Imagens de Palermo

Título original: Palermo Shooting
Título (Brasil):
Realização: Wim Wenders
Intérpretes: Campino, Giovanna Mezzogiorno, Dennis Hopper, Inga Busch, Gerhard Gutberlet
Grã-Bretanha/Alemanha/França/Itália, 2008
Estreia: 5 de Março de 2009


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
Fotógrafo de sucesso de renome mundial, Finn leva uma vida tão proeminente como agitada. Dorme muito pouco, o seu telemóvel nunca pára de tocar e a música dos seus auscultadores são a companhia mais constante. Mas quando, subitamente, a sua vida fica fora de controlo, Finn parte e deixa tudo para trás. A sua viagem leva-o de Dusseldorf até Palermo. Aí, vê-se perseguido por um misterioso atirador que o segue com um propósito de vingança. E, ao mesmo tempo, uma nova vida está a começar para Finn. E um grande amor...

*****

* Wim Wenders, Giovanna Mezzogiorno, Dennis Hopper no Cinema2000.







Maria João Gaspar  
Adorei a banda sonora, uma das presenças fundamentais no filme. Apreciei os silêncios mais que os diálogos, cheios de subentendidos. Admirei a imagem que passa dos tons frios da Alemanha para os tons quentes de Palermo, da arquitectura futurista para a tradicional, mostrando a beleza tão diferente de ambas. Finalmente, a crise existencial como tema retratada com uma profundidade e um interesse invulgares hoje em dia no cinema.


José Filipe Sanchez  
Gosto muito dos filmes de Wim Wenders e não considero este ao nível de outros anteriores mas reencontrei a procura do destino, a interrogação sobre o sentido da vida e da morte e, sobretudo, adorei o facto de a personagem principal ser um fotógrafo porque dá ao filme uma dimensão e um significado muito especiais. O fotógrafo que retrata as aparências e capta as almas das pessoas e dos objectos vivendo uma crise existencial...


Gonçalo Baptista  
Para ser franco, quase adormeci. Filme lento, diálogos sem intensidade, mas adorei a banda sonora e também a imagem que, claro, tratando-se da crise existencial de um fotógrafo teria, obrigatoriamente, uma presença importante neste filme.


Catarina La Fuente
Mais um road movie de Wim Wenders, mais uma procura de identidade, do sentido da vida e da morte... Desta vez, um fotógrafo, não por acaso com certeza. Um homem que passa a vida a reproduzir a aparência dos outros e das coisas mas, ao mesmo tempo, procura atingir a sua essência. A banda sonora é uma das personagens principais e o silêncio de ouro mais que os diálogos, embora o não dito esteja sempre a espreitar por trás do dito. Um excelente filme de um excelente realizador.


Carlos Natálio/c7nema.net
Não é mistério para muita gente que a identidade autoral sempre foi para Wim Wenders uma espécie de catalizador traumático do seu universo artístico. Essa identidade é algo que, na sua óptica, tem de ser constantemente alimentada por mais do que obras, por acções visíveis que traduzam a cada momento o reafirmar de um estatuto. Já quase trinta anos se passaram desde “Lightning Over Water”, (1980). Aparte os discursos de homenagem conduzida por um fascínio ou, nos antípodas, de exploração eticamente duvidosa, o certo é que o documentário sobre os últimos momentos da vida de Nicholas Ray representa, na carreira de Wim Wenders, uma primeira eulogia: um primeiro passo de entrada, ou aproximação, mais ou menos forçada, ao panteão dos “grandes” (se é que tal espaço existe).

É pelo menos desde aí que o sucesso de Wenders se constitui, através da permeabilidade das suas personagens a essa insegurança identitária. Personagens em viagem e em vazio interior que percorrem o espaço exterior como se caminhassem “por dentro”, no cruzamento de uma espécie de naufrágio emocional e geográfico. ”Paris, Texas” (1981), “Lisbon Story” (1994), “Wings of Desire” (1987) menos, expuseram Wenders dessa maneira, em plena travessia de fascínio pelo mundo e incerteza existencial.

