Título original: Auf der anderen Seite
Título internacional: The Edge of Heaven
Título (Brasil): Do Outro Lado
Realização: Fatih Akin
Intérpretes: Baki Davrak, Nursel Kose, Hanna Schygulla, Tunkel Kurtiz, Nurgul Yesilçay, Patrycia Ziolowska
Turquia/Alemanha, 2007
Estreia: 9 de Outubro de 2008
João Lopes
Média dos Espectadores
Nejat desaprova que o seu pai, viúvo, viva com a prostituta Yeter, a sua nova amiga. Tudo muda quando descobre que ela manda dinheiro para a Turquia, para a faculdade da filha. Quando subitamente Yeter morre, a distância entre pai e filho aumenta. Nejat viaja então para Istambul para tentar encontrar Ayten, a filha de Yeter.
O realizador alemão, de raízes turcas, Fatih Akin, nosso conhecido através de «Head-On, A Esposa Turca», volta a encenar uma história que coloca em cena, justamente, as complexas relações entre personagens alemãs e turcas. É um filme certeiro, quase didáctico na sua construção, e apoiado num excelente trabalho global dos actores (incluindo Hanna Schygulla).
(Cannes 2007)
Arthur Medeiros
Após assistir Do Outro Lado, fiquei bastante intrigado, sem saber qual minha avaliação sobre o filme. Antes mesmo de definir um conceito, assisti em seguida Contra a Parede. Minha cabeça ficou ainda mais confusa. Ambos os filmes trazem uma falta de perspectiva no destino de seus personagens, e fugindo do pradrão, o "final feliz" não vem.
arthurmedeirosf@gmail.com
Torres Peixoto
Um filme bem esgalhado, sem agenda do politicamente correcto, servido por uma cadência correcta.
Luís Mendonça
Vi-o há dias e ainda não sei muito bem o que escrever sobre ele. É que Fatih Akin revela uma solidez notável a contar as suas histórias de personagens martirizadas, em doloroso sofrimento, que navegam entre uma "cinzenta" Alemanha e uma violenta, e nostálgica, Turquia. Há nelas uma desolação e um pessimismo que, a espaços, nos parecem excessivos, quase manipuladores, pela forma como Akin usa as personagens e os seus destinos (palavra-chave neste filme) para transmitir sentimentos extremos, de angústia insuportável (a mãe que num sinistro quarto de hotel chora a morte da filha é das cenas mais violentas do cinema recente) e de amor comovente (muito do que "o filho" representa neste filme e também a paixão arrebatadora entre duas mulheres...). E por isso os seus dois últimos filmes combinam uma viagem física com outra de enorme carga emocional, que é interior e profunda. "Do Outro Lado", ainda assim, é um amadurecimento assinalável em relação ao anterior filme: revela uma segurança maior a contar as várias histórias que a povoam, e que se tocam inúmeras vezes (lembrando, sem chatear, Iñarritu); e, acima de tudo, existe nele uma serenidade (mais uma vez "o filho"...) que não tinha espaço no excessivamente turbulento "Head-On". Também temos em "Do Outro Lado" um retrato acutilante da actual situação política na Turquia: qualquer coisa que não destoa muito da luta revolucionária no Portugal do Estado Novo. No entanto, o papel das mulheres aparece como decisivo na luta de resistência a um regime de maioria islâmica, que quer afastar a Turquia da democracia (e, ulteriormente, da União Europeia). Akin é muito directo na sua mensagem de contestação em relação à presente conjuntura política do país com o qual tem uma relação afectiva forte (ele é alemão, mas os pais são turcos), mas não deixa de pôr as emoções (todas elas...) no comando dos acontecimentos.