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Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
Título original: Bom yeoreum gaeul gyeoul geurigo bom
Realização: Kim Ki-duk
Intérpretes: Yeong-su Oh, Ki-duk Kim, Young-min Kim, Jae-kyeong Seo, Yeo-jin Ha, Jong-ho Kim
Coreia do Sul/Alemanha, 2003
Estreia: 3 de Junho de 2004
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João Lopes | Média dos Espectadores |
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Ninguém fica imune ao poder das estações e ao seu ciclo anual de nascimento, crescimento e envelhecimento. Nem mesmo dois monges que partilham um isolado mosteiro flutuante, num lago rodeado de montanhas. À medida que as estações se sucedem, todos os aspectos das suas vidas são insuflados com uma intensidade que os conduz ambos a uma enorme espiritualidade – e à tragédia. Porque também eles não conseguem resistir à escalada da vida, aos anseios, sofrimentos e às paixões que nos arrebatam a todos.
Esta é a jornada de um jovem monge de 10 anos, do qual nunca saberemos o nome, desde a sua infância até à maturidade. Sob o olhar atento do Velho Monge, o jovem monge experimenta a perda da inocência quando as brincadeiras se transformam em crueldade… o despertar do amor quando uma mulher entra no seu mundo fechado… o poder assassino do ciúme e da obsessão… o preço da redenção… a iluminação da experiência. Assim como as estações continuam a alternar até ao fim dos tempos, também o mosteiro permanecerá como a morada do espírito, suspenso entre agora e sempre. O monge adulto apenas vem a compreender os ensinamentos do seu velho professor quando recebe uma segunda oportunidade na vida.
«Spring, Summer, Autumn, Winter... and Spring», de Kim Ki-duk, utiliza a mudança das estações como uma metáfora para a vida. E se isso não é uma ideia original, é feito de uma forma particularmente invulgar: é um belíssimo filme. Mas essa beleza visual destina-se a amplificar emocionalmente a história, e a sua profundidade espiritual. Este filme levanta questões sobre a forma como vivemos e como as nossas acções e as da natureza podem ter consequências inesperadas anos mais tarde. É uma parábola que restaura a esperança de que o mundo possa enfrentar os seus problemas e retirar ilações para o futuro. |
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Sérgio Santos |
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| Detestei o filme, um dos piores filmes que vi ultimamente. Felizmente só me custou 1.95 euros com o público. Fiquei mesmo muito desiludido. Um erro: se só tinham um barco a remos, como é que o velho monge chegava sempre perto do pequeno monge ? Estranho. O filme é mesmo muito mau, muito fraco. Uma pelicula para esquecer. |
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bueda.nice.aurelio@sapo.pt |
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Ò Aldredo Ichakok: começaria por colocar-lhe uma questão relativamente ao, como dizem os jovens de hoje em dia, o seu "nikaname". Revela este ora, pois bem, um certo e determinado tique da sua cultura cinematográfica, diria eu, tout court.
Ora, portanto, no que toca à sua estimada avaliação da carência de profundidade da película, tendo em conta que a dita assume, do seu ponto de vista, os contornos de meros postais de viagem, ora pois bem, se se trata de postais de viagem, a duas dimensões, a saber: 2D, vejo-me na obrigação de concordar consigo, Alfredo, que, genialmente, constata essa mesma auência e, diria mais, falta, de profundidade. Permita-me deixar somente um pequeno apontamento: repare que o esboço da sua crítica no respeitante ao folclore coreano em que se fundamenta a película, se assemelha em muito ao folclore em que se abisma a sua composição literária.
Cumprimentos sinceros e cordiais,
Aurélio
P.S.: o filme é muita giro. |
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| O melhor filme de sempre |
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smeneghel@hotmail.com |
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um filme etnográfico.
para cada estação um animal: o cão, o galo, o gato, a tartaruga, a cobra.
o ciclo das estações como um poema de Eliot, ao completar o ciclo, chegamos no ponto inicial.
o simbolismo das portas que abrem e fecham e são apenas símbolos. Fechado, o velho monge ao imolar-se veda os sentidos (traduziram fechado por calado).
a peregrinação final levando a imagem feminina ( a deusa?)
um lugar para o feminino e o mundo agora inteiro (Yn e Yan) fazendo retornar, outra vez, ciclicamente, a primavera...
salve Ki-duk-kim, mestre. |
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abxz7@hotmail.com |
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Uma experiência de imersão.E no turbilhão sereno que nos arrasta ao âmago da vida, vamos inteiros na viagem de descoberta:o apelo dos sentidos, o enleio das emoções, o interpelar da mente....E o pontear de momentos em que as fronteiras não mais existem, perdidas num nevoeiro profundo de pura leveza, luminosidade e deleite...
Um encontro connosco.
A inteireza.
Uma Meditação.
