais como se esperaria.

Tom Cruise, no papel de um pai cujo temperamento algo difícil não o impede de lutar para proteger sempre a sua família, apresenta um desempenho competente, assim como Justin Chatwin e a pequena Dakota Fanning, que encarnam dois jovens credíveis, contudo estes protagonistas são mais estereotipados do que refrescantes.
A personagem de Chatwin, em especial, carece de maior desenvolvimento, limitando-se a servir as conveniências do argumento e não tanto a definir um espaço singular na acção.

Esta limitação, assim como o desenlace anti-climático e pouco satisfatório, torna “Guerra dos Mundos” num filme irregular, característica que o impede de atingir a excelência que outros dos seus elementos sugerem. Não deixa por isso de ser um grande filme, já que Spielberg oferece um ritmo absorvente, com múltiplos momentos de prodigioso suspense vincado por um criativo trabalho de realização.
Há por aqui vários momentos de antologia, desde a cena em que Dakota Fanning se depara com os cadáveres no rio até ao arrepiante comboio em chamas, não esquecendo, claro, os tensos momentos em que a personagem de Cruise viaja com os filhos no automóvel.

Carregado de uma claustrofobia a que dificilmente se fica indiferente, “Guerra dos Mundos” é uma película arrojada e visceral (excepto no já referido final), que não tem medo de expor o melhor e o pior da humanidade, apresentando as atitudes que emergem quando a própria vida está em risco e todas as acções são orientadas em função disso, para o bem e para o mal.

Possuindo algumas das sequências mais asfixiantes vistas no grande ecrã em 2005, alicerçadas numa exímia gestão de cliffhangers e numa imbatível energia visual, o filme afirma-se como o melhor de Spielberg desde o brilhante “Relatório Minoritário” (este sim, provavelmente o melhor dos melhores), superando sem dificuldades a convencional mediania de “Apanha-me se Puderes” e “Terminal de Aeroporto”.
Não chega a ser o mais impressionante filme do ano, mas dizima todos os outros blockbusters com um profissionalismo à prova de bala (ou, no caso, de alienígenas).

Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com
http://cine7.blogspot.com


davidmariano@gmx.net

“A Guerra dos Mundos” de Steven Spielberg
O INVASOR QUE HÁ EM NÓS

“A Guerra dos Mundos” de Steven Spielberg poderia significar, à primeira vista, uma espécie de oposição humanista e objecto regressor no tratamento de um dos temas mais caros do cineasta norte-americano; o contacto com os extra-terrestres – abordagem que no princípio da sua carreira muito faria pelo estabelecimento dos galões que hoje ostenta. Bastaria para isso relembrar, a par de “E.T. – O Extraterrestre”, essa tal outra face da moeda que foi “Encontros Imediatos de 3.º Grau”, um dos seus mais exemplares exercícios de ‘suspense’ no terreno da ficção científica e que se tornou, em boa medida, um dos seus melhores e mais memoráveis títulos; tão único que seria um dos últimos a ter o argumento assinado por si (processo que só cerca de vinte e cinco anos depois viria a repetir em nova inflexão pelo género com “A.I. – Inteligência Artificial”).

Ora, a adaptação do clássico romance de H. G. Wells, neste caso e momento próprio, acaba por dever mais ao momento político de uns Estados Unidos a braços com a situação de conflito contra o terrorismo que vive na sua história recente, e que desta feita troca o olhar pacifista das primeiras criaturas vindas do espaço de Spielberg por uma visão concentrada no sentimento de pânico pós-11 de Setembro, do que a uma fidelizada e profunda reencenação da peça literária escrita no princípio do século passado. Não que Spielberg deixe de manter com um notável rigor e sensibilidade o espírito natural do livro de Wells, mas depressa verificamos que o transporte genérico das suas principais cenas à Nova Iorque actual é mais do que uma óbvia exigência situacionista a colocar sobre o espectador.

As primeiras sequências do ataque, assinaladas pelo contexto de impotência e desorientação expressas por um personagem como o interpretado por Tom Cruise, assim como a deriva dos pobres humanos na contemplação dos gigantescos ‘tripods’ que não hesitam na dizimação, são o mais claro apanágio dos eventos terroristas sobre as Torres Gémeas em 2001; e não faltam referências tão completas quanto o pó de cinza que há-de cobrir os poucos sobreviventes. Respeitando os mais primários princípios de sobrevivência, este é um filme de permanente e irreflectida fuga para a frente: explora o terror e o desespero como chaves da natureza humana e replica uma nova versão da família desajustada tipicamente ‘spielberguiana’.

Mas as conjecturas também poderão ser aqui invertidas – e é preciso não esquecer que uma das superiores intenções que levariam à escrita de “A Guerra dos Mundos” por H.G. Wells era o seu conhecido pacifismo revisto nos traumas da guerra entre as nações e o percurso do colonialismo (lições históricas que sempre perdurariam), de modo que, e por muito polémica que a troca de perspectivas possa parecer, há um papel que aos americanos poderia caber sem grande dificuldade; o do invasor, tal como o da vítima, e os planos em que nos apercebemos que há uma clara intenção de sugar o sangue humano sugerem-no, seria com toda a naturalidade apropriado num iraquiano. E não se pretende com isto revelar uma qualquer teoria baseada em conspirações imperialistas, sob o erro de politizar uma questão que é bem mais complexa do que isso, apenas se sente é que não é possível de nos deixarmos de aperceber, ao contrário do que suporíamos, que esta é uma obra que vai mais ao encontro das diferenças do homem global; da mesma forma que essa diferença seria simbolizada pelos simpáticos”aliens” em “Encontros Imediatos de 3.º Grau”, e ao promulgar do contacto como uma característica eminentemente humana, ainda que que em certos episódios, como neste em particular, se exprima por actos de guerra. É por isso que, e talvez com as razões que lhe perduram, este “A Guerra dos Mundos” tenha muito mais em comum com as origens de Spielberg em “Encontros...” do que inicialmente tínhamos previsto. E ainda bem que tem.

David Mariano


tpsantos@sapo.pt
Só agora tive oportunidade de ver o filme.
Que saudades eu tenho do tempo em que o Spielberg era um realizador maldito. Nessa altura os filmes dele tinham magia.
Agora está completamente integrado no sistema, para ele os americanos são os melhores e vencem sempre.
Se ouvirmos com atenção podem notar-se alguns acordes da música de Encontros Imediatos do 3º Grau, se repararmos bem notamos que a menina tem certas parecenças com a Drew Barrymore de ET e que mesmo os dedos do ser fazem lembrar os do ET, mas a magia foi-se.
É um filme feito por alguem que sabe fazer filmes apesar de por vezes não se documentar tanto como era sua obrigação. Não posso esquecer que em Amistad o Spielberg pos os marinheiros de um barco negreiro português a falarem espanhol. É uma demonstração de ignorancia que não abona nada a seu favor.
O filme tem muitos efeitos especiais, mas o Elektra também e isso não 0 tornava num bom filme.
Como disse no princípio - Que saudades ...
Teresa Santos
tpsantos@sapo.pt


fanan11@hotmail.com
Algum tempo após a estreia apenas uma apreciação: um grande filme como muitos outros de Spielberg. Fernando Oliveira


jomisilva@netcabo.pt
Uau! É a primeira palavra que me vem à cabeça para abordar esta «Guerra dos Mundos». É um dos mais impressionantes e realistas filmes feitos sobre um cenário apocalíptico. Ou seja, faz-nos sentir dentro daquele espaço em decomposição e vibrar (e desesperar) com o que seria se tal evento sucedesse no mundo real.
Que Spielberg é mágico, já se sabia há muito, mas aqui tem mais uma prova do seu talento. A colocação em cena das máquinas de extermínio extraterrestres é absolutamente notável, dando forma aos maiores medos humanos relacionados com a existência de vida fora da Terra. Se é verdade que a idealização dos elementos alienígenas e respectivo «modus operandi» vem de H.G. Wells e do seu clássico literário com mais de um século, não é menos verdade que a transposição dessa tese para os nossos dias é feita de forma quase perfeita graças à excelente realização e ao brilhantismo dos efeitos especiais. Nessa matéria, atrevo-me a dizer, a maior parte dos filmes com ambições semelhantes empalidecem imediatamente em comparação.
«Arrumado» que está o filme (e que filme!) que diz respeito à invasão de um ponto de vista macrocósmico, contextual, puramente devedor do espectáculo visual, passemos ao outro, ao tocante filme familiar que tem a particularidade de se desenrolar num pano de fundo tão radical e desesperado. Ora, esse é o coração da «Guerra dos Mundos», colocando em perspectiva a relação entre pais e filhos de um ponto de vista de uma desarmonia profundamente actual. Os actores corporizam muito bem essa relação precária (e magoada) e Spielberg sabe conduzi-los em direcção à emoção triunfante. Destaco duas cenas estupendas: a primeira quando a filha (Dakota Fanning, excelente) observa os cadáveres no rio e a segunda quando Ray e o filho discutem à passagem de uma caravana militar. A história não está isenta de pequenas incongruências e inverosimilhanças, mas a sensação global é de que estivemos à beira do fim do mundo e sobrevivemos. Nós, espectadores, com as personagens, e talvez com isso saibamos reflectir melhor sobre as nossas prioridades.
Em suma, é necessário que o mundo esteja (literalmente) a acabar para que aquela família se possa reencontrar. Parece ser esse o pressuposto mais belo deste inesquecível filme.

P.S. Só um aparte para o delicioso comentário do Eurico de Barros. Apesar de não estar nada de acordo, fartei-me de rir com o seu texto.

Jorge Silva
avidanaoeumsonho.blogspot.com


pedromsandré@clix.pt
Ir ver um filme de Spielberg é, logo à partida, criar grandes expectativas de assistir a um grande filme, que nos deixe encantados quando saímos da sala.Penso não haver nenhum outro realizador que ao longo dos anos tenha conseguido juntar tantas vezes o aplauso da crítica com (especialamente) o do público, razão porque o considero o melhor realizador da actualidade.

Por estas razões, a "Guerra dos Mundos" é um filme que me deixou com sabor a pouco em relação à expectativa criada.Acho que é um bom filme, tendo como pontos altos as cenas de movimentação de multidões (onde Spielberg é mestre), as do "assalto" ao carro, as passadas no "abrigo" e a fotografia na captura das expressões no rosto das personagens, com natural destaque para a mais promissora actriz da actualidade, a sempre excelente Dakota Fanning.

Mas apesar de tudo isto, gostaria de ver mais suspense e ataques dos "invasores" do que drama familiar (genial a tirada da crítica de Eurico de Barros, em que apetece gritar "Tira a família da frente que não consigo ver a invasão"); também me pareceu que faltaram minutos na história do filme, apesar de eu achar que grande parte dos filmes têm minutos a mais ( o que é que deu aos realizadores que agora só fazem filmes com duração superior a duas horas ?), este tem a menos e o final pareceu-me feito à pressa e não convenientemente explorado.

Enfim, não está entre os melhores filmes de Spielberg, mas vale a pena ver, se bem que gostaria de ver este argumento nas mãos de Sam Raimi ou John Carpenter...

Pedro André


ricardosilva77@hotmail.com
A problemática alienigena deu sempre "pano para mangas" na 7ªarte sendo a fonte de muitas obras maiores que proliferaram desde que o cinema é cinema espectáculo.
Antes mesmo do cinema,foi a partir de um livro ("A Guerra dos Mundos" de H.G.Wells)em particular que a problemática atingiu uma dimensão universal sem precendentes um pouco antes do século XX começar.
A partir da públicação do livro,a Ficção Cientifica não mais ficou na mesma.Depois,disso veio a rádio com a célebre emissão de Orson Welles que semeou pânico na Noite das Bruxas de 1938 na América inteira.
Estas duas situações(O cinema com obras maiores sobre a temática extraterrestre e a qualidade do livro de H.G.Wells)aliadas à capacidade única e inigualável de Steven Spielberg em contar histórias de Ficção Cientifica tendo como pano de fundo extraterrestres onde o seu auge qualitativo atingiu o seu patamar supremo(para mim,os seus melhores filmes são mesmo "Encontros Imediatos do Terceiro Grau" e "E.T")fizeram com que a minha ansiedade em relação à nova obra de Spielberg fosse verdadeiramente tremenda.
Contudo,quanto maior for a expectativa em relação a determinado filme maior pode ser a desilusão.
Quando acabei de ver "A Guerra do Mundos" tirei uma ilação que já tinha antes:
Spielberg nem com o pior argumento da sua carreira(que já é longuissima)faz um filme fraco.Esta,para mim,é a maior certeza.
"A Guerra dos Mundos",tem o pior argumento(incrivelmente fraquissimo de David Koepp,sem chama,sem originalidade sem qualquer surpresa ou audacia narrativa do seu melhor argumento até hoje que é o primeiro "Missão:Impossivel")da carreira de Spielberg mas ele consegue ultrapassar por completo essa situação com uma das suas melhores realizações dos últimos anos.Os ângulos de câmaras,os seus movimentos a segurança como nunca "perde o norte" perante o conceito da trágedia que se abate sobre os diversos personagens e como esse conceito se funde com a soberba direcção de actores onde a prestação de Dakota Fanning é o maior achado que se podia pedir e Cruise faz um papel bastante credivel mas em que fica notado que quem participa com Cruise num filme faz sempre melhor desempenho do que ele,(tirando é claro algumas excepções).
Mas como eu acho que Spielberg é um realizador cinematográficamente sobredotado,fico surpeendido quando desta vez,aborda todo o universo familiar actual de uma forma preguiçosa e ligeira o que me surpreendeu pela negativa,é aí que o filme falha bastante e que o impede-o de almejar a obra-prima.
A transição prática do livro para o filme é estranha:
Não sou daqueles que acha que o facto de ser fiel ou infiel(sic)à obra de origem torna obrigatória a qualidade ou não de um filme.
Há quem diga que quando um filme é "fiel" ao livro está a "trair" o cinema.
Eu sou daqueles que acha que isso não é importante.
Para mim,o que importa é a forma,sublinho,a forma como essa fidelidade(ou infidelidade)é transportada para o grande ecrân.
No caso em concreto,penso que a forma que Spielberg encontrou para adaptar o livro de Wells é,no minimo,muito estranha.
Digo isto,porque no filme práticamente nada é igual ao livro que lhe serviu de base.Digo práticamente,porque aquilo que aparece no livro aparece no filme de uma forma muito pouco acutilante,aparece únicamente para mostrar que o filme é tirado de um livro.
Ora esta situação,para mim,não é digna de um realizador da genialidade de Spielberg.
Depois,penso que a duração do filme não é de forma a indicada para um projecto desta envergadura.
Deveria ter sim perto de três horas.
A mim,não me sai de ideia que Spielberg podia(e deveria)ter adaptado "A Guerra dos Mundos" como Peter Jackson adaptou a trilogia do "Senhor Dos Anéis",isto é,seguir de bastante perto o livro mas tendo a liberdade de se afastar quando necessário e alterando bastantes coisas(como foi,felizmente,o caso de Jackson).
Posso dizer que nunca até agora tinha lido um livro com tamanha rapidez e gosto como aconteceu quando à mais de 1 mês acabei de lêr "A Guerra dos Mundos" de H.G.Wells.Mais do que lêr,"devorei" o livro práticamente em cerca de 4 semanas.
Nunca tal me tinha acontecido.
Acabei de o lêr faltavam exactamente 3 dias para o filme estrear na América.
Ao acabar de lê-lo,fiquei,no minimo,espantado com a qualidade esmagadora do livro.O livro está a roçar a perfeição narrativa.
Daí ter ficado de algum modo desiludido e muito surpreendido por Spielberg ter transformado, reduzido e "castrado" uma obra épica literária intensamente brutal,audaciosa e única num filme familiar competente e verosimil mas em que essa dimensão familiar é tratada de uma forma pouco cuidada,pouco desenvolvida e muito superficial.
Spielberg diz que este filme "não é um vulgar filme cheio de efeitos especiais,sem conteudo, que vive em função da acção e não das personagens".
Ele tem razão mas se é assim porque não deu outro nome ao filme?.Quem vir o titulo pensa numa coisa que depois não lhe é proporcionada na dimensão devida e depois,penso que é exactamente no domínio da relação dos pais com os filhos e na dimensão familiar que ele inseriu que o filme falha.
Ele poderia muito bem feito que fez em "Relatório Minoritário"mas não.Nesse filme a componente familiar,afectiva estava assombrosamente fundida com o espectáculo.Neste infelizmente isso não acontece.
Não há nada no argumento que faça com que Cruise salve os filhos ou mesmo qualquer outra pessoa,há uma cobardia que nunca é quebrada em nenhuma acção da intriga.
Eu costumo estar sempre inteiramente de acordo com os criticos João Lopes e Tiago Pimentel quando fazem criticas assombradas sempre muito apaixonadas positivamente sobre os filmes de Spielberg,mas neste caso apesar de achar este filme um excelente filme de Ficção Cientifica,com uma realização sensacional,um ritmo magnifico,técnicamente perfeito,não me parece que eles tenham razão toda,tem algo de verdade mas não em absoluto.Algum dia teriamos de estar em parcial desacordo,e este foi o caso.
É certo que devem ter visto mais alguns filmes do que eu mas acho na mesma um profundo exagero dizerem que este filme é genial.É um filme magnifico,muito bom,mas obra-prima,infelizmente na minha óptica está longe de o ser.
Esta é a minha opinião.
Sou daqueles que já teve o privilégio de ter visto todos os filmes de Spielberg até ao momento.
Notas finais para os sensacionais efeitos especiais,mas sobre os quais poderei dizer ainda o seguinte:
Spielberg realizou este filme totalmente pela primeira vez em formato digital sendo também por isso que o conseguiu fazer em tempo recorde.
Os efeitos especiais também foram feitos totalmente em digital.
Mas eu pergunto:
Onde está o Steven Spielberg que fazia os extraterrestres de uma forma artesanal,rudimental mas que que por isso mesmo pareciam mesmo ter forma humana?.
Pelos vistos,nada resta dessa forma trabalhosa mas frutuosa e genial de construir bonecos.
Agora é tudo digital e feito por computador.
Por isso apesar de serem assombrosos o assombro é maior e impar quando se vê a destruição progressiva de New Jersey e a seguir todas as imediações que servem de base à história.
Nota para o final do filme.
Eu disse que no cinema a forma é que dita a qualidade do mesmo.Ora para mim,a forma como Spielberg fecha o filme não me parece que seja verosimil.Poderia estar de acordo se fosse de outra maneira,mas assim não.
É incompreensivel também porque alterou a forma como os extraterrestres chegam à terra.

