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5x2
Título original: 5x2
Realização: François Ozon
Intérpretes: Valeria Bruni Tedeschi, Stéphane Freiss, Géraldine Pailhas, Françoise Fabian, Michael Lonsdale, Antoine Chappey, Jean-Pol Brissart
França, 2004
Estreia: 30 de Dezembro de 2004
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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O filme parte de um princípio contrário às ideias feitas, segundo o qual não é a rotina do dia-a-dia que destrói o casal, mas sim verdadeiras divergências entre duas pessoas. A história centra-se em cinco momentos da vida de um casal, formado por uma mulher de personalidade forte, de uma beleza radiante e ávida de felicidade, e por um homem frágil e duro, desiludido da vida, e com um comportamento por vezes incompreensível. Essas diferentes etapas são apresentadas de acordo com um princípio de construção ao arrepio da ordem cronológica: a separação, as discussões, o nascimento do filho, o casamento, o encontro.
«5x2» é o novo filme de François Ozon, consagrado realizador francês cujos últimos filmes em Portugal tiveram bastante adesão do público: «Sob a Areia», «8 Mulheres» e «Swimming Pool».
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velvetine777@hotmail.pt |
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5x2≠ nada ≤ tudo => realidade
Resolve a seguinte equação isolando y:
5t x 2p ≠ Ø
2p= yV ≤ ∞
Sendo t o tempo, p o ser, V o valor da vida.
O filme não conta nada de novo, a acção é lenta demais, o sexo é cru, o amor dissimulado na música italiana e no entanto é tão real, tão parecido com o que tentamos esconder dos outros e de nós próprios: O nosso dia-a-dia cru e nu, sem falsos romantismos, sem falsas esperanças. Uma história que acaba quando começa...
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adolfoferreira@mail.pt |
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Cada vez mais o cinema deixa de ser aquela sala escura onde vamos ver um filme, e a sensação que este nos deixa, que porventura é comentada à saída, numa ou outra troca de impressões com alguém e pouco mais; hoje em dia, entramos já nos cinemas condicionados, já vimos apresentações e promoções, já lemos críticas e o resumo do filme que vamos ver, inclusive podemos observar depois momentos das filmagens ou como foram feitas as cenas mais estranhas. Isto para chegar à entrevista que li do realizador sobre o seu último filme (este), que me deu o mote para este texto. É que essa entrevista acrescentou-me algo ao filme, pelas explicações que dele dá, mas sobretudo pela declaração de intenções do realizador que eu enquanto espectador as vejo agora completamente atingidas. As questões que o filme levanta, algumas delas completamente deslocadas, ganharam deste modo uma nova perspectiva, uma localização mais concreta que o filme nem sequer sugere, o que hoje em dia é uma forma perfeitamente válida de os autores prolongarem o seu trabalho, as suas ideias e intenções. Também é certo que para o filme deste ou daquele realizador (e este não será bem o caso de François Ozon) já sabemos ao que vamos, não apenas pelos anteriores filmes que perfazem um conjunto possível de definir (o dito cinema de autor) mas também muito por isto, porque hoje em dia jornais e revistas e livros, Internet e televisão, são meios que os autores das várias artes usam para concretizar ideias, transmiti-las ou aperfeiçoá-las, para completar ou dar seguimento às obras pelas quais se notabilizam.
O filme é incómodo, da forma que só o bom cinema consegue ser, com bastante mais peso que o anterior “Swimming Pool”, porque trata um assunto que se pode dizer vulgar, a história de um casal, da separação de um casal, que é uma história que quase todos tem para contar, e como muito é deixado em aberto, várias situações são de todo incompreensíveis, acabamos o filme com muitas dúvidas o que é angustiante. Por um lado, Ozon afirma que já trabalhara um texto de Fassbinder escrito aos dezanove anos e que lhe agradara muito aquela visão de um casal adolescente já tão cruel e marcada pela desilusão: “Com 5x2 tinha vontade de voltar a falar sobre um casal mas com a experiência que tenho hoje, mas sem dar demasiadas explicações”. 5x2 é cruel e marcado pela desilusão e as cenas que surgem injustificadas poderiam parecer então as próprias histórias do realizador, disfarçadas na história que se propõe a contar. Ozon no entanto rebate esta ideia: “O filme devia permanecer aberto, evitar qualquer demonstração(…). Para que as pessoas preenchessem as elipses com as suas próprias histórias.” O realizador evita qualquer justificação concreta para a separação deste casal. É o que geralmente se diz de um filme em aberto, mas neste caso e neste filme faz todo o sentido, pelo assunto em si que como disse já é comum a muita gente e porque de facto a história do filme pretende confrontar-se com a do espectador, o longo plano final serve mesmo esse propósito, dar tempo ao espectador de construir de novo a história e torná-la dele, preencher os espaços narrativos e os hiatos emocionais que estão em falta.
