36 Anti-Corrupção

Título original: 36 Quai des Orfèvres
Realização: Olivier Marchal
Intérpretes: Daniel Auteuil, Gérard Depardieu, André Dussollier, Roschdy Zem, Valeria Golino, Mylène Demongeot
França, 2004
Estreia: 24 de Março de 2005


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 

 
O director de polícia Robert Mancini (André Dussollier) é implacável com os seus dois tenentes, Léo Vrinks (Daniel Auteuil), líder da BRB*, e Denis Klein (Gérard Depardieu), chefe da BRI*: quem conseguir prender um gang que tem vindo a realizar, impunemente, violentos assaltos à mão armada a carrinhas blindadas de transporte de valores, irá substitui-lo no comando da "36 Quai des Orfèvres".

«36 Anti-Corrupção» é um thriller policial onde a luta é aberta entre estes dois super-polícias, outrora amigos e hoje opostos em quase tudo: vidas, métodos, equipas e uma mulher, Camille Vrinks (Valeria Golino). Teve oito nomeações para os César (prémios do cinema francês): Melhor filme, realização, actor (Daniel Auteuil), actor secundário (André Dussollier), actriz secundária (Mylène Demongeot), argumento, som e montagem .

* BRB – Brigade de Répression du Banditism (Brigada de Repressão ao Banditismo)
* BRI – Brigade de Recherche et d’Intervention (Brigada de Pesquisa e Intervenção)


João Lopes
O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 26 de Março de 2005.

Mais uma tentativa made in France para reencontrar o fulgor dos policiais clássicos. Apesar da excelência dos protagonistas (Daniel Auteuil e Gérard Depardieu), a realização de Olivier Marchal vai-se perdendo num formalismo tecnicamente muito cuidado e dramaticamente muito pobre. Ainda não é desta que os franceses reencontraram a herança de Jean-Pierre Melville...


AMEDSCHIAR@BRTURBO.COM.BR
UM RETRATO DO NOSSO TEMPO, ONDE A JUSTIÇA É APENAS UMA QUESTÃO DE CONVENIENCIA.
EXCELENTES INTERPRETAÇÕES.


fernando.valerio@iol.pt
Um filme com alguma qualidade subjacente. Os dois actores principais revelam interpretações extremamente competentes, com carisma e com verosimilhança, "vestindo" bem as respectivas peles.

No entanto, o filme não se pode resumir a duas interpretações e no que respeita ao argumento, ele é descoberto pelo espectador atravessando diversas fases, primeiro antevê-se um final demasiado previsível e pobre; depois há uma clara tentativa de criar um efeito surpresa, que no entanto subestima evidentemente o espectador, sentindo-se Olivier Marchal na necessidade absurda de explicar tudo ao espectador, da forma mais detalhada possível, mesmo quando se subentendia perfeitamente aquilo que se tinha passado e o filme perdeu aqui uma oportunidade de se revelar estruturalmente mais elegante.

Por fim, o desenlace acabou por ser o esperado, mas talvez não da forma esperada.

A salientar também uma banda sonora por vezes bastante incómoda, bem como um retrato do submundo da informação policial bastante credível. Tinha condições para ser um filme melhor.

Fernando Valério


paulopes@gmail.com
Não é um mero policial, este filme francês, como a sua 2º parte (ou o seu último terço) mostra: há até uma dimensão trágica (não estridente nem fulgurante) que, pelo menos em termos dramatúrgicos, é superior a "Heat -- Cidade sob pressão", de Michael Mann (o filme, pelas `parecenças de família` com este, mais imediatamente ocorre convocar para comparações).
Como nota negativa, porém, o zumbido de uma música -- baixa, é certo, mas insistente -- de fundo (construída, essencialmente, por uma secção rítmica, como é típico de algumas nem por isso menos interessantes séries) ao longo de parte do filme; uma espécie de ruído (um ruído moderno, digamos) quea certa altura me pareceu um pouquinho irritante.

4-4-2005
Paulo Lopes


luisdiogo@portugalmail.com
36 ANTI-CORRUPÇÃO (3 em 5 - BOM)

Tinha alguma curiosidade em ver este filme pelo pouco que sabia dele. Tinha facturado bem em França (2 milhões e meio de espectadores aproximadamente, e melhor ainda, conseguidos ao longo de várias semanas, com pequenas quedas de semana para semana). Depois as críticas Portuguesas davam entre uma a duas estrelas ao filme, o que é excelente! Geralmente este tipo de filmes Franceses com visual americano são arrasados em Portugal. Os crítcos portugueses são contra a americanização do mundo em todas as áres, e especialmente no cinema. Assim, qualquer filmes Francês com um estilo "americanizado" (ou seja, filmado de forma estilizada, com cores frias, montagem eficaz, banda sonora ritmada sempre presente, bom trabalho de som e com personagens vestidos com estilo), saõ simplesmente arrasados. Veja-se por exemplo a reacção (só bolas negras) para "Os crimes do Rio Púrpura".

