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Neo e o Arquitecto: o que eles dizem em «Matrix Reloaded»
Alguns visitantes do CINEMA2000 têm discutido a cena entre Neo e o Arquitecto, em «Matrix Reloaded» — apresentamos a transcrição da conversa entre as duas personagens.
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Muitas foram as dúvidas entre os espectadores em relação ao diálogo entre Neo e o Arquitecto perto do final de «Matrix Reloaded». A distância é muito pequena entre os que apreciaram as revelações contidas nas palavras do Arquitecto, os que ficaram confusos e os que consideraram a «filosofia» da cena ridícula. O CINEMA2000 publica em português a transcrição dessa conversa tão polémica, para ajudar a esclarecer as pistas apresentadas pelo filme... porventura ajudando a lançar novas questões.
O Arquitecto- Olá, Neo.
Neo- Quem é você?
O Arquitecto- Eu sou o Arquitecto. Eu criei a Matrix. Estava à tua espera. Tens muitas perguntas, e embora o processo tenha alterado a tua consciência, permaneces irrevogavelmente humano. Portanto, algumas das minhas respostas vais entender, e algumas delas não. Do mesmo modo, enquanto a tua primeira pergunta talvez seja a mais pertinente, podes ou não perceber que ela é também irrelevante.
Neo- Que faço aqui?
O Arquitecto- A tua vida é uma soma de um resíduo de uma equação desequilibrada inerente à programação da Matrix. És o acaso de uma anomalia, a qual, apesar de meus mais sinceros esforços, sou incapaz de eliminar do que é, de outra forma, uma harmonia de precisão matemática. Embora isso continue a ser um fardo continuamente evitado, não é inesperado, e dessa forma não está para lá de uma medida de controle. E foi isso que, inexoravelmente, te trouxe aqui.
Neo- Não respondeu à pergunta.
O Arquitecto- Pois não. Interessante. Foste mais rápido que os outros.
As reacções de outros «Escolhidos» aparecem nos monitores: «Outros? Que Outros? Quantos? Responda-me!»
O Arquitecto- A Matrix é mais antiga do que imaginas. Eu prefiro começar a partir da emergência de uma única anomalia integral até o surgimento da próxima, e nesse caso, esta é a sexta versão.
Novamente, as reacções dos outros «Escolhidos» aparecem nos monitores: Cinco versões? Três? Tenho sido enganado também. Isso é mentira!
Neo- Há apenas duas explicações possíveis: ou ninguém me contou, ou ninguém sabe de nada.
O Arquitecto- Precisamente. Como estás indubitavelmente a perceber, a anomalia é sistemática, criando flutuações até mesmo nas equações mais simplistas.
Novamente, as reacções dos outros «Escolhidos» aparecem nos monitores: «Não podes controlar-me! És um homem morto! Não podes obrigar-me a fazer nada!
Neo- Escolha. O problema é escolha.
O Arquitecto- A primeira Matrix que eu projectei era naturalmente perfeita, era uma obra de arte, sem defeitos, sublime. Um triunfo igualado apenas pelo seu monumental fracasso. A inevitabilidade de sua perdição é evidente para mim agora como uma consequência da imperfeição inerente a cada ser humano, pelo que a redesenhei baseada na vossa história para reflectir, com mais precisão, os variantes aspectos grotescos da vossa natureza. No entanto, fui novamente frustrado pelo fracasso. Desde então, comecei a entender que a resposta me iludiu porque ela requeria uma mente menor, ou talvez uma mente menos espartilhada pelos parâmetros da perfeição. Dessa forma, a resposta colocou-se no caminho de outra, um programa intuitivo, inicialmente criado para investigar certos aspectos da psique humana. Se eu sou pai da Matrix, ela seria, sem dúvida, a sua mãe.
Neo- A Oráculo.