Em “Palermo Shooting”, nomeado para a Palma de Ouro em Cannes mas também já apelidado como um dos piores filmes de 2008, o envelhecimento ganha expressão no território dramático do realizador alemão. Naquele, Finn, um conceituado fotógrafo germânico (interpretado por Campino, o vocalista da célebre banda rock alemã “ Die Toten Hausen”) parte para uma viagem de “trabalho” em Palermo, com o fim de esclarecer o seu estado de misteriosa insatisfação. Apesar do sucesso profissional, o fotógrafo, marcado pela morte da mãe, começa a sentir o tempo como mera escassez de minutos até ao fim. E se na sua primeira metade “Palermo Shooting” é a instalação da “suspeita” em Finn, na fria Dusseldorf natal de Wenders, a segunda parte corresponde a uma desterritorialização como forma de exorcismo interior, ganhando a obra contornos de travelogue/thriller místico (exorcismo e viagens essas, tão caras a Wenders).

O mais constrangedor é a limpidez de tudo isto: a clareza do alter ego sempre vitimizado de Wim Wenders e o ressurgimento dessa angústia latente de não pertença ao mundo dos grandes cineastas (que o falhanço das últimas obras incutiu de novo no realizador). Assim, há uma pressa de nova aproximação ao mundo autoral, como se precisamente “o tempo nunca fosse agora”, mas sim uma corrida pela afirmação, como ilustra o final do filme. E nessa corrida, Wenders visita Antonioni (o fotógrafo de “Blow Up”), Bergman (a célebre composição da morte em “The Seventh Seal”), a morte da imagem barthiana, o expressionismo, os sonhos “gondrianos” e até um certa tensão surreal que em Lynch seria ironia da desconstrução e que em “Palermo Shooting” se converte em superficialidade.

Nesse sentido, a digressão da obra de Wenders não é pelas ruas de Palermo, não é sequer pelo conflito de uma personagem que vê o tempo a passar inexoravelmente. É sim um “road movie” pelas identidades que Wenders gostaria de ter assumido. Por isso, filma as pessoas, as ruas, com uma pressa de as ter nos seus planos, uma urgência de ilustração simbólica, onde o que ganha protagonismo é a câmara em si e não o lado de lá. “O estranho caso de Wim Wenders” é precisamente o análogo ao dilema do filme de Fincher: o envelhecimento ao reverso, não de dum corpo físico mas de um corpo de ideias.

Uma das personagens diz, a certo momento, que a imagem fotográfica é como que a morte do momento, da realidade, o “inverso” do próprio cinema. Acrescentamos nós que filmar uma história onde todos os seus elementos tudo fazem como se estivessem a ser observados pelo espectador é, senão o inverso do próprio cinema, pelo menos uma entropia desinteressada do mesmo.

O Melhor: a banda sonora que dá força por si só a alguns momentos.

O Pior: os diálogos risíveis que transformam estados poéticos em xico-espertice.


A Base

“O estranho caso de Wim Wenders” é precisamente o análogo ao dilema do filme de Fincher: o envelhecimento ao reverso, não de dum corpo físico mas de um corpo de ideias. 4/10



Diana Esperança Virgílio Cardoso  
Achei "Imagens de Palermo" bastante fraco. O filme é muito lento, a história não desenvolve, o argumento também e fraca e as representações nada acima do normal. Algumas imagens são bonitas, algumas metáforas boas, mas é só.
Também tive vontade de sair a meio do filme... Não fosse a minha teimosia em ver sempre os filmes até ao fim...


Susana M.
Fui à ante-estreia deste filme e devo confessar que em certos momentos tive vontade de me levantar e sair da sala. O filme acompanha o dia a dia de um fotografo alemão famoso, em plena crise existencial, que viaja até Palermo onde vagueia pelas ruas e é perseguido pela figura da morte. Filme pretencioso e com dialogos banais. Salva-se a banda sonora.


     
 

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