Título original: Superhero Movie
Título (Brasil): Super-herói: O Filme
Realização: Craig Mazin
Intérpretes: Drake Bell, Sara Paxton, Christopher Macdonald, Leslie Nielsen, Kevin Hart, Marion Ross, Regina Hall, Tracy Morgan, Pamela Anderson
Estados Unidos, 2008
Estreia: 21 de Agosto de 2008
Crítica de: Jorge Pinto e Sérgio Dias Branco
Média dos Espectadores
Rick Riker é jovem, simpático, divertido e tem super-poderes. Agora, se ao menos os soubesse utilizar...
«Superhero Movie Um Estrondo de Filme» é mais um terrível spoof movie. Neste caso, o alvo são as mega produções de cinema baseadas nos super-heróis da banda-desenhada. Actualmente, os filmes paródia assumem-se como sanguessugas cinematográficas, em que o principal objectivo, entreter e fazer rir, é ultrapassado pelo abuso na repetição de gags, que insistem nas mesmas piadas ocas, e «Superhero Movie» não é excepção. O produtor David Zucker é um graduado neste tipo de entretenimento (vejam-se os divertidos «Aonde é que Pára a Polícia» e «Aeroplano»), mas infelizmente este filme não tem a mesma sorte dos seus melhores projectos.
Este objecto não tem um enredo “original”, agarra-se como uma lapa a outra narrativa, sobretudo a de « Homem-Aranha», e o resultado é humor aquém das expectativas, pois não se consegue dar um spin humorístico na maioria das situações por falta de engenho e alguma saturação. O constante extremismo para além da primeira gargalhada, o humor escatológico, da web, a tentativa de sátira social e televisiva, são formas ultrapassadas para fazer rir, todos o fazem. Além disso, os actores são pobres: o protagonista é desinteressante e pouco carismático, e nem Leslie Nielsen salva o filme, apesar de ser aquele que está melhor.
Tudo se amontoa a uma colagem de sketches dignos de um «Saturday Night Live» completamente falhado. Daí que, mesmo com setenta e cinco minutos, que resumem mais o estouro de ideias do que um estrondo de filme, «Superhero Movie Um Estrondo de Filme» pareça demasiado longo. Sem que as audiências reajam, os autores continuarão estagnados em areias movediças, e esta tendência veio para ficar. Para humor em função do mito de super-heróis, que obviamente pode ser feito de corpo e alma, sugiro a leitura da mini-série Kick-Assde Mark Millar, autor de “Wanted”, uma demonstração das inúmeras possibilidades de parodiar o universo dos super-heróis.
SÉRGIO DIAS BRANCO (Cinema2000)
Outra paródia, desta vez aos filmes de super-heróis, tão populares hoje em dia — a matriz é a história do Homem-Aranha contada por Sam Raimi, mas com elementos de narrativas sobre outras personagens, dos X-Men ao Batman. As piadas são fáceis e repetitivas, mas pelo meio há algumas mais elaboradas, p.ex., sobre a indústria farmacêutica norte-americana. E há pelo menos um momento inesquecível, num filme que imita os filmes que parodia, por vezes plano a plano — daqueles momentos que neste tipo de filmes desmontam a “fabricação” do cinema de ficção: herói e vilão lutam e a câmara rodopia em volta deles até o primeiro pedir que o operador pare, antes que as tonturas e o enjoo piorem.
Porquê que continuam a fazer este tipo de filmes? É só o lucro que interessa? Piadas muito fáceis, humor muito duvidoso, a Pamela Anderson no cartaz e a entrar em apenas 1/ 2 minutos do filme...
O primeiro Scary Movie ainda era uma boa paródia aos filmes de terror. Os que se seguiram, como este, já chateiam...
Mas enquanto houver público que os veja, isto não vai parar...
E atenção que vêm aí a caminho o Disaster Movie. Mas este, pelo menos, não engana ninguém... Vai ser mesmo, um desastre de filme!