Colisão

Título original: Crash
Realização: Paul Haggis
Intérpretes: Matt Dillon, Don Cheadle, Sandra Bullock, Brendan Fraser, Thandie Newton, Ryan Phillippe, Larenz Tate, Jennifer Esposito, William Fichtner, Nona Gaye, Terrence Howard, Michael Pena, Shaun Toub, Bahar Soomekh
EUA, 2004
Estreia: 23 de Junho de 2005


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
Uma dona de casa e o seu marido advogado estatal. Um persa dono de uma loja. Dois polícias detectives que são também amantes. Um director de televisão afro-americano e a sua mulher. Um mexicano serralheiro. Dois ladrões de automóveis. Um polícia recruta. Um casal coreano de meia idade…

Todos vivem em Los Angeles. E durante as próximas 36 horas, irão entrar em colisão…

«Crash» dá uma olhada provocadora e inflexível às complexidades da tolerância racial numa América contemporânea. Realizado por Paul Haggis, argumentista e produtor de «Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos», o principal filme oscarizado deste ano, «Crash» teve um pequeno orçamento de 6.5 milhões de dólares. Com receitas a aproximarem-se já dos 50 milhões de dólares desde a sua estreia, a adesão da crítica especializada e do público tornaram-no um dos pequenos grandes fenómenos de popularidade do cinema norte-americano de 2005.


João Lopes
Paul Haggis não é propriamente um principiante. Canadiano, nascido em 1953, trabalha desde finais da década de 1970 como argumentista, produtor e realizador de televisão. Em todo o caso, o seu nome só adquiriu alguma evidência quando o seu trabalho como argumentista de «Million Dollar Baby», de Clint Eastwood, lhe valeu o prémio de melhor argumento, referente a 2004, atribuído pela ASA (American Screenwriters Association) — seria, aliás, também nomeado para o Oscar da categoria de melhor argumento adaptado, embora não tenha ganho.

Em todo o caso, esta sua realização — no original, «Crash» (não confundir com o título homónimo de David Cronenberg, produzido em 1996) — vem colocá-lo na linha da frente dos actuais grandes narradores da produção norte-americana. Estamos perante um espantoso exercício dramatúrgico e também, sem qualquer sombra de dúvida, uma das mais estimulantes revelações de 2005.

«Colisão» segue uma matriz conhecida: a de começar com uma sequência — um acidente na estrada — a partir da qual se desfiam as memórias cruzadas de uma galeria de personagens: um político, um detective, um polícia, um marceneiro, um ladrão, etc. O certo é que Haggis consegue fazer desse modelo (mais recentemente relançado por Paul Thomas Anderson, em «Magnolia») uma via inesperada para desmontar de forma metódica e, mais do que isso, obsessiva, as manifestações de racismo no quotidiano de Los Angeles.

O menos que se pode dizer é que Haggis convoca os mais variados "clichés" que o tema pode arrastar, desfazendo-os com admirável lucidez política, subtileza humana e eficácia dramática. De acordo com a mais nobre tradição de Hollywood, tudo isto é inseparável de um "cast" de luxo, tanto mais notável quanto o argumentista/realizador sabe filmar os seus actores (e actrizes) para lá dos próprios estereótipos que, eventualmente, as respectivas carreiras poderiam arrastar — destaques para Sandra Bullock, na mulher solitária de um político, e ainda Ryan Phillippe, compondo um jovem polícia que aprende de forma cruel a difícil relação com a verdade.


nini
Concordo com o Bruno Alves: o filme tem a subtileza de um bulldozer.Tem uma mensagem moral a transmitir e tem de a transmitir à martelada.
Não é que as histórias alegóricas tenham de ser verosímeis, mas quando os ingedientes estão assim tão forçados, chamam atenção para a construção do filme e desfazem a suspension of disbelief que seria mais útil neste género de filmes,porque provocaria empatia.E ao sofrermos em sintonia com as personagens, compreenderíamos melhor a mensagem.
A mensagem passa, evidentemente, como não passar se é tão óbvia?
Pessoas são pessoas, há-as boas ou más, todas imperfeitas independentemente da cor e da origem.Qualquer um pode fazer o mal ou tornar-se um herói.
Mas o sermão está veiculado através de uma história tão aldrabada, com o propósito de meter o máximo de lições e clichés por segundo, que se boicota a si próprio.
Têm mais impacto American History X, 21 Gramas, No Country for Old Men ou Do The Right Thing do Spike Lee, porque nos fazem pensar sobre o bem e o mal, sobre justiça e injustiça, sobre as ligações e conflitos entre os homens, e ao mesmo tempo são cinema.
Se o cinema for só propaganda e ideologia não é arte. Pode ser útil, e sem dúvida que funciona, mas não é arte.
Um filme mais simples como Vai e Vive consegue abordar os preconceitos, a injustiça, a manipulação e a solidariedade e ser cinema ao mesmo tempo.
Os autores do filme estavam cheios de boa-vontade e entusiasmaram-se.Queriam fazer chorar as pedras da calçada e ajudar as pessoas a serem melhores, como aquele filme sobre os favores em cadeia.
Eu também quero ser melhor pessoa, mas não quero voltar a ver este filme.


Fábio Amaral
Grande história. Surpreendente. Mexe connosco e faz-nos pensar como o mundo à nossa volta é capaz de nos mudar quando aquilo que nos resta somos nós.


Martins
Adorei o filme demostra a verdade.


Fernanda c.
adorei o filme! somos todos diferentes...somos todos iguais.juntos somos uma GRANDE FORÇA


olinda bernardo
O filme, é bastante bom. Não vou basear-me e julgar ou comentar desempenhos artisticos, porque penso que a ideia do realizador não seria essa.O que importa é focar as várias más vivências multiraciais, as várias tomadas de posição, nem sempre as mais correctas, pois dependem do estado de espirito do momento e não da verdadeira maneira de ser ou pensar, do medo e da insegurança, que muitas vezes leva a tomar atitudes nunca antes pensadas, e da desconfiança existente entre raças,(o chamado racismo).Mostra-nos a colisão constante de todas estas situações, ilustradas pelo inicio e o fim do filme, decorrendo todas as situações de amor e desamor e até de morte, entre a 1ª e a última colisão. Gostei do filme, e confirmei uma vez mais, que nunca se devem julgar as pessoas pelas atitudes negativas ou positivas de um momento. Não se devem julgar as pessoas, e muito menos quando o que conhecemos delas é do contacto profissional ou de amizade pouco profunda.


Teresa "mentes perdidas"
Considero o filme um dos melhores que ja vi, acho que o filme destaca alguns dos problemas existentes actuais e de uma maneira muito directa o filme descreve e demonstra alguns aspectos que sao visiveis hoje em dia como o "racismo". Enfim achei o filme extaordinário muitos parabens e beijinhos Imasv e Bz


Sara 8ºC 2006/2007
O filme "Colisão", de Paul Haggis, tem como intérpretes Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Jennifer Esposito, Thandie Newton, Brendan Fraser e Terrence Howard, devendo-se o seu grande êxito à sua abordagem e sensibilização para temas tão sensíveis como a questão do racismo e do choque de culturas e de mentalidades, nos nossos dias.

Com uma trama baseada em pessoas, reacções e comportamentos, que colidem constantemente, o filme tem o grande mérito de fazer reflectir o público sobre muitas das histórias de amor e de ódio, que se passam nessa grandes metrópoles de sonho, para onde convergem grandes massas populacionais, em busca de melhores condições de vida.


Sinseramente gostei muito do filme, tem uma boa história, e os personagens não ficam atrás.
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By:Sara


taniavieira4962@msn.com
Acha-mos o filme muito imprevisível em todas as cenas, e realmente uma filme muito apelativo, e que nos leva a pensar sobre tudo o que fazemos, dizimemos, e principalmente o quanto somos preconceituosos.
Este filme retrata a realidade, muitas das vezes escondida, entre as pessoas, e entre as comunicações mais usuais como o jornal, etc...
O Medo que sentimos, pode ser o nosso pior inimigo, porque nos leva a actos de loucura, e de irreflectidos...muitos problemas poderiam ser evitados se os nossos medos fossem controlados. Segundo o filme, deveríamos preocuparmo-nos mais com a felicidade dos outros, e menos com o que realmente nos faz feliz, do que com o preconceito, os medos e outros dessas crises emocionais.
Este filme é realmente para recordar a cada dia que passa


   
Queria dizer Matt Dillon e não Matt Damon.