Com a história contada a partir do fim, acompanhamos o percurso de Gilles e Marion em cinco momentos marcantes da sua vida como casal: a oficialização do divórcio, um jantar com amigos, o nascimento do filho, o casamento e o encontro. Estes cinco episódios variam ligeiramente entre si a nível estético, isso é sobretudo visível por exemplo entre o primeiro, a cena do divórcio, muito psicológico e soturno e a sequência do encontro, a última, luminosa e estival. De resto a última sequência parece quase de outro filme e o último plano sob um pôr do sol vem contrariar toda a ambiência e amargura do que até ali se fazia sentir. Gilles está numa estância turística quando encontra por acaso Marion, estando ele acompanhado de uma namorada onde é possível encontrar muita da acidez e mal-estar que antes (ou deverei dizer depois) era visível na sua relação com Marion. É de resto o motor de todo o filme, que caminha um pouco contra o senso comum de que é a monotonia que destrói as relações: neste filme, essa monotonia é só um verniz que esconde uma incompatibilidade dos dois seres, as verdadeiras divergências entre duas pessoas. Marion (Valeria Bruni-Tedeschi) é uma bela e luminosa mulher, ávida de felicidade, ao passo que Gilles (Stéphane Freiss) é uma figura triste, um homem desencantado com a vida, infeliz. Não assistimos a discussões nem a grandes zangas, nem pelo contrário a momentos de grande paixão ou entusiasmo, mas deparamos com as pequenas mentiras, as distracções ocasionais e um mal estar crescente e camuflado, que resultará na separação: Marion traindo o recém marido, na própria noite do casamento porque este adormece bêbado no leito nupcial; ou a incompreensível relutância de Gilles em entrar no quarto onde Marion recupera do nascimento prematuro do filho. Depois o mise-en-scene do realizador é muito bem conseguido, destapando um pouco das suas influências (Bergman na cena do divórcio, “Conto de Verão” de Rhomer no episódio do encontro, ou o cinema americano do episódio do casamento) e transmitindo assim esse afastamento progressivo, pelo dinâmica (a falta dela, o arrastar) da câmara, os planos apertados dos rostos e dos olhos com tudo que estes exprimem e até a simples contemplação. Serve-nos ainda algumas alternativas ou outros tipos de relações como para comparar-mos estas com o casal central: os pais de Marion que não se falam nem se separam, ou o relacionamento homossexual do irmão de Gilles; cada um deles tem o seu episódio próprio de afirmação mas a estrutura em flashback permanente permite-nos ir encontrando pequenos detalhes e vivências destas duas realidades. De referir aqui a excelência de todo o elenco, com especial destaque claro está para o par protagonista, que enche de facto a tela.
Por fim, a banda sonora, composta essencialmente por canções românticas italianas em vozes roucas de homens como é o caso do mais ou menos conhecido Paolo Conte, que compõe muito bem o filme e que particularmente se adequam muito bem à personagem masculina principal que parece mesmo uma personagem saída de uma dessas canções. pareceram ser do agrado de toda a gente.
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ricardo_pinho@sapo.pt |
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| incrível a diferença de peso entre este filme e o Melinda, na forma como abordam o casamento e o seu fim. |
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gonn1000@hotmail.com |
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CENAS DE UM CASAMENTO
Um dos nomes do recente cinema francês a ter em conta, François Ozon possui já uma interessante filmografia onde constam títulos de reconhecido mérito como "8 Mulheres" ("8 Femmes") ou "Swimming Pool", provas da eficácia e versatilidade do cineasta.