Cumprimentos cinéfilos a todos

Ricardo Silva

Nota:**** em *****(8 em 10)





nininha7@yahoo.com.br
Esperava que o filme fosse muito melhor, principalmente a interpretação do Tom Cruise.Pareceu-me forçada e nao muito esclarecedora!Quanto ao início do filme, nao mostra muito a personalidade do personagem o que na minha opinião deveria ser mais explorada!
Cenas bastantes fortes,em certas alturas que nao eram necessárias...
No geral não gostei...mais fama do que qualidade!

Aline


andrteles@hotmail.com
Podia ser algo mais, mas a historia é sobre a redençao de um pai...
Talvez pra a proxima steven realize uma verdadeira e titanico combate entre o Homem e o aliaginea...
Vale a pena ver...
André Teles


rui_esperanca@hotmail.com
"guerra dos mundos" de steven spielgberg

Existe realmente muito que dizer sobre este filme, é uma viagem repleta de acção, onde se comenta um tema não muito tratado: os possiveis ataques extraterrestras, é difícil por em palavras a fantástica composição de cenas.
o melhor é, sem dúvida, o final, o pior? talvez o exagero da ideia do que um ser de um outro mundo poderá ser, a ideia do filme é a ideia clássica onde eles são seres sem sentimentos onde só querem matar e destruir, mas na minha ideia, se estes seres existem, são seres normais, com semtimentos, in cluindo compaixão e pena...
De qualquer maneira, dou esta nota pelo exitamento com que uma pessoa fica assistindo a este filme.
Uma coisa também curiosa que este fiome explora, é a reação humana a certas coisas, ou seja, a Maldade que as pessoas podem ter sob a ameaça ou pior, o medo! O exemplo pode ser a personagem do tim robbins (exemplo do que estes ataques poderão causar a mente humana, e certas partes do filme como a cena do carro.
concluindo é um filme magnifico, um pouco perturbante e fantastico!!! Rui Esperança


joaosolimeo@cameraescura.com.br  
Guerra dos Mundos

(War of the Worlds - EUA - 2005)

por João Solimeo

Em vários momentos em sua carreira, Steven Spielberg declarou que jamais faria um filme sobre uma invasão de extraterrestres malignos, pois ele não via lógica na situação. Por que uma sociedade avançada o suficiente para cruzar milhares de anos-luz até a Terra teria más intenções? Bem, com "Guerra dos Mundos" ele claramente mudou de idéia, mas fica patente certo desconforto por parte de Spielberg em lidar com o material. Ou, talvez, o espectador é que se sinta desconfortável ao ver o diretor de filmes como "E.T." e "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" tentando mudar seu estilo para este filme. Quando, logo no início, vemos uma gigantesca máquina extraterrestre saindo do chão de New Jersey, parte de nós fica esperando marcas registradas de Spielberg, como maravilhosos raios de luz e uma música envolvente. Aqui, pelo contrário, há um curioso silêncio na trilha e, em poucos minutos, o "Tripod" alienígena está literalmente pulverizando pessoas em frente de nossos olhos com raios de força.

Tom Cruise interpreta Ray Ferrier, uma caricatura de pai separado que tem a guarda de seus filhos Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning) durante o fim de semana. Há várias situações clichê do pai irresponsável que não saber lidar com os filhos e que ainda sente falta da ex-mulher, Mary Ann (Miranda Otto), que é o protótipo da "super-mãe" responsável, bonita, casada novamente e, se não bastasse tudo isso, grávida do novo marido. Ela deixa os filhos com Cruise e parte para Boston, logo antes dos ataques acontecerem. O filme, curiosamente, acaba sendo sobre este tema tão recorrente nos filmes de Spielberg, que é a tentativa do personagem de Tom Cruise de reunir a família toda no final feliz. Neste ponto, infelizmente, Spielberg não mudou.

"Guerra dos Mundos" tem cenas espetaculares de ação e medo, por um lado, e um decepcionante drama humano, de outro. Não ajuda o fato de que filmes como "Sinais", de Shyamalan, tenham sido muito mais competentes como drama familiar e que Roland Emmerich tenha inundado o mundo com filmes catástrofe como "Independence Day", "Godzilla" e "O Dia Depois de Amanhã", nos últimos anos. Em resumo, falta um pouco de criatividade na mais nova empreitada de Spielberg/Cruise, que já haviam feito o superior "Minority Report".

Escrito originalmente por H.G. Wells em 1898, "Guerra dos Mundos" aterrorizou os Estados Unidos em uma versão para rádio feita pelo grande Orson Welles, em 1938, e em um espetacular filme de ficção científica dirigido por Byron Haskin em 1953. O filme de Haskin substituiu os "tripés" do livro de Wells por naves flutuantes e o personagem principal era um cientista que tentava, até o fim, descobrir o ponto fraco dos invasores. Imagino que quem não tenha visto o primeiro "Guerra dos Mundos" tenha dificuldade em acompanhar o que está acontecendo. E que o final, que não vou revelar, seja um pouco decepcionante. Spielberg declarou que esta não é uma refilmagem do clássico de 1953, mas há várias referências a ele. Uma seqüência inteira, passada no porão de uma casa destruída, é quase idêntica. A diferença, claro, está na tecnologia do efeitos usados nos dias de hoje. Há uma cena passada dentro de um carro que demonstra todo o virtuosismo de Spielberg. Em um longo plano seqüência, a câmera acompanha o diálogo dentro de um carro em movimento, se afasta, dá um volta completa em torno dele e volta para dentro, para mais diálogo, sem cortes visíveis. Um show.

No mais, há referência óbvias ao 11 de setembro e ao modo como isso mudou para sempre a percepção dos americanos do mundo. Quando Cruise entra em casa, logo após o primeiro ataque, todo coberto de pó, sua filha pergunta: "O que é isso em você?". Não se pode deixar de associar aquela poeira branca (na verdade, uma mistura da destruição física das casas da vizinhança com os corpos pulverizados das pessoas) ao World Trade Center. E o filho de Cruise, Robbie, fica o tempo todo querendo se juntar ao militares para "dar o troco" nos alienígenas. Pena que Spielberg, com seus famosos finais felizes açucarados, ponha tudo a perder no final.

João Solimeo
publicado originalmente no Câmera Escura (www.cameraescura.com.br) e no jornal Cidade de Vinhedo.



marta.veloso@netcabo.pt
War of the Worlds é um típico filme de Steven Spielberg em tudo o que isso tem de bom e de mau. Baseado na obra homónima de H.G. Wells, o filme foca um dos medos mais subvertidos da raça humana, uma invasão alienígena. Por muito que possa parecer apenas ficção-científica, o medo é real e basta para isso lembrar o pânico criado por Orson Welles com a sua versão radiofónica desta mesma obra do autor vitoriano, há algumas décadas atrás.

Quanto a Spielberg, rende-se finalmente aqueles que parecem os interesses do público, pondo pela primeira vez os extra-terrestres no lado do mal. Longe vão os tempos do querido ET que fez sonhar a minha geração e outras. Mas os valores familiares, tão caros ao realizador, continuam a ser parte essencial em War of the Worlds, talvez mesmo em excesso. É sabido que o apelo ao sentimentalismo é uma das características deste que será um dos mais bem sucedidos realizadores de sempre, mas isso não faz desses momentos menos irritantes. Spielberg utiliza o piloto automático nas personagens, especialmente Ray (Cruise) e Robbie (Chatwin), que acabam por ser dois heróis saídos de qualquer filme catástrofe de Hollywood. A relação difícil entre Ray e os seus dois filhos também não foge ao habitual, sendo demasiado óbvio o final.

Mas felizmente para Spielberg, um filme deste tipo nunca se julga só pela construção de personagens. Os efeitos especiais, por exemplo, são extremamente importantes. E neste aspecto não parece haver nenhuma falha de grande relevância na realização. Visualmente bem conseguido e sem abusar dos efeitos especiais que se esperam sempre nestes filmes, Spielberg consegue criar um filme sombrio e psicologicamente violento.

Se bem que Spielberg já disse que War of the Worlds não é uma tentativa de crítica a nenhum país ou modo de vida, é impossível não denotar a crítica (in)voluntária ao imperialismo ocidental. Se a obra de H.G. Wells era uma crítica aberta ao imperialismo insaciável da Inglaterra vitoriana, esta adaptação muito livre que Spielberg fez de War of the Worlds não pode deixar de ser vista como uma espécie de crítica, mais subtil, às novas formas de hegemonia mundial, nomeadamente o capitalismo/imperialismo americano. De notar é o cada vez mais recorrente tema dos refugiados do Ocidente. nos últimos tempos têm surgido cada vez mais filmes em que as populações ocidentais são obrigadas a fugir das suas cidades e dos seus países, um aspecto muito irónico, uma vez que continuamos a ser os receptores de refugiados, que muitas vezes fogem de conflitos provocados pela ganância do Ocidente.

Marta Veloso
www.matine.blogspot.com


Orlando Augusto Stock
É um magnífico filme,aliás como Steven Spielberg sabe fazer,quanto ás interpretações,Tom cruise esteve...Brilhanteeeeeeeeee,quem ainda duvida do talento deste ator devia ver filmes como entrevista com o vampiro,nascido a 4 de julho,jerry maguire,magnólia e tantos outros que poderia citar,e olha que ele nunca foi um dos meus atores preferidos.O filme recomenda-se


jmiguelcine@hotmail.com
Para o Sr.º João Lopes:

(Desde já, peço desculpa por meter foice em seara alheia)

"Um filme não se reduz à «felicidade» ou «infelicidade» do seu final."

"Já é tempo de sabermos que os mecanismos de significação de um filme não obedecem, necessariamente, à mediocridade catalogada das telenovelas".

Peço desculpa. Gosto imenso dos seus textos, mas, permita-me, já me cansa um pouco o discurso que faz em relação ao facto de as pessoas, quando criticam um filme, serem, nas suas análises, demasiado devedoras dos conceitos televisivos para exporem o seu ponto de vista num texto escrito.

Como se as pessoas por verem, aparentemente, a mesma coisa, tenham todas de estar sujeitas ao mesmo mecanismo "maligno" da influência televisiva.

Como, apesar de chegarem a conclusões que até poderão ser iguais, não tenham de pensar, todas elas, de forma diferente, afastando-se do conceito determinista, como muito bem diz, do pequeno écran.

Peço desculpa, mas já me cansa. Pelo seu ponto de vista, parece que todos, hoje, pensam por esses cânones. E isso não é verdade.

Cumprimentos

José Miguel Oliveira


   
Para Rui Barroso,

Estou esclarecido.
Como tenho lido a maior parte do que o João Lopes escreve sobre cinema (pelos menos, nos últimos 10 anos), fiquei um pouco perplexo com algumas incongruências... mas é evidente que estava a partir do princípio que o Rui tinha o mesmo conhecimento de causa...

Cumprimentos,

Jorge Silva


ruibar@gmail.com
Para Jorge Silva,

A explicação é simples: não terei lido outros comentários de João Lopes sobre cinema de Spielberg.
Admito que não me recordo. Também pode ter-se dado o caso de ter lido sobre filmes que, tal como disse na primeira vez que escrevi aqui, considero maiores na obra de Steven Spielberg: Império do Sol, Terminal, Apanha-me se Puderes ou a saga Indiana Jones. Mas de facto não me lembro! Provavelmente, e pelo que o próprio João Lopes disse agora sobre o filme, se eu tivesse lido a sua opinião sobre Inteligência Artificial a minha dissonância ter-se-ia manifestado nessa altura. Contudo não li. Ele, João Lopes, vê e escreve cinema a um ritmo alucinante. Como deve calcular, nem sempre me é possível acompanhar.
Só mais uma coisa, Jorge: eu não disse que concordo sempre com o João Lopes. As minhas palavras foram: «Tanto quanto me lembro, penso ser a primeira vez que o João Lopes me “enganou” pois normalmente concordo com a forma de ver cinema, com o seu olhar.»
De tudo o que me lembro de ter lido dele, houve outras divergências, só que nenhuma do calibre de Guerra dos Mundos...

Muito obrigado,
Rui Barroso


   
Peço desculpa por "meter foice em seara alheia", mas não resisto a expor uma grande contradição nas palavras do Rui Barroso (li com muito interesse o "debate" entre ele e o João Lopes).
Como é possível dizer que só com "Guerra dos Mundos" a sua visão diferiu da do João Lopes e depois dizer-se o que disse de Spielberg. Para quem acompanha, como eu, o que o João Lopes escreve sobre filmes e afins, é fácil saber que ele gosta muito de - atrever-me-ia a dizer - todos os filmes de Spielberg. Mais: vê-os na sua esmagadora maioria como filmes maiores. Então o Rui concordou sempre - até "Guerra dos Mundos" - com essa visão e depois diz que, afinal, Spielberg não é um grande cineasta? Não faz muito sentido. Desculpem-me se percebi mal, mas foi isso que me pareceu.
Espero em breve comentar este filme que ainda não vi, mas que estou com grande vontade de ver. Basta ser de um dos maiores cineastas contemporâneos.

Jorge Silva


ruibar@gmail.com
Para João Lopes,


Desde já o meu sincero obrigado pela sua resposta.

Numa primeira parte irei replicar os pormenores (com ou sem aspas):

- Não sou um defensor de que “da discussão nasce a luz”. Normalmente o que mais se vê é ficar tudo na mesma depois da dita discussão, ou, ainda pior, da discussão nascer mais discussão. Mas há formas diferentes de falar. Se há aqui pessoas que não conseguem perceber a evidencia que a liberdade delas acaba onde começa a do outro, lamento por este espaço e sobretudo lamento por essas pessoas. Por isso, nunca terá da minha parte qualquer teimosia mais ou menos futebolística. Nada disso.

- Referiu os finais felizes. Nisto terá havido alguma confusão porque não fui eu quem falou em finais. Para mim nenhum final é feliz porque senão não seria final.
(Perdoe-me a brincadeira mas não resisti ao jogo de palavras…)

- Também não foi Mystic River que eu lhe pedi para imaginar ser feito por Spielberg mas sim As Pontes de Madison County. E não foi por acaso que escolhi este filme e não Mystic River.
Mas foi uma batota, confesso. Tal como a sua de “não” me perguntar o que seria O Império do Sol filmado por Clint Eastwood. Se continuássemos na batota poder-lhe-ia perguntar se põe Spielberg num patamar da história do cinema semelhante ao de… e escrever aqui uma lista de realizadores. Mas não o vou fazer porque honestamente não penso que esse seja um caminho edificante nesta conversa.

- Quando falei nos 90% de mau que da América nos chega foi um número, apenas isso. Um número redondo, provavelmente exagerado, que serviu para ilustrar uma convicção que tenho. Mas nisso tem razão: a convicção é minha.

- Faço-lhe o “favor” com todo o gosto e crença: a força vital da democracia americana será sem dúvida a sua arte. Nela, os americanos têm tido o alicerce democrático e um poder de sustentação da liberdade da sua própria sociedade. E o motor é exactamente o que refere: o retirar da vivência do homem comum a construção da ficção. Alimenta e dá um fôlego constante àquela sociedade. Um permanente ver-se e rever-se, ver-se e rever-se, ver-se e rever-se!
Tanto quanto sei, isto é impar no mundo.

- Não levei nada a mal aquilo a que chamou de dissertação psicológica e também não me baralhei com a palavra. Foi revelador de inteligência e é-me sempre muito complicado levar a mal manifestações daquilo a que considero a qualidade suprema.



Passando à conversa:

Primeiro que tudo, tal como facilmente deduziu, devo dizer que obviamente estou a passar uma fase menos boa da minha existência. Mas isto é irrelevante neste espaço; apenas o menciono porque, de facto, no que escrevi ontem me deixei arrastar por alguma emoção pouco controlada. Tal não voltará a acontecer.

Quanto à concordância que geralmente tenho consigo (poderia ser com qualquer outra pessoa) se ter quebrado, não considero isto, per si, nenhuma tragédia. Ninguém que pense pela sua cabeça estará sempre de acordo com outrem que igualmente pense pela sua cabeça. Provavelmente ter-me-ei exprimido mal. Eu apenas queria perceber. Entender a sua forma de ver Spielberg.

Penso compreender a razão de não me ter respondido ao pedido que lhe fiz, o de me explicar o que vê na obra de Spielberg, ou apenas neste filme, já que é nesse espaço que estamos: deverei ser eu a ver pelos meus próprios olhos. Certo?
Indubitavelmente que sim. Isso não está nem estará nunca em causa. Mas, João Lopes, como muito bem sabe, o cinema, tal como a literatura, pintura, música… também se explica. Desde que a explicação não seja castradora da liberdade intelectual do explicando, na minha opinião é e será sempre bem-vinda.

Repare: como disse anteriormente, houve alguém que na minha infância me ensinou a ver cinema. Depois, com asas (se curtas ou compridas, não é relevante), fui voando nas minhas próprias descobertas. Lembro-me de ter 18 ou 19 anos e ter penado para descodificar obras como “O Silêncio” de Ingmar Bergman. Tenho leituras dessa como de outras obras vulgarmente consideradas como difíceis. Cada uma delas não é A leitura porque A leitura não existe num sentido global; existe a leitura de cada um de nós e cada uma é verdadeira para quem a fez. Certamente que como humanos que somos tenderemos a aproximar-nos de quem interpreta de maneiras semelhantes às nossas. Quem pode censurar-nos por isto?

Felizmente tenho pessoas com que partilho idas ao cinema e posteriores conversas sobre o que se acabou de ver. Estas conversas são sempre mais ou menos longas e absorventes consoante a riqueza do filme.
Nelas, a troca de visões sempre diferentes (embora próximas devido ao que disse acima) faz com que se acabe por, fatalmente, cada um de nós veja algo que tinha passado despercebido ou a que tinha emprestado outros significados. Fica-se com mais do que se estiver só.

Aqui, no que escrevi ontem, apenas me coloquei na posição que refere, a de não estar a ver/sentir, devido à eloquência da sua crítica. Da sua, da do Tiago Pimentel e da de alguns outros participantes. O que passa por mim quando vejo pessoas que considero inteligentes valorizarem algo que a mim não me toca é uma dúvida interior: que estarei eu a não ver? E foi essa dúvida que expus aqui.
Não me diminuo nem por pensar nem por dizer que há algo que não estarei a atingir (num aparte direi que sou humilde mas não modesto) e tão pouco me sinto menor por pedir ajuda.
Após isto deverá saltar aos olhos que não existe em mim medo de sentir. Unicamente, em Guerra dos Mundos, com muita pena minha, eu não senti… nada. Ou quase.

Mais uma vez, muito obrigado.

Rui Barroso


ruibar@gmail.com
Para Pedro Gomes,

Muito obrigado pelo seu comentário.

Falemos então de questões técnicas: como disse, considero Steven Spielberg um excelente produtor de imagens. Isso, na minha opinião, não faz dele um excelente construtor de filmes (realizador de cinema).

