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Culpa Humana
Realização: Robert Benton
Intérpretes: Anthony Hopkins, Nicole Kidman, Ed Harris, Gary Sinise, Wentworth Miller, Jacinda Barrett
EUA/Alemanha/França, 2003
Estreia: 14 de Novembro de 2003
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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| Nathan Silk, um prestigiado professor, conseguiu esconder um segredo terrível de toda a gente por mais de 50 anos, mas o seu relacionamento com uma mulher enigmática e carregada de traumas passados (incluindo um ex-marido de mentalidade instável) irá soltar a ponta do novelo de toda esta trama. |
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Cataclismo Cerebral |
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Viagem Ao Passado
Coleman Silk é um prestigiado professor universitário que, certo dia, comete um erro ao referir-se a dois alunos negros ausentes como sendo "spooks" (termo com uma forte conotação racista). Essa simples afirmação, proferida sem qualquer espécie de maldade, acaba por virar do avesso a vida do docente: ele perde o emprego, o respeito e a sua mulher, que acaba por falecer na sequência destas reviravoltas. Coleman apenas encontra apoio emocional no seu fiel amigo e confidente Nathan Zuckerman, até ao dia em que se cruza com Faunia, uma bela empregada de limpeza com um percurso pessoal marcado pela tragédia. Entre este par tão improvável estabelece-se uma estranha relação amorosa, onde a importância do sexo está muito vincada, mas onde estranhamente os laços emocionais parecem não se querer enlear, para que nenhum deles saia magoado nem tenha que dar mais do que aquilo que é capaz. Contudo, esta ligação socialmente "proibida", que se vai mantendo nestes termos desequilibrados, não se revela um mar de rosas, já que o violento ex-marido de Faunia se insinua e começa a perturbar o casal. Entretanto, no decorrer da trama, vamos sendo apresentados a flashbacks referentes ao passado de Coleman Silk e, mais especificamente, a um segredo muito bem guardado que o acompanhou toda a vida (segredo esse que corrompeu definitivamente os seus laços familiares e que poderia ter evitado as complicações do presente).
The Human Stain tem por base a obra desse grande autor que é Philip Roth e foi realizado pelo veterano Robert Benton (o responsável pelo já clássico Kramer Vs. Kramer, com Dustin Hoffman e Meryl Streep). O filme aborda o peso da culpa, da intolerância e dos fantasmas do passado que atormentam a existência do par central. A narrativa é perpassada por uma abordagem clínico-confessional, que adensa a intimidade das personagens e que se torna fundamental para a exploração das mesmas. Estamos perante um drama de grande fôlego, que dá ares de alguma austeridade formal e temática e que se reveste de uma maturidade invejável. Enquanto marca passo na arte do storytelling, o filme tem ainda o mérito de ser psicologicamente denso ao mesmo tempo que deixa transparecer um certo tom de suavidade. O espantoso é esta capacidade, esta facilidade com que demonstra uma personalidade muito low-profile nos seus propósitos, sem deixar, no entanto, de nos atingir no âmago com toda a sua veracidade dramática.
Quanto ao casting, sinceramente, nunca compreendi o porquê de tanta celeuma: é certo que as opções poderiam ter recaído noutros actores (e quem viu o filme sabe do que estou a falar), mas seria injusto menosprezar o talento dos envolvidos. Anthony Hopkins e Nicole Kidman são bastante convincentes na abordagem aos seus papéis e sente-se uma ligação nesta dupla, sendo este um dos pontos-chave para que toda a dinâmica do filme resulte. É certo que The Human Stain exige um elevado grau de suspension of disbelief por parte do público, mas essa exigência está actualmente presente em tantas obras que não se torna uma medida assim tão difícil de adoptar. O que importa é que sejamos envolvidos no espírito daquela história e na trajectória daqueles indivíduos; esse é o objectivo fulcral. Finalmente, as sentidas interpretações do elenco secundário são também elas dignas de registo: Wenthworth Miller, Gary Sinise e Ed Harris complementam o esforço interpretativo do par principal com grande dignidade. A recuperar.
