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O Segredo de um Cuscuz
Título original: La Graine et le Mulet
Título (Brasil):
Realização: Abdel Kechiche
Intérpretes: Habib Boufares, Hafsia Herzi, Farida Benkhetache, Abdelhamid Aktouche, Bouraouïa Marzouk, Alice Houri
França, 2007
Estreia: 15 de Maio de 2008
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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Na cidade costeira de Sète, França, o Sr. Beiji, pai de família de sessenta anos com emprego precário, esforça-se por manter a família unida. Tem o peso do falhanço em cima dos ombros e um sonho, o de construir um restaurante.
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* Abdel Kechiche no Cinema2000.
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Sara Carvalho (Castelo Branco) |
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| Adorei o filme, só não gostei do final, pois fico para aqui a especular sem saber o verdadeiro final! A parte em que a mulher desabafa com o sogro é desesperante! Tirando isso o filme está excelente...os actores a maneira como foi filmado...a maquilhagem! era tudo tão simples! Adorei a parte em que estavam a almoçar no Domingo...ate apetecia comer também! |
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Luís Mendonça |
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"La Graine et le mulet" será, porventura, uma das narrativas mais equilibradas e apaixonantes que o cinema deu a conhecer, em muito tempo. Um retrato corajoso das relações dentro de uma família de origem árabe residente em França, que procura expor, de forma subtil, um modelo social que rejeita endemicamente "o outro".
"La Graine et le mulet" não tem medo de ter personagens que preservam os valores da família, do respeito mútuo, da solidariedade e que, ao mesmo tempo, sejam vítimas das partidas que a vida prega... a todos nós; não receia que, simultaneamente, admiremos as suas manifestações de amor e soframos nos seus momentos de infortúnio. A vida é assim e Kechiche consegue habilmente (re)transmiti-la, através das suas personagens.
Por isso, nunca nos esqueceremos de Rym (Hafsia Herzi, a actriz do ano, ponto), a rapariga que cobre o padrasto, Slimane Beiji (Habib Boufares), de um carinho quase maternal e que, com ele, sonha um dia poder abrir um pequeno restaurante familiar, onde se sirva o magnífico cuscuz de peixe da sua ex-mulher.
Slimane é o homem que todos respeitam. Ele é o Chishu Ryu de Kechiche neste filme; melhor, ele é o Ventura do realizador tunisino: homem pobre, fatigado e sereno, que faz lembrar a imagem de um velho Deus caído. Rym vai acompanha-lo no projecto, para muitos absurdo, de transformar um barco velho num restaurante árabe.
A comida desempenha um papel importante. É precisamente à mesa que Kechiche apresenta algumas das principais personagens do filme. Quando o grande almoço em família toma lugar, a câmara agita-se e fecha-se em close-ups: uma forma de acompanhar realisticamente o frenesim de uma grande mesa e de tornar táctil o contacto com as personagens e a comida. Desta forma, Kechiche põe-nos à mesa - e em diálogo - com a família de "La Graine et le mulet".
Ao mesmo tempo, várias pequenas narrativas vão-se entrelaçando, até à convergência perfeita no dia da inauguração do restaurante-barco. A partir desse momento, o filme ganha um ritmo diferente: degusta mais cada cena, contemporizando a tragédia que se avizinha...
Contudo, a nosso ver, o desenlace esconde uma mensagem optimista: num tempo de falência das relações tradicionais - dentro e fora da família -, o amor ainda é possível. Quando a história de Slimane termina, e o genérico cai, a música não pára de tocar: Rym continua a dançar e nós a aplaudi-la por existir.
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Isak |
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Abdel Keniche é um realizador de origem Tunisina, mas radicado em França desde muito novo. Não é por isso de estranhar que os seus filmes tenham como tema a experiência dos emigrantes árabes na França e a complexidade da sua adaptação ao território. Neste "O Segredo de um Cuscuz", o protagonista é Slimane Beiji (Habib Boufares), um homem na casa dos 60 anos que, depois de toda uma vida a trabalhar no cais a reparar barcos, é considerado dispensável pelos patrões. Os argumentos que lhe apresentam são simples: está velho, é lento e deixou de ser rentável. Encurralado por esta situação e a necessitar desesperadamente de um ganha pão, Slimane decide tentar concretizar um sonho, o de abrir um restaurante.
