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Rainhas
Título original: Reinas
Realização: Manuel Gómez Pereira
Intérpretes: Verónica Forqué, Carmen Maura, Marisa Paredes, Mercedes Sampietro, Betiana Blum, Gustavo Salmerón, Unax Ugalde
Espanha, 2005
Estreia: 30 de Junho de 2005
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Média dos Espectadores |
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Ofelia (Betiana Blum), Magda (Carmen Maura), Reyes (Marisa Paredes), Helena (Mercedes Sampietro) e Nuria (Verónica Forqué) são personalidades excêntricas, modernas, mães de filhos. O que não estavam à espera era de uma partida do destino: os seus filhos estão prestes a contrair matrimónio no que será a primeira cerimónia gay de Espanha.
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gonn1000@hotmail.com |
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TUDO SOBRE AS MÃES DELES
Centrado numa temática recente e polémica - a legalização dos casamentos entre homossexuais em Espanha -, "Rainhas" (Reinas) combina drama e comédia e segue os preparativos para o casamento de uma série de personagens gay, focando em particular o relacionamento destes com as suas mães.
Actual e controverso, o filme é a mais recente proposta de Manuel Gómez Pereira, realizador de obras razoavelmente divertidas como "Porque lhe Chamam Amor Quando Querem Dizer Sexo" ou "Boca a Boca" (com Javier Bardem, antes da aclamação de "Antes que Anoiteça" e "Mar Adentro").
Tal como os títulos anteriores de Gómez Pereira, "Rainhas" é um filme que contém uma considerável componente kitsch, visível logo no genérico inicial e presente em várias personagens e situações pitorescas. Interligando uma série de figuras de várias origens que têm em comum um contacto relativamente próximo com a homossexualidade - e com todo o tipo de reacções que daí advêm -, a película oferece um olhar sobre as alterações socias da espanha contemporânea.
Vincado por cenas de humor negro e politicamente incorrecto, "Rainhas" aproxima-se, por vezes, de domínios próximos dos de Pedro Almodóvar, não tanto da sua fase mais recente mas do seu período mais irreverente e espirituoso (ou seja, o de "Kika" ou "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" e não tanto o de "Má Educação", ainda que este também se centre na homossexualidade, contudo com uma perspectiva bem mais soturna).
Um dos melhores ingredientes de "Rainhas" é a soberba direcção de actores, uma vez que o elenco inclui vários nomes de actrizes consagradas como Verónica Forqué, Cármen Maura , Marisa Paredes, Betiana Blum e Mercedes Sampietro, que desempenham o papel de mães dos noivos. É essencialmente sobre elas que incide o olhar de Gómez Pereira, e as suas diversificadas relações com os seus filhos gay orientam o decorrer dos acontecimentos.
Longe dos modelos do filme militante, "Rainhas" apresenta um interessante estudo de personagens que, através da temática da homossexualidade, abrange também as dos laços familiares, códigos sociais, (in)tolerância, amor e clivagens sociais, alternando entre episódios sérios e situações carragadas de humor (ora óbvio e populista, ora irónico e refinado).
Gómez Pereira gera aqui um dos seus melhores filmes, esculpindo um argumento envolvente, personagens carismáticas (embora sejam demasiadas e, por isso, algumas vão pouco além da caricatura) e um eficaz trabalho de realização, apostando numa narrativa com uma curiosa gestão do tempo que tem o mérito de não deixar o espectador descoordenado face a um conjunto de personagens tão vasto.
Funcionando como um muito agradável entretenimento mas também enquanto um pertinente retrato da realidade urbana espanhola dos dias de hoje, "Rainhas" comprova que é possível fazer um tipo de cinema simultaneamente acessível e relevante, equilibrando a marca autoral e a vertente comercial.
De resto, estes elementos já são comuns em muitos exemplos da cinematografia espanhola recete, evidenciando algo que o cinema português ainda não é capaz de fazer regularmente. Um filme a ver, portanto...
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com |
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jpmachado44@hotmail.com |
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Não resisto a dar 4 estrelas... “Rainhas” é um filme delicioso, hilariante, mesmo que esteja longe de ser uma obra-prima.
O contexto não podia ser mais actual: situa-se em Espanha, na altura em que vai ser realizado o primeiro casamento gay no país... ou melhor, os primeiros casamentos gay, porque são cerca de 20 casais gay que vão “dar o nó”, na mesma cerimónia histórica. O filme, uma comédia kitsch ao estilo de Almodóvar, foca a atenção em 3 casais e mostra-nos os dois dias que antecedem o dia do casamento, em que a família vem desestabilizar a harmonia entre os noivos... mas é também a família que acaba por salvar as uniões. Disse “família”, mas poderia dizer “mães”, porque, de facto, as estrelas do filme são as 5 divas que fazem os papéis das mães: Verónica Forqué, Betiana Blum, Carmen Maura, Marisa Paredes e Mercedes Sampietro. São elas as protagonistas dos gags mais hilariantes do filme (principalmente a impagável Verónica Forqué – no papel da mãe ninfomaníaca –, que já conhecíamos do filme “Kika” de Almodóvar; preparem-se para grandes gargalhadas com esta actriz e a sua personagem!).
É evidente que este filme dá uma visão muito cor-de-rosa e divertida da forma como os pais lidam com a homossexualidade dos filhos (mesmo quando não a aceitam, a atitude é muito soft); a realidade é bem diferente do que o filme nos mostra. Mas este é um filme para rir, um “feel-good movie” e é 100% eficaz como tal! Acredito até que poderá contribuir para mudar mentalidades mais intolerantes em relação à homossexualidade.
Se o enredo é bem congeminado, os diálogos são talvez demasiado directos e pouco trabalhados. A montagem e a “mise en scène” também não ajudam...
Portanto, é um filme que eu recomendo pela história, pela estética e pelas interpretações.
Fiquei deslumbrado com a cena final: é muito simples, parece que não tem nada de relevante, é incrível que o realizador tenha decidido incluí-la, mas eu achei-a tocante!
JP Machado. |
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