(maria) |
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jomisilva@netcabo.pt |
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“Compreender o mundo, explicá-lo, desprezá-lo, são coisas que poderão agradar aos grandes pensadores. Mas eu considero mais importante amar o mundo, não o desprezar, não o odiar nem me odiar, observá-lo, a mim e a todos os seres com amor e admiração e respeito.”
Siddhartha, de Hermann Hesse
Serve esta introdução para situar este sublime filme no coração do Budismo. É esse o lugar que ocupa, mas é extraordinária a forma como não codifica para não excluir. Simplicidade de meios e de argumentos para atingir objectivos artísticos e espirituais de excelência. A história é uma lição de vida, harmonizando o homem com a natureza, a parte com o todo, a beleza com a sua negação.
A sabedoria é algo que não se consegue comunicar: pode-se vivê-la, aprender com ela, mas não explicá-la de forma lógica. É um caminho que tem que ser percorrido e acumulado. Como este filme. Não é possível comunicar por qualquer jogo de palavras – por mais talentoso que seja – a abrangência, a veracidade, a harmonia que nos transmite. Só passando pela experiência é que podemos vislumbrar um pouco da consciência universal que os budistas preconizam e, com isso, aceder à noção de vida como ciclo de impermanência. Atravessado por imagens de uma beleza purificadora, este é um filme que vale por 100. 100? Por 1000!
Essencial, em todos os sentidos.
Jorge Silva
avidanaoeumsonho.blogspot.com
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Se tentassem compreender e investigar mais um bocadinho do que trata realmente o filme e defendessem menos os gostos de cada um talvez chegassem a um acordo. A sabedoria contida neste filme vai muito mais fundo do que se possa pensar ou ver à superfície.
A "Primavera..." é muito mais que um mero filme em celulóide (ou digital).
Quem estiver interessado no tema e investigar com sinceridade, vai ver que irá transformar a sua vida só por fazer este pequeno gesto.
Paulo Gonçalves |
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marte2000@mandic.com.br |
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certa vez li uma frase que dizia " Não ande pelo caminho traçado; ele conduz somente até onde os outros já foram".. assim, respeito o ponto de vista de todos mas ainda acho que Eva foi muito feliz em sua frase.." a profundidade do filme está nos olhos de cada um" ..
Mario |
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Alfred_Hitchcock@hotmail.com |
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Para Eva:
Compreendo-a perfeitamente e tenho noção que aquilo que eu defendo é a mais subjectiva das opiniões- se reparar há bem mais gente a apreciar ( a ver com bons olhos, digo) os ditos «postais de viagem» do senhor Kim Ki-Duk do que o contrário. Com efeito, ainda não foi desta que o «realizador dos anzóis» me convenceu.
cumprimentos
Luís M. |
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margo_channing@hotmail.com |
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PARA LUÍS MENDONÇA:
Li hoje o seu comentário à minha crítica. Aceito o seu ponto de vista, embora continue a defender que a profundidade do filme está nos olhos de cada um. Não concordo com a ideia de que este filme não passe de "um veículo de exploração emocional". Penso que ultrapassa isso e que existe, de facto, uma ingenuidade genuína na forma como o realizador filma as "lições morais" deste filme. Sinceramente, gostava de receber postais assim...
Espero que entenda a minha resposta, não como depreciativa da sua, mas apenas diferente.
Eva |
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Alfred_Hitchcock@hotmail.com |
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PARA EVA:
A meu ver, «Primavera...» tem como suporte único a opulência das imagens. O filme arrasta-se, de forma desbragada, pelas colinas do folclore, sem um rasgo de genuinidade: na realidade, o que eu condeno neste filme é o pretensiosismo de um realizador que não se consegue desembaraçar de tiques e tabus enraizados na sua cultura cinematográfica, refugiando-se numa suposta poesia depurada que não é mais do que um veículo de exploração emocional. Concordo quando diz que é «uma bela ilustração». Precisamente, para mim, não é mais do que isso: uma colecção de postais de viagem, com fauna e flora, mas sem profundidade.
cumprimentos Eva e que não fique a imagem de que eu não aprecio o cinema Oriental. Muito pelo contrário. |
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margo_channing@hotmail.com |
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... "dispensável para os sentidos"? Talvez, isso depende mesmo da sensibilidade de cada um.
Para quem gosta de contos Zen, este filme é uma bela ilustração desse mundo e dessa forma tão peculiar de viver. A primeira história, a primeira Primavera do filme, é, no entanto, a mais bem conseguida.
Eva |
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Alfred_Hitchcock@hotmail.com |
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Folclore coreano numa reedição de «Bordel do Lago» de Kim Ki-Duk, um filme de culto que lhe deu o cognome de «realizador dos anzóis». A história de um mestre e um rapaz isolados num vale mistico, para onde confluem energias ancestrais e onde se respira religiosidade. O rapaz vai crescendo à medida que a narrativa alterna de estação em estação, afundando a historiazeca numa uniformidade sonambulante. Dispensável para os sentidos.
Luís Mendonça, John-Parker |
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