Mas a luta de Slimane por ultrapassar os obstáculos necessários para conseguir levar para a frente a ideia do restaurante está longe de ser o tema principal. Pelo contrário, funciona apenas como motor para apresentar as realidades sociais e pessoais da comunidade magrebina no geral, e desta família em particular. O ritmo do filme é lento, dolorosamente lento, as cenas correm por demasiado tempo, os diálogos e situações são do mais trivial que se imagine e os close-ups constantes. Tudo isto junto contribui para um realismo de certo modo apelador, mas também a um certo desequilíbrio dramático e a espaços alieanador.
Slimane é uma pessoa triste e conformada que vive num quarto do hotel cuja dona é a sua namorada, Latifa (Hatika Karaoui). Latifa tem uma filha, Rym (Hafsia Herzi), que considera Slimane seu pai e que lhe dá preciosas ajudas durante todo o filme. Souad (Bouraouia Marzouk) é a ex-mulher de Slimane e os filhos ainda acreditam numa reconciliação entre os dois. Quase nenhum dos filhos aceita a relação entre o pai, Slimane, e Latifa. Mas chega de falar das personagens e das relações entre elas, que, alias, são tantas que não saiamos daqui.
O mais importante não é a história nem as voltas (poucas) que ela dá, mas sim mostrar a luta diária destas pessoas, pegar num pedacinho das suas rotinas e expô-las no ecrã. É um filme duro e a exigir estômago, com uma banda sonora praticamente inexistente e uma banalidade que nos leva quase ao desespero. O milagre aqui é que, perante este estilo narrativo, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Ou seja, no início só nos apetece sair porta fora e maldizer o dinheiro dado pelo bilhete, mas conforme o tempo vai passando vamo-nos habituando às personagens, aos seus tiques e às suas particularidades, identificamo-nos com elas e já não as queremos deixar. Mais importante, revemo-nos nas suas discussões insignificantes e no intimismo delas reconhecemos algumas das nossas próprias quezílias familiares.
É um filme naturalista cheio de potência dramática, que exige um pouco de paciência mas que acaba por compensar. Infelizmente, como já referi, a sua maior força é também a maior fraqueza. Estende-se por demasiado tempo (cerca de 2h e 30m) e não é um género que chame muitos adeptos. É um daqueles filmes que vemos uma vez na vida, mas nunca pensamos em revê-lo. Mas não deixa por isso de ser um retrato pungente da vida de uma população que não vive adaptado ao pais que os adoptou, que não consegue deixar a classe baixa, dos empregos instáveis e não-qualificados.
Por tudo o que referi, "O Segredo de um Cuscuz" é um filme muito conseguido, com grandes interpretações e uma grandeza que só não é maior por ter um final completamente desastroso. Não fosse esse facto, e estávamos perante uma obra quase perfeita, dentro do seu estilo. Assim sendo, não se consegue evitar uma pequena sensação de vazio ao abandonar a sala.
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José Varela Franco |
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| Mal vi o filme fui comprar cuzcuz. Cozinhei-os com gosto e prazer como um realizador a fazer a sua obra. Coloquei temperos como o realizador colocou carinho e sensibilidade nos seus personagens. Demorei o tempo que quis tal como cada personagem teve o seu tempo para demonstrar a sua força. E comio-os com a energia de uma dança de ventre. E sabem ......... tal como o filme: estavam deliciosos. |
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CS |
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| filme muito mau. |
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Xavier |
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| Uma desilusão tremenda do inicio ao fim. Não percebo como fazer lixo como este para o cinema, até mete nojo. |
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PC |
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Sim, belíssimo.