Tiago Gomes


Tiago Gomes
Realização bem conseguida, com um argumento extraordinário que cruza várias histórias de habitantes de LA, sendo que a principal temática é o racismo, retratado de forma exemplar (em toda a sua complexidade), crua e realista. Mostrando as suas várias formas, da mais subliminar à mais directa.
Mas é redutor dizer que é só sobre o racismo em LA. Nas várias histórias abordadas, as diferentes personagens, são todas elas multidimensionais e complexas, contribuíndo para que se trate mais de histórias de vida, uma análise sociológica dos habitantes de LA. Não há aqui bons e maus, há seres humanos que erram, que tem ideias e convicções, preconceitos, receios e experiências de vida, que os levam interagir com os outros de forma conflituosa e intolerante, perante certas situações e de forma mais conciliadora e redentora noutras situações. (Peço desculpa, por estar a ser um pouco vago e confuso,mas penso que é bastante difícil falar deste filme sem entrar em certos detalhes da história que podem estragar o visionamento a quem ainda não viu filme).
O desenlace da filme, está brilhante, dando a entender, que muitas outras histórias de vida dos habitantes de LA, poderiam ser contadas...
O realizador contou com um elenco de luxo, um naipe de actores consagrados, que obtiveram, todos eles, boas interpretações, porém permitam-me que destaque Matt Damon, excelente interpretação num dos personagens mais "difíceis", e complexos do enredo, um papel pouco habitual na carreira deste actor.

Em suma, um bom filme que cruza várias histórias de habitantes da multicultural cidade de LA, fazendo um retrato social de LA, no qual está incluído, o racismo nas suas mais variadas formas.

Tiago Gomes


Tiago Costa
Paul Haggis constrói aqui uma inteligente narrativa em forma de mosaico de personagens, cruzando vidas e destinos, tendo como temática central o racismo. E é um filme que vale sobretudo pela vertente mais emocional de algumas das linhas narrativas apresentadas, pontuadas por belíssimos e comoventes momentos de cinema (de destacar a sequência climática que envolve Thandie Newton e Matt Dillon). Haggis explora a ideia de que o racismo pode existir em qualquer pessoa quando pressionado por circunstâncias difíceis, e dignifica personagens que, numa fase inicial, se tinham revelado como seres desprezíveis. É na forma como contraria expectativas e desmistifica o fenómeno do racismo que o oscarizado argumento se demonstra mais interessante. Mas, apesar dos seus vários méritos, Crash é um filme desequilibrado, que nem sempre aproveita as suas personagens da melhor forma, especialmente no caso de Brendan Fraser e Sandra Bullock. E, no final, fica a certeza de que havia aqui potencial para elevar o estudo sobre o racismo a outros níveis de complexidade e profundidade na análise da dimensão humana destas personagens. A profundidade que caracteriza os grandes filmes.

Tiago Costa (tiago_costa13@hotmail.com)
Claquete – O Cinema, cena a cena.


jfernandes@fl.uc.pt
Soberbo, a cidade como grande protagonista, Los Angeles como um território de conflitos e de colisões e, afinal, uma questão politicamente incorrecta: é o multiculturalismo um mito? São as cidades globais, como Los Angeles, palco de choques civilizacionais? Esta é também uma obra política. Não concordo que, com a atribuição dos mais recentes Oscares, Hollywood tenha contornado esta temática e se tenha desviado para uma obra neutra.

João Luís J. Fernandes


sudexpress@yahoo.es
A grande desilusão dos nomeados este ano para o Oscar, "Crash", mais não é que uma reflexão moralista das
das relações entre diferentes grupos étnicos e sociais, no filme sempre discriminatórias e estereótipadas: é a mulher do procurador que depois de assaltada por um negro, altera as relações que tinha com a empregada e cai pela escada abaixo. O polícia novo que não suporta o racismo do colega e acaba ele por matar um negro, na avaliação precipitada de um gesto que indicia o puxar de uma arma, mas afinal era de um santinho, como aquele que o polícia tem no seu automóvel. E por aí fora... a mão que castiga, as acusações de racismo até ao absurdo, as personagens imcompreendidas permanentemente por aqueles que não são do seu grupo. E uma cena rídicula, do tiro do iraniano. Mau gosto. A cena da neve em LA??? piroseira. Oscar imerecido.


   
Quero apenas corrigir a minha pontuação: são 4 estrelas, e não 3.

Margarida Pinhão


guidapinhao@yahoo.com
Simplista, pretensioso, pouco subtil, ingénuo, inverosímil... tudo isto tenho ouvido dizer aos detractores de "Crash". Embora concordando que tais adjectivos se aplicam a espaços, parece-me muito mais importante realçar o facto de o filme ser, antes de tudo, uma validíssima tentativa de retratar a Los Angeles contemporânea, como raramente temos oportunidade de ver. O maior mérito de Paul Haggis, a meu ver, foi a coragem de atirar o aflitivo `politicamente correcto` pela janela ao concentrar-se no comportamento humano face aos mais variados confrontos sociais.

Se é verdade que o racismo e a xenofobia são os elementos mais imediatamente detectáveis na história, depressa se percebe que esses comportamentos resultam menos de ódios intrínsecos ou adquiridos do que das circunstâncias (pessoais, sociais, culturais) que todos estes seres vão defrontando.

Todos somos imprevisíveis; podemos ser heróis ou vilões,juízes ou condenados, vítimas ou criminosos. Basta que uma reviravolta do destino nos apanhe desprevenidos para nos questionarmos sobre quem verdadeiramente somos.

Junto a minha voz aos que já elogiaram os fantásticos actores, destacando novamente a sempre maravilhosa serenidade de Don Cheadle, a complexidade que Matt Dillon (em boa hora regressado aos grandes papéis) empresta a uma personagem aparentemente odiosa, a intensidade dramática de Thandie Newton ou o tocante contributo do novato Michael Pena.

Belíssimo microcosmos em que cada um de nós facilmente se identificará, "Crash" não será, na minha modesta opinião, uma obra-prima, mas é decerto um fortíssimo testemunho da complexidade e imprevisibilidade da sociedade contemporânea.

E é, sobretudo, um daqueles filmes que queremos discutir ainda antes de deixarmos a sala, que nos obriga a levantar questões prementes de ordem moral e social. O que, nos dias que correm, não é coisa pouca.

Margarida Pinhão


somdasletras@mail.telepac.pt
Como impedir o mundo de colidir?

Para criar esta poderosa obra, Paul Haggis inspirou-se num episódio da sua vida.

Por volta de 1991, o realizador canadiano foi surpreendido, juntamente com a mulher, por dois homens que o assaltaram, roubando o seu carro. Dez anos depois, o advento do 11 de Setembro desencadeou uma série de inquietações no espírito de Haggis, levando-o a recuperar o assalto de que fora vítima e do qual nunca se tinha libertado (esta cena, aliás, será recriada por Sandra Bullock e Brendan Fraser).

A partir daí, e com a preciosa ajuda de Bobby Moresco (co-argumentista) Paul Haggis desenvolveu o argumento-base que viria a tranformar-se em Crash: uma electrificante fábula sobre a culpa e a redenção, a inocência e o medo, a segurança e a paranóia.

Crash coloca várias questões, tão actuais: como podemos sentir "os outros" sem, ao mesmo tempo, colidirmos? Quão fatal será a fronteira entre a inocência e o medo? Será a culpa um instrumento de ódio ou de redenção?

Numa altura em que muitos realizadores nos EUA se debruçam sobre a sua história e os seus ícones, tentando (re)encontrar nos grandes temas a estrutura moral americana (Munich e Good Night and Good Luck são disso bons exemplos) Haggis terá voltado a um tema antigo e, talvez por isso, mais arriscado: as questões raciais.

Concebido como uma espiral, numa montagem que faz lembrar "Shortcuts"/Robert Altman ou "Magnólia"/Thomas Anderson, Crash parte de um crime (ao qual voltamos sempre), desenvolvendo a partir daí toda uma série de acontecimentos em que várias personagens de diferentes raças e classes sociais, inevitavemente, chocam.

Sem querer revelar os meandros da história, correndo o risco de a expor demasiado, interessa aqui falar sobre aquilo em que Crash se diferencia de tantos outros filmes que abordam os conflitos raciais e a violência nas grandes cidades.

