Salto Mortal

Título original: Somersault
Realização: Cate Shortland
Intérpretes: Abbie Cornish, Sam Worthington, Lynette Curran, Erik Thomson, Hollie Andrew, Leah Purcell
Austrália, 2004
Estreia: 16 de Junho de 2005


Média dos
Espectadores
   
 

 
Ao crescer com a sua mãe solteira e desorientada, Heidi, dezasseis anos, aprendeu a usar o sexo como uma arma de sobrevivência. Depois de um confronto na sua suburbana Camberra natal, Heidi acha que já não é capaz de continuar a viver com a mãe. Muda-se para Jindabyne, em busca de trabalho nos campos de neve. Com muito pouco dinheiro e sem qualquer experiência, aceita um emprego numa bomba de gasolina junto ao lago Jindabyne.

Heidi torna-se amiga de uma colega, Bianca, e também da mãe daquela e da restante família. Começa um romance com um agricultor rico, Joe, e encontra uma casa nas traseiras do motel da bondosa Irene. A nova vida de Heidi parece correr bem. A relação de Joe com Heidi desafia as suas ideias de sexualidade, classe e do seu futuro naquele lugar. Quando o passado de Heidi invade o seu novo mundo, o seu comportamento consequente destrói todas as relações que ela tinha construído, até que ela descobre o poder redentor do perdão e percebe que ela própria é muito mais do que pensava.

*****

* «Salto Mortal» no IndieLisboa.


Maria R.
Acho piada ao facto de, não maior parte dos casos, os homens não acharem piada a este filme. Lol :-)

Eu, apenas ao fim de alguns minutos, afirmei veementemente : "Este filme, foi COM CERTEZA, escito por uma mulher. SÒ PODE ter sido escrito por uma mulher" lol

E, no fim, confirmei as minhas suspeitas.
É um filme diferente do habitual, que, ao contrário da maior parte da linha "Hollywood" se apresenta como realista. E é precisamente isso que faz dele um filme interessante.

E, ao contrário do que tenho lido noutros comentários, não acho que tenha um mau final. Tem um final bastante positivo e promissor.

Parabéns à escritora/realizadora Cate Shortland.


the_everl@hotmail.com
Os primeiros 10 minutos prometem um grande filme: um ambiente depressivo através da fotografia de tons escuros e granulada como já é costume ver nestas situações, uma banda sonora (boa, por sinal) adequada e o ritmo lânguido para nos absorver. Os problemas aparecem depois, quando o filme começa a contar uma história.

O primeiro problema, e o principal, até pode ser pessoal: não dá para acreditar na história de Heidi (Abbie Cornish), que após beijar o namorado da mãe foge de casa até uma outra cidade onde continuará perdida na sua adolescência e vai conhecer mais algumas personagens. Heidi nunca se encontra e até ao final do filme passa por situações complicadas, mas que não nos fazem sentir nada. Abbie Cornish até vai bem, mas pensamos que o filme se devia concentrar nela e não procurar personagens secundárias desinteressantes. Seria mais consistente e, com certeza, trabalharia melhor o seu desamparo.

O próprio ambiente começa, após se acentuar o nosso desinteresse por aquilo que o filme mostra, a parecer forçado com destaque para a banda sonora a entrar por tudo e por nada como se fosse ela a ter que remendar as insuficiências emocionais das imagens.

Uma boa premissa, porém, mal executada. A estreante Cate Shortland mostra que tem estudado a cartilha “indie”, mas falta-lhe originalidade e, acima de tudo, determinação em fixar-se naquilo que é realmente importante, que neste caso seria a solidão de Heidi. E ainda há o final de “Somersault”, que acaba com qualquer possibilidade de perdoar as fragilidades do filme.

Dispensável

Daniel Pereira
23-06-05
www.escrevercinema.blogspot.com


paulo_ferrero@hotmail.com
A Austrália de «Somersault» não é definitivamente aquela terra de sonho, destino de qualquer emigrante que se preze. É uma terra de tristezas, de desencantos, de crise de identidade e de valores, por mais labuta diária que se tenha.

E é exactamente nessa Austrália (na dos primórdios de Jane Campion, na terra agreste e impiedosa) que Heidi (bem apropriado o nome, por sinal), a protagonista, vive e deambula, qual sonâmbula sonhadora, por entre aventuras e escapadelas. Numa «trip» em busca de afecto.

Só que Heidi é Abbie Cornish, e é impossível fugir desse facto. E talvez que sem Abbie o filme nem chegasse até nós.

É que muito do poder do filme reside na omnipresença fulmimante desta pequena australiana de 22 anos (outra Nicole na calha?). E tanto é o seu poder que muito menos se percebem as hesitações e testes de identidade de Joe, o co-protagonista, a perder a oportunidade da sua vida ao acordar tarde demais.


Paulo Ferrero


     
 

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