"5x2", a nova obra do realizador, constituiu uma das boas surpresas da 5ª Festa do Cinema Francês, decorrida no Cinema S. Jorge em Outubro de 2004, e destaca-se como mais uma valorosa película a acrescentar ao percurso de Ozon.
Esta abordagem às tensões de uma experiência conjugal distingue-se, desde logo, pela sua estrutura narrativa, que consiste na sucessão de cinco episódios marcantes da vida de um casal, apresentados do fim para o início.
Assim, as peripécias são exibidas num "flashback" constante, uma vez que os primeiros momentos do filme se centram no divórcio e as cenas seguintes focam um atormentado jantar em família, o nascimento do filho, o casamento e, por fim, a ocasião em que a dupla efectuou os contactos iniciais.
Embora a estrutura narrativa de "5x2" fuja ao convencional, não é propriamente inédita, pois fórmulas semelhantes foram utilizadas no polémico "Irreversível" ("Irreversible"), de Gaspar Noé, ou no thriller de culto "Memento", de Christopher Nolan.
O que acaba por sobressair no filme é a perspicácia de Ozon para retratar a complexidade e a ambivalência das relações humanas através de personagens bem construídas, ainda que nem sempre consigam gerar empatia.
Grande parte da solidez de "5x2" deve-se ao óptimo trabalho de actores, com destaque evidente para a dupla protagonista constituída por Valeria Bruni Tedeschi e Stéphane Freiss.
Um drama sóbrio, seco e realista, o mais recente filme de Ozon revela a importância dos "pequenos" detalhes de uma relação a dois e das atmosferas de discreto antagonismo que vão fomentando uma aura de claustrofobia e amargura crescentes.
Através de subtis olhares sobre a intimidade do duo regista-se uma implosão emocional inevitável e reequaciona-se a possibilidade do amor e dos laços de confiança.
A perspectiva do cineasta acentua, assim, a melancolia e o desespero, factor que envolve o filme num ambiente lacónico e pouco optimista.
Essa carga considerável de solidão e negrume torna "5x2" numa obra demasiado gélida e distante a espaços, antecipando um futuro - e passado - pouco auspicioso para as suas personagens (mesmo o último episódio, sobre as férias de Verão, contém já as bases da espiral descendente).
Devido à sua natureza, o filme desperta reacções ambíguas, ora seduzindo pela verosimilhança e rigor de algumas situações (e pelas envolventes interpretações do elenco), ora gerando estranheza pelo pessimismo - ou mesmo niilismo - que insiste em dominar o rumo dos acontecimentos.
Embora este carácter dúbio torne "5x2" num projecto irregular, não impede que esta seja uma boa escolha para quem procura um drama adulto e inteligente.
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com |
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ricardo_pinho@sapo.pt |
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Cara Rita Almeida,
Como encontro esta tua crítica em muitos sítios, opto tb por a responder em todos esses locais..
1º Não compreendo o postulado "Por definição, um final nunca é feliz". Posso encontrar vários contra-argumentos, mas acho desnecessário pois me parece q tu própria tb não acreditas no que disseste. É verdade para alguns casos, como este, mas não para todos..
2º "No nascimento do filho, Gilles evidencia a sua fraqueza de carácter" – há quem tb tenha classificado algumas das suas atitudes como incompreensíveis. Por isso, enquanto ontem via o filme, e essa cena em particular, a tentei compreender. Fiz o filme na minha cabeça q o filho não seria dele, e ele o soubesse. Posteriormente (ou seja, anteriormente) foi-nos mostrada a traição na noite de casamento. Eu não fiz as contas aos anos passados do casamento, embora pense q as datas foram reveladas na cena inicial do divórcio, qd o filho já tinha, salvo erro, 3 anos - será? Acho q estou a confundir as datas, talvez não batam certo, talvez o filho seja mesmo dele. Mas gosto de pensar q ele desconfiava (o bebé é aquele do nº 5? - pergunta Gilles à sogra - de certeza? não será aquele ali ao lado?
3º “Não devíamos nadar nesta parte do mar, é perigoso.” – “o momento do encontro, onde Marion faz o aviso, sem saber, do desfecho da sua própria história.” – tipo tragédia grega? Não será forçar demasiado?
