XX / XY

Realizador: Austin Chick
Intérpretes: Mark Ruffalo, Kathleen Robertson, Maya Stange, Petra Wright, David Thornton, Kel O`Neill
EUA, 2002
Estreia: 18 de Julho de 2003


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 

 
Três colegas universitários iniciam uma relação perigosa a três que deixa questões mal resolvidas, que ressurgem quando se reencontram anos mais tarde.


João Lopes
Da Europa como dos EUA, continuam a surgir muitos exemplos de uma mesma vontade de recuperação da tradição melodramática. Para apenas citarmos exemplos próximos, lembremos outra novidade desta semana, «É Mais Fácil um Camelo...», ou ainda «As Regras da Atracção», de Roger Avary, e
«Sonhos Desfeitos», de Brad Silberling. «XX/XY» representa a estreia do americano Austin Chick e o menos que se pode dizer é que ele revela um sentido do detalhe psicológico e um talento na direcção de actores que o transformam num herdeiro mais que legítimo daquela tradição. Aliás, o seu filme, recusando as facilidades «liberais» de muitas ficções contemporâneas (sobretudo televisivas), vem encenar um tema pouco comum: a responsabilidade inerente a qualquer gesto de amor. «XX/XY» é um daqueles filmes que consegue fazer-nos acreditar que a dimensão humana do cinema não está perdida.

(comentário publicado na edição de 19-07-2003 do «DNmais»)


the_everl@hotmail.com
“XX/XY” é um filme que sabe a pouco. O filme tem grandes ideias: o destino de um grupo de personagens que têm que tomar opções em momentos determinantes da vida. A ideia de mostrar o antes/depois também é perspicaz. O que falha então é a gestão de tudo isso, principalmente devido a uma certa imaturidade evidenciada pelo estreante realizador. O próprio filme é indicador de ser uma primeira obra. No limite, Coles Borroughs é o “alter-ego” de Austin Chick: realizador frustrado após o primeiro filme (uma premonição?). Há uma sensação de querer mostrar várias coisas logo no primeiro filme, atingindo o seu pior na crítica à indústria cinematográfica, particularmente na cena em que o jovem pede o dinheiro que gastou no seu bilhete de volta. Mas nem tudo é mau. Os actores vão bem, principalmente Maya Stange que é possuidora de uma grande empatia com a câmara. Mark Ruffalo, depois da revelação em “Podes Contar Comigo”, não tem tido papéis de grande dimensão, mas sente-se talento a transbordar; para quando a explosão? E como Chick consegue aliar a uma boa direcção de actores alguns truques visuais interessantes, “XX/XY” torna-se um filme positivo. Mas se quisermos um grande filme sobre o destino de um grupo de personagens, e só tendo em conta tempos mais recentes, lembremo-nos de “E A Tua Mãe Também”, de Alfonso Cuarón. Acima de tudo “XX/XY” é a prova que o cinema independente americano não é de ferro. Nenhum cinema pode ser.

A ver

Daniel Pereira


anadavid@clix.pt
Uma bela comédia romântica a provar que existe muito talento no cinema dito independente.
Há, no entanto, algum desequilíbrio entre uma primeira parte passada como “flash-back” e a segunda passada no presente. De facto, na primeira parte, o tom do filme encontra-se demasiado colado aos clichés das comédias românticas para adolescentes, embora com um visual algo alternativo a estas. Mas as coisas melhoram significativamente quando a acção se fixa no presente, reunindo o trio central que nesta altura já tinha uma vida amorosa independente. Começa logo com uma sequência surreal, mas digna de figurar numa antologia do cinema: um espectador que reconhece o realizador (Mark Ruffalo) de um filme que vira há tempos e, dado não ter gostado, lhe exige o dinheiro do bilhete de volta! Ah, e já agora pede também o da namorada com quem foi na altura (apesar de já ter rompido com ela!). Hilariante, sem dúvida.
O humor marca também uma presença que merece reconhecimento. Austin Chick, parabéns, esperamos mais filmes.

Jorge Silva


   
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CINEMA2000


Pac
Este filme é belo, muito belo. Na melhor tradição do cinema independente americano surge um filme assim. Despretensioso, solto, leve com actores em estado de graça. Sem tramas secundárias nem enredos supérfluos. Só a densidade das relações em que nos perdemos para sempre,só aquilo que queremos e aquilo que não queremos.
Acrescente-se a realização cuidada e inteligente e temos um filme a não perder.


paulo_ferrero@hotmail.com
Não há dúvida que a nova geração de realizadores que por aí anda é a garantia de que o cinema norte-americano está bem e recomenda-se. Austin Chick, de seu nome, é mais um dessa já longa lista.

Com efeito, o seu filme-estreia, o independente "XX / XY", é um agradabilíssimo exercício à volta das relações sentimentais - "ménage à trois", XX / XY/ XX, se assim se pode dizer -, sobre as portas que se fecham e se abrem, e que lembra (pela positiva e muito) o universo de Truffaut; pelo ritmo, pelos diálogos curtos e incisivos, por um certo tom de humor, pela iluminação, pelos enquadramentos e por uma grande beleza visual.

A realização e a montagem fazem efectivamente mil maravilhas; veja-se os "raccord" de Coles e Sam, os planos em "ralenti", o grão, etc. Os actores, esses estão impecáveis, com especial destaque para Mark Ruffalo (já brilhara em "You Can Count on Me").

Paulo Ferrero


     
 

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