José Simão
http://cataclismocerebral.blogspot.com
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rodas_kiit@hotmail.com |
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| Adorei o filme!! Trata o tema de uma forma muito humana e realista como coisas destas podem acontecer... se olharmos para o filme como "coisas da vida" e não como alvo de avaliação cinematográfica, gostamos do filme! Agregado a isso as excelentes interpretações dos protagonstas!! |
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hjmpsadc@clix.pt |
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O melhor:Nicole Kidman, Ed Harris e...Robert Benton.
O pior:a fragilidade e pouca credibilidade do tema (racismo), desde o início (Silk jovem), até ao Silk adulto.
Hélio Pereira |
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ruitpires@yahoo.com |
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um filme que não parece ter um centro bem definido, e que me consegue surpreender pela complexidade da caracterização das personagens, sobretudo os momentos com Wentworth Miller.
a dança em flashback com a apresentação da primeira namorada à mãe, o abandono no comboio.
a partir daqui compreendemos a aparente desconexão da caracterização das personagens apresentada desde o início. não parecem muito fluidas, parece que cada uma tem uma vida e existência própria, e não entendemos porquê.
Rui Pires
05dez03 |
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feeleepa@hotmail.com |
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Como é que uma boa premissa interessante, e excelentes interpretações não conseguem ser suficientes para não nos sentirmos desiludidos à saída deste filme?!
Coleman Silk (Anthony Hopkins) é um professor de Literatura Clássica, que se demite numa fúria, depois de ser acusado de racismo, por dois alunos negros. Ao chegar a casa, com estas notícias, a mulher morre-lhe nos braços.
Faunia Farley (Nicole Kidman) é uma jovem mulher que tem três empregos, e que passou toda a sua vida a fugir de algo. A sua última e derradeira fuga é do seu ex-marido, Les (Ed Harris), um doente mental que a persegue incansavelmente.
Nathan Zuckerman (Gary Sinise) é um escritor que, após alguns problemas se "enclausurou" numa cabana perdida no meio da montanha, e que se vai tornar o garnde amigo e confidente de Coleman.
Através de uma técnica de flashbacks é-nos dado a conhecer o passado de Coleman. Mas o seu veraddeiro passado, e não aquele que ele construiu arduamente ao longo da sua vida. O passado que o levou a ter o acesso de fúria em que se demitiu.
Sentimos os problemas apontados á relação de faunia e Coleman, por estes serem tão diferentes: ele, velho e professor universitário; ela, nova e com uma educação básica.
sentimos os problemas de se ser um negro com pele branca, e de ter que fazer escolhas sobre que parte da herança cultural escolher, e qual esconder de tudo e de todos, inclusivamente de si próprio.
Infelizmente, o que são dois bons temas para filmes, são aqui tratados como um, o que resulta no facto de nem um nem outro serem tratados convenientemente. Interpretaç~eos excelentes, como as de Hopkins, Kidman, Sinise e Harris, não apagam o facto de estarem a trabalhar com um argumento frágil.
Quanto à realização, é fria. Limita-se a apresentar as personagens e a mostrar as suas vidas, sempre muito distanciada da realidade. Asim sendo, os poucos momentos inspirados e "com chama" do filme, são aqueles em que a câmara ousa invadir a privacidade das personagens.
Com uma banda sonora igualmente pouco inspirada, resta apenas aludir à prestação do jovem Wentworth Miller, que faz as vezes de Coleman Silk, enquanto novo. Daí que seja de se ficar de olho posto neste jovem actor!
Filipa Lopes
http://cinemania.blog.city.com |
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haku@netcabo.pt |
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Robert Benton é conhecido pelos seus melodramas e já foi recompensado pela Academia de Hollywood duas vezes, tendo sido nomeado outras quatro. O seu estilo é muito apreciado pela Academia e a prova disso é a vitória do filme “A Beautiful Mind” de Ron Howard há dois anos, muito inspirado nos filmes de Benton, mesmo sendo o filme mais fraco do lote.