.:. gostei do filme, fez-me pensar. recomendo. e a música principal tb! Já agora, alguém sabe o nome?
P.S. ah! e deixem lá de o comparar a outros filmes de inversão temporal. Vocês comparam todos os filmes em que o tempo anda no sentido positivo? Então pq fazê-lo aqui? Com`on, give the french guy a fuckin` break! |
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pxinho_fpceul@hotmail.com |
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um filme engraçado, com uma actriz belíssima e um actor muito sexy! percorrendo alguns lugares-comuns e caindo em situações gratuitas (como a da traição na noite de núpcias c um americano inenarrável), o filme perde um pouco da sua força, q nos é dada pelos planos espectaculares (o final é sublime) das faces dos protagonistas. Hábil em revelar o mundo de sentimentos, subreptícios (ou não) entre o casal, o filme perde a sua força realista por se encaminhar para situações quase perversas, nas quais o cinema francês é pródigo («minha mãe», por exemplo - inenarrável!!).
no final, fica a recordação de uma boa actriz, belíssima, encanatadora. |
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Alfred_Hitchcock@hotmail.com |
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É um filme de François Ozon o que tem sido, cada vez mais, sinónimo de bom cinema garantido. Até agora Ozon provou ser um realizador ecléctico, que não se cinge a géneros ou fórmulas. Tem mostrado inovação, forjando ambiências penumbrentas de enorme sobriedade ("Sob a Areia") ou resvalando para o teatro filmado, pronunciadamente kitsch e redundante ("8 Femmes"). Mas também há quem o apelide do Hitchcock gaulês, aspecto que se torna relevante sobretudo numa análise a "Swimming Pool", cheio de elementos de suspense e mistério.
"5x2" insere-se numa nova face de Ozon, mas apresenta algumas analogias com os seus filmes de carácter intimista. Até porque "5x2" parece mesmo ser a obra mais autobiográfica de Ozon, se não a é, então Ozon é mestre em dissimulações. Digo isto, porque encontramos pontualmente algumas sequências que não fazem grande sentido e que claramente escondem uma outra história, potencialmente, uma anotação estritamente pessoal de Ozon. Refiro-me às sequências do turista americano (esta perfeitamente dispensável) ou a cena em que Stephane Freiss esquiva-se ao nascimento do seu filho... Por outro lado, nunca chegamos a perceber totalmente o porquê do divórcio e também a razão para tal pessimismo. Neste filme, as relações humanas são escorraçadas e o amor não sobrevive- é de tal forma inquestionável para Ozon a morte do romance que este decidiu alterar a ordem cronológica da acção e começar pelo divórcio para acabar com o primeiro encontro do casal. Ora isto comporta um pessimismo irredutivel, já que durante todo filme o espectador carrega o peso de um "final" desolador.
Para lá disto, é mais um bom filme de Ozon, com alguns momentos magnificos ( referiria o momento em que a música de Paolo Conte irrompe, "Sparring Partner", como um grande momento de cinema) e revelador de um jeito notável para a urdidura das personagens: sempre profundas e cativantes. O grande destaque é deixado ao casal de actores (Valeri Bruni-Tedeshi e Stephane Freiss).
Luís Mendonça, John-Parker. |
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sandre@tap.pt |
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Simplesmente adorei este filme.Obrigado pelo convite.Excelente interpretação dos actores.Fiquei muito bem impressionada e com vontade de ver mais trabalhos deste realizador e dos actores também.
Sílvia André |
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paulo_ferrero@hotmail.com |
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O cinema de François Ozon tornou-se incontornável para quem gosta de cinema. Do bom cinema. De cinema original, feito com bom gosto, leveza e, ao mesmo tempo, profundidade. E sempre surpreendente em termos de "mise-en-scène", seja por transversalidades do fantástico, seja por inversões da narrativa.
É o que acontece com "5x2", em que o autor de "Sob a Areia" nos dá novos episódios, novas cenas da vida conjugal, não tão escrupulosamente frias como as dos episódios filmados por Bergman, mas mais "coloridos", sendo que igualmente pessimistas ... apesar de Ozon continuar a afirmar que o final remete para o "panache" de Lelouch ou de Rohmer.