Quanto à assinatura: concordo que haja uma assinatura; quem vê Spielberg sabe logo que está a ver Spielberg. Viu o filme Amadeus? A certa altura, Mozart, em tom jocoso diz: «Quem ouve Salieri sabe logo que é Salieri. É inconfundível!»

Intensidade dramática: confesso que não me lembrei da Lista de Schindler. Concedo que neste filme S.S. foi mais longe, mais fundo do que lhe é habitual. Talvez por o tema lhe ser, infelizmente, um tema próximo. Mesmo assim compare, por exemplo, com O Pianista de Polansky.
Já em Saving Private Ryan eu não falaria em intensidade dramática mas sim naquilo que refere como composição de imagem. Isso ele sabe fazer. Muito, muito bem!

Saudações,
Rui Barroso


   
P/ Rui Barroso,

Agradeço o seu comentário. Em todo o caso, o seu empenho em querer gostar de «Guerra dos Mundos» não o conduz a lado nenhum. Nem ninguém o pode conduzir.

«Perdi tanta coisa na vida. Já agora, o cinema, não. — acho corajosa a sua transparência, Rui Barroso, mas não será um crítico de cinema a resolver a sua questão. De facto, repare na contradição das suas palavras iniciais. «Tanto quanto me lembro, penso ser a primeira vez que o João Lopes me “enganou” pois normalmente concordo com a forma de ver cinema, com o seu olhar.» Com aspas ou sem aspas, aquilo que diz é apenas isto: normalmente, parece-lhe estar de acordo com alguém (por acaso sou eu, o que é irrelevante para o caso). Acontece que, de repente, descobriu que o «acordo» se quebrou. Quem pode responder à sua perplexidade? Eu? Se não for o próprio Rui Barroso, mais ninguém o fará.

Repare: a sua perplexidade parece-me totalmente genuína e genuinamente sincera. Mas é irrelevante para a vida dos filmes ou o movimento dos planetas. Não espere que um crítico de cinema sirva para o convencer. Convencer? Eu não escrevo para convencer ninguém. Tenho a ambição, não o escondo, de contaminar cada leitor com o gosto de descobrir cada filme por si, respeitando a singularidade do filme, descobrindo-se através do próprio filme. O resto tem apenas a ver com as trocas sociais de opiniões. E não julgue que por «concordarmos» sempre com alguém não nos podemos enganar sobre o que essa pessoa pensa, sente ou quer transmitir.

Não leve a mal esta dissertação psicológica. E não interprete precipitadamente a palavra «psicologia» — creio que estou a falar daquilo que sente e achou por bem expor; e estou também a falar do que sinto e, creio, pode ser interessante partilhar com outros. Se a proponho neste espaço público, é apenas porque nela se inscreve uma velha questão da actividade da crítica. A saber: os efeitos do próprio discurso crítico.

Dito isto, não faria sentido ignorar que tal questão se reacende a pretexto de um filme concreto, chamado «Guerra dos Mundos». E aí, podemos discutir se as nossas leituras se adequam melhor ou pior ao próprio filme. Porque, creia, é sempre disso que se trata: a-d-e-q-u-a-ç-ã-o.

Repare, uma vez mais: não adianta estarmos a dirimir evidências. Para si, é evidente que 90% do cinema americano é mau. Para mim, mesmo sem fazer contas, não é nada evidente. Para si, é evidente que «Inteligência Artificial» é uma desgraça profunda. Para mim, é evidente que «Inteligência Artificial» é um sublime objecto de cinema. Que fazer, então, com as nossas evidências? Tentar ver quem as grita mais alto, como se fôssemos adeptos fanáticos de futebol? Repare, insisto: não estou a sugerir que é esse o seu estilo — o seu tom é cordial e construtivo e num site onde, por vezes, nos temos confrontado com visitantes incapazes de respeitar as mais simples diferenças, intervenções como a sua são sempre bem-vindas. E, sobretudo, não se coloque, NUNCA se coloque na posição de sugerir que não sabe ver/sentir. Veja e sinta. Olhe e não tenha medo de sentir.

Eis duas coisas que me parecem adequadas:

1. A inscrição de «Guerra dos Mundos» numa imensa árvore genealógica (de raiz americana) em que a definição da colectividade se enraíza nas convulsões familiares. Creio que isso está em John Ford e Steven Spielberg (o que não estipula nenhum tipo de «igualdade» entre eles) — é uma forma simbólica (sendo o simbólico o terreno específico da ficção) de entender e representar a dinâmica democrática como algo que não é imposto a partir do «alto», mas que nasce nas vivências do homem comum. E espero que me faça o favor de reconhecer que pensar sobre os valores democráticos na arte americana (Griffith e Faulkner, Philip Glass ou Andy Warhol) e na própria sociedade americana não se reduz a discutir as opções do Presidente Bush para o Iraque…

2. Um filme não se reduz à «felicidade» ou «infelicidade» do seu final. Não podemos lidar com os filmes como se o que neles se narra fosse necessariamente determinista, como se tudo tivesse um sentido único, unívoco e universal,

(A este propósito, Rui Barroso, deixe-me confessar que não consigo entender o que é que há de tão «feliz» no final de «Guerra dos Mundos»: o mundo está destruído, as condições de vida de uma civilização edificada ao longo de séculos estão literalmente em ruínas e até o pobre do protagonista se descobre tão só como no início… Aliás, também nunca consegui entender qual é a «felicidade» do final de «Inteligência Artificial»: a criança-robot acaba por descobrir que o reencontro com a mãe é efémero e não tem nada de seguro e que apenas, talvez — sublinho: talvez — daqui a 2000 anos seja possível reencontrar-se com ela. Será que temos de discutir o célebre ursinho que acompanha as personagens? Será preciso recordar que, no imaginário infantil, o «teddy bear» é um símbolo paradoxal de solidão, uma compensação para o afastamento dos adultos, um objecto que não resolve nenhuma infelicidade, apenas prolongando o desencanto que a habita?
Eu sei, Rui Barroso, que não nos falou do «teddy bear» — mas eu acredito que é possível falar de tudo o que está num filme. E já cansa a «evidência» dos que vêem um urso e uma criança, e a única coisa que sabem dizer é que a «felicidade» tomou conta de tudo… Por amor de Deus! Já é tempo de sabermos que os mecanismos de significação de um filme não obedecem, necessariamente, à mediocridade catalogada das telenovelas. Porque é que ninguém diz nada sobre o papel normalizador — dos olhares e das ideias — todos os dias desempenhado pela poderosíssima e invasora forma de ficção que é a telenovela?)


O problema não é «factual» mas, uma vez mais, simbólico. Uma ficção não é uma colagem de factos, mas uma rede de coisas precisas e coisas difusas, sugestões conscientes e acidentes inconscientes — uma ficção é um caudal de acontecimentos que ecoa sempre de forma diferente em cada espectador.. Por isso, a sua apreensão é, ou pode ser, potencialmente infinita.

Por último, deixe-me manifestar apenas um desacordo total: não vale a pena imaginarmos o que seria «Mystic River» filmado por Steven Spielberg — é bom apenas falarmos dos filmes que existem. Não, não lhe vou perguntar o que seria «O Império do Sol» filmado por Clint Eastwood…

Obrigado. Voltem sempre.

João Lopes
CINEMA2000


psantosgomes@hotmail.com
Para Rui Barroso,

Li o seu comentário e dois apontamentos quase me tiraram do sério (passo a expressão).

Spielberg realizador "bonzinho" e "falta de intensidade dramática".

Falemos de questões técnicas: Ninguém compõe uma imagem/shot como Spielberg, só consigo encontrar equivalente na obra de Kubrick ou Ford há uma espécie de assinatura que é inconfundivel nos planos que toma. E isso é de um "enorme" realizador, é algo que só os verdadeiramente inspirados conseguem em qualquer expressão artistica.
E o que dizer de Schindler`s List e Private Ryan no que toca a intensidade dramática? Estes titulos falam por si.

Cumprimentos Cinéfilos,
Pedro Gomes


ruibar@gmail.com
Crítica ao filme Guerra dos Mundos e, ao mesmo tempo, uma carta aberta a João Lopes:


Tanto quanto me lembro, penso ser a primeira vez que o João Lopes me “enganou” pois normalmente concordo com a forma de ver cinema, com o seu olhar.

Li a sua crítica, e também a do Tiago Pimentel, e dispus-me a ir ver o filme. As 5 estrelas, aquilo que é dito e a constância de opiniões similares em imensos outros filmes, encheu-me de fé em como Spielberg desta vez teria conseguido.

Agora, terei de ser duro.
(Duro não com as opiniões de ninguém. Duro sim, com o Sr. Steven Spielberg.)
Então cá vai: para mim, Steven Spielberg é um excelente produtor de imagem e um excelente vendedor de filmes mas Steven Spielberg é um realizador de cinema apenas… bonzinho.

Se calhar exagerei… ou não? Hmmmm…

Praticamente tornei-me cinéfilo em criança. O meu pai ensinou-me a ver cinema. Primeiro a escola americana, depois, mais tarde, a europeia e ultimamente nos orientes “amarelos”.
Confesso-me: havendo obviamente enormes obras de excelentes cineastas em todas as partes do mundo, os EUA são o país do cinema. É, em último grau, a forma máxima de expressão dum povo.
Concordaremos todos que mais de 90% do que lá se produz são más obras. Sim, sem dúvida mas, ao mesmo tempo, vêm de lá coisas tão boas… (Abro aqui um parênteses para deixar uma pergunta: se em outros sítios houvessem os meios de produção e dinheiro que lá há será que a relação quantidade/qualidade seria diferente?)
Isto apenas para dizer que a(s) escola(s) americana(s) de cinema me são familiares e queridas. Se alguém quiser criticar o meu não gosto pelos filmes de Spielberg que seja por qualquer motivo mas nunca por pensar que eu sou avesso a um certo tipo de linguagem cinematográfica tipicamente americana.

O que é então que eu não gosto em Steven Spielberg?
Falando pela positiva: E.T. é muito bom; Terminal é bom; Apanha-me se Puderes, idem; os Indianas sendo o que são, também são bons. Quase que por aqui me ficaria se não existisse um filme chamado O Império do Sol, que na minha opinião é a obra máxima de S.S. A obra em que ele se ultrapassou, em que se excedeu e em que teve um momento sublime de cinema – falarei dele à frente. Lembro-me de na altura ter pensado que íamos ter mais daquilo. Puro engano! Todos os fabricantes de artesanato se arriscam, sem querer, a um dia fazerem um outro tipo de obra que está para além do artesanato mas quase nenhum o consegue repetir.
E assim sendo, o resto dos seus filmes…

Há uns tempos atrás ouvi o João Lopes num programa da RTP 2 a falar sobre o Casino do Scorsese. E dei por mim a interrogar-me: onde diabo é que ele viu aquilo tudo no filme? Revi-o. E dei-lhe razão: está lá, sim! Nessa altura aplaudi-o pela sua brilhante capacidade descodificadora de imagem. A mim, num primeiro visionamento tinha-me escapado imenso do que para si foi evidente. Precisei duma segunda vez para lá chegar.
Acontecerá o mesmo com este Guerra dos Mundos? Honestamente, penso que não.
É então uma questão estética? Admito-o em parte mas não totalmente.

Certamente não me levará a mal por dizer abertamente o que penso…
Não me parece que esta obra contenha aquilo que descreveu nas suas críticas. No que respeita ao drama familiar, o filme é oco. Os diálogos são clichés constantes. Há uma previsibilidade patente. Lamento ter de dizê-lo mas neste como em quase todos os filmes de S.S. a parte dramática… soa a falso.
Isto entristece-me. Aliás, foi isso o que mais senti ao sair da sala: uma enorme tristeza por ele mais uma vez, não ter conseguido. Por nunca chegar Lá!



O que é mais curioso é que quando Steven Spielberg assume este seu tão típico rosado ou aveludado, como se queira, quando ele se decide a ser o que realmente é, fá-lo bem! Como disse antes, ET e Terminal são exemplos conseguidos.
Mas é apenas isto; não é mais!
É claro que nunca há-de haver vindo de Spielberg nenhum Do Céu Caiu uma Estrela! Não espero isso. Mas se o homem se mantiver a fazer o que sabe, evita cair em desgraças profundas como foi o caso de, o exemplo mor, Inteligência Artificial!

Onde está a intensidade dramática? Onde estão as imagens que nos provocam angustia, mau estar, que nos revoltam o estômago? Onde, em todo o cinema de Spielberg há um pedacinho que seja de qualquer coisa como, só para citar um exemplo recente e também produto da mesma escola, Mystic River?! Não, não há! Mesmo quando o mundo se desfaz à volta, mesmo quando tudo é sombrio, existe sempre um tom doce, um acetinado que deita por terra todas as boas intenções que, acredito piamente, ele até tenha!
Como falei em Clint Eastwood, pergunto-me a mim e pergunto-lhe a si: como seria As Pontes de Madison County filmado por Steven Spielberg? Não consigo acreditar que ele tivesse transposto aquele guião sem cair em tons lamechas.
Eu, honestamente, não consigo…



Se falarmos da outra parte, o bang-bang, é claro que sim. Ele é bom nisso! Sem ser original sabe-o tornar “comestível” como já tinha provado em Minority Report ou, de outra forma, nos Indianas. Mas também não surpreende nem mesmo consegue amedrontar o espectador. Em algumas cenas tive o cuidado de olhar para pessoas que estavam ali por perto do sítio onde me sentei e não vi ninguém particularmente assustado ou encolhido.
Deu-se mérito ao facto de neste filme S.S. apenas mostrar aquilo que os personagens vêem. Nem sequer vou discutir a originalidade de tal pois ela não existe aqui como não existe na maior parte do cinema que se tem feito nos últimos anos, mas como algures nas conversas sobre este filme se falou em Kubrick (e agora apetece-me ser chato mesmo) direi que, pois então talvez não se mostre porque não se saiba fazer aquilo que Kubrick tão bem fazia: mostrar. Pôr a realidade chapada na tela! Só que, mostrá-la duma tal forma que ela se torna absurda e nos provoca o arrepio. Camus disse qualquer coisa como isto: o real é absurdo e provoca-nos medo quando nos apercebemos dele ou nos é mostrado como é: absurdo.

Só para terminar, aquela tal cena única na cinematografia de Steven Spielberg é uma cena de O Império do Sol em que o personagem de Christian Bale está no cimo dum edifício e acontece a passagem dum avião Mustang à sua frente.
Que momento! Aqui sim, houve uma transcendência. Aqui, na claridade que todo o filme tem, houve algo de sublime! E foi perfeitamente visível, perfeitamente palpável. Para haver uma elevação estonteante, bastou um avião a passar e uma expressão no rosto dum miúdo. Mais nada!

Era (também) a isto que me refiro quando digo que em Kubrick há e em Spielberg (tirando a excepção) não há.

Não é assim, João Lopes? Ou sou eu que não consigo ver/sentir? Será insensibilidade minha? Por outro lado, como é possível por o cinema de S.S. ao lado do de John Ford?! Pergunto não por endeusar este, apenas porque, não consigo perceber…
Acredite que não é, de todo, preconceito contra Spielberg. Eu até vi todos os filmes do homem e em cada um vou com a esperança que desta é que é! Sinceramente, ajude-me! Se estou a perder bom cinema por o ver com maus olhos, estou exactamente… a perder.
Perdi tanta coisa na vida. Já agora, o cinema, não.

Rui Barroso


jmiguelcine@hotmail.com
Para Tiago Pimentel:

Obrigado pela sua resposta.

Não refuto as suas ideias. Aceito-as, mas não me identifico com algumas delas, assim como o Tiago com algumas minhas.

Os filmes sentem-se de forma diferente.

Expôs bem o seu ponto de vista e, pelos vistos, o meu comentário também o estimulou a defender algo que gosta.

Lamento não ter a mesma opinião.

Mas, por agora, sairei de cena.

Deixarei os outros utentes se expressarem e, quem sabe, com eles, aprender mais qualquer coisa de algo com que não me identifiquei totalmente.

Portanto, fogo à peça!

Um abraço, Tiago

José Miguel Oliveira


   
TEXTO COM SPOILERS. QUEM NÃO VIU O FILME, NÃO LEIA.

Caro José Miguel Oliveira,

Em primeiro lugar queria agradecer-lhe o seu texto e dizer-lhe, sem qualquer ironia, que é uma oportuna contribuição para o debate de War of the Worlds. Não posso deixar de recuperar uma ideia específica do seu texto, onde refere as múltiplas formas de recebermos um filme, concretamente o desfecho de uma narrativa. Sou particularmente sensível a esta ideia que, não só me parece fundamental na minha relação com determinado filme, como na minha dialéctica de debate com uma sensibilidade diferente da minha. Perceber isto é fundamental para percebermos o quê, porquê e como debatemos. No entanto, não leve a mal este meu reparo (que, no fundo, é um reflexo da minha leitura pessoal), mas julgo que, muitas vezes, confundimos duas perspectivas que acabam por ser, em si mesmas, contraditórias: o «meu olhar sobre o filme» e o «filme que o meu olhar reconstruiu». A mistura das duas perspectivas pode, de facto, construir um filme diferente do que estamos a ver. Diferente, não porque sentimos as imagens com a nossa sensibilidade, mas porque as reconstruímos em sua função. Quero sublinhar que ninguém está livre de o fazer até porque isso é sempre sintoma de uma ligação emocional que definimos em função do nosso próprio interesse pessoal. Ou seja, nada disto é negativo; é, antes do mais, parte integrante da paixão que partilhamos pelas imagens e pelas suas múltiplas leituras. O negativo começa a seguir: começa na recusa quase automática que geramos quando um filme nos surpreende. Isto é, quando não cumpre as expectativas. Importa saber que expectativas são essas. Serão as nossas ou as do filme? O José achou que o filho devia permanecer invisível ou mesmo morto desde o momento em que desaparece no meio da guerra. E questiona, a certa altura, se o filme será só sobre paternidade ou se será algo mais – sobre uma invasão de et’s, por exemplo.

