O Meu Irmão é Filho Único

Título original: Mio fratello è figlio unico
Título (Brasil):
Realização: Daniele Luchetti
Intérpretes: Elio Germano, Riccardo Scamarcio, Angela Finocchiaro, Massimo Popolizio, Alba Rohrwacher, Luca Zingaretti, Anna Bonaiuto
Itália, 2007
Estreia: 19 de Junho de 2008


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
Accio, um fascista susceptível é o irmão de Manrico, um comunista fascinante. Entre os dois há um constante confronto numa época de grandes paixões e de agitação social e cultural: os anos 60 e 70. A atracção de ambos por Francesca põe à dura prova a relação conflituosa entre eles que, no entanto, se distingue pela afeição, sempre presente.

*****

* Daniele Luchetti, Elio Germano e Riccardo Scamarcio no Cinema2000.


João Lopes
O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 18 de Junho de 2008, com o título `Melodrama à italiana`.

Desde os anos 90, um dos efeitos mais significativos da "berlusconização" da sociedade italiana é a formatação televisiva: mais do que um modelo de programação, o divertimento acéfalo transformou-se numa filosofia existencial e numa moral colectiva, todos os dias empenhada no esvaziamento do indivíduo e da sua dignidade. Para o perceber, basta ver «O Caimão» (2006), de Nanni Moretti.

Obviamente, não se trata de uma questão que se possa reduzir à gestão de Silvio Berlusconi (nem sequer é um problema meramente italiano, como bem sabemos). Já antes de tudo isso, a obra de um cineasta como Federico Fellini estava cheia de sinais de desencanto face à mediocridade galopante da televisão: basta citar esse filme terminal que é «Ginger e Fred» (1986).

Vale a pena voltar a lembrar tudo isso a pretexto de «O Meu Irmão É Filho Único». Se outros méritos não tivesse, o filme de Daniele Luchetti bastaria para mostrar que a normalização televisiva, apesar da sua violência social e simbólica, não conseguiu destruir a vitalidade de um cinema que se mantém fiel às suas mais nobres tradições: e a primeira que aqui emerge, em todo o seu esplendor humano (e humanista), é a do género melodramático.

Ao filmar o drama de dois irmãos separados pelas crenças ideológicas, um fascista, outro comunista (espantosas interpretações de Elio Germano e Riccardo Scamarcio), Luchetti consegue traçar um elucidativo retrato das convulsões sociais na Itália dos anos 60/70. O impacto emocional de tal retrato depende, no essencial, da preservação dos valores do melodrama familiar, sendo o primeiro e inalienável desses valores o respeito pela singularidade individual (justamente o oposto daquilo que, todos os dias, nos é imposto pela reality TV).

Há poucos dias, com a morte de Dino Risi, desapareceu um dos últimos realizadores da idade de ouro desse cinema italiano que sempre soube olhar de frente os factos e contradições do seu próprio país: Luchetti é um legítimo e brilhante herdeiro de tal tradição. Num Verão dominado pelo ruído promocional de «Sexo e a Cidade», os grandes sentimentos e emoções vêm de Itália. Incluindo o sexo, se é que é importante referi-lo.


Alexandra
Um bom filme (com altos e baixos.
A comparação com "A melhor juventude" é inevitável e este último sai a ganhar.


Francisco Teixeira
Uma obra maior do humanismo e de como a linha que separa o controle do descontrole é normalmente mais ténue do que o que se espera.


José Varela Franco
Enredo notável, pontilhado por uma certa nostalgia, num dos melhores filmes interpretativos do momento. O elenco é no minimo deslumbrante, sem falhas dando um novo valor ao argumento De uma certa maneira é uma lição de História pós-Mussolini retratada nos conflitos no seio de uma familia. O final é simplesmente comovente.


João Cravo
Um filme soberbo, a dar continuidade ao grande cinema italiano na esteira de grandes realizadores como Bertoluci e Dino Risi. A ver sem reservas por todos os apreciadores de bom cinema. A prova também que o cinema com carga ideológica, aquele que nos faz pensar, está vivo e de boa saude.


     
 

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