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A Ronda da Noite
Título original: Nightwatching
Título (Brasil):
Realização: Peter Greenaway
Intérpretes: Martin Freeman, Emily Holmes, Jodhi May, Eva Birthistle, Toby Jones, Natalie Press
França/Polónia/Grã-Bretanha/Canadá/Alemanha/Holanda, 2007
Estreia: 8 de Maio de 2008
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Eurico de Barros | João Lopes | Média dos Espectadores |
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O ano de 1642 marca o ponto de viragem na vida do famoso pintor holandês, Rembrandt, transformando-o de uma rica e respeitada celebridade num pobre desacreditado.
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* Peter Greenaway e Martin Freeman no Cinema2000.
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Eurico de Barros
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O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 9 de Maio de 2008.
Peter Greenaway, um dos grandes experimentadores do cinema contemporâneo, regressa com um filme sobre a produção do quadro "A Ronda da Noite", de Rembrandt: uma viagem fascinante aos labirintos da história, do poder político e da arte das imagens. Com uma escolha inesperada, mas completamente certeira, para representar o pintor: Martin freeman, um dos intérpretes da série televisiva «O Escritório».
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O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 7 de Maio de 2008, com o título "O mistério de `A Ronda da Noite` segundo Greenaway".
O quadro "A Ronda da Noite", pintado por Rembrandt em 1642, e que deveria antes ser conhecido por "A Companhia de Frans Banning Cocq e Willem von Ruytenburch", representa uma companhia de milicianos encabeçada por ricos mercadores de Amesterdão, pintada de forma dinâmica, prestes a marchar, ao invés de ser retratada em fila ou no banquete anual, como era convenção na época. Certo?
Errado. Totalmente errado, na opinião do realizador, e também pintor e desenhador britânico Peter Greenaway. Segundo ele, Rembrandt pintou "A Ronda da Noite" para denunciar o assassínio de uma das pessoas que deveria ter sido representada no quadro, e apontar os culpados, nele imortalizados.
Greenaway chama à obra-prima "o j`accuse de Rembrandt". Um corajoso ataque aos burgueses que encomendaram e pagaram a tela, e estavam envolvidos numa cabala para obter mais dinheiro, influência, proeminência social e mais poder em Amesterdão, na altura a cidade mais rica e próspera do Ocidente.
De acordo com Greenaway, a originalidade formal da famosa tela mais não é do que a maneira que o artista encontrou para semear as pistas alegóricas que permitiriam aos bons observadores desvendar o mistério e identificar os assassinos, sob a forma de várias "anomalias" pictóricas.
Esta tese está exposta no novo filme do realizador, «A Ronda da Noite»(...). Peter Greenaway, admirador de longa data de Rembrandt, diz que "A Ronda da Noite" o intriga há muitos anos, pelas "muitas anedotas visuais e actividades inexplicadas" que mostra, pela maneira como a tela rompe com "as tradições deste tipo de retratos de grupo" na pintura holandesa da Idade do Ouro, e ainda "pela sensação persistente e prevalecente de que alguma coisa nos está a ser dita, mas não sabemos bem o quê".
O cineasta vai mais longe. Na sua opinião, Rembrandt pagou muito caro a ousadia. O artista terá ficado arruinado e perdido a sua posição social e os favores dos poderosos e influentes, não pelo gosto em pintura e a moda artística terem mudado nessa altura na Holanda, mas devido a uma conspiração dos visados no quadro, que o desacreditaram moral e socialmente, e levaram à penúria.
Greenaway concebeu ainda uma instalação paralela ao filme, que esteve exposta ao lado de "A Ronda da Noite", no Rijksmuseum de Amesterdão, em 2006, quando se comemoraram os 400 anos do nascimento do pintor.
Além de um "policial" histórico-artístico, «A Ronda da Noite» é ainda uma história da criação da tela, desde a encomenda até à sua exposição, e um retrato do dia-a-dia social, familiar, criativo e íntimo de Rembrandt. O director de fotografia Reiner van Brummelen refaz a luz e a composição das telas do artista, dando ao filme o aspecto de uma sucessão de "quadros vivos" da pintura holandesa da época.
A tese detectivesco-conspirativa de Peter Greenaway poderá ou não ser plausível. O filme, esse, é inegavelmente belíssimo. |
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João Lopes
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O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias a 11 de Maio de 2008, com o título "O cinema perante a pintura de Rembrandt".
