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A Estranha Vida de Igby
Título original: Igby Goes Down
Realização: Burr Steers
Intérpretes: Kieran Culkin, Claire Danes, Jeff Goldblum, Jared Harris, Amanda Peet, Ryan Phillippe, Bill Pullman, Susan Sarandon
EUA, 2002
Estreia: 8 de Janeiro de 2004
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Eurico de Barros | Média dos Espectadores |
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| Igby é um adolescente irreverente que parte em busca de algo melhor do que uma família com um pai esquizofrénico, uma mãe distante e absorta e um irmão mais velho consumido pela política. Uma viagem de humor negro pelo submundo de Manhattan onde Igby conhecerá um leque de personagens à margem da sociedade. |
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Gonçalo Sá |
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O PESTINHA
Introduzindo um realizador a ter em conta no cinema independente norte-americano recente, Burr Steers, "A Estranha Vida de Igby" (Igby Goes Down, 2002) é um interessante relato do crescimento e da solidão, ancorado nas experiências de um adolescente. Mais um retrato de famílias disfuncionais, que tanto tem inspirado inúmeras obras indie nos últimos anos, o filme narra o percurso atribulado de Igby, vincado pelos seus problemas escolares e de socialização.
Steers terá certamente lido "Uma Agulha num Palheiro" (The Catcher in the Reye), o livro de J.D. Salinger que continua a marcar gerações pela combinação de humor negro e sensibilidade na abordagem da complexidade da adolescência. Essas características não só se verificam em "A Estranha Vida de Igby" como o protagonista do filme tem muitos traços em comum com Holden Caulfield, seja pela carga satírica dos seus comentários, pela postura distante e desconfiada ou pela fragilidade que esconde.
Para isso em muito contribui o desempenho de Kieran Culkin, que dá uma notável prova de talento na construção de uma personagem que, apesar da considerável arrogância, é capaz de gerar empatia. Todo o elenco é, de resto, muito convincente, o que nem surpreende já que contém nomes como Susan Sarandon (uma óptima mãe histriónica), Claire Danes (com o encanto habitual), Bill Pullman (memorável num pungente retrato da esquizofrenia) ou Ryan Phillippe (mais uma vez sóbrio e equilibrado). Alguns encarnam figuras que não vão muito além da caricatura, e embora merecessem mais o protagonista é alvo de um considerável desenvolvimento, o que acaba por assegurar a consistência do filme.
"A Estranha Vida de Igby" não será uma obra especialmente original, pois para além dos paralelismos com o livro de Salinger não se distancia muito de outras dramedies indie, mas Steers supera essa condicionante com um argumento sólido, de onde se destacam alguns diálogos apropriadamente irónicos entre algumas cenas de uma estimável secura emocional.
Se essas várias mudanças de tom, entre momentos cómicos e dramáticos, nem sempre são bem sucedidas, a realização é competente e a banda-sonora exibe bom-gosto, recorrendo a canções dos Dandy Warhols, Badly Drawn Boy, Beta Band ou Coldplay (muito apropriada, a utilização de "Don`t Panic"). Uma promissora primeira-obra que passou algo despercebida mas justifica a (re)descoberta.
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com/
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caio |
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| Diferente e imperdível, os verdadeiros amantes do cinema sabem do poder do filme! |
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soubrum@aol.com |
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| Em "A Estranha Vida de Igby" Bill Pullman arrasa na cena do ataque de esquizofrenia no banheiro. Se eu tivesse dois corações, os dois iriam se partir de pena de Jason Slocumb. O que deu a "licença", se é que pode-se chamar assim para ele começar a se comportar desta forma, com certeza foi a descoberta de que "Igby" não é seu filho. |
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somethingelse@mail.pt |
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Não posso deixar de manifestar o meu espanto pelas fracas críticas que, em geral, Igby Goes Down recebeu. Por essa razão vou tentar expor que razões me levam a considerar este um filme excepcionalmente bom.
Muito se tem dito de depreciativo acerca de Igby Goes Down: que é um mero decalque de The Catcher in the Rye, de Salinger; que o argumento perde o sentido; que se perde em indefinição; que é um filme independente cliché. Já outros elogiam a linguagem cuidada utilizada no argumento; as inteligentes tiradas que polvilham o filme; o excelente desempenho de Kieran Culkin.
Todos, me parece, falham no essencial. Igby Goes Down é um filme que retrata com um assustador realismo o momento que nos encontramos a atravessar, que não é de ambiguidade moral, relativização da moral ou até questionação dela, mas cuja existência não faz sequer sentido. Não se trata, no entanto, de uma apologia à ausência de moral. Antes pelo contrário, trata-se do demonstrar que todos os actos, todos os modos de vida, tendem sempre para o mesmo fim. Deste modo, a loucura a que o excessivo auto-controle do pai de Igby supostamente levou, e com que Igby pretende justificar o seu modo de vida, numa tentativa de a evitar, foi tão inevitável como será a de Igby. Se, então, todos os modos de vida são, desta forma, justificados, não significa que todos façam sentido. O niilismo da personagem de Igby desemboca, então, na construção de uma nova moral que, esperançosamente, marcará um próximo momento na história das mentalidades.
Espero ter sido minimamente claro...
Ruben F. Coelho |
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hugo.carvalho@cdl.oa.pt |
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No meio de tantas estreias de filmes independentes americanos em Lisboa, vale a pena conhecer o que se vai fazendo nessa categoria. A estranha vida de Igby é talvez o melhor. É estranho quanto baste para seduzir, tem um bom argumento, baseado na personagem central de Salinger no seu livro "uma agulha no palheiro" e uma realização que não deixa que o filme se torne monótono. As interpretações estão excelentes e o elenco é de categoria.
Hugo Carvalho
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filipambrosiosousa@hotmail.com |
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Sem grande tempo para grandes testamentos, não posso deixar de comentar um dos filmes mais refrescantes dete ano. Kieran Culkin surpreende (apesar de achar que fisicamente está um pouco aquém da personalidade que transmite) e o resto do elenco completam um dos melhores «filmes de autor» destes últimos anos. Argumento muito inteligente, com uns `gags` presentes na altra certa, pela personagem certa. Burr Stears está de parabéns e agradecemos a provável inspiração que Quentin Tarantino lhe concedeu. Quem precisa de Samurais e de Edwards Zwicks com filmes destes? Esta «Igby Goes Down» não é uma obra prima, mas continuando assim acredito que Stears está no bom caminho!
Filipa Ambrósio de Sousa
Filipa Ambrósio de Sousa |
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CINEMA2000 |
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b.p.v@iname.com |
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Para quem já leu Salinger, a vida de Igby é evocativa. E, em alguns momentos, o filme consegue mesmo ser muito bom, seja na capacidade e na facilidade argumentativa de Igby, seja no leque de personagens que o filme vai seguindo, seja na transformação progressiva e consistente de comédia negra em drama.
Mas no fim (sempre o fim dos filmes...) o argumento fecha com um Igby apenas revoltado contra a instituição família e isso fá-lo perder o sentido de original, de caminho individual que ia percorrendo. Até aí, Igby era um elemento a-moral, porque não reconhecia nenhuma das convenções; depois tentaram impô-lo como i-moral, alguém que viola mas, para violar, ainda que apenas para os quebrar, reconhece os valores de uma certa família.
Vale pela interpretação de Kieran Culkin , por passagens do argumento e, para quem nunca leu Salinger, serve como introdução. Mas depois é melhor ler os livros. |
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