Confiança

Realizador: James Foley
Intérpretes: Edward Burns, Rachel Weisz, Andy Garcia, Dustin Hoffman, Paul Giamatti, Morris Chestnut, Leland Orser, Louis Lombardi, Brian Van Holt, Donal Logue
EUA/Canadá/Alemanha, 2003
Estreia: 5 de Setembro de 2003


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
Jake Vig está prestes a conseguir consumar o maior acto vigarista da sua vida, com o objectivo de vingar a morte de um amigo. Mas o seu último esquema falhou, deixando-o a servir um chefe da máfia.


João Lopes
Como refazer o modelo de história sobre um grande golpe em que as aparências são uma verdadeira arte de «mise en scène»? Ou ainda: como imitar a ironia trágica de um autor maior como David Mamet? James Foley sabe do que se trata, uma vez que assinou uma das melhores adaptações cinematográficas do do teatro de Mamet: «Glengarry Glen Ross» (1992). Em todo o caso, desta vez o argumento (de Doug Jung) reduz-se a uma imitação superficial da densidade humana de Mamet e tudo se esgota num jogo bem oleado, mas algo gratuito, de pequenos «truques» e «surpresas» narrativas. Os actores acabam por ser melhores do que o material que têm à disposição, sendo inevitável destacar a composição breve, mas requintada, de Dustin Hoffman.

(in «DNmais», 6 Set. 2003)


   
Não se esqueçam de assinar os comentários. Obrigado.

CINEMA2000


b.p.v@iname.com
Como já estamos à espera do twist no final, os argumentistas destes filmes (desculpem a generalização) acrescentam um novo twist depois do twist, numa sucessão que transforma o filme numa espiral. Depois, obviamente, há dois tipos de filme: a minha referência na década de 90 é sempre "Os Suspeitos do Costume" onde, precisamente porque há uma revelação progressiva, o espectador está sempre a actualizar a sua verdade e essa verdade é constantemente diferente da sua verdade anterior. Neste filme, por exemplo, o argumento mente. Não no sentido da ilusão mágica, que nos faz olhar para um lado quando a acção se passa no outro; o argumento engana deliberadamente o espectador, o que, no meu caso, me provocou alguma descrença e alguma sensibilidade crítica. Gosto de filmes que consigam ser mais inteligentes, detectivescos; gosto menos de outros que precisem de construções e artifícios para lhes suportar a base. Este, no fim, já não me surpreendeu, porque eu já não estava há espera de não ser surpreendido.


jomisilva@netcabo.pt
Parece ter-se tornado uma moda recente a dos filmes em que as surpresas e as ilusões são leques que arejam as histórias procurando conquistar o espectador com a esperteza das suas pregas. Assim é com “Confiança” de James Foley. Tal como tinha sido muito recentemente com “Identidade Misteriosa” ou “Básico”, por exemplo.
“Confiança” cativa especialmente pela sua dimensão lúdica, pela inteligência da trama e pelo carisma dos actores. Edward Burns, peão central neste tabuleiro elegante de gananciosos vigaristas, destila charme e poderia ser o 12.º elemento dos “Ocean’s eleven” de Soderbergh.
É um filme que se acompanha com prazer, especialmente pelo trabalho dos actores (Burns, Dustin Hoffman e, ainda, Rachel Weisz, Andy Garcia, Luís Guzmán e Paul Giamatti), pela realização segura de James Foley e pela montagem dinâmica que confere uma enorme fluidez ao desenrolar dos acontecimentos. Cinema industrial de bom nível.

