Padrinho... Mas Pouco

Título original: Made of Honor
Título (Brasil):
Realização: Paul Weiland
Intérpretes: Patrick Dempsey, Michelle Monaghan, Kevin McKidd, Selma Stern, Sydney Pollack
Estados Unidos/Grã-Bretanha, 2008
Estreia: 19 de Junho de 2008

Críticas de: Jorge Pinto e Sérgio Dias Branco


Média dos
Espectadores
   
 
Para Tom, a vida não podia ser melhor: é sexy, tem sucesso com as raparigas, e sabe que pode sempre contar com Hannah, a sua melhor amiga e sempre presente na sua vida. Tudo é perfeito até Hannah decidir ir para a Escócia, numa viagem de negócios de seis semanas. É aí que Tom se apercebe de como a sua vida é vazia sem a sua melhor amiga.

*****

* Paul Weiland, Patrick Dempsey, Michelle Monaghan e Sydney Pollack no Cinema2000.


SÉRGIO DIAS BRANCO (Cinema2000)  
Um mulherengo que ama a melhor amiga sem o querer admitir? Patrick Dempsey e Michelle Monaghan esforçam-se, mas esta é apenas uma tentativa de refazer uma comédia romântica como «Um Amor Inevitável» adicionando mais incidentes — que incluem uma viagem à Escócia e o frívolo choque cultural que daí advém.

S D-B


Pedro Fonseca
Mais uma comédia romântica. É o que se pode dizer deste filme. Histórias deste género já foram vistas muitas vezes nas salas de cinema. Como tal, este filme foi todo ele muito previsível. Até as interpretações não convenceram na totalidade. Dá-se muito pouco a conhecer dos personagens envolvidos no filme, claro está não só por culpa das interpretações mas também (e principalmente) do argumento. Patrick Dempsey tem uma interpretação razoável, assim como Michelle Monaghan. No entanto, a falta de química entre os dois é facilmente visível. A melhor interpretação foi sem dúvida do, recentemente falecido, Sidney Pollack. O seu último trabalho como actor. De resto, tudo igual a tantas outras comédias românticas.

Classificação: 7


Pedro Fonseca
http://mundoemquevivemos.blogspot.com


JORGE PINTO (Cinema2000)  
«Padrinho... Mas Pouco» é uma obra que recorre a localizações, personagens excêntricos e apaixonados para fazer esquecer o problema da originalidade. São os espaços que vão enchendo o vazio narrativo. O enredo quer ser transatlântico, estendendo-se por Nova Iorque e as Highlands da Escócia. Ao perceber que está apaixonado por Hannah (Michelle Monaghan), a sua melhor amiga, Tom (Patrick Dempsey) tenta conquistá-la, mas o timming não podia ser pior: ela está prestes a casar-se com Colin (Kevin McKidd), um escocês sem defeitos.

Tom, de um modo dissimulado, procura então mostrar o seu lado afectivo, até então inexistente, alterando a sua postura de supermulherengo. É uma mudança apenas aos olhos da narrativa, mas que não surte no espectador mais atento: o charme de Dempsey não é o suficiente para fazer acreditar que mudou radicalmente a sua personalidade. O que ocorre é a transformação de um caçador para um homem de uma só presa, por "culpa" do amor. O enredo ainda se “esquece” de desenvolver o romance entre Colin e Hannah: o escocês é figura de corpo presente e tudo afunila no personagem de Tom.

O desenrolar da acção em dois locais distintos diversifica as situações da típica comédia romântica, sobretudo no clímax escocês. Para além disso, cada membro deste triângulo amoroso traz um conjunto de personagens/emplastros que retiram alguma pressão sobre a trama principal, com alguns fios narrativos a criar uma ligeira fricção. Todavia, o desenvolvimento afectivo dos personagens é um conceito ausente neste objecto. Com vários meios à disposição, o filme deveria ser mais ousado e ir muito para além da reconquista romântica num destino de sonho.

Uma referência para os 42 anos de Patrick Dempsey, que continua eternamente jovem e agora revitalizado pela popularidade global graças à série televisiva «A Anatomia de Grey». Este é um projecto assente no seu star power e ele tem um desempenho regular, formando uma dupla engraçada, mas sem química, com a actuação quase plana de Michelle Monaghan. «Padrinho... Mas Pouco» apresenta ainda uma das últimas interpretações de Sidney Pollack (recentemente falecido), a pautar-se sem surpresas com o melhor desempenho do filme: apesar do pouco tempo em cena, representa com estilo, dando um ar da sua graça. A classe tem destas coisas e é pena que a sua representação não tivesse contagiado os outros actores.

Com uma premissa escanzelada, «Padrinho... Mas Pouco» é inofensivo e por vezes amável, destinado a uma audiência específica, a que se delicia com as comédias românticas. Nesse sentido, cumpre sem excepção todos os passos para o qual foi programado.


     
 

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