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As Regras da Atracção
Realizador: Roger Avary
Intérpretes: James Van Der Beek, Shannyn Sossamon, Ian Somerhalder, Kate Bosworth, Jessica Biel, Kip Pardue, Thomas Ian Nicholas, Clifton Collins Jr., Faye Dunaway, Swoosie Kurtz, Eric Stoltz
EUA/Alemanha, 2002
Estreia: 4 de Julho de 2003
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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João Lopes
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Parte 1: as dúvidas
Será que este vai ser o Verão «de-todos-os-desperdícios»? Será que vai haver mais casos como o de «A Flor do Mal»/«White Oleander», um belíssimo melodrama, com nomes como Michelle Pfeiffer e Renne Zellwegger, que foi lançado quase como se fosse um objecto apenas para cumprir calendário?
Dito de outro modo: será que vão proliferar os filmes que estavam à espera nas prateleiras, agora lançados sem que seja pensada a sua especificidade, isto é, sem que se coloquem as duas questões básicas? A saber: 1) Que filme é este? 2) Que público pode ser tocado por este filme?.
Dito ainda de outro modo: será que vamos assistir a essa coisa penosa que é ver «As Regras da Atracção» tratado como se fosse um filme de adolescentes estúpidos feito para adolescentes estúpidos? E não será, sobretudo, que vale a pena interessarmo-nos, todos, pela inteligência dos espectadores? Porquê? Pela mais simples e universal razão: porque cada um de nós é um espectador.
Isto para dizer que «As Regras da Atracção» tem vários pontos que o recomendam:
a) É uma realização de Roger Avary, realizador de «Killing Zoe» (1994) e argumentista de «Pulp Fiction» (1994).
b) É uma adaptação do romance homónimo de Bret Easton Ellis, retratista cruel e genial da ressaca anímica e social dos anos 80, já anteriormente transposto para cinema em «Menos Que Zero» (1987), por Marek Kanievska, e
«American Psycho» (2000), por Mary Harron (o seu romance «Glamorama» vai ser filmado, também por Avary, prevendo-se o respectivo lançamento em 2004).
c) É uma espantosa travessia dramática de um modo de viver (e morrer), inseparável das ideologias hedonistas da década de 80 e, em particular, da clivagem brutal entre «pais» e «filhos» (questão que ecoa ainda, se bem que com outras determinações e ressonâncias, no «Elephant», de Gus Van Sant, recentemente premiado com a Palma de Ouro, em Cannes).
Mais ainda: este é um filme que, utilizando alguns actores dos mais estereotipados e medíocres «filmes-de-adolescentes», os trata com um carinho invulgar, proporcionando-lhes algumas extraordinárias composições. A reter, em particular: a fragilidade tocante de Shannyn Sossamon e a arrogância, afinal hiper-vulnerável, do espantoso James Van Der Beek.
Será que este Verão vai «matar» um filme como «As Regras da Atracção»?
11-06-2003
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Parte 2: a estreia
(Texto publicado no «DNmais», de 5 de Julho de 2003)
Canadiano, nascido em 1965, Roger Avary é uma personagem mais ou menos «oculta», mas lendária, da galáxia Tarantino, tendo colaborado na escrita de «Reservoir Dogs» (1992) e «Pulp Fiction» (1994). No mesmo ano de «Pulp Fiction», escreveu e dirigiu «Killing Zoe», crónica delirante de um sangrento assalto a um banco que, rapidamente, ascendeu à condição de objecto de culto (e que, entre nós, nunca teve estreia comercial...). Ultimamente, Avary fixou-se no universo do escritor Bret Easton Ellis, tendo adaptado este «As Regras da Atracção» e preparando, para 2004, a versão cinematográfica de «Glamorama». O menos que se pode dizer é que «As Regras da Atracção» sabe preservar as componentes vitais da escrita de Easton Ellis. A saber: a visão clínica do hedonismo destrutivo de uma certa população universitária americana e uma espécie de remorso romântico que faz de cada acontecimento um terrível exercício de introspecção. Nesta perspectiva, o trabalho de Avary é cúmplice do espírito das outras adaptações de livros do mesmo escritor: «Menos Que Zero» (1987), de Marek Kanievska, e «American Psycho» (2000), de Mary Harron. Estamos, assim, muito longe da boçalidade do mais vulgar «filme-de-adolescentes», mesmo se alguns dos actores, completamente transfigurados, vêm dessa área (veja-se James Van Der Beek e o repare-se como ele pode ser admirável). Avary celebra, afinal, a possibilidade de um novo realismo, cruel e desencantado, alicerçado numa visão clínica das relações amorosas que, em boa verdade, o coloca em contacto com a mais nobre tradição melodramática de Hollywood. Sem dúvida uma das grandes estreias deste Verão.