Vamos por partes. Em relação ao filho que aparece vivo no fim, o José não encontra razão lógica para ele aparecer. Permita-me contrapor a sua visão com uma hipótese que me parece fundamental e complementar: quais as razões para não aparecer? Em boa verdade, a razão mais forte que tento sempre encontrar pertence a questões de ordem narrativa e temática. Dito de outra forma: que sentido faz ele aparecer ou não aparecer? Numa história como a de War of the Worlds, onde o núcleo narrativo e temático pertence à descoberta fascinante do que significa, afinal, ser pai, parece-me absolutamente lógico e comovente o reencontro entre pai e filho – sobretudo, depois de Cruise o merecer. Possivelmente, um abraço que Spielberg já desejava filmar desde o início da sua carreira (de resto, se nos lembrarmos, foi um abraço semelhante que Spielberg já filmou em Império do Sol e ET, por exemplo, embora a figura do pai estivesse sempre ausente). Esta foi a leitura que recebi das imagens. Este é o sentido que retiro do filho voltar a aparecer em campo. Mas existe sempre a possibilidade do contracampo. Que é como quem diz: qual o sentido dele não aparecer? Também o há: existem razões de realismo que o poderiam caucionar (afinal, ele é apanhado no meio de uma explosão, ninguém estranharia que morresse nesse infeliz incidente); se ele não aparecesse poderia despertar um dispositivo trágico ao próprio filme, retirando das mãos de Cruise aquilo que ele, durante o filme, aprendeu a amar. Ambas as hipóteses me parecem fascinantes (até porque as minhas considerações não encerram as variadíssimas leituras que as duas alternativas ainda guardam, dentro de si) e, nas suas riquíssimas contradições, seriam legítimas e superiores a quaisquer rótulos de feliz/infeliz que lhes quiséssemos impor. O filme escolheu uma; escolheu recuperar o filho. Será contra as nossas expectativas? Talvez, mas fará sentido dentro do filme? No limite, é isso que interessa. Também me sinto um pouco afastado das generalizações que o José define, como por exemplo: «Ao mesmo tempo, e, vá lá, socorrendo-me da vida, quando as pessoas se separam, num momento de tensão, porventura, ao reencontrarem-se, não se abraçam logo, não é? Mesmo num caso extremo, certo?» Não me sinto próximo deste tipo de leitura, já que isso implicaria sempre um pensamento uniforme que, no limite, serviria de caução para qualquer generalização futura. Cada pessoa funciona como um organismo independente e longe de mim saber a minha reacção a uma situação daquelas, muito menos impô-la à personagem. As coisas não são, de facto, nada lineares.

Quanto ao ponto que refere em relação ao núcleo do filme, não me sinto à vontade em defender uma tolerante subjectividade. Por uma simples razão: porque há elementos narrativos e cénicos perfeitamente objectivos que definem o motor temático da história. Isto é: não são os invasores que fazem avançar a história, mas sim os personagens humanos. É bom não esquecer que a câmara segue as pessoas e não os extraterrestres. Mesmo a referência à invasão, desde a sua origem até à extinção, é feita através de uma voz off, como se fosse uma presença exterior à história servindo de intermediário narrativo para a enquadrar devidamente. Os extraterrestres, neste filme, não são um McGuffin assumindo como em Sinais, de Shyamalan, mas são uma presença paralela à história. Dito de outro modo: a história não existe para eles; eles é que existem para esta história ser contada. No fundo, esta história é o outro lado de Encontros Imediatos do 3º Grau. Só porque, agora, eles são maléficos, a história fundamental já deixou de ser a jornada pessoal/familiar do humano?

Por último, um filme não é bom ou mau pelo assunto que filma, mas por todas as imagens que o ilustram e desequilibram. Em boa verdade, acho que raras vezes vi um melodrama deste calibre, filmado de forma tão desesperada, como se, literalmente, estivesse tudo a acabar. Spielberg sabe integrar na perfeição essas fragilidades humanas com as imagens. Não são precisos diálogos separadores para sustentar esse melodrama (paterno, mas também humano); ele existe em constante recorrência, seja numa elaborada cena de acção, como numa sufocante sequência de suspense. Spielberg sabe filmar isto como ninguém, ao mesmo tempo que ensaia verdadeiras aulas de cinema nos rigores mais técnicos do filme. E, confesso, qualquer filme que saiba fotografar os rostos como reflexo do terror que está a acontecer lá fora, merece logo o meu interesse.

Agradeço, mais uma vez, o seu texto e a possibilidade de podermos continuar a debater este filme e todas as suas estimulantes leituras.

Cumprimentos

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Tiago Pimentel
tiago_pimentel@hotmail.com
www.vivercontraotempo.blogspot.com


migueldomingues111@hotmail.com
Com A Guerra dos Mundos, Steven Spielber prossegue o seu inexorável trajecto em direcção a terrenos de uma negritude quase palpável. O percurso foi talvez iniciado com A Lista de Schindler, que já leva mais de dez anos, mas foi aprofundado desde A.I. (2001), com apenas uma paragem em Terminal de Aeroporto (2004). Ressalve-se que não se entende por trajecto em direcção à negritude um simples enumerar do tema, que nunca foi escondido de filmes como E.T. (1982) ou, logicamente, Parque Jurássico (1994), mas antes um maior estudo das suas matizes, um interesse mais premente em apreender o seu funcionamento. A Guerra dos Mundos prossegue e aumenta a intensidade desse trajecto. Porquê? O cineasta já afirmou por diversas vezes: os tempos prestam-se a isso.

O 11 de Stembro marcará indelevelmente o imaginário de várias gerações de americanos, mas poucos foram os cineastas que pegaram no tema pelos chifres. Antes de Spielberg, só Spike Lee, no seu A Última Hora (2003). Mas enquanto Lee transformou a data num cálvario pessoal, misto de violência física e jeu de massacre com fim na expiação, Spielberg, politicamente mais ortodoxo, transformou-a numa celebração da sobrevivência, do direito a uma diferença dos povos. Não deixou, no entanto, de se reservar o direito de assustar o espectador, sobretudo através do sentimento, objectivo, universal e claustrofóbico, de fuga desenfreada sem quaisquer garantias de sucesso face a um perigo invisível, inaudível e ubíquo. O trajecto das personagens é linear, mas dentro desa linearidade esconde-se a impotência e os primários reflexos humanos, duas componentes importantíssimas do pânico. O desabar dos edificios e o pó levantado revelam a pureza do ser.

Clássico, Spielberg empresta ao seu filme a mais importante característica da ficção científica, a recorrência que a torna um género já clássico: uma constante preocupação com o presente, onde o futuro ou a espectacularidade mais não são do que meros mcguffins. Mais importante ainda, polvilha pelo fime pedaços de lirismo, como a sublime sequência em que Cruise sai da casa de Tim Robbins para encontar a planicie da Land of Hopes and Dreams coberta de vermelho-sangue. Se há cena que assine um filme, essa é definitivamente uma.

O que é que, então, faz com que o filme não dê o salto e não seja uma das obras maiores do cineasta americano? Essencialmente, dois factores: por uma lado, a constante preocupação com a família , presente em todas as obras do cineasta, começa a assemelhar-se a uma chapa-quatro, utilizável em todas as situações e mais algumas para conferir a necessária marca autoral. Por outro, Tom Cruise dificilmente encarna na perfeição o herói springsteeniano desejado, demasiado preso ao seu sorriso afável e à sua personalidade de maridinho da América. Aliás, na promoção ao filme, o actor prefere focar a sua admiração por Spielberg, do que o substrato politico ou temporal presente na obra. E se a obra a isso sobrevive, é porque esse substrato é verdadeiramente assinalável.

Miguel Domingues
(www.jeudemassacre.blogspot.com)


   
Regras de debate

O CINEMA2000 continua empenhado em dar voz à diversidade das opiniões. É uma atitude de abertura e frontalidade que, infelizmente, por vezes, tende a ser mal interpretada. Uma vez mais, o CINEMA2000 tem que reconhecer os erros do seu espírito liberal. Há comentários que, nesta como noutras fichas, foram colocados on-line e que, pura e simplesmente, não deveriam ter sido aprovados. Em rigor: comentários de tom semelhante no futuro, não serão aprovados.

Nenhuma quantidade (de comentários) justifica a degradação da qualidade (da dimensão humana). Se o preço a pagar pela nossa postura é termos menos visitantes, assim seja.

Além do mais, e ao contrário de um «estilo» frequente em muitos sites (de cinema ou não), continuamos a não querer favorecer confrontos de ideias que deslizem para um tom desagradável de «tribunal» em que, por tudo e por nada, se julguem pessoas.

Dito isto, todas as diferenças de pontos de vista são bem-vindas. De acordo com esta definição: um ponto de vista é um discurso — sério, inteligente e fundamentado, eventualmente polémico — que se demarca de todas as formas de insulto ou aviltamento.

Obrigado. Voltem sempre.

CINEMA2000


   
Caro João Bastos,

Não estou interessado em julgar o carácter de quem quer que seja. Só posso, por isso, repetir o que escrevi: nunca tive como objectivo procurar (muito menos impor) uma opinião consensual sobre o filme. Tratava-se apenas de encontrar um patamar de mútuo equilíbrio em que a explicitação das diferenças pudesse ser interessante também para os outros. Tal não foi possível, o que só posso lamentar. Por isso, encerro aqui este diferendo. Se o magoei, de alguma forma, peço-lhe que aceite também as minhas desculpas.

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Tiago Pimentel
tiago_pimentel@hotmail.com
www.vivercontraotempo.blogspot.com


balves2k@hotmail.com
We are family...

Se há algo que, para mim, teria sido totalmente dispensável da adaptação feita por Steven Spielberg do clássico “Guerra dos Mundos”, então isso teria sido a pequena Dakota Fanning a esvaziar os seus pulmõezinhos de cinco em cinco minutos. É que chega a uma altura, depois de já estarmos a ouvir isto há bem mais de uma hora, em que o som emitido pela sua gargantinha chega a ser mais aterrador do que o das máquinas de morte dos invasores marcianos.
Mas tirando isto – e admitindo já também que não sou grande fã da telenovela familiar que Spielberg acoplou à obra – “Guerra dos Mundos” é um filme de cortar a respiração, feito por um realizador claramente inspirado.
Muita tinta já correu a propósito da adição desta trama familiar – quer a louvá-la, quer a condená-la - mas aqui tenho de reconhecer que, apesar de também não gostar dela, é, sem dúvida, uma das marcas deste realizador enquanto autor.
Mas felizmente para os fãs do realizador, não é só o fantasma do Spielberg-familiar que assombra este filme. Temos o Spielberg de “Tubarão”; temos o Spielberg de “Relatório Minoritário” e temos muitos outros fantasmas de Spielberg a pairar por aqui.
E digo fantasmas porque este “Guerra dos Mundos” cita mais da obra do realizador do que acrescenta. Mas também acrescenta, e há momentos de uma genialidade e uma espontaneidade absolutos.
Muito mais do que os espectaculares efeitos especiais – as pontes a rebentar, os cenários de destruição absoluta – são as imagens mais simples que ficam gravadas na irís. Como o rio de corpos, ou os campos cobertos de sangue; como o facto de a carnificina ser acompanhada por roupas a voar e montanhas de pó; como o naturalismo com que é retratada toda a destruição.
Este último ponto – que já valeu ao realizador várias acusações de explorar o 11 de Setembro – é particularmente pertinente. Não há qualquer dúvida de que o Spielberg se inspirou claramente nos eventos do 11 de Setembro, e o nível de pormenor que traz a muitos destes retratos é impressionante – e um bocadinho assustador.
O facto de utilizar muitos dos signos presentes nas imagens da cobertura mediática da tragédia americana faz com que as cenas do filme agarrem o espectador de forma visceral. É uma decisão corajosa, altamente manipuladora, e absolutamente brilhante.
E depois temos o ritmo do filme, orquestrado com uma precisão devastadora destinada a deixar o espectador de olho arregalado e colado à cadeira. É o Spielberg de “Tubarão” a trabalhar, e não espanta minimamente que as cenas que resultam melhor são aquelas em que vemos a destruição sem vermos quem a está a causar.
O que nos traz a um ponto importante no que diz respeito ao livro original de H.G. Wells. Este clássico da literatura, escrito nos finais do século XIX, tem vários níveis de leitura. E para além de ser um expoente de ficção científica é também uma dura crítica ao colonialismo britânico; aos riscos inerentes em invadir uma terra estranha com o único intuito de a explorar, sem qualquer respeito pelos indígenas.
Ora como o filme de Spielberg nunca chega a ir por este, e outros, caminho(s), as cenas finais surgem de forma desconexa – quase como se viessem de outra história, diferente da que se desenrolou à nossa frente ao longo de duas horas.
Mas vale bem a pena percorrer o caminho construído por Spielberg. Mesmo que se desvie um bocado do trilho incandescente escrito por Wells.

Bruno Alves


jmiguelcine@hotmail.com
Para Tiago Pimentel:

Li o seu texto e achei-o extremamente interessante, mas, permita-me, não concordei com duas coisas:

1º tenho dificuldades na forma como pensa que este filme, sendo, como muito bem diz, sobre a descoberta da paternidade, seja, na sua óptica, brilhante, por esse ponto de vista.

Compreendi a sua opinião e sei que a sustentou de uma forma clara e eficaz. Tenho é algumas dificuldades na forma como (terei percebido bem?), para si, por ser um filme sobre a paternidade e, comparando-o a outros filmes de Spielberg, resulte apenas por isso, a seu ver.

Repare, assim como o Tiago achou que é um filme sobre esse tema, outras pessoas (não eu) achariam que é um filme sobre invasões extraterrestres. Logo, não faremos nós, também, a nossa análise pessoal ao filme, como a do Tiago, assim como os espectadores que, na sua óptica, desejem um final feliz ou infeliz?

Eu vi isso que referiu no filme, Tiago. Vi essa descoberta da paternidade. Mas também vi muito mais coisas. Não foi por isso que me identifiquei com o filme. A questão que acho é que, e isso não concordo, existe uma "teoria de autor" que permite sustentar um filme, qualquer filme, gostando-se ou não dele.

Isto é, a descoberta da paternidade sempre foi um dos temas presentes nos filmes de Spielberg. Concordo. Mas Hitchcock, como saberá, também utilizava os mesmos temas da culpa, do pecado e da expiação nos seus filmes. Ford utilizava os temas da família, da comunidade, do amor entre homens (é verdade!)e mulheres, da libertação pessoal.

Acha que, apesar de estes temas estarem todos presentes nas obras destes realizadores, todos os filmes deles seriam obras-primas?

Isto é, um tema comum, de um realizador, nos seus filmes, garantem-lhe, por si só, um selo de inquebrantilidade?

2º Final feliz ou infeliz? O que é isso? Bom, acho que, de uma forma simples (que não o é), poderemos dizer que os finais terão de ser aceites naturalmente pelo espectador.

Não vou falar dos outros filmes de Spielberg.

Falaremos deste.

O final é feliz? Aparentemente, sim, apesar de, como muito bem refere, ser um final pírrico, por diversos motivos.

Mas, pessoalmente, acho que poderemos falar de um final feliz. Porquê? Porque, e conhecendo o Tiago tão bem os finais dramáticos que já existem nas narrativas com que lidamos, e são universais, os heróis tem um problema, resolvem-no e estão a salvo.

Neste filme, nem falarei do final dramático (a queda dos "aliens" que, francamente, achei algo forçada). Falarei do final narrativo, o epílogo, se quiser. Achei-o belíssimo.

Extraordinariamente bem feito. Adorei as folhas a cairem no chão, a representarem o isolamento e um curioso sentido de tentativa de regresso a um certo bucolismo, perdido sem dúvida, quando todos os vales já não eram verdes. Eram vermelhos.

Mas não concordei com o final "feliz" entre Cruise e o filho. Não porque não quisesse ou apetecesse-me fazer "birra". Simplesmente, acho que não há sustentação narrativa para aquele final ter acontecido daquela forma.

Não foi, portanto, a meu ver, um final natural que decorresse do interior desta narrativa.

Existe um conflito entre pai e filho que não é resolvido. Pode-se dizer que (permita-me a divagação, Tiago) "mas é como a vida. Eles sobrevivem. Tudo o que aconteceu de mau fica para trás. O que interessa é que se amam. E quando se ama, esquece-se."

Bom, a vida, por vezes, não nos salva. Muito menos nos filmes que, saberá o Tiago tão bem como eu, obedecem a uma organização mecânica, que não existe no nosso mundo que é muito mais caótico.

Nós é que tentamos dar sentido às coisas. Os filmes já tem, ou deveriam ter, sentido por si, sentido esse que, cabe-nos a nós aprendê-lo, descodificá-lo.

Ao mesmo tempo, e, vá lá, socorrendo-me da vida, quando as pessoas se separam, num momento de tensão, porventura, ao reencontrarem-se, não se abraçam logo, não é? Mesmo num caso extremo, certo? Acho que as coisas não são assim tão lineares.

Por haverem essas questões para mim, e por as colocar não tendo resposta, julgo que Spielberg não as fechou da forma mais conveniente. E o que é terminar uma história? Exactamente, fechar as "loose ends", que, parece-me a mim, não forem feitas da forma mais conveniente.

Talvez isso seja a forma como Spielberg vê a vida, ou, mais exactamente, a vida dentro do cinema, ou para ser mais preciso, a vida de uma família dentro do cinema.

Terei eu de a ver da mesma forma? Terei eu de me identificar com isso? Poderei ver as coisas de outra forma? Acho que as perguntas possúem uma resposta clara.

Por isso, talvez Spielberg tenha optado por um final, na minha opinião, incoerente, com aquilo que foi o seu caminho, nesta obra, até aquele ponto. Talvez Spielberg tenha mesmo optado pelo final feliz, sem o justificar ainda... Talvez faltem mais 20 minutos de filme, quem sabe...

O que é um discuso televisivo ou cinéfilo? Não sei. É a primeira vez que oiço isso. Eu, pessoalmente, não vejo muita televisão, mas, repare Tiago, assim como existem pessoas que sintetizam um filme da forma que, como diz, “pois, o filho sobreviveu, isto é mesmo feliz", também o Tiago sintetizou os pensamentos ou discursos dessas pessoas do modo como os fez.

Bom, eu pensei mais ou menos isso do "filho". De uma forma irónica, claro, porque não gostei do desenlace apresentado. Porquê? Porque tirei as minhas conclusões e cheguei a um final que outras pessoas também resumiram dessa forma.

Já viu a beleza de as pessoas chegarem a um mesmo final e terem opiniões diferentes, gostando-se ou não do mesmo, de qual o caminho percorrido para chegar a essa meta?

Não sei se isso é um pensamento televisivo ou cinéfilo, mas é interessantíssimo podermos observar como uma frase pode encerrar tantos significados e sentidos, que ultrapassam os limites de um pequeno ou grande écran.

Longe de mim criar polémica com este texto. Não é um ataque a si, Tiago. Não quero criar conflitos.

Quero participar. Gosto da forma como escreve e da pertinência dos seus textos. Mas este tive que comentar , porque eu e o meu pensamento viram-se estimulados por si.

E ainda bem!

