Título original: Chapter 27
Título (Brasil):
Realização: J.P. Schaefer
Intérpretes: Jared Leto, Lindsay Lohan, Judah Friedlander, Matthew Humphreys, Mark Lindsay Chapman
Estados Unidos/Canadá, 2007
Estreia: 31 de Julho de 2008
Críticas de: Jorge Pinto e Sérgio Dias Branco
João Lopes
Média dos Espectadores
A história de Mark David Chapman e os dias que o levaram a assassinar o lendário membro dos Beatles, John Lennon.
Um filme que pode parecer chato e aborrecido mas que se for visto com olhos de ver percebe-se a intenção dos autores, e a mensagem que ele quer transmitir ao publico... Mas deixo de ja a minha opiniao sobre a Lindsay Lohan, uma actriz jovem e que sera certamente uma grande actriz, dado todo seu historial, e com estes novos papeis em que ela ja nao é apenas a menina bonita e doce dos filmes da Disney, mas sim uma mulher ja madura...
Jorge Pinto Cinema2000
Um dos filmes mais aborrecidos de 2008, «Capítulo 27 - O Assassinato de John Lennon» resume-se a um supérfluo relato sobre Mark David Chapman (Jared Leto), uma narrativa oca e com falta de imaginação dos seus últimos dias, que antecederam um dos assassinatos do século XX. Trata-se de um roteiro turístico em classe económica, por Nova Iorque, hotéis piolhentos, viagens de táxi, uma noite muda com uma prostituta e claros sinais que algo não estava bem em Chapman. As tentativas de suicídio, os solilóquios desconcertantes, formam um crescendo até ao acto consumado. No papel de uma fã de Lennon, Jude (interpretada por Lindsay Lohan) é uma personagem excepção, das poucas que tem um diálogo coerente com Chapman, mas não consegue trazer a audiência para uma obra com um espírito ausente. O argumento bem tenta, sem sucesso, inventar um passado e as afinidades de um homem, mas perde-se nas limitações da figura real.
A estreia deste sorumbático filme levanta a questão do seu lançamento nas salas, muito por culpa de Jared Leto, que, para além de actor, é vocalista da popular banda 30 Seconds To Mars. Se ele pudesse levar aos cinemas o mesmo público que esgota os espectáculos, certamente que este poderia ter sido um capítulo diferente, pelo menos do ponto de vista comercial. A sua interpretação é aceitável, mas não radical: o empenho passou pelo aumento de peso e de uma encenação do sotaque sulista, mas é compreensível que Leto esteja mais empenhado a “interpretar” um músico do que a assassinar estrelas da música.
O que se pode aproveitar de «Capítulo 27» é o esboço dos paparazzi e groupies pré-históricos. Dentro do contexto da adoração, por vezes obsessiva, em redor das estrelas nos Estados Unidos, apercebe-se que a obra tenha a sua razão de ser. Já do ponto de legado histórico, certamente os documentários televisivos, sem serem chatos, concisos e com maior emotividade, fazem asserções mais ressonantes das pessoas envolvidas neste trágico evento.
O que é lamentável é que o curioso documentário que retratava a fase pós-Beatles de Lennon na sua luta por ideais universais através da música, «The U.S. vs. John Lennon», ainda esteja por editar em Portugal. Enquanto isso, estreia este pesaroso registo da vida de um famoso paranóico esquizofrénico. Plenos exemplos de falta de visão, dentro e fora dos ecrãs.
Não é bom sinal quando a meio de um filme de apenas 80 minutos o público olha recorrentemente para o relógio. O que é certo é que, não sendo o seu tema magia, CAPÍTULO 27 - O ASSASSINATO DE JOHN LENNON conquistou a proeza de deixar toda uma sala de cinema boquiaberta, não pela sua extravagância, mas porque executa na perfeição um truque que consiste em transformar esses ínfimos minutos num suplício extraordinariamente entediante.
O filme acompanha Mark David Chapman durante os três dias precedentes ao assassinato do ex-Beatle, centrando-se na sua obsessão pelo livro The Catcher In The Rye de J. D. Salinger (intitulado Uma Agulha No Palheiro por estes lados).
O homicídio de uma das personalidades mais idolatradas da história recente, revelou-se um tema demasiado espinhoso para o debutante J.P. Schaefer, tendo a sua inexperiência se traduzido num argumento desconexo e sem conteúdo. Vai buscar inspiração a TAXI DRIVER (1976) e durante várias vezes a estruturação do filme assemelha-se a O ASSASSÍNIO DE RICHARD NIXON (2004), mas nunca consegue aproximar-se do nível da obra de Niels Mueller, principalmente porque nunca desenvolve a personalidade de Chapman de forma suficientemente esclarecida. Se o propósito do filme era dissecar a mente do carrasco de John Lennon, então tudo falhou redondamente. O que nos é apresentado no ecrã resume-se a conjunturas sem sentido, que não permitem a ninguém realmente compreender o móbil do acto de Chapman. O que dá para compreender é que o autor dos disparos de 8 de Dezembro de 1980 tinha sérios problemas psicológicos e esquizofrenia, mas daí nada de interessante advém.
Vale o esforço de Jared Leto, que para encarnar Mark David Chapman teve que ganhar cerca de 30kg, conferindo algum peso artístico ao filme com uma boa prestação. Apenas errou na escolha de um papel que provavelmente em nada vai retribuir o seu empenho. Já Lindsay Lohan representa uma personagem sem sal nem pimenta, que parece apenas estar ali para que o argumento pudesse também ele engordar uns minutinhos.
Tecnicamente, a realização de J.P. Schaefer nada acrescenta de valor a uma obra que morre logo pela insuficiência do argumento.
Do outro lado do Atlântico o filme foi boicotado pelos fans de John Lennon, que o acusam de glorificar o homicida do cantor. É da maneira que não desperdiçaram 84 minutos que seriam muito mais bem passados a ouvir qualquer um dos discos dos Beatles…
SÉRGIO DIAS BRANCO (Cinema2000)
A última imagem resume o filme: o assassino de John Lennon a dirigir-se a nós sobre um fundo branco. Adoptar o ponto de vista de David Chapman (Jared Leto) não garante à obra um ponto de vista sobre os eventos que pretende retratar. A voz-off confessional, os sussurros fugazes, as imagens efémeras, emulam a estrutura de Uma Agulha no Palheiro de J. D. Salinger (livro com 26 capítulos sempre presente na mente do protagonista) e restringem a narração à perspectiva de Chapman, ao seu “mundo interior”. Mas este não é um interesse pela personagem. Se fosse, a personagem teria de ser situada num mundo mais alargado, exterior, com o qual interage: é tão-só uma curiosidade inconsequente pela sua patologia. O filme está sempre demasiado perto — por vezes literalmente, como quando Chapman arruma e alinha os seus pertences sem que a câmara deixe ver a largueza e aprumo dos seus gestos. Esta proximidade resulta num fechamento que acaba por anular as potenciais ressonâncias desta história.