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Parte 3: o lançamento
Felizmente, não se confirmaram as expectativas menos optimistas que, em cima, exprimi. Pode mesmo dizer-se que este foi um caso de lançamento trabalhado sem aparatos gratuitos e com sentido de objectividade, na procura do público potencial. Sintoma disso? O próprio «boca-a-boca» que o filme tem gerado.
11-06-2003
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gonn1000@hotmail.com |
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SIM, OUTRO FILME DE ADOLESCENTES
Co-argumentista de "Cães Danados" ("Reservoir Dogs") e "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino, e realizador de "Killing Zoe", Roger Avary adapta, em "As Regras da Atracção" ("The Rules of Attraction"), a obra literária homónima de Bret Easton Ellis para o grande ecrã.
Através de "Psicopata Americano", "Menos que Zero", "Os Confidentes" ou "Glamorama", Ellis retratou, com uma ácida e cortante perspectiva, as experiências dos adultos jovens norte-americanos – especialmente a facção “yuppie” - durante os anos 80 e a alvorada dos anos 90, com um estilo singular que despertou as mais diversas reacções.
Um filme como "As Regras da Atracção" mantém essa natureza corrosiva e dura indissociável da obra de Ellis, apresentando simultaneamente traços aparentados dos títulos cinematográficos em que Roger Avary trabalhou (humor negro, niilismo, ambientes sombrios, entre outros).
Focando as peripécias de três jovens universitários, a película gera um olhar negro e inquietante sobre domínios da angústia adolescente e do período de instabilidade emocional que vinca a chegada à idade adulta.
Tendo em conta que o argumento é baseado num livro de Easton Ellis, "As Regras da Atracção" raramente apresenta momentos de candura e optimismo, optando antes por despoletar uma complexa teia que combina a tragédia e a comédia de forma desconcertante (a cena do suicídio, em particular, elabora essa estranha mistura de coordenadas).
Contrariamente à maioria dos filmes de adolescentes habituais, marcados por uma linearidade e esquematismo que em nada inovam, aqui a narrativa encontra-se repleta de camadas e texturas, registando-se uma efervescente interligação entre a intrincada montagem, os truques da câmara ("split screens", "rewinds" e demais estratégias de sedução visual) e a adequada banda-sonora (onde constam The Cure, Erasure ou Love&Rockets, entre outros nomes agarrados às fronteiras indie/mainstream). Esta lúdica vertente formal contribui muito para o surgimento de uma aura específica que afasta "As Regras da Atracção" do "teen movie" mais banal, mas para além do (apelativo) estilo, o filme contém ainda suficientes doses substância.
A curiosa mescla de som e imagem é complementada pela refrescante narrativa que se divide pelas perspectivas de vários narradores, o que cria um interessante - ainda que por vezes confuso - ritmo para o filme (o dinamismo narrativo lembra, por exemplo, os saudosos "Pulp Fiction" ou "Trainspotting").