Discretamente, chegou esta semana ao mercado português um daqueles filmes que, de facto, justificam que se diga que a experiência de uma sala escura é qualquer coisa de único e insubstituível. Tem o título de um quadro que Rembrandt (1606-1669) produziu em 1642, «A Ronda da Noite», e foi realizado pelo galês Peter Greenaway, um dos cineastas contemporâneos que mais, e com maior brilhantismo, têm explorado as relações do cinema com as outras imagens, em particular com a pintura.
Hoje em dia, os discursos mais fáceis sobre a pintura e os pintores oscilam entre duas convenções igualmente redutoras. Ou se remetem os quadros para um conceito anquilosado e "contemplativo" de museu ou, então, engrena-se tudo numa balbúrdia descritiva em que, em boa verdade, uma obra-prima da história da pintura e uma imagem de telejornal tendem a equivaler-se na mesma banalidade e indiferença.
Greenaway é um cineasta da densidade da expressão artística. Densidade, entenda-se, não significa obscurantismo ou impenetrabilidade. Bem pelo contrário: se há cinema hiperinformado e, na sua exuberância, serenamente pedagógico, é o cinema de Peter Greenaway. Apaixonado pela pintura do século XVII, tanto quanto pelas potencialidades das novas formas videográficas e digitais, ele é um autor que não abdica de discutir cada imagem, não apenas enquanto resultado de um labor especificamente formal, mas também como sinal das tensões e contradições de um tempo particular. Assim acontece com «A Ronda da Noite», que é, de uma só vez, um filme sobre a ousadia estética de Rembrandt e o seu inevitável confronto com os valores culturais ligados ao poder político da época.
Não deixa de ser curioso referir que não é a primeira vez que Rembrandt, e "A Ronda da Noite" em particular, suscitam o interesse dos criadores cinematográficos. Há mesmo o caso invulgar de um "filme-dentro-de-um-filme" em que o quadro desempenha um papel nuclear. Chama-se «Paixão», é uma produção de 1982 dirigida por Jean-Luc Godard, e segue a rodagem de um filme em que se tentam "reproduzir" alguns quadros célebres, incluindo "A Ronda da Noite". Em tempos mais remotos, nos primeiros anos do cinema sonoro, Charles Laughton foi o protagonista de «Rembrandt», filme inglês de 1936 realizado por Alexander Korda.
Dir-se-ia que a pintura desafia a intimidade do próprio cinema, e não apenas porque o "movimento" dos filmes tem dificuldade em lidar com a "fixidez" dos quadros. Acontece também que um quadro (enfim, um grande quadro...) remete sempre para uma história em que se cruzam as condições afectivas da sua gestação e as componentes simbólicas de toda uma época.
Não admira que Vincent Van Gogh (1853-1890) seja outro pintor tão frequentemente abordado pelo cinema. Lembremos apenas dois casos excepcionais: «A Vida Apaixonada de Van Gogh» (1956), de Vincente Minnelli, e «Van Gogh» (1991), de Maurice Pialat. O primeiro é um produto da idade de ouro de Hollywood, enquanto o segundo pertence a um realismo assombrado que Pialat representou como ninguém na produção francesa. Em todo o caso, ambos reflectem a mesma perplexidade: a que nasce do poder revelador da pintura. |
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afonso dos reis |
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Chiaroescuro: a pré-história do cinema?
Desta vez Peter Greenaway encarregou-se de explicar o seu filme com uma variedade de textos e até com o documentário Rembrandt`s J`Accuse, que a televisão tem vindo a passar.
Aqui podem encontrar as opiniões do próprio realizador:
http://petergreenaway.org.uk/nightwatching.htm
Visualmente é um exercício preciso, culto e esteticamente impressionante de composição e iluminação. Greenaway estabelece uma relação entre a pintura de Rembrandt e o cinema e o filme começa com a escuridão a partir de onde as luzes vão criando ilusões. Da cegueira da noite do entendimento, a arte trabalha para iluminar a vida. O filme trabalha as referências pictóricas de Rembrandt de forma interessante.
Por outro lado Nightwatching é um panfleto político e uma reflexão sobre a cegueira que impende sobre os artistas.Imitar ou criar. Trabalhar por encomenda põe sérias questões, também no mundo da indústria do cinema.
O próprio Greenaway não teve o orçamento que desejava ao seu dispor, o que o obrigou a uma economia de meios, optando pelo trabalho em estúdio e um modo um pouco teatral.
A minha opinião:Acho que o filme é muito longo e não perdia nada com a abreviação de algumas cenas. Greenaway estava tão embalado que escreveu, escreveu, escreveu e aí está. O entusiasmo do realizador é visível, mas dificilmente o espectador o poderá partilhar. As imagens são um filme, com planos como pinturas, duma perfeição inatacável. Mas a narrativa e os diálogos mais parecem teatro e tem momentos muito enfastiantes. Ver o filme todo de seguida é uma provação.´
A interpretação da pintura de Rembrandt necessita de estudo e é objecto de debate, sendo que não há uma interpretação final. Mesmo que Peter Greenaway esteja errado, Rembrandt é um pintor revolucionário, humano, inteligente e inovador.
Para mim que não sou especialista em pintura, o que fica é a questão da dependência do artista relativamente a quem faz a gestão da arte e ao status quo.
Greenaway é uma festa para os olhos, mas este filme é uma gritaria constante e os actores secundários são muito banais. E como o realizador dirige ele próprio tudo ao milímetro, presumo que esse seria o efeito pretendido. |
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alexandre martins |
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Já em The Draughtsman`s Contract era encenada a posição exterior do artista face ao poder e ao dinheiro, no interior de uma narrativa de crime e mistério.Nesse filme, PG trabalhava ainda o tema da perspectiva e do alcance da visão, com finura e sentido de humor.
Em A Ronda da Noite esses temas estão todos presentes, mas agora de uma forma mais humana, menos burlesca.O tema da visão está explícito no título que é ambíguo, já que as possibilidades não têm de ser totalmente coincidentes para a tela e para o filme. A tradução de Watch para Ronda restringe um pouco o campo semântico, mas é uma opção legítima.
Peter Greenaway tem a genialidade de saber contar histórias e ao mesmo tempo reflectir sobre uma série de temas: o interior de uma tela ganha vida e profundidade, ao mesmo tempo que as manchas de luz que se movem no fundo escuro são uma referência intencional ao cinema.Esteticamente é esplendoroso e do ponto de vista narrativo é denso e rico, dando-nos a ver o drama da experiência humana combinado com o trabalho lento e fragmentado da composição de um quadro, e a importância revolucionária da procura da verdade. |
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Paulo Ferrero |
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Talento multifacetado? Narcisista demiurgo? Adepto incondicional das novas tecnologias, tal qual da nudez do corpo humano? Cabalista inveterado? A verdade é que o cinema pictórico de Greenaway não deixa ninguém indiferente, e quando a ele se junta o génio taciturno de Rembrandt o resultado só poderá ser … «A Ronda da Noite»; filme à volta do quadro homónimo do mestre holandês, que o realizador-pintor (ou será ao contrário?) decide abordar numa perspectiva deliberadamente policial, em relação a uma suposta alegoria pintada sobre um assassinato.
Não cabendo aqui dissertar sobre a verdade da tese de Greenaway (já abordada, superficialmente, aqui), há que dizer que custa a entrar no filme, tal a rapidez e excitação com que o autor de «The Cook, The Thief, His Wife and Her Lover» (de longe o seu melhor filme) começa o filme, como que a debitar as personagens, os diálogos, etc. Mas, passada a efervescência narrativa dos primeiros minutos, a sucessão de quadros (que é isso que são as cenas filmadas por Greenaway !) que nos é dada a ver depois é de facto belíssima …mau grado a evidente colagem ao claro-escuro do pintor (literalmente), aqui e ali algo falhada no que diz respeito à intensidade de luz, que reduz imenso a paleta de cores, a um tom mortiço, nem tampouco condizente, diga-se, às águas-fortes que tornaram célebre Rembrandt.
Fica a incerteza em relação à trama policial e em relação a que casa de Rembrandt o filme é feito, já que a casa que actualmente é museu em Amesterdão não dava para ter uma cama e um dossel daquela dimensão. Martin Freeman é uma boa surpresa; o bom gosto dos décors e a música, irrepreensíveis, como sempre.
Uma nota final para as péssimas condições de exibição das salas do Saldanha Residence. Assistir a um filme de Greenaway com aparelhagem semi-muda, ouvindo o passar do comboio do Metro, de tempos a tempos, e sentado em cadeiras rotas e altamente incómodas pode tornar-se uma blasfémia. Foi isso que me aconteceu…
Cine-Australopitecus
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António Mercês |
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Pobre Homenagem
“A Ronda da Noite” pretende ser (pressupõem-se) uma homenagem do realizador Peter Greenaway ao pintor holandês seiscentista Rembrandt van Rijn.
Recorrendo a uma encenação deliberada (e exageradamente) teatral/dramática, procurou-se retratar aspectos da vida do pintor, com particular incidência sobre episódios da sua vida pessoal – íntima, familiar e sexualmente falando. Ou seja, pretende retratar-se o homem em si, com uma certa tendência para a devassidão, a qual se acentua consideravelmente após ter ficado viúvo.
O fio condutor principal que parece guiar a narrativa centra-se nos acontecimentos por detrás da elaboração de uma tela de Rembrandt, onde se representa um suposto grupo de nobres mosqueteiros. A tela acaba por assumir uma função de denúncia dos acontecimentos directamente relacionados com a elaboração da mesma (um assassinato incluído), bem como dos comportamentos dos próprios intervenientes – encerrando em si a missão de apontar comportamentos desviantes e condenáveis (do ponto de vista moral e social, de acordo com os códigos da sociedade da época, como a homossexualidade ou o estatuto de “inferioridade social” de um “mero bastardo” – entenda-se: “filho concebido fora dos laços do matrimónio” ; ou questões igualmente prementes na sociedade actual, como o abuso/molestação sexual de menores ou o homicídio).
Contudo, o produto final peca pelo excesso de zelo em tornar a acção demasiado teatral, tal como nas telas do próprio pintor. A adopção de ambientes predominantemente dominados por uma paleta cromática de cores sombrias é igualmente recorrente, tal como no trabalho de Rembrandt – analogia directa com as dificuldades emocionais e/ou financeiras pelas quais o pintor passou. É compreensível até certo a ponto a adopção destas técnicas, tendo em conta o contexto de homenagem à figura histórica e artística na qual Rembrandt se constitui. Mas acaba por tornar a narrativa desnecessariamente pesada e perigosamente enfadonha. Em “Cleópatra”, de Joseph L. Mankiewicz, com a sua encenação shakespeariana, funciona perfeitamente. Aqui não.
As deixas (lá está, puro contexto teatral!) directamente debitadas diante da câmara, quais momentos de confissão, acabam por estar igualmente condenadas ao fracasso. Não creio que o tom confessional que as mesmas possuem tragam algo de benéfico à narrativa, tornando-a assim próxima do género documental – não me parecendo que tenha sido essa a intenção primária do realizador.
A intenção percebe-se e até que não seria má, no entanto a execução e produto final fracassam totalmente. Ficamos, de facto, a conhecer um pouco da vida pessoal do pintor e da sociedade holandesa do Século XVII. Mas pouco mais, o que se constitui como um pobre resultado para um projecto que, a priori, se revela bastante ambicioso. Aquém das expectativas, sem dúvida. O que é pena, pois revelava potencial para ser melhor explorado e trabalhado.
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Gabriel Andrade |
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| Obviamente eram 5 estrelas |
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Gabriel Andrade |
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Mais um filme para a brilhante filmografia do Greenaway.
A `Ronda da Noite` é sobre o (mais) famoso quadro do Rembrandt neste momento em exposição no Rijksmuseum em Amsterdam. É um extraordinário delírio visual e artístico, fiel ao estilo muito próprio deste realizador. Achei engraçada a forma como se trata a fotografia, fazendo o filme parecer um conjunto de quadros com as características dos vários Rembrandt que vão sendo evocados. O argumento é também muito poético e elaborado, podendo parecer confuso para o público em geral (que por sinal não vai ver estes filmes...felizmente). Surpreendeu-me muito (pela positiva) a interpretação do actor principal que eu já conhecia, num registo bem distinto, do fenomenal The Office inglês. Enfim, mais um filme para a (já grande) galeria de óptimos filmes que vi este ano! |
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