Visto do Céu

Título original: The Lovely Bones
Título (Brasil): Um Olhar do Paraíso
Realização: Peter Jackson
Intérpretes: Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Jake Abel, Saoirse Ronan, Stanley Tucci, Susan Sarandon, Michael Imperioli
Estados Unidos/Grã-Bretanha/Nova Zelândia, 2009
Estreia: 11 de Março de 2010


Média dos
Espectadores
   
 
 
Susie Salmon tinha apenas 14 quando foi assassinada em Dezembro de 1973, no caminho da escola para casa. Após a sua morte ela continua a vigiar a vida da sua família enquanto o seu assassino continua à solta...







Manolas
Um Filme muito bom.
Adorei os contrastes de ficção/real.
Interpretações excelentes.
Stanley Tucci desempenha um papel arrepiante e que mora em muitas almas, infelizmente.
Confesso que o filme deixou-me perturbado e zangado, não pela essência do mesmo, mas pela mensagem cruel e real que temos pela frente.
O que será de nós no sitio errado e na hora errada?
Este filme coloca-nos lá e deixa-nos apreensivos.


Gonçalo Sá
BAD TASTE

Se "Visto do Céu" não for o pior filme de Peter Jackson, não deverá andar muito longe. Depois da eficaz (e sobrevalorizada) trilogia "O Senhor dos Anéis" (2001-2003) e de uma óptima revisão de "King Kong" (2005), o realizador neo-zelandês regressa com uma mistura muito pouco convincente de drama familiar e thriller sobrenatural.

Esta história, onde uma adolescente assassinada por um vizinho acompanha a sua família do céu, até arranca de forma promissora mas vai sendo cada vez mais mal contada.

E como o filme ultrapassa as duas horas, os seus raros bons elementos acabam por ficar diluídos numa narrativa forçada e indecisa.

Seria injusto não reconhecer o empenho de Saoirse Ronan, uma protagonista apropriadamente encantadora (e que, tal como em "Expiação", volta a roubar todas as cenas) ou a composição de Stanley Tucci, capaz de dar alguma espessura a um vilão caricatural. Ou até a sensibilidade que Jackson é capaz de revelar em meia dúzia de momentos.

Mas depois há muitos mais actores mal dirigidos, caso de uma Rachel Weisz estranhamente apagada ou de um Mark Wahlberg que se limita a coleccionar expressões estupefactas (quase tão risível como o imberbe casal adolescente).

E nem Susan Sarandon, com algum carisma, consegue ajudar muito, protagonizando uma despropositada sequência cómica (?) e sendo pouco mais do que papel de parede durante o resto do filme.

O pior, no entanto, são os episódios sobrenaturais, que quebram o intimismo ou suspense de algumas cenas ao investirem numa overdose de efeitos visuais ocos e artificiais, numa fusão foleira de psicadelismo e ambiências new age.

Cereja em cima do bolo, o destino do vilão de Tucci é das reviravoltas mais insultuosas dos últimos tempos e afunda decididamente um filme repleto de fragilidades. E que nem parece resultado do autor do perturbante "Amizade sem Limites" (1994), a obra da filmografia de Jackson com que "Visto do Céu" mais se aproxima no plano temático. Infelizmente, a nível qualitativo as diferenças não podiam ser mais contrastantes.

http://gonn1000.blogs.sapo.pt/


tiago silva
Peter Jackson tem um enorme talento e visão cinematográfica. Não pode de modo algum ser considerado one hit wonder.É preciso mencionar alguns outros trabalhos pouco conhecidos dele. Por exemplo, tem um mockumentary, Forgotten Silver, sobre um cineasta neo-zelandês pioneiro, que descobriu uma série de técnicas que revolucionaram a sétima arte, que é genial, tendo conseguido convencer profissionais do ofícío. A sua versão de King Kong é uma maravilhosa homenagem ao cinema, excepto a parte da ilha , que é comprida e chata.
Muitas das obras dele pecam pela extensão. Se alguém o aconselhasse a depurar um pouco os seus trabalhos, seria ainda melhor. Mas ele tem o bichinho do cinema e toda a sua linguagem é visão cinematogáfica.
Esperemos que ainda continue a fazer muitos filmes e que o talento dele produza um filme ainda mais equilibrado, porque tudo o quer ele faz me dá a impressão que pode fazer ainda melhor.
Quanto a The Lovely Bones, o melhor são os actores e a cinematografia e o pior é a história.
Pode ser uma questão de gosto, mas o argumento é um bocado desinteressante.
O que eu aprecio mais em Peter Jackson é mesmo a visão cinematográfica. Espero que lhe ponham à frente um bom argumento e que não o deixem esticar-se. É como se ainda precisasse de um mentor.