Ao contrário de exemplos como "Do the Right Thing"/Spike Lee (1989), "Safe"/Todd Haynes (1995) ou os mais recentes "Training Day"/Antoine Fuqua (2001) e "25th Hour/Spike Lee (2002), todos eles ensaios brilhantes de uma realidade no fio da navalha, neste filme a violência-limite encontra o seu antídoto. Mas isso não faz de Crash menos realista e amargo do que os restantes.

Não. Crash está bem longe de ser politicamente correcto. Utilizando o choque racial como parábola (em que 5 línguas coexistem), o filme coloca-nos no "olho da serpente". Durante 24 horas na cidade de Los Angeles, um realizador de TV bem sucedido, uma dona de casa burguesa, um polícia veterano, um comerciante Persa, dois assaltantes cabotinos, todos eles se vão encontrar e todos eles acabam por colidir em confrontos moralmente difusos, forçando-nos a tomar partido.

Mas o brilhantismo de Crash reside na forma como Paul Haggis monta a estrutura narrativa. Como cirurgicamente

cada um destes personagens, no auge da sua espiral emotiva, acredita, desacreditando. E tem (terá?) o seu momento de redenção.

A verdade, essa, permanece crua: ninguém é inocente. E a vida, afinal, continua.

Se se quiserem redimir, já sabem.Têm aqui uma bela oportunidade.



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MEUS CRÉDITOS FINAIS:

REALIZAÇÃO
Paul Haggis (n.1953, Ontario-Canadá) estreia-se em Crash, mas está longe de ser um desconhecido.Vencedor de dois Emmys, escreveu o argumento de "Million Dollar Baby" (adaptando o romance homónimo de F.X. Toole)pelo qual foi nomeado para Óscar. Antes de fazer a transição da televisão para o cinema (em 2000), deixou um legado visionário com várias séries, das quais se destaca EZ Streets (1996) aclamada pelo NY Timescomo uma das mais influentes de sempre e que muitos consideram a verdadeira precursora de Sopranos. Haggis já está a trabalhar no seu próximo filme "Honeymoon with Harry", com estreia para o Verão de 2006 e escreveu o argumento do próximo filme de Clint Eastwood "Flags of our Fathers", sobre a II Guerra Mundial. Estão previstas colaborações futuras com Steven Spielberg. Na noite dos Óscares poderá ser o grande Outsider.

ELENCO
Poderosíssimo. Um dos melhores e mais consistentes a que tenho assistido nos últimos tempos. A concepção narrativa que Paul Haggis impõe no filme, com a premissa de que "ninguém é melhor que ninguém", perpassa na perfeição para a direcção de actores. Onde nem mesmo as estrelas Sandra Bullocks, Matt Dillon ou Don Cheaddle (co-produto) produção). Grande destaque para Terrence Howard (Cameron), nomeado para óscar de melhor actor em “Hustle and Flow, de John Singleton e recentemente aclamado pela Entertainment Weekly como o novo “Indie Film King”.

MINHA CLASSIFICAÇÃO: ****

Não é uma obra prima, mas torna-se indispensável.

Luís Pedro Martins
2006.03.04.


rui_esperanca@hotmail.com
Colisão
*****
“Crash” de Paul Haggis com Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Jennifer Esposito, Brendan Fraser, Thandie Newton e Ryan Phillipe

Los Angeles, enorme cidade dos EUA onde tem lugar esta bela, fascinante história, uma história sobre a complexidade humana e emocional face a certos acontecimentos extremamente perturbantes de racismo… Eis Colisão.
Do fantástico contador de histórias Paul Haggis (escritor de filmes como Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos, de Clint Eastwood) chega-nos uma linda história sobre ódio, mal-entendidos, amor e azar, uma série de histórias levemente inter-ligadas num retrato geral de uma cidade, isto não soa a nada de novo (Pulp Fiction, Magnolia), assim surge a pergunta: o que Colisão tem de especial?! É simples, este filme é tudo menos uma cópia ou imitação e tem um tema em especial, que felizmente não é tratado obcecadamente: o racismo e xenofobia, conhece alguém racista, leve-o a ver este filme, faça-o pensar sobre os seus preconceitos e ignorância.
Um elenco de estrelas (destacando-se as interpretações de Thandie Newton, Don Cheadle mas principalmente Matt Dillon), uma grande banda-sonora (o tema “In The Deep” é lindo), um argumento sólido repleto de emoções, uma excelente evolução das personagens (principalmente Matt Dillon e Thandie Newton), mas principalmente, um óptimo realizador: paul Haggis, tudo isto são os componentes do definitivamente o melhor filme de 2005: Colisão.
As nomeações de melhor actor secundário (exactamente, Matt Dillon) melhor argumento original (claro), melhor tema musical original e melhor filme e realização são obviamente bem merecidas e, espero eu, ganhas.


gonn1000@hotmail.com
O STRESS E A CIDADE

Embora tenha já uma considerável experiência enquanto argumentista, produtor e realizador televisivo, Paul Haggis só adquiriu maior visibilidade através da escrita do argumento de "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos", o muito aclamado (e sobrevalorizado) filme e Clint Eastwood.

Os trabalhos anteriores de Haggis, no entanto, nem sempre foram alvo de elogios - a sua colaboração na série televisiva "Walker: o Ranger do Texas" não é propriamente um sinal de credibilidade -, por isso era difícil prever se "Colisão" (Crash), a sua estreia na realização de longas-metragens, seria uma obra inspirada ou um desfile de clichés.

Felizmente, o filme não só é convincente como figura, desde já, entre os títulos cinematográficos fulcrais de 2005.
Explorando as interligações de uma extensa galeria de personagens situadas em Los Angeles, "Colisão" é um forte e sensível olhar sobre as vicissitudes das relações humanas e o que nos separa e aproxima uns dos outros.

Abordando com especial ênfase a temática da xenofobia, o filme aposta num elenco multicultural para evidenciar o melting pot de um ambiente urbano onde o ritmo do dia-a-dia é cada vez mais inquietante e acelerado, reflectindo-se nas (progressivamente conturbadas) relações pessoais.

Haggins envereda por um retrato complexo e abrangente, evitando caracterizações simplistas e mensagens edificantes e moralistas, concedendo ambiguidade às personagens sem nunca as julgar nem as tratar como símbolos de uma qualquer etnia ou ideologia.

A soberba direcção de actores é decisiva para que a densidade dramática do filme resulte, e nesse sentido "Colisão" oferece um dos elencos mais coesos do ano.
Entre estrelas mediáticas como Sandra Bullock (num dos seus papéis mais interessantes), Matt Dillon (que encarna aqui um intrigante polícia), Brendan Fraser (que mais uma vez comprova ser um actor a ter em conta) ou Don Cheadle (seguro como sempre), passando por nomes promissores como Ryan Phillipe (encarnando um jovem que aprende a não ver o mundo a preto-e-branco) ou Larenz Tate e o cantor Ludacris (numa dupla de delinquentes), o filme contém uma série de presenças que compõem personagens credíveis e absorventes.

Se o contributo dos actores é um dos pontos fortes de "Colisão", este nem sempre é bem aproveitado, uma vez que há algumas personagens cujo potencial fica algo inexplorado. Haggis poderia, por isso, ter estendido um pouco mais a duração do filme, de forma a que o desenvolvimento das personagens fosse ainda mais conseguido.

Apesar dessa pequena limitação, esta é ainda uma obra bem acima da média, atestando o talento de Haggis não só na criação de argumentos mas também na realização. Apresentando uma sólida gestão do ritmo, com uma eficaz interligação dos múltiplos episódios de um quotidiano em ebulição, o realizador proporciona ainda uma envolvente energia visual, pois a sua perspectiva de uma LA nocturna é tão entusiasmante como a que Michael Mann efectua em "Colateral" (com uma banda-sonora e fotografia notáveis).

Partindo de um início não muito original - um acidente de viação que serve de ponto de partida para que as personagens se entrecruzem, algo que "Amor Cão", de Alejandro Gonzalez Iñarritu, ou "Crash", de David Cronenberg já desenvolveram -, "Colisão" torna-se numa película surpreendente, cativando devido à combinação de vinhetas geralmente cruas e realistas que conseguem despoletar momentos de um intenso impacto emocional sem recorrerem a fórmulas melodramáticas e rodriguinhos fáceis.