Devido à sua dimensão de filme-"puzzle", "As Regras da Atracção" possui um argumento pouco convencional, centrado, essencialmente, nos pontos-de-vista de três personagens: Sean (interpretado por um soturno e convincente James Van Deer Beek), egoísta e arrogante, um daqueles protagonistas susceptíveis de desencadear as mais fortes aversões devido à aparente escassez de valores que o redimam; Lauren (a sempre eficaz Shannyn Sossamon), uma relutante jovem que tenta resistir à solidão enquanto espera pelo regresso do namorado; e Paul (Ian Somerhalder, provavelmente a melhor interpretação do filme), bissexual e incapaz de criar laços sólidos com os que o rodeiam.
As interacções do trio protagonista originam um conturbado triângulo amoroso quando Paul (ex-namorado de Lauren) tenta aproximar-se de Sean, embora este o repudie ao investir numa tentativa de sedução de Lauren.
Estas relações entrecruzadas estão na origem de cenários de frustração e desilusão, que Avary condimenta com consideráveis doses de comédia negra a par de algumas cenas irreverentes e algo gratuitas.
Pela narrativa circular passa uma reflexão sobre o vazio e vulnerabilidade emocional, e por detrás do "fogo de artifício" encontram-se atmosferas de solidão e amargura, que se revelam à medida que as personagens se afastam progressivamente de uma certa unidimensionalidade inicial. O último terço do filme é particularmente intrigante, pois após a descarga de cinismo, hedonismo e aspereza, Avary proporciona envolventes e inesperados territórios góticos e poéticos, cujo ponto alto é o diálogo final entre Paul e Lauren e o abrupto - e muito apropriado - final.
Esta amálgama de episódios a espaços inconsequentes com uma subtil vibração dramática confunde e pode tornar-se desconfortável - a canção "So Alive", dos Love&Rockets, nunca foi tão sinistra como na poderosa cena entre Sean e Paul - mas torna "As Regras da Atracção" num muito estimulante retrato da crise de valores e princípios, da depressão e da desumanização que se insinua nas sociedades contemporâneas.
Não se procura, aqui, fornecer uma visão demasiado realista da experiência universitária (até porque seria redutor caracterizá-la somente com um enfoque baseado no negrume e desolação), antes um olhar satírico e cáustico sobre a natureza dúbia e a carga mais negra do decisivo processo de crescimento.
"As Regras da Atracção" oferece, assim, uma viagem emocional alucinatória e hipnótica tão ímpar e memorável como os igualmente recomendáveis "Donnie Darko", de Richard Kelly, ou "Ghost World - Mundo Fantasma", de Terry Zwigoff, outros entusiasmantes títulos indie acerca das tensões da juventude actual.
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com |
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CINEMA2000 |
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zigtron@hotmail.com |
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Só um detalhe, o filme não se passa na década de 1980. Há internet e sites de sexo, ecstasy, mercedez slk amarela (ser uma 2001), uma BMW 325i último tipo, as músicas, as roupas, o tipo do skate de Lauren, o CD que deveria ser trocado antes de levar o amigo ao hospital, enfim, tudo relativo a este momento e época. Isso leva a perguntar, o enfoque do filme se modifica?
Acho que sim, já que se trata de algo de agora, do hoje e não de um passado obscuro.
Mas enfim, isso não muda a percepção de tratar-se de um filme ok, dentro das expectativas que deveríamos preencher diante de um filme comercial americano. |
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the_everl@hotmail.com |
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Depois do “tarantinesco” filme de estreia “Killing Zoe”, Roger Avary regressa com este “As Regras da Atracção” que, como já se disse nalgum lado, pode bem ser a morte do “teen-movie”. Se calhar não será assim tão extremo; será mais um “anti-teen-movie”. Ou seja, filme de adolescentes mas, sentimentalmente, virado do avesso. É certo que estão lá momentos de comédia, mas a quilómetros de distância de “American Pie” e companhia. A comédia aqui funciona mais em jeito de sátira como tão bem o cinema independente americano sabe fazer. O filme centra-se em três jovens (vampiros que bebem sexo em vez de sangue) e é o seu final que nos é apresentado no fabuloso genérico (o melhor desde “Magnólia”? Magnífico grande plano de Bateman que parece mesmo um vampiro) em que o filme anda, literalmente, para frente e para trás para nos apresentar as visões dos três protagonistas. Recorrendo a uma montagem invulgar e bastante adequada, Avary constrói não só um genérico mas também todo um filme formalmente muito interessante. Para além do aspecto formal é também muito boa a forma como é retractado o mundo adolescente – apesar de ser uma fase maravilhosa, por vezes, também consegue ser horrível porque nem tudo corre sempre como gostaríamos. Para sentirmos este espírito é fundamental o excelente desempenho dos actores nucleares. Assim, junta-se uma temática sempre fascinante a uma realização original e muito agradável. Muito simplesmente: o primeiro grande filme do segundo semestre.