Pedro Gomes
De facto pertenco à franja dos que constatam que Peter Jackson parece ser um "One Hit Wonder", pese no caso dele que sejam 3, os seus grandes sucessos. Antes e depois da Triologia dos Aneis... apenas lixo.


Nuno Fernandes
Antes de mais, obrigado ao Cinema 2000. Fui ver a ante-estreia a Coimbra como acompanhante de um vencedor de um convite.

Gostei:
- Excelente cinematografia.
- Momentos policiais e de suspense, com cenas de cortar a respiração, como aquela em que Lindsey Salmon entra em casa de George.
- Pormenores deliciosos, como a cena em que o inspector procura George através da miniatura da casa, e este lhe dá a referência para a cave, deixando algumas pistas para o desfecho do filme
- Boa banda sonora
- Excelentes interpretações de Stanley Tucci e Saoirse Ronan


Não gostei:
- As cenas do limbo celestial, visualmente deixam muito a desejar. Geradas por computador, são muito monótonas
- A junção de dois géneros, fantasia sobrenatural e drama familiar, fazem com que este filme pareça uma mistura desequilibrada.


Cátia
Fique absolutamente encantada com E por este filme... confesso que não li muito acerca dele antes de entrar na sala de cinema. Sabia apenas ser realizado por Peter Jackson (o que é sempre apelativo) e ter imagens divinais... Considerando isto devo dizer que foi uma boa descoberta...
Adorei a forma como o real e o imaginário se tocam de forma tão harmoniosa sem perderem a credibilidade, o modo como a alegria e vivacidade do local antes-do-céu contrasta com a angústia e sofrimento da realidade...
De salientar ainda o desenlace... um misto de alegria, tristeza e reflexão.
Este filme ficou na minha lista de favoritos.


maria das dores
Foi a maior decepção do ano. Não gostei da perspectiva da abordagem. Tendo em conta que é uma histórica verídica seria preferível assistir a um filme que relatasse a verdadeira historia do serial killer, desde o primeiro ao último crime e não a perspectiva da criança estar no limbo, feliz a ver ‘o que se passa cá em baixo’. É uma questão de gosto e opinião.


Brigite
Pouco deixam para dizer acerca deste filme... Não é um filme para se dizer... É um filme para se sentir...
Extravasa o corpo... o material...
Também penso que algumas cenas pecam por exagerarem um bocadinho no tempo que demoram... "Já sentimos o que tinhamos para sentir" naquela cena e no entanto ela persiste...
Mas é um bom filme para reflectir na efemeridade... Na injustiça... E por consciencializar que nem sempre lutar contra a injustiça é o melhor... Por vezes... mais vale tentar apreciar a paz...
É um sexto sentido em permanência...


Jorge Silva
Provavelmente a maior desilusão do ano, tendo em conta que o realizador é o autor do fenomenal "Senhor dos Anéis", e também da nova e bela versão de "King Kong". O filme falha desde logo na definição do género, pois nunca consegue equilibrar-se entre o drama familiar e o thriller sobrenatural. As sequências do limbo celestial são, aliás, frequentemente penosas, pois nunca colam visual ou emocionalmente. Enfim, um passo atrás na carreira de Peter Jackson, até porque as bilheteiras também não lhe sorriram. Mas salva-se o excelente "boneco" de Stanley Tucci.

avidanaoeumsonho.blogspot.com


Alex Aranda
O Céu Visto por Jackson

O cinema de Jackson não se limita a delírios gore ou a épicos fantasistas. De vez em quando, Jackson resolve ser um pouco mais intimista, humano e comovente. Tudo começou em 1994, depois de Jackson se ter tornado um autor de culto entre festivais de cinema de terror e fans do género (com essas pérolas que foram “Bad Taste”, “Meet the Feebles” e o mítico “Braindead”). O filme chamava-se “Heavenly Creatures”, revelou-nos Kate Winslet, mostrou as capacidades de Jackson com actores e como lidar com histórias onde as pessoas tinham mais relevo. Saiu-se bem (recomendo vivamente a (re)descoberta desta preciosidade), ganhou imensos elogios, prémios, abriu-lhe as portas de Hollywood e “obrigou” Jackson a fazer cinema “respeitável”.
Por isso, um filme como “The Lovely Bones” dentro da filmografia de Jackson, não espanta o cinéfilo mais atento.
Jackson elabora um belíssimo filme, intenso, encantador e comovente, muito devido ao inteligente argumento e à excelência das interpretações, da música, da fotografia e dos efeitos visuais (que estão sempre ao serviço da história e originam momentos de rara beleza e magia).
Jackson percorre o mundo “real” com drama, vai até ao Além e dá-lhe cor, pelo meio passeia-se pelo suspense (veja-se a cena em que o assassino descobre que há mais alguém na sua casa – um momento que vai fazer muita gente roer as unhas).
O amor maternal e paternal, a Vida e a Morte, a forma como lidamos com ela e como esta não nos afasta daqueles que amamos. Tudo tratado com muita sensibilidade.
Uma pequena preciosidade e um dos melhores filmes do ano.