Um abraço, Tiago

José Miguel Oliveira


trentreznor@hotmail.com
Caro Tiago Pimentel:

Mas que moral tem o senhor para dizer «pessoas ainda não conseguem lidar com o debate de opiniões» quando é um dos únicos frequentadores da blogosfera que não tem activos comentários? Que moral tem o senhor para dizer «mero repositório de críticas, uma espécie de monólogo cinéfilo, onde não me revejo minimamente», quando não costuma dizer algo mais além de "repositar" a sua crítica?
Seja coerente! Será pedir-lhe muito?!

Não sou a pessoa mais inteligente do mundo, mas também não sou a mais estúpida! Quando chama preguiçosos às pessoas que não gostaram do filme não está a ser ofensivo? Sim, peço desculpa, está a oferecer mimos. Não sou parvo senhor Pimentel, como considera todas as pessoas que não gostam do filme.

Como chama preguiçoso a quem não gosta do filme, lá porque consegue descortinar matéria num filme sem substância, numa brincadeira de amigos? Não será você convenientemente preguiçoso porque vê buracos em Plutão, e não consegue descortinar a sublime mensagem de "Donnie Darko", dando-lhe 4 estrelas. Quem será preguiçoso?

Não deixarei mais mensagens aqui neste espaço "Guerra dos Mundos", pois apenas estaria a dar enfase a algo que não merece o meu tempo, mas sabe qual é o seu problema, senhor Pimentel? Coerência e imparcialidade objectiva. Se os créditos na realização de "Sin City" tivessem o nome de Spielberg, você descortinaria uma incomensurável mensagem humana no splash sanguinário.

Se o magoei, na anterior mensagem, peço desculpa, mas tal como lhe disse: não sou a pessoa mais inteligente do mundo, mas também não sou a mais estúpida. Antes de chamar preguiçoso ao hábito de pensamento de alguém, examine o seu carácter!

Cumprimentos


the_everl@hotmail.com
“War of the Worlds” é já um dos melhores filmes de Steven Spielberg e, pensando na sua já longa, variada e excelente filmografia, isso é dizer muito. Aliás, Spielberg reforça, a cada filme que passa, a sua condição de um dos cineastas mais importantes dos últimos trinta anos.

Percebe-se que se olhe para “War of the Worlds” com a atenção virada para a invasão. É que Spielberg filma tão bem que a câmara leva-nos a pertencer ao grupo de Ferrier e seus filhos e, desta forma, vemos o que eles vêem e sentimos o medo que eles sentem. Há muito que não se via numa sala de cinema um filme tão assustador, tão cheio de tensão, que nos aterra devido à forma como a câmara capta as suas personagens e perigos, com uma surpreendente serenidade, nunca recorrendo a efeitos sonoros fáceis ou outras “técnicas” de meter medo – mérito para Janusz Kaminski, director de fotografia, colaborador de Spielberg de longa data. Apetece dizer que “War of the Worlds” é também um grande filme de terror, pois nunca deixamos de ter medo, nunca temos tempo para respirar.

Mas como temos vindo a escrever sobre Spielberg a sua marca de autor passa por uma abordagem às relações entre pais e filhos. Neste filme, essa relação, que aqui se baseia na procura de Ray Ferrier (Tom Cruise) pela sua paternidade, é tão tumultuosa que caminha par a par, durante as duas horas de duração, com a tumultuosa invasão alienígena. É essa a genialidade de Spielberg: pôr em paralelo essa dificílima relação entre pai e filhos e a devastadora invasão alienígena.

Nesse sentido, o final é um falso “happy end”, já que, mesmo vencidos os obstáculos que separavam Ray dos seus filhos, a relação deles ainda está tão abalada como o planeta depois da invasão. Aliás, parece ser o único final possível e é pelo último plano da família, seco, cru, em que Tom Cruise é divinal, que se confirma a instabilidade daquela relação e que se confirma que Spielberg anda há muitos filmes longe da doçura e infantilidade que muitos ainda lhe querem atribuir.

Obra-prima

Daniel Pereira
17-07-05
www.escrevercinema.blogspot.com


paulojrpires@hotmail.com
pode-se dizer que filmar este filme em tempo record como o fez spielberg so podia dar isto .nao é dos melhores dele eu sei que a um realizador como ele se lhe exige muito por isso axo que que filme é fraco. mas tambem posso dizer que é criada no espectador aquele clima de medo ao aparecerem os tripodes devido á exelente banda sonor e sons que se introduzem ao aparecerem os mesmos.enfim espero que splielberg esteja mais inspirado no proxima realizaçao


   
Caro João Bastos

Não leve a mal o desabafo, mas começa a ser cansativo constatar, diariamente, que as pessoas ainda não conseguem lidar com o debate de opiniões. É cansativo olhar para o lado e perceber que questionar uma ideia é entendido como sinónimo automático de uma afronta; de um desrespeito de uma opinião. Nesta perspectiva, não consigo imaginar como se constrói um espaço de debate sem nos questionarmos uns aos outros, sem colocarmos em causa as próprias ideias que defendemos. Se isso é sinónimo de infantilidade, então este espaço seria reduzido a um mero repositório de críticas, uma espécie de monólogo cinéfilo, onde não me revejo minimamente.

Ninguém aqui procura um consenso. Seria absurdo pensar que, no fim, o objectivo seria afunilarmos todas as nossas ideias para um único pensamento conformista que agrade a todas as partes. Nunca foi esse o propósito de um espaço como este. Tentamos, sim, procurar compreender as diferenças que nos definem. Mas, se ninguém está disposto a defender as suas ideias e prefere reagir como se visse a sua integridade moral escalpelizada, então a imagem de debate foi substituída por uma espécie de falso companheirismo que serve de caução aos comentários concordantes mas que inviabiliza qualquer hipótese de discordarmos e aprendermos mais com (e por causa de) as nossas diferenças. Foi a isto que chegou o “respeito pelas outras opiniões”.

No meu texto eu:

1) Coloquei em causa opiniões e não pessoas;
2) Tentei expor um ponto de vista (o meu), esperando que outros o rebatessem para compreendermos, afinal, que ideias estamos a defender;
3) Não foi minha intenção ofender ninguém, até porque escrevi o texto da forma mais genérica possível.

No seu texto, você:

1) Diz que eu ataco os cinéfilos porque questionei as suas ideias;
2) Acha que o Spielberg tratou os seus espectadores como pacóvios (e eu, como gostei do filme, devo habitar nessa infeliz ilustração);
3) Acha que eu banalizo o cinema do Kubrick, sem eu nunca ter escrito nada nesse sentido. Em boa verdade, Kubrick é um dos meus cineastas de eleição. Releia com atenção;
4) Chamou-me, indirectamente, adepto ferrenho do Spielberg;
5) Disse que sou parcial e que me contradigo e ainda rematou com um voraz “cresça”.

No fim disto tudo, quem insultou quem, João Bastos? E o mais aborrecido ainda é a despreocupação total em sustentar qualquer uma das suas ideias. Porque o respeito pela nossa opinião ganha-se, sobretudo, pela necessidade de a defendermos.

Cumprimentos

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Tiago Pimentel
tiago_pimentel@hotmail.com
www.vivercontraotempo.blogspot.com


   

Será que quando John Wayne fecha a porta ao fulgurante oeste americano, para descansar, no final de “A Desaparecida” é um final feliz? Ou quando Malcolm McDowell é bombardeado pelos fotógrafos no final de “Laranja Mecânica”, também é felicidade?

O Cinema de Spielberg contém esta ironia e esta necessidade de ir mais fundo do que a simples interpretação visual e mecanicista de cada imagem, de cada sequencia….é preciso digamos que abandonar o ecrã e fazer conotações com o exterior, com a actualidade…ou como em spielberg, com aquilo que o move desde há muito tempo…

…e aquilo que move Spielberg é a análise familiar, contrapor esse mundo estilhaçado com algo exterior, com algo anormal……por isso Spielberg nunca iria realizar uma simples adaptação académica e espectacular do romance de H.G. Wells…o livro é obvio que seria sempre uma base para falar das suas obsessões, para mergulhar literalmente no seu universo….

…é também uma necessidade de celebração do cinema, de contrapor o cinema á simples transposição de caracteres, de lhe dar uma dimensão extra literária apoiada claro está nas motivações de alguém que ao filmar se expõe, e faz assim a sua catarse….resumindo é muito Spielberg, muito cinema, o que resulta em algo comovente porque nasce primeiramente de uma necessidade própria….

…e já agora o final é seco…tão seco como os largos minutos em surdina, sem palavras, como numa série B, quando Tom Cruise foge dos primeiros invasores logo no inicio… que outro cineasta filmaria algo tão brutal e tão com tanta potência para a espectacularidade banal e gratuita, como Spielberg filmou?


José Oliveira

joseo@mail.pt
http://rollcamera.blogspot.com/


trentreznor@hotmail.com
É com tristeza e alguma resignação que observo o comentário do Tiago Pimentel. Ataca os cinéfilos por terem uma opinião diferente da sua, ou será que não sabes que as pessoas poderão ter ideias próprias??

Sabes o que cansa e já se torna banal? Adeptos ferranhos do Spielberg gloriarem os seus filmes, mesmo quando ele trata os seus espectadores como pacóvios. Mesmo que Spielberg colocasse dinossauros cultos a sair da nave para analisar a vida sexual do escaravelho da Malásia, o Sr. Pimentel encontraria uma obra prima. Certos "críticos" contradizem-se com frequência e verificar a forma como redutoramente banaliza o incomensurável e portentoso trabalho de Kubrick no Cinema é descabido, no mínimo.

Adoro Spielberg, é o meu realizador preferido, mas neste filme não homenageou uma obra-prima literária, não inovou, não transcendeu, não marcou nada neste filme. No entanto existem fanáticos que atacam génios do cinema (como Kubrick) e cinéfilos (anónimos ou não) para colocarem Spielberg num altar acima de todos.

Respeite as opiniões das pessoas e lave os olhos de parcialidade e contradições. Cresça.

João Bastos


Jtrb79@hotmail.com
Como filme de acção é magnífico, e agora que o génio de McTiernan parece estar ( irremediavelmente?) perdido, e James Cameron tem estado mais preocupado em observar algas e peixinhos, Spielberg ganha o título indiscutível de mestre absoluto no domínio de sequências vertiginosas. Compreende-se, assim, a desilusão de quem queria mais invasão e menos drama familiar; estavam avisados, contudo, para que tal sucedesse, pois praticamente toda a obra do realizador não tem abordado senão isto: a família. Os efeitos visuais e especiais, o maravilhamento, o prodígio da aventura, a LUZ, chegam ao ponto de serem um mero "mcguffin" no meio do Grande Tema Spielberguiano. Este "Guerra dos Mundos" é Spielberg até à medula( apesar da novidade dos "aliens" destruídores), provando que pelo menos a nível de "storytelling" Steven continua imbatível, embalando-nos na estória como já hoje muito poucos o conseguem fazer.


Tiago Ribeiro 15/07/2005


fernandojmribeiro@hotmail.com
Steven Spielberg oferece-nos neste “Guerra dos Mundos” mais uma grande experiência no mundo do cinema e mais uma grande lição em como se faz um grande filme como este.
É extremamente interessante como todo o filme é filmado, a posição das camaras perante todos os personagens, e é genial o poder dramático que envolve todo o filme. Esse poder é contagiante, é soberbo e é fantástico. Já não me lembrava de ver um filme com este poder à bastante tempo, e só Steven Spielberg consegue impor isso no grande ecrã como ninguém. Os efeitos especiais são todos eles perfeitos e eu, pessoalmente, fico fascinado por ver tantos factores soberbos neste filme de Spielberg.
Quem já deu grandes provas anteriormente em como vai ter um grande futuro pela frente, é a jovem actriz Dakota Fanning. Com a idade que tem, já revela muita maturidade e um grande sentido de caracterização. Depois de “O Homem em Fúria”, onde Dakota contracenou com Denzel Washington, e de “Hide and Seek” ao lado de Robert de Niro, neste “Guerra dos Mundos”, junta-se a outro grande actor, Tom Cruise. Por mais que o critiquem, Tom Cruise teve muito bem neste papel, mostrando que é realmente um excelente actor.
Este filme não conta só a história de um ataque alienígena ao nosso planeta, mas sim uma luta desesperada de um pai que tenta salvar os seus filhos desses seres do outro mundo. A cena do ferry-boat é genial.
“Guerra dos Mundos”, é de facto fantástico, provando que Steven Spielberg é um dos melhores realizadores do mundo. Agora, só resta esperar pelo seu próximo filme que tem estreia agendada para Dezembro próximo.

Fernando Ribeiro


   
Finais (in)felizes – Texto com SPOILERS (quem não viu o filme NÃO leia este texto)

Não é a primeira vez que um filme de Steven Spielberg é criticado pelos seus derradeiros minutos. Não é o primeiro nem será o último, mas é, curiosamente, um dos poucos que não reúne consenso no objecto específico da crítica. Isto é, os derradeiros minutos de War of the Worlds funcionam como uma espécie de self-service pessoal de uma certa tendência ideológica que alguma cinefilia aprendeu a interiorizar. Uns querem o filho morto, outros a mãe, e há até quem se insurja contra a solução final pouco verosímil da aniquilação dos alienígenas. Vão desculpar-me os mais desatentos mas, sabendo que este argumento não justifica, por si, os valores específicos do filme, é fundamental relembrar que todas as soluções finais (excluindo os filhos que só existem no filme) já foram escritas há mais de 100 anos. Curiosamente (ou não), o réu continua a ser Spielberg que, pobre infeliz, não perde o mau hábito de estragar os seus filmes nos últimos minutos, nem mesmo quando está a ser completamente fiel à fonte literária de H. G. Wells.

Para ser sincero, nem é este o núcleo da questão. O problema que mais afecta a cinefilia e a sua relação com um cineasta como Spielberg, é o tratamento programático a que a sua obra está constantemente submetida. Tudo depende de um contexto – neste caso, o cineasta. Uma mulher com um vestido negro, num filme de Kubrick, pode ser um pretexto para relançar todo o tipo de dissertações existencialistas. Um pai a entregar os seus filhos à mãe, depois de ter ganho o seu lugar no «espaço familiar», num filme de Spielberg é um final feliz e lamechas. Pior que este «pensamento» preguiçoso, é a forma como o pensamento se instalou e já tomou parte integrante de uma certa cinefilia. Peço que entendam este texto, não como uma acusação ou uma denúncia revoltada, mas como um incentivo a repensar algo que me parece, de uma vez só, do mais trágico e contido que Spielberg jamais filmou. É um filme sobre a descoberta da paternidade. Em boa verdade, a figura paterna sempre foi uma aparição no cinema do cineasta: fisicamente ausente, mas reconstruída por uma presença simbólica que, no limite, se esgota na sua própria ilusão (fosse o ET em relação a Elliott, a personagem de John Malkovich em Império do Sol, ou o próprio Richard Dreyfuss em Encontros Imediatos do 3º Grau). Guerra dos Mundos, neste sentido, relança novas leituras na filmografia de Spielberg: na linha de outros filmes mais recentes, nomeadamente Minority Report e Catch me if you Can, o pai deixa de ser um símbolo, para ganhar o direito a uma presença. E, neste filme, a paternidade é mais do que um direito, é uma obrigação. Uma obrigação que Cruise terá de recuperar. De resto, todas as personagens neste filme me parecem perdidas e sempre à procura do seu próprio lugar no «espaço familiar» em que se encontram. Até porque, pela primeira vez, os extraterrestres não vêm preencher o vazio familiar de ninguém; vêm, por outra, forçar a reconstrução de laços familiares que se julgavam irremediavelmente perdidos.

Os extraterrestres caem (uns à entrada de Boston), depois de sucumbirem vitimizados pelos milhões de microorganismos que habitam no nosso planeta. É natural que a família de Ray (Cruise) esteja ainda em segurança, numa cidade que não tinha sido ainda destruída. Em todo o caso, é ridículo assumir que alguém tinha de morrer para caucionar a verosimilhança da história. É fundamental perceber que o filme tem uma perspectiva. A saber: contar a história de uma família que sobreviveu. Como esta, até podem ter havido outras. Em todo o caso, o final é surpreendemente anti-climático, do mais contido que Spielberg já filmou. É um pequeno bónus para um filme que altera os nossos ritmos respiratórios como bem lhe apetece. Não oferece a possibilidade de uma catarse explosiva para expirarmos todo o oxigénio que poupámos durante 2 horas. Posto isto: será feliz? Será infeliz? Só esta colocação redutora de um final tão rico e trabalhado, arrepia-me e perturba-me. Devia ser possível pensar mais sobre as imagens, sem recorrermos a chavões do género: “ah, ele voltou para a mulher, então isto é final feliz”, ou “pois, o filho sobreviveu, isto é mesmo feliz.” Primeiro, porque um final feliz não é condição automática para diminuir o valor de um filme e, segundo, porque é tudo demasiado elaborado e convulsivo para ser adjectivado de forma tão telegráfica e preguiçosa. É urgente sabermos distinguir o pensamento televisivo do pensamento cinéfilo. Ou, por outra: o problema não devia estar no pensamento, mas sim nos diferentes discursos. Mas o mais perturbante é que o simplismo do discurso televisivo parece estar a afectar, de forma assustadora, o pensamento crítico e humano. Que felicidade poderá existir num pai que, depois de aprender finalmente a ser pai, tem de abrir mão dos seus filhos novamente? Que felicidade poderá existir num pai que aprendeu a gostar dos seus filhos mas que percebe, no derradeiro momento do filme, que nunca eliminará a distância que o afasta de uma família que não lhe pertence? (relembrar que a personagem de Cruise assiste ao «reencontro» familiar sempre à distância, como um desconhecido). Que felicidade existe num final onde o planeta está quase todo destruído? Existe uma contenção quase irónica em Spielberg. Uma contenção que raras vezes lhe conhecemos. Tem tanto de ironia quanto de profunda tristeza. A família spielberguiana é, mais do que nunca, uma referência para mover qualquer uma das suas narrativas. Mas é, também, um espaço ilusório, um momento efémero de ilusão: a de pertecermos a esse lugar chamado família (provavelmente o maior de todos os extraterrestres spielberguianos). No fim do filme, existe resignação, felicidade, infelicidade, comoção e muito mais. Mas para sermos justos e sintéticos, existe mesmo é muito amor.

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Tiago Pimentel
tiago_pimentel@hotmail.com
www.vivercontraotempo.blogspot.com

PS: Para um visitante anónimo do CINEMA2000 que referiu Airport como um filme de Spielberg, devo sublinhar que o cineasta não tem nenhum filme na sua obra com esse nome. Talvez se refira a The Terminal?


luborges@iol.pt
O filme nunca deveria ter classificação para 12 anos, levei a minha filha e ficou aterrorizada! O filme é violento, o facto de os extraterrestres serem vampiros é exagerado. Para adultos tudo bem, para crianças é muito pesado. Fica o aviso.