Indispensável
Daniel Pereira
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sithlord1978@netcabo.pt |
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Não é um Transpotting, nem uma Laranja Mecânica, nem mesmo um Clube de Combate mas o melhor é ser diferente de todos estes. Não é uma obra-ptima mas está lá quase.
Fernando Campos
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filipambrosiosousa@hotmail.com |
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Regras para quebrar
O novo filme de Roger Avery, «As Regras da Atracção», revela vários pontos que fazem no mínimo, criar uma certa curiosidade ao mais céptico cinéfilo. O realizador, responsável por «Killing Zoe», de 1994, e argumentista do fenomenal «Pulp Fiction». O facto de ser baseado no romance homónimo de escritor de culto, Bret Easton Ellis, retratista genial da sociedade norte-americana dos anos 80, responsável por «American Psycho» e «Menos Que Zero», ambos igualmente adaptados ao cinema. E utiliza actores esterotipados nos chamados «trash-movies» de adolescentes, mas explorando o seu lado interpretativo com excelentes composições. Mas vamos à história. No cenário de uma opulenta escola liberal de Artes na Nova Inglaterra, em 1980, temos um triângulo amoroso. Ou meramente sexual. Sean Bateman ( James Van Der Beek), irmão mais novo do psicótico Patrick Bateman de «American Psycho», magistralmente interpretado no cinema por Christian Bale, trafica drogas. Na outra ponta temos Paul Owen (Ian Somerhald), e ex-namorado da bela, sensual e virginal Lauren (Shannyn Sossamon). Sean deseja Lauren, que namorou com Paul, actualmente bissexual e que agora deseja Sean. Num total ambiente de deboche, festas e com um olhar clínico sobre a juventude norte-americana dos anos 80, o realizador consegue analisar satiricamente o «essencial» da vida de estudante, que não é de todo o politicamente correcto. Num mundo onde não há regras e onde tudo é permitido.
Filipa Ambrósio de Sousa
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anadavid@clix.pt |
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Adaptando o romance homónimo de Bret Easton Ellis – sátiro “enfant terrible” da literatura norte-americana – Roger Avary debruça-se sobre a época dolorosa do final da adolescência/princípio da idade adulta, com o confronto entre as convenções sociais e de grupo e as angústias individuais. Fá-lo com um assinalável sentido cínico e com uma enorme vontade de dinamitar os lugares comuns que alguns filmes acéfalos sobre a juventude veiculam para os multiplexes. Pode ser uma experiência interessante para quem o for ver à espera de se deparar com (apenas) uma agradável forma de passar o tempo. É que em vez da habitual função rocambolesca do sexo, drogas e rock’n’roll; aqui estes ingredientes, indispensáveis aos filmes centrados na juventude, têm a proveitosa função de sublinhar a corda bamba em que as personagens se tentam equilibrar.
Avary tem ainda o mérito – reforçado pelas manipulações do tempo operadas na montagem – de conceber a história como uma sensual dança de corpos que serpenteiam as emoções da mesma forma que saltitam de uns para os outros.
Muito boa é ainda a utilização das músicas (verdadeira colectânea pop mais ou menos alternativa) e a forma como elas se imbricam na narrativa e conferem espessura – dramática ou cómica – ao retrato, ao mesmo tempo que pauta o ritmo da dança. A dança dos jovens à volta do abismo.