Duro mas também emotivo, "Colisão" é um brilhante filme-mosaico, uma equilibrada estreia na realização de um cineasta/argumentista que se distingue aqui como um dos nomes mais promissores do actual cinema norte-americano. Se desse mais tempo e espaço para as suas personagens se revelarem na sua plenitude, "Colisão" poderia ascender ao estatuto de obra-prima. Assim, é "apenas" muito bom, e um dos títulos obrigatórios de 2005. Imperdível.

Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com


paulofigueiredo69@hotmail.com
Parece que este Paul Haggis tem um dom para grandes histórias. Colisão é um filme lindo e brutal, de uma sensibilidade fora do comum onde as relações humanas são levadas ao extremo, onde o milagre é para uns uma utopia e para outros a resposta a uma prece. Onde as aparências por vezes iludem e por vezes revelam o verdadeiro ser dentro de nós.

Inspirador e portentoso

Eu sei que não devia aplicar tantos adjectivos mas o coração nestes casos fala mais alto!


mad_cris@hotmail.com
Apesar dos comentários abundarem, só um, o do Ricardo Esteves aborda a questão mais ampla que, a meu ver o filme transmite. Porque este filme é muito mais do que um filme sobre racismo. É também sobre o Bem e o Mal. Os Bons e os Maus. E nisso eu, ao contrario de muitas opiniões, considero ser extremamente actual. Esta questão faz parte do discurso do Presidente Norte-Americano, mas também da sociedade ocidental que tenta legitimar muitas atitudes com os bons e os maus. Como se o mundo fosse a preto e branco. E esta é para mim a grande questão do filme. O mundo não é a preto e branco, tal como as pessoas não o são. O nosso comportamento a cada momento depende muito das circunstâncias, internas e externas, e também do outro na relação connosco.

E precisamente por termos a capacidade de agir a diversas cores, é que tudo, não dependendo só de nós, depende quase só de nós próprios.

Um dos melhores filmes que vi!


paulojrpires@hotmail.com
adoro isto falar de cinema de primeira. ao ver este filme fica a sensaçoa de que o mundo esta perdido mas nao antes pelo contrario ha mts hipoteses de fazer dele um paraiso. é uma delicia a historia e um prazer para os nossos olhos ver o decorrer das cenas umas atras das outras.podemos ver como se fosse uma critica social a sociedade americana(e na realidae é) mas eu prefiro encarar como uma realidade selvatica que faz de nos um atento espectador. filme para ver e recordar que é possivel nos sorprndermos com o cinema americano


   
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Obrigado.

CINEMA2000


tattoodevil77@hotmail.com
"You think you know yourself? You have no idea!!"
Grande filme.
Deixem-me só aqui dizer que se Haggis merece largos elogios, não é certamente por Million Dollar Baby, que a meu vêr não mereceu nenhum dos prémios que arrecadou. Perdão: Morgan Freedman sim, mereceu. Aliás acho que ele segura o filme, que é pobre, muito pobre mesmo. A promoção eficaz sim, merecia um oscar.
Argumento rico, cheio de personagens fortes e presentes, etc.
Actores que me surpreenderam. Todos eles, excepto Don Cheadle que é já uma figura bastante segura.
Talvez seja o grande mérito de Crash: estes actores foram excepcionalmente dirigidos. Nunca pensei elogiar uma Sandra Bullock e muito menos Brendan Fraser... e ainda Matt Dillon. Em especial este ultimo, que tem aqui talvez um novo folego para uma carreira em pausa merecida...
O filme em minha opinião mostra que todos nós somos preconceituosos. Sem excepção. E assusta.
Acusa brancos, aponta aos afro-americanos, etc. E consegue o que poucos filmes conseguem: tratar destes assuntos sem que o espectador saia da sala zangado com alguma entidade, etnia, etc. E fá-lo sem cair em choraminguices nem lugares-comum. E isso sim, é obra...
Provocou uma colisão entre o que eu julgava pensar, e que na realidade, afinal, sinto.
"You think you know yourself? You have no idea!!"-nunca uma frase defeniu tão bem um filme...
Para mim é o filme do ano... e não prevejo um resto de ano nada surpreendente.
E é sempre bom confirmar, quanto mais não seja para mim mesmo, que um optimo filme, quase nunca é filme de oscars. Hoje, nos tempos que correm não o é há uns bons e largos anos...


davidmariano@gmx.net

“Crash” de Paul Haggis
CRASH TEST DUMMIES

Este “Crash” de Paul Haggis, primeiro que tudo, tem no título uma ressonância quase magnética com o perturbante filme de Cronenberg, onde aí sim, víamos uns valentes acidentes capazes de nos pôr o estômago às voltas (aliás, em comparação, os choques que por aqui vemos não passam de meninices), semelhança que, diga-se de passagem, não vai mais além do que isso. Mas enfim, para os pouco impressionáveis o filme de Haggis tem outras qualidades, e não são serão assim tão poucas, capazes de colocar esta obra de estreia do argumentista de “Million Dollar Baby” como uma das boas descobertas do ano. Na verdade, não se torna exagero nem desapropriado descrever “Crash” como uma espécie de cruzamento feliz entre dois outros filmes que tinham o tema da encruzilhada entre várias personagens como palavra de ordem: “Magnolia” de P.T. Anderson, a mais óbvia e directa referência que nos surge verificar, e “Amor Cão” do mexicano Iñarritu.

Desse modo, “Crash” representa uma variação racial dos filmes acima mencionados, suscitando na diversidade do sonho americano, ou nas réstias e vísceras deste, uma consciência redentora a que não será igualmente alheia a herança do pós-11 de Setembro – na realidade o desenrolar das várias colisões que ocorrem como motor dos preconceitos sociais e de sentidos de discriminação são um bom símbolo da dita teoria de “choque de civilizações” que hoje vivemos. Paul Haggis celebra assim, e numa visão que poderíamos afiançar como mitológica, o lugar da América no mundo partindo exactamente da oposição que estabelece o mundo dentro dela.

Tem ainda um elenco vasto onde, para espanto de muitos, consegue pôr em boa linha, e fora dos estereótipos inflexíveis que as suas carreiras nos foram habituando, nomes como Sandra Bullock ou Brendan Fraser, para não falar numa actuação praticamente irrepreensível do ‘rapper’ Ludacris, e claro, de um Matt Dillon como há muito não víamos. E só por isso vale a pena.

Talvez o seu grande, e fatal, desvio seja o de cair demasiadamente na aura solene e contemplativa que já havíamos observado no final bíblico de “Magnolia”, pequeno roubo de que dificilmente, e alguma vez, será absolvido. Da minha parte, não vejo tão enorme problema em roubar a P.T. Anderson; esse é sempre um ilustre pecado que pouco me custa a perdoar.

David Mariano


jorge_lestre_30@hotmail.com
Colisão...um filme possível?! (Quem sabe...)

De facto Paul Haggis já nos mostrou o enorme talento que tem para os argumentos, desta feita com Million Dollar Baby a multi-premiada mais recente película de Clint Eastwood. Colisão mistura um grupo de pessoas totalmente distintas umas das outras. Unem-se por meras coisas como um acidente ou um roubo. É assim mesmo...à velocidade da vida as pessoas destinam-se a colidirem. A não perder.

O Melhor: As interpretações e o brilhante argumento.

O Pior: A Duração.


   
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CINEMA2000


laurenbaccal@hotmail.com
"Crash" é um filme frontal. Cinema de representação, cinema de emoção. Mas, e essencialmente, é uma crítica dura ao racismo. Uma demonstração de que temos preconceitos escondidos e mascarados. Humanamente mascarados. Mas ainda é mais que isso. Muito mais que isso. É uma história sobre a humindade de qualquer um de nós. Sobre a complexidade.
Um testemunho fictício sobre a monstruosidade que pode vir à tona, assim sem mais nem menos, quando embatemos com o absurdo da vida. É sobre as milhares e milhares de respostas possíveis que poderemos ter quando embatemos contra a sua crueldade
.
Sim, tem parecenças com "Magnólia", sem dúvida. Acentam ambos no mesmo género de narrativa, de maneira de contar a história. Mas tem personalidade própria.


jorge_lestre_30@hotmail.com
Um filme feito de coicidências? Talvez...é de louvar que existam filmes cujo argumento seja o mais original e credivel possível...num mundo de intriga, falsidade e mesquice...as personagens deste filme ligam-se de forma a formarem um circulo.

O Melhor: Os actores em especial Michael Peña. O espectacular argumento e realização.