“The Human Stain” é um daqueles filmes que os entendidos cognominam “oscar bait” (isco para os óscares). Um melodrama humano com algumas variações mas que não marca diferença alguma quanto aos seus antecedentes.
Coleman Silk, reitor e professor universitário, foi um homem de sucesso e triunfo durante toda a sua vida, respeitado pelos colegas e alunos. Um dia, devido a uma ridícula acusação de racismo é despedido e ao mesmo tempo, vê a sua esposa de toda a vida morrer nos seus braços. E quando uma misteriosa mulher entra na sua vida de rompante, Silk começa a recordar o seu passado e as suas próprias memórias reprimidas ao longo do tempo.
A história é muito interessante e um interessante reflexo da alma humana, mas o argumento está muito mal organizado e não existe uma fluidez de acontecimentos e sentimentos, deixando o espectador confuso sem nunca se embrenhar totalmente na vida deste homem. Hopkins está igual a si próprio, o que tem os seus pontos positivos e negativos. Não deixa de ser um influente e extraordinário actor, mas está confortavelmente habituado ao seu registo que nunca ou raramente muda.
Por outro lado, Nicole Kidman é camaleónica e mostra-o novamente neste filme. Como secundária e consequentemente com muito menos destaque, Nicole consegue interessar-nos muitíssimo mais pela sua Faunia do que propriamente pelas desventuras da vida de Coleman. Faunia torna-se rapidamente uma personagem tridimensional e reflecte verdadeiro sofrimento com cada palavra e fitar, nunca perdendo uma aura palpável de mistério e perigo.
O academismo da realização e a recusa de inovação, limitando-se a aplicar aquilo que já se conhece há anos, e um argumento que se deixa levar por uma complexidade desnecessária nunca dando muito espaço para uma eficiente exposição de personagens, faz deste um filme, com uma história muito interessante e personagens muito ricas, bastante vazio e que apenas nos impressiona por algum trabalho de representação, belíssimo e sufocante por vezes, dos actores secundários.
4.5/10 **1/2
Nuno Gonçalves
http://mulholland-drive.blog-city.com/ |
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migmachado@portugalmail.com |
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O encontro de dois corpos que, contra todas as improbabilidades voltam a saborear o desejo e a ternura. Um homem, com ascendencia afro-americana que vê toda a sua vida influenciada pela escolha que tomou em não revelar as suas raizes. A amizade entre dois homens que desperta um deles para o sentimento de que a vida vale a pena. A ideia de que a vida é uma soma de imponderáveis os quais não controlamos. A crítica ao “falso moralismo” que chega ao rídiculo na sociedade americana. São estas algumas das ideias gerais que constituem a proposta que o realizador Robert Benton (“Kramer Contra Kramer”, “Billy Bathgate”) nos faz.
Coleman Silk (Anthony Hopkins) é professor universitário de Literatura Clássica. Despede-se da Universidade que ele ergueu sendo acusado pateticamente de racismo. Viúvo, envolve-se com Faunia (Nicole Kidman), uma empregada de limpeza amargurada com a vida, com um corpo marcado pelos maus tratos do ex-marido psicologicamente desiquilibrado que continua a persegui-la (Ed Harris) e pela morte dos dois filhos por sua negligência. Obviamente esta relação, dada a diferença de idades não será vista com bons olhos pelos locais. Coleman é também amigo de Nathan Zuckerman (Gary Sinise), um escritor prodígio em pleno bloqueio criativo.