Fernando Oliveira
Lembrei-me algumas vezes de “Twilight”, onde Catherine Hardwicke conseguia transmitir de forma notável uma atmosfera quase mágica que se coadunava muito bem com a irrealidade da história.
Porque quase no fim de “The lovely bones” ouvimos “Song to the siren”, versão do clássico de Tim Buckley pelos This Mortal Coil, lembrei-me de que quando ouvimos esta ou, por exemplo, algumas canções dos Cocteau Twins (também cantadas por Elizabeth Frazer), dos Dead Can Dance (quando cantadas por Lisa Gerrard), ou “Boadecia” do primeiro álbum de Enya, nos sentimos quase como de fora deste mundo, num lugar de quase transcendência.
Na adaptação do romance de Alice Sebold, Peter Jackson tinha de conseguir fazer sentirmo-nos assim. A história de Susie Salmon (espantoso desempenho de Saoirse Ronan); que depois de ter sido assassinada com treze anos “acorda” num lugar-antes-do-Céu, e daí nos conta como tudo aconteceu, para depois vermos com ela a forma como a sua família lida com a dor do luto e com a necessidade de encontrar o culpado; contada nos seus dois níveis de realidade tinha de o ser com um sentir que conjugasse ao suspense da “perseguição” ao assassino, ou mais da “perseguição” do assassino, o deslumbramento do mundo do além, de nos fazer sentir a magia daquilo tudo, de nos sufocar com a irrealidade da situação. E Peter Jackson não o consegue. Nem o realizador consegue resolver como devia as regras do thriller mais ou menos policial, como as imagens, geradas por computador, que formam as paisagens do além-mundo são de uma inexplicável monotonia, são aborrecidas. É, portanto, um filme falhado.
Mas a verdade é que no fim saímos enleados por uma sensação de desconforto, que não vem da qualidade do filme, mas daquilo que nos conta o filme. É verdade que é um filme falhado, mas também um onde pressentimos que com outras escolhas seria um filme grandioso.

Fernando Oliveira


Jaime H. Moura
À partida um argumento com um imenso potencial, que merecia uma exploração correcta... Peter Jackson espalha-se neste filme, pois perde-lhe o pulso a partir do momento em que a jovem protagonista é assassinada!

O que salvou este filme para mim foram alguns momentos onde é possível notar a mão correcta e firme de Jackson, pois de outra forma é demasiadamente desequilibrado...
A culpa recai toda no realizador e na montagem do filme... Na minha opinião, era necessário um realizador que soubesse filmar famílias para explorar correctamente a desagregação dessa estrutura, isto é, a vida depois de uma tragédia absolutamente arrasadora, os pais, os irmãos… (para não falar do espírito que está no limbo). O "how do they cope with all of that" não existe verdadeiramente no filme.

É uma imensa pena que pouco se aproveite deste filme, resta esperar que daqui a alguns anos se lembrem de fazer um remake e finalmente acertem no tom...


Vitor Alves
Trata-se dum filme muito rico em termos cinematográficos, cenários lindíssimos e muito bem realizado. Peca um pouco por momentos um pouco demasiado parados e sentimentais.
Um filme razoavelmente bom que aconselho a ser visionado.


sofia vieira
Adorei o filme!
Não sabia da nomeaçâo para óscar "Best Performance by an Actor in a Supporting Role" do actor Stanley Tucci. Mas quando terminou o filme comentei que ele esteve mesmo muito bem no seu papel.
Cenários brilhantes que nos deixam envolver nos sentimentos mais profundos do ser humano: perda, revolta, vingança, ódio, amor, saudade, amizade..


Filipa Gameiro do Carmo
Sempre soube que Peter Jackson era capaz de dominar efeitos visuais e batalhas épicas como poucos; ontem, graças ao Cinema 2000, fiquei a conhecer o seu talento para gerir emoções: angústia, desejo, frustração, perda, ternura. Um filme poderoso baseado numa excelente obra de Alice Sebold, um dos projectos mais acarinhados por Jackson. E o resultado é convincente: boas interpretações (óptimas no caso de Stanley Tucci e Susan Sarandon), cadência e ritmo narrativos perfeitos que nos empurram para um desfecho que todos desejávamos mas que não sabíamos se iria acontecer... Peter Jackson mostra-nos sentimentos, deambula pelo espaço interno das personagens, como quem antes mostrara elfos, anões e hobbits: de forma tão vívida que as emoções ali reveladas se misturam tão subtilmente com as nossas. Uma experiência maravilhosa que peca, a meu ver, por alguns momentos demasiado "new age"/vídeo dos Jackson Five no que toca à imagética do "limbo" e do "céu". A prova de que livros bons também podem dar filmes bons.