O Pior: um pouco de incompreensão no início.


luismiguelmoura@netcabo.pt
O Canadiano Paul Haggis era praticamente um ilustre desconhecido até finais de 2004, altura em que estreou o fabuluso Million Dollar Baby, do qual foi co-argumentista. No entanto, conta já com uma extensa e bem sucedida carreira como argumentista para televisão, tendo recebido inúmeros prémios, entre eles dois grammys. Mas desconfio que nunca ganhou nenhum prémio pela série que criou em 1993, e que podemos (re)ver madrugada dentro na sic. Falo de Walker, Texas Ranger. Custa a acreditar, mas é verdade. Haggis é um dos criadores desse inenarrável produto televisivo. Mas não se preocupem, porque o próprio diz que apenas o fez porque nunca pensou que a série fosse exibida. Aliás, a vontade de esquecer este devaneio (ainda que tenha sido um sucesso e tivesse durado uns inacreditáveis oito anos) foi umas das razões que o levaram a deixar de lado a televisão para se dedicar ao cinema. E nós só temos que agradecer.
Crash. O título em Português poderia ser Vidas Cruzadas, porque Haggis elabora uma teia de acontecimentos marcantes entre oito pessoas que, à partida, não têm nada em comum. Nada, excepto o facto de estarem todas sujeitas às rasteiras que a vida prega, e às vicissitudes inerentes à mesma. É isso que liga as personagens de Crash, e é isso que Haggis filma com mestria: a vida e as suas histórias. Daí que não seja fácil dizer qual o tema ou a questão central do filme, porque simplesmente não existe. Racismo, corrupção, manobras políticas, criminalidade… No fundo, um retrato de uma certa realidade que ultrapassa os limites geográficos da cidade de Los Angeles e que se instala, de forma desconcertante e incómoda, um pouco por toda a parte, independentemente do país, cidade ou continente.
Crash é, acima de tudo, um complexo exercício de escrita, acompanhado por uma realização sóbria, mas também crua e despida de artifícios. E depois temos o elenco. Soberbo na sua fusão entre estrelas de renome (como Sandra Bullock), actores que não são necessariamente estrelas, mas têm talento para dar e vender (Don Cheadle), e outros que ficam a meio do patamar, como Ryan Phillippe ou Brendan Fraser. O melhor de tudo é ver como o elenco funciona através da sua própria anulação. Quero dizer, em Crash não existem estrelas ou principiantes, mas sim actores e actrizes, que independentemente de todos os êxitos em que tenham entrado, deixam de parte o rótulo de produto de marketing para fazerem aquilo que realmente devem fazer. E ainda bem que existem filmes como este, pois só assim podemos ver uma Sandra Bullock despida dos seus habituais clichés, e perceber que afinal existe muito talento por descobrir nesta actriz (pessoalmente, sempre achei que Bullock tinha mais para dar do que aquilo que mostrava a maior parte das vezes).
Crash é o filme independente de 2004 – embora só tenha estreado este ano entre nós – e certamente um dos melhores do nosso, até agora relativamente pobre, ano cinematográfico.


Luis Moura
www.matine.blogspot.com


marta.veloso@netcabo.pt
A primeira surpresa em relação a este filme é o conjunto de estrelas mais ou menos cintilantes que compõem o elenco. Esta junção de actores de créditos firmados, como Don Cheadle, com outros de capacidades algo duvidosas (Sandra Bullock, Brendan Fraser) deixava antever um filme, sem dúvida, com boas intenções mas que acabaria por pecar na parte da interpretação. No entanto, qualquer dúvida pré-existente é completamente dissipada assim que nos deixamos levar pela qualidade do argumento, expressa tanto nos diálogos como nas imagens.

Para passar a mensagem que se pretendia, a cidade de L.A. é essencial devido às suas características cosmopolitas que fazem dela um verdadeiro barril de pólvora no que respeita às questões raciais. Com as diferenças sociais existentes, de um lado as estrelas de cinema, com as suas casas luxuosas em Beverly Hills, e do outro os imigrantes que partiram em busca do sonho americano mas que ainda esperam pela sua oportunidade em bairros degradados, a situação torna-se ainda mais explosiva.

Paul Haggis, o argumentista de Million Dollar Baby, consegue arrancar do espectador um sentimento misto de perplexidade e de reconhecimento de situações reais. É muito fácil dizer que não se é racista, mas serão muito poucos aqueles que se poderão gabar de nunca ter reagido como qualquer uma das personagens a uma situação semelhante àquelas com que Crash nos confronta. E é essa consciencialização que Haggis procura com o seu filme. Crash não é uma lição de moral mas uma tentativa de admissão da nossa parte de culpa neste conflito racial intrínseco às nossas sociedades. Porque todos já fomos cúmplices numa ou outra demonstração de racismo, nem que seja quando um amigo se dirige a outra raça com termos racistas e nós nos calamos, todos temos responsabilidade na sociedade que está a ser criada, uma sociedade compartimentalizada, onde cada vez é maior o fluxo migratório e cada vez menor o entendimento entre as comunidades.

Com um elenco tão eclético e, de certa forma, improvável para um filme deste género, seria de esperar que alguns comprometessem, mas a falta de um protagonismo evidente ajuda a fazer esquecer os intérpretes em si e concentra-nos nas personagens, construídas com base num realismo extremo que nos faz reconhecer as suas histórias como a história do nosso vizinho, de um colega de trabalho, ou de alguém com quem nos cruzamos diariamente nos transportes.

Um verdadeiro murro no estômago de uma sociedade que tenta fechar os olhos às questões diante de uma realidade demasiado evidente e que para a qual só se acorda em situações extraordinárias em que a convivência se torna impossível, algo que acontece com cada vez mais frequência.

Marta Veloso
www.matine.blogspot.com


jomisilva@netcabo.pt
Um dos grandes filmes do ano, «Colisão» tem o mérito de urdir uma teia dramática poderosa que nos envolve e contagia com o seu tom de diagnóstico da alma humana. É antes de tudo um grande argumento (da autoria do realizador, que também escreveu o belíssimo «Million Dollar Baby»), potenciado pela eficaz realização, muito boa direcção de actores e banda-sonora que lhe acentua o tom elegíaco. Começa por parecer um estudo sobre o racismo (e esse é o seu tema transversal), mas quando a história avança vemos que o filme o transcende para criar um quadro bem mais panorâmico. Um dos aspectos fantásticos do filme é que nunca reduz as personagens a uma dimensão: elas são sempre complexas, seres que se confrontam consigo próprios, com as suas crenças, com os outros e com as situações com que se deparam. Genial é a forma como se prova que um agressor pode ter a oportunidade de salvar a sua vítima noutro contexto e, com isso, atingir a redenção; ou como alguém que se reconhece na tolerância seja levado ao assassínio pelo seu insuspeito preconceito. Numa história cheia de sequências de grande emotividade, destaca-se a forma exemplar como nos é mostrado que a vida é (também) feita de grandes coincidências (as balas de pólvora seca são um achado) e pequenos pormenores.
Os actores encaixam-se de forma exímia nas suas personagens, que não têm aqui a importância hierárquica tradicional (não há verdadeiros protagonistas nem verdadeiros secundários), embora me apeteça destacar Matt Dillon numa presença tão forte como já não havia memória.
Ao nível da estrutura e do sentimento, embora isso não seja necessariamente um defeito, nota-se uma semelhança enorme entre «Colisão» e «Magnólia», ainda por cima exponenciada por uma banda-sonora que remete automaticamente para Aimee Mann. Contudo, há outra referência que é «Traffic», de Soderbergh, na forma como um cruzamento de histórias vai pintando um quadro geral sobre um problema (neste caso, o racismo; no outro, a droga), incrustando-o bem no interior da condição humana, a salvo de demagogias. Afinal, só pode dizer que não possui uma réstia de racismo quem não é humano. Por outras palavras, errar é humano. E é isso que é (ou pode ser) fatal.

Jorge Silva
avidanaoeumsonho.blogspot.com


deranged@iol.pt
“Crash”, de Paul Haggis

Certa noite, Graham (Don Cheadle), um detective a caminho de um local de crime, observa a sua companheira e amante latina, Ria (Jennifer Esposito), discutindo com uma mulher asiática que acabou de embater na sua viatura. À medida que insultos raciais crepitam, Graham constata que em Los Angeles as pessoas não se tocam… colidem (crash).