O Arquitecto- Por favor… Como estava a dizer, ela colocou-se no caminho de uma solução, segundo a qual aproximadamente 99,9% de todas as cobaias testadas aceitaram o programa, desde que lhes fosse dada uma escolha, mesmo se elas estivessem cientes dessa escolha a um nível quase subconsciente. Enquanto essa resposta funcionou, ela era obviamente defeituosa na sua essência, criando, dessa forma, uma contraditória anomalia sistemática, que, se não fosse vigiada, podia ameaçar o sistema em si mesmo. Portanto, aqueles que recusaram o programa, embora uma minoria, se não forem verificados, podem constituir uma probabilidade exponencial de desastre.
Neo- Isto é sobre Zion.
O Arquitecto- Estás aqui porque Zion está prestes a ser destruída. Cada um de seus habitantes exterminados, a sua inteira existência erradicada.
Neo- Tretas!
A resposta dos outros «Escolhidos» aparece nos monitores: «tretas!»
O Arquitecto- A negação é a mais previsível das reacções humanas. Mas, tem a certeza, esta será a sexta vez que destruímos Zion, e temo-nos tornado cada vez mais eficientes nisso.
Cena intercortada com Trinity a lutar com um Agente
O Arquitecto- A função do «Escolhido» é agora regressar à Origem, permitindo uma disseminação temporária do código que transportas, reinserindo o programa principal. Depois disso, terás que escolher da Matrix 23 indivíduos, 16 fêmeas e 7 machos, para reconstruir Zion. A falha em cumprir com este processo vai resultar numa cataclismática queda do sistema, matando todos os que estão ligados à Matrix, o que, aliado à exterminação de Zion, resultará, em última análise, na extinção de toda a raça humana.
Neo- Não vais deixar isso acontecer, não podes deixar. Precisas dos humanos para sobreviver.
O Arquitecto- Há níveis de sobrevivência que estamos preparados para aceitar. No entanto, a questão relevante é tu estás ou não pronto para aceitar a responsabilidade pela morte de todos os seres humanos do planeta.
O Arquitecto pressiona um botão numa caneta que está a segurar e imagens de pessoas de toda a Matrix aparecem nos monitores.
O Arquitecto- É interessante ler as tuas reacções. Os seus cinco predecessores foram projectados baseados numa predicação similar, uma afirmação contingente que foi feita para criar uma profunda ligação ao resto de sua espécie, facilitando a função do «Escolhido». Enquanto os outros viveram isso de uma maneira comum, a tua experiência é muito mais pessoal. Vis-a-vis, Amor.
Imagens de Trinity a lutar contra o Agente do sonho de Neo aparecem nos monitores
Neo- Trinity.
O Arquitecto- A propósito, ela entrou na Matrix para salvar-te com o custo da sua própria vida.
Neo- Não!
O Arquitecto- O que nos trás, enfim, ao momento da verdade, onde a falha fundamental é finalmente expressa e a anomalia revelada tanto como um início e um fim. Existem duas portas. A porta à tua direita leva à Origem, e à salvação de Zion. A porta à tua esquerda leva-te de volta à Matrix, a ela, e ao fim da tua espécie. Como adequadamente colocaste, o problema é escolha. Mas nós já sabemos o que vais fazer, não sabemos? Já posso ver a reacção em cadeia, os precursores químicos que sinalizam o princípio da emoção, projectada especificamente para subjugar lógica e razão. Uma emoção que já te está a cegar da simples e óbvia verdade: ela vai morrer e não há nada que possas fazer para impedir isto.
Neo caminha em direcção à porta a sua esquerda
O Arquitecto- Humph. Esperança, é a quintessência do delírio humano, simultâneamente a fonte de sua maior força, e sua maior fraqueza.
Neo- Se estivesse no teu lugar, desejaria não nos voltassemos a encontrar.
O Arquitecto- Não voltamos.
FIM DE CENA
* Os momentos que se referem aos outros «Escolhidos» podem ser interpretados de forma diferente. Podem ser os «Neo» do passado que vemos nos écrans das televisões ou simplesmente as reacção de Neo: o Arquitecto não refere implicitamente que pode ler as reacções de Neo. Este não é o argumento oficial, mas uma transcrição, que pode ser lida na versão original aqui. A tradução teve como base a leitura desse original e um segundo visionamento de «Matrix Reloaded».
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03-06-2003 |
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