Mas se o argumento, a realização e a montagem, fazem as delícias de qualquer cinéfilo, a verdade, verdadinha, é que "5x2" assenta fundamentalmente na superlativa interpretação de Valeria Bruni Tedeschi e na voz rouca de Paolo Conte, e do seu "Sparing Partner" ... título que nos dá o mote do filme, aliás.
Episódio assaz deslocado e inverosímil é o do turista americano. Bem como o estereótipo do "engatatão", presente em cada esquina do mar de Cagliari. Quanto ao resto, trata-se de mais um excelente filme de Ozon, talvez um tudo nada com pessimismo a mais ... afinal de contas, é possível passar-se uma vida inteira sem protagonizar as cenas do primeiro episódio...
Paulo Ferrero
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almeida_rita@sapo.pt |
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5x2, de François Ozon
De regresso ao drama romântico, François Ozon conta-nos, em ordem cronológica inversa, a história de um casal (o 2) em vários momentos da sua vida conjunta (o 5). De uma originalidade já um tanto questionável e um pouco à semelhança de Memento (Christopher Nolan) e de Irreversível (Gaspar Noé), esta opção narrativa vem sobretudo evidenciar a ilusão do “felizes para sempre”. Por definição, um final nunca é feliz, porque é ruptura, é desmoronar, é frustrar, é partir.
Aqui somos, desde início, confrontados com o fim do casamento de Marion (Tedeschi) e de Gilles (Freiss). Um final legalmente pacífico, mas emocionalmente violento, onde ambos tentam resgatar algo do que os uniu, mas onde apenas existe o vazio do silêncio. Somos depois levados a um jantar entre amigos, onde começamos a vislumbrar a amargura das palavras, a indiferença dos gestos. E o julgamento de outras opções de felicidade diferentes da nossa torna-se irónico, sabendo já o desfecho.
No nascimento do filho, Gilles evidencia a sua fraqueza de carácter. Percebemos que um gesto de ternura anterior (ou seja, posterior) mais do que genuíno é quase compensatório. Vemos que Gilles passou toda a vida pediu desculpas, tentou voltar atrás. A idêntica deterioração do casamento dos pais de Marion traduz outra hipótese: o conflito directo das palavras (em vez do silêncio reprimido) e a aceitação da condição de falha, mantendo a coabitação (em vez do divórcio).
O casamento. A felicidade dolorosa. Não só porque já a sabemos finita, mas porque também ela é pautada por mácula. E, finalmente, o momento do encontro, onde Marion faz o aviso, sem saber, do desfecho da sua própria história ao dizer: “Não devíamos nadar nesta parte do mar, é perigoso.”
Ozon deixa-nos adivinhar alguns detalhes, usando a luz/sobra como reflexo da crescente (ou melhor, decrescente) amargura. A música de Philippe Rombi acompanha o desvendar da equação, isto é, das equações. A única forma de encontrar uma solução para as duas incógnitas (dois seres individuais) é considerar duas equações distintas, dois conjuntos de especificidades, necessidades, sonhos, vontades. Por isso este filme não se chama 5x1. Porque uma relação não é uma unidade. Mas duas.
Apesar da sensação geral de desencanto, 5x2 é também o retrato de cinco momentos de felicidade: descoberta, entendimento, criação, amizade, liberdade, por ordem cronológica.
Rita Almeida
http://cinerama.blogs.sapo.pt/ |
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antonio.santos@megamail.pt |
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Tive a oportunidade de ir à ante-estreia patrocinada pelo cinema 2000. E foi em muito boa hora pois o filme vale mesmo a pena ir ver. A história da vida do casal é contada pela ordem inversa dos acontecimentos, mas assim ainda consegue despertar mais interesse pois da fase má (o pós divórcio) para o bom (quando os dois se conheceram).
Desta forma um filme que se tivesse a ordem cronologica acabaria mal, assim acaba bem.
Valeria Bruni Tedeschi tem uma interpretação soberba.
Um destaque especial para a excelente escolha de canções italianas para banda sonora.
Um bom filme para acabar 2004 ou para iniciar o novo ano consoante o caso. |
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