Reservation Road – Traídos pelo Destino

Título original: Reservation Road
Título (Brasil): Traídos Pelo Destino
Realização: Terry George
Intérpretes: Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly, Mark Ruffalo, Mira Sorvino, Eddie Alderson, Elle Fanning
Alemanha/Estados Unidos, 2007
Estreia: 15 de Maio de 2008

Crítica de: Sérgio Dias Branco


Média dos
Espectadores
   
 
Num final de tarde quente de Setembro, o professor universitário Ethan Learner, a sua mulher Grace, e a sua filha Emma estão a assistir a um recital. No caminho para casa, eles param numa bomba de gasolina em Reservation Road. Aí, num instante terrível, ele é-lhes tirado para sempre.

*****

* Terry George, Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly e Mark Ruffalo no Cinema2000.


Sérgio Santos
Excelente filme de Terry George. Boas interpretações de todos os actores, mas principalmente do grande Joaquin Phoenix. A história é boa e acontece muito nos dias de hoje. Podia acontecer a qualquer um, mas o resto, cabe à consciência de cada um.


Brysis
É bom saber que ainda existem filmes perfeitos.


Paulo Ferrero
Dramalhão tremendamente bem interpretado, este «Reservation Road», mas sem nunca transpor o limiar do ‘bem feitinho’. A história, apesar de romanceada, é tremendamente realista e actual, e gira à volta de um daqueles acidentes que parecem traçados pela força do destino, do que tinha que ser (quem não se lembra da frase premonitória «nem a correr se foge ao destino», de «Nosferatu»).

A partir daí é o desenrolar dos inerentes sentimentos de revolta e vingança, a par e passo com os de culpa e desonra, mas longe da intriga policial. Tudo é drama e multiplicidade de olhares e gestos, num festival de interpretação de paternidade egoística, de Mark Ruffalo e Joaquim Phoenix, aqui e ali furado pela serenidade maternal, frágil e pungente de Jennifer Connely. A realização pauta-se pela sobriedade, nunca enveredando pelo puxa-lágrima fácil. Podia ser melhor, mas é interessante q.b.

Cine-Australopitecus


croks
Filme muito bom. Explora muito bem as emoções humanas. Tem interpretações muito boas, e o final é digno.


Cataclismo Cerebral
Encontro Acidental


Que tremenda decepção... Reservation Road era um dos títulos pelos quais nutria expectativas bastante elevadas. Afinal, este era o filme que tinha tudo para triunfar em absoluto: para além de adaptar o romance de John Burnham Schwartz (que participou na escrita do argumento), tinha ao seu inteiro dispor o talento de Terry George (o realizador do muito bom Hotel Rwanda) e um daqueles elencos formados no brilho do céu (Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly, Mark Ruffalo e Mira Sorvino). Com um grau de potencial tão vasto, é estranho (para não dizer frustrante...) que o produto final seja tão insosso, banal e olvidável.


Reservation Road apresenta-se como uma tragédia familiar sobre a perda, a culpa e a complexidade da paternidade. Após um recital ao ar livre numa tarde de Verão, Ethan Learner (um professor universitário) e a sua mulher Grace dirigem-se para casa na companhia dos seus dois filhos. Ao pararem numa bomba de gasolina em Reservation Road, o pesadelo instala-se: o filho do casal é atropelado mortalmente e o culpado, numa decisão instintiva, abandona o local a alta velocidade. Consumido pela dor e pela ineficácia das forças policiais, Ethan conduz a sua própria investigação, que o poderá levar ao responsável pela morte do seu filho.


Infelizmente, nada aqui é novo. A história até arranca bem, mas cedo se percebe que as grandes questões da premissa serão exploradas de forma muito corriqueira, nunca se vislumbrando uma brisa de tentativa de originalidade. Já vimos este resultado múltiplas vezes, muitas delas até em telefilmes de qualidade duvidosa que passam a horas indecentes. O filme contém muitas cenas implausíveis e algumas coincidências no argumento soam a falso, porque facilitam demasiado os acontecimentos dramáticos. Não tenho nada contra a ocorrência de coincidências, desde que estas beneficiem a progressão da narrativa para resoluções estimulantes. Mas de facto isto não se verifica em Reservation Road.

Onde o filme bate mesmo no fundo é na sua misoginia irritante. As personagens de Connelly e Sorvino são inacreditavelmente preteridas em relação aos seus parceiros masculinos e assim sendo as actrizes têm pouco espaço para desenvolver as suas composições (especialmente Sorvino, uma das actrizes mais brilhantes de Hollywood que não tem aqui nenhum tempo de antena). Lá para o final, a intromissão do tom de thriller surge algo deslocada, porque não bate certo com os passos melodramáticos dados logo ao início. Enfim, um filme desolador e insípido com um elenco de excepção.


José Simão
http://cataclismocerebral.blogspot.com/


SÉRGIO DIAS BRANCO (Cinema2000)  
Um filme exemplar. Em vez de seguir as linhas mais convencionais do thriller, opta por um exame detalhado da culpa, da dor, e da vida que sucede ao atropelamento dum miúdo de dez anos. Intensos actores, Phoenix, Ruffalo, Connelly, Sorvino: as suas personagens explodem/implodem de vulnerabilidade e sinceridade. E isso é enquadrado por uma estrutura dramática que explora atentamente relações de proximidade e cumplicidade, de afastamento e hostilidade. E atenção ao final. Onde outros filmes fechariam com uma surpresa arbitrária, «Reservation Road: Traídos pelo Destino» mantém uma genuína dimensão humanista e consequentemente uma invulgar seriedade moral até ao fim.

S D-B


     
 

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