A Porta no Chão

Título original: The Door in the Floor
Realização: Tod Williams
Intérpretes: Jeff Bridges, Kim Basinger, Jon Foster, Mimi Rogers, Bijou Phillips, Elle Fanning
EUA, 2004
Estreia: 30 de Dezembro de 2004


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
O famoso escritor de histórias infantis Ted Cole (Jeff Bridges) e a sua bela mulher Marion (Kim Basinger) tinham um casamento perfeito, que começa a desmoronar após uma tragédia, a morte de dois jovens filhos num acidente. O desânimo de Marion e as consequentes infidelidades de Ted impediram o casal de enfrentar os problemas da relação. Até que Ted contrata Eddie O’Hare (Jon Foster) para ser o seu assistente durante as férias de verão. A chegada do jovem vai provocar uma reviravolta no relacionamento do casal.

Eddie idolatra Ted, mas os maus hábitos de trabalho de Ted logo vão deixar Eddie por sua própria conta. Marion torna-se um objecto de desejo para Eddie, reacendendo nela novas emoções como mãe e como mulher. Para surpresa e prazer de Eddie, o seu desejo é potencialmente correspondido.

Enquanto se envolve cada vez mais afectivamente com Marion, Eddie começa a perceber que Ted esconde dentro de si algo muito mais profundo. E com o Verão a chegar ao fim, Marion e Ted vão ter de tomar decisões difíceis sobre o futuro da família.


Cataclismo Cerebral
Vidas Interrompidas

"The Door In The Floor" baseia-se na primeira parte do romance de John Irving, "Viúva Por Um Ano". Ted e Marion formam um casal cuja relação começa seriamente a estagnar após um horrível acidente, que ceifa a vida dos seus dois filhos adolescentes. A partir desse infeliz acontecimento, o casal parece já não conseguir comunicar e ambos se isolam nas suas private islands. Ted é um escritor de contos infantis de renome que tenta abafar os seus sentimentos através de inúmeros casos amorosos. Marion vive angustiada com a enorme perda que sofreu e parece já nem ter capacidade para educar a filha mais nova do casal. Ted decide então contratar Eddie, um tímido adolescente, para seu assistente pessoal e é aí que Marion irá sair do seu torpor e tentar novamente abraçar o seu pulsar feminino. Este é, decididamente, um filme de personagens (e, por extensão, de actores) e a empatia que cria com o espectador vive da relação que este forma com aquelas pessoas no decorrer da trama. O filme nem sempre consegue gerir eficazmente os seus tempos dramáticos e revela-se um pouco frágil na direcção do tom (tão depressa é um drama profundo e dilacerante como de seguida apresenta toques de comédia sarcástica), mas o saldo acaba por ser francamente positivo. É uma história intimista sobre a perda, os hiatos que se podem gerar numa relação e sobre o renascer do espírito. Jeff Bridges e Kim Basinger estão no seu melhor nível, dando uma grande consistência aos seus papéis e formando assim um dos principais trunfos e atractivos desta obra. Uma última referência à fotografia, que contempla a beleza dos cenários e é simplesmente das mais fascinantes que vi nos últimos tempos.


http://www.cataclismocerebral.blogspot.com


Daniela Lourenço
Este foi um daqueles filmes na qual nao fazia ideia de que existia e portanto nao poderia demonstrar qualquer reforço de interesse. No entanto, passou na televisao, e na verdade nao e` qualquer filme que me disperta interesse, principalmente no seu comeco, e que me fazem levantar do sofa. Este foi diferente, logo do inicio fiquei pendurada naquele sofa e nao consegui ficar indiferente a todo filme, foi sem duvida excepcional, nao digo o preferido porque na verdade, nao tenho! sei escolher os filmes dentro do meu estilo e consigo despertar interesse pelos mesmos, apesar de uns mais do que outros. De facto pude imergir um conjunto de emoçoes e sencasoes ao ver este filme. Num minuto a vida pode dar a maior volta, ha pessoas que nao se consegue compreender, mas nao e` por isso que sao doidas, que sao menos, que...apenas sao diferentes, mas por detras destas diferenças ha sempre uma longa historia. A minha curiosidade ao longo do filme foi realmente perceber o titulo, e foi isso mesmo que me fez ainda mais criar curiosidade em ver o filme. A porta no chao?! e porque? talvez no chao porque a podemos pisar sempre e quem sabe de tanto la andar por cima apagar-mos todas as magoas que se encontram por debaixo das mesmas, magoas que pertencem ao passado e que jamais pensamos esquece-las, devido ao conjunto de sentimentos deixados...enfim, um filme que me deixou a mim e penso que a todos os outros a pensar.