Jorge Silva |
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John_Parker |
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Pouco Atractivo
Tem de facto bons actores e, talvez, boas intenções. Mas a realização cabotina e inconsistente de Avary conseguem destruir aquilo que nunca foi construído-«Regras de Atracção» insiste em ser confuso, original e irreverente, mas é, na realidade, um «American Pie» disfarçado de filme «indie».
Tenta chocar por ser obsceno; tenta ser uma caricatura de alguma coisa por ter muitas personagens; tenta inovar por fazer retroceder a imagem ou por dividir o ecrã ao meio e tenta alimentar uma montagem confusa aparentemente muito «cool». A questão é que falha em todos estes aspectos: é cansativo, não convence e, sobretudo, é banal.
Parece que Avary trabalhou com Tarantino, mas não deve ter aprendido a realizar com pragmatismo e a saber contar uma ou vários histórias. Avary não conta nada e torna «Regras de Atracção» num esforço inconsequente, da maior das frivolidades. Decididamente, pouco atractivo.
Classificação:*(Dispensável)
Luís Mendonça
Alfred_Hitchcock@hotmail.com |
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Lomba@mail.pt |
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Um filme que tenta a todo custo ser diferente e acaba por cair nos mesmos "clichés". Um retrato distorcido sobre os adolescentes, ambicioso na forma, retrógado no conteúdo. Um punhado de boas ideias que se esgotam em interpretações unidimensionais, em diálogos desinteressantes e em preciosismos técnicos. É seguramente um dos piores filmes do ano.
Bruno Lomba aka Puskitas ( #q.i)
http://qi.proboards10.com
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nemesis@netcabo.pt |
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"Objecto" muito estranho este «As Regras da Atracção», mas muito interessante.
Por um lado, pode ser difícil para o espectador português relacionar-se com o retrato da "classe universitária americana" apresentado no filme, mas, no fundo, esse retrato é visceralmente "exagerado" para que transponha quaisquer barreiras culturais e permita identificarmo-nos nele.
Obra habilidosa fazer com que todo o frenesi emocional e sensual do filme sirva para nos mostrar os alicerces mais "vulneráveis" da dimensão psicológica de cada personagem.
Enfim...
Ainda estou um bocado alienado.
Obra curiosa.
Recomenda-se. |
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hugo.carvalho@cdl.oa.pt |
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Os filmes de adolescentes estúpidos e bocejantes são um produto exportado massivamente pela indústria cinematográfica norte-americana. Em antítese têm chegado aos ecrãs obras como Donnie Darko, O mundo Fantasma, Prozac e este Regras da Atracção que, apesar de serem filmes marcadamente “teens”, transportam os personagens para uma profunda agonia onde não existe nenhum final feliz à vista nem tão pouco um sorriso esperançado estampado no rosto. Mostram que o caminho da juventude faz-se penosamente e em travos amargos.
As Regras da Atracção é uma adaptação do livro com o mesmo nome, escrito por um dos icones da cultura Pop norte-americana da última década Bret Easton Ellis. Apesar das dificuldades que uma adaptação de uma obra destas acarreta, Roger Avary faz um óptimo trabalho que digna não só a temática do livro como também o estatuto que tem entre os seguidores do escritor. Depois de Bret Easton Ellis ter tido direito a duas adaptações de outros tantos livros seus (Menos que Zero e Psicopata Americano) que caíram merecidamente no esquecimento, tem agora um filme capaz de fazer jus às suas palavras e aos seus personagens desamparados.
Hugo Carvalho |
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nuno.pinho@netvisao.pt |
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AS REGRAS DA ATRACÇÃO
Boa adaptação de Roger Avary do romance de Bret Easton Ellis (a mesma d’O Piscopata Americano, também convertido em filme) acerca do hedonismo que afecta largamente a nossa sociedade e que é de certa forma importado da realidade norte-americana aqui retratada. O filme terá até mais pertinência para os europeus, pois o nosso momento actual de valores (“grosso modo”) está mais perto do que é apresentado do que a própria sociedade americana actual. Trata-se pois de uma sociedade em busca desenfreada do prazer egotista, mas sem uma base mínima de valores e princípios pessoais. O que torna toda a demanda pessoal num conjunto de impulsos auto-destrutivos.