Para além do que se diz atrás: o papel fundamental da mulher na estrutura familiar, a poesia com que Slimane constrói o seu destino (alcançando os seus fins, e não sem a ajuda de todos), e os seus densos silêncios. |
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Sérgio Santos |
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| Adorei este filme. Tal como disse um critico, eu amei três cenas em especial, três cenas morosas e muito bem interpretadas e filmadas: a cena da dança de Rym, a conversa desta com Slimane (seu "pai") e cena da longa conversa que Rym tem com a sua mãe. A realização é boa, o filme tem excelentes interpretações de todos eles,mas principalmente da actriz que desempenha Rym (Hafsia Herzi) que é de uma grandiosidade fabulosa. Gostei também da envolvência entre eles nos assuntos da família, bem como nos dramas que vivem com a sociedade discriminadora. Tal como em Portugal, em França também existe excesso de burocracia para tudo, o que é de lamentar. A única coisa que eu não gostei no filme foi aquela cena final: de Slimane a correr pelas ruas, perseguindo aqueles putos estúpidos que lhe roubaram a mota, se fosse eu, não corria, apanhava um taxi e regressava ao restaurante. Não percebi se Slimane morreu ao cair no chão, se apenas desmaiou, ou se somente atirou-se para o chão de tão cansado que estava. Fiquei sem entender esse final, só por isso, dou quatro estrelas ao filme, senão fosse pelo final estúpido do filme, dava cinco merecidas estrelas, porque o filme merece. É, sem sombra de dúvidas, um excelente filme. |
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Miguel Domingues |
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Um fantástico épico proletário sobre a vontade de ser alguém e de deixar legado, mesmo que à beira da morte. Kechciche possui um estilo maleável e fortemente realista, procurando, com os seus planos muito fechados, quase imiscuir-se na realidade daquilo que filma. Habib Boufares e Hafsia Herzi são fantásticos, a gestão do tempo é admirável (duas horas e meia que passam num ápice) e, no final, ficamos com a sensação de termos estado in loco com aquelas pessoas, produtos da descolonização e vítimas da globalização. Fantástico.
www.limitationoflife.blogspot.com |
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Kátia |
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Adorei este fimme....devo confessar k ia muito céptica em relação ao filme, mas acabei por adorar toda a história e todas as personagens k, na minha opinião, estão muito bem construídas. é uma espectacular critica social á, ainda, estigmatização que os emigrantes são alvo no país de acolhimento e todos os constrangimentos pelos quais têm k passar para conseguirem a sua sobrevivencia e a concretização dos seus sonhos!As cenas k mais me tocaram foram, sem dúvida, o almoço de domingo em que se vê a tradição árabe mas com nuances francesas ja enraizadas, a cena da mulher k é traída pelo marido vezes sem conta e tem um desabafo angustiante de muitos minutos e a dança do ventre k está mt bem conseguida! alem de uma boa actriz é uma óptima dançarina!
Recomendo de sobremaneira este filme! |
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Carlos Pereira |
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| Trata-se de nos sentarmos à mesa com todas aquelas pessoas e integrar aquelas relações. Sentimo-nos próximos, presentes, e isso é algo tão difícil de conseguir. Sublime. |
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Lueji |
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Gosto da palavra cuscuz e das dúvidas ortográficas que suscita. Eu, pelo menos, nunca sei como a hei-de escrever. É uma palavra rodeada de segredos, como tantas outras. Por outro lado, o segredo que desvendamos em O Segredo de um Cuscuz (no original Le Graine et le Mulet) é bem diferente e acaba por não ser segredo nenhum: é a indiferença e a frieza com que se continua a tratar os emigrantes em qualquer parte do mundo. Este distanciamento entre nós e o outro é abordado de uma maneira cruel e cómica.
As tensas relações familiares estão também divinalmente exploradas e originam, quanto a mim, as três melhores cenas do filme: a conversa impulsiva e inteligente de Rym – que me deslumbrou – com a mãe, cheia de palavrões que me fizeram lembrar por que gosto de palavrões franceses, mas não dos portugueses; o discurso fulgurante, num tom de agonia crescente, de uma mulher repetidamente traída pelo marido; e, finalmente, a dança do ventre protagonizada pela mesma Rym, que encanta tudo e todos, com movimentos embriagantes. Estas cenas, em particular, são longas, mas precisam dessa longevidade para crescer, bastando-se a si próprias, como se nada mais existisse para além delas.
No final, só Rym (filha que não é filha) soube ser filha de seu pai, que enceta uma busca utópica, a busca da igualdade e do respeito, numa França que, só em teoria, é multicultural. Passa-se em França, mas poderia passar-se em qualquer outro sítio. |
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APE |
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| Belíssimo. |
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Paulo Alexandre Rocha Teles |
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| sem duvida um dos melhores filmes franceses que vi ate hoje... Adorei tudo, desde os atores ate a maneira de filmar... |
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