   
Grande filme, que mostra não só os mais espetaculares efeitos especiais dos últimos tempos, como também conta com uma ótima história e ótimo elenco. São destaque, obviamente, Tom Cruise, Dakota Fanning e Tim Robbins (perfeitos!).
Apesar de ter pouco a ver com o filme de 1953, o filme vale muito a pena. Realmente não dou nota máxima ao filme pelo seu final, que apesar de fiel ao original, me parece bastante inverossímel para a época em que vivemos.
Sobre as críticas negativas a Spielberg, realmente concordo com algumas delas. Nunca o achei um grande diretor. Fez sim grandes filmes como "Schindler`s List" (seu melhor em minha modesta opinião), mas nenhum de seus "grandes filmes" me agradam tanto. "E.T", "Jaws", "Saving Private Ryan", "A.I", entre outros, não passam de filmes medianos e pretensiosos. Com Guerra dos Mundos não fica muito atrás, só que no caso deste último, Spielberg tem em suas mão uma grande história que nem mesmo um grande enganador como ele consegue estragar. E por ter conquistado tudo que Spielberg já conquistou, devemos respeitá-lo, mas nunca poderemos chamá-lo de gênio, pois ele não chega aos pés de verdadeiros gênios como Kubrick e Hitchcock.

Eduardo Santos


psantosgomes@hotmail.com
Escusando-me a paralelismos "fordianos" e ao mesmo tempo a considerações "freudianas" sobre o conflito familiar/intergaláctico, e só por não me querer alargar muito no meu comentário, resta-me dizer o seguinte...ABSOLUTAMENTE GENIAL...

Genial também o comentário de Eurico de Barros (apesar de estar em pleno desacordo)"...Há alturas de «Guerra dos Mundos» em que apetece berrar para o ecrã tira a família da frente, que não consigo ver a invasão!..."

Há muito que não ria tanto, abraço ao Eurico!

Cumprimentos Cinéfilos,
Pedro Gomes


   
"Guerra dos Mundos" é um filme muito completo. O drama familiar e a reacção da população estão muio realistas e bem conseguido, o que confere alguma componente dramática ao filme. Os efeitos especais estão muito bem feitos. É verdade que o filme tem ficção cientifica mas algumas cenas de acção são demasiado "filme" ou "impossiveis" ,contradizendo o realismo que se nota noutras partes do filme mas nada que estrague verdadeiramente este. O final parece um pouco fora do contexto e encaixado à pressa deitando abaixo toda a ideia de poder dos invasores em relação aos humanos, é pena...Também poderia ter sido dada mais ênfase ao conflito em vez do drama familiar que por vezes "corta" um pouco o filme. Em conclusão "Guerra dos Mundos" é realista, emocionante e espectacular. Um grande filme.

Gonçalo


   
Desde há vários anos que Spielberg tem o condão de estragrar os seus próprios filmes. Já alguém se esqueceu como A. I., é absolutamente assassinado nos últimos 15 minutos, quando até então era perfeitamente genial; quem não se decepcionou com a maldade que Spielberg fez ao final de Minority Report?

Esse problema - o mundo é mau, mas a final garante-nos um final feliz - não seria nosso se não ficassemos constantemente com a sensação de que o o autor-realizador Spielberg - que eu acho que nunca existiu, na verdade - já cá não mora.

A Guerra dos Mundos tem um sério problema na suas opções: como conciliar um registo micro - a família - com um registo macro - a invasão? Diga-se o que disser, não acredito que se possa ficar satisfeito com a transição final da luta interna da família e do que se passa na cave, parra a luta externa que se trava la fora. É que quando se sai cá para fora, para a luz do dia, nada cola. O final bem podia ter sido encomendado a uma empresa publcitária, na intenção, no estilo e nos meios.

Escrevo isto depois de ter ficado agarrado durante todo o filme à cadeira. Mas quando entramos na recta final, aquilo tudo sabe a muito pouco.

Enfim, mais um filme semi-falhado de Spielberg, a juntar ao inacreditável objecto chamado Airport.

Ainda assim em homenagem ao deus com pés de barro - 3 estrelas.



   
HAVIA MUITA EXPECTATIVA, PELO QUE PODIA TER SIDO MELHOR


ze_mitra@hotmail.com
Steven Spielberg de volta à sua boa forma! As expectativas eram muito elevadas em relação a este remake do filme de B. Haskins, que teve um estrondoso sucesso na altura. No entanto, Spielberg realizou uma excelente película de ficção ciêntifica que, embora não podendo rivalizar com títulos como "Guerra das Estrelas", "Alien", "Blade Runner", mostra-se bastante eficaz e envolvente. É também de referir que, depois de filmes como "Inteligência Artificial" e "Terminal", o realizador não prolonga demasiado o filme.


jasilva72@hotmail.com  
Por lapso, esqueci-me de assinar o comentário anterior. Pelo facto, peço desculpa.

João Antunes



   
Mais uma vez, como tem sido constante nos últimos filmes de Spielberg (e não me interpretem mal, continuo a achar que Jaws a Raiders of the Lost Ark são absolutas obras primas e do melhor que se fez até hoje) a cobardia e falta de arrojo mutilam de forma absolutamente debilitante o filme. Assim como Relatório Minoritário, que face à inenarrável última meia hora, se torna um exercício bacoco para chegar a um final feliz, também A Guerra dos Mundos padece de uma inexplicável e cobarde - e o que é mais preocupante, má - ânsia de chegar a final feliz. Final feliz esse que é tão mau e forçado que custa a perceber que seja Spielberg. Tendo sido um génio que mudou o cinema, Spielber hoje nada mais é que molusco invertebrado sem a mínima integridade e honestidade artística para levar as suas ideias até ao fim.
Claro que é um filme competente do ponto de vista técnico. Claro que a fotografia é excelente e a câmara se movimenta com mestria. Nisso, Spielberg mantém o controlo. Mas, acima de tudo, é um filme de um autor que perdeu a capacidade de se afirmar pela honestidade do que faz. Hoje em dia, Spielberg quer agradar. Quer `closure`, quer happy endings. O que, inevitavelmente, torna os seus filmes pouco honestos e artificiais.
Nisso, Shyamalan superou em muito o mestre. `Signs` conseguiu, mas a um mundo de distância, um final de esperança e optimista, mas com dignidade, tocante e diferente.
Spielberg é, hoje em dia, apenas um tarefeiro competente e, custa-me muito dizê-lo, `mole`, sem rasgo. Ainda acaba os seus dias a fazer filmes para a TV.

Muito, muito triste.


jm_cable_xf@hotmail.com
A Guerra dos Mundos de Steven Spielberg é uma autêntica obra prima!Desde os primeiros minutos até ao final o filme é como uma montanha russa, a carruagem não pará e faz manobras cada vez mais dificeis.Com isto tudo quero dizer que o filme em questão poderia-se rotular de “Non stop action”, porque o filme simplesmente não pará, ou seja, a invasão extraterrestre é continua e massiva, de tal forma que nos mantém agarrados ás cadeiras, não por breves minutos, mas sim por breves horas.
A ideia de Spielberg focar uma única personagem e os seus problemas do quotidiano resulta de forma simplesmente magnifica, através de Tom Cruise,o personagem principal, Spielberg consegue canalisar toda a intensidade do filme, dando uma noção mais restricta da invasão extraterrestre, e não uma noção global, como se pode ver em filmes como “O Dia da Independência” e “Marte Ataca!”,se bem que este último seja de um género diferente.
Inicialmente pensei que a ideia de vivier apenas o mundo de Ray Ferrier(Tom Cruise) seria claustrofóbica de mais, ou seja, dando atenção aos aspectos familiares,entre Ray e os seus dois filhos, Spielberg não seria capaz de demonstrar o poder de invasão extraterrestre, mas felizmente enganei-me,e após ter certeza de tal, o filme mergulhou grandemente numa água cristalina cheia de sucesso, e dúvidas ouvessem, a parte inicial de destruição é simplesmente genial, toda a intensidade, desde a excelente realização, á sonoridade, deixa-nos realmente perplexos.
Este é, arrisco a dizer, um dos melhores, se não o melhor, filme de Spielberg.O único “defeito” é o final, que é demasiado cor de rosa, mas que não prejudica o filme.
Sendo assim, Spielberg cria aqui um filme que ficará na história do cinema para sempre e que será de certeza, o grande filme do ano.Fantástico!

João Fernandes


antonio.santos@megamail.pt
Tinha uma grande expectativa antes de ver o filme... o trailer é bom... só que durante o filme a expectativa vai por água abaixo. O argumento, o ritmo, as interpretações é tudo muito fraco. Na primeira hora do filme é caracterizada numa só palavra - fuga e fuga e fuga.
Não se passa mais nada. Steven Spielberg parece que acorda na última meia hora do filme... e ai passa-se alguma coisa... mas mesmo assim é pouco e o desenlace releva uma total desinspiração.
A banda sonora surge muito a espaços e passa completamente despercebida!
É o primeiro filme desilusão do verão.
Esperemos que não se lembrem de fazer mais guerras dos mundos pois para mau chegou este.


soniapaula@iol.pt
Não dou a pontuação máxima, não porque não tenha gostado do filme, mas talvez porque tinha expectativas altas demais em relação a este, e quando saí da sala de cinema, fiquei talvez um pouco com a ideia: "Foi só isto?". Vi trailers e apresentações fenomenais sobre o filme, em que deixavam um "cheirinho" enorme de acção, terror e suspense em torno do filme... E quando o vi, as minhas expectativas diluiram-se. E porquê? Porque acho que deram ênfase demais ao aspecto familiar, ao drama de um pai que sempre foi ausente e que agora tenta proteger a todo o custo os seus filhos e tal... De inicio, fiquei boquiaberta naquelas primeiras imagens de grande acção e dos primeiros ataques alíenigenas, mas ao meio de filme, quando acho que todos queriam ver mais acção, o filme começou a tornar-se meio aborrecido. Também acho que o fim do filme, foi um pouco mal explicado e feito a despachar, o que para um filme com estas dimensões, deixou muito a desejar. Porém, continuo a dar uma boa pontuação porque os efeitos especiais estavam muito bons e vistosos, as cenas de acção foram muito bem conseguidas, deixando ficar uma pessoa agarrada á cadeira, e a intepretação da pequena actriz Dakota Fanning foi espectacular. Já Tom Cruise... para mim nunca foi muito bom actor, e não está muito longe das intrepretações dele dos anos 80.


paulo_ferrero@hotmail.com
«A Guerra dos Mundos» é um dos meus livros preferidos de Wells, e «A Guerra dos Mundos» é já um dos meus preferidos dos últimos 15 anos de Spielberg. Como será isso possível se este último pouco ou nada tem do primeiro? É simples: o último é cinema e o primeiro é literatura, e ambos estão extraordinariamente bem feitos.

Com efeito, nada neste filme está mal feito, e até mesmo os guinchos histéricos da pequena e expressiva Dakotta são bem recebidos, tal qual o sorrisinho Pepsodent de Cruise; e mesmo, pasme-se!, a mensagem paternalista usual de Spielberg ou a enésima personagem patética de Robbins.

É que esta «A Guerra dos Mundos» é um colossal filme de acção (sem nenhumas perdas de ritmo, mesmo aquando do episódio Robbins), lição absoluta na arte de realizar «directed by Spielberg» e tudo o mais que se possa dizer sobre crianças que se tornam adolescentes e adultos; e pais que só são capazes de reganhar os filhos em situações «in extremis», é profundamente acessório, face à imensidão do resto.

E não interessa que do autor de «A Máquina do Tempo» e «Alimento dos Deuses» tenha restado pouco da sua ficção-científica feita de subentendidos, das lutas titânicas intimistas entre humanos e marcianos, misturadas com os medos mais intensos e letárgicos do nosso subconsciente - de que só ficou a aparição misteriosamente explicável da aparição dos invasores, e a sua forma sanguinolenta-vegetal absurda de exterminação.

O que importa aqui é a acção e a prodigiosa encenação, mais o uso perfeito que Spielberg faz da câmara (é totalmente imbatível nos planos «on the run») faz dos instrumentos postos ao seu dispôr, dos efeitos especiais de som e imagem, à portentosa música que o velhinho Williams desencantou do fundo do baú dos seus inesgotáveis recursos.

Se tivesse que eleger uma cena, colocaria o clímax fraticida entre Cruise e Robbins.

Enfim, é um daqueles filmes que mal se acaba de ver, se quer rever, mesmo que já se saiba como acaba.

Paulo Ferrero


jmiguelcine@hotmail.com
ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS

Guerra de quem? É essa a pergunta que apetece fazer. Sim, este é um filme sobre a família. Uma família em guerra contra o mundo? Não, uma família em guerra consigo própria. Esse é o “major plot” deste filme. Esse é o tema. Mas aquilo que dá aos filmes razões para viverem (isto é, porque são feitos ou, aprofundando mais, o que acontece às personagens no decorrer de um filme, para que este tenha razão de existir) são muitas vezes os “under plots”. Neste caso, o extermínio da raça terrestre por um conjunto de extraterrestres. Esse “under plot” vai fazer vibrar o “main plot” e pôr as personagens a agir.
Bom, se é verdade que no início Spielberg filma as personagens como elementos inseridos numa narrativa descritiva (os “tripods” a sair de baixo da terra, os prédios a explodirem , as pessoas a serem chacinadas, os carros que não funcionam, etc.) que é brilhante, devido ao facto de apenas querer encenar o movimento do herói e nada mais (e, mais interessante do que tudo, o movimento total de uma personagem, perante um percurso com início, meio e fim,, depois quando tem de pôr as personagens a lidar com o problema que tem em questão, o filme torna-se penoso. Não porque não fosse apelativo lidar com a questão de uma família em fuga. O problema é que esta não é uma família qualquer. É a ideia que Spielberg tem de uma família. E isso é como tudo: ou identificamo-nos com essa noção ou não. Eu tive muitas dificuldades, talvez porque já tenha visto este conceito muitas vezes e, o que é mais grave, afectou-me a visão deste filme. Como Spielberg é quase sempre igual naquilo que faz, chega a uma altura em que explorar este tema com um filme de extraterrestres ou com uma família que trabalha numa fábrica de sapatos, é igual.
Isto é, o “under plot” é remetido para o efeito de “Mcguffin”, aquele elemento Hitchcockiano que não tem importância nenhuma no filme, por muita que pareça ter (isso nota-se nas cenas de exposição: a repórter está lá para informar o herói e o espectador do que se está a passar no mundo e quem os bichos são, e, ao fazer isso, desaparece do filme. Tim Robbins, igualmente, é morto por Cruise, porque aquilo que ele dizia era somente outro factor de descrição. Quando expôs todas as suas ideias de luta e combate aos “aliens”, desaparece: deixa de ser necessário ao filme, que não é um filme de luta e combate). O problema é que o “under plot” remexe no “main plot” de uma forma desastrosa: o filho de Cruise quer ir ver o combate entre o exército e os “outer space” e desaparece da intriga principal. No fim, surge, abraça o pai e tudo está bem. Poder-se-á dizer que o miúdo conseguiu o respeito do pai (a motivação principal desta personagem), mas a forma como esse encontro é encenado parece-me forçada. O conflito entre os dois não foi elucidado, no “middle point” e não é, no fim, fechado de uma forma satisfatória. Ah, é verdade, sobreviveram. Uau, fantástico! Grande resolução! Se isto é um filme sobre família, nesta relação, tanto valia o filme ser sobre um “boxeur” e o pai não concordar com a sua profissão, do que com um miúdo que quer ir ver um combate entre “marines” e “aliens”.
Isto tudo, para dizer o quê? Spielberg é um autor, sem dúvida e esta obra está cheia de “Spielberg`s touches” (a sequência do início, a cena do carro a ser pilhado por outras pessoas e toda a sequência dentro da cabana, são brilhantes, em termos de um curioso trabalho artesanal de manipulação de um espaço e de um tempo), mas o que é que isso ajuda ao filme? Ou, por outro lado, como a capacidade autoral de uma pessoa influirá, “per si”, na maior ou menor qualidade de um filme? Ou, ainda mais, o que interessa para um filme em específico, que seja realizado por este ou aquele? Não deveria o filme valer, apenas e só, por si? Este, por esse ponto de vista, perde por K.O..

José Miguel Oliveira


duarteoliveira@hotmail.com
"War of the Worlds" de Steven Spielberg

Prometia muito mas cumpriu relativamente pouco. Depois de um set-up simples e eficaz, e de uma aparição trepidante e intensa das misteriosas "forças invasoras", o filme perde rapidamente o gás e a tensão, essencial neste registo cinematográfico, dilui-se com o passar dos minutos. Torna-se tudo demasiado episódico, sem nervo e emoção, não sendo a história, exclusivamente centrada no drama familiar, suficiente para prender a atenção do espectador. E depois há inúmeros pormenores falhados, como aquela narração extremamente redundante, algumas personagens e situações exploradas de forma deficiente e a súbita conclusão do arco narrativo, demasiado apressada e abrupta. Fica-me a ideia que como mero blockbuster, até que resulta, ainda que de forma banal e desinspirada. Mas de Spielberg espero mais do que mera mestria técnica e visual. Desilusão.

Duarte Oliveira


megastorm@sapo.pt
Este filme tinha tudo para ser um marco do cinema, mas infelizmente não o conseguiu. A duração do filme é pequena para o potencial em questão. Ao contrário do Dia da Independência, aqui o personagem principal passa o filme a fugir, e nada contribui para combater os invasores. Enfim, poderia estar bem melhor.

Paulo


deranged@iol.pt
“War Of The Worlds”, de Steven Spielberg

Magistral tensão, déjà vus e Valium.

Em 1898, H. G. Wells apresentava a sua obra prima literária: “War of the Worlds”. Após o lançamento do livro, multiplicaram a sua obra através de séries em formato magazine, uma telenovela, uma peça de rádio em 1938, um filme realizado por Byron Haskin em 1953, e até numa peça musical em 1978. Spielberg recupera (novamente) a massiva invasão alienígena num pop-corn movie apocalíptico… pouco mais.

Spielberg foca a sua visão numa família desarticulada.
O divorciado Ray Ferrier (Tom Cruise) encarregue pelos filhos Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning) por um fim-de-semana, pensa arduamente em coisas divertidas para os entreter, apesar de não ser um pai exemplar. No entanto, algo imprevisível sucede: intrusos alienígenas surgem para aniquilar despoticamente o planeta.
Enquanto a ameaça extra-terrestre desfere um ataque de destruição massiva, Ray tenta proteger os seus filhos numa angustiante luta pela sobrevivência.