Jorge Silva


filipambrosiosousa@hotmail.com
O homem por detrás da Câmara deste «Confiança» é James Foley, responsável por filmes como «A Câmara», com Gene Hackman, e «Who’s That Girl», em que Madonna fugia de um bando de criminosos. Jake Vig (Edward Burns) é um consumado vigarista, prestes a levar a cabo o seu golpe ambicioso. No entanto, o esquema corre mal, deixando-o endividado perante um chefe da Máfia (interpretado por Dustin Hoffman), e o seu braço direito (o regresso de Andy Garcia). Para compensar o mafioso pelas suas perdas, Vig propõe-se a ajudá-lo num outro golpe bastante arriscado. A preencher o leque de actores está ainda Rachel Weisz, a namorada de Hugh Grant em «Era Uma Vez Um Rapaz». Dustin Hoffman confere assim uma certa dignidade a este filme que de outra forma poderia passar despercebido como mais uma típica história de burlões. Os ingredientes estão lá, mas a receita parece não resultar da melhor forma.
Filipa Ambrósio de Sousa


saoleal@hotmail.com
Confiança pode ser classificado num género muito característico do cinema. O típico filme de trapaceiro (Con man), do qual se pode ver referência no trocadilho do próprio título: Confidence.

A história gira à volta de um grupo de trapaceiros que vive à custa de esquemas montados para extorquir dinheiro aos “patos” que caem na esparrela. Para eles aquilo é como montar uma peça de teatro em que todos os actores têm de saber bem o seu papel para que tudo corra na perfeição. E correu, até ao dia em que o enganado tem ligações a um peixe graúdo, nada menos do que o Rei. Quando dão por si estão nas garras deste Rei e para se safarem têm de organizar um golpe a seu pedido.

O filme não traz nada de inovador, o que não significa que isso seja um ponto negativo. É a típica história de esquema montado em que nem tudo o que parece é, só nos resta gozar o espectáculo montado e tentar perceber o objectivo final. A questão coloca-se não no facto de haver intrujice, mas sim qual o grau desta e quem intruja quem. O que aqui nos é dado a ver é uma história com um bom ritmo de desenvolvimento, que nos deixa a todo o tempo curiosos sobre onde estará o truque, ou qual o Ás guardado na manga. Puro entretenimento.

Os personagens são de certa forma estereotipados, o que confere um certo estilo, essencial ao produto final. Desde o charmoso líder do bando interpretado por Edward Burns, que com o seu charme conquista todos à sua volta e o próprio espectador, passando pela “Femme Fatal”, pelo polícia obcecado, pelo mau da fita, poderoso mas maníaco, entre outros.

O argumento está bem estruturado servindo-se de uma narrativa que remete para o passado, e deste modo relata os acontecimentos ocorridos até aquele momento, o que se torna numa boa forma de manter o espectador intrigado tentando conjugar toda a informação que lhe chega.
Em termos de banda sonora esta é de muito bom nível incluindo nomes bem conhecidos como Cold Play e Madonna.

Em resumo, trata-se de um filme com charme e algo divertido e que deve agradar a todos. Um filme fresco que promete umas horas bem passadas. A não perder.

Conceição Vences Leal


paulo_ferrero@hotmail.com
Após os primeiros minutos de «Confidence», ficamos logo com a visão de grupo: trata-se de uma cópia integral dos filmes de David Mamet, para o bem e para o mal.

Sem nunca chegar à qualidade dos diálogos e das deixas dos filmes do autor de «House of Games», nem ao seu ritmo, nem mesmo aos seus «twist», «Confidance» vive sobretudo do atractivo que são normalmente os policiais de roubos «à maneira», especialmente entre vigaristas.

James Foley, que nunca chegou a desembaraçar-se do êxito de «At Close Range», roça, aqui e ali, a qualidade acima da média (os grandes-planos, o humor de algumas situações, as cores, a noite...) sem nunca descolar verdadeiramente da mediania bocejante.

Não se pode dizer que o mal resida nos intérpretes - mesmo que Edward Burns esteja mais inexpressivo que nunca, e que Hoffman se divirta a parodiar o grande Cagney -, não. O mal está efectivamente nesta coisa do «copy paste»: é que o original é sempre quem tem a chave do segredo, dado que a comparação é inevitável...

Paulo Ferrero


     
 

Deixe um comentário:

Nome:

Introduza aqui o código que aparece em baixo:


 
Classifique o filme: