California Dreamin`

Título original: California Dreamin`
Título (Brasil):
Realização: Cristian Nemescu
Intérpretes: Armand Assante, Razvan Vasilescu, Jamie Elman, Alex Margineanu, Gabriel Spahiu, Catalina Mustata, Maria Dinulescu, Ioan Sapdaru, Andi Vasluianu
Roménia, 2007
Estreia: 17 de Abril de 2008


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
O Capitão Jones, do corpo de fuzileiros navais dos EUA, é destacado para escoltar um comboio que transporta equipamento da NATO e que se dirige para a Jugoslávia durante a guerra no Kosovo. A sua missão é detida por Doiaru, aparentemente um chefe de estação muito meticuloso numa vila abandonada, que retém o comboio.

*****

* Cristian Nemescu, Armand Assante no Cinema2000.


Fernando Lopes
Experiência sobejamente agradável. Com efeito, não deixei de soltar uma gargalhada aqui e acolá. Mas, sobretudo, o que exala do filme é o perfume da vida, conciliando em nós que há muitas formas de ser, de presença humana. O carácter americano – por via de soldadesca, Marines, ao serviço da Nato em viagem de comboio com destino ao Kosovo, com equipamento militar, e imobilizado por causa de uma burocracia aparente - é liado e afrentado, numa pequena localidade perdida no mapa da Roménia (Calpanita), por uma modalidade de vivência onde coabitam a charanga da generosidade de receber o diferente (o americano mitificado) com a corruptela feita expediente de rotina, tudo miscigenado em alta frequência pela energia e pelo volitivo de ainda assim sonhar por diferente existência, encarnada no “norte-americano” como libertadora . Claro que, naqueles autóctones cidadãos, convergem tendências contraditórias enfunadas e embaladas numa espécie de bandalheira democrática num debutante regime saído duma histórica espera opressiva – aqui, um sub-texto também -, onde se ensaiaria a espontaneidade própria de sorver o mundo que teima em chegar-lhes feéricamente, com odores e sabores, correndo o tempo vagarosamente e contendendo com outro – o da pressa da guerra alhures. No fim, perante a visualização de um espectáculo encomendado de fogo-de-artíficio realizado fora de compasso, de tempo, os marines talvez tenham acreditado, assim presenteados, que estiveram no paraíso, rendidos a uma índole tocante, contagiante. O filme tem por base uma história verídica (em 1999, muito antes da Roménia pertencer à E.U., durante os bombardeamentos à Jugoslávia), o que o transforma num drama, conquanto despido, nu, sem rede, prenhe de formas, cores firmes e reviengas: simples, emotivo, que nos faz destapar sentimentos, quase roçando, ocasionalmente, a tribulação de uma comédia, que é a melhor ficção que podemos entender da nossa ventura. E o filme marcha da fanfarra até às tensões derradeiras intra-muros catalizadas, acidental e caoticamente, pelos militares americanos. Aparte a tragédia do realizador – Nemescu -, ao filme conveio, porventura, que tivesse restado “inacabado” (Nesfarsit), mais conforme com a realidade, que, por vezes, nos parece surgir erraticamente.


     
 

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