Casa de los Babys

Título original: Casa de los Babys
Realização: John Sayles
Intérpretes: Daryl Hannah, Marcia Gay Harden, Mary Steenburgen, Rita Moreno, Lili Taylor, Maggie Gyllenhaal, Susan Lynch, Pedro Armendariz Jr., Vanessa Martinez
EUA, 2003
Estreia: 21 de Abril de 2005


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
«Casa de los Babys» é o retrato das existências de seis mulheres num dos momentos mais emocionais das suas vidas: cada uma delas está prestes a adoptar um bébé. Apanhadas juntas no exótico motel sul-americano, elas aguardavam ansiosamente que a burocracia local processe a sua adopção dos recém nascidos de um orfanato. Ao longo das semanas, estas mulheres partilham os seus transbordantes desejos de ter um filho.


João Lopes
O texto seguinte foi publicado originalmente no jornal Diário de Notícias a 21 de Abril de 2005.

Filmada por um “guru” dos independentes americanos, John Sayles, esta é a história de um grupo de mulheres dos EUA que vão a Acapulco buscar (legalmente) bebés para adopção. Nem crónica sociológica, nem panfleto político, o filme aposta numa intensa dimensão humana, tanto mais perturbante quanto encenada num realismo sem contemplações, de grande secura formal. Entre as actrizes, excelentes, incluem-se Marcia Gay Harden, Daryl Hannah e a veterana Rita Moreno.


paulo_ferrero@hotmail.com
John Sayles é um cineasta de que gosto bastante, e sendo alguém de quem é raro estrear-se um filme em Lisboa, não hesito duas vezes quando isso acontece. Os seus filmes são sempre muito bem pensados e dão que pensar a quem os vê; sendo na maior parte das vezes sobre temas interessantes e marginais.

É o que acontece com «La Casa de los Babys», caso de estudo sobre a actividade económica e o impacto a nível da balança comercial, que representa a adopção de bébés e crianças nos países sub-desenvolvidos, e não só...

Seis americanas hospedam-se num hotel-creche-fábrica com vista a adoptarem um filho; todas elas têm as suas razões, os seus desígnios e os seus intentos. Mas do outro lado há uma sociedade de pantanas, em que as crianças não chegam a ser crianças, e em que o futuro é negro, qual lei da selva. Sayles é arguto e preocupa-se sempre em dar-nos as duas faces da mesma moeda. E desta vez só não é brilhante porque cai, de vez em quando, no «cliché» do costume.

Não fora isso e alguma monotonia a partir do meio do filme, e a gestão das personagens americanas (todas elas com «pano para mangas», que dialogam das mais variadas formas, todas elas ricamente interpretadas) bastaria para que «La Casa de los Babys» fosse um filme muito bom. Mas assim não acontece.

Paulo Ferrero


     
 

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