Paul Haggis estreia-se na realização depois da aclamação recebida pelo seu argumento para “Million Dollar Baby” de Clint Eastwood.
“Crash” (não confundir com o homónimo de David Cronenberg) é um drama eloquente, enternecedor, inteligente, inspirador. Classificá-lo como filme racial é uma análise superficial. Não é um simples filme sobre raças, mas também sobre a condição humana, raiva e redenção. Expõe a desconfiança racial gerada pelo 11 de Setembro, mas também funciona como reflexão emocional e apresenta esperança após a ruína anímica.

À medida que as personagens vagueiam numa densa área cinzenta, entre o preto e o branco, a intolerância e a compreensão, subitamente surge o próximo momento de tensão, escondido ao dobrar a esquina.

Paul Haggis utiliza uma estrutura e premissa similar ao sublime “Magnolia” de Paul Thomas Anderson, “Grand Canyon” de Lawrence Kasdan, “Short Cuts” e “Nashville” de Robert Altman e “Thirteen Conversations About One Thing” de Jill Sprecher.
As múltiplas histórias gravitando em torno de diversas etnias, recordam igualmente “Traffic”, de Steven Soderbergh.

Haggis alude que graças ao turbulento quotidiano, pessoas aparentemente sadias comportar-se-ão como lunáticas, principalmente quando o racismo, a xenofobia e os insultos manifestam-se em porções superiores à benevolência e generosidade humanas. Ele assusta surpreendendo plateias com personagens credíveis, que nos levam a reconhecer que as nossas expectativas estão assentes em estereótipos.

Apesar de todas as histórias não suportarem um peso idêntico, é de louvar o facto das personagens não serem exibidas como meros santos ou pecadores. O elenco é soberbo e as interpretações formidáveis. Sandra Bullock (Jean Cabot) representa uma insípida mulher, que não aprecia o que tem. É a antítese da sua figura lindinha e querida em Hollywood. A fúria de Thandie Newton (Christine) é arrepiante, Loretta Devine (Shaniqua Johnson) oferece pitadas de humor, Larenz Tate (Peter) e o músico Ludacris (Anthony) ostentam uma maravilhosa química, mas as superiores representações pertencem a Matt Dillon (Ryan) e Don Chedle (Graham Waters). Dillon sustenta uma personagem complexa e é soberbo ao misturar reacções díspares. Cheadle tem um papel algo restrito, mas os seus olhos reflectem cabalmente dor e indignação.

“Crash” gera um intenso fascínio. Algumas cenas são enérgicas, poderosíssimas e Haggis exibe algum domínio no storytelling visual, mas “Crash” está longe de ser sublime. As lições por vezes são óbvias e algumas cenas são perceptivelmente exageradas. Por vezes parece que estamos perante a visualização de uma telenovela, talvez graças às várias temporadas que Haggis passou como escritor/produtor televisivo (“Walker, Texas Ranger”).

“Crash” confronta-nos com inúmeras questões, mas não oferece as respectivas respostas. As nossas reflexões deverão colidir e alcançar um entendimento.
O filme procura intersectar várias histórias e como resultado desenvolve menos as personagens e deixa muitos laços por atar. Falta-lhe um pulso firme para ajustar as histórias, falta-lhe balanço e simetria… falta-lhe sensibilidade cinematográfica. A tapeçaria de contos intersectados carece da solidez e consistência de um Paul Thomas Anderson. A película representa uma agradável lufada neste Verão cinematográfico, mas a certa altura tentativas forçadas de manipulação de emoções colidem com clichés banais.
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Francisco Mendes
pasmosfiltrados.blogspot.com


balves2k@hotmail.com
Talvez o mais interessante em "Crash", do veterano Paul Haggis, nem seja tanto a questão da tensão racial - tema que é apresentado com a subtileza de um bulldozer. O mais interessante, pelo menos para este espectador português, é a corrente de violência que permeia todas as grandes cidades americanas. Essa permanente tensão que, quando combinada com os preconceitos raciais comuns a muitas outras cidades do globo, se torna incrivelmente explosiva.
Este foi, para mim, o ponto mais interessante e saliente de “Crash”: o facto de quase todas estas personagens, independentemente da sua etnia, andarem armadas e não hesitarem em usá-las ao mínimo sinal de conflito. Claro que a violência e a América são praticamente sinónimos, e a sua relação, em termos históricos, é tão próxima que o direito ao porte de arma é, para muitos americanos, quase sagrado.
Mas não deixa de chocar ao ver a mistura explosiva que este instinto “histórico” tem quando combinado com a sensível questão das lutas raciais. E isto é, na minha opinião, o melhor que o filme de Paul Haggis tem.
Quanto ao resto, a questão avizinha-se, infelizmente, mais difícil. E é difícil porque se percebe, facilmente, que o filme foi feito com a melhor das intenções, apesar de, manifestamente, não resultar muito bem.
Haggis utiliza uma estrutura em vinhetas muito semelhante a filmes como Magnólia, ou 21 Gramas. Mas enquanto que estes filmes contavam estórias e apresentavam personagens algo individualizadas, “Crash” é, na sua essência, uma alegoria.
E como tal, sofre de todos os problemas (embora apresente toda a potência dramática) do género. O que isto significa é que o espectador que a) gostar de subtileza e b) gostar de personagens que não são meros estereótipos é capaz de ter alguns problemas com este filme.
Para ser justo, Haggis introduz algumas ideias imaginativas para se furtar um pouco ao tratamento normal dos clichés do género. Mas no final, continuam a ser muitos os clichés que pelo filme pululam.
E depois há a questão do “timing”. Se este filme tivesse saído em 1992, aquando das lutas raciais em Los Angeles, era capaz de ter tido uma ressonância enorme.
Mas em 2005, numa altura em que as maiores tensões são civilizacionais - numa altura em que atentados terroristas como o de Londres ferem não só britânicos, mas todas as outras etnias que habitam nas grandes cidades - tratar a questão da tensão racial em termos tão simplistas sabe, francamente, a pouco.

Bruno Alves


the_everl@hotmail.com
Officer Hanson (Ryan Phillippe): “What are you laughing at?”
Peter Waters (Larenz Tate): “People.”

As palavras podem não ser exactamente estas, mas é qualquer coisa assim e a ideia percebe-se (ou já está percebida) a esta altura do filme. Porque Paul Haggis, que vem da televisão, e este seu “Crash” têm a clara intenção de retratar uma Los Angeles corrompida pela xenofobia, resultante, é claro, do que pior as pessoas (essas que Peter refere) são capazes.

O conteúdo e a mensagem são fortíssimos. No entanto, não nos sai da cabeça que tal material seria, nas mãos de um tarefeiro qualquer, transformado num produto simplista e gratuito. Ajuda a perceber a genialidade de “Crash” termos em conta que, para além de realizar, Haggis também escreve o argumento (aliás, é como argumentista que tem vindo a dar cartas). No produto final nota-se essa dupla tarefa, pois o filme é mais do que sólido, é excelente na forma como está estruturado numa narrativa de acções paralelas que vão ter centro na colisão do título.

Ao longo do filme somos confrontados com personagens de todas as classes e de todas as etnias que se vão relacionar de uma forma ou de outra dentro da estrutura que já referimos. Estamos longe, muito longe, dos “clichés” que acostumam aparecer nas abordagens inter-raciais e nos problemas e tensões que tais relações costumam acarretar. Mesmo que umas personagens não sejam tão exploradas, pois o filme até pedia mais minutos (não teve a coragem de “Magnólia” (1999), ainda a obra máxima neste tipo de estrutura), há casos de inspiração como são os casos do serralheiro e a sua relação com a filha, a personagem de Ryan Phillippe (como ainda não tínhamos visto) e a personagem do excelente Matt Dillon. Esta última protagoniza, a par com a cena do disparo do iraniano, a cena mais tensa do filme, muito bem construída pelo realizador, num salvamento em que o sentimento de ambiguidade demora a largar-nos. Destaque ainda para o cada vez maior Don Cheadle.

Mesmo precisando de limar uma aresta aqui e ali como nos casos das dispensáveis canções do final (volta a não ser “Magnólia” e a sua Aimee Mann) e a já referida pouca coragem em prolongar o filme, não deixa de ser uma obra muito inteligente e fundamental, tendo em conta o nosso mundo contemporâneo. Depois do argumento da obra-prima que é “Million Dollar Baby”, o argumento e realização desta obra-prima que se chama “Crash” – muito dificilmente Paul Haggis não será o nome de 2005.