Tom Cruise executa uma excelente transformação de homem egocêntrico em pai abnegado. A inesgotável energia que continua a exibir após tantos filmes, demonstra o seu amor pela arte de representar. No entanto há uma altura no filme em que os “Beach Boys” perguntar-se-ão por onde andam os raios de desintegração quando são precisos. Tim Robbins (Harlan Ogilvy) tem uma curta intervenção no filme, mas evidencia o seu formidável talento numa profunda e obscura participação. O jovem Justin Chatwin protagoniza uma personagem desinteressante. Dakota Fanning é claramente uma miúda com uma maturidade impressionante e possuidora de um enorme potencial. Em “War of the Worlds” trataram de torná-la irritante e apesar de saber que Cruise não iria gostar, sou da opinião que Fanning deveria ter sido administrada com Valium.

O argumento de David Koepp (“Jurassic Park”, “Panic Room”, “Spiderman”) e Josh Friedman (que escreveu o argumento para o novo filme de Brian de Palma “Black Dahlia”) exibe um minimalista e previsível desenvolvimento de personagens. Além disso, parece que o par de escritores andou divertido com brinquedos da equipa de efeitos especiais ILM, pois o argumento apresenta consideráveis crateras.
Apesar de tudo, mantêm o foco bem pessoal e não descambam em monólogos irreais sobre o background das personagens, enquanto elas lutam pela sobrevivência (apesar de existir um par de cenas absurdas e até risíveis com Fanning).

Spielberg revela na primeira metade de filme, o seu ínfimo talento na composição de cenas e planos, analisando relações familiares e construindo um negrume que subjuga lentamente o público num terror escalado. A obra tem curtos momentos de puro brilhantismo e nos primeiros 40 minutos Spielberg constrói uma magistral tensão.
Depois chegam os invasores e o visual extasiante apodera-se da obra. Os efeitos a cargo da ILM (Industrial Light & Magic) estão soberbos. Se conseguirem retirar os olhos da tela nas sequências de acção, observem os queixos de parte da assistência roçando o chão. O design dos Tripods, os raios de destruição, as perseguições estonteantes, tudo alcançado com requintado primor. Porém uma determinada revelação funciona como autêntico momento anti-climax (relembrando a categoria e excelência de Stanley Kubrick ao manter algo oculto em “2001: A Space Odyssey”).
Janusz Kaminsky mantém a sua elevada bitola, com uma fotografia milimétrica e intimista e a composição sonora de John Williams é subtil e ambiental. Quanto aos efeitos sonoros… bem… INCRÍVEL!! O buzz dos raios-laser envolvendo e oprimindo a sala de cinema resulta numa experiência de Cinema assombrosa.

Depois do retrato afável traçado aos alienígenas, com sons e luzes deslumbrantes em “Close Encounters of the Third Kind” e com a amizade inter-galáctica de “E.T. – The Extra-Terrestrial”, Spielberg almeja submergir a audiência no caos e claustrofobia resultante de uma invasão extra-terrestre hostil. A impiedade dos aliens é bem alcançada pelo brilhante cineasta.

Todavia “War Of The Worlds” não é um filme imaculado.
O filme não inova, aliás claudica em sequências que soam a repetitivas e oriundas de outras obras do género. Não domina o género, nem o transcende.
As cenas de pânico e histeria em massa são convincentes, mas não acrescentam nada de novo. A invasão é inicialmente suspeitada como acto terrorista e as alusões ao 11 de Setembro surgem em catadupa: os sobreviventes cobertos de pó, a parede com fotografias dos desaparecidos. A abordagem peca por ser superficial.

Mas as sensações de déjà vu continuam: A arrepiante cena da casa de campo presente no filme de 1953 sofre um update. O conceito de invasão filtrada pelos olhos de uma família, já foi utilizado no filme “Signs” de M. Night Shyamalan. No entanto o fã de Spielberg (irónico, não?) exibiu domínio no storytelling e ressonância moral.
“War Of The Worlds” contém ainda múltiplas referências a outras obras do género, sendo as mais evidentes: o fraquinho "Day of the Triffids" (1962) e o genial “The Day the Earth Stood Still” (1951). Propositado ou não, certo é a ausência de originalidade.

Espero que Spielberg não ande parco de ideias, mas ecos das suas anteriores obras estão espalhados pelo filme, realçando o cariz repetitivo de “War Of The Worlds”: a luta da família fraccionada de “The Sugarland Express”, a histeria em massas de “Jaws”, a desconexão pessoal de “Empire of the Sun”, a repentina chacina de “Saving Private Ryan”, o genocídio e as cinzas dos corpos queimados de “Schindler’s List”, e uma fenomenal cena envolvendo reflexos em “Jurassic Park” sofre um remake.

Acredito na magia do livro (genial no desenvolvimento, ténue na conclusão) e principalmente na peça de rádio (geradora de pânico) perpetuada por Orson Welles, pois dependiam da imaginação dos leitores e ouvintes. Acredito no impacto do filme de 1953, até porque as expectativas a nível de efeitos especiais eram escassas.
No entanto, actualmente a história encontra-se desactualizada e Spielberg teve um esforço herculeano para adaptá-la à nossa época.
O resultado é um filme que não oferece qualquer novidade ao género e detém um fraco, estéril e banal argumento adaptado, mas graças ao virtuosismo de um majestoso cineasta (dos melhores de sempre) a película brinda plateias com um ensaio cinematográfico que funciona como puro veículo de entretenimento.
“War Of The Worlds” é uma proeza técnica, mas no cômputo geral está longe de ser um filme do outro mundo.
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Francisco Mendes
pasmosfiltrados.blogspot.com


nidioamado@hotmail.com
Lamento muito o tom da crítica do senhor Eurico Barros...

Nídio Amado


jorge_lestre_30@hotmail.com
Divinalmente Colossal (sim...desta feita...é verdade).

Spielberg já nos provou ser o melhor realizador de todos os tempos: Jaws, E.T.: The Extra Terrestrial, Jurassic Park, The Schindler`s List, Saving Private Ryan, The Lost World, The Terminal, etc...cheganos após muito tempo de espera, o colossal War of the Worlds, a mais recente película de ficção científica que nos levou a todo um mundo de terror, suspense, medo, pavor...Nunca tal filme me assustara tanto, nem mesmo um apreciador nato de filmes de terror como eu. O filme é aterrador: efeitos especiais, interpretações, tudo...tudo mete medo...desde o conceito de pânico até morte...

War of the Worlds de Spielberg pode não ser bonito...o filme é aterrador...

O Melhor: tudo.

O Pior: nada.


   
o filme em si não é tão ruim, mas a forma como os ets morreram podia ter sido mais elaborada, e podia ter algumas cenas de combate corpo a corpo com os aliens. o filme inteiro é eles fugindo, não teve nem graça, Spielberg já teve idéias melhores do que essa, o filme me decepcionou muito, não só eu como muitas outras pessoas esperavam mais dele, acho que o tempo de duração fez juz ao filme já que não teve nada que prendesse minha atenção realmente.


filipesenasantos@hotmail.com
Quem é que desde dezembro não viu nos cinemas aquela apresentação do filme e não ficou boquiaberto?Eu fiquei e criei grande expectativa,talvez grande demais!Não venho aqui contar cenas que se passaram no filme porque muitos comentam isso e faço sim critica neste caso a minha opinião!Criei uma expectativa altíssima,pensava p mim "isto vai ser o filme do ano",primeiros minutos achei-os extraordinários a introdução o aparecimento lás dos "bichos"mas a pouco e pouco a relação pai-filhos aborrece um pouco (kem é k n previa k no fim do filme pai e filhos iam tar em sintonia?), fora isso tudo mt bom!até k xega uma altura "Eles foram derrotados!",nem deu para perceber bem porque isso aconteceu,tinha até curiosidade porque mentalmente cheguei a algumas hipoteses da razao pla qual eles perderam...apesar d tudo adorei,n dei por perdido o euros k gastei!


mabsinto@aeiou.pt
Steven Spielberg e Tom Cruise , desde logo são dois nomes que asseguram, um bom resultado de bilheteiras e uma possível qualidade cinematográfica. Os resultados de bilheteira estão garantidos, quanto à qualidade em parte também o é, embora algo mais fosse de esperar.

Colocando de parte qualquer comparação em termos d fidelidade à obra literária de H.G.Welles, ou até mesmo à versão cinematográfica de Byron Haskin em 1953, estamos assim perante uma "nova" "Guerra dos Mundos", que nos apresenta desde o seu início uma clara marca "spielberguiana", a família... a família incompleta, a família destruida, que pelo meios da destruição, do cataclismo, acabará em grande parte por ser reconstruida, diga-se a relação entre os filhos e o pai irresponsável e ausente.
Era já previsível que não estariamos perante um mero "blockbuster" de verão, onde as forças bélicas mostrariam o seu poder, onde a destruição em grande escala encheria cada plano ou em que cientistas tentariam encontrar as explicações mais loucas para o que sucedia. Aqui estará talvez a principal qualidade de Spielberg, "esconder" por detrás de um cenário fantástico, uma história terna e dramática, apartir das personagens, e não apenas e só dos efeitos especiais. E em "A Guerra dos Mundos" somos colocados a viver a experiência ao lado de uma família, nunca existe claramente um aproveitamento militar ou cientifico, aunto à exploração política, não passará despercebida aos mais atentos, "são os terroristas" ouvimos por vezes, ou no primeiro contacto que temos com Harlan Ogilvy (Tim Robins) em que desde logo é possivel marcar um paralelismo entre as suas palavras e o 11 de Setembro, "em dois dias conseguiram derrotar a maior potência mundial".

A história dramática, a recuperação da relação e a preocupação de um pai (Tom Cruise) com os seus filhos (Dakota Fanning e Justin Chatwin), podia e devia ser mais aprofundada e alongada, vincar claramente o conflito que se vivia no seio daquela "família", para isso se o iníciotivesse uns minutos a mais, penso que a narrativa ficaria a ganhar. Enquanto uns pedem mais explicações no final, eu gostaria de ver mais explicitas as motivações daquela família. Critica-se por aí, o final que é demasiado rápido e complicado de perceber, se até compreendo no que trata à rapidez (gostava de ver mais família) quanto ao entendimento geral do sucedido penso estar bastante bem explicito visualmente, ao longo da própria narrativa Spielberg vai nos dando a chave para o final (recordo o genérico inicial, que até quase que reforça a ideia de estrutura narrativa circular) e depois ainda existe a voz do narrador que nos mostra claramente o que se passa (um Morgan Freeman arrebatador, a sua voz faz tremer qualquer um).
Tom Cruise é credível, é uma personagem em constantes convulsões e consegue transmitir tudo aquilo que vive e que pensa, mais uma prova que não será uma mera cara bonita de Hollywood. Dakota Fanning, está num registo muito bom, apesar de momentos extremamente irritantes e em que os seus gritos provocam uma irritação do tamanho do mundo, a verdade é que tudo me leva a crer que era um dos objectivos e se assim o é, foi extremamente bem conseguido, assim como em momentos temos uma clara noção do trauma, e da evolução de menina mimada que era, para uma menina carente e afectuosa (a canção de embalar).

Spielberg tinha uma tarefa bastante espinhosa, e o resultado final isso revela, é um filme interessante, mas que devido ao seu argumento, à sua ligeireza dramática e ao ritmo acaba por momentos cansar. Embora o génio de Spielberg se mantenha em duas cenas em particular, o momento de abertura e o fabulosos momento na cave na companhia de Tom Cruise, Dakota Fanning e Tim Robins, mostram claramente que Spielberg está presente. Será mesmo na cave que teremos o melhor momento de cinema, Dakota Fanning, de olhos vendados e de mãos nas orelhas, canta a sua canção de embalar, enquanto que a principal acção ocorre longe dos nossos olhos por detrás de uma parede de madeira, fabuloso, uma carga dramática intensa para a qual contribui a musica, mais uma vez assinada por Jonh Williams.

Também ninguém pode retirar a Spielberg, a capacidade de gerir o suspense que tem, em alguns momentos chega a ser uma imensa agonia estar naquela sala de cinema, para além de em momentos Spielberg recorrer a uma vertente mais cómica no seu filme, que tem momentos interessantes, mas que por outro lado, de vez em quando quebra a carga dramática ou até mesmo o suspense.

Por momentos, existe uma qualidade que não pode deixar de ser referida, e que tal como se tem visto nos ultimos filmes do "mais conhecido realizador mundial", é a direcção de fotografia, tem momentos unicos em que a penumbra invade por completo a tela, e pequenos rasgos de luz, acentuam a acção ou os fortes contra-luz provocam um ar ainda mais arrepiante. O senhor que tem este mérito dá-se pelo nome de Janusz Kaminski.

Assim, "Guerra dos Mundos", não é uma típica versão de "aliens" maléficos que se preparam para destruir tudo e todos, é em parte contida, tem um objectivo e tenta cumpri-lo. Por vezes em alguns momentos pensamos que Spielberg andou a ver "Signs" de Shayamalan, pois grande parte da acção destruidora, desenrola-se longe do nosso olhar, mas perto dos nossos ouvidos.
É um filme interessante, com belos momentos, mas vindo de quem vem, algo mais seria de esperar. Não é o filme do ano, muito longe disso, não é o pior filme do ano, também muito longe disso, mas não é um filme sublime ou uma obra imperdível.

7/10

P.S. - Deixo uma questão, será que a relação entre Ray Ferrier e Harlan Ogilvy, poderá ser vista como a personificação da reacção política ao 11 de Setembro?
Depois deixo apenas duas referencias, não é um filme que pretende realçar e vanglorizar a América, e depois muito curioso que H.G.Welles no seu tempo se tenha apercebido, que a evolução tecnológica não se encontra acima de evolução biológica do Homem.

MANUEL BARROS
http://rollcamera.blogspot.com


rjlneves@hotmail.com
Steven Spielberg é um grande realizador, daqueles que conseguem transformar uma história mais ou menos banal num magnífico filme e, já agora, num estrondoso sucesso de bilheteira. Talento é uma coisa que nem todos se podem gabar de possuir e Spielberg tem-no em grandes quantidades, o que lhe permite, mesmo quando não é genial, que seja, pelo menos, bastante aceitável ou bom naquilo que faz. Provou com "A.I. - Inteligência Artificial", "Relatório Minoritário", "Apanha-me, Se Puderes" e "Terminal de Aeroporto" que o seu talento é interminável.


Ricardo Neves


fabiocoelho86@hotmail.com
Spilberg alterna grandes momentos de ficção cientifica com um melodrama familiar aborrecido. Spilberg já teve melhores dias, "A Guerra Dos Mundos" não é exactamente "Encontros Imediatos De 3º Grau" mas também não é "O Dia Depois De Amanhã".


antonio__ricardo__@hotmail.com
O Fim do Toque de Midas

Não é novidade que Steven Spielberg tem vindo a perder a genialidade de outros tempos que marcaram grandes obras. Desde a Lista de Schindler ou Jurassic Park que o seu trabalho tem vindo em decrescendo. Ora por querer experimentar novas temáticas, ora para desmistificar alguma da sua imagem como realizador.
Desta dá largas à sua imaginação para tentar realizar um seu antigo sonho da adolescência. Recriar o famigerado romance de H. G. Wells, A Guerra dos Mundos.
A sua escolha de transportar o enredo de fins do século IX para inícios do século XX parece válida e muitíssimo mais pertinente. Nunca o ser humano se sentiu mais seguro.
Se antes qualquer doença parecia um inimigo invisível agora somos quase anestesiados desde a nascença. Aprendemos a viver com a imunidade para começarmos a viver numa rotina que nos favorece e nos possibilita desenvolver. É o ponto de partida para um desafio à espécie humana, desta feita vindo de algures do espaço.
Do lado do invasor há criaturas insensíveis e impiedosas perante o planeta Terra.
Do lado do invadido há uma família (elemento recorrente nas obras de Spielberg), que dá o lado figurativo da força de uma união. Ray, Rachel e Robbie, pai e filhos. Juntos procurarão se salvar face ao perigo iminente.
Infelizmente, Spielberg não conseguiu “converter” o pai, que de início era desajeitado e egoísta para um pai herói e orgulhoso dos seus filhos. Talvez pelo fraco desempenho representativo de Tom Cruise que nunca parece ter discernimento de tomar alguma decisão, revelando sempre medo e cobardia de início ao fim do filme. Ou talvez o desorientado Robbie (Justin Chatwin) que tenta representar a força de ir para a frente de combate e lutar.
Num outro contexto surge Rachel que surpreende com a evolução ao longo do filme. Desde os primeiros medo até à situação de trauma, a pequena Dakota Fanning sugere-nos como nenhum ao longo do filme, estar mesmo a viver o drama do êxodo e no confronto com os trípodes. Não será surpresa que esta actriz tenha um grande futuro adiante.
Josh Friedman e David Koepp decidiram fazer uma amálgama dos acontecimentos do romance de maior suspense e recriá-los para dar ao espectador a contínua ideia de que a perseguição e o massacre serão constantes. O medo e o pânico contrariam com a curiosidade alheia de um povo, neste caso americano e não inglês como no romance.
Um aviso de Spielberg aos Estados Unidos da América, que como maior potência mundial, nunca devem subestimar alguém, nem qualquer tipo de força.
Mais longe vai o próprio H. G. Wells que escreve uma nítida crítica à religião e toda a sua natureza ideológica que nos faz ter por vezes uma fé cega. Outra é à própria estrutura militar, bem como a sobrevivência do ser humano, que nos torna "ratos" amedrontados, escondidos em tocas como aconteceu no filme a Harlan Ogilvy.
Cinematograficamente o filme aparece-nos desfragmentado e parece não haver fio de narrativa conciso e que nos permita captar a atenção. Mais um “toca e foge” entre trípodes e humanos com muita tecnologia digital à mistura. Há cenas devastadoramente belas onde o negro da noite e as “máquinas de destruição” entram no contraste perfeito.
Mas de Spielberg é esperado mais e com maior carga dramática, para além da parafernália de efeitos sonoros e visuais que tem ao seu dispor. Talvez não seja de estranhar que esteja a esteja a por cada vez mais de realizador e dedicar-se mais à de produtor. Pedia-se mais, mas não podemos deixar de dizer que foi um grande realizador.

Não estamos sozinhos.
Eles já cá estão.
Entre nós o mal emerge e propaga-se.
A batalha já começou.
De um lado humanos, do outro humanos.
O 11 de Setembro foi uma alerta.
O elefante é muitíssimo mais poderoso que o homem, mas nem por isso domina sobre a Terra. O cérebro é o que nos distingue das outras espécies.
Usem-no!

Classificação:**
António Ricardo


mgalrinho@hotmail.com
Como já era de esperar, War of the Worlds é muito mais do que um simples blockbuster de Verão, feito apenas para entreter. Esta última obra de Steven Spielberg é, na verdade, um exercício de suspense/terror absolutamente fascinante, suportado pelo desespero duma família em sobreviver - mais propriamente dum pai que faz tudo para salvar os filhos.