António Santos
Boa noite e antes de mais queria agradecer o facto de me terem oferecido a possibilidade ir à antestreia em Coimbra deste grande filme.

Relativamente ao filme tenho apontar que se trata de uma grande história e que realmente dá para perceber e de uma forma fascinante o realce que tem o facto de enquanto a vida que neste caso está numa dimensão de transição para o eterno descanso na felicidade extrema (o dito céu merecido) há coisas que tendem a não ser esquecidas por parte das pessoas que ficam no mundo terrestre e que por isso o descanso não chega e é de facto desta feita, uma forma muito original de ver os lado "emocional" das pessoas que morrem e que “sentem” que ainda não é o tempo de “descansarem” enquanto houver “problemas” por resolver. Achei o final fascinante e não quero evidenciar aqui nenhum SPOILER mas houve sem dúvida uma total coerência do que podia e de facto aconteceu. Paz é o cerne do filme.

Relativamente ao elenco, sem dúvida que o Stanley Tucci merecia o Óscar. Muito carismático e construiu muito bem a sua personagem. De realçar que mais uma vez o realizador Peter Jackson soube nos dar um filme com excelentes gráficos ao que ele já nos habitou com as personagens a saírem-se muito expressivas não verbalmente (principalmente a actriz Saoirse Ronan). A mistura e transição de cores tornam o filme mais belo do que já é e a forma de que como é efectuado em algumas partes do filme as transições de frames e de como a câmara é angulada até ao ínfimo pormenor são de louvar e de dar ainda mais gosto de assistir à tela.

Classificação: 8/10
Porquê?
Num só visionamento não dá para dar a nota justa deste filme que pela envolvência que eles nos causa se aproximaria perto da nota 10.


Sérgio Santos



The Lovely Bones (Peter Jackson) (2009)



Excelente filme, um dos melhores filmes que vi em 2009, sim, vi este filme no ano passado. A história já está muito batida, bem como o tema vida pós morte, já o vimos em filmes como “What Dreams May Come” ou “Ghost”, entre outros. Mas este filme é possuidor de uma beleza estonteante. Peter Jackson realizou mais uma obra prima, tal como havia feito em filmes como “The Lord Of The Rings”, “King Kong” ou em “Heavenly Creatures”. “The Lovely Bones” é um filme espectacular e muito bonito, que conta a história de uma menina de 14 anos que é brutalmente assassinada por um pérfido criminoso, um pedófilo, para ser mais preciso. A menina chama-se Susie Salmon (Saoirse Ronan) e o criminoso chama-se George Harvey (Stanley Tucci). Stanley Tucci é um excelente actor e prova-o mais uma vez com este seu papel, uma grande interpretação. Jack Salmon (Mark Wahlberg) é o pai de Susie, que ama muito as suas duas filhas e fica transtornado quando Susie morre. Abigail Salmon (Rachel Weisz) é a mãe da familia, também ela uma mãe estremosa e que adora as filhas. Lindsey Salmon (Rose Mclver) é a irmã de Susie e a actriz que a desempenha também representou muito bem o seu papel. Por último temos a bela e talentosa Susan Sarandon, que representa a avó de Susie e Lindsey Salmon. “The Lovely Bones” apresenta cenários verdadeiramente assombrosos e dignos de nos espantar o olhar, algo só visto por mim, nos filmes “Avatar”, “The Lord Of The Rings”, “The Fall” e no enigmático “What Dreams May Come”. O drama em que as personagens vivem está plenamente representado no grande ecrã. As interpretações das jovens Ronan e Rose estão perfeitas. O filme está muito bem escrito e dirigido e o realizador soube na perfeição articular bem o argumento e as imagens, bem como toda a história. Parabéns a Peter Jackson por mais um belo filme e parabéns também a ele por mais esta maravilhosa história muito original. Não me posso esquecer de frisar a sua excelente banda sonora, absolutamente divinal.

Ideal : Para quem queira ver cinema de grande qualidade e perfeição.

O melhor : Quase tudo.

O Pior : Nada a realçar, só o facto de Stanley Tucci não ter ganho o oscar.



     
 

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