Obra-prima

Daniel Pereira
10-07-05
www.escrevercinema.blogspot.com


mabsinto@aeiou.pt
Paul Haggis, argumentista nomeado a um Oscar, por "Million Dollar Baby" apresenta-nos agora uma obra que nos agarra pelos colarinhos, nos prmeiros minutos, e que na segunda metade, nos esmaga numa tremenda "colisão" de sentimentos.

Se "Million Dollar Baby" é um dos grandes filmes deste ano, "Crash" em pouco ou mesmo nada fica a perder. É uma obra crua, fria e muito violenta, tal como havia sido a história realizada por Clint Eastwood.

"Crash" debruça-se sobre as questões raciais, sobre o choque de culturas de mentalidades e de cores, nas escuras ruas de Los Angeles.
Sem nunca tomar uma clara posição entre os bons e os maus, Paul Haggis tem o seu grande mérito no facto de filmar pessoas, não simples corpos falantes, mas sim pessoas, personagens credivéis, reacções, emoções e acima de tudo, comportamentos com os quais temos contacto no dia a dia, mas com o acento provocado pela câmara de Haggis e a força imprimida pela musica.

A fotografia, embora não perfeita, tem um papel dramático importantissimo, cores saturadas, imagem carregada de sujidade e grão e por vezes uma sobre-exposição, criam uma ambiência muito negra.

Mas de que vive afinal este "Crash", da realização? Dos actores? Do argumento? Penso que acima de tudo o mérito de Paul Haggis será o maravilhoso argumento, toda a estruturação da sua narrativa, acente em diversas linhas narrativas que acabam por colidir umas com as outras. Argumento esse que tem o poder de facilitar a realização e acima de tudo a compreensão da audiência, vários são os momentos em que a narração é feita apenas pela imagem, sem que exista qualquer necessidade de diálogos ou de narrador. Para além da fabulosa utilização que Haggis faz do suspense, constantemente criando situações de enorme carga emocional e fugindo a clichés provoca a surpresa a quem o vê. Haggis não esconde nada do publico, também naõ mostra tudo, mas sugere muito.

Os actores, muitos têm falado em Don Cheadle, Sandra Bullock e Matt Dillon, e é bem verdade que todos os elogios são merecidos. Se no caso de Don Cheadle e Matt Dillon a surpresa não foi muita, pois são actores com as suas provas dadas, a grande surpresa foi mesmo Sandra Bullock e sem qualquer sombra de dúvidas o desconhecido Michael Pena, que nos transporta do momento mais tornurento de uma relação pai-filha, para um dos momentos mais deamáticos e comoventes dos ultimos anos. Não deixo sem referir que todo o elenco é eficiente desde a lindíssima Thandie Newton até ao "hip-hopper" Ludacris ou mesmo Ryan Phillippe num registo de contenção e ingenuidade.

"Crash" será um filme do qual muito se poderá falar, muito se poderá contar, mas que deverá ser visto o revisto, de preferência numa sala de cinema.
Uma história de redenção? Uma história de confrontos étnicos? Uma história de ódios? Uma história de pessoas? "Crash" será uma história de vida, da vida em geral, que aterrorizará todos aqueles que pensam na América como uma terra de sonhos e de igualdades, uma história que vinca claramente relações, uma história que claramente marca todo este ano cinematográfico.

Não será nenhuma surpresa se "Crash" receber no mínimo uma nomeação para os próximos prémios da Academia.

MANUEL BARROS
http://rollcamera.blogspot.com


paulo_ferrero@hotmail.com
Nos tempos que correm, de tensão crescente (de panelas de pressão prestes a explodir, como alguém diria), sabe bem ver um filme como «Crash», a meter o dedo na ferida.

Claramente sem pretensões de «case study», o certo é que este filme de Paul Haggis é todo ele um bom tema de conversa para o pós-filme. Isto é, trata-se de um daqueles filmes que quase já não se fazem, e que regressaram ao nosso convívio muito por força do cinema de alguns jovens iluminados, a começar por Paul T.Anderson, a quem, aliás, este «Crash» vai beber muita da sua qualidade (basta ver a relação entre as personagens que se vai fechando em rede, por exemplo, ou a forma de filmar).

Chega a ser espantoso como Haggis consegue transmitir um relato das tensões urbano-depressivas do quotidiano do nosso tempo, feitas de falta de afecto, ansiedade, agressividade, racismo latente e extravasado. Eis o que faz ser-se um bom argumentista. E quanto isso é vital para um filme!!

Um belo filme, didáctico, em crescendo dramático (cujo clímax está nas fantásticas sequências da loucura do iraniano disparando contra o serralheiro, e na do salvamento do renegado Matt Dillon), suportado por um conjunto de boas interpretações (grande serenidade a de Don Cheadle) e que faz não desejarmos que esta L.A. chegue até nós, numa praia ou numa estação de caminhos-de-ferro perto de si.

Paulo Ferrero


almeida_rita@sapo.pt
CRASH
de Paul Haggis


É natural a comparação de “Crash” com “Magnolia” (1999), de Paul Thomas Anderson, com as suas trágicas narrativas paralelas e entrelaçadas. Mas ainda que fique atrás deste em termos artísticos, partilha também de um sólido elenco e um tema necessariamente actual – o racismo.

O detective Graham (Cheadle) chega ao cenário de um acidente com a sua colega Ria (Esposito). Mais tarde percebemos que eles também são amantes e, depois de se livrar de um telefonema da mãe com o comentário de mau gosto “Estou a fazer sexo com uma branca”, Graham consegue ainda ofender Ria quanto à sua etnia hispânica.

O polícia Ryan (Dillon), cujo pai se encontra doente e é impedido de marcar uma consulta, despeja as suas frustrações mandando parar e humilhando um casal negro: Cameron (Howard), um realizador de televisão que tem de lidar com o racismo no seu local de trabalho e a sua mulher Christine (Newton), a quem Ryan revista de uma forma sexualmente invasiva, sob o olhar reprovador do seu colega Hanson (Phillippe).

Anthony (Ludacris) e Peter (Tate), dois amigos negros, discutem sobre o estereótipo dos negros como criminosos e a reacção defensiva do casal com que se cruzam: Jean (Bullock) agarra-se automaticamente ao braço do marido Rick (Fraser), procurador público. No minuto seguinte Anthony e Peter assaltam o casal, roubando-lhes o carro, e dando-lhes razão. Jean insiste em mudar todas as fechaduras de casa. Ao reparar que o trabalhador que o faz, Daniel (Pena), é de origem latina exige uma nova substituição.

Daniel é também contratado por Farhad (Toub), iraniano, para consertar a fechadura da porta da sua loja. Daniel avisa-o que o problema é com a porta, mas Farhad ignora-o. Quando a sua loja é roubada, Farhad sabe quem deve culpar.

As interpretações são todas elas bastante fortes, nomeadamente a de Cheadle e a de Dillon. Mas a linha de história mais poderosa é a partilhada por Pena e Toub. O silêncio na sala no momento de clímax é sintomático das reacções emocionais, e por isso físicas, que nos provoca.

Os diálogos, duros e crus, escritos por Haggis e Bobby Moresco dão o ritmo certo a este filme. E a credibilidade, que falta por vezes nas coincidências retratadas, é recuperada nas palavras trocadas.

Haggis é imparcial quanto ao bem e ao mal dentro da cada pessoa e à ambiguidade moral das personagens. Os preconceitos raciais existentes funcionam em todos os sentidos e estão quase todos presentes (fica-se, no entanto, sem perceber exactamente qual o papel dos asiáticos aqui no meio).

Apesar dos acidentes de automóvel que aparecem no filme, a ‘colisão’ do título dá-se entre as pessoas, entre estereótipos, entre os “dois lados da mesma história”. “Crash” não resolve as questões que ele próprio levanta, mas também não nos dá sermões. Deixa a cada um a tarefa de olhar para dentro, para as suas próprias intolerâncias e pré-conceitos.


Rita Almeida
http://cinerama.blogs.sapo.pt/


Liliana
Um olhar para dentro de cada um de nós. Um olhar que vai mais além do que podemos dizer e sentir em determinados momentos. Um olhar que nos mostra que mesmo quando a vida no obriga a ser desconfiados, indiferentes e por vezes até cruéis, há ainda um lugar para amarmos e simplesmente ajudar o próximo. Porque afinal, é isso que conta.


rdgmartins@hotmail.com
A redenção chega ao virar da esquina... mas só para alguns sortudos

Ao contrário do que costumo fazer, não vou escrever um texto longo, em parte porque ando sem muito tempo para escrever, em parte porque desejo fazer minhas as palavras do Nuno Mota, que escreveu o melhor texto sobre o filme, aqui no cinema2000. Simples, mas que diz tudo.

Só nota negativa só para o ar de solenidade do filme perto do final, as canções, e o filme não parecer acabado, com tanta personagem interessante...

Ricardo Daniel Guerreiro Martins
28-06-2005


kaoru@net.sapo.pt
Paul Haggis, como já foi referido, é mais conhecido por ter escrito o argumento para "Million Dollar Baby", no entanto, é também o criador/argumentista de séries tão diferentes como "thirty something", "Family Law" ou "Walker, Texas Ranger". E "Colisão" parece mais um episódio de uma série de televisão do que um filme independente. Vê-se com o mesmo interesse mas falta-lhe profundidade. Tem alguns bons momentos, provavelmente algumas personagens que dariam boas personagens, mas falta-lhe tempo e arte para isso. O filme é interessante mas colapsa sob o peso da enorme ambição (pretensiosismo?).


duarteoliveira@hotmail.com
"Crash" de Paul Haggis

Tinha o feeling que este ia ser um dos grandes filmes do ano, mas estava rotundamente enganado. Afinal não passa de uma banhada descomunal, que se afunda na confrangedora incapacidade de sustentar o seu pseudo-pretensiosismo. E está cheio de intenções nobres, até pelo tema central que premeia a narrativa - a problemática do racismo - mas este "Magnolia Wanna-Be" é uma obra sem um pingo de sensibilidade cinematográfica. Todos os elementos são inseridos a martelo, com os inevitáveis clichés baratos e truques melodramáticos da prache a tomarem lugar de destaque. Personagens de diferentes espectros a esbarrarem num emaranhado de coincidências surreais, condimentadas com manipulação emocional barata e doses extremas de previsibilidade. Houve várias cenas em que não consegui evitar risadas jocosas. E tive pena, muita pena, deste talentoso leque de actores. E a premissa deste artíficio até podia funcionar, com outra abordagem e estrutura, mas Haggis não demonstra talento para estas andanças. O filme fecha-se no próprio vácuo da narrativa, não ficando nada para questionar, nada para digerir e nenhuma mensagem para veicular. O impacto emocional é nulo, porque a encenação dramática tresanda a um odor falso e artificial. Assim, só nos resta olhar para o vazio e contemplar a saída da sala. Brutal desilusão.



   
Apesar de ter achado um bom filme,acho que a duraçao do filme é muito curto para termos realmente familiaridade com as personagens e as suas vidas.É um filme ambicioso,com boas representaçoes,que merece ser visto(dada a quantidade de esterco que se vê nos cinemas) mas que nao é o grande filme que lhe conotam ser.

Antonio Cardoso


pjsilva@iol.pt
Um filme sobre o quotidiano de algumas familias de Los Angels, caracterizada como muitas cidades americanas, pela coexistência de várias étnias e que acabam de se cruzar por diversas formas.
É sem dúvida, para mim, o melhor filme do ano até ao momento. Um filme que apela aos nossos sentidos e aos nossos sentimentos e que releva a forma como cada um vive a vida e aos episódios que nela ocorrem, que a fazem viver de forma diferente.

Paulo Silva


nmdesign@mail.pt
Quem se preocupa com nós! Será que 1 simples desconhecido seria capaz de se preocupar ctg?
Ele te estenderia a mão só por seres uma pessoa?
Ou talvez ele te julgue simplesmente por seres diferente dele?
Nos dias de hoje poucas pessoas se preocupam c/ outras!!!
Eu já falhei mto, imenso talvez!
E tu, já falhaste?
Alias, hoje já falhaste?
Uma coisa te digo, por uma vez na tua vida, só uma, PÁRA E OLHA A TUA VOLTA, verás que existe mta gente que só precisa de um sorriso e de um simples bom dia!!!


Não custa nada, pois não?

Faz isto e talvez um dia alguém o faça contigo, e quem sabe se esse alguém um dia te estenda a mão, só por seres algo que ele também é, uma PESSOA.

Foi isto k aprendi c/ o Filme.

Nuno Mota


r.esteves@oninet.pt
Partindo de pequenas história do quotidiano aparentemente desfraguementadas e sem conexão nenhuma entre si este filme toca-nos e faz-nos pensar no que é a vida humana.

O argumento do filme é excelente e faz-nos realmente ver quem são afinal os "bons" e os "maus" desta vida para podermso concluir que afinal por detrás de todos nós está um ser humano que pensa, sente e age conforme as circunstâncias da vida. Nesse aspecto o percurso das personagens interpretadas por Matt Dilon e Ryan Phillippie é sintomático.
Um filme a ver e rever e aonde as emoções estão à flor da pele e que atire a primeira pedra aquele que não se enternecer com a forma como um actor atenua os medos da sua filhinha.

Ricardo Esteves


fernandojmribeiro@hotmail.com
Aqui está um dos filmes do ano. “Colisão”, de Paul Haggis, o argumentista de “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”, conseguiu realizar uma obra-prima.
Em primeiro lugar, o ponto mais forte do filme é sem duvida o argumento, mas Paul Haggis para juntar na perfeição ao filme, seleccionou ainda um grande elenco, onde se destacam com uma grande interpretação, Don Cheadle, Matt Dillon e Sandra Bullock. Em segundo lugar, o filme consegue envolver bastante o público, pois a história é bastante contagiante e consegue juntar varias realidades, que à partida quase ninguém dá o devido valor mas que é muito importante entender e dar alguma importância para o bem de toda a nossa sociedade.
“Colisão”, é um filme que nos deixa a pensar muito depois de o ver e o tema mais forte que gera um grande impacto perante o publico, é o racismo.
Em termos técnicos, o filme é todo ele ou quase todo, perfeito. Paul Haggis filmou na perfeição todo o filme, a banda sonora é tocante, pois é realmente muito boa e a fotografia é excepcional.
Sobre este filme só posso dizer que é realmente uma obra-prima e que já não via um filme assim à muito tempo. É sem duvida um filme obrigatório e só vendo para acreditarem naquilo que digo. Só mais uma palavra para o descrever, FANTASTICO.

“Moving at the speed of light, we are bound to collide with each other”

Fernando Ribeiro


   
Eu também gostava de deixar aqui a minha humilde opinião, pois achei o argumeto do filme estraordinário. Não é daqueles filmes que vamos ver por ver... Neste somos quase que obrigados a entrar ou entramos sem querermos... Tem situações que nos questionam o mundo e nós mesmos. Adorei...

Margarida Tavares


filipe_lourakas@portugalmail.pt  
estão a ver aqueles filmes que quando acabam nos deixam sentados por uns mintos a pensar no que acabámos de ver?...cru...directo...extremamente bem conseguida a forma como aborda o tema do racismo nos dias de hoje...tenho de ser sincero e dizer que me questionei se algum dia ja fui assim ou se um dia ainda o vou ser...não me vou alongar em particulizar uma ou outra parte do filme...mas por um momento senti um enorme arrepio...simplesmente a não perder!!


   
Este pequeno grande filme realizado (e escrito, também) por Paul Haggis é uma maravilha absoluta. E é preciso relembrar que Paul Haggis não é propriamente um realizador experiente. E, de facto, apesar de mostrar uma realização sempre competente, é facilmente visível que toda a maravilha deste filme está naquilo que Paul Haggis sabe fazer melhor: no argumento.

É uma história (ou melhor, várias histórias, mas que se cruzam) muito triste e desencantada, mas ao mesmo tempo o filme liberta uma beleza incomum e encantadora. Destaque para as cenas mais belas, as duas em que entra a personagem Elizabeth, sobre as quais não entrarei em pormenores.

E, dito isto, mais nada direi. Até porque é um filme que nos deixa sem palavras, tornando-se difícil escrever sobre ele. Aliás, «Crash» não merece ser descrito; é para ser vivido e sentido em conjunto com as personagens. É, pois, curioso e interessante, que os momentos mais intensos sejam aqueles sem falas, que, refira-se, não são poucos. É precisamente nesses momentos que estabelecemos um maior contacto emocional com as personagens. É nesses momentos que a quantidade de sentimentos e sensações são tantos, que não pode haver palavras que os transmitam. E são, por isso, transmitidos através de uma acção, de um sorriso, de um olhar, de uma lágrima.

Miguel Galrinho


     
 

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