War of the Worlds começa logo por se distinguir de outros filmes que retratam invasões de extraterrestres pelo simples facto de que este não foca a invasão de vários pontos de vista. Tudo o que vemos da invasão é o que a personagem principal, interpretada por Tom Cruise, vê. E esse é o ponto de partida para o ambiente asfixiante que Spielberg cria. Porque, simplesmente, hoje em dia, ninguém filma assim!

Mas o filme é muito mais do que o terror causado por uma invasão de extraterrestres. War of the Worlds retrata também o desespero de um pai para tentar salvar os seus dois filhos, até chegar à cena mais poderosa de todo o filme, em que tem que escolher um deles. O desespero que existe nessa cena, presente na personagem de Tom Cruise, é absolutamente indescritível.

E, falando de grandes cenas, é o que não falta neste filme. Desde a brilhante introdução à cena do barco, passando pelo desenterrar do primeiro tripod e pelo desastre de avião, entre outras, que ficamos presos ao ecrã, estonteados pela forma como a câmara de Spielberg filma de forma tão real, tão aterrorizadora e tão humana.

Em relação às críticas ao final, parece-me que já vêm de arrasto. Está-se a tornar moda dizer que os finais dos filmes do Spielberg são demasiado felizes, demasiado cor-de-rosa. Ou, como também já li por aí, em relação ao final do War of the Worlds, demasiado à Hollywood. Não esqueçamos, porém, que o final foi escrito por H. G. Wells.

War of the Worlds é, portanto, o regresso em grande de Spielberg às grandes produções. E esta sua obra é um dos filmes mais poderosos a estrear nos últimos anos. Um clássico instantâneo!

Miguel Galrinho


   
Gostei de ver o filme, embora tivesse à espera de acção, do tipo, um americano a lutar com vários extraterrestres, gostei de ver apenas um pai a tentar salvar a vida dos filhos.
O Tom Cruise a cada filme que passa mostra cada vez mais que não é apenas uma cara bonita em Hollyood, mas sim um dos grandes actores da actualidade.
Mas concordo com criticas feitas neste site sobre a sua duração,o filme acaba muito depressa, podiam ter sido criadas outras situações onde poderiamos ver a relação pai-filha a resultar numa relação forte e os ets poderiam aparecer mais vezes.
Mas é um filme que vale mesmo apena ir ao cinema ver.
Adorei.
ASS: Laura Caçoeiro



luismiguelmoura@netcabo.pt
Guerra dos Mundos era o filme pelo qual todos ansiavam. Uns, como eu, porque cresceram, sonharam e aprenderam a amar o cinema pela mão de Spielberg, outros para catarse pessoal, que é o mesmo que dizer pelo simples prazer de usar todo e qualquer argumento de modo a provar que Spielberg não tem talento. Claro que quem profere estas afirmações raramente se dá ao trabalho de justificar de forma lógica e serena o porquê de tão grande ódio, optando antes pela via mais fácil do discurso irónico ou, na pior das hipóteses, despejando todos os termos pejorativos que existem para qualificar o trabalho de um dos mais importantes cineastas da história (goste-se ou não do estilo).
O que me preocupa no meio de toda esta prepotência e arrogância verbal dos detractores de Spielberg, são os argumentos utilizados para defender a tese de que o seu cinema é do mais vulgar lixo que Hollywood produz. Bem sei que vivemos num mundo conturbado, onde por vezes as coisas parecem andar de pernas para o ar, mas daí a não se poder celebrar o triunfo do amor e do ser humano sobre as adversidades da vida (sejam elas deste planeta ou não) vai uma grande distância. E se existe alguém capaz de captar o que de melhor o ser humano tem, com as suas qualidades e defeitos, esse alguém é precisamente Spielberg. Se atendermos à sua extensa obra, facilmente constatamos que o homem é a sua principal preocupação. A obsessão em retratar as relações familiares (fruto de experiências pessoais), os laços quebrados e a ausência de afecto é o mote para os seus filmes. E não sou eu que o digo, apenas cito o mestre nas suas sábias palavras. Daí que não seja de estranhar que a sua Guerra dos Mundos seja diferente (e porque não até distante) do texto de Wells. Isto porque, mais uma vez, a marca autoral do realizador está bem patente. Aqui, mais do que “simples” cenas de invasões e discos voadores, encontramos algo que sobrevive ao mais cruel e bárbaro dos ataques – os laços humanos – de um pai (Tom Cruise genuinamente desprotegido e emocional) que tenta a todo o custo proteger os seus. Também é certo que quem estava à espera de ver um filme apenas sustentado por sequências explosivas de acção desconcertante e de fenómenos catastróficos, não devia ter gasto o seu tempo a ver Guerra dos Mundos. Porque o cinema de Spielberg é isso, mas não só.
Quanto ao filme em si, tem momentos soberbos (e este é um dos casos em que os efeitos especiais servem de suporte ao filme e não o contrário) mas também falha em algumas situações. O início é espantoso, mas o ritmo a partir da sua metade começa a tornar-se irregular, com consequências obviamente negativas para o encerrar da história. Aliás, este é o grande defeito de Guerra dos Mundos. A sua duração, como já foi referido, é excessivamente curta, e o final surge de forma abrupta e sem chama. E é pena, porque este filme podia ter sido grandioso, não fosse este “pequeno” grande pormenor. Resta esperar que a edição em DVD contenha a versão extensa de 150 minutos, como se prevê. O que não se compreende é o facto de esta não ter sido lançada para cinema.


Cumprimentos

Luís Moura
07.07.05
www.matine.blogspot.com


rmpmar@netcabo.pt
Não é mau... mas é uma grande desilusão.
E acreditem, é com muita consternação que digo isto.
Porque é que não gostei ? Porque acho que o fim é como uma prova de 100 metros: rápida e sem dar tempo a pormenores. E também porque me lembrou muito um filme que também não gostei nada.. «Signs», de Mel Gibson!
Paciência...

Ricardo M.


releaseyourself@gmail.com
Como seria de esperar, é não mais que um tipico blockbuster, onde laços (familiares ou de amizade) são postos á prova. Acho que não vale a pena intectualizar o filme... seria apenas um "rei vai nu". Spielberg falhou, filmando um banal filme de pipocas. Uma história que se desenlaça para num minuto ser cortada toda a sua arborescência. Em cerca de um minuto: a queda, a união, a vitoria, quando se previa algo mais complexo. Para nem falar em certas incoerências ou... em linguagem simples "tangas", no argumento. Mas... é Spielberg... e como tal, há que intelectualizar toda e qualquer banalidade que surja. O rei vai nu.


leandro.tavares@hotmail.com
É com grande desilusão que testemunho a enorme falta de respeito que aqueles que dirigem este site moveram à minha pessoa, ao retirarem o meu comentário sobre o filme que se fala. Quem o fez, revelou ser detentor de uma falta de consideração e ser possuidor de uma grande incoerência, não se faz isto a um visitante que estimava o vosso site. É condenável tal acto, com que direito retiram uma crítica feita por mim a este filme, que até não presta para nada, mas era a minha crítica, tinha que ser aceite, respeitada, lida e mantida no site, é para isso que o site existe. Posto isto, só resta duvidar da qualidade e veracidade deste site, chamado de cinema2000, um site sobre cinema que retira as críticas que os seus leitores deixam, independentemente da natureza e do teor da crítica, eu escrevi o que tinha que escrever e mais nada, ponto final, não tinham nada que retirar a minha crítica. Visto que os senhores não respeitam as pessoas, neste caso, eu, lamento a vossa estupidez abruta e digo-vos que vou comentar o sucedido com quem devo, conheço imensa gente que vai adorar tomar conhecimento destas vossas faltas de respeito, voçês são o pior site de cinema em Portugal, se haviam dúvidas, agora, há certezas, que vergonha. É de lamentar a vossa grande falta de respeito por mim e pelos leitores.


joaotome@hotmail.com
Concordo com a duração do filme... é pena não se ter arriscado com mais tempo de filme, merecia e justificava isso.

João Tomé


nuno_tobias@portugalmail.com
O filme não vale nada. Spielberg já não é o que era. E quanto à duração do filme, bom, 117 minutos para um filme destes não é nada. Vou aguardar pelos 150 minutos da edição especial.


joaotome@hotmail.com
João Tomé - www.magaCINE.blogspot.com

Esta homenagem a H. G. Wells e ao seu livro Guerra dos Mundos retrata com pormenor e uma sensação de realismo tocante uma perspectiva particular e humana do que seria uma invasão do planeta por extra-terrestres com intenção de exterminar a raça humana e sediarem-se no nosso belo planeta. Bem longe das perspectivas muito gerais de uma invasão aliegena, este novo desafio de Steven Spielberg volta a dar um lado humano e familiar muito forte e concreto. Com semelhanças claras com o inspirado E.T. nas relações inicialmente agrestes e depois afectuosas nas personagens, agora os extra-terrestres vêm para destruir e é na raça humana e na procura pela sobrevivência que reside uma moral tocante, em evolução e convincente. Spielberg é muito preciso, e segue com pormenor as vivências de Ray Ferrier, um homem mal humorado, divorciado e com filhos que em muito pouco admiram o pai, bem pelo contrário.
É a entrada no nosso planeta de aliegenas, que põem a descoberto máquinas poderosas - chamadas de Tripods -, que estavam escondidas há milhares de anos no subsolo, que vai transformar as vidas dos seres humanos, mas a história de Wells, que Spielberg segue é a perspectiva de Ray, e da luta pela sobrevivência com o filho adolescente e a filha (Dakota Fanning) ainda criança.

A força da personagem de Ray dá a Tom Cruise mais uma interpretação brilhante e convincente. É desleixado, aparentemente zangado com a vida e pouco atencioso para com os filhos, que vivem com a mãe e um padrasto em tudo diferente do pai (para melhor). A história é simples mas poderosa e cativante, focando um assunto que faz colocar em causa a nossa realidade actual, o mundo e planeta tal o qual o vemos, e tudo é feito de um modo muito humano e crível, daí o interesse e reflexão que proporciona. Mas outro dos interesses profundos do filme é a história familiar que conta, é a ela que estamos intrinsecamente pegados e que nos preocupa. As relações familiares que existem entre pais e filhos são uma das facetas mais bem conseguidas da história, com problemas que na adversidade podem ser ultrapassados, descobrindo-se preocupações e amores intensos.

Os locais de filmagem são perfeitos e a imagem, por incrivel que pareça num blockbuster, faz, em certas partes, lembrar um documentário - apesar dos efeitos computadorizados após a chegada dos invasores.

Em pano de fundo, como moral de uma história que por si só já vale a pena, temos uma nota introdutória e uma nota final que assumem uma moral comum às invasões feitas na história. Neste caso, recorrendo aos micro-organismos especificos e característicos de cada planeta, uma espécie de justificação para dizer, que o invasor mais poderoso e evoluído pode fracassar por onde menos espera, pelas partículas mais insignificantes.

A transformação de personagem de Ray, que passa de um pai desleixado, para um progenitor dedicado, preocupado e lutador pela sobrevivência dos filhos espelha a parte do enredo mais humana. Aliás, é sempre na perspectiva de Ray que vemos o filme, o que ele vê e sabe é o que nós vemos e sabemos. Até aí a pertinência do filme é peculiar e interessante. Não há imagens do planeta todo a ser destruído, e estava, da devastação global. Aparecemos ali sem saber bem o que se passa, perturbados e em busca de respostas, tal e qual Ray. Quando eles as sabe, nós também as sabemos.
Engraçado ver os pormenores de Spielberg nas semelhanças entre E.T. e Guerra dos Mundos. Apesar da sociedade ser, claramente, a actual, a acção parte de um bairro da parte portuguesa de Newark, onde as pessoas vivem em casas modestas e algo pobres e existe um comércio pacato - chega-se mesmo a ver uma loja chamada "Santos". É nesse meio que entramos, e nunca chegamos a sair muito dele, dada a invasão ter começado, para Ray, aí. Outra semelhança fantástica com E.T. são os casacos "de treino".
É inesquecível as cenas dos jovens que utilizam casacos de treino com capuzes característicos, ora essa é uma presença clara neste filme tanto em Ray como no filho. Tom Cruise tem um interpretação bem conseguida. É engraçado vê-lo numa personagem tão distinta dele no aspecto do desleixo. Tom é uma pessoa muito organizada e metódica, mas neste filme tem uma casa que parece uma pocilga, sem nada para comer e com arrumação péssima.
Neste filme ele faz um Ray pouco sociável, difícil até, quando ele é dos actores mais sociáveis de hollywood. Aliás, é fantástico ver a ausência de risinhos constantes no filme, algo presente em qualquer aparição pública do actor. Raramente se vê a cara de Cruise, em video ou imagem, numa aparição pública que não seja a sorrir por completo para as câmaras - um talento, dizem uns, uma maldição, dizem outros - eu sou dos outros. É o actor mais sorridente, fora dos ecrãs, de sempre.

GUERRA DOS MUNDOS é emocionante, espectacular e muito humano. Este é um filme que ficará na história, por vários motivos. Spielberg voltou a criar algo belo e único, incluido Tom Cruise na imortalidade cinematográfica também - pelo menos até os extra-terrestres chegaram...

Mais semelhanças que diferenças
Apesar da acção do livro de Wells decorrer em Inglaterra, dos soldados batidos serem da guarda britânica e dos tempos serem outros, as semelhanças com a obra de Wells, neste filme são claras e inequívocas, a demonstrar que o tempo e o local não mudam a génese e base da história. E que em termos de vivências mais modestas, pelo menos, o mundo talvez não tenho mudado assim tanto.


TIAGO PIMENTEL
Não é um filme sobre o medo. Não é um filme sobre o fim do mundo. Não é um filme sobre sobrevivência. Não é um filme sobre a família. É um filme sobre a convivência de todas estas componentes num dispositivo dramático que é, de uma vez só, consciente da cultura «fordiana» do colectivo americano como dos destinos individuais que define para cada um. João Lopes refere, oportunamente, a influência de Ford no cinema de Spielberg que aproveito para subscrever. Spielberg, além de um cineasta de excepção, é também alguém que repensa a própria condição da América e a sua convivência com todas as outras geografias. No fundo, é o estatuto «fordiano» que restaura a identidade nacional na figura estável e inquebrável da família. Em Spielberg, o colectivo americano faz parte, claro, do imaginário dos seus filmes, embora a família seja já uma imagem sem memória de si mesma. Isto é, nada de estável existe na família; ela é, simultaneamente, a fonte de todos os desequilíbrios humanos e a imagem (ou miragem?) que conduz a narrativa.

Em todo o caso, Spielberg é um cineasta da mais dolorosa orfandade, seja ela geográfica (Terminal) ou materna (Império do Sol). Em War of the Worlds, a relação do Homem com o desconhecido ganha contornos inéditos no seu cinema, mas nem por isso as temáticas se alteram. Pela primeira vez, o desconhecido representa, não a possibilidade de alcançar o mágico ou o divino, mas sim a morte. Não num sentido abstracto ou filosófico, mas na sua mais aterrorizante e desesperante condição. É, sem hesitações, um dos mais geniais filmes de terror jamais feitos. Um terror que não existe só nas imagens de destruição, mas também (e sobretudo) nos rostos preenchidos de terror pelos magníficos actores e milimetricamente fotografados por Kaminsky. O terror não tem tanto a fanfarra pipoqueira e inconsequente de um Dia da Independência, nomeadamente porque não são os invasores que fazem avançar a narrativa, mas sim as personagens humanas. A câmara de Spielberg está sempre ao lado das personagens e o espectador nada mais vê do que o que elas vêm. Num certo sentido, somos cúmplices desse desespero e reféns de imagens cáusticas, caóticas e angustiantes.

O terror existe, obviamente, na possibilidade constante de uma das personagens principais ser vítima de um ser invasor, mas também na angústia de Ray (Tom Cruise) em manter os seus filhos perto de si, no meio de uma América infernalizada. Cada sequência é uma aula de cinema e o mínimo que se pode dizer é que a indiferença é uma fraca moeda de troca para este filme. Ninguém filma como Spielberg, ninguém compõe uma imagem com tantas emoções e pensamentos a coexistirem lá dentro. O sentido de «découpage» da sua câmara é, em si, um objecto de estudo e redefine todas as potencialidades de uma imagem enquanto organismo de comunicação entre os vários corpos. Nunca uma família num filme de Spielberg foi desconstruída neste radicalismo de sobrevivência e desespero por se manter unida. É nesse desespero que se redescobre a paternidade, entidade quase sempre ausente da filmografia do cineasta e, agora (quase 30 anos depois de Roy Neary ter abandonado a família para subir à nave espacial), é Ray que impede, a todo o custo, que a sua filha seja sugada pelas máquinas alienígenas. A entidade paterna reencontra o seu lugar, os extra-terrestres já não são uma figura benéfica e o virtuosismo das imagens do cinema fantástico foi substituido por um hiper-realismo insólito e uma câmara que não abandona as suas personagens. Muito mudou em Spielberg nos últimos 30 anos. Mas a orfandade incurável do cineasta mantém-se, bem como a impossibilidade de restabelecer as coordenadas familiares. Se a família de Ford era um espaço social, em Spielberg é uma utopia abstracta, mas necessária. Uma força que dirige a narrativa e, paradoxalmente ou não, a destrói na sua configuração trágica.

O final do filme (novamente palco de polémicas das mesmas vozes que não se cansam de reduzir as narrativas de Spielberg a felizes/infelizes) é uma imagem de reconstrução (de uma família, de um mundo...) seca, ambígua e crua. É necessário pensar sobre as imagens antes de se precipitarem as mesmas ideias feitas (como as que tenho lido nos ‘sites’ de cinefilia americanos). É que agora traz uma agravante: dado o grau de absoluta fidelidade ao romance original de Wells, é bom relembrarmos que, desta vez, é melhor apontar as críticas dos finais felizes, cor-de-rosa e outros epítetos absurdos ao próprios Wells, para variar um pouco. Quem estiver disposto a pensar, seguramente evitará os rótulos do costume e perceberá que Spielberg raramente foi tão austero e cruel num desfecho. Não sei, confesso, se será da idade ou de um cepticismo que tem assombrado os últimos filmes do realizador. O certo é que a “família” fordiana desapareceu de vez e tudo o que resta são os momentos efémeros em que se revive a ilusão. Que ilusão? A de pertencermos a um lugar. No limite, o mundo que é destruído em War of the Worlds é menos o planeta Terra e mais o mundo familiar. É esse espaço que se joga e é nele que cada personagem tenta recuperar o seu lugar.

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Tiago Pimentel
Wallace_ (IRC)
tiago_pimentel@hotmail.com
www.vivercontraotempo.blogspot.com


     
 

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