O que se apresenta como ponto de partida são as desventuras amorosas de três jovens universitários, que acabam sempre por enveredar pelos caminhos que mais temiam: o jovem conquistador que não se queria apaixonar, a jovem que queria perder a virgindade da forma “apropriada”, o jovem homossexual que não se queria apaixonar por um heterossexual. Os três vão formar um curioso triângulo amoroso. O que se torna realmente interessante é o alto grau de neurose que todos apresentam, como que profundamente afectados pelo ambiente decadente e confuso que os envolve. Penso que o filme é realmente sobre o meio em que se inserem as personagens mais do que sobre elas mesmas. Poderá não ser agradável para todos os tipos de espectadores a forte carga sexual implícita e explicita do filme, mas não se pode negar o interesse do tema nos dias que correm.
O filme tem alguns momentos realmente interessantes e bem conseguidos (o expoente máximo da qualidade do filme e do seu carácter talvez seja a cena da viagem pela Europa), mas não consegue manter uma hegemonia qualitativa constante. Alguns gostarão dos “truques de câmera” (“rewinds”, ecrã dividido, etc.), outro nem tanto. A verdade é que ajudam a tornar o filme mais ébrio, desígnio que este procura desde a primeira cena. As personagens estão bem interpretadas, especialmente pelos vértices masculinos do triângulo interpretativo (Sean Bateman e especialmente Paul Denton). Existem várias pontas na narrativa (nem todas bem resolvidas), mas que permitem um leque de cenas variadas e geralmente divertidas. No fim, porém, tal como o adolescente que passa o dia a rir-se, mas no fim se sente deprimido, sentimo-nos vazio pelas tragédias que estivemos a observar. Pela crítica mordaz a uma sociedade moderna cada vez mais desumanizada, “Regras da Atracção” é um filme que merece um visionamento atento.
Ps: a proximidade com “Psicopata Americano” não se fica pelo autor, mas os espectadores atento que descubram o resto. Pista: estejam atento às conversas telefónicas :)
Nuno Pinho a.k.a. O_Dunas (irc) |
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paulo_ferrero@hotmail.com |
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«The Rules of Atraction» é Bret Easton Ellis 100% puro. Todo o seu virtuosismo e sentido crítico, mas também todo o seu espalhafato que visa o choque; fazem deste filme de Roger Avarym um filme a não perder, de modo nenhum.
Porque tem um protagonista Bateman (não Patrick, mas Sean), protagonizado por um surpreendentemente soberbo James van der Beek. Porque não temos água Evian nem «yuppies» obcecados com roupa Billy Blass, mas temos os «college kids» americanos do costume; revoltados com tudo e contra todos, estragados pelo dinheiro dos papás, «snifados» e «robots» sexuais, enfim, os produtos dos anos 80`s.
Do costume, mas desta vez, e ao contrário da última adaptação feita a Ellis, aquando de «American Psycho», agora há personagens com alma. Até a narração na primeira pessoa parece ter mais vida. Avary deu consistência emocional às personagens (que permitiu, como já se disse, a realização de boas «performances» em território «pouco credível») e esse é um dos dois trunfos do filme.
O outro trunfo reside nos aspectos mais técnicos da realização de Avary & Cia. Brilhante a todos os níveis (ex. sequência do suícidio). Inovadora, mesmo. O uso da câmara, os recuos e avanços, a banda sonora; tudo, ou quase tudo. Só é pena que a certa altura o filme entre em circuito fechado, para, perto do fim, atacar em «tour de force».
Que «Glamorama» seja ainda melhor!
Paulo Ferrero
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CINEMA2000 |
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