Daniel
definiria o filme como sendo diferente, estranho, que prende uma pessoa. interpretacoes magnificas e um enredo muito interessante. algumas das falas soberbas que nos fazem pensar sobre alguns aspectos da vida e que nos fazem relacionar com a vida real. Um excelente filme, para quem está farto de ver enredos sempre com a mesma historia. por tudo isto e pela criatividade dou 5 estrelas


quick@netcabo.pt
O sentido de ilusao criado pelo realizador durante todo o filme leva-nos a pensar se nao será toda a nossa vida uma ilusao, será que só criamos ilusoes na nossa mente quando somos crianças? Haverá apenas um rato atrás das nossas paredes ou um monstro? E se houvesse uma porta no chao e estivessem la dentro os nossos medos?


sousa_claudio@yahoo.com
"The Door in The Floor"

Em poucas palavras poderia-se resumir como um filme intenso com duas interpretações magníficas, tanto de Kim Basinger como de Jeff Bridges. Contudo será necessário referir que por vezes o argumento/realização carece de algum sentido prático, tentando uma maior aproximação à obra de John Irving em detrimento de um filme para acessível.
Porém não deixa de ser um filme interessante no qual verificamos que os constrangimentos da vida acontecem em qualquer altura.
A ver sem pipocas (e já agora sem demasiada expectativa)


antonio.santos@megamail.pt
Um filme interessante, no qual Ted Cole (Jeff Bridges) numa fase que já se importa com pouca coisa, contrata um assistente que seria para o ajudar, mas este acaba por ajudar a ainda esposa Marion (Kim Basinger) que se encontra com uma grave crise afectiva.
O filme passa pela comédia no inicio para terminar com um drama bastante forte.
Falta neste filme uma banda sonora forte e foi pena o realizador Tod Williams não ter optado por planos mais próximos, pois dado o argumento por vezes é filmado distante demais.


alex.barros@netcabo.pt
Filme interessante e estranho. Será que a Kim Basinger não consegue arranjar papeis mais interessantes, e onde não passe um filme a fazer sexo? Este é um dos aspectos negativos do filme, pois não havia necessidade de estas relações de Marion com Eddie fossem tão explicitas.


j_casimiro@sapo.pt
Confesso que quando entrei na sala para ver este filme ia um pouco de pé atrás. Não que a apresentação que tinha visto fosse desinteresante mas fazia-me antever um daqueles filmes tipicamente dramáticos e sem grande novidade. Apenas me despertou mais a curiosidade o facto de já ter ouvido falar muito bem do filme.
O início do filme revelou-se exactamente aquilo que estava à espera - um filme calmo, com grandes conotações dramáticas. Mas essa sensação depressa se desvaneceu. Rapidamente o realizador consegue agarrar o cinéfilo e desviá-lo para o que posso apelidar de drama enervantemente cómico. Não que as situações sejam verdadeiramente cómicas mas mais porque por vezes mexem tanto com a nossa própria intimidade que a única forma de não nos sentirmos invadidos pelo que estamos a ver seja rirmo-nos nervosamente da situação.
E quando já se pensava que estava tudo visto e que o filme ia seguir esta linha até ao fim, eis que de repente ele nos transporta novamente para outro sentimento forte. Um sentimento de tristesa e de pena, que nós faz ficar a pensar que muitas vezes as pessoas são como são porque algures na vida tiveram um contratempo de tal forma forte que os impede de darem a volta por cima e superarem a situação.
Um destaque forte para todos os actores envolvidos, especialmente os menos novos, que mesmo não sendo exactamente velhos, penso que revelaram muita coragem para rodarem algumas das cenas.
Um filme a ver, que certamente vai surpreender muita gente, e que penso que não vai deixar ninguém indeferente.

João Casimiro


     
 

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