P2 – Zona de Risco

Título original: P2
Título (Brasil):
Realização: Franck Khalfoun
Intérpretes: Rachel Nichols, Wes Bentley, Philip Akin, Stephanie Moore
Estados Unidos, 2008
Estreia: 8 de Maio de 2008

Críticas de: Jorge Pinto e Sérgio Dias Branco


Média dos
Espectadores
   
 
Quando chega ao parque de estacionamento do seu escritório, Angela Bridges descobre que o carro não pega. A garagem está deserta e o seu telemóvel naquele piso não apanha rede...

*****

* Wes Bentley no Cinema2000.


António Mercês
Terror a Conta-Gotas

“P2 - Zona de Risco” trata-se de mais um exemplo de uma longa tradição de filmes de horror urbano, tendo neste caso particular como cenário principal, onde quase exclusivamente se desenrola toda a acção, um parque de estacionamento subterrâneo de um arranha-céus (tratando-se concretamente do emblemático Empire State Building).

Nesta grande amálgama que são as actuais selvas de pedra em que os grandes aglomerados urbanos se transformaram (como o caso da cidade de Nova Iorque), qualquer sociopata pode encontrar espaço de manobra mais do que suficiente para eleger as suas vítimas e actuar com um risco mínimo em ser detectado e detido. De facto não deixa de ser extremamente irónico tal suceder, tendo em conta que estamos a falar de, metafórica e literalmente falando, de um mar de seres humanos (noção de solidão entre a multidão). Contudo, tal acaba por suceder – possivelmente, muito para além dos números oficiais das estatísticas. Como dizia o outro, “eles andem aí”…

Este é portanto o plot inicial definido pelo argumento. No entanto, não creio que traga algo significativamente de novo. Quer ao género em si, quer ao próprio cinema. Cai inapelavelmente em alguns clichés tão característicos do género de terror clássico, como por exemplo, a indumentária branca envergada pela potencial vítima (qual oferenda sacrificial aos desígnios da loucura de outrem), a qual acaba sempre por escapar – independentemente da provação pela qual passou e/ou sangue derramado (prova de que se apegou à vida com “unhas e dentes”, tendo como merecida recompensa a possibilidade de continuar a viver). Sendo um lugar-comum neste tipo de filmes, todos aqueles vestidos de branco são os únicos que irão sobreviver… Ou então, a atitude em se punir aqueles que possuem um comportamento social e/ou moralmente condenável. Isto significa que o executivo que não resiste à tentação de assediar as suas colegas de trabalho tem de pagar com a vida pelo seu desvio comportamental. Tudo isto faz parte dos anais do género.

Salva-se a prestação de Wes Bentley, no papel do psicopata Thomas, o qual é bastante convincente no seu desempenho – olhar e sorriso maléficos e obstinados; paranóico q.b. ao revelar eventuais carências emocionais que o transformaram naquilo que é; bom na colocação da voz, ao vociferar e/ou gritar.

Rachel Nichols, como a vítima Angela, também não se sai mal. Saliento a atitude de sobrevivência que procura incutir na sua personagem, ao ponto de ter de optar por matar, de modo a manter-se viva (não deixando, no entanto, de deixar transparecer a sua atitude de vingança no final – noção de justiça feita pelas próprias mãos).

Os protagonistas, grosso modo, cumprem com aquilo que lhes foi solicitado – sendo, inclusive, aquilo que de melhor o filme apresenta. Contudo, e infelizmente, o saldo final acaba por não ser positivo. O argumento, o modo como foi concebido, bem como o cenário escolhido – atmosfera sombria e asfixiante de um parque de estacionamento encerrado – tudo isto teria potencial para ser melhor explorado. No entanto, peca na execução e pelo facto de se emaranhar em convenções de género.


SÉRGIO DIAS BRANCO (Cinema2000)  
Objecto híbrido. Como filme de suspense, a sua eficácia deve-se a alguns componentes já conhecidos e testados: concentração da acção num local encerrado, confronto de duas personagens, subida exponencial da tensão,... Descrito assim parece apenas um thriller sobre uma executiva confrontada com um admirador demente. O facto é que aqui encontramos também, não só o gore que conhecemos dos filmes do produtor/argumentista Alexandre Aja, mas sobretudo a reflexão sobre o mundo contemporâneo que fez de «Terror nas Montanhas» um grotesco e relevante remake. Está tudo mais camuflado pelas regras do suspense, mas Khalfoun soube aproveitar a oportunidade para explorar o isolamento social/económica da personagem de Wes Bentley, que o torna invisível no funcionamento do grande edifício onde trabalha. E também problemas da relação entre os sexos, dentro e fora dos escritórios, através da mulher solitária interpretada por Rachel Nichols.

S D-B


JORGE PINTO (Cinema2000)  
«P2 - Zona de Risco» é realizado e escrito por Franck Khalfoun em colaboração com Alexandre Aja. Este último foi responsável do francófono «Alta Tensão» e do remake de «Terror nas Montanhas» e Khalfoun participou como actor no primeiro.

As características das obras de Aja, na altura marcantes, estão presentes sob forma diluída em «P2», pois existe um vazio a nível de intensidade e do seu estilo mais repentista e quer ser mais uma tentativa de fusão entre o thriller psicológico e o terror pornográfico. Só que o ritmo alucinante perdeu-se completamente em diálogos intermináveis que certificam a loucura do solitário psicopata (Wes Bentley) e aprofundam o jogo mental entre o caçador e a sua presa. A vítima é Ângela (Rachel Nichols), uma jovem com o background estereotipado, uma devota do seu trabalho e exilada da família que enfrentará um teste de sobrevivência (a sua) ao ficar enclausurada numa garagem subterrânea com um individuo que não quer passar a ceia de Natal a sós. Sem surpresas, Ângela sofre uma alteração radical da sua personalidade (mais uma característica do cinema de Aja) e na recta final assume as despesas desta cilada, quando assistimos à sua transformação de modesta rapariga do campo numa caçadora na cidade.

Não existem muitos danos colaterais, este é mais um jogo do gato e do rato. A violência é chocante e tenta-se jogar com os medos da audiência através do conceito inerente da claustrofobia urbana. Nichols está bem no seu desempenho e no seu decote, mas Bentley tem uma performance fugaz uma vez que o seu papel torna-se demasiado caricato quando tenta puxar pela voz ou dar a conhecer o seu alter ego de Elvis impersonator. Apesar de alguma interacção entre ambos, isto não parece ser o suficiente para sustentar noventa minutos de «P2».


Nuno
Bom filme, melhor do que estava à espera.


José Videira
vê-se bem, nada de especial


     
 

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