Dada a grande profundidade do livro em que se baseia este filme: “The Human Stain” de Philip Roth uma das grandes armadilhas seria a dificuldade em projectar na tela com a devida dignidade as várias histórias e questões paralelas (que decorrem também ao longo de toda a vida de Coleman). Embora me pareça que isso foi feito, o que é facto é que uma das características negativas é a falta de emoção que o realizador nos transmite. “Culpa Humana” é sim, um filme muito frio, como a neve em que se insere. Admitindo no entanto que era esse o objectivo (afinal, “As Horas” também o era e foi aclamado pela crítica), as interpretações são medianas sendo que talvez só Ed Harris se eleva da mediania, sendo Anthony Hopkins aquele que parece estar mais deslocado na sua personagem.
Não deixa no entanto de ser uma proposta bastante interessante para quem busca um filme mais intimista com um punhado de excelentes ideias que, no início do século XXI continuam a ser (algumas infelizmente) tão actuais.
Miguel Machado
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jrbranco@sapo.pt |
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A sensação saliente depois do visionamento de “Culpa Humana” é a de que algo falhou na relação com o espectador. E nesse sentido o filme representa uma frustração a nível pessoal, tendo em conta as elevadas expectativas criadas. À partida todos os ingredientes pareciam estar reunidos: um naipe de actores excepcionais (Nicole Kidman, Anthony Hopkins, Ed Harris e Gary Sinise) e um realizador conceituado (Robert Benton) que os dirigisse, contando uma história interessante. Poderia ser eventualmente um dos grandes filmes de 2003 e um natural candidato aos prémios da academia. Nada mais falso: “Culpa Humana” revelou-se um filme mediano, sem rasgo e sem qualidade suficiente para justificar o estatuto de “grande filme”.
Apesar do sabor algo amargo que deixa, não se pode dizer que “Culpa Humana” seja um mau filme. A história que conta, pese embora não seja totalmente inovadora, assenta numa premissa interessante: a relação do individuo consigo próprio e com a sociedade que o rodeia. Tudo gira em torno da personagem interpretada por Anthony Hopkins: Coleman Silk, um brilhante professor de literatura e o reitor da universidade onde dá aulas. O seu mundo parece desmoronar quando é “expulso” da faculdade, por ter sido injustamente acusado de racismo, e a sua mulher morre de choque. Silk encontra o conforto necessário para superar a crise em Nathan Zuckerman (Gary Sinise), um escritor afastado do mundo, e em Faunia Farely (Nicole Kidman), uma modesta mulher muito mais jovem que ele. A verdade é que a relação de Silk com Faunia desperta mais uma vez uma certa rejeição social, principalmente por parte de Lester Farely (Ed Harris), um traumatizado de guerra e ex-marido de Faunia. E se a relação com Faunia parece trazer um novo alento a Silk, tal relação revelar-se-á fatal. Silk e Faunia encontram, um no outro, uma compreensão mútua para um passado de que não se orgulham. Um passado que não deixa de ser profundamente irónico.
O quarteto de actores bem tenta elevar o nível do filme, mas o veterano Robert Benton (agora com 71 anos), outrora oscarizado por “Kramer Vs Kramer”, apresenta-se aqui como um realizador menor. As excelentes interpretações dos actores, em especial de Hopkins e Kidman (mais uma), e a interessante premissa da narrativa, chocam com a realização académica, desinspirada e letárgica de Robert Benton. Letargia é, aliás, uma excelente palavra para caracterizar o filme: a realização pastosa e pouco imaginativa de Benton mergulha o espectador numa espécie de sonolência, tal a frieza com que conta a história e o distanciamento que cria com as personagens.
Enquanto análise da hipocrisia humana, ainda mergulhada num assombroso conjunto de preconceitos, o filme tem algo a dizer. Enquanto objecto que transporta uma mensagem e que conta uma história “Culpa Humana” não passa de um filme mediano e desinspirado. Tudo podia ter sido diferente: podia estar hoje a falar de um filme memorável e excepcional, mas acabei por falar de um filme que rapidamente será esquecido por todos os que o viram e que se perderá na voragem do tempo e do futuro.
João Ricardo Branco
http://cinejrb.blog-city.com/
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