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Sob o Signo da Morte
Título original: Pars Vite et Reviens Tard
Título (Brasil):
Realização: Régis Wargnier
Intérpretes: José Garcia, Lucas Belvaux, Nicolas Cazalé, Linh Dan Pham, Michel Serrault, Marie Gillain, Olivier Gourmet
França, 2007
Estreia: 17 de Abril de 2008
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Média dos Espectadores |
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O Comissário Jean-Baptiste Adamsberg não gosta da Primavera. Receia a subida de energia, os desejos de evasão, a explosão dos impulsos, todos os sinais que indiquem o regresso dos dias bonitos.
*****
* José Garcia, Olivier Gourmet e Michel Serrault no Cinema2000.
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Alex Aranda |
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Qual Medo?
Sou grande apreciador do policial francês. Ao verificar que vinha mais um, a minha curiosidade foi despertada, a história pareceu-me interessante e havia o extra de ter como realizador o mesmo do belo “Indochine”.
Arrisquei.
E depois arrependi-me.
Dá medo ver uma ideia com potencial (podia-se fazer uma analogia sobre a decadência de alguns valores da sociedade moderna e a chegada de uma praga com contornos divinos e “moralizadores”) ser transformada num “whodunit” vulgar (a revelação da verdade não chega a surpreender).
Dá medo ver actores perdidos sem qualquer jeito para o género (será que Jean Reno e Vincent Cassel estavam assim tão ocupados?).
Dá medo ver o cinema francês a imitar-se (o filme tenta seguir os rumos das bem sucedias adaptações cinematográficas dos romances de Jean-Christophe Grangé – “Les Rivieres Pourpres”, “L`Empire des Loups” e “Le Concile de Pierre”).
Dá medo ver tantos personagens e a história a tentar dar relevo a todos, mas nem eles têm espessura dramática nem se percebe como interagem entre si, que relações existem, como se iniciaram.
Sobram as boas intenções, bem como um par de sequências bem iniciadas (mas depois terminadas abruptamente quando estão a entusiasmar).
Quando cheguei a casa fui mesmo confirmar se este Régis era o mesmo Wargnier de “Indochine”. Afinal era. Correu mal esta incursão pelo “polar”. Lapsos acontecem a muitos e bons actores e realizadores.
Tudo correrá melhor no próximo filme (assim espero). |
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António Mercês |
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Sob Signo Algum
“Sob o Signo da Morte” parte de um mote que vem sendo utilizado ultimamente com muita frequência (praticamente até à exaustão do mesmo, arriscaria eu), nomeadamente, a de uma conjuntura social que se vê seriamente ameaçada na sua ordem e estrutura devido a uma ameaça com contornos apocalípticos e necessárias associações ao universo da religião judaico-cristã. Creio que este é o primeiro aspecto em que este produto fílmico peca, ou seja, incorre na tentação de seguir uma vaga/tendência que tem sido largamente explorada, não só nos meandros da Sétima Arte, como também a nível literário, com particular enfoque no “fenómeno Código DaVinci” (em todas as suas manifestações).
Em segundo lugar, a história narrada, o argumento propriamente dito, falha totalmente na sua execução. Aquilo que se pretende como sendo uma teia de acontecimentos bem urdida, a qual se encerra sobre si própria, qual mistério sem aparente solução, vem-se revelar como sendo uma manifestação de uma vingança pessoal motivada por despeito perante o desfavorecimento de um filho considerado enjeitado (o estereótipo do bastardo, resultante de uma relação extra-conjugal). Chega-se portanto à conclusão que o proclamado regresso da peste bubónica não passa de um embuste convenientemente aproveitado para se desviar as atenções do verdadeiro móbil dos assassínios em série que vão decorrendo em pleno centro de Paris. Em suma, maldições de cariz bíblico servem apenas a quem nelas quiser acreditar – em particular, o neto e avó que procuram vingar o assassinato daquele que foi, respectivamente, seu pai e filho.
É positivo o esforço em se tentar transpor para o século XXI o modo como a sociedade civil medieval se comporta(va). Sociedade essa povoada por crenças, medos, superstições, indecisões perante o futuro ou o próprio dia de amanhã e, sobretudo, o medo da morte - que a todas as ocasiões parecia espreitar (com particular destaque para os períodos em que se deram os primeiros surtos de peste negra). A turba de gente que se aglomera na praça pública para religiosamente ouvir as novas trazidas pelo apregoador, espaço privilegiado de discussão e debate dentro da comunidade. Há igualmente a preocupação em se documentar toda uma iconografia relacionada com a temática (o quatro invertido ou o anel de diamantes como símbolos protectores contra a peste). Isto é, de facto, bem retratado e transposto para a tela. No entanto, não é de todo suficiente para colmatar as falhas que o produto final apresenta.
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