Assim, quando vi as críticas ente 1 e 2, comentei com alguém: "Este filme deve ser bonzinho; se estes críticos dão à volta do dois, quer dizer que vale pelo menos 3".

Se fosse apreciar pelo prazer que me deu vê-lo, até daria 4 (é um filme que um dia vou querer ter em DVD, o que já diz muito no meu caso).

Comecemos então a falar do filme. É um policial. A história?! Bem, a história é algo complicada para simplificar. Digamos que temos dois polícias cinquentões, duas velhas raposas, conhecedores do ofício mas com métodos diferentes, e vamos assistindo a um confronto que se vai adensando à medida que o filme avança. O filme cruza várias pequenas histórias. Aliás, ao princípio somos levados a pensar que a história do filme é a tentativa de apanhar um "gang" que assalta violentamente carrinhas de tranporte de dinheiro. E embora essa história se manhtenha também até ao fim do filme, aos poucos é a forma como os dois personagens principais tentam resolver esse caso, por vias separadas (pertencem a diferentes grupos políciais franceses, um pouco como se um fosse investigador do FBI e outro da CIA) que vai conduzir o filme. Mas além destas histórias há outras hirtórias que se vão cruzando e entrelaçando numa rede complexa mas que nunca se torna confusa nem enfadonha. Se há um filme que posso citar para ficarem com uma ideia do género deste filme é Heat-Cidade
sobre Pressão, de Michael Mann. Aliás esse título adequava-se perfeitamente a este filme, só que aqui a cidade é Paris. Outra parecença entre ambos os filmes é o ritmo, calmo mas não lento, o estilo cerebral, o entrelaçar de histórias e personagens e o estilo visual. Mas a grande parecença entre ambos os filmes é no confronto entre dois pesos pesados. No Heat era um "Assassino" da velha guarda contra um "Polícia". Aqui são dois polícias, nenhum deles santo, pois ambos seguem métodos pouco ortodoxos. E se Michael Mann convocou na altura dois grandes actores americano para o confronto (Robert De Niro e Al Pacino) então o cinema Francês só podia chamar... Gerard Depardieu e Daniel Auteuil, porventura as duas estrelas masculinas de maior prestígio do cinema Francês actual (Jen Reno até pode ser mais famoso mas não é nem de longe o actor que é Daniel Auteuil). A excelência da interpretação destes actores só por si vale a ida ao cinema. Mas todos os que entram (e são inúmeras as personagens) estão muito bem, dando uma ideia de credibilidade ao que vemos. E credibilidade é a palvra certa. Não é por acaso que o realizador deste filme é um... ex-polícia. Ele inspirou-se em várias histórias que viveu como investigador policial para este filme. E podemos perceber que este filme teve que ser feito por um conhecedor do sistema. O filme retrata incrivelmente todo o sistema de investigação de Paris. Seriam precisos 10 documentário para ficarmos a conhecer o sistema criminal, prisional e policial de Paris da mesma forma que o filme o faz em apenas duas horas. O realizador consegue ainda assim ter tempo para um cuidado tratamento visual, bem acompanhado por uma exclente fotografia e banda sonora. Sinceramente poucos pontos fracos encontro aqui. Até direi mais. A sala do Arrabida Shoping estava cheia, para surpresa minha, e comentei que muita gente ali não sabia certamente que o filme era Francês. Afinal o cartaz do filme até parece americano a aparece apenas um número (36) como título. Depois no AMC gerlamente as pessoas lêm apenas um pequeno resumo no panfleto informativo onde não se percebe a nacionalidade do filme a não ser que as pessoas vão realmente olhar para esse detalhe. Quando começou o genérioco, de ente um grupo de adolescentes à minha frente, ouviu-se perguntar com espanto "isto é Francês?!". Bem, o que é certo é que ninguém abandonou a sala, e as pessoas mantiveram-se caladas o filme todo, seguindo com atenção a intriga, o que por si só quer dizer muita coisa.

Fianalmete resta dizer que o filme esteve nomeado há uns meses para os Cesares (Oscares franceses) nas categorias de Melhor filme, melhor realizador, melhor argumento, melhor montagem, melhor actor, melhor actor secundário, melhor actriz secundária e melhor som.

Aconselho assim a visão deste filme, um filme para todo o género de espectadores, cinéfilos ou não.